quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Recordar coisas que escrevi no passado (3)

 Ahahah, Dezembro de2008 :A Família da Ilha Paraíso”

«E se os nossos "amigos vírus” andarem por aquelas paragens, encontrarão nesta “ilha paraíso da Beirã”, algumas das condições ideais, para se reproduzirem, armarem e prepararem o ataque. Depois, é só apanharem boleia de um qualquer vector (até as abelhinhas lhes servem), e as primeiras consequências, serão para a comunidade marvanense, e sobretudo, as crianças. As deles e as dos outros.

E numa comunidade tão dada à religiosidade, como parece ser aquela, convirá sempre perguntar: “… e as crianças meu Deus, que mal fizeram…?”»

(Que bem me soube ler este artigo e os 32 comentários. Façam o mesmo é só clicar aqui: http://forummarvao.blogspot.com/2008/12/famlia-da-ilha-paraso.html


Ontem tive oportunidade de assistir no Canal de televisão SIC, a uma reportagem feita no concelho de Marvão (freguesia da Beirã), sobre uma família originária da Alemanha, e denominada “Família da Ilha Paraíso”.

Para quem não assistiu à reportagem, esta mostrava como é a vida de um grupo de 10 pessoas (4 adultos e 6 crianças), que vivem em comunidade, em convívio aberto com a natureza, com uma alimentação à base de vegetais que eles próprios cultivam sem recurso a produtos químicos, mas ingerindo alguns produtos de origem animal, tais como leite, mel e ovos.

Certamente para um país, de gente cada vez mais urbanizada, que pensam que não se pode sobreviver sem a ingestão das 100 ou 200 gramas de carne ou peixe, o duche diário tomado a horas certas e, que os filhos só podem começar a trabalhar aos 30 anos de idade; ao observarem aqueles “maltrapilhos”, que mais pareciam um grupo de selvagens, descobertos num qualquer local da selva amazónica; devem ter olhado para aquilo como asnáticos a olhar para um convento. Ignorando, certamente, que à excepção da não ingestão de carne ou peixe, e o não possuírem um Computador (como estes!), à 70 ou 80 anos atrás, ou menos, mais de metade da população do concelho de Marvão, vivia naquelas circunstâncias, não por opção, mas, porque não tinham outro remédio (a minha infância não foi muito diferente).

Para muita desta gente, não terá deixado de existir um certo desejo, e mesmo inveja, para experimentarem um tipo de “estilo de vida assim”! Pensarão mesmo alguns, iludidos pelo título da coisa, estarmos perante “o eden”, ou mesmo a felicidade suprema!

Convém no entanto, que aqui façamos algum contraditório e levantemos algumas questões que me parecem importantes para a vida destes “adãos e evas”, mas também para a comunidade onde habitam.

Compete ainda, realçar que nada tenho contra os estilos de vida, usos e costumes de cada um, e sou um devoto da liberdade individual, e cada um é como cada qual, e cada qual…

O problema está em, quando essa liberdade individual, começa a por em causa a liberdade colectiva e o equilíbrio de uma comunidade e as suas próprias obrigações…

Há cerca de 15 dias, quando um autarca me falou dessa problemática da “ilha paraíso”, confidenciando-me: “que aquilo era um problema, pois viviam com os animais, as crianças não iam à escola, não consumiam água canalizada, defecavam ao ar livre…”, até pensei para comigo, e daí, quem é que tem a ver com tal, serão menos felizes por isso?

Mas perguntei, e as vacinas? Estarão em dia…? Ontem ao ver a reportagem, soube a resposta: NÃO!

 E mais, o “adão patriarca” é contra, nada de químicos, quem manda ali é a mãe natureza, e ele, claro!

Lembro aqui, que o problema das grandes epidemias infecciosas, que causaram milhões de mortes no passado, só foram debeladas graças à vacinação, e por isso o PNV, é considerado o mais importante Programa de Saúde, bem mais importante que o uso dos antibióticos, por exemplo.

Acresce ainda esclarecer, que a maioria dos microrganismos causadores das doenças, susceptíveis de prevenir pela vacinação, não foram extintos. Estão por aí, cada vez mais fortes, só à espera de terreno fértil, para atacarem, na sua luta pela sobrevivência.

São exemplos recentes, o surto de sarampo que no último verão, desabrochou na Europa Central, a Europa dos ricos (Alemanha, Áustria, Suiça, Holanda), com graves consequências; e cujas origens, se pensa terem sido este tipo de “ilhas paraíso”, pois por essas bandas, estes estilos de vida, são mais frequentes do que por cá.

Convém relembrar, que estes microrganismos sofrem mutações e por isso não atacam só os não vacinados, atacam todos.

Se os nossos "amigos vírus” andarem por aquelas paragens, encontrarão nesta “ilha paraíso da Beirã”, algumas das condições ideais, para se reproduzirem, armarem e prepararem o ataque. Depois, é só apanharem boleia de um qualquer vector (até as abelhinhas lhes servem), e as primeiras consequências, serão para a comunidade marvanense, e sobretudo, as crianças. As deles e as dos outros.

E numa comunidade tão dada à religiosidade, como parece ser aquela, convirá sempre perguntar: “… e as crianças meu Deus, que mal fizeram…?”

Por tudo isto, convirá questionar quais as diligências que as entidades responsáveis já tomaram? E as autoridades de saúde já foram alertadas?

Convirá mais uma vez realçar, que não se pretendem estratégias punitivas, mas dialogantes e assertivas, para que a tal “liberdade de poucos”, não interfira com a liberdade de muitos… e todos possamos viver em paz e harmonia!

Quanto ao dormirem ao relento, comerem cru, devolverem à natureza o que ela lhes dá, fumarem uns charros, ou mesmo não irem à escola, etc., etc. Bem, isso é lá com eles…

TA: Já agora, e porque aparecia no final da reportagem, que Marvão não possuía Comissão de Protecção de Crianças e Jovens, isso não é responsabilidade da “ilha paraíso”, é das entidades locais. Ou será mais uma particularidade em que Marvão é diferente?

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Coisas curiosas..., ou talvez não!

Há já a algum tempo que andava para publicar esta imagem – A comparação da evolução semanal das curvas das chamadas  1ª vaga e 2ªvaga. Não o havia feito ainda porque me parecia demasiado cedo e fui adiando, esperando que as coisas se tornassem mais evidentes e, hoje, decidi-me.

O que vemos na figura em baixo é a progressão das curvas dos casos positivos da covid 19 registados em Portugal: A 1ª entre 1 de Março e 25 de Abril de 2020; e 2ª entre 21 de Setembro e 13 de Dezembro de 2020.

A metodologia foi fazer coincidir os 2 picos das respectivas “ondas”, e o que verificamos é que elas são muito parecidas no seu perfil, diria praticamente paralelas. Claro que as frequências absolutas são muito superiores na 2ª vaga: sendo nas semanas dos picos de 5 463 casos na primeira, e de 39 082 casos na segunda.

Todos sabemos também,  que as medidas tomadas nestes 2 ciclos foram completamente diferentes, tendo na primeira sido decretado um “confinamento total” praticamente durante 30 dias; enquanto na segunda vaga as medidas foram o de recolher obrigatório aos fins de semana e só em determinados períodos.

Era pois de esperar, que medidas tão diferentes, tivessem impactos diferentes, quer na ascensão das curvas, quer na progressão do seu achatamento. Mas não parece que isso tenha acontecido. Indiferentes às medidas tomadas os formatos das curvas parecem muito idênticas.

A questão que se coloca é obvia:

Será que as medidas tomadas, terão tido assim um impacto tão evidente no desenvolvimento da pandemia em Portugal ou, indiferente a essa medidas a progressão da doença seguiu a sua história natural, típica de outras infeções respiratórias?

Explicações precisam-se, quer por parte dos epidemiologistas, quer por parte dos políticos. Mas das várias correntes e não apenas os seus criadores e defensores...


Evolução semanal de casos positivos de covid 19 em Portugal na 1ª e 2ª vagas

Fonte: https://www.worldometers.info/coronavirus/country/portugal/

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

A curva epidemiológica da 2ª vaga covid em 13 Dezembros 2020

Como podemos verificar no gráfico em baixo, os casos de covid 19 em Portugal, baixaram pela 3ª semana consecutiva, tendo sido na semana de 7 a 13 de Dezembro 26 270 casos de testes positivos. Isto é, 33% inferiores à semana em que se terá registado o pico.

Outro dado positivo a referir é o indicador de casos de testes positivos nos últimos 14 dias que foi de 525 casos/100 000 habitantes; quando a 1 de Dezembro estava em 704/100 000 habitantes.

Estou em crer que, nas próximas semanas, a curva continuará a descer e se o seu desenvolvimento for idêntico ao da 1ª vaga dentro de 3 semanas estará a atingir os nº residuais do princípio de Setembro.

Entretanto o grande desafio será verificar o impacto dos festejos de Natal no seu desenvolvimento. Estou em crer que não o notaremos, a exemplo do que se verifica com as medidas restritivas tomadas desde 28 Outubro.

 Aguardemos...

Evolução semanal de casos positivos de covid 19 em Portugal entre 21 de Setembro e 13 de Dezembro de 2020


 Fonte: https://www.worldometers.info/coronavirus/country/portugal/

Musicas da moda...

 Um bocado melosa, mas a música compensa...


segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Não são boas as notícias para o concelho de Marvão

De acordo com o que ontem aqui escrevi que, pela minha estimativa, o total de casos de testes positivos à covid 19 no concelho deveria rondar os 100 e não os 70 como se dizia. Hoje o Relatório da ULSNA vem confirmar essa minha desconfiança e informar que esse nº é de 98 casos, sendo que 78 deles são casos ainda considerados activos.

Esta situação coloca o concelho de Marvão, no conjunto de concelhos do distrito de Portalegre, como o 2º concelho com mais casos activos ao dia de hoje, só ultrapassado pelo concelho de Portalegre.

Com estes dados, o concelho de Marvão tem actualmente cerca 26 casos activos/1 000 habitantes. O que de acordo com os critérios da DSG dará um indicador de 2 557 casos/100 000 habitantes, possivelmente um dos maiores do país.

Em minha opinião, estes números ainda estarão sub apurados, pois estimo que sejam superiores. Esta situação torna-se de alguma gravidade já que estamos em presença de uma população muito envelhecida, onde as consequências desta doença mais se fazem sentir.

Os dirigentes concelhios e as autoridades da saúde púbica urge tomar medidas, para que esta situação não se torne numa catástrofe.



 

sábado, 12 de dezembro de 2020

Covid 19 no concelho de Marvão (2)

6 a 12 de Dez. de 2020

O concelho de Marvão terá em 2020 cerca de 3 050 habitantes e uma densidade populacional de 20 habitantes/Km2. A população do concelho de Marvão representa 2,8% do distrito de Portalegre.

Os dados que aqui apresentamos são os fornecidos na página oficial da Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano (ULSNA), que define na sua metodologia informativa, que estes dados são apenas os recolhidos em Laboratório Públicos, logo, muito aquém de representarem a realidade que conhecemos no terreno onde são substancialmente superiores.

Lamentamos que o Município de Marvão que, possivelmente, tem conhecimento de outros dados oficiais através da Proteção Civil, tenha deixado de divulgá-los, já que tal contribuiria para uma melhor informação da população. Informamos aqui, que no distrito, outros municípios divulgam esses dados, e assim estarão a contribuir para que ULSNA encontre outra metodologia mais de acordo com realidade.

Como podemos verificar no Gráfico em baixo, de acordo com os dados da ULSNA, em 12 de Dezembro a situação no concelho de Marvão é a seguinte:

- Registaram-se desde o início da pandemia até à data 70 casos com testes positivos, que representam uma incidência de 23 casos/1 000habitantes;

- Na última semana registaram-se no concelho 15 novos casos de testes positivos, menos 13 que na semana anterior;

- Nos últimos 14 dias registaram-se no concelho 43 casos de testes positivos. Ou seja, de acordo com os critérios da DGS 1 400 casos/100 000 habitantes, o que mantém o concelho como “concelho com risco extremamente elevado”;

- Ainda de acordo com a ULSNA existem actualmente no concelho 51 casos activos, que dá uma prevalência de 17 casos/1 000 habitantes. No entanto, a fazer fé em algumas informações que nos vão chegando, e se tivermos em conta os focos na St.ª Casa, Escusa, Escola Ammaia e outros, esse nº andará, pelo menos, perto de 70 casos actvios, o que elevaria o nº total de casos para cerca de 90 e não 70 como os divulgados pela ULSNA.



    Fonte: ULSNA

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Recordar coisas que escrevi no passado (2) - Outubro 2008

 Planeamento para integração de novas vacinas

Em 2008, exercia funções de gestão e responsável pelo Programa Nacional de Vacinação no distrito de Portalegre. Em Outubro desse mesmo ano, coube-me planear e participar na implementação da Vacina contra o cancro do colo do útero (HPV), como antes já havia participado na implementação de outras vacinas que foram chegando ao PNV.

A nível nacional, só nos 2 meses que faltavam para o final desse ano, planeou-se vacinar todas as meninas nascidas em 1995, cerca de 55 mil cachopas. E nos 2 anos seguintes passaram a vacinar-se mais duas coortes anuais. Do que me recordo hoje, o plano foi cumprido nas calmas, sem “stress”.

Embora agora para a vacinação “anti covid” as coisas sejam um pouco mais exigentes em termos de quantidade, os Centros de Saúde, pela experiência que têm em 55 anos de Plano Nacional de Vacinação, têm todas as condições para levar a bom porto tal missão. Será apenas uma questão de planeamento.

Aqui fica o que escrevi nessa altura sobre a temática:

 

“VEM AÍ A VACINA CONTRA O CANCRO DO COLO DO ÚTERO

Vai estar disponível em todos os Centros de Saúde do país, a partir de segunda-feira, dia 27/10, a vacina contra o cancro do colo do útero (HPV).

Este ano pretende vacinar-se apenas as meninas nascidas em 1995, isto é, todas aquelas que fizeram ou fazem 13 anos em 2008.

Em 2009, iniciarão a vacinação as meninas nascidas em 1996 e 1992.

Em 2010, iniciarão a vacinação as nascidas em 1997 e 1993.

Em 2011, iniciarão a vacinação as nascidas em 1998 e 1994.

O que quer dizer que ao longo destes 3 anos serão abrangidas todas as jovens entre os 13 anos e os 18 anos.

A vacinação completa, engloba 3 doses: A segunda dose deve ser administrada 2 meses após a primeira; e a terceira dose, seis meses, após a primeira (0-2-6 meses).

 O custo de cada dose ao Serviço Nacional de Saúde será de 55 euros. O que quer dizer que as 3 doses custarão 165 euros.

Cada uma destas coortes (ano) custará ao país cerca de 15 milhões de euros, ou seja, até 2011 (vacinação de 7 coortes), o país irá investir nesta vacinação, cerca de 105 milhões de euros (21 milhões de contos em moeda antiga).”

Quem quiser ler mais: http://forummarvao.blogspot.com/2008/10/falemos-de-sade-01.html

Coordenação no distrito de Portalegre precisa-se !

No Quadro em baixo, apresentamos a discrepância de dados referentes aos casos positivos da covid 19, publicados por instancias oficiais do mesmo Estado (Página da ULSNA e Sites das Câmaras Municipais).

Como se pode verificar, existem diferenças abismais nos dados fornecidos por essas duas fontes que urge corrigir (118 casos no total do distrito), pois tal já se vem verificando há algum tempo e já deveria ter sido corrigido, para que a população tenha confiança nas instituições que nos governam.

Aqui fica o apelo...



 Fontes: Página oficial da ULSNA e Sites oficiais dos municípios

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Ponto de situação da covid 19 em diversos países da Europa: casos e mortes/milhão de habitantes, em 10 de Dezembro 2020


A democraticidade do "bicho": Às tantas no fim vamos ficar muito iguais...

Ponto de situação da covid 19 em diversos países da Europa:  casos e mortes/milhão de habitantes, em 10 de Dezembro 2020

                       Fonte: https://www.worldometers.info/coronavirus/#countries

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Evolução da Covid 19 em alguns países da Europa entre 26 de Novembro e 9 de Dezembro de 2020

 Notas de realce:

- Durante a última semana, na maioria dos países da Europa, os casos positivos para covid 19 têm continuado a diminuir. Em França, por exemplo, o nº de casos nos últimos 14 dias, são praticamente 1/3 do que eram em 26 de Novembro;

- No entanto, em países do norte da Europa (assinalados a vermelho), verificou-se um aumento, de que são exemplo a Suécia e a Dinamarca. Na Holanda, caso curioso, depois de se ter registado uma diminuição, regista esta semana um aumento do nº de casos superior ao que se registava à duas semanas atrás. A Croácia continua no topo da Lista no conjunto destes países;

- Portugal, apesar de se verificar uma diminuição nas últimas duas semanas, continua a ser um dos países que registou maior nº de casos nos últimos 14 dias: 548,3 casos/100 000 habitantes. Esta situação poderá ser explicada por algum atraso no desenvolvimento natural da “doença”, já que o início da chamada 2º vaga se iniciou mais tarde em Portugal.

- O que parece continuar a verificar-se é que, no final das contas, independentemente das medidas tomadas, a variação de afetação dos diversos países na Europa será muito igual.



Mais vale perder um natal na vida do que a vida (nossa ou dos nossos familiares mais idosos) num Natal

Ontem, conversando com um amigo, este confidenciava-me das dificuldades que estava a ter com os seus familiares para diminuírem o número de pessoas para a ceia de natal, entre os quais alguns mais idosos e pertencentes ao tal grupo de risco que, quando o “bicho” entra, lá vão 13% para a aldeia dos pés juntos como dizia o meu pai.

A minha opinião foi a seguinte: Meu caro, quantos natais já viveste? Ao que ele me respondeu, pelo menos 60 que me lembre fora os outros que não me recordo, mas sei que os passei.

A minha resposta foi obvia:

- Então será assim tão importante por em risco a vida de tanta gente, apenas por mais uma noite a que chamam de NATAL?

Esta sim, a decisão, está em nossas mãos...

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Historietas de uma pandemia (3)

Hoje, como de costume, passei por um grupo de amigos que se reúnem, quase todas as manhãs, em tertúlia, na esplanada de um estabelecimento de café, para tomarem a sua bica e comentarem os acontecimentos vespertinos desta cidade do alto Alentejo, cercada por serras e penhascos e, algumas oliveiras e sobreiros. Penso que quase todos eles possuem uma instrução diferenciada: 2 ou 3 professores, 1 ou 2 gerentes bancários aposentados e um ou outro que não conheço.

Lá estão eles todos de “mascarilha” como manda o ti costa, falando alto, mas na maioria das vezes as suas bocas e narizes não distam mais 30 a 40 centímetros, num claro desafio ao “salto de obstáculos” do tal bicho magano. De vez em quando, um ou outro, até se aventura a fumar uma cigarrada e a expirar o ditoso gás em baforadas que mais parecem os potes de fumo de alguma discoteca daquelas que agora não funcionam.

Habitualmente eu que passo de largo e sem a “dita” aconselhada (só a ponho onde me obrigam), acho que, de vez em quando, recebo um olhar censurável por continuar a andar com o nariz de fora e ao ar livre.

Nunca consigo deixar de pensar para com os meus botões se a tal senhora, quando ainda estava lúcida e não tinha sido também apanhada pelo “bicharengo”, não teria razão quando nos dizia:

“... a máscara induz-nos uma falsa segurança e, quando mal utilizada, é meio caminho para contágio”.

Mas isto sou u a pensar...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

A curva epidemiológica da 2ª vaga covid segue o seu curso “aparentemente normal”...

Dizem por aí os “crânios” destas coisas, que o “pico” desta segunda vaga da covid 19 em Portugal, terá sido atingido em 25 de Novembro, porque será? Só lhes falta dizer as horas, minutos e segundos, para se tornarem mais credíveis e o Polígrafo/mentígrafo ir averiguar se têm razão.

Nas minhas contas, isso não bate certo e, se “pico” houve, ele terá sido atingido, numa avaliação mais modesta, na semana de 16 a 22 de Novembro. O dia não sei, muito menos a hora e minuto.

O que podemos ver no gráfico em baixo, com dados da DGS, é isso mesmo. Nessa semana foram apurados 39 082 testes positivos à coisa. Nas últimas duas semanas, isto é 14 dias, esse número de testes positivos tem vindo a reduzir (- 5000 casos na semana em que dizem que aconteceu tal o “pico"); verificando-se na semana seguinte, que ontem terminou, 27 675 testes positivos, isto é, uma redução de praticamente 30% face à semana em que o “pico” terá sido atingido. Esta diminuição parece estar a ser consistente, pois verificou-se em duas semanas consecutivas.

No entanto, o formato desta “curva” deixa-me algumas dúvidas e que eu gostaria de ver estarem a ser discutidas e explicadas, sem ser porque sim:

“Qual o impacto das medidas tomadas no seu desenvolvimento?” 

Já que até prova em contrário, o seu formato é do tipo NORMAL, sem que se olhe para ela e se veja o impacto real dessas tais medidas. 

E no futuro, se houver 3ª vaga, elas deverão ser tomadas mais cedo?

Mas isto sou eu a questionar as minhas dúvidas!!

Às tantas serão como o “melhoral”, não fizeram mal (excepto à economia e agravamento de outras doenças). Mas bem? 



 Fonte: DGS - Ministério da Saúde

domingo, 6 de dezembro de 2020

A covid 19 no distrito de Portalegre de 01 de Novembro a 05 Dezembro 2020

Na última semana, 29 de Nov. a 5 de Dezembro, registou-se no distrito uma involução no nº de novos casos da covid, face às duas últimas semanas em que tinha existido uma diminuição na incidência de casos. Tendo esta semana existido um aumento de 33 novos casos face à semana anterior.

Entretanto convirá relembrar alguns dados registados até esta data:

- Registaram-se no distrito até 5 de Dezembro  27 óbitos associados à covid. Um aumento de 4 mortes face à semana anterior. À data, a Taxa de Mortalidade é de 0,024% (nº de mortos/população x 100); enquanto no país a Taxa de Mortalidade é de cerca de 0, 048%;

- Apuraram-se no distrito até 5 de Dezembro 1 309 casos positivos. Um aumento de 213 casos face à semana anterior. Sendo actualmente a Taxa de Letalidade de 2,1% (total de óbitos/nº de casos positivos x 100); enquanto no país a Taxa de Letalidade é de 1,5%;

No Gráfico em baixo, podemos verificar a incidência semanal de novos casos desde que estes passaram a ser divulgados pela ULSNA.



     Fonte: ULSNA

sábado, 5 de dezembro de 2020

Covid 19 no concelho de Marvão

O concelho de Marvão terá em 2020 cerca de 3 050 habitantes e uma densidade populacional de 20 habitantes/Km2. A população do concelho de Marvão representa 2,8% do distrito de Portalegre.

- Até 5 de Dezembro foram registados no concelho 55 testes positivos de Covid 19; que dá uma taxa de incidência de 18 testes positivos/1 000 habitantes. Praticamente o dobro do registados no distrito de Portalegre;

- 27 dos 55 testes positivos totais (50%) registaram-se na última semana de 27 de Novembro a 5 de Dezembro. Estes 27 testes representam 13% do total de testes positivos registados na mesma semana no distrito (213);

- Deste total de 55 testes positivos, encontram-se activos, ao dia de hoje, 37 pessoas; que dá uma taxa de 12,1 pessoas/1 000 habitantes. Ou seja, segundo a DGS, uma taxa de 1 213 casos activos/100 000 habitantes, certamente uma das mais altas do país.

- Convém ainda realçar que cerca de 35% da população do concelho tem mais de 65 anos (mais de 1 000 pessoas); destas, perto de 50%, terão mais de 80 anos (500 pessoas);

- Nos 4 Lares para idosos do concelho estarão cerca de 200 pessoas institucionalizadas, a grande maioria com mais de 80 anos, onde as consequências da doença mais se fazem sentir: 13% de mortalidade em geral; e a rondar os 15% nas pessoas institucionalizadas em Lares.

(Convém realçar que em Portalegre, na Instituição mais afectada, a taxa de mortalidade estará perto dos 20% - Estima-se que, até ao momento, tenham morrido 17 pessoas associadas à covid 19).

 Por tudo isto, deixo aqui um alerta a todas as autoridades, responsáveis políticos e responsáveis pelas Instituições, para que tomem todas as medidas ao seu alcance, para que se evite uma catástrofe no concelho.

Em minha opinião "o FOCO" deverão ser os Lares, é aí que as consequências se fazem sentir.



     Fonte: ULSNA

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Recordar coisas que escrevi no passado

Esta foi a minha 1ª participação no Blog Fórum Marvão. 12 anos depois, o tema continua por resolver: 


9 de Maio de 2008 

http://forummarvao.blogspot.com/2008/05/por-onde-comear.html

POR ONDE COMEÇAR?

Em 1997, Manuel Bugalho é eleito presidente da Câmara Municipal de Marvão e com ele, traz um Projecto: elevar Marvão a Património Mundial, com a finalidade de, através desta promoção, pôr Marvão nas rotas do turismo mundial, fazendo dessa aposta, a sua principal prioridade política nos dois mandatos em que esteve à frente da autarquia marvanense.

Quis o destino, ou o vagar que os portugueses dão às resoluções das coisas, que só em 2006, um qualquer departamento do Governo Central, viesse aconselhar a autarquia marvanense, então já com nova Vereação presidida por Vítor Frutuoso, a retirar a candidatura, pois esta corria sérios riscos de não ser aceite pela UNESCO, ou por outras palavras, para ser mais abrangente, ser chumbada.

Não me vou debruçar muito sobre o “processo” percorrido em quase uma década em que durou o Projecto, certamente, haverá por aí alguém, que será capaz de o explicar por dentro muito melhor do que eu, que fui um mero espectador, mais ou menos atento.

O que eu gostaria de trazer aqui à análise e discussão, são alguns dos resultados desse Projecto político, independentemente, da opinião que dele se tenha, e qual a importância do impacto que teve sobre a vida dos marvanenses.

António Garraio, diz-nos na sua primeira intervenção neste Blog que “esse foi um tema muito importante na vida do Concelho, uma história muito mal contada, com um aproveitamento político indecente, e o fim ainda não está completamente esclarecido.”

Concordo perfeitamente com meu caro amigo, mas porque não começar aqui e agora a discussão sobre a coisa?

É minha opinião, que o deveríamos fazer. E porque não começar, meu caro Garraio?

Se o não fizermos, corremos o risco de passar à história, como aquilo que José Gil designa, pela “não-inscrição” de factos ou acontecimentos,na consciência colectiva dos marvanenses.

Se não formos ao âmago da coisa e nos ficarmos mais uma vez pela superficialidade, por um sacudir de responsabilidades, pelo esquecimento, pelo “não luto”…, estaremos a contribuir para passarmos, rapidamente, para outra aventura. Correndo-se o risco, de mais uma vez, desbaratarmos os escassos recursos que vamos tendo, com poucos ou nenhuns proveitos, como parece ser o caso do actual Projecto de adesão à Natur Tejo/GeoPark.

Por mim lanço aqui diversas questões que poderíamos debater, tais como:

- O que é que falhou para que o Projecto não tenha sido concretizado?

- Estão os marvanenses esclarecidos sobre os resultados do Projecto?

- Quem teve as maiores responsabilidades? O poder local ou central?

- Será Marvão, para o mundo, esse sítio de características únicas?

- Foi o Projecto bem liderado e tinha uma candidatura consistente e bem fundamentada?

- Quanto custou esse Projecto aos marvanenses? Os proveitos superaram os custos?

- Quem contou mal história? A quem aproveitou politicamente?

- Valerá a pena relançar a Candidatura? E em que moldes? Ou o Projecto está morto, enterrado e vamos assumir colectivamente o fracasso e assumir responsabilidades?

…ou vamos ficar à espera de mais um “conto do vigário”, ou que a árvore dê as “patacas” que nos faltam?


terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Evolução da Covid 19 em alguns países da Europa entre 26 de Novembro e 1 de Dezembro de 2020

 Notas de realce:

- Verificou-se, no espaço de uma semana, uma diminuição generalizada em todos os países mencionados. Com exceção dos países escandinavos (Suécia e Dinamarca), onde se registou um ligeiro aumento;

- A França foi o país que registou a maior diminuição da incidência de novos casos nos últimos 14 dias, seguida da República Checa;

- Portugal, neste contexto europeu, embora tenha registado uma diminuição, é o segundo país com maior incidência/100 000 habitantes nos últimos 14 dias (704,4 casos). Só superado pela Croácia que registou uma incidência de 1 053 casos no mesmo período;

Conclusão:

O que parece estar a acontecer é que o “bicho” não é esquisito, trata todos mais ou menos por igual, independentemente das diversas medidas tomadas pelos governos. Veja-se os casos dos "milagres" de Portugal e R. Checa! Para já, o que parece é que quem se escapou melhor na “primeira vaga”, está agora a ser mais afectado pela segunda. E, certamente, a terceira se encarregará de acertar contas.

A ver vamos, como dizem que diz o cego. E “cegos” é o que durante este ano não têm faltado por aí...



    Fonte: https://www.ecdc.europa.eu/en/cases-2019-ncov-eueea

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

A covid 19 no distrito de Portalegre de 1 a 28 de Novembro

A exemplo do que se está a passar no país, também no distrito de Portalegre, o nº de casos positivos da covid 19 parecem estar em decréscimo. 

Depois do pico registado na semana de 8 a 14 de Novembro, que teve uma incidência de 246 novos casos; nas últimas duas semanas a incidência tem vindo a diminuir, sendo que, na semana entre 22 e 28 de novembro, apenas se registaram 180 novos casos.

Entretanto convirá relembrar que até à data de 28/11:

- Registaram-se no distrito 23 óbitos relacionados com a covid, que dá uma taxa de mortalidade de 0,02% (nº de mortos/população x 100); enquanto no país a taxa de mortalidade é de cerca de 0, 05%;

- - Registaram-se no distrito 1 096 casos positivos, que dá uma taxa de letalidade de 2,1% (total de óbitos/nº de casos positivos x 100); enquanto no país a taxa de letalidade é de 1,5%;

Daqui que se conclui que apesar de termos uma taxa de mortalidade inferior à registada no país, temos uma taxa de letalidade é superior.

No Gráfico em baixo, podemos verificar, a incidência semanal de novos casos desde que estes passaram a ser divulgados pela ULSNA.



       Fonte: ULSNA

domingo, 29 de novembro de 2020

Até que enfim boas notícias...

Afinal o avião começou a baixar antes de estabilizar, esperemos que não seja um qualquer “poço de ar”.

Pela primeira vez em 11 semanas (desde 14 de Setembro), o nº de casos positivos detectados esta semana foi inferior à semana anterior, com uma diminuição de cerca de 5 000 casos. É obra, não esperava este fenómeno tão repentino. Embora o formato da curva desta segunda vaga (com um nº de casos muito superior), quando comparada com o formato da curva da 1ª vaga se encontrem semelhanças. Isto é, o planalto como falava a Graça Freitas (objectivo de confinamentos, máscara, emergências, etc.), nunca existiu, tanto na primeira vaga como possivelmente agora na segunda. A curva atingiu o pico e começou a descer, como é habitual nas infecções respiratórias.

Não faltarão vozes tais como a de António Costa, Marcelinho, um tal de Froes, os grandes especialista de cuidados intensivos e companhia limitada a reclamarem que tal se deve às medidas tomadas. A mim, francamente, não me parece ao olhar para a curva e para as datas de tomada dessas medidas.

Iremos chegar ao fim desta segunda vaga com menos de 10% de população imunizada (se nº de casos positivos for 4 ou 5 vezes superior ao detectado). Isto, em termos de imunidade de grupo para doenças respiratórias infecciosas, é muito curto, já que precisávamos pelo menos de 40%.

E como a vacina e seus efeitos duvido que seja para amanhã, e para não suceder o que aconteceu com a segunda vaga que nos apanhou quase como na primeira; melhor seria que começássemos já a preparar a 3ª. Pois se primeiro tivemos uma “ondinha de monte Gordo”; agora já mamámos com “uma da Costa da Caparica”; se não nos prevenirmos, imaginem que vem por aí uma daquelas da Nazaré! 



 Fonte: https://www.worldometers.info/coronavirus/country/portugal/

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

A culpa é dos portugueses?


Não senhor primeiro ministro a culpa das consequências da covid não é dos portugueses. A responsabilidade é dos dirigentes do Estado, entre os quais o senhor se inclui, sendo, talvez, o maior responsável.

Se não vejamos:

- De quem é a responsabilidade da situação que se vive nos Lares, onde, possivelmente, morreram e irão morrer a maior parte das vítimas?

Quem deveria ter, e tem, a função de orientar e fiscalizar essas instituições? Pois, é a Segurança Social. O Ministério da SS é Estado e..., depende há mais de 5 anos do seu governo. E, em 15 dos últimos 20 anos, estiveram nas mãos do partido que vossa excelência dirige. Duvido que a culpa seja das pessoas que aí residiam e morreram; duvido também que a culpa seja dos profissionais que aí exercem, em condições penosas, as suas funções sem grande formação (o recrutamento é feito do que está à mão, como se fossem para uma fábrica).

- De quem é a responsabilidade da desorganização que se vive no Serviço Nacional de Saúde (SNS), onde nesta segunda vaga se morre associado à covid, 4 vezes mais do que na Alemanha e Irlanda, quase 3 vezes mais do que na Suécia e, bem mais do que em Itália, Reino Unido ou Holanda?

Claro que é, em primeiro lugar sua senhor primeiro ministro e da sua ministra Temido, que andaram a assobiar para o ar desde Maio até Setembro, onde o planeamento para a segunda vaga foi zero, tendo, por exemplo, chegado a Outubro com menos de 400 médicos do que tinham em Março e os aparelhos adquiridos para ventilação assistida, na sua maioria inoperacionais. Para além da desorganização que reina no SNS, onde o senhor e o seu partido mandam há 20 dos últimos 25 anos (1995 – 2002), (2004 – 2011); (2015 – 2020). E onde a sua única política é atirar dinheiro para cima da coisa, pensando que isso resolve. Alguma vez lhe passou pela cabeça que o SNS e toda a política de saúde, precisam ser reorganizados e que não pode continuar com uma estrutura igual, ou idêntica, à de 40 anos quando foi criado?

- De quem é a responsabilidade pela morte, para além do que era esperado, de parte dos cerca de 8 000 portugueses entre Março e Novembro (sem terem nada a ver com a covid)?

Claro que é sua e do seu governo, sobretudo da sua ministra da saúde, que não soube organizar os serviços de saúde para lhes prestar cuidados de diagnóstico e seguimento das suas doenças crónicas, preferindo apostar tudo na luta contra um vírus, numa prioridade cega que “para salvar mil se deixam morrer 8 mil”, e quantos mais irão morrer! Por isto a história, e espero que os portugueses que acusa, irão julgá-lo. Por pura cegueira ideológica de pensar que na saúde há esquerda e direita, não contratualizou com o sector privado o acompanhamento de alguns desses doentes. Quantas mortes se teriam evitado? E agora, em mais uma patacoada,  quer contratualizar com esse sector os doentes covid (para “infectar” os 2: Público e privado), e um dia destes as pessoas não fogem já só do SNS, irão fugir também do sector privado. Nem no século passado se cometeram erros assim, como por exemplo nos piores anos da Tuberculose, onde se criaram serviços próprios para libertar os outros. 

- De quem é a responsabilidade pelo estado da economia portuguesa, sobretudo dos valores da dívida pública, que não permite agora, em hora de necessidade, não ter um chavo para suprir as medidas que lhes impõe, quando outros Estados estão a injetar mais de 15% do seu PIB, quando em Portugal, o senhor e o seu ministro das finanças, acham que 3% já é uma fartura?

Pois senhor primeiro ministro, uma coisa lhe garanto, a responsabilidade aqui só é dos portugueses, na justa medida em que, maioritariamente, têm confiado no seu partido e nos seus camaradas para administrarem os seus Impostos (uma das maiores cargas fiscais da Europa), e penso que está à vista de todos a forma como o têm feito: 3 bancas rotas em 40 anos e estamos à beira de uma 4ª, para além de sermos, em 2020, um dos países mais pobres da Europa, e com menor crescimento ano após ano.

Senhor primeiro ministro, com se atreve ainda a dizer que a culpa é dos portugueses?  

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

SOS – Senhores governantes...

Idosos e Lares de Idosos

Como parar esta “PANDEMIA” dentro da pandemia? 

É aqui que está o maior problema da Covid 19: E o FOCO deveria estar aqui. Como salvar esta gente a quem tudo devemos, são os nossos pais e avós, responsáveis pelo que somos hoje.

Uma grande percentagem destas pessoas encontra-se institucionalizada e confinada em Lares. Parte da situação epidemiológica é a seguinte:

- No dia 2 de Setembro, a DGS divulga no seu site que há 23 lares com surtos activos.

- Cerca de duas semanas depois, no dia 16 de Setembro, o Observador aponta surtos em 35 lares.

- Em 23 de Outubro, o Ministério da Saúde revela que existiam então 107 lares com surtos, afectando cerca de 1.400 utentes.

- Um mês depois, a 23 de Novembro, é divulgada a existência de 182 surtos em lares de idosos.

Em cerca de dois meses e meio, os surtos em lares aumentam 8 vezes, e 159 em termos absolutos.

Por outro lado, o que sabemos é que dos 4 056 óbitos associados à covid 19, cerca de 3 500 (86%) tinham mais de 70 anos. Uma grande maioria destas mortes aconteceu em Lares.

Em Portalegre sabemos que só na St.ª Casa da Misericórdia já vai em 11 mortos em 95 utentes (12%)!



 

Acresce ainda, que era importante saber (mas isso a DGS não tem divulgado), quantas destas pessoas necessitaram de internamentos e quantas delas de cuidados intensivos? Quantos dias necessitaram destes cuidados de saúde, no total de dias disponibilizados aos cuidados à covid? Certamente aqui encontraremos a resposta para a superlotação hospitalar que se fala. E quantos terão ainda necessidade de usá-los se não se acudir na fonte, na PREVENÇÃO, e por o foco estratégico onde está o problema.

Senhores governantes, mudem de estratégia, deixem de se preocupar, quase e só, com testagens de gente que não está doente nem irá estar. Deixem a “história natural da doença” correr onde não causa danos, ou causa poucos. 

Deixem as crianças nas escolas e adultos jovens em paz a trabalhar. Deixem a economia fluir. 

Expliquem de uma vez por todas aos doutores médicos que se não há economia sem saúde, também não há saúde sem dinheiro. O mundo não são só os hospitais e a sua chafarica especializada. De nada servirão todos os recursos, se não houver dinheirinho para os sustentar. E ele não cai do céu, nem da árvore das patacas. Deixem-se de “historietas que um jovem de 39 anos também morreu...., e até uma criancinha”. Todos os dias morrem jovens e crianças com outras doenças, e não são poucas.

Os governantes deixem de fazer política com a doença, larguem as conferências de imprensa permanentes, divulguem os dados e deixem-se de “cenas”.

A comunicação social concentre-se na objectividade das notícias. E se querem espetáculo...? Mostrem-nos teatro, cinema, futebol e outras variedades (nem que seja o espetáculo do “cu pra cima cu pra baixo” que tanto gostam, inclusive a RTP que vive dos nossos impostos). Se há tantas restrições nesta espécie de “estado de emergência”, exija-se à comunicação social que deixe de negociar com a desgraça alheia.

Lares meus senhores, o “problema” principal está nos Lares...

terça-feira, 24 de novembro de 2020

A covid 19 no distrito de Portalegre


O distrito de Portalegre terá em 2020 cerca de 110 000 habitantes e uma densidade populacional de 18 habitantes/Km2.

- Até 23 de Novembro de 2020 registaram-se no distrito 959 testes positivos à covid 19. Que dá cerca de 9 testes positivos/1 000 habitantes;

- Até à data, as mortes associadas à covid, foram 15 pessoas. Que dá uma taxa de mortalidade de 0, 014 % (nº de mortos/população x 100);

- A taxa de letalidade (total de óbitos/nº de casos positivos x 100) de 1,6 %;

- Nos 14 dias anteriores a 23 de Novembro registaram-se no distrito 471 novos testes positivos, que dá uma taxa de incidência de 4,3 casos/1 000habitantes;

- Também nos últimos 14 dias (10 a 23 de Novembro), a média de casos ativos foi de 352 casos/100 000 habitantes;

- Se subtrairmos estes 471 testes positivos nas últimas 2 semanas, ao total de positivos desde o inicio da pandemia, podemos verificar que praticamente 50% dos testes positivos no distrito aconteceram nos últimos 14 dias;

No Gráfico em baixo podemos ainda verificar a incidência semanal dos novos casos desde que estes passaram a ser divulgados pela ULSNA.




       Fonte: ULSNA


Com base nestes dados várias questões devem ser formuladas:

1º - O que sucedeu no distrito de Portalegre que levou a que, em apenas 2 semanas (10 a 23 de Novembro), os testes positivos tenham duplicado, face a 8 meses da doença?

2º - Será razoável aplicar todas as medidas a que estamos sujeitos numa doença que apresenta no distrito uma taxa de mortalidade de 0, 014%; e uma taxa de letalidade de 1,6%?

3º - Será razoável aplicar no distrito (zona tipicamente rural) indicadores iguais aos que se aplicam em áreas urbanas densamente povoadas, quando no distrito de Portalegre se verificam nos últimos 14 dias uns meros 0,08 testes positivos/km2?

Ainda por cima, 80 desses testes positivos, estão confinados num só instituição (S.ª Casa de Portalegre).

 Aqui ficam estes dados para reflexão e análise para quem direito.


domingo, 22 de novembro de 2020

E se o "avião" começasse a estabilizar (2)

Pela segunda semana consecutiva o aumento de casos é inferior à semana anterior:

            - Semana de 2 a 8 de Novembro: + 9 278 casos que na semana anterior

            - Semana de 9 a 15 de Novembro: + 2 994 casos que na semana anterior

          - Semana de 16 a 22 de Novembro: + 1 105 casos que na semana anterior

Isto quer dizer que a curva começa a aplanar, e se se mantiver o seu desenvolvimento “normal”, possivelmente, daqui a 2 semanas, começará a baixar. Isto é, o nº de casos será inferior à semana anterior.  



Esta minha convicção é baseada no facto da análise às diversas curvas, em diversos países da Europa (com pequenas diferenças de estádio), onde, independentemente das medidas tomadas, as curvas têm seguido uma “distribuição normal”, típico das infeções respiratórias, como tem sido defendido por alguns epidemiologistas. 

Foi assim na primeira vaga (Março a Maio) e parece estar a ser nesta segunda (Setembro - ?).

Observe-se sobretudo o formato das curvas na chamada 1ª vaga e veja-se que em todas elas há semelhanças: Distribuição normal

Ordem dos Gráficos: Portugal; Suécia; Alemanha; Bélgica; França; Holanda; Reino Unido; Itália e Espanha.


quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Historietas de uma pandemia (2)

 Programas de Opinião Pública

Raramente perco tempo a ouvir e/ou ver programas destes nos meios de comunicação social. Mas, de vez em quando, vou lá espreitar para aferir de como param as modas manipuladoras, e os escapes dos espectadores portugueses.
O que constatei hoje é foi escandaloso. Em 2 canais diferentes (SIC e TVi), aparecerem 2 participantes a opinar diferentemente da carneirada (com respeito pelas pessoas que participam, mas não pela formam como encarrilham), e foi fatal, imediatamente o “pivot” de serviço lhes cortou o pio com desculpas estapafúrdias.
As opiniões nem eram muito hostis ao “status quo” vigente:
- Uma era de uma enfermeira que contestava a utilidade das máscaras, sobretudo na forma como são usadas pela maioria da população. Nomeadamente, sobre o período de tempo como são usadas (às vezes durante semanas), e falta de regras de não conspurcação das ditas.
- A outra era sobre o fenómeno da não existência de casos/surtos nas superfícies dos supermercados. Alegando o “opinador”, que os gestores/patrões estariam a usar estratégias manhosas para a não divulgação de casos.
A pergunta que fica é porque é que será? E depois não querem que acreditemos em “teorias da conspiração”!!!

terça-feira, 10 de novembro de 2020

Olhe que não, olhe que não senhor 1º ministro...


O nosso primeiro António Costa disse ontem na TVi, em entrevista a Miguel Sousa Tavares, quando este lhe perguntou “se Portugal não terá descurado a preparação de uma segunda vaga”; a resposta foi à altura da personagem “que não, que foi feito tudo o possível e, para demonstrá-lo  bastava ver que as consequências afetaram de igual modo todos os outros países da Europa”.

Isto dito, como é hábito do primeiro ministro, do alto da sua sapiência infinita, e com jornalistas da treta que pensam que são os maiores do mundo e arredores e que não se preparam minimamente para apresentarem dados contraditórios aos figurões, ao comum dos mortais ATÉ PARECERÁ VERDADE.

Mas será?

Desde o início da pandemia em Março, a exemplo da história de outras, que se sabia que iríamos ter na Europa uma segunda vaga, e que, certamente, ela teria início durante o outono. Seria normal que os países, através dos seus governos, se preparassem e programassem estratégias de resposta.

Todos sabemos o que feito durante os 4 meses de verão em Portugal (Junho-Setembro): Fomos a banhos como mandaram suas excelências Costa/Marcelo, e prontos. podia ser que nossa Senhora de Fátima rogasse por nós! E chegámos a Outubro, praticamente como estávamos em Maio, sobretudo no que toca à preparação de recursos humanos.

No Quadro que publico em baixo, que compara Indicadores de mortalidade, os mais credíveis para medir o “impacto” mais nefasto da doença, mas também, certamente, para medir a qualidade dos cuidados prestados: quer os de saúde, quer os de apoio social às pessoas institucionalizadas em Lares.

Era com estes dados (entre outros) que MST deveria ter confrontado António Costa e demonstrar-lhe: 

“... não senhor primeiro ministro, as consequências da doença não estão ser iguais em todos os países da Europa, se não como justifica que:

- Entre Julho e Novembro, as mortes associadas à covid em Portugal (137 mortes/milhão de habitantes); sejam:

- 2 vezes e meia superiores às da Suécia (55 mortes/milhão de habitantes); 

- 3 vezes mais do que na Irlanda (41 mortes/milhão de habitantes);  

- E 4 vezes mais do que na Alemanha (31 mortes/milhão de habitantes)?

- Ou ainda, como justificar o que está a acontecer na Itália que em Julho tinha um acumulado 577 mortes/milhão de habitantes, enquanto Portugal era considerado o milagre da Europa com apenas 160 mortes/milhão de habitantes; e entre Julho e Novembro a Itália apresenta menos 23 mortes/milhão de habitantes que Portugal. E a Holanda “aspas aspas”?

Mas como o distinto entrevistador não perguntou pergunto eu, e responda quem souber:

O senhor primeiro ministro não acha que isto sejam consequências dos cuidados de saúde que se estarão a prestar em Portugal?


segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Impacto do uso de máscaras em espaços públicos

Em 28 de Outubro começou a ser obrigatório, em Portugal, o uso de máscara em locais públicos. Segundo a DGS, esta medida foi tomada com a finalidade diminuir ou minimizar o número de contágios da covid 19.

Passadas que são quase duas semanas sobre o início da medida, data mais do que suficiente para se começar a medir o seu impacto, o facto é que o número de casos não parou de aumentar. 

Se entre 14 de Setembro e 25 de outubro a média semanal de aumento de casos foi cerca de 2 900 casos/semana. Nas últimas duas semanas essas médias subiram para mais 8 000 casos/semana.

 Explicações precisam-se...


   Fonte: https://www.worldometers.info/coronavirus/country/portugal/

domingo, 8 de novembro de 2020

Historietas de uma pandemia (1)

Esta noite sonhei que vivia num mundo de cegos. 

A cegueira aparecia em forma de epidemia provocada pela exposição à luz solar, de quem, saindo à rua, ousasse olhar o astro rei e/ou até ser apanhado por algum dos seus raios. Muitos afirmavam que nem precisava que a exposição se fizesse diretamente, pois histórias não faltavam que muitos haviam cegado, mesmo e só, à sombra de diversos objetos que as provocavam.

Então um homenzinho mandante, depois de muito pensar, proibiu que toda a gente saísse à rua antes que sol se pusesse, inclusive, todos os que já haviam cegado.

Foi aí que alguém, perguntou ao tal homenzinho artola:

- Mas porquê senhor, se eu de cego não passo...