terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Oxalá estejam todos bem, e que deus nos acompanhe...


Este Post é dedicado a todos os meus amigos, sejam eles médicos ou pacientes. E qualquer semelhança com factos reais (não) será “pura coincidência”. Mas demasiado sério, para que assim não seja levado... 

(Adaptado)

O ti Manel andava razoavelmente bem de saúde, e até ainda lhe arrumava uns tintos, até que a sua esposa a ti Maria dos Remédios, a conselho da sua filha “tontinha”, lhe disse:

“-Oh Manel, vais  fazer 70 anos, está na hora de fazeres um "chéqup" no médico.
- Para quê, se ando bem, respondeu o ti Manel!
-Porque nã sabes como tás por dentro, e a prevenção deve ser feita agora, quando ainda andas bem, disse logo a ti Maria.”

Então o ti Manel, para não fazer desfeita, lá foi ver um médico. O médico, sabiamente, mandou-o fazer Testes e Análises de tudo o que poderia ser feito. Duas semanas mais tarde, o médico disse que os resultados estavam muito bons para a sua idade, mas tinha algumas coisas que podiam melhorar. E então receitou:

Comprimidos Atorvastatina para a pontinha de colesterol, Losartan para proteger o coração e a hipertensão, Metformina para um princípio de diabetes, Polivitaminas para aumentar as defesas e dar força (?), a Desloratadina não fosse o Manel fazer alergia a algum dos medicamentos receitados. Como eram muitos medicamentos, tinha que proteger o estômago então ele indicou Omeprazol; e, já agora, pelo sim pelo não, um Diurético para aumentar a excreção das várias drogas receitadas.

E assim, o ti Manel, não duvidando dos vários diplomas expostos nas paredes do consultório do sábio Hipócrates, lá foi à Farmácia e gastou boa parte da sua Pensão em várias caixas requintadas e de cores sortidas.

No entanto, como ele no dia seguinte, não conseguia lembrar-se se os comprimidos “verdes” para a alergia, deveriam ser tomadas antes ou depois das cápsulas para o estômago, ou se devia tomar as amarelas para o coração antes ou depois das refeições, voltou ao médico.

Logo este deu-lhe uma caixinha com várias divisões, mas achou que o ti Manel estava muito tenso e algo contrariado. Receitou-lhe, então, Alprazolam e Sucedal para dormir e melhor descansar. Naquela tarde, quando ele entrou na Farmácia com mais receitas, o farmacêutico e seus funcionários até fizeram alas para ele passar pelo meio, enquanto, por dentro, sorriam de satisfação.

Só que o ti Manel, em vez de melhorar, foi piorando. Ele tinha todos os remédios num armário da cozinha e quase já não saía de casa, porque passava praticamente todo o dia, a horas marcadas, a tomar as pílulas.

Dias depois, o Laboratório fabricante de vários dos remédios que ele usava, deu-lhe um cartão de “Bom Cliente. Vendeu-lhe ainda, um aparelho para “tirar” a Tensão Arterial, e, deu-lhe uma máquina para medir “os” diabetes, um Termómetro digital, um frasco estéril para análise de urina e um lápis com o logótipo da Farmácia.

Só que, o ti Manel nas idas frequentes ao centro de saúde e à farmácia, em contacto com outros doentes, apanhou uma valente gripe. A minha tia Maria, como de costume, fê-lo ir para a cama. Mas, desta vez, além do chá com mel, chamou também o médico a casa. Ele disse que não era nada de grave, mas, para justificar a chamada, lá prescreveu o Antigripine para tomar durante o dia, e um Xarope com Efedrina para tomar à noite. Não fosse o diabo tecê-las e apanhar alguma pneumonia, receitou um antibiótico: 1 g de Amoxicilina de 12 em 12 horas, durante 10 dias; e como detectou uma pequena taquicardia, receitou Atenolol.

Pouco tempo depois, e por causa das resistências diminuídas, apareceram uns fungos, e depois herpes, o que o fez voltar à consulta, e o médico receitou Fluconazol e Zovirax.

Para piorar a situação, tio Manel começou a ler as bulas de todos os medicamentos que tomava, e ficou sabendo de todas as contra-indicações, advertências, precauções, reacções adversas, efeitos colaterais e interacções médicas e encontrou coisas terríveis. Não só que poderiam provocar a morte, mas que poderiam fomentar também arritmias ventriculares, sangramento anormal, náuseas, hipertensão, insuficiência renal, paralisia, cólicas abdominais, alterações do estado mental, e mais um monte de coisas terríveis. E com medo, voltou ao médico, que lhe disse para não se preocupar com essas coisas, porque os Laboratórios só colocavam essas coisas para se isentar de culpa.

- Calma, amigo Manel, não fique aflito, disse o médico, enquanto prescrevia uma nova receita com um antidepressivo Sertralina com Rivotril 100 mg. E como o Manel estava com dor nas articulações, receitou também, o Diclofenac, porque a felicidade tem que ser total, e a uma boa pílula, não há mal que a vença.

Nessa altura, sempre que o ti Manel recebia a Pensão, lá ia directo para a Farmácia, onde já tinha sido eleito cliente VIP.

Chegou uma altura em que o dia do pobre Manel já não tinha horas suficientes para tomar todas as pílulas, portanto, já não dormia, apesar das cápsulas para a insónia que haviam sido prescritas. Ficou tão mal, que um dia, conforme era advertido nas bulas dos remédios, bateu a “caçoleta”!

No funeral tinha muita gente, mas quem mais chorava era o farmacêutico.

Agora a ti Maria diz que, felizmente, mandou o marido ao médico em boa altura, porque senão..., com certeza, ele há muito que teria morrido!






"As minhas muletas deitei-as fora, a minha marreca já não me dobra. Ó senhor doutor esta doença só me dá para dançar!

A dor já não maça e eu não me canso, é cada guinada que eu até canto. Ó senhor doutor esta doença só me dá para dançar!

Faça qualquer coisa, que eu não tenho mais razões p'ra me queixar…

Já não emagreço nem fico gorda, e qualquer excesso deixa-me em forma. Ó senhor doutor esta doença só me dá para dançar!

O meu triste pranto ri-se com gosto, e o bem-estar é tanto que eu já nem posso. Ó senhor doutor esta doença só me dá para dançar!

A todo o mal do mundo dou bailarico, e até no futuro já acredito. Ó senhor doutor esta doença só me dá para dançar!

Gabo a má sorte do meu destino, e se vier a morte faz par comigo. Ó senhor doutor esta doença só me dá para dançar!

Faça qualquer coisa, que eu não tenho mais razões p'ra me queixar…"

domingo, 27 de janeiro de 2013

Estado Social e “sacrifícios” inter-geracionais...


"Então mas se aos 30 anos de idade, ainda querem andar a viver à custa dos “orçamentos” e aos 60 já querem estar reformados, o que pensa esta geração contribuir para o tal “estado social” que reclamam?"

Em 1967 tinha eu 10 anos de idade, e acabava de concluir, o então denominado Ensino Primário ou Básico, que se resumia à conclusão de 4 anos de escolaridade, que culminavam com o então exame da 4ª classe.

Com um pouco de vaidade da minha parte, essa aquisição tinha sido conseguida com a distinção de Bom, como pronunciava no Diploma da altura. Esta situação, não era muito comum nos meninos do campo e pobres como eu. O normal era, em situações idênticas, esse período de escolaridade se prolongarem por seis ou sete anos, e depois os mestres concederem, às vezes um pouco “por favor”, o dito atestado, porque o rapaz ou rapariga, já estavam em boa idade de começarem a moer o lombo através do trabalho que os esperava, e, para isso não precisavam de ser doutores.

No meu caso, tal destino de vida não se afigurava lá muito fácil, já que, para além da minha tenra idade, quis o desdito, que eu fosse um jovem de corpo pequeno e franzino, que até me tinha valido a alcunha do “joão pequenino”. Talvez por isso, a família e a vizinhança lá começaram a aliciar meu pai, que o gaiato ainda não tinha corpo para trabalhar, e como até tinha algum jeito para as letras, que deveria fazer-se algum esforço, e, tentar mandar o “artista” continuar a arte dos estudos.

Tinham aparecido por essa época, as chamadas “telescolas”, que ministravam o então ensino preparatório, com duração de dois anos. Esse modelo, baseado no uso das novas tecnologias de então, usava televisão como auxiliar, ou principal, meio de ensino, e, possibilitava a iniciação do secundário em todos os lugares que possuíssem electricidade, um aparelho de televisão, e claro, um Professor orientador.

No entanto, os custos com as Propinas para frequentar esse ensino eram de uns proibitivos 200 escudos por mês. O que, quer dizer, só para isso era preciso um orçamento aproximado de 1 800 escudos anuais (200 x 9 meses), aos quais havia que acrescentar custos de livros e materiais, num total, que no mínimo, rondaria os 2 mil e quinhentos mil reis.

A minha família vivia nesse tempo, com grandes dificuldades financeiras, e numa economia de subsistência. Minha mãe tomava conta da lida casa, era lavadeira de algumas casas da vila de Marvão, e ainda tomava conta da pequena horta arrendada, de onde tirávamos alguns bens alimentares para o sustento da família; meu pai, assumia os trabalhos mais pesados no amanho dessa horta e, sazonalmente, talvez numa média de 6 messes por ano, ia trabalhando por conta de outrem em actividades que iam da colha da azeitona, às ceifas; mas a sua grande vocação, era o tratamento dos “vimes” (planta para fazer vergas para cestos e cadeiras), que ia da limpeza ao corte, passando pela sua debulha e secagem. Os meus dois irmãos mais velhos haviam casado recentemente, seguindo por conta própria as suas vidas.

As necessidades básicas da economia familiar, ao nível interno, eram suportadas pela produção dos géneros alimentares que cultivávamos na horta. Com os parcos rendimentos que obtínhamos da venda de alguns excedentes, lá íamos fazendo frente à aquisição de alguns fertilizantes e novas sementes que era preciso renovar, para que a terra se não cansasse dos mesmos espécimes. Ao nível externo, as aquisições (importações), eram suportadas pelos rendimentos das jornas sazonais ganhas pelo meu pai nas actividades supracitadas, que rendiam cerca de 40 escudos por dia (tendo trabalho apenas em 6 meses por ano). Os rendimentos obtidos pela minha mãe, como lavadeira, eram para aquisição de algum vestuário, e dinheiro “para as linhas”, como então se dizia.

Vivia assim, em equilíbrio estável, a nossa economia familiar. Pobres, com muitas dificuldades, mas sem dívidas. Responder a um desafio, de investir 2 500 escudos, num orçamento familiar anual de 4 000 (63%), para por um filho a estudar numa qualquer telescola, era um desafio quase inconcebível!

Pergunto-me, ainda hoje, como terão meus pais conseguido responder a tal proeza. Ficar praticamente com 150 escudos por mês, para fazer face à aquisição externa dos essenciais bens de sobrevivência, tais como pão, açúcar, combustível para a alimentação de um candeeiro de iluminação a petróleo e, claro, a indispensável onça de tabaco “Duque”, para o Manel Buga matar o vício, não deve ter sido tarefa fácil, nem ao alcance de um qualquer “gaspar” da época!

Eu respondi fazendo a minha parte, realizando em 2 anos, o tal Ensino Preparatório. Mas depois, outra coisa não me restou, aos 12 anos de idade, que começar a trabalhar na Celtex em Santo António das Areias. A meus pais não podia pedir mais, o esforço já tinha sido colossal, e, a partir daí, toda a minha formação académica foi por mim custeada.

Fazendo uma breve analogia entre o passado e o presente, podemos verificar, que nos dias de hoje, um aluno do Ensino Superior paga, no máximo, 1 000 euros/ano de Propinas. Este valor é, praticamente, o rendimento de um mês de salário de um português com rendimentos médios. Comparando este valor, com o que meu pai pagava para o seu filho frequentar o Ensino Preparatório, rapidamente concluimos, que em 1967 para pagar 1 800 escudos, o meu pai teria que trabalhar, se trabalho arranjasse, pelo memos 2 meses, o dobro do que precisa actualmente um pai (ou mãe), para ter um filho na “Facoldade”.

É por isso que vejo, oiço e leio, com grande dificuldade de compreensão que, actualmente, homens e mulheres com 23 e 24 anos de idade, lamentarem-se que vão ter que começar a trabalhar para custearem os seus estudos, às vezes já com 15 e 16 anos de escolaridade para trás, nem sempre com aproveitamento, a viverem à custa dos pais, e, de um Estado falido mas benévolo, que tudo suporta.

Então mas se aos 30 anos de idade, ainda querem andar a viver à custa dos “orçamentos” e aos 60 já querem estar reformados, o que pensa esta geração contribuir para o tal “estado social” que reclamam?

Em minha opinião, entre os 18 e os 20 anos, é já mais que tempo de começarem a vergar a mola, e com o que produzirem custearem a tal Formação que tanto reclamam, porque a Democracia não tem apenas direitos, mas também exige alguns deveres, e o Estado Social não nasce do céu...

sábado, 26 de janeiro de 2013

Do Baú...


Os serões habituais, as conversas sempre iguais, os horóscopos, os signos e ascendentes, mais a vida da outra, sussurrada entre os dentes. Os convites nos olhos embriagados, os encontros de novo adiados, nos ouvidos cansados ecoa: A canção de lisboa.

Não está só a solidão, há tristeza e compaixão, quando o sono acalma os corpos agitados, pela noite atirados, contra colchões errados. Há o silêncio de quem não ri nem chora, há divórcio entre o dentro e o fora e há quem diga que nunca foi boa: A canção de lisboa.

Mamã, mamã, onde estás tu mamã, nós sem ti não sabemos mamã, libertar-nos do mal!

A urgência de agarrar, qualquer coisa para mostrar, que afinal nós também temos mão na vida, mesmo que seja a custa de a vivermos fingida. O estatuto para impressionar o mundo, não precisa de ser mais profundo, que o marasmo que nos atordoa: Ó canção de lisboa.

As vielas de néon, as guitarras já sem som, vão mantendo viva a tradição da fome, que a memória deturpa e o orgulho consome. Entre o orgasmo e a gruta ainda fria, e o abandonado da carne vazia, cada um no seu canto entoa: A canção de lisboa.

Mamã, mamã, onde estás tu mamã, nós sem ti não sabemos mamã, libertar-nos do mal!



terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Era uma vez...


Era uma vez uma ribeira...
Era uma vez uns moinhos...
Era uma vez uns serranos vindos do hermínio maior, que chegaram ao hermínio menor...
Era uma vez uma família de moleiros em Marvão...

Vá lá uns rebuçaditos para a família Bugalhão:




Ainda não é a Catarina Serrana, nem tão pouco a sua sogra Antónia no século XVIII, no Moinho da Malpiqua, mas por agora é o que há....




As “ciganices” continuam...


Desde a tomada de posse do actual governo, que este sempre afirmou que pedir mais tempo para “alargar prazo do empréstimo da 'troika' a Portugal, não era positivo, porque tal representava o pagamento de mais juros, e por isso o Gaspar não iria fazê-lo.

Segundo as notícias de hoje, parece que tal sucedeu. Fica-se sem saber muito bem se foram os nossos credores que nos concederam a “benesse” por nos portarmos bem, se o Gaspar, perante tantas adversidades, o solicitou.

Não sei se isso é bom se é mau, a tanto não me ajudam os meus parcos conhecimentos. O que me custa aceitar é esta incoerência, desta vez por parte do Governo e dos partidos que o suportam, fazendo do que ontem era mau, ou muito mau, hoje já é bom, e, até atiram foguetes.

É através destas pantominices que se cavam as derrotas. O povo português tem fraca memória, mas assim, "tirar e meter" tão repentinamente, em tão curto espaço de tempo, é capaz de doer! E a malta ainda é capaz de se lembrar.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Tudo isto é fado...

Desespero! O mar turva-se aos meus olhos, porque o céu amua como a terra e entristece. Desespero! Roça a minha fantasia, a língua da serpente, e, o meu céu não amanhece.

Rasga a seda do meu sonho. Toma-me em teus braços nos instantes do delírio! Rasga o ventre do teu dono, com a sinfonia nos compassos do martírio!

Salva-me, amor salva-me! Estrela sensual que o meu céu seduz. Amor salva-me, vem e salva-me, olhar tropical que ao meu olhar dá luz!

Desespero! Mordo a minha consciência em três Avém Marias, onde salvo a existência
Desespero! Estendo a minha cobardia nos lençóis de linho onde existe..., a tua ausência!

Sopra o vento, e o pensamento teima em persegui-lo num perfeito desatino!
Rola o tempo, e, o coração aceita as leis da vida, indiferente ao seu destino.

Salva-me, amor salva-me! Estrela sensual que o meu céu seduz. Amor salva-me, vem e salva-me, olhar tropical que ao meu olhar dá luz...


(Ver ecrã inteiro)

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Campanha "rosa" permanente, da rádio pública...

Como já aqui escrevi a “antena 1”, rádio pública, e de todos os portugueses (como fazem questão de publicitar constantemente), que deveria usar de isenção, sobretudo na sua linha editorial e sem favorecimentos, continua a sua campanha de manobras de intoxicação da opinião pública, favorecendo apenas uma das partes.

Durante toda a manhã de hoje, em todos os noticiários, de meia em meia hora, esta rádio mais não fez, do que realçar as declarações de Pires de Lima (dirigente do CDS/PP), na sua rubrica semanal “Conselho Superior”, quando este fez, no inicio da sua crónica (entre os 30 segundos e os 3 minutos), criticas à forma pouco hábil de comunicação do Governo, chegando a apelidá-la de “ineficaz e mesmo tola” (o que eu também concordo).

Mas, quando Pires de Lima entra no essencial da sua comunicação, criticando com argumentos concretos a estratégia política do Partido Socialista (entre os 3 minutos e 5 minutos e 30), esta “radiozita”, silencia, faz de conta e atira para canto...

Meus caros senhores, apesar de estar na moda e ser fácil criticar quem governa, favorecer uma das partes é jogo sujo, sobretudo, se a sua missão for a de isenção e de tratar todos de igual forma.

Ou só os simpatizantes do PS é que pagam os impostos, para vocês receberem no fim do mês?

Pires de Lima considera que Passos deve demitir responsável por fugas de informação - Política - Notícias - RTP

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Um país de governantes “xicos-espertos”, e de cidadãos que gostam de ser enganados...


Desde há mais de um ano, quando o Gaspar anunciou os cortes dos dois subsídios de natal e de férias na Administração Pública e Pensionistas, que se sabia qual o objectivo do governo, e das verbas necessárias para por um certo equilíbrio no “deficit”, pelo menos temporariamente, nas contas públicas.

O corte proposto em princípio, representava globalmente, nada mais, nada menos, que um corte efectivo de cerca de 15% nos rendimentos dos “directos sustentados” do Estado. Isto é, qualquer destes cidadãos que tivesse a receber 1 000 euros/mês, em vez de receber 14 mil no final do ano, receberia apenas 12 mil; como facilmente se conclui 85% do primeiro valor. Com se pensava poupar algumas situações de rendimentos mais baixos, imaginava o Gaspar, reduzir 10% nestas despesas do Estado.

O que se passou a seguir, todos conhecem: desde a gritaria das manifestações, às inconstitucionalidades do respectivo tribunal, passando pelas incongruências de um PS que não sabe o que há-de fazer à vida; de uma engenharia da treta, através Impostos, engendrada pelo governo para 2013 (poupem-me a mais explicações e mais confusões, ao que, de si, já não é nada fácil); continuam os nossos credores (troika), a clamar que a Despesa do Estado não foi reduzida, como teria sido acordado desde o princípio.  

Entretanto, a coisa não teve qualquer melhora, como era lógico, quando um problema não se ataca pelo princípio, ou quando o boi se não pega pelos cornos. E agora, a juntar aos cortes dos tais 15% na Administração Pública; junta-se o corte global de 8% nos rendimentos, a todos os trabalhadores do sector privado, com o corte de um dos subsídios através de Impostos.

Pergunto eu debaixo da minha ignorância de “pobre de espírito”:

- Então mas não teria sido mais fácil, para todas as partes, ter-se chegado a um consenso de cortar o mal pela raiz, e de uma vez por todas, através de uma redução dos tais 10% no processamento desses rendimentos (salários e pensões)?

- Embora ficando todos a perder, em relação ao passado recente, não seria muito mais claro, do que todas estas “engenharias da treta” de sobrecarregar nos Impostos?

- Então e não teríamos já reduzido os tais 4 000 milhões de que tanto se fala na Administração Pública (total de 45 000 milhões em Pensões, Salários, Subsídios de Desemprego, Apoios Sociais e outros)?

- Não teríamos tornado a nossa economia mais competitiva com a descida dos tais 10% da massa salarial nos privados, que nos vão tirar com o acréscimo de Impostos?

Etc., etc.

Mas tal como nas crises de 77 e em 83, quando tínhamos moeda própria, “o povo” gostava era de ser aumentado, se possível 20% ao ano! Bem..., a inflação chegava aos 30%, mas os sindicatos e as forças políticas que os dominam eram uns heróis. Os trabalhadores, esse continuavam a perder os tais 10%! Mas não davam por nada...

Hoje, não diminuem os salários e pensões, mas aumentam-se os Impostos nos tais 10%!

Tal como dizia a minha mãe: “se não é merda, cagou-a o gato...” 

PS:  E, para o ano, ainda vão querer os tais 4 000 milhões de acréscimo, vai uma apostinha? E não fiquem à espera da diminuição de Impostos, porque isso nunca se viu na história recente da sociedade portuguesa... 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Às vezes somos felizes com tão “pouco”...


Não sei lá muito bem porquê, mas neste final de manhã sinto uma tal sensação de bem-estar, que estou tentado a escrever que me sinto feliz, neste dia de nevoeiro.

Recordo-me que, quando dava os meus primeiros passos na arte de aprender enfermagem, um dos primeiros desafios que nos faziam, era procurar um conceito de “saúde”, e, lá mergulhávamos todos caloiros na velhinha “ moderna saúde pública” de Gonçalves Ferreira, à procura da melhor definição que encantasse os nossos mestres de que estavam ali verdadeiros discípulos de Florence Nightingale.

Remetia-nos essa obra para a definição idealista de saúde da OMS, conceito quase irrealizável que, se bem me recordo, dizia de forma abreviada, mais ou menos isto: “ a saúde, é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente ausência de afecções e enfermidades". Logo, para mim, quando se falava num “completo bem-estar...”, isso era igual a Felicidade. No futuro passei sempre a associar a Saúde à Felicidade!

Nesta perspectiva, se a felicidade for como a saúde, estadio demasiado efémero, pois como diz o povo “ninguém diga que está bem...”, não sei quanto tempo isto vai durar, mas por agora há que desfrutar, não vá o diabo tecê-las!   

Voltando assim ao início desta despretensiosa reflexão, e procurando encontrar uma explicação para esta percepção de bem-estar, acho que tal se deve a uma noção de alguns deveres cumpridos, ou seja, o atingir de pequenos objectivos que, em tempos, de tão básicos, não me mereciam a devida importância.

Contribuem para obtenção desses objectivos, a realização de pequenas tarefas que, no passado, nunca pensei efectuar, mas que hoje contribuem para a minha autonomia e independência, e, consequente auto-realização pessoal, tais como: passar roupa a ferro durante duas horas, cuidar da limpeza do meu covil, preparar a minha frugal paparoca, lavar à mão a loiça de três dias, e, a cereja em cima do bolo, que é o passeio matinal pelo campo, a partir das 7 horas da matina, percorrendo as duas milhas diárias da praxe; e claro, o desabafo nestas crónicas manhosas!

E hoje foi dia de todas elas!

Perguntarão alguns se terei necessidade disto? Respondo: claro que sim! E não estive à espera da “crise” para ter este procedimento, pois desde que vivo sozinho, sempre o fiz, e foi um desafio que venci. Para além do bem-estar que me produz e, consequente felicidade, penso que isto se traduz nalguns ganhos financeiros ao fim de cada ano. Senão vejamos só algumas serviços básicos:

- 5 Horas/mês para passar roupa a ferro: 40 euros; 10 Horas/mês para limpeza da casa: 80 euros; 2 Refeições diárias em Restaurante rasca: 500 euros/mês; 3 Sessões de Ginásio/semana: 50 euros/mês; etc. Só aqui lá iam 670 aéreos! Realizando eu tais tarefas, os custos não ultrapassarão os 200 euros/mês (aquisição de géneros). No final, tudo somado, representa pelo menos, cerca de 5 000 euros/ano!

Perguntarão ainda outros: Então no final do ano é esturrar essas poupanças em férias no centro da Europa, nas Caraíbas, ou no Brasil? Pois..., não! Nos 10 anos de vacas gordas (2000-2010), aproveitei esses fundos para pagar o meu covil. Para agora poder dizer, como dizia o meu avô: não devo nada a cabrão nenhum!

Bem, “não devo nada”, é uma forma de desabafo: - Quero dizer da minha responsabilidade. Porque bem sei que, desde o Soares ao Cavaco, do Guterres ao Sócrates, passando pelo Durão, e agora o Coelho, encarregaram-se de se empenhar por mim, sem me pedirem autorização, em cerca de 20 000 euros de dívida pública! 

Qual será a opinião, sobre este abuso, do justicialista e novo partido político, Tribunal Constitucional? E do Seguro? E do Jerónimo? E do ex-Bloquista Louçã? E do Marinho Pinto? E do Provedor de Justiça que não sei o nome? E do Arménio? E dos Loureiros (BPN), dos Rendeiros (BPP) e dos Motas (BANIF)? E do Berardo? E da pqp a todos, fora as mães que possivelmente não têm culpa, a não a ser de os terem parido...

Se eu podia ser mais feliz sem me preocupar com esta canalhada toda? Claro que podia...! Mas não me sentiria tão bem, e consequentemente, como demonstra um estudo da moda, teria menos Saúde por não desabafar!

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Que belo exemplo de uma "representante" do povo!

Deputada do PS detida por conduzir com 2,41 g de álcool por litro de sangue

Glória Araújo, deputada do Partido Socialista (PS), foi detida na passada sexta-feira em Lisboa, por conduzir com excesso de álcool no sangue (2,41 gramas por litro), bem acima do limite a partir do qual esta infracção é qualificada como crime (1,2 g/l).

(Pode ler aqui notícia mais completa)

"Deputada há 8 anos. Membro da Comissão para a Ética. Dinamizadora de acções sobre prevenção rodoviária e segurança na estrada. Conduz com excesso de álcool, com quase o quíntuplo permitido por lei. Perfeito. Ainda chega a ministra dos Transportes..."

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Gato por lebre, constantemente!


Anda-me a irritar certa comunicação social, que constantemente, tenta lançar poeira nos nossos olhos já semi-cerrados. Ou ainda pior, com frequência lança gasolina, para uma fogueira já atiçada quanto baste.

Até admito isso por parte de alguns órgãos de informação, ao serviço de determinados grupos económicos ou forças partidárias (que todos deveríamos saber quem são e a quem representam), mas quando isso vem da parte dos órgãos púbicos, nomeadamente, a RTP e a RDP, acho inadmissível.

Quem escuta diariamente, estes dois órgãos de comunicação social, sobretudo a “antena 1”, não lhe custará concluir, que as suas orientações redactoriais estão infestadas de “gente” demasiado conotada com os anteriores governos que ao longo dos últimos anos estiveram no poder em Portugal. Oiçam-se os programas da manhã e de debates, que rapidamente se concluirá que puxam todos para o mesmo lado esquerdista. Só me questiono, é porquê? Quando essa área política pede tanta isenção. Então porque continuam os seus “boys” comodamente instalados e a fazerem opinião que só agrada aos seus chefes?

Eu não exijo que sejam da cor do actual governo, mas ao menos que usem de alguma isenção, é para isso que são pagos pelos impostos de todos os portugueses. Vejam lá se conseguem ver mais cores que o “rosa”, porque a coisa já está negra quanto baste. Depois venham-se queixar do “relvas”! Dependessem vocês de um tal “silva pereira”, e já tinham ido todos contar anedotas para outras paragens.

Vem isto a propósito, de uma notícia, com que hoje a tal “antena 1”, rádio púbica, com um não sei quê de ingenuidade, veio abrir todos os noticiários, informando, de uma forma mais do que abusiva que “Portugal tem a maior carga de impostos de toda Europa”, dando como exemplo que “um casal que em Portugal tenha rendimentos de 300 000 euros (trezentos mil euros!), tem descontos superiores a um casal idêntico que viva na Alemanha!

Então mas isto é uma notícia séria? Mas quantos casais este senhor jornalista e o “seu chefe”, conhecem em Portugal com rendimentos de 300 mil euros? E se existirem, não é justo que sejam taxados como quer o Gaspar? Então quem é que o senhor jornalista quer que sejam taxados com 67%, quem ganha 600 euros por mês? Qualquer dia ainda o ouvimos assumir que é “socialista de esquerda”!

O que esses senhores jornalistas ao serviço de interesses partidários deveriam dizer, mas não dizem, porque o que lhes interessa é passar a mensagem de que Portugal é o país com maior carga de impostos, quando isso é falso (e eles sabem que é falso); é que esse estudo era apenas para rendimentos superiores a 50 000 euros (4 200 euros/mês), como se pode ler aqui.

E se querem a minha opinião, é a de que não posso estar mais de acordo: Quem mais ganha, mais deve descontar. E não sou socialista!!!

E já agora senhores jornalistas pagos com os nossos impostos, mesmo assim quantas familias em Portugal têm rendimentos superiores a 50 000 euros? Possivelmente as vossas e algumas dos vossos “chefes” que vos encomendam notícias desta!

Não brinquem connosco, e tenham juízo...

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Marvão, hoje...

Com um pedido de descupas ao Jorge Oliveira, mas tive que "roubar". Impressionante!...


O pirómano, o chefe-de-bombeiros "laisez faire" , e o repórter de exteriores...


(Sem qualquer sentido pejorativo para os bombeiros e repórteres sérios)

Existe uma figura na política portuguesa que me irrita solenemente, não de agora, mas desde há mais de duas décadas. A última vez foi ontem, quando veio fazer comentários, tipo repórter de exteriores, sobre um “incêndio” que lavra no país! Quando ele, no passado, já foi pirómano e, posteriormente, “o chefe-de-bombeiros” inoperante, que pouco mais fez,  do que estar sentado comodamente no seu posto de comando, a ver o incêndio alastrar.

Passo a explicar para aqueles que não tenham percebido a quem me refiro.

1- Período de “pirómano”: 

Em 1984, quando país estava mergulhado numa grave crise política, ascendeu por processos muito pouco claros (consta que só se candidatou porque corria o risco de expulsão da administração pública por faltas na faculdade onde exercia funções), à liderança de um partido que, pouco tempo depois, o levaria à chefia, durante 10 anos (1985-1995), dos destinos do país. Tendo a sorte de, por essa altura, o país ter entrado na CEE.

Esses 10 anos foram o oásis da vida desse país, com a entrada de milhões e milhões de euros da Europa, sem qualquer controlo ou planeamento. A ideia era modernizar Portugal. Em minha opinião, esse político, durante esse período, pouco mais fez, estruturalmente, do que criar os alicerces da situação em que hoje nos encontramos.

Permitiu que esses fundos fossem esturrados de forma abusiva em luxos da classe dominante, tais como: jeeps, mansões, automóveis de grande cilindrada; proporcionou aos seus amigos a fundação de instituições financeiras criminosas como o BPN e afins (dirigidas pelos seus delfins); criou um sistema retributivo para administração púbica inconcebível e as bases de um estado social insustentável; iniciou a política do betão com estradas, e muitas estradas; em contrapartida, em vez de reestruturar o país, permitiu a destruição da débil industria, agricultura e pescas que o país possuía, e sonhou que este país poderia viver de serviços e do turismo, etc., etc.

Mesmo assim, a Dívida Pública subiu de uns meros 10% em 1984, para cerca de 40 % do BIB em 1995, quando deixou o cargo.

2 - Período de “chefe-de-bombeiros” inoperante

Esse mesmo “figurão” ascendeu em 2006 ao mais alto cargo da política portuguesa, depois de um período de 10 anos em que esteve em hibernação política. Durante esse período, ficou famoso o episódio de ter enfiado as suas “parcas” poupanças financeiras, e de sua filha, em produtos manhosos do tal BPN, das quais, o supra sumo dos economistas, retirou dividendos avultados, devido às altas taxas de rendibilidade lá praticadas, incomparáveis com o que era pago no sistema bancário “normal”, e sem achar nada estranho. Para além da parábola da “boa e má moeda”; a boa moeda era a dele (fêmea reprodutora), por isso rendia tanto no BPN. A minha (por ser macho), apenas rendia 2 a 3%, por isso não sou eminente economista, e também não sou grande amigo de Dias Loureiro, do Oliveira e Costa, ou do Duarte Lima; & companhia ilimitada.

Entre 2006 e 2011, esse “chefe-de-bombeiros” vê a fogueira alastrar, como nunca se tinha visto. Passa de uma área ardida de cerca de 60% para mais de 120%, atingindo uma cifra de “área ardida”, superior à área total, isto é, começou a arder no ardido).

O país “ardeu” todo, que é como quem diz faliu, entrou em banca rota, e teve que pedir ajuda externa. Hipotecou (ou perdeu) a sua pouca independência, e teve que chamar “bombeiros da estranja” (a troika).

O que fez o “chefe”? Tomou medidas para estancar o incêndio, proporcionou um contra-fogo, demitiu o responsável da “protecção civil”, responsabilizou os seus coadjuvantes pela catástrofe? Nada. Assistiu, pura e, simplesmente, assistiu! Nem sequer participou num pedido de ajuda, em tempo útil, aos bombeiros estrangeiros.

3 - Período de “repórter-de-exteriores”

Foi ontem, com grande espanto meu, vi o dito sujeito, tipo “repórter de exteriores”, com tempo de antena especial, a vir dizer que o grande problema do país é a sua Divida Externa, tanto a pública como a total; isto é a “área ardida”; sobre a qual, em minha opinião, não só patrocinou, como durante 10 anos, nada fez para minimizar os seus efeitos.

Apresentou ontem, como “grande” solução para a saída da coisa, não qualquer medida ou plano saído da sua cabeça para a reflorestação da área ardida; mas que se faça uma prece a deus, isto é à Europa, para que mande “chuva”, ou pelo menos alguma humidade, senão a coisa vai arder toda outra vez. O problema é que o “céu” parece que também já está a arder...

Adiantou ainda, com grande alarido nos “papagaios falantes” (que mais uma vez andam a discutir o supérfluo em vez do essencial), que possivelmente, o novo “plano de protecção da natureza da nova protecção civil” (o OGE), poderá não ser constitucional por não tratar todos os portugueses por igual!

O senhor deve estar a brincar com certeza. Então mas este não é o país da Europa em que existe maior desigualdade entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres? Desigualdade entre portugueses! Não me faça rir meu caro senhor, que o caso é muito sério.   

Ou será por este também já lhe deitar fogo ao rabo, das suas duas chorudas pensões? É que consta, que o dito, gosta mais de dinheiro do que muitos macacos de bananas....

domingo, 30 de dezembro de 2012

Não há pachorra...


Acho que estou a ficar velho, e tenho que começar a dizer: “no meu tempo...”. Eu, que sempre defendi que, o tempo de cada um, só acaba quando morrermos, e/ou, quando já ninguém se lembrar de nós.

Não é o caso do meu antepassado José António Toureiro, que me anda a dar a volta à cabeça apesar de já ter «batido as botas» há mais de 250 anos, e anda agora a ser recordado e remexido no seu esquife, por este aprendiz de rato de arquivos. Mas isto são contas de outro terço, que mais lá para diante darei conta ,se a tanto, me ajudar o engenho e a pouca arte, já que os malandros dos clérigos do século XVIII deveriam ter chumbado todos a caligrafia, pois não há quem os perceba. Mas em frente que vem gente!

Vem isto a propósito de uma notícia de ontem, quando um tal Secretário de Estado da Saúde, de nome Leal da Costa, terá apelado ao bom senso e participação colectiva dos portugueses, para que, cada um, faça alguma coisa pela sua própria saúde, nomeadamente, através de actividades de prevenção de determinadas doenças, que são, facilmente evitáveis, com simples medidas de “higiene individual”; como é o caso, da maior epidemia dos nossos tempos, a Diabetes. Já que, dessa forma, todos poderíamos contribuir para a sobrevivência de um Serviço Nacional de Saúde em risco e ligado às máquinas, contribuindo assim, para diminuir os seus avultados custos. Afirmou ainda, que esta doença, só com Medicamentos, gasta aos contribuintes, 100 milhões de euros em cada ano, com uma tendência crescente com custos incalculáveis para o futuro, e, só por si, arrasará todo e qualquer SNS, por muito forte que seja, independentemente do governo que nos (des) governe.

Eu acrescento ainda, só para dar mais um toque ao drama, se aos medicamentos, juntarmos outros  custos  com o tratamento das complicações desta doença: custos com pessoal, tratamento dos olhos, a quantidade de diabéticos que acabam nas máquinas de hemodiálise, as amputações, os cuidados com a enorme incidência nas tromboses e outros acidentes isquémicos que se devem à Diabetes; certamente, 500 milhões de euros por ano de impostos dos contribuintes, não darão para pagar os custos desta epidemia.

Os técnicos de saúde sabem, desde há muitos anos, que a maioria destes gastos, poderiam ser facilmente evitáveis através da implementação de medidas simples de prevenção, das quais destaco um passeio diário de 30 a 40 minutos, percorrendo 3 a 4 quilómetros, já que não tenho muita fezada   em programas alimentares de dietas milagrosas, a não ser que seja por outra epidemia: a fome. Posso afirmar, com toda a convicção, que no tempo do meu antepassado Toureiro, a Diabetes não preocupava ninguém.

Parece-me pois a mim, incrédulo observador do mundo, do mais elementar bom senso, que um governante venha apelar à consciencialização e participação dos cidadãos na Prevenção desta catástrofe social. Que só pode ser evitada ou aliviada, através da participação individual de cada um. Não para erradicar na totalidade os seus custos ou consequências, mas para se minimizar os seus efeitos para valores compatíveis e sustentáveis com aquilo que podemos gastar através dos nossos parcos impostos.

Foi por isso, com alguma indignação e mesmo revolta, que assisti ao coro de críticas, essas sim disparatadas, de uma série de papalvos e pategos, para além de alguns “chico-espertos”, como se pode ver aqui, a quem é dado tempo de antena, por tudo e por nada, a dizerem que "essas declarações eram mais um ataque contra o SNS, que já não se pode estar doente, que são uma insensibilidade social, que o governante disse que as pessoas são responsáveis por adoecerem, que são declarações cínicas e hipócritas, que já não podemos ter consultas nos serviços de saúde, que as taxas moderadoras são um roubo, para que serve o nosso (?) dinheiro dos impostos, e, que o governante se deveria demitir imediatamente, etc., etc."

A maioria desses críticos são pessoas bem instaladas no “sistema” social e político em Portugal. São difusores de uma filosofia de “pseudo-esquerda” (estão no PCP, no PS, no Bloco, mas também os há, e muitos, no PSD e mesmo no CDS), aproveitadores de uma "escola" de parasitas pós 25 de Abril (sem nada terem a ver com os seus valores), que só reclamam direitos, sem nunca falarem ou porem em prática os deveres que os possam sustentar. Baseiam a sua retórica em chavões do politicamente correcto; acreditam, ou querem-nos fazer acreditar, que há coisas que não têm preço, que os custos estão cabimentados em receitas imaginárias; pedem emprestado e esquecem-se no dia seguinte de que o fizeram, e, dizem que pensavam que não era para pagar; pensam que os recursos são inesgotáveis, a vaca sempre há-de dar o leite, senão, aqueles que cá ficarem que fechem a porta; os nossos vindouros (os nossos filhos, de quem dizem gostar muito), hão-de pagar as nossas dívidas, nem que seja com a fome, com a guerra, e com a vida...

São estes mesmos “pseudo-esquerdistas”, que no dia-a-dia enchem a boca com argumentos balofos, sem quaisquer fundamentos; apropriam-se de frases filosóficas, como a proferida por Jonh kennedy, quando afirmou que “não perguntem o que é que a américa pode fazer por vós, mas sim, o que é que vocês podem fazer pela américa...”; porque é fino, é cool, ou é trendy. Mas que depois, na prática, acham que isso é sempre para os "outros", e  reagem como virgens ofendidas quando alguém em Portugal diz a mesma coisa, mas sobre algo concreto: No caso, a sustentabilidade do SNS.

Claro que a culpa não é deles, mas de quem lhes mete o microfone à frente e dá tempo de antena (os seus amigos instalados nos órgãos de comunicação social), sempre ávidos de polémicas da treta, mas sem nunca proporcionarem debates de "frente a frente" sérios e esclarecedores, dizendo que não há tempo, porque temos que sair para a "publicidade". O que lhes interessa é a polémica, o sensacionalismo, o negócio do seu bolso! Mas quem se lixa vai sendo sempre, o mexilhão, isto é, o povo português.

Razão tinha aquele imperador romano, quando questionou o seu subalterno, sobre que povo seria esse dos lusitanos, que nem se governam nem se deixam governar...

Muitos destes “papagaios falantes e líderes de opinião”, estarão amanhã, noite de fim-de-ano, nos melhores hotéis do Rio de Janeiro, do Bahrain, das Caraibas, do Funchal, do Algarve, do Porto, ou em Cascais; a encher o bandulho do bom e do melhor e a festejar com o melhor champanhe do mercado. Mergulhados nos seus indispensáveis “spas-zen”, a receber a chegada do que apelidam “ano maldito” de 2013. No próximo fim-de-semana, será vê-los nas “manif” da capital, ou em qualquer televisão da treta, a fazerem opinião, a lançarem veneno sobre aqueles a quem o flagelo do desemprego bateu à porta, ou por eles foram enganados em investimentos ruinosos do conto do bandido.

E eu a lembrar-me do Aleixo: "vós que lá do vosso império/proclamais um mundo novo/calai-vos, que pode o povo/querer um mundo novo a sério". Não confundir com o seu (deles) "à seria?". 

Entretanto, estejam descansados e calmos. Mexam o menos possível esses “cusarrões” descomunais, essas barrigas de alambique, e essa bochechas da melhor manteiga becel, que as vossas pílulas milagrosas para o colesterol e diabetes já estão a ser confeccionadas.

Já agora, aproveitem e peçam aos “vossos” doutores de família que devem também estar por aí, à custa de vos terem encharcado com carradas desses venenos milagrosos (e os 700 euros/mês de aumento médio que vão receber a partir de Janeiro de 2013), as respectivas receitas do SNS, claro, para quando chegarem, na quarta-feira, aumentarem a dose. Porque não há excessos, que esses comprimidos doirados não curem! Eu escrevi doirados, não escrevi azuis!

O dinheiro dos impostos dos contribuintes há-de dar para isso e, muito mais!

Anda-me a faltar a paciência...

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Ano novo, tudo na mesma: Festas em Agosto e missa no natal...


Siga a balhação...

Longe da cidade via tudo conforme os conhecidos padrões do que é suposto. Seguiam-se as doutrinas e, a lei natural: missa ao domingo, festa em Agosto. Honesta, penitente, era a população, por maior bem, tinha o coração.

Numa noite fria, avistou-se um vulto com intenções menos que claras, num dia sem sombras dignas do oculto com aparições breves e raras... E assomou à praça e abrindo uma tenda com um estranho nome pintado à mão...

Chegou o desilusionista pronto para levar ódios e almas às maiores das salvações. Chegou o desilusionista, mago habilitado por diplomas das melhores instituições.

Foram avançando, primeiro a medo, depois com o gás da admiração. Putos à frente, velhos em segredo, numa densa roda de tensão, e quase hipnotizados já juravam ver, um milagre pronto a acontecer!

E uma cabra abracadabra tomou de assalto aquele lugar, o feitiço das palavras que se ouviam cantar!

La-la-la-lala..., gritava forte a multidão! La-la-la-lala..., a cruel desilusão...

Chegou o desilusionista pronto para curar utopia e as paixões e outros tipos de ilusões. Constrói espantosos números com verdades bem mais raras, que ficções.

E uma cabra abracadabra tomou de assalto aquele lugar, e o feitiço das palavras que se ouviam cantar!

La-la-la-lala..., gritava forte a multidão! La-la-la-lala..., a cruel desilusão... 


terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Porque hoje é natal...


Três estrelas de alumínio a luzir num céu de querosene, um bêbedo julgando-se césar, faz um discurso solene. Sombras chinesas nas ruas, esmeram-se aranhas nas teias, impacientam-se gazuas, corre o cavalo nas veias.

Há uma luz branca na barraca, lá dentro uma sagrada família, à porta um velho pneu com terra, onde cresce uma buganvília. É o presépio de lata: Jingle bells, jingle bells... 

Oiçam um choro de criança, será branca, negra, ou mulata? Toquem as trompas da esperança e, assentem bem qual a data!

A lua leva a boa nova aos arrabaldes mais distantes, avisa os pastores sem tecto, e tristes reis magos errantes. E vem um sol de chapa fina subindo a anunciar o dia, dois anjinhos de cartolina vão cantando aleluia. É o presépio de lata: Jingle bells, jingle bells...

Nasceu enfim, o Menino, foi posto aqui à falsa fé, a mãe deixou-o sozinho e, o pai, não se sabe quem é!

É o presépio de lata:Jingle bells, jingle bells...


sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Em dia de fim do mundo!

Levantei-me, hoje, meia hora mais cedo que o costume, não fosse o mundo acabar e, eu não dar por nada, por estar a dormir.

Como de costume, para não alterar a rotina (que lá por acabar o mundo não é motivo para sedentarismos), lá me meti a caminho para a minha actividade matinal de percorrer os 10 mil metros da praxe, e nada sucedeu. Já passaram as 11 horas e 12 minutos da chegada do solstício de inverno e, nem um sinal do fim. Creio que há boa maneira portuguesa, vai chegar atrasado.

Entretanto vou embrenhar-me na tarefa que me tem apaixonado nestes últimos tempos, consultar registos, à procura das minhas origens. De onde vim, e quem me precedeu nesta roda vida.

Hoje irei entrar na época pós 1755, data também apocalíptica, em que um terramoto devastador, ocorrido na costa portuguesa, fez terminar o mundo para muitos milhares de nossos antepassados, e logo aproveitado pela igreja católica, de toda a Europa, como mais um sinal, de advertência divina ao povo, de que o fim estaria próximo, por isso era melhor que se portassem bem... 

Infelizmente, nesse dia primeiro de Novembro, aconteceu mesmo, mas só para alguns! Outros, mais não fizeram nos séculos seguintes, tal como hoje, aproveitar a insipiência do povo.

E em Marvão, que repercussões dessa catástrofe natural e filosófica? Como se vivia nessa época, que faziam os moleiros do Fraguil e da Ribeira da ponte velha? Por onde andaria um tal João Gonçalves Bugalhão e sua mulher Cândida Rosa, que terão vivido por essa altura? Dela já sabemos, era ter filhos, muitos filhos, de 18 em 18 meses. Mas ele, esse enigmático, que faria e quem seria? E os seus antecessores seriam serranos ou toureiros?

Se um amanhã houver, e antes que chegue a inquisição, talvez venha a contar-vos estas pequenas estóreas...  

sábado, 15 de dezembro de 2012

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

De vez em quando...

Vá lá Manu, que não há muitos "estranjas" que tenham a honra de aqui por as guitarras! Mas tu, como és um mal vestido, e, clandestino, dedilha lá para o Buga, como si yo fuera maradona...







domingo, 9 de dezembro de 2012

Do Baú...


Prometo não falar de amor de gostar e sentir, portanto não vou rimar com dor um mentir. Joga-se pelo prazer de jogar e até perder, invadem-se espaços, trocam-se beijos sem escolher. Homens temporariamente sós..., que cabeças no ar!

Não interessam retratos de solidão interior, não há qualquer tragédia, mas um vinho a beber. Partidas, regressos, conquistas a fazer, tudo anotado numa memória que quer esquecer. Homens sempre, sempre sós, preferem perder...

Homens sempre, sempre sós, são bolas de ténis no ar, muito batidos saltam e acabam por enganar! Homens sempre sós, nunca conseguem casar...




(Ver ecrã inteiro)

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Vamos a contas (sérias)...


Temos assistido nos últimos tempos a um ruído ensurdecedor, sobre as perdas de rendimentos dos trabalhadores por conta de outrem e pensionistas, devido ao aumento de impostos para o ano de 2013. Apelidadas por alguns, como “um roubo ou assalto à mão armada, e outras coisas parecidas”, a maioria devia era estarem calados, pois muitos deles, são os grandes responsáveis pela situação a que chegámos.

É claro que, a maioria das pessoas, gostaria de não ter qualquer corte nos seus rendimentos e, se possível, que eles até fossem aumentando, nem que fosse à custa de dinheiro emprestado, que mais tarde ou mais cedo, alguém haveria de pagar. Isso também eu queria, mas as coisas mudaram e, dificilmente, voltarão ao que eram, independentemente, de quem venham a ser os mandantes no futuro.

Agora que a coisa começa a ficar mais clara, a assentar a poeira e, a serem conhecidos dados mais concretos, vou aqui tentar fazer uma análise, mais ou menos objectiva, sobre o que irá mudar em 2013, para que cada um tire as suas ilações. Se estiver enganado, reconhecerei o erro e pedirei desculpa.

Convém previamente esclarecer que, segundo me informei, os contribuintes com rendimentos até 570 € mensais, que são mais de 2 milhões (entre trabalhadores e pensionistas), irão continuar isentos do pagamento de IRS, e no caso dos pensionistas receberão o correspondente a 14 salários anuais.

Vejamos então 5 exemplos:

1º Exemplo:

- Em 2012, um funcionário público que tenha um vencimento mensal de 1 200 €, pagou de IRS (11%) cerca de 132 €/mês; para a CGA (11%) 132 €; para a ADSE (1,5%) 18 €. O que quer dizer que recebe de valor líquido 918 €/mês, durante 12 meses.

- Em 2013, o mesmo funcionário, depois da reposição do subsídio de Natal em duodécimos, passará a ter um vencimento mensal de 1 300 € /mês; pagará: de IRS 293 € (24,1%); para a CGA 143 € (11%); para a ADSE 19,5 € (1,5%). O que quer dizer que recebe de valor líquido 845 €. Menos 70 €/mês do que em 2012.

2º Exemplo:

- Em 2012, um funcionário público que tenha um vencimento mensal de 3 000 €, pagou de IRS (25%) cerca de 750 €/mês; para a CGA (11%) 330 €; para a ADSE 45 € (1,5). O que quer dizer que recebe de valor líquido 1 875 €/mês, durante 12 meses.

- Em 2013, o mesmo funcionário, depois da reposição do subsídio de Natal em duodécimos, passará a ter um vencimento mensal de 3 250 € /mês; pagará: de IRS 978 € (30,1%); para a CGA 357 € (11%); para a ADSE 49 € (1,5%). O que quer dizer que recebe de valor líquido 1 866 €. Menos 9 €/mês do que em 2012.

3º Exemplo:

- Em 2012, um Aposentado que tenha uma Pensão mensal de 1 500 €, paga de IRS 195 € (13%); para a ADSE 22,5 € (1,5%). O que quer dizer que recebe de valor líquido 1 280 €, durante 12 meses.

- Em 2013, o mesmo Aposentado, depois da reposição do subsídio de Natal e 10% do Subsídio de Férias em duodécimos, passará a ter uma Pensão 1 640 €; pagará: de IRS 382 € (25,5%); para a ADSE 22,5 € (1,5%). O que quer dizer que recebe de valor líquido 1 235 €. Menos 45 €/mês do que em 2012.

4º Exemplo:

- Em 2012, um Trabalhador do Sector Privado que tenha um vencimento mensal de 1 200 €, paga de IRS cerca de 132 € (11%); para a Seg. Social 132 €. O que quer dizer que recebe de valor líquido, cerca de 13 104 €/ano, pago em 14 meses (936 €/mês).

- Em 2013, o mesmo Trabalhador do Sector Privado, depois da diluição do subsídio de Férias em duodécimos, passará a ter um vencimento mensal de 1 300 €; pagará: de IRS 340 € (26,2%); para a Seg. Social 143 € (11%). O que quer dizer que recebe de valor líquido, cerca de 10 621 €/ano (pago em 13 meses), 817 €/mês. Menos 119 €/mês, e só receberá 13 meses. O que dará um corte anual de 2 483 euros.

5º Exemplo:

- Em 2012, um Trabalhador do Sector Privado que tenha um vencimento mensal de 900 €, paga de IRS cerca de 60 € (6,5%); para a Seg. Social 100 € (11%). O que quer dizer que recebe de valor líquido de cerca de 10 360 €/ano, pago em 14 meses (740 €/mês).

- Em 2013, o mesmo Trabalhador do Sector Privado, depois da diluição do subsídio de Férias em duodécimos, passará a ter um vencimento mensal de 975 €; pagará: de IRS 235 € (24,2%); para a Seg. Social 107 € (11%). O que quer dizer que receberá de valor líquido, cerca de 8 229 €/ano, pago em 13 meses (633 €/mês). Menos 107 €/mês, e só receberá 13 meses. O que dará um corte anual de 2 130 euros.

Resumindo: Os Trabalhadores do Sector Privado, destes exemplos, perderão entre 110 a 120 €/mês, e ainda um mês de ordenado, o que dá, anualmente, perdas médias de 2 salários mensais. Algo muito parecido ao que já tinha acontecido com os Funcionários do Estado e com os Pensionistas em 2012.

Os nossos governantes, mostram assim, que sabem fazer contas, pelo menos, no que toca a “cortes”...

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Para Reflectir...


Não sou, nos dias de hoje, um grande admirador da personagem Álvaro Cunhal, embora respeite o seu percurso e a sua maneira de estar, bem como o seu contributo para a restauração de um regime, mais ou menos democrático, em Portugal.

Ao rever esta intervenção em 1999, acho que devíamos todos reflectir, sobre o seu conteúdo. Até porque, 13 anos depois, parece que muita gente já pensa assim, até o “nosso” Cavaco manda uns “bitaites” sobre a coisa (melhor seria que admitisse os seus erros e responsabilidades estratégicas).

No que me diz respeito, as minhas grandes divergências com as filosofias comunistas têm sobretudo a ver, com as grandes diferenças entre a teoria e as práticas dessas correntes. Exactamente aquilo que eles mais criticam nas outras forças políticas. 

Não deixem também de observar a figura sinistra e oportunista do seu interlocutor. Esse não mudou em nada...


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Eu tinha era uma Dyane...

Vem dar uma voltinha na minha lambreta, deixa de pensar no tal "Vilela" que tem carro e barco à vela. O pai tem, a mãe também, que é tão tão, sempre a preceito, cá para mim, no meu conceito, se é tão tão e, tem tem tem…, tem de ter algum defeito...

Vem dar uma voltinha na minha lambreta, vê só como é bonita, é vaidosa, a rodinha mais vistosa deixa um rasto de cometa. É baixinha mas depois, parece feita para dois, sem falar nos eteceteras que fazem de nós heróis!
Eu sei que tenho estilo gingão, volta e meia vai ao chão, quando faz de cavalinho, mas depois, passa-lhe a dor, endireita o guiador e regressa de beicinho, para o pé do seu amor!
Vem dar uma voltinha na minha lambreta, eu juro que guio devagarinho, tu só tens de estar juntinha, por razões de segurança! E se a estrada nos levar, noite fora até mar, páro na beira da esperança com a luzinha a alumiar!
E deixar de pensar no tal "Vilela", que tem carro e barco à vela! O pai tem, a mãe também… Que é tão tão, sempre a preceito, cá para mim, no meu conceito, se é tão tão e tem tem tem…, tem que ter algum defeito…


domingo, 2 de dezembro de 2012

Autárquicas 2013 (2)

Fiquei muito satisfeito com o que li neste artigo do Jornal Público, que informa que, o Governo Central, se prepara para aprovar uma Lei para “agregar municípios”, numa proposta parecida com aquela que aqui defendi neste artigo.



Neste segundo Post sobre a temática “Autárquicas”, abordo o tema da Reforma Administrativa, que tanto se fala e que muito se irá falar no futuro. Apesar dos muitos atritos, lobbies e interesses instalados (daqueles que se dizem progressistas, mas que na prática, são de um conservadorismo atroz), a coisa terá que suceder.

Nada é definitivo na vida, e se o mundo é composto de mudança, como dizia Camões, é urgente que tal suceda em Portugal. A actual divisão administrativa, feita no século XIX, quando ainda se andava de “burro e de carroça”, não pode ser a do século XXI.

Sou por isso favorável, a uma Reforma Administrativa, que tenha em conta a nova realidade do país, que seja mais eficiente e eficaz para todas as partes, com excepção claro, dos “mamões” que têm andado a viver do "status quo" instalado, e que o dominam.

O distrito de Portalegre passou de 200 000 habitantes em 1950, para cerca de 118 000 em 2011. Existem actualmente concelhos que perderam mais de metade da população nos últimos 50 anos. E hoje chega-se com maior facilidade de Marvão ou Castelo de Vide a Portalegre, do que chegavam os nossos avós de SA das Areias a Marvão, ou da Póvoa a C. de Vide.

Em termos financeiros, nos últimos 10 anos, as transferências do Orçamento Geral do Estado para os municípios, aumentaram quase 50%. Passaram de cerca de 4 000 milhões, para mais de 7 000 milhões de euros em cada ano. No caso de Marvão essas transferências, praticamente, duplicaram: 2,5 milhões de euros em 2001; para 4,7 milhões em 2010.

Mesmo assim, este aumento colossal de Receitas do OGE, não evitou que, actualmente, se estime que dívida das Autarquias seja superior a 12 000 milhões de euros. Tal tem sido o rol de asneiras que se têm feito em obras sem qualquer interesse, a não ser para os seus promotores e para os reis do betão e da electricidade.

Há 100 anos, após a então Reforma Administrativa, os Executivos da gestão autárquica, na maior parte dos municípios, tinham custo “zero”, porque eram exercidos de forma voluntária. Hoje são exercidos por um excesso de “profissionais da política”, que num concelho como Marvão ou Castelo de Vide custam, em cada mandato (4 anos), mais de meio milhão de euros aos contribuintes; e num concelho como Portalegre os custos serão superiores a 1 milhão de euros ao erário público.

Em minha opinião, não sou partidário a qualquer extinção ou integração de concelhos. Estas unidades territoriais têm, na sua maioria, mais de 800 anos de história. Fazer de um marvanense castelo-vidense, ou de um arronchense monfortense, de um avisense souselense, ou vice-versa, era votar a reforma ao fracasso e tirar identidade aos cidadãos.

O que eu proponho são mudanças nas “administrações políticas”, com uma diminuição drástica do número de vereadores, assessores, e, administradores das pseudo empresas municipais e afins. Passando para uma “integração” de Gestões Inter-Municipais conjuntas destes territórios. E com uma melhor rentabilização dos diversos Técnicos e trabalhadores autárquicos.

A exemplo do que defendia há dias Fernando Costa, presidente das Caldas da Rainha, considerado um autarca modelo, dando como exemplo a junção de 3 municípios na área das Caldas (litoral), poder-se-iam assim poupar, disse ele "só em órgãos de gestão (vereações + Assembleias), cerca de 1 milhão de euros/mandato; e estimava que, em todo o país através de uma economia de escala, se poderia chegar a uma poupança de 2 000 milhões de euros/ano" (isto sim, verdadeiras gorduras de que tantos falam).

Convém dizer ainda, que não sou favorável a uma Reforma “a régua e esquadro”. A realidade do Interior de Portugal é diferente do Litoral, e legislar tudo por igual no Terreiro do Paço, será mais um erro crasso, que esperemos que não aconteça, mas duvido! Já que os interessados se vão opor, mais uma vez, a qualquer discussão sobre o tema, e com isso, obrigar o poder central a legislar por igual, e como sempre com prejuízo do interior.


Na minha opinião aqui fica mais um tema que deveria estar na “ordem do dia” para discutir nas próximas autárquicas. Não apenas em Marvão, mas em todos os conselhos vizinhos, entretanto aqui deixo a minha proposta de agregação/junção/associação de municípios para o nordeste alentejano.

Com "padrinho" e tudo, aqui fica a proposta para o Agrupamento Concelhio de Ammaia:




Os restantes agrupamentos do distrito de Portalegre poderiam ser:

- Elvas e Campo Maior: 31 000 habitantes

- Ponte de Sôr, Avis: 21 000 habitantes

- Crato, Nisa e Gavião: 16 000 habitantes

- Sousel, Fronteira e Alter: 12 500 Habitantes