sexta-feira, 11 de outubro de 2013

O futebol na sua essência


Amanhã, dia 12 de Outubro, a equipa de Velhas Guardas do Grupo Desportivo inicia mais uma época. Este grupo de convívio “futeboleiro” iniciou estas actividades em Abril de 2009, vão agora para a sua 6ª época, e disputaram até agora 36 jogos, sem mudança de Direcção ou treinador.

Para esta época estão previstos 10 jogos, sendo amanhã o primeiro em Portalegre, às 17 horas, com o Grupo de Amigos do Café Castro. O restante Calendário é o seguinte:

- 26/10/2013 - GDA - Alpalhão
- 23/11/2013 – GDA - Desportivo     
- 14/12/3013 - GDA - Sousel
- 11/1/2014 – GDA - Castro
- 1/2/2014 – S. Mamede - GDA        
- 22/2/2014 - Desportivo - GDA
- 15/3/2014- GDA – P. Sôr   
- 29/3/2014 - P. Sôr - GDA
- 31/5/2014 – GDA - S. Mamede



quinta-feira, 10 de outubro de 2013

No rescaldo das eleições autárquicas 2013 (1)


(Há coisas que se devem deixar resfriar um pouco)

Os portugueses têm por tradição histórica não perder muito tempo com o passado, independentemente, de este ter sido um sucesso ou um desastre. Dizem, como divisa, que o que é preciso é olhar e andar para a frente, e, que o passado pouco interessa. Quando a coisa correu bem é o siga a marinha, que somos um país de marinheiros, é o para a frente é que é lesboa, e, para trás “mija a burra”! Quando corre mal é o destino, vamos lá esquecer, enterrar, que isto não há mal que sempre dure e, como diz o outro: - O Benfica há-de um dia ser campeão.

Em minha opinião, quer uma coisa, quer a outra, nada de mais errado. Se tal ainda se possa aceitar, quando correu bem, já é inaceitável quando a coisa dá para o torto. E neste último acto eleitoral, muita coisa correu mal para alguns (muitos), e, objectivamente, não vi até agora análises sérias aos erros, justificações, e/ou consequência para os responsáveis, que os deve haver. E assim, se passa à frente, na próxima faremos igual e os erros serão, quase de certeza, repetidos, e quem vier a trás que feche a porta...

Esta minha análise aborda três vertentes: a nível nacional, regional (o distrito de Portalegre), e local (o meu concelho de Marvão).

A nível nacional:    

O Partido Socialista (PS) ganhou inequivocamente estas eleições: teve o maior número de presidências de Câmara, e teve a maioria de votos dos portugueses. A CDU registou também um aumento de presidências de Câmara (paradoxalmente, à custa de derrotas do PS). O CDS nem sim nem não, antes pelo contrário: passou de uma para cinco presidências de Câmara, mas perdeu muitas em coligação com o PSD e, entre o deve e o haver, não sei o saldo.

Grandes vencedores foram ainda algumas candidaturas independentes, tendo a sua expressão máxima com Rui Moreira no Porto (um feito dificilmente igualado, e uma lição política para os decisores partidários, que mostraram aqui, que de política local percebem mesmo muito pouco); mas também Portalegre (que analisarei no próximo capítulo), que tem sido pouco referida a nível nacional devido à sua pequenez, mas que em minha opinião, está ao nível, ou mesmo superior ao que aconteceu no Porto.

Ainda como grande vencedor, não posso deixar de realçar a vitória de Bernardino Soares em Loures. O até agora líder parlamentar do PCP (não fosse um admirador confesso do regime norte-coreano, e seria um dos meus heróis da noite de 29 de Setembro). Isto sim é de coragem. Ter um lugarzinho sossegado na AR como deputado, à sombra da foice e do martelo, e lançar-se numa aventura de sujeição ao voto popular, e vencer. Parabéns Bernardão!


Mas a minha especial atenção, vai para os grandes derrotados: o PSD e alguns dos seus dirigentes (embora pelas mesmas razões, também os haja no PS). Apesar de haver razões sobejamente conhecidas e debatidas para alguns maus resultados já esperados (devido à conjuntura nacional e governativa); existiram, no entanto, resultados intoleráveis que se ficaram a dever a opções manhosas, que deveriam responsabilizar os próprios, mas também quem os escolheu ou aceitou. Bem como terem as consequências previstas em democracia para quem falha por conta própria, ou não tem a confiança dos eleitores: A DEMISSÃO.

Em primeiro lugar do Coordenador Autárquico partidário, Jorge Moreira da Silva e do Secretário-geral Matos Rosa (apesar de nosso conterrâneo). Podem ser muito bons em alguma coisa, mas como estrategas políticos são uma nulidade, e disso estão fartos de dar provas. E quais as consequências? Um promovido a ministro (à portuguesa); o outro por lá continua à sombra das laranjeiras. Haja decência.

Em segundo lugar alguns dos que andam a ser eleitos à sombra do Partido (PSD), em listas colectivas para deputados, mas quando dão a cara, ou corpo ao voto, o povo diz que neles não confia, e infringe-lhes derrotas que os deviam envergonhar. Estão neste caso, pelo menos, os deputados: Carlos Abreu Amorim (em Vila Nova de Gaia), Pedro Pinto (em Sintra); e mais uma vez, Matos Rosa (Portalegre), que apesar de ser candidato à Assembleia Municipal, os resultados foram ultrajantes. Quando existiam outras alternativas credíveis de pessoas sempre ligadas ao PSD, e que alguns acabaram vencedores em listas independentes. Vencer no Porto (se apoiassem Rui Moreira), Vila Nova de Gaia (se apoiassem José Guilherme Aguiar), Sintra (se apoiassem Marco Almeida), Portalegre (se apoiassem Adelaide Teixeira); a derrota teria sido muito amenizada, e penso que até poderiam cantar vitória. 

Em terceiro lugar, a grande derrota dos “salta-pocinhas” ou “os cucos”: Luís Filipe Menezes (Porto); Moita Flores (Oeiras); e Fernando Mota (Loures). Então os senhores que podiam sair pela porta grande (nem todos, alguns a dívida que deixaram...) vão-se armar em heróis? Que grande lição da débil democracia portuguesa! Vão para casa cuidar dos netos, ou das jovens esposas aqueles que as têm, ou escrever umas novelas nem que seja para a TVi.

Todos os envolvidos nestas três situações prestaram um mau serviço à democracia, e sobretudo ao PSD, e, disso deverão tirar as respectivas consequências).

(Para não maçar mais, no próximo capítulo farei a análise regional)          

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

As músicas da minha vida (2)


Numa época em que tanto se fala de heranças e sacrifícios de gerações: - Ai coitadinhos têm que emigrar, ai que desgraça de país, ai que temos que pagar privilégios de gerações anteriores...; convém lembrar que hoje, enquanto cidadãos europeus, Londres, Paris ou Berlim ficam à distância de 2 horas.

Nas décadas de 60 e 70, “a cidade”, a capital, ficava para a maioria dos portugueses a 9 e 12 horas de distância. As visitas à família faziam-se uma a duas vezes por ano. Eu ainda apanhei esse tempo. De Lisboa a Marvão eram 8 ou 9 horas de viagem. Quando em Agosto de 1971, com 14 anos de idade tive que rumar à vida (para bulir, não para ir para qualquer “facoldade” manhosa), à grande urbe, só voltei pelo Natal, e depois em Agosto do ano seguinte.  

A todos aqueles que nas décadas de 60 e 70 do século passado (os nascidos nas décadas de 40 e 50), dedico esta música da minha vida:


“Fiz-me à cidade, toda aldeia estava em minha busca, procurando os sítios onde eu era o «rei», perto das silvas, junto à ribeira. Vêm as velhas a quem eu fazia os seus recados, e vêm os homens que nascem nas fábricas, e oiço dizer: - Não tenhas medo! Não tenhas medo.

E olho para trás e vejo estes dias tristes. Recordo Teresa e o primeiro beijo, perto das silvas junto à ribeira.

Aqui neste comboio, fujo da tristeza, fujo da miséria, já nada me impede, corro contra o vento, corro atrás do tempo, não pode haver pior, não quero mendigar: - Vou para a cidade, vou para cidade...

E adormeço, sonho com a cidade, a capital! Vejo uma mosca atrapalhada, e oiço dizer:

- Não tenhas medo! Não tenhas medo...”


terça-feira, 8 de outubro de 2013

Lembrar Saramago 15 anos depois...


Faz hoje precisamente 15 anos (1998), que foi atribuído o Prémio Nobel a José Saramago, único até hoje a um escritor de língua portuguesa. Lembrar Saramago e a sua obra, para quem a conhece, é um privilégio. E nada melhor que relembrar o seu discurso em Estocolmo por essa altura.

Esta primeira parte, que aqui publico, é um hino à humildade, mas também à sabedoria do homem evocado, seu avô. Simultaneamente, deveria ser lido pelos profetas da desgraça que campeiam por aí, quando declaram, nunca em Portugal se ter vivido tão mal como nos tempos actuais: simples ignorantes...       

“O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever. Às quatro da madrugada, quando a promessa de um novo dia ainda vinha em terras de França, levantava-se da enxerga e saía para o campo, levando ao pasto a meia dúzia de porcas de cuja fertilidade se alimentavam ele e a mulher. Viviam desta escassez os meus avós maternos, da pequena criação de porcos que, depois do desmame, eram vendidos aos vizinhos da aldeia. Azinhaga de seu nome, na província do Ribatejo.

Chamavam-se Jerónimo Melrinho e Josefa Caixinha esses avós, e eram analfabetos um e outro. No Inverno, quando o frio da noite apertava ao ponto de a água dos cântaros gelar dentro da casa, iam buscar às pocilgas os bácoros mais débeis e levavam-nos para a sua cama. Debaixo das mantas grosseiras, o calor dos humanos livrava os animaizinhos do enregelamento e salvava-os de uma morte certa. Ainda que fossem gente de bom carácter, não era por primores de alma compassiva que os dois velhos assim procediam: o que os preocupava, sem sentimentalismos nem retóricas, era proteger o seu ganha-pão, com a naturalidade de quem, para manter a vida, não aprendeu a pensar mais do que o indispensável.

Ajudei muitas vezes este meu avô Jerónimo nas suas andanças de pastor, cavei muitas vezes a terra do quintal anexo à casa e cortei lenha para o lume, muitas vezes, dando voltas e voltas à grande roda de ferro que accionava a bomba, fiz subir a água do poço comunitário e a transportei ao ombro, muitas vezes, às escondidas dos guardas das searas, fui com a minha avó, também pela madrugada, munidos de ancinho, panal e corda, a recolher nos restolhos a palha solta que depois haveria de servir para a cama do gado.

E algumas vezes, em noites quentes de Verão, depois da ceia, meu avô me disse: "José, hoje vamos dormir os dois debaixo da figueira". Havia outras duas figueiras, mas aquela, certamente por ser a maior, por ser a mais antiga, por ser a de sempre, era, para toda as pessoas da casa, a figueira. Mais ou menos por antonomásia, palavra erudita que só muitos anos depois viria a conhecer e a saber o que significava... No meio da paz nocturna, entre os ramos altos da árvore, uma estrela aparecia-me, e depois, lentamente, escondia-se por trás de uma folha, e, olhando eu noutra direcção, tal como um rio correndo em silêncio pelo céu côncavo, surgia a claridade opalescente da Via Láctea, o Caminho de Santiago, como ainda lhe chamávamos na aldeia.

Enquanto o sono não chegava, a noite povoava-se com as histórias e os casos que o meu avô ia contando: lendas, aparições, assombros, episódios singulares, mortes antigas, zaragatas de pau e pedra, palavras de antepassados, um incansável rumor de memórias que me mantinha desperto, ao mesmo tempo que suavemente me acalentava. Nunca pude saber se ele se calava quando se apercebia de que eu tinha adormecido, ou se continuava a falar para não deixar em meio a resposta à pergunta que invariavelmente lhe fazia nas pausas mais demoradas que ele calculadamente metia no relato: "E depois?". Talvez repetisse as histórias para si próprio, quer fosse para não as esquecer, quer fosse para as enriquecer com peripécias novas. Naquela idade minha e naquele tempo de nós todos, nem será preciso dizer que eu imaginava que o meu avô Jerónimo era senhor de toda a ciência do mundo.

Quando, à primeira luz da manhã, o canto dos pássaros me despertava, ele já não estava ali, tinha saído para o campo com os seus animais, deixando-me a dormir. Então levantava-me, dobrava a manta e, descalço (na aldeia andei sempre descalço até aos 14 anos), ainda com palhas agarradas ao cabelo, passava da parte cultivada do quintal para a outra onde se encontravam as pocilgas, ao lado da casa. Minha avó, já a pé antes do meu avô, punha-me na frente uma grande tigela de café com pedaços de pão e perguntava-me se tinha dormido bem. Se eu lhe contava algum mau sonho nascido das histórias do avô, ela sempre me tranquilizava: "Não faças caso, em sonhos não há firmeza". Pensava então que a minha avó, embora fosse também uma mulher muito sábia, não alcançava as alturas do meu avô, esse que, deitado debaixo da figueira, tendo ao lado o neto José, era capaz de pôr o universo em movimento apenas com duas palavras. Foi só muitos anos depois, quando o meu avô já se tinha ido deste mundo e eu era um homem feito, que vim a compreender que a avó, afinal, também acreditava em sonhos.

Outra coisa não poderia significar que, estando ela sentada, uma noite, à porta da sua pobre casa, onde então vivia sozinha, a olhar as estrelas maiores e menores por cima da sua cabeça, tivesse dito estas palavras: "O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer". Não disse medo de morrer, disse pena de morrer, como se a vida de pesado e contínuo trabalho que tinha sido a sua estivesse, naquele momento quase final, a receber a graça de uma suprema e derradeira despedida, a consolação da beleza revelada.

Estava sentada à porta de uma casa como não creio que tenha havido alguma outra no mundo porque nela viveu gente capaz de dormir com porcos como se fossem os seus próprias filhos, gente que tinha pena de ir-se da vida só porque o mundo era bonito, gente, e este foi o meu avô Jerónimo, pastor e contador de histórias, que, ao pressentir que a morte o vinha buscar, foi despedir-se das árvores do seu quintal, uma por uma, abraçando-se a elas e chorando porque sabia que não as tornaria a ver.

Muitos anos depois, escrevendo pela primeira vez sobre este meu avô Jerónimo e esta minha avó Josefa (faltou-me dizer que ela tinha sido, não dizer de quantos a conheceram quando rapariga, de uma formosura invulgar), tive consciência de que estava a transformar as pessoas comuns que eles haviam sido em personagens literárias e que essa era, provavelmente, a maneira de não os esquecer, desenhando e tornando a desenhar os seus rostos com o lápis sempre cambiante da recordação, colorindo e iluminando a monotonia de um quotidiano baço e sem horizontes, como quem vai recriando, por cima do instável mapa da memória, a irrealidade sobrenatural do país em que decidiu passar a viver...”

Quem quiser ler o resto pode fazê-lo aqui. 

Sandra Paz será a nova Presidente da Junta de Santa Maria de Marvão


Questão de eleição resolvida em Marvão:

De acordo com informações recentes, o Tribunal Constitucional, depois de analisar o recurso interposto pelo PS, sobre a decisão da Assembleia de Apuramento Geral (que contrariou a decisão da Assembleia de Apuramento Local – Mesa de Voto) de considerar “nulo” um voto que parecia inequivocamente ser para o PS; acabou por aceitar o recurso, e considerar o “Voto” válido.

Logo, quem ganhou as eleições para a Assembleia de Freguesia de Santa Maria, foi o Partido Socialista com 135 votos, contra 134 do PSD, tendo sido eleita para presidente Sandra Paz.

O voto da polémica:
  


Aqui reproduzo também, para memória futura e para casos idênticos, uma cópia do recurso do PS para o Tribunal Constitucional: 

 
“Excelentíssimo Senhor Presidente do Tribunal Constitucional

Partido Socialista, Partido Político, por intermédio do seu Mandatário para as eleições dos titulares dos órgãos das autarquias locais de 29 de Setembro de 2013 no Concelho de Marvão, Fernando José Machado Gomes, estando em tempo e por ter legitimidade, vem interpor recurso contencioso para o Tribunal Constitucional, ao abrigo do disposto no artigo 156° da Lei que regula a eleição dos titulares dos órgãos das autarquias locais, por não se conformar com a deliberação tomada pela Assembleia de Apuramento Geral do concelho de Marvão, o que faz nos termos e fundamentos seguintes:

QUESTÃO PRÉVIA
De acordo com o resultado aritmético obtido a partir da Assembleia de Apuramento Local de Santa Maria de Marvão (adiante designada por AALocal), o apuramento da votação para a Assembleia de Freguesia de Santa Maria de Marvão indicia que a lista candidata da CDU — Coligação Democrática Unitária obteve uma votação de 7 votos, que a lista candidata do PS — Partido Socialista obteve uma votação de 135 votos e que a lista candidata do PSD — Partido Social Democrata obteve uma votação de 134 votos.

Significa isto, pois, que a AALocal considerou que a votação expressa era a determinada pelos resultados supra, ainda que, sobre um voto, incidisse reclamação. De tal reclamação veio a Assembleia de Apuramento Geral (adiante designada por AAGeral) determinar da nulidade do voto sobre o qual a Reclamação incidia, o que implica um empate entre as listas candidatas do PS e do PSD.
Sob o ponto de vista do aqui Recorrente e muito respeitosamente, a deliberação da AAGeral carece de fundamento, o que, melhor, a seguir se evidenciará.

Assim,
OS FACTOS:

1° O Voto em causa (que se anexa) foi considerado válido pela AALocal, tendo os elementos da mesa votado 4 contra 1. Assim a lista do PS à Assembleia de Freguesia de Santa Maria de Marvão teve 135 votos e a do PSD 134;

2° A acta de apuramento local (que se anexa) determina a vitória do PS à Assembleia de Freguesia;

3° Na AAGeral, o Juiz que presidiu à sessão abriu os envelopes em causa e fez passar o voto, sobre o qual incidia a reclamação por todos os presentes, pedindo para que cada um se pronunciasse sobre a validade do mesmo;

4º Dos presidentes das mesas, presentes na AAGeral, só um considerou o voto nulo, todos os demais consideraram o voto válido;

5° Dos restantes cidadãos presentes na AAGeral, o jurista designado pelo presidente da AAGeral e o Professor designado pelo Agrupamento de Escolas de Marvão, José Grácio, pronunciaram-se pela nulidade do voto, enquanto a Professora designada pelo Agrupamento de Escolas de Marvão, Carla Cordeiro, defende a validade do voto;

6° Perante um cenário em que quatro membros da AAGeral votam pela validade do voto, enquanto três votam pela sua nulidade, o presidente da AAGeral vota pela nulidade do voto, o que constituiu o empate, expresso na acta;

7° Contudo, é o próprio presidente que considera que “existe uma declaração que assinala inequivocamente a vontade do eleitor em votar no Partido Socialista”;

8° Porém, é também o presidente que diz que “existe um traço” no Boletim de voto que pode “suscitar dúvidas”;

9° Desta forma considerou o voto nulo e determinou a respectiva marcação de eleições;

10° Ora vejamos, para um voto ser considerado nulo, o mesmo deverá apresentar CORTE - acto ou efeito de cortar -, DESENHO - reprodução (de objectos) por meio de linhas e sombras -, RASURA - Supressão de letras, de palavras ou de texto por meio de risco ou de raspagem -, o que manifestamente não acontece, seja qual for a análise que se possa fazer do voto em questão;

11º No momento da votação o eleitor jamais quis invalidar o boletim de voto e só com uma interpretação em sentido demasiadamente amplo ou lato, se poderia afirmar que aquele risco/traço que se encontra no boletim, se trata de um símbolo ou sinal intencional;

12° Para mais, se se observar que a cruz feita, indicativa da clara intenção de voto, pode ver-se que está um pouco tremida, facto que leva a crer que poderá ser uma pessoa idosa ou doente que terá dificuldades no manuseamento da esferográfica e que a mesma pode, após a cruz feita, ter resvalado;

DO DIREITO:
Conjugando a análise ao boletim de voto em concreto com a letra e espírito da Lei não parece existir qualquer duvida que o eleitor de forma inequívoca expressou a sua vontade em votar no Partido Socialista, sendo que o risco/traço é apenas um acto involuntário, que agora está a ganhar uma vida sem uma base de argumentação muito lógica e fora do sentido da própria Lei, já que nos termo do n.°2 do art. 133.° da LEOAL, se diz que “Não é considerado voto nulo o do boletim de voto no qual a cruz, embora não sendo perfeitamente desenhada ou excedendo os limites do quadrado, assinale inequivocamente a vontade do eleitor. FACTO QUE SE OBSERVA.

E ainda que, na alínea d) n.°1 do mesmo artigo, apenas se refere que “corte, desenho ou rasura” constituem facto passível de anulação do voto, o que MANIFESTAMENTE NÃO SE OBSERVA.

É, também, com a própria declaração constante da acta, proferida pelo Juiz de Direito que presidiu à AAGeral, onde é dito que “existe uma declaração que assinala inequivocamente a vontade do eleitor em votar no Partido Socialista” e apenas se lhe opondo um “suscitar dúvidas” dado que “existe um traço”, que o ora recorrente vê a sua posição sustentada, por a uma “inequivocamente a vontade”, apenas se lhe opor um “suscitar dúvidas”.

Nestes termos e nos melhores do direito, que V. Ex.as doutamente suprirão, deve ser dado provimento ao presente recurso declarando a validade do voto expresso.

Assim se fará a devida e costumada JUSTIÇA!

Junta: 5 documentos, duplicados legais. O Mandatário: Fernando Gomes (Assinatura)”


Também para memória futura, aqui fica um Excerto final do Acórdão nº 642/2013 do Tribunal Constitucional, sobre o recurso supra:

 "Não se afigura que o boletim de voto ora em apreciação padeça, em razão do traço/risco nele aposto, de vício que, nos termos da lei, possa objectivamente comprometer os valores cuja tutela se pretendeu garantir com o regime legal vigente, em matéria de manifestação do voto e sua validade.

Com efeito, parece claro que o traço/risco constante do boletim de voto invalidado pela assembleia de apuramento geral, como aliás reconhecido pelo seu presidente, não é de molde a lançar qualquer dúvida sobre a opção de voto evidenciada pela nítida e incontroversa aposição de uma cruz no quadrado correspondente ao Partido Socialista. Além de que tudo indicia que aposição do traço/risco resultou de um gesto involuntário, o certo é que, quer pela sua localização (exterior a qualquer dos restantes quadrados, ainda que no final da linha correspondente ao PSD e próxima do respetivo quadrado), quer pelas suas características manifestamente inexpressivas, não só não compromete objetivamente a interpretação da vontade eleitoral do votante — que, no descrito contexto, se revela unívoca — como se mostra incapaz de identificar, seja sob que perspetiva for, a identidade do eleitor votante (cf., apreciando caso substancialmente idêntico, Acórdão a° 530/09).

O risco/traço constante do boletim de voto ora em apreciação não configura, pois, pelas descritas razões — que, no essencial, assentam numa ideia de adequação e proporcionalidade a que o regime em causa, ainda que de legalidade estrita, não pode ser alheio — corte, desenho ou rasura determinante da anulação do voto nele contido, pelo que se impõe a procedência do recurso, com a consequente revogação da deliberação recorrida, sendo certo que também não constitui causa invalidante do voto, como é evidente, a circunstância de terem sido posteriormente apostas na frente do respetivo boletim, e não no verso, as rubricas a que alude o disposto no n.° 1 do artigo 137.° da LEOAI, como decorre dos autos.

Pelo exposto, o Tribunal Constitucional decide julgar procedente o recurso, revogando, em consequência, a deliberação recorrida."

domingo, 6 de outubro de 2013

As músicas da minha vida (1)

Dou hoje início a esta nova rubrica: - As músicas da minha vida. No fundo, foi sempre o que eu tentei transmitir em: do baú, épicos da música portuguesa, ou novidades da música portuguesa. Na essência, o que eu queria dar a conhecer era os meus gostos musicais, por isso, parece-me este título mais apropriado e mais abrangente.

Até agora tenho praticamente privilegiado a música portuguesa, por ser esta a nossa língua e ser aqui que eu nasci, tal irá continuar, maioritariamente. No entanto, uma vez por outra, este título permitir-me-á uma outra incursão em músicas de outros países, e cantadas noutra línguas.

Questionam-me alguns porque escrevo em prosa, aquilo que é poesia? A principal resposta é porque me parece, ser através da prosa, que melhor podemos apreciar o sentido das palavras; e depois, nos tempos que correm, a poesia não faz muito sentido. Em minha opinião, claro.

Para início escolhi uma das canções dos Delfins, e uma das que acho que mais condiz com a minha personalidade: - A marcha dos desalinhados. Apresentando, simultaneamente, a versão soberba dos Resistência ao vivo.           

“Eu não quero estar parado, fico velho. Vou marchar até ao fim, isolado. Nesta marcha solitária dou o corpo ao avançar, neste campo aberto ao céu.

Ninguém sabe para onde eu vou, ninguém manda em quem eu sou! Sem cor, nem deus, nem fado: eu estou desalinhado.

Por tudo o que eu lutei, ser sincero? Por tanto que arrisquei, ainda espero! Esta marcha imaginária, quantas baixas vai deixar, neste sonho desperto...”








sexta-feira, 4 de outubro de 2013

A jesus (o do benfica): senhor tou farto, senhor tou farto...

 ... e do vieira? Meu deus, Fartíssimo!



Repetir, até que nos oiça....



E já agora, como homenagem ao grande Solnado, aqui fica rábula completa. Saudades de programas com este Zip, Zip



Novidades da música portuguesa (2)


(Texto de Valter Hugo mãe, pontuação minha)

“.... o bandido solitário tem no crime o coração, trás do roubo o seu salário, paga caro a paixão. o bandido solitário tem uma bala no canhão, vai mete-la no diabo, já deitado no caixão.

o bandido solitário tem a fúria de um cão, e anda às voltas pelas ruas, com a alma pela mão. o bandido solitário só faz falta para f****, escolhe sempre as mais feias, gosta de beijar sem ver.

a mulher que o quiser tem que ouvir esta canção. e a mulher que o quiser: farto peito grande língua anos de bailado e, natação...

foi um dia apanhado a roubar uma espanhola, ficou todo admirado, e tiraram-lhe a pistola. e a pistola era tola, só servia para espirrar, carregando numa mola, não servia para matar!

a mulher que o quiser tem de ir para a prisão, e a mulher que o quiser: farto peito grande língua anos de bailado e, natação...”


quinta-feira, 3 de outubro de 2013

E se empatassem outra vez....


São as lógicas baratas dos empates, dos empatas.... (diz o Paião)

A zero, a zero, a zero, vai o jogo começar, já se sente o desespero, precisamos de empatar! Azeda, azeda, azeda, a derrota é de amargar. “Zero a zero” é labareda, não perdemos sem ganhar!

 A zero a zero, grão a grão, de nada em nada, vais erguendo a barricada que há um zero a defender: E são ferrolhos, tira-olhos, tira-teimas, correrias, saltos queimas, quem mas dera perceber. Há zero ao meio, zero ao lado, acima abaixo, jogo branco o berbicacho, zig-zag e volta atrás. Há um vazio revirando, regelando, passa tempo, jogo brando, vezes zero, tanto faz.

Há zero a zero, há cem a cem, com zero a zero, vai tudo bem!

Depois, depois, depois, vai dar muito que falar, nulidades ou heróis, todos têm que zelar. A Zero, a zero, a zero, há-de o jogo terminar, p´ra dizer sem exagero: - Foi a zero, não há azar!

 A zero a zero vou partindo, do ponto zero, já não espero e acelero, quem se queda também cai. A zero à hora vou de roda e, recupero, quero dar a volta ao zero, para ver aonde vai. Com dois acordes faço a zero apologias, muitos zeros é mania, zero a zero é pequenez. Duas batatas são as lógicas baratas dos empates, dos empatas. Empatamos outra vez (tinha piada)!




O mundo dos outros...


Com as minhas desculpas ao Hermínio Felizardo, tenho que partilhar este seu "cartoon", que também pode ser visto aqui. Muito bom!

Obrigado Hermínio, por me fazeres sorrir...



(Clicar em cima da imagem para ver melhor)

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

O “Voto da Polémica” na freguesia de Santa Maria de Marvão


Breve explicação do sucedido:

Nesta freguesia, após apuramento pela Mesa Eleitoral, verificou-se existir um empate (134 votos) entre o PS e o PSD. Após recontagem, um dos votos considerado "nulo", foi aceite como válido pela Mesa, e contabilizado para o PS, o que lhe daria a vitória. O PSD apresentou protesto, considerando que o “voto era nulo”.


Ao vir aqui postar este tema: - “O voto da polémica”, faço-o apenas em nome da informação a todos aqueles que visitam este espaço. Não emitirei qualquer opinião, por agora. Mas tenho opinião. Se o não faço, é por respeito a todos os envolvidos. Aliás em 2001, também eu me vi envolvido numa polémica parecida em Santo António das Areias, ao protestar um voto que eu considerava “nulo” (pois tinha duas cruzes em partidos diferentes), mas que a Mesa Eleitoral, nessa altura, queria contabilizar para uma das forças concorrentes.

Nessa situação, a Assembleia de Apuramento Geral deu-me razão por unanimidade, tal era a evidência do meu protesto. A Assembleia (e o Juiz da altura) considerou não haver qualquer dúvida que a caneta que tinha feito uma “cruz”, tinha feito a outra (a tinta parecia ser a mesma e a qualidade do traço era idêntica). Na altura não tive a defesa de ninguém, nem daqueles que representava, nem a pedi. Perante acusações bacocas, dos do costume, a minha inocência, consciência, honestidade, e postura, pensei serem suficientes. E foram.
Não sei é se os acusadores terão ficado tão bem assim com a sua consciência!

Mas a consequência, na repetição eleitoral que se veio a realizar, foi esmagadora para a força política, que já se sabia então,ter ganho a Câmara Municipal. É assim, o povo, gosta que as suas freguesias joguem no clube da Câmara! Isto pode voltar a suceder, mas politicamente, ai, ai! E quem aceita uma vitória numa situação destas, deve ter muita vontade de poder.

Por agora, e para vossa informação, aqui fica uma cópia do Voto da Polémica (que é público), e a versão do Director de Campanha  do PS à Rádio Portalegre, sobre o sucedido. Cada um que julgue por si. 

A lei é a lei. E a ética? Isso é outra coisa...


(O dito cujo. O objecto do protesto é apenas o traço à direita do quadrado do PSD, as assinaturas no canto superior direito são posteriores e pertencentes aos escrutinadores)



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Épicos da música portuguesa (14)


Se deixaste de ser minha, minha dor, não deixei de ser quem era, e tudo é novo, por morrer uma andorinha, sem amor, não acaba a primavera, diz o povo. Como vês não estou mudado, felizmente, e nem sequer descontente, ou derrotado, conservo o mesmo presente, do passado, e guardo o mesmo passado, bem presente.

Eu já estava habituado, a este fado, e a que não fosses sincera, em teu amor, por isso eu não fico à espera, dos amores, de uma ilusão que eu não tinha, e nem renovo, se deixaste de ser minha, minha dor, não deixei de ser quem era, e tudo é novo.

Vivo a vida como dantes, (por aí...) a cantar, não tenho menos nem mais do que já tinha, e os dias passam iguais, para não voltar, aos dias que vão distantes, de seres minha.

Horas, minutos, instantes, desta vida, seguem a ordem austera, com rigor, ninguém se agarre à quimera, sem valor, do que o destino encaminha, e não é novo, pois por morrer uma andorinha, sem amor, não acaba a primavera, diz o povo....




terça-feira, 1 de outubro de 2013

Isto anda a ter muita “audiência”....



A Retórica atingiu ontem o recorde de visualizações diárias: 220 visitantes num só dia!

E isto é 220 visitantes diferentes, pois o “contador da porta” está programado para registar só uma vez por dia cada visitante. Mesmo que o “mirone” lá vá 50 vezes/dia, só é registado uma vez. Acho que isto é demasiado para o que eu estou preparado, e põe-me responsabilidades acrescidas.

Isto demonstra ainda, que apesar de toda a desmotivação que por aí se fala e que se diz existir, as pessoas continuam curiosas e ávidas de alguma informação e opinião, e neste caso, sobretudo, quando os temas dizem respeito à sua terra, a minha terra: Marvão.

Sempre que abordo temas sobre Marvão, a campainha não pára de tocar. Ontem por exemplo, os mais procurados foram os temas sobre política local, assim divididos:

- 30 % dos visitantes  entraram para ler “Os cometas”
- 25% para lerem “Em Marvão mandam os que lá estão”
- 5% deram-se ao trabalho de ir ler o Post de Outubro de 2012 “Procura-se”   

E porque é que isto acontece? Porque no concelho de Marvão, a informação e o debate continuam ausentes: Jornal local não existe. Os sítios informáticos do município são uma vergonha, ou não funcionam ou estão desactualizados. Bibliotecas e salas de leitura nem vê-las. Debates? Ai retro Satanás. A Assembleia Municipal parece um funeral (desde eu de lá saí há 2 anos, os membros do partido maioritário ninguém abriu a boca para uma intervenção ou debate sobre qualquer tema, nem para se defenderem). As reuniões de Câmara são verdadeiras homilias do Presidente.

Restam os 15 dias das campanhas eleitorais, em que se desunham a dizer mal uns dos outros, sem apresentação de alternativas credíveis, como foi o caso da que agora terminou. Por isso os resultados são o que são.

Claro que a obscuridade e a ignorância interessam sempre a alguma gente. Falar claro, frontal e promover o debate de ideias e alternativas, tem preço. É melhor não falar, ou falar em surdina e pelas costas, ou debaixo de anonimato. Isto é típico de regimes totalitários e de cobardes.

Em democracia: - o poder do povo, não se pode, nem deve, esconder a informação. Esta é a base para o conhecimento, para o debate e escolha de alternativas. Ninguém pode decidir com base na ignorância, no que não conhece, e, devemos ter em conta a máxima “de que nem tudo o que parece é...”.

Por agora, deixo uma mensagem de agradecimento a toda esta gente que me visita neste meu cantinho. Por aqui irei continuar (enquanto não me cortarem o pio). A política faz-se todos os dias (não apenas quando cheira a cargos e a tachos), e não me coibirei de dar a minha opinião sobre o que se passa à minha volta, e sobretudo, sobre uma das minhas grandes paixões: - Marvão e os marvanenses.

Mas a política não me cega (também tenho outra paixões), antes pelo contrário, às vezes abre os olhinhos à gente, como diz o outro. Por isso aqui irei a postar tudo o que olho e vejo e, por vezes, tenho que reparar, que a vida é curta, e eu, já não vou para novo!

Entretanto, obrigado pela vossa visita.  

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Em Marvão? Mandam os que lá estão (e estavam...)


Estes são os resultados das eleições autárquicas de Marvão. O povo disse: Está dito...



(Clicar sobre a imagem para ver melhor)


Autarcas Eleitos:

- Câmara: 4 PSD + 1 PS

- Ass. Municipal: 10 PSD + 5 PS

- Freg. Beirã: 4 PSD + 3 PS

- Freg. SA das Areias: 5 PS + 4 PSD

- Freg. St.ª Maria: 4 PS + 3 PSD

- Freg. S. Salvador: 7 PSD + 2 PS

Os cometas....


“Cometa, é um corpo menor do sistema solar que quando se aproxima do Sol passa a exibir uma atmosfera difusa, denominada coma, e em alguns casos apresenta também uma cauda, ambas causadas pelos efeitos da radiação solar e dos ventos solares sobre o núcleo. Os núcleos dos cometas são compostos de gelo, poeira e pequenos fragmentos rochosos, variando em tamanho de algumas centenas de metros até dezenas de quilómetros.”

Na política também existem alguns destes “corpos menores”, andam por aí eclipsados durante 4 anos, às vezes toda uma vida. A maioria das vezes pescados fora da terra, sem que se lhes conheça qualquer actividade social (boa ou má), meninos bem comportados, e apresentados como "sem defeitos" (mas também sem qualquer qualidade conhecida para a vida pública), bons “chefes” da família tradicional; que de 4 em 4 anos são lançados pelos caciques locais, como meninos de coro, para convenceram a populaça de que serão seus dignos representantes, e tudo farão em seu prol (quando todos sabemos que o que eles querem é resolver as suas vidinhas e de seus amigalhaços).

Existe ainda outra coisa pouco bonita neste mundo da “astronomia política”. São aqueles “corpos” que umas vezes aparecem à direita, outras vezes à esquerda, outras ainda nos céus de ninguém, é assim como lhes dá jeito. Mas também aqui os resultados não são os melhores, e povo não aprecia.

Em Marvão, tem sido quase sempre assim. Os resultados têm sido quase sempre desastrosos, e mais uma vez não fugiram à regra.

Fazer POLÍTICA, não pode ser uma coisa ocasional, de meia dúzia de messes (ou menos) antes de eleições. O povo já não vai nessas lérias. Fazer POLÍTICA, tem que ser constante, conhecer o terreno que se pisa (contexto), apresentar alternativas (ser só boa pessoa e simpático não chega). E depois tem que se apresentar algumas credencias (currículo social), se possível com algumas provas dadas no passado e resultados obtidos.

Se alguma coisa as eleições de ontem mostrou, é que os Partidos políticos têm que reflectir muito bem sobre a sua prática de fazer política e de seleccionar candidatos. Escolher candidatos para administrar a vida pública, não é a mesma coisa que escolher uma “miss de beleza”, ou um concorrente de “big brother” da televisão chunga. Se não perceberem isto, e mudarem, será o povo a mudar-vos.

Ainda sobre Marvão, o que eu gostaria de ver a alguns desses “cometas”, era agora que as eleições para cargos em que se ganha dinheirinho acabaram, se apresentassem nas Associações do Concelho ou em causas públicas, que são muitas e precisam do vosso trabalho, mostrassem do que são capazes, e, que estão preocupados com a coisa pública. Parece que a próxima a precisar de gestores associativos é o Lar de São Salvador da Aramenha. Apareçam por lá e mostrem do que são capazes!

Mas olhem que aí o colaboração é gratuita, isto é, à borla....  

Leitura complementar: Ver o que escrevi aqui em Outubro de 2012, sobre escolhas manhosas

domingo, 29 de setembro de 2013

Épicos da música portuguesa (13)


Vou viver, até quando, eu, não sei. Que me importa o que serei, quero é viver!

Amanhã, espero sempre um amanhã, e acredito que será, mais um prazer!

E a vida é sempre uma curiosidade, que me desperta com a idade, interessa-me o que está para vir.

A vida em mim é sempre uma certeza, que nasce da minha riqueza, do meu prazer em:
- Descobrir, encontrar, renovar, vou fugir, ou repetir... 


domingo, 22 de setembro de 2013

O mundo dos outros....


Nem mais meu caro Rui Rocha, hoje no Delito de Opinião, eu assino por baixo. Leitura complementar aqui

“Só se perdiam as que caíssem no chão

Não quero parecer a Manuela Ferreira Leite, e nisso sinto-me acompanhado, pelo menos, por vários milhões de portuguesas, mas tenho para mim que a proposta de suspender a democracia pode, afinal de contas, vir a ter algum aproveitamento.

Não digo que se fizesse de forma abrangente que disso a Comissão Nacional de Eleições mais tarde ou mais cedo acabará por encarregar-se. O que tenho em mente é, sobretudo, a possibilidade de retomar práticas ancestrais, hoje proibidas por lei, bárbaras por certo, mas que trariam, devidamente aproveitadas e actualizadas, bem razoável proveito.

Veja-se o caso do duelo entretanto caído em desuso e erradicado das nossas práticas por determinação legal. Note-se que não pretendo aqui defender a solução pelas armas de questões correntes entre cidadãos comuns. Se o Lopes da Confeitaria vendeu sete bolos estragados ao Joca do stand de automóveis, eles que se lixem: discutem o tema durante sete anos em tribunal e logo se vê.

É essa a essência da democracia, do primado da lei, da proibição da justiça pelas próprias mãos e nisso não se deve mexer. Agora, se Rui Machete diz que cometeu uma mera imprecisão factual e Seguro afirma que ele mentiu, as coisas não podem ficar assim. Trata-se de assuntos de honra. De honra de políticos. De honra daqueles de entre nós que mais se distinguem. Dos que foram, serão ou querem ser eleitos e sim, é verdade que este último critério exclui o Fernando Seara de tudo quanto se dirá a seguir.

Ora, estando em causa a honra de tais filhos da nação, o esclarecimento integral de tão fundamentais questões não pode ficar dependente da agenda superlotada dos senhores magistrados ou da espinhosa distinção entre mentir, faltar à verdade e cometer uma incorrecção factual. É pois para os políticos e só para eles que proponho que se retome a utilização do duelo como forma expedita e eficaz de lhes lavar a honra. Machete e Seguro divergem sobre a qualificação adequada ao comportamento do primeiro? Pois marque-se uma hora, escolham-se padrinhos e resolva-se a questão.

Todavia, não se pense que se faz aqui a apologia da barbárie. Nada disso. Não está em causa a utilização de sabres ou pistolas. Se alguns defendem a interpretação da lei constitucional de acordo com as circunstâncias não serei eu a propor práticas desajustadas dos nossos tempos. 

Creio, na verdade, que se evitará qualquer excesso sanguinário se, em lugar de armas, for distribuído um gato morto a cada um dos participantes, estabelecendo-se que a vitória será obtida por aquele que, dando com o felino nas trombas do adversário, conseguir fazer o dito cujo gato miar.”

sábado, 21 de setembro de 2013

Novidades na música portuguesa (1)


Maryjoana (As 3 marias)

Maryjoana, na sua marquise, arrancava o pêlo e fazia a mise. Maryjoana, lá das fontainhas, era esteticista, pelinho não tinha. Namorava o toino, seu primo achegado, mas seu grande amor: era o nando do fado!

 Maryjoana, na sua marquise, arrancava o pêlo e fazia a mise... (bis).

E um dia qualquer, mágico destino, a mary passou, e o nando olhou. E com os olhos de ver, falou com o “bino”, e os apresentou: a mãe e o fino!

Oh Maryjoana, oh Maryjoana, onde te pus o dedo nunca te vi um pêlo! E desde que me assentei na tua marquesa, foram-se as dúvidas: ficou a certeza!

Maryjoana, na sua marquise, arrancava o pêlo e fazia a mise... (muitos bis, até fartar)


sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Rapidinhas mas boas (2)

No princípio desta semana, quando assistia ao desfilar de mais um “rosário de lamentações”, em que se transformaram os Telejornais televisivos, sobre o início do ano escolar, deparei-me com o seguinte “tesourinho” em directo, de uma senhora professora no dia de apresentação aos seus alunos, escrito no Quadro modernaço:

“ Eu sou (fulana de tal), a vossa professora de português. Ok...”

E eu, que não percebo um boi de línguas bárbaras, a pensar: I am João, your English teacher! Sim...”

Estas o Mário Nogueira não comenta, nem o Tó Zé....

Épicos da música portuguesa (12)


A noite passada acordei com o teu beijo, descias o Douro e eu fui esperar-te ao Tejo. Vinhas numa barca que não vi passar, corri pela margem até à beira do mar, até que te vi num castelo de areia, cantavas:
- Sou gaivota e fui sereia.
Ri-me de ti: 
- Então porque não voas? 
E então tu olhaste, depois sorriste, abriste a janela e voaste!

A noite passada fui passear no mar, a viola irmã cuidou de me arrastar. Chegado ao mar alto abriu-se em dois o mundo, olhei para baixo, ias lá no fundo, faltou-me o pé, senti que me afundava. Por entre as algas teu cabelo bailava, a lua cheia escureceu nas águas e, então falámos, e, então dissemos:
- Aqui vivemos muitos anos.

A noite passada o paredão ruiu, pela fresta aberta o meu peito fugiu. Estava do outro lado a tricotar janelas, vias-me em segredo ao debruçar-te nelas. Cheguei-me a ti, disse baixinho:
- Olá. Toquei-te no ombro e a marca ficou lá. O sol inteiro caiu entre os montes e então tu olhaste, depois sorriste, disseste: 
- Ainda bem que voltaste...


domingo, 8 de setembro de 2013

Simplesmente espectacular...


Embalem os Sérvios (deixem (Marković), embalem os sul-americanos (deixem o Cardoso), e ponham já a Rita Martins. 

Até me faço sócio, e com o Canal Benfica...  

8/9 dia de nossa senhora da estrela...


Já que não lhe encomendarei missa por minha morte, como em 1810 fez o meu antepassado José Gonçalves Bugalhão no seu testamento, resta-me em vida, e no dia da sua festa, deixar-lhe esta singela homenagem. Mesmo que a minha devoção, muita não seja, pelo respeito e consideração a todos os meus conterrâneos que nela crêem...

 "Nossa Senhora da Estrela prometi já cá estou, venho cumprir a promessa a quem das sortes me livrou. Tenho uma saia amarela, tenho um avental bordado, para ir à Senhora da Estrela arranjar um namorado.

Nossa Senhora da Estrela senhora tão pequenina, comadre da minha mãe, senhora minha madrinha.

Nossa senhora da Estrela com seu manto azul dourado, pôr-vos-ei o meu colar, se me deres um namorado. Nossa Senhora da Estrela tem água e sol na mão, para dar aos marvanejos quando vão em devoção.

Nossa Senhora da Estrela a calçada pedras tem, se não fizesses milagres já cá não vinha ninguém. Senhora da Estrela casai as moças, que os homens baratos estão, no dia da sua festa, são três, por um tostão."


sábado, 7 de setembro de 2013

Rapidinhas! Mas boas (1)


1 – A RTP anuncia entrevista com Passos Coelho, no novo Programa: O país pergunta.

2 – Tó Zé Seguro critica!

3 – Comissão Nacional de Eleições proíbe entrevista!

4 - RTP decide manter a entrevista!

5 – Tó Zé Seguro critica!

6 – Passos Coelho decide não dar a entrevista.

7 – Até ao momento Tó Zé Seguro ainda não criticou!!!!!


(Ou está doente, ou perdeu-se na festa do Avante....)

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Épicos da música portuguesa (11)


Saiu decidida para a rua com a carteira castanha e o saia-casaco escuro, tantos anos, tantas noites, sem sequer uma loucura. Ele saiu sem dizer nada, talvez fosse ao teatro chino, vai regressar de madrugada e, acordá-la cheio de vinho.

Tantos anos, tantas noites, sem nunca sentir a paixão, foram já as bodas de prata comemoradas em solidão. Pôs um pouco de baton e um leve toque de pintura, tirou do cabelo o travessão e, devolveu ao rosto a candura.

Saiu para a rua insegura, vagueou sem direcção, sorriu a um homem com tremura e sentiu escorrer do coração: A humidade quente da loucura...

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Balanço parcial...

No último ano, este Blogue teve perto de 15 000 visitantes (disse visitantes, não visitas. No meu "contador", cada um que aqui vem, só conta uma vez/dia), numa média de 1 250/mês; e cerca de 50 visitantes por dia. No último mês por aqui passaram 1 350 visitantes; e nas últimas 24 horas 132 pessoas aqui vieram dar uma espreitadela. Se tivermos em conta que se trata de um Projecto pessoal, praticamente familiar, num meio social restrito, estes números deixam-me bastante satisfeito.

No último mês os Posts preferidos e mais vistos foram os seguintes:  

1º - A Peça que faltava (tema sobre a descoberta de um registo de nascimento de um antepassado da família Bugalhão, nascido em 1783: Teve 35% das preferências.

2º - Quando Burro cai é que se lhe deve dar as pancadas (tema sobre política local): Mereceu a preferência de 27% dos visitantes.

3º - Fim dos Piropos já (tema de crítica política nacional): Mereceu a preferência de 13%.

4º - Associativismo e Pseudo Associativismo (tema sobre política local): Mereceu a preferência de 13%.

5º - Coisas giras que vemos por aí (Tema sobre dança: o tango). Mereceu a preferência de 12%.

É ainda de referir que, no último mês, 80% destes visitantes, são oriundos de Portugal; mas 20% têm origem no estrangeiro com os Estados Unidos (8%), e o Brasil (3%) a ocuparem os lugares seguintes. Os restantes 9% vêm dos países europeus: Rússia, Alemanha, França, Reino Unido, Espanha, Sérvia e Holanda.

Este simples Blogue, e desde que aqui comecei a escrever com alguma regularidade, após ter deixado para trás o Projecto Fórum Marvão, tornou-se visita frequente de muitas pessoas: alguns amigos que sei que me lêem, mas também muita gente anónima, por esse mundo fora, que não conheço.

Sempre que a gente se põe a escrever em público, um dos objectivos, é que pelo menos alguém, além de nós próprios, nos leia, e que partilhe connosco algumas das ideias que nos movem. No meu caso particular, não me preocupo muito em agradar, ou em escrever aquilo que sei que a maioria das pessoas gosta de ler. Sem me considerar um intelectual, gosto pouco do popularucho e do banal (isso já temos o Correio da Manhã, as revistas cor-de-rosa, ou mesmo o Expresso, a nível nacional; ou a Fonte Nova e o Alto Alentejo ao nível local), no entanto não escondo que gosto de encontrar eco daquilo que escrevo.

Infelizmente, e talvez devido à conjuntura (os tempos não andam para grandes exposições públicas), nem sempre esse eco me chega. Independentemente de se estar de acordo ou em desacordo (da discussão de ideias e às vezes do contraditório, é que a sociedade em geral, e uma comunidade em particular, pode avançar), as pessoas preferem resguardar-se, ler e calar; não sabendo que com o silêncio, tal como sem os sonhos, o mundo não pula, nem avança. Os portugueses sempre foram pouco participativos, e ultimamente, estão pior. Apesar dos cerca de meia centena de visitantes diários que por aqui passam (como vêm senhores do Poder Executivo marvanense, não preciso do nome de Marvão para ter audiência) são poucos aqueles que se dignam a deixarem a sua opinião. Serão poucos, mas ainda vão sendo alguns.

 Lamentavelmente, não são assim tão poucos os que se me dirigem (sobretudo fora do concelho de Marvão), para me felicitaram, incentivarem a continuar, já que é através deste meio, que ainda vão conseguido saber alguma coisa da sua terra. Isto deveria envergonhar os autarcas marvanenses, por não usarem e/ou actualizarem frequentemente, os meios que eles próprios criaram, de que são exemplo os vários blogues e sítios do município. Alguns deles não são actualizados há anos, casos concretos da Documentação (actas) da AM e da Câmara. Para que servem afinal tantos vereadores, assessores, e técnicos? Será só para andarem a pagar “copos” para angariação de votos?

Por tudo isto, e porque o homem é um animal social, aqui continuarei postando. Um obrigado a todos os que visitam este espaço.

João Bugalhão

domingo, 1 de setembro de 2013

Fim dos piropos, já!

A propósito deste texto de Ana Vidal no Delito de Opinião, com origem nos temas fracturantes na Convenção Socialista do Bloco de Esquerda:

- O anedotário nacional soma e segue. Agora é o piropo, como se não houvesse problemas a sério para nos preocuparmos.

Se não quiser ir preso, cavalheiro, modere a linguagem quando passar por uma boazona (perdão, por uma jovem interessante). Nada de sugestões em vernáculo de calceteiro, nada de fantasias culinárias. Se não conseguir mesmo ficar calado, nunca vá mais longe do que isto: "Minha senhora, permita que lhe diga que a acho particularmente bonita. Nos meus sonhos mais ousados, imagino-me a oferecer-lhe um bombom na Versailles".”

Isto sim é a verdadeira política de esquerda! Ou antes, isto é que é a verdadeira Política. Isto sim faz crescer o PIB, diminuir o deficit, aumenta as exportações e torna positiva a balança de transacções. Qual vinho do ti antónio, qual carapuça? Isto sim dá de comer a 12 milhões de portugueses!

Criminalize-se já “o piropo”! Esqueçam os incendiários, os corruptos, os aldrabões, os chantagistas: verdadeiros “anjinhos” ao pé da rapaziada dos piropos.

Um pequeno conselho a esta rapaziada (ou será raparigada) do Bloco: - Não se esqueçam de pedir a fiscalização preventiva ao Tribunal Constitucional, ou pelo menos um parecer prévio à Lei anti-piropo, olhem que eles agora não deixam passar nada. Ou será apenas o que vem pela “direita”....

 Antes que o Bloco aprove a tal “lei”, aqui fica uma pequena selecção, para um dia podermos recordar: " - Belos tempos, os da outra senhora, em que os homens podiam dizer coisas como estas, sem ser crime..."

- És como um helicóptero: gira e "boa".
- Ó jóia anda aqui ao ourives.
- Ó jeitosa és mais apertadinha que os rebites de um submarino.
- Tantas curvas e eu sem travões.
- Usas cuecas TMN? É que tens um rabinho que é um mimo.
- Só queria que fosses uma pastilha elástica para te comer o dia todo.
- Se o teu traseiro fosse um banco, fazia uma poupança a taxa fixa.
- Belas pernas, a que horas abrem?
- Até davas uma boa actriz mas és muito melhor atrás.
- O teu pai devia ter a régua torta para te fazer com curvas assim.
- Estou a lutar desesperadamente contra o impulso de fazer de ti a mulher mais feliz do mundo.
- Sabes onde ficava bem a tua roupa? Toda amarrotada no chão do meu quarto.
- Diz-me lá como te chamas para te pedir ao Menino Jesus.
- Acreditas em amor à primeira vista ou tenho que passar por aqui outra vez?
- Queria ser um patinho de borracha para passar o dia na tua banheira.
- Deves estar tão cansada, passaste a noite às voltas na minha cabeça.
- Podes não ser a rapariga mais gira, mas com a luz apagada também é bom.
- Ai não queres? Eu vi logo, gorda como estás é porque não suas muito.
- És mesmo esguia, pareces uma sereia: metade mulher, metade baleia.

Nota de pé de página: Tive que fazer muita auto censura...


O mundo dos outros...


Dedico este Post ao meu amigo Jorge Miranda, em cuja página do seu facebook encontrei este tema dos UHF, com um comentário simples: “Um país sem rumo, sem ideias e sobretudo sem esperança...”


Em simultâneo dedico-o também a Pedro Sobreiro. Quando nos exprimimos assim em língua portuguesa, porque precisamos de inglesices...  

(Um pedido de desculpas pelo Vernáculo, mas há alturas em que as coisas têm que ter o seu nome).