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segunda-feira, 8 de junho de 2020

Optimistas e pessimistas irritantes

Ou eu ou o Costa (o primeiro), vamos passar uma vergonhaça lá para o final do ano. 

Eu, porque em tempos, 30 de Abril de 2020, andei para aqui a prever uma queda no PIB em 2020 que rondaria os 15%; o Costa porque nas previsões do seu "Programa de Estabilização Económica e Social"  vem falar em queda de 6,9% este ano e crescimento de 4,3% em 2021.

O Costa (o primeiro), diz-nos ainda neste mês de Junho do ano covid, que o seu governo prevê uma taxa de desemprego de 9,6%; eu, e de acordo com aquilo que tenho ido ouvindo e estudando, tal como mostro no Gráfico em baixo, acho que a coisa, se tudo correr bem, há-de ficar pelos 13 a 14%.




Ora isto, tenha eu ou ele razão, não são meros números. As consequências na vida das pessoas vão ser duras, diz o Costa (o primeiro); vão ser muito duras digo eu, e preparem-se porque: cidadão prevenido deveria valer por dois.

No final do ano, cá estaremos para avaliar isto do que é ser "optimista ou pessimista". Talvez que a coisa se fique pela média das duas previsões. O que já não seria mal..., para um pessimista.


quinta-feira, 16 de abril de 2020

Contas públicas do antes Covid 19 – "O milagre socialista"


Sem uma análise muito exaustiva (deixo para cada um essa tarefa), apresento em baixo, 2 Quadros com os dados sobre “receitas e despesas” da Administração Pública portuguesa e a respectiva comparação nos anos 2015 (último ano da governação de Passos Coelho) e 2019 (o último ano da 1ª legislatura da governação Costa).

Não posso, no entanto, deixar de realçar algumas notas sobre esse tal “milagre socialistas” nas contas públicas, as denominadas “contas certas”.
Podemos assim constatar o seguinte:

1 – As Despesas Totais na Administração Pública aumentaram de 2015 para 2019 cerca de 4 000 milhões de euros.
1.1)   – Esse aumento deveu-se, sobretudo, ao aumento algumas Despesas Correntes (Despesas com pessoal, despesas com a segurança social, autarquias, etc). A divisa que melhor assenta a esta estratégia é “como comprar votos e ganhar eleições”;
1.2)   – As Despesas com pagamento de Juros da dívida, diminuiu quase em 2 000 milhões de euros. Isto apesar da dívida pública aumentar de 236 000 milhões em 2015, para cerca de 252 000 milhões em 2019. Este milagre deveu-se, apenas e só, à baixa da taxa de juros;
1.3)   – As Despesas com Investimentos (infra-estruturas ou equipamentos), apesar de toda a propaganda barata, baixou em quase 500 milhões de euros. Isto deveu-se à política de “cativações” de Mário Centeno, na baixa execução orçamental e representa a grande vergonha da governação socialista;

2 – De 2015 para 2019 as Receitas Totais aumentaram cerca de 12 mil milhões de euros. Estas receitas deveram-se, sobretudo, ao aumento das Receitas Correntes (Impostos directos e indirectos; Contribuições para a Segurança Social; Taxas, multas e outras penalidades; Rendimentos da propriedade; Transferências correntes; Venda de bens e serviços correntes; e Outras receitas correntes). Para além da propaganda do governo, a realidade mostra um aumento brutal de saque aos rendimentos dos portugueses, um recorde na Carga Fiscal nunca antes atingido, a rondar os 35% do PIB;

3 – Do balanço entre este aumento brutal de Receitas à custa de impostos e Despesas controladas no que toca a Investimentos que diminuíram, quando esses sim deveriam ter aumentado para o dobro (tal como era apresentado em Orçamentos), operou-se esse tal “milagre” de diminuição do déficite.


Conceitos utilizados:

Receitas Correntes: As receitas correntes são os montantes que as administrações públicas recebem todos os anos de: Impostos directos; Impostos indirectos; Contribuições para a Segurança Social; Taxas, multas e outras penalidades; Rendimentos da propriedade; Transferências correntes; Venda de bens e serviços correntes; e Outras receitas correntes.

Receitas de Capital: As receitas de capital incluem recebimentos de verbas ocasionais, como é o caso de vendas de imóveis em hasta pública, ou de fundos da União Europeia para apoiar o investimento em infra-estruturas.

Despesas com o Pessoal: As despesas com o pessoal incluem todos os encargos com funcionários públicos e outras pessoas que prestam serviços a entidades públicas, tais como salários, subsídios de refeição, horas extraordinárias, ajudas de custo, prémios ou contribuições para a segurança social

Consumos Intermédios: O consumo intermédio inclui os bens e serviços utilizados na produção de outros bens e serviços, como é o caso de matérias-primas, pequenas ferramentas, despesas de viagem ou aquisição de serviços a fornecedores. Os grandes equipamentos e máquinas não são classificados como consumo intermédio mas como investimento em capital fixo.

Despesas com Juros e Outros Encargos: Os juros e outros encargos são despesas das administrações públicas com o pagamento de juros da dívida pública e outros empréstimos. Essas despesas também incluem os juros pagos aos contribuintes que pagaram impostos a mais.

Transferências Correntes (despesas):          Verbas para gastos correntes, sem qualquer contrapartida. Por exemplo, as verbas que o Estado transfere para as autarquias ou para a Segurança Social são despesas do orçamento do Estado.

Despesas de Capital: As despesas de capital incluem gastos que não se repetem todos os anos mas que perduram no tempo, como os investimentos em infra-estruturas ou equipamentos.


sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Avaliação de 4 anos da Geringonça (6)



Como se "compram" votos ou como quem está no governo ganha eleições

Num destes dias fiquei estarrecido. Um meu familiar, que trabalha na Administração Pública, que considero pessoa politicamente coerente e que habitualmente vota no PSD, disse-me com a maior das calmas e descontracção:
- Eu vou votar no Costa.

- Votar no Costa? Perguntei eu surpreendido, mas porquê?
A resposta foi curta e objectiva:
- Porque ele me deu menos uma hora de trabalho por dia e isso dá-me bastante jeito.
Não respondi. Não concordava, mas não valeria a pena resposta. Antes fazer uma reflexão sobre o que se tornou a democracia portuguesa:  


Como escrevi no artigo anterior, no final de 2015 quando terminou a legislatura anterior do governo de Passos Coelho, na Administração Pública (cerca de 660 000 trabalhadores), trabalhava-se cerca de 26,5 milhões de horas por semana, ou seja, cerca de 1 378 milhões de horas/ano. Por esse trabalho os contribuintes portugueses pagaram, nesse mesmo ano, 20 316 milhões de euros. Quer isto dizer que, em 2015, cada hora de trabalho na Administração Pública, custou aos contribuintes aproximadamente 14,7 euros;

Em 2019, estima-se que, os 690 000 trabalhadores da Administração Pública (mais 30 000 que em 2015), trabalhem apenas 24,1 milhões de horas/semana, ou sejam cerca de 1 253 milhões de horas durante o ano de 2019. Por essas horas de trabalho os contribuintes pagarão cerca de 22 000 mil milhões de euros (talvez um pouco mais). Quer isto dizer que em 2019, cada hora de trabalho irá custar cerca de 17,6 euros.
Resumindo, em 2019 os contribuintes portugueses, pagarão em média, mais 3 euros por hora de trabalho na Administração Pública do que em 2015. Quase mais 20% no valor hora.

Melhorou a qualidade dos serviços prestados na Administração Pública Portuguesa? Respondam domingo os eleitores...

Percebe-se assim, como aos governos é fácil ganhar eleições, ao beneficiar, desta forma, um universo de cerca de 700 mil votantes. Mas com o dinheiro dos contribuintes...

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Avaliação de 4 anos da Geringonça (5)



A degradação de serviços na Administração Pública

Em princípio de 2016, após a tomada de posse do governo da “geringonça”, trabalhavam na Administração Pública, de acordo com as estatísticas do emprego público, cerca de 660 000 mil trabalhadores.

O horário de cada trabalhador era de 40 horas/semana, o que, de grosso modo, representava na totalidade de horas (660 000 x40), cerca de 26 400 000 de horas/semana.

Uma das primeiras medidas do governo “geringoncico” foi reduzir o horário semanal de 40 para 35 horas semanais. O que quer dizer que, de imediato, a Administração Pública passou a contar com menos 3 300 000 horas por semana.

Nada contra a medida, quem governa é que sabe. No entanto, se a aritmética ainda é uma coisa exacta, para cobrir essa redução desse horário (para que ficasse o mesmo nº de horas) o governo deveria ter contratado, ao longo da legislatura, cerca de 94 000 trabalhadores (3 300 000 horas/35 horas).

Actualmente, dados de Julho de 2019, o nº de trabalhadores da Administração Pública é de cerca de 690 000. Isto é, apenas mais 30 000 trabalhadores do que em 2016. O que quer dizer que para se ter o mesmo nº de horas de trabalho que no princípio de 2016, era preciso contratar mais 65 000 trabalhadores.

Percebem agora porque é que os serviços públicos estão pelas horas da amargura e piores do que há 4 anos...

Nota: Claro que muitos questionarão se a Administração Pública precisa de tanta gente, mas isso é outra conversa...




quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Avaliação de 4 anos da Geringonça (4)


- Investimento Público entre 2016 e 2019 (Governo das esquerdas): Aproximadamente 14,5 mil milhões de euros (A avaliação de 2019 ainda não é conhecida, mas rondará os 4 mil milhões).

- Investimento Público entre 2012 e 2015 (período de intervenção da Troika): Cerca de 16 mil milhões de euros.

(Fonte Pordata)

Avaliação de 4 anos da Geringonça (3)


Dívida Pública:

No início da Legislatura "geringôncica" em 2016 a dívida pública era de 235.7 mil milhões de euros. Nesta altura é de 252,1 mil milhões de euros.

Isto é, em 4 anos a dívida pública aumentou cerca de 17 mil milhões de euros. Mas os "artistas" Costa/Centeno querem fazer crer que a dita baixou!

Avaliação de 4 anos da Geringonça (2)


O caso de roubo de armas de Tancos: António Costa diz que não sabia de nada, não viu nada, não ouviu nada e ninguém lhe disse nada...


Avaliação de 4 anos da Geringonça (1)


«Havia 22% de trabalho precário em 2015, há 22% de trabalho precário em 2019»

(Catarina Martins, 26/9/2019, em campanha eleitoral em Faro)

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

A outra face (lunar) da Dívida Pública portuguesa...


É aceite por quase todos os economistas (excepto os ligados a extrema-esquerda), que a dívida pública portuguesa é um dos maiores, problema do país. Claro que a dívida privada também não o deixa de ser, mas essa, esperemos, que quem a contraiu que a pague.

A dívida pública não é um enigma recente, ao longo da história do país, ela quase sempre nos acompanhou. E foi por causa dela que, de vez em quando, lá temos problema de soberania e de intervenção externa, e então é que são elas. Mas como dizia o outro, também todos sabem que a dita não é para pagar, mas sim para gerir. O problema é quando ela atinge valores impossíveis de gerir!

Ultimamente, com a propaganda bem oleada da “geringonça”, têm tentado fazer-nos crer que a coisa está controlada, e que a dita, estará mesmo a diminuir. Para tal usam-se mil e um estratagema, desde a sua avaliação periódica em curtos espaços de tempo (em que tal pode suceder); ou então, apresentando-a em valores relativos (percentagem) em relação ao PIB. E claro, numa relação sempre que um dos factores varia, altera-se o resultado. Mas como sabe, por exemplo, quando perguntamos ao nosso Banco qual é a nossa divida para com a instituição, eles nunca nos respondem: ah, é 130% por cento do seu vencimento anual!
Assim, em períodos de crescimento económico, como é o caso em que estamos actualmente, se nos cingirmos apenas a essa avaliação relativa, poderemos ficar com a sensação agradável que a dívida estará mesmo a ser diminuída.

Mas será mesmo assim?

Olhemos então para o Quadro 1 e Gráfico 1, onde a evolução da dívida pública nos é apresentada não em valores relativos, mas em valores absolutos. O que, em minha opinião, é o que nos interessa, porque vais ser com euros que a teremos que a pagar, e não com percentagens do PIB.



Fonte: https://www.pordata.pt/Europa/Administra%C3%A7%C3%B5es+P%C3%BAblicas+d%C3%ADvida+bruta+(Euro)-1548


Pontos a reter:

1 – A Dívida Pública portuguesa aumentou entre 2005 e 2017 cerca de 143 000 milhões de euros. A uma média de 12 000 milhões de euros por ano;

2 - Foi durante o período de governação de José Sócrates (2005/2011) que a dívida pública mais aumentou, quase 15 000 milhões ao ano;

3 - Durante os 4 anos de governação de Passos Coelho (2012/2015) a dívida pública aumentou em média 8 875 milhões por ano. Praticamente metade do que aumentava, anualmente, na era socrática;

4- Com o consulado António Costa, voltou a verificar-se um aumento  anual significativo . Em dois anos esse aumento foi cerca 18 000 milhões de eurosnuma média de 9 000 milhões/ano. Só no primeiro ano de governação da "geringonça" (2016), Costa fez subir a dívida em mais 4 000 milhões de euros do que no ano anterior, praticamente o dobro do que tinha aumentado em 2015;

5 - Como se pode verificar, NUNCA, em ano algum, a dívida pública diminuiu.


              Gráfico 1 - Evolução da Dívida Pública entre 2000 - 2017



Para os curiosos fica uma breve resenha histórica das consequências do não controlo da Dívida Pública em Portugal nos últimos 300 anos:

- 1700 - Chegada às minas do Brasil dos colectores de impostos;

- 1706 - Aumento de impostos por D. João V (reinou a partir de 9 de Dezembro);

- 1708 - Entra no Tejo frota do Brasil, com carga avaliada em 54 milhões de cruzados: ouro, diamantes, etc.;

- 1708 - Fome generalizada em todo o reino;

- 1712 - Os procuradores dos mesteres apresentam à Câmara de Lisboa um quadro negro da situação económica e financeira do País;

- 1712 - Entra no Tejo frota do Brasil, com carga estimada em 50 milhões de cruzados;

- 1763 - Grave crise económica, prolongando-se até 1770;

- 1796 - Alvará lançando empréstimo de 10 milhões de cruzados ao juro de 5%;

- 1797 - Alvará lançando empréstimo de 12 milhões de cruzados ao juro de 6%;

- 1801 - Novo empréstimo de 12 milhões de cruzados, constante de 20 000 acções de 240 reis cada;

- 1834 - Prolongando-se até 1836, uma gravíssima situação das finanças públicas;

- 1892 - Situação de quase bancarrota;

- 1900 - José Bento Ferreira de Almeida, antigo ministro da Marinha e do Ultramar, discursa na Câmara dos Deputados, defendendo a venda das colónias (excepto Angola e S. Tomé e Príncipe), para com cujo produto se poder pagar a dívida externa e fomentar o desenvolvimento do País;

- 1978 - Primeiro programa de estabilização das contas nacionais e públicas e intervenção por parte do FMI;

- 1983 – Segunda intervenção do FMI. Quando o Governo Mário Soares/ Mota Pinto entra em funções (1983), havia apenas divisas para pagar uma escassa semana de importações;

- 2011 – Situação de pré-banca rota, com a terceira intervenção do FMI, União Europeia e BCE;



terça-feira, 7 de junho de 2016

O velho do restelo, ou velho do PS?


Um pouco de lucidez. Vale a pena ouvir na integra e divulgar:


Só para gente com humor, ou não socialista....


Do melhor que já li nos últimos tempos:

Portugal, quê (start-up)?

sábado, 12 de setembro de 2015

O meu contributo para a escolha eleitoral de 4 de Outubro.


Mesmo que os políticos sejam “todos” iguais, os resultados das "políticas" nem sempre o são. Porquê? 


Nota: O saldo da Balança Comercial mede a diferença entre as exportações e as importações



De onde vem o "bago" para fazer face a este desequilíbrio? 





A questão é simples: Vamos continuar, ou avançamos para a "mudança"?


quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Ainda sobre o debate Passos - Costa...


Como Passos Coelho deveria ter respondido aos Gráficos de Costa, e nem precisaria de dizer mais nada. Não respondeu, mas isso não não nega a realidade. 

Então vejamos:

1 - Dívida Pública: Cresceu, mas era possível não crescer? Mas será que se pode comparar com o que vinha acontecendo nos últimos anos da governação socialista? 

   
     Dívida Pública em % do PIB








... e se fosse com a política do PS? A dívida pública seria de 253,5 mil milhões de euros, em vez dos actuais 223,6 mil milhões. Atente-se no Gráfico seguinte:


2 - Despesas Públicas? Sem palavras!




3 - Balança de transacções? Pela primeira vez em 40 anos foi positiva!


Só não vê quem não quiser...

Às costa(s) do passos, ou de passos às costas!


Este artigo de Luís Menezes Leitão resume de uma forma concisa o que penso sobre o debate de ontem...

“Passos Coelho pode orgulhar-se de ter dirigido o governo que conseguiu levar a bom porto o país, depois da situação mais complexa que qualquer governo teve em Portugal desde 1975, em grande parte por culpa do governo anterior. Como primeiro-ministro, revelou-se especialmente em dois momentos extremamente difíceis.

O primeiro foi em Julho de 2013, quando segurou o governo, perante a demissão irrevogável do seu parceiro de coligação, Paulo Portas, evitando que a coligação se desfizesse, como sucedeu à AD em 1982 quando Freitas do Amaral também decidiu abandonar o barco. O segundo foi em Julho de 2014, quando recusou envolver o dinheiro dos contribuintes no colapso do BES, não repetindo assim o que Sócrates tinha feito com o BPN. Passos Coelho apresenta a seu crédito ter conseguido evitar novos resgates e ter colocado o país novamente a crescer. Por isso, como recentemente escreveu o insuspeito José Silva Pinto neste livro, mesmo que perca as eleições, sairá sempre do governo com a consciência tranquila."


terça-feira, 7 de julho de 2015

Contribuições para uma escolha consciente (1)


Início hoje uma rubrica que pretende dar a conhecer alguns dados para que, quando Outubro chegar, aqueles que me lêem possam tomar uma opção eleitoral o mais consciente possível. Os dados que aqui apresento não são de um qualquer fazedor de opinião, são aqueles que considero os mais fidedignos possíveis: do INE, ou da Plataforma Pordata. Claro que haverá sempre aqueles que duvidam de alguma coisa, e mesmo aqueles que duvidam de tudo, pois o que conta é a sua realidade e, dizem eles, os números não enchem barriga. Mas quando se trata de números sobre “aquilo com que se compram os melões”, eu acho que não perdemos nada em dar-lhe uma olhadela. Depois, cada um tirará as suas ilações, eu tiro e opino com a minha.

Falemos da Dívida Pública

Diz-se por aí que, a tão malfadada austeridade não valeu de nada, pois a Dívida Pública não parou de aumentar nestes 4 anos. É verdade, não vale a pena escamotear esse facto. Mas uma coisa é uma dívida que aumenta entre 2005 e 2011 numa média de 15 000 milhões de euros/ano (como no consulado de Sócrates e do Partido Socialista), ultrapassando em 2010 os 26 000 milhões de euros; outra coisa é uma dívida que aumenta 7 000 milhões de euros/ano (consulado de Passos Coelho), isto é, menos de metade em cada ano que passou. Estimando-se mesmo, que no final de 2015, e pela primeira vez na história da democracia portuguesa, a dita tenha uma diminuição de 1 700 milhões de euros, como se pode ver no Gráfico 1 e no Quadro 1 que se complementam. 


                
Quadro 1 - Evolução da Dívida Pública conhecida entre 1991 - 2015
               Fonte: Pordata

Óptimo seria que em 2011 (quando a dívida aumentou 22 600 milhões de euros), com uma “varinha mágica”, se parasse o endividamento. Mas como sabe o menos observador destes fenómenos, tal seria impossível. Se ao reduzir o endividamento em cerca de 8 000 milhões/ano teve o impacto social que teve, como seria se diminuísse 15 000 milhões?

Aliás, será curioso fazer o seguinte exercício teórico e verificar que, se se mantivessem nestes últimos 4 anos as políticas seguidas pelo Partido Socialista (possivelmente com custos idênticos), a Dívida Pública seria no final de 2015 cerca 254 000 milhões de euros (147% do PIB), como se pode ver no Gráfico 2 (Linha rosa). Com as tais “políticas de austeridade”, a Dívida Pública conhecida (Linha azul), será no final de 2015 cerca de 224 000 milhões de euros (130% do PIB).

A diferença será assim de cerca 30 000 milhões de euros o que, na prática, dá uma diminuição de custos actualmente, só em juros, de cerca de 1 500 milhões de euros/ano. Para além dos nossos filhos (de quem dizemos gostar muito), terem na sua herança, menos 30 000 milhões de dívidas contraídos pelos seus paizinhos.  

terça-feira, 28 de abril de 2015

Como mentindo, se faz política em Portugal

Fui militar de cavalaria, como Salgueiro Maia, embora só chegasse à Escola Prática de Santarém no princípio de 1978, isto é, 4 anos depois de este ter comandado o esquadrão que meteria o ânus para dentro à rapaziada mandante da capital. Quando ali cheguei, os ecos deste herói da revolução (ou será um mero golpe de estado?), já pouco habitavam nessas paredes, diga-se até que, os que ecoavam, não eram os mais abonatórios.

No entanto, eu, sempre nutri por ele admiração e, se lá estivesse em 74, não hesitaria em ter ido com ele. Com o tempo, essa admiração foi aumentando, fazendo parte para mim daqueles ícones que pela sua atitude e comportamento no pós 25 de Abril, em oposição a muitos cromos do prec: o do anti-herói, a humildade, o incógnito, o militar leal que defende com armas o seu povo tal como jurou, que sabe que o lugar dos militares é nos quartéis; ficará para sempre gravado na galeria da admiração da minha memória.

Não sei se Salgueiro Maia herdou de seu pai alguns destes valores, talvez sim. Mas o que parece que não aconteceu foi transmiti-los a sua filha Catarina, tão citada por estes dias nas redes sociais e na imprensa pela “malta canhota”, como sendo uma das vítimas da política do actual Governo. Que tal como diz a própria, foi obrigada a cumprir a sugestão de Passos Coelho, e coitada (para além dum pai injustiçado), lá teve que emigrar para o Luxemburgo! Esta não herdou certamente os princípios do pai Fernando, senão vejamos:

Diz Catarina Salgueiro Maia que emigrou para o Luxemburgo em 2011, «ano em que a 'troika' chegou a Portugal e "em que o primeiro-ministro aconselhou as pessoas a ganhar experiência no estrangeiro", ironizou, recordando os apelos do Governo à emigração». Não há dúvida de que a troika chegou a Portugal em 2011 (o pedido de ajuda foi feito a 6 de Abril); já o governo apenas tomou posse em 21 de Junho, e as tais declarações polémicas sobre emigração ocorreram a partir de Outubro.

Ora no vídeo em baixo, aos 30 segundos, Catarina afirma com absoluta certeza que chegou ao Luxemburgo no dia 15 de Março de 2011. Portanto, quando diz que diz que «foi "convidada" a sair de Portugal pelo primeiro-ministro Passos Coelho»  está a mentir descaradamente!

Se por ressabiamento ou ao serviço da sua ideologia política, isso não sei; mas sei que se queremos melhores políticos temos que ser melhores cidadãos. Não vale tudo para levar a água ao nosso moinho. E não, as qualidades (a imagem de tenho de Salgueiro Maia é a de um homem recto) não se transmitem por osmose jornalística.

Nem sequer pelos genes...




terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

40 Anos de regime: o que Portugal deveria reflectir

A história financeira pública de uma pseudo- democracia:

1 - Cofres do Banco de Portugal em Abril de 1974: 1 000 milhões de dólares (Aproximadamente 1,2 mil milhões de euros ao câmbio de hoje). O PIB da época era de cerca de 2,3 mil milhões de euros. Em Outubro de 1975 não existia um chavo nos cofres do Banco de Portugal. Num ano e meio abrasou-se o correspondente a 6 meses de PIB (a preços de hoje equivaleria a um gasto “adicional” de 80 mil milhões de euros em 18 meses);  

2 - Reservas de ouro em Abril de 1974: 880 Toneladas. Em 2014 existiam apenas cerca de 380 Toneladas. Em 40 anos venderam-se 500 Toneladas de ouro, que renderiam hoje cerca de 18 mil milhões de euros. Só ainda não se abrasou o resto porque o Banco Central Europeu não deixa vender.  

3 - Fundos comunitários europeus recebidos entre 1987 – 2014Entraram em Portugal cerca de 100 mil milhões de euros;

4 - Remessas dos emigrantes enviadas para Portugal entre 1974 – 2014: Cerca de 90 mil milhões de euros

5 - Dívida Pública em Dezembro de 2014: 224, 5 mil milhões de euros.

Quem discute isto em campanhas eleitorais, e estratégias para o resolver?

Nota: As contas são minhas. As fontes: Pordata; programas da TVi 24 “Olhos nos Olhos; e aqui.



sábado, 21 de fevereiro de 2015

Atrás dos tempos, vêm tempos...


... e outros tempos hão-de vir!



Os vetados eram precisamente Portugal e Espanha!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

A falácia da dívida pública continua...


De acordo com os comentadores do regime e os intoxicadores das redes sociais, dizer que a evolução da Dívida Pública portuguesa dos últimos 3 anos nada tem a ver com a doidice em que se caiu desde o ano 2000, é o mesmo que dizer que, quem o faça, e de acordo com a origem do julgador, se possa preparar para umas 50 vergastadas se islâmico for, ser excomungado pelos judaístas, ou ir parar à fogueira inquisidora dos católico antigos. No fundo, o que esses julgadores e as respectivas claques dos macacos de imitação (“via likes”) querem, é fazer crer aos incautos que tudo está igual ou pior, no que à Divida Pública diz respeito. Ora só um cego pode acreditar nisso. Ou pior, aqueles que não querem ver, que como dizia o outro, são os piores dos cegos. 

O Gráfico é tão evidente que me abstenho de o comentar. Direi apenas que em 15 anos (desde 2000), 2014 foi o 3º ano em que a Dívida Pública portuguesa menos cresceu: 5, 3 mil milhões de euros. Só em 2000 e em 2007 se fez melhor. 

Convém ainda acrescentar que, em 2012 e 2013, foram incluídos cerca de 15 mil milhões de euros de dívida que estava escondida (pelo brilhante governo de sócrates) nas empresas de transportes; e que, actualmente, existirão nos cofres do estado mais cerca de 15 mil milhões de euros que nos irão permitir pagar a dívida ao FMI, e para outras despesas.

Mas como isto de um país pode parecer coisa muito complicada para a maioria dos cidadãos, peguemos no exemplo de uma pequena família de 4 pessoas: pai, mãe e 2 filhotes.

Era uma vez:

No ano 2000 da nossa era, esta família tinha uma vida e umas finanças equilibradas, apesar de já terem alguma dívida: os adultos tinham o seu ordenado anual de 4 200 contos (150 contos por mês/cada), embora já tivesse uma dívida de cerca de 2 200 contos de um empréstimo de habitação. A partir daí (com o crédito fácil e “juros baratos” que lhes ofereceram depois da entrada no “euro”), até ao ano de 2011, esta família, em média, todos os anos aumentou a sua dívida (entre empréstimos e juros), 210 contos/ano (1 050 euros em moeda actual), o que quer dizer que no início de 2012, a dívida já ascendia a 23 600 euros. Isto é, em 12 anos a sua dívida, se a moeda ainda fosse o escudo, disparou dos 2 200 contos (ano 2000) para uma dívida de 4 720 contos (final do ano de 2011).

Apesar dos 2 adultos em 2011, terem rendimentos que rodam os 22 500 euros anuais; enquanto no ano 2000 deviam 50% desses rendimentos, no início de 2012 os seus rendimentos anuais já não chegavam para pagarem a dívida, e precisavam ainda de lhe acrescentar 1 100 euros.

Isto quer dizer que, durante 12 anos esta família gastou todos os anos, em média, mais 1 050 euros do que recebia. Mas nos 3 últimos anos (2009 – 2011) o descalabro foi de tal ordem que chegaram a gastar mais 2 500 euros/ano do que recebiam. Isto é, nesses fatídicos 3 anos, esta família, devido aos seus compromissos precisava de 25 000 euros/ano para viver: Só tinham rendimentos de 22 500 e uma dívida acumulada de 23 600 euros!

Os “amigos”, já ninguém lhes queria emprestar dinheiro, e os que arriscavam, era com juros de 12% ao ano. Um dos cônjuges estava à beira de ficar sem emprego, o que equivalia a menos 12 000 euros ao ano no orçamento familiar.

As perguntinhas que se põem são muito simples:

- Como é que se pode por esta família a viver da mesma maneira, mantendo o mesmo estilo de vida, mas com apenas com 22 500 euros (se o dito cônjuge não cair no desemprego!)?

- Como é que isso se pode fazer de um dia para o outro?

- E quem é paga os compromissos em atraso e assumidos (dívida), nomeadamente: ao Zé da mercearia, ao Chico do Talho, o casaquito para o inverno, os livros em dívida dos putos, a prestação, gasolina e seguro do carro, o tabaquito, as bejecas, etc.?


Nota Final: Pelas minhas contas, em 2014 parece que esta família ainda não conseguiu começar a diminuir a sua divida aos bancos, aos amigos, e aos familiares. Também não se peçam milagres. Roma e Pavia não se fizeram num dia, nem em 3 anos! Mas através do Gráfico que apresento em cima, e salvo a distância que vai de um país para uma família, em 2012, a família, já conseguiu viver com 24 500 euros (- 500 euro que o ano anterior); em 2013 passou para 24 000 (- 1000 euros que em 2011); e em 2014 já se aguentou com 23 000 (menos 2000 que no ano de 2011, e apenas mais 500 euros do que os seus rendimentos anuais. Se isto não é evolução, que me desculpem! 

Mas quem sabe mesmo de milgres destes é o Costa, o Jerónimo, a Catarina, o Louçã, o Bagão, a Manuela, o Mendes, o Marcelo, o Pacheco, ou ao grande economista do regime o Nicolau (expresso) dos laços.

Eu por mim gostava de saber como eles fariam, para ir programando o meu voto! É que só já faltam 7 messes para as eleições, e eu gosto de programar com tempo...