segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O porco comilão e a vaca a secar...

Reflexões sobre Orçamento Geral do Estado 2013 (1)

Muito se tem falado, e escrito, nos últimos tempos sobre Finanças e Economia (muito mais de Finanças do que de Economia). Em minha opinião, para a maioria dos portugueses, pouco dados a essas coisas das contas, é como se andassem por aí uma serie de sacerdotes a dizerem a missa em latim.

Mas, o facto, é que toda a gente fala e em todo lado. Basta ao passar por um pequeno ajuntamento de pessoas, afinarmos um pouco os ouvidos, e do que falam eles? Contas à vida e à crise. A maioria das vezes referem-se ao geral, ao grande, ao Estado, “O Orçamento”, aquele que não entendemos, porque se refere a valores de tal ordem de grandeza, que os mesmos estão fora do nosso alcance perceptivo.


Muitas vezes, preocupados com esses números, esquecemo-nos que, todos nós somos financeiros e orçamentistas, mais que não seja, na nossa própria casa e na nossa vida diária, uns melhores outros piores. No Estado, só variam a ordem de grandeza dos valores. E como diz, e repete o Medina Carreira, muitas vezes, seria preferível ter uma “dona de casa” como ministra das finanças e economia, do que um qualquer “sábio”, oriundo, de um qualquer gabinete.

Assim, o que aqui hoje vos trago são 2 bonecos e a sua história: “O Porco e Vaca”, onde pretendo mostrar, com valores aproximados, a minha visão do OGE para 2013.

A “Vaca” que representa o conjunto das “Receitas do Estado”, vindas dos vários Impostos, e já quase chupada até ao tutano para retirar todo o “leite” possível; Para alimentar um “Porco”, que representa as “Despesas do Estado”, acompanhado do conjunto de filhotes “os porquinhos gastadores”, que o perseguem na ânsia de manterem o seu quinhão, e, em que cada um, se sente mais importante que os seus irmãozinhos.

Figura 1 – As Despesas do Estado previstas para 2013 (Figura de minha autoria)


Nota explicativa da Figura 1:

1 – O “porquinho Despesas com Pessoal”, contém o total das despesas previstas com o pessoal em toda a Administração Pública, e correspondem respectivamente: Autarquias e Administrações Regionais (2,9 mM), Saúde (3,3 mM), Educação e Ciência (5,2mM), Defesa Nacional e Administração Interna (2,9 mM), e Despesas com Pessoal de outros Ministérios e Organismos (4,7 mM).

2 – No “porquinho Restantes" estão as despesas (com excepção do pessoal) de Economia e Emprego, Agricultura, Justiça e Outras Despesas De Organismos (?).

3 – No “porquinho das Prestações Sociais”, estas são as seguintes: Pensões da Segurança Social (15 000 Milhões); Pensões da Caixa Geral de Aposentações (8 300 Milhões); Subsídios de Desemprego e Apoios Sociais (2 700 Milhões); e Formação Profissional (2 000 Milhões).


Figura 2 - Previsão das Receitas do Estado para 2013 (Figura de minha autoria)


    (Para ler melhor os valores: clicar no botão direito do"rato" e "abrir hiperligação")

Mesmo depois de completamente chupada, o leite da Vaca não consegue responder às necessidades cada vez maiores do “Porco” e dos seus filhotes comilões. E mesmo este ano, depois de todos os aumentos, e se as coisas correrem bem, ainda vai ter que se pedir cerca de 7, 2 mil milhões de litros (ou como quem diz: euros), de leite às amigas, “o tal malfadado deficit”, que lhes vai ficar a dever e com juros.

A bem da verdade e olhando um pouco para história desta pobre democracia, convém que se saiba, que desde 1974 esse “deficit” já soma cerca de 180 000 milhões de litros (euros), numa média anual  de 5 000 Milhões/ano, mas que nos últimos 7 anos (consulado Sócrates), o endividamento rondou, em média, os 15 000 Milhões por ano, num total de 105 000 milhões de euros, perdão de litros. O que quer dizer que, se este ano se cumprisse o programa, o endividamento com “as vacas vizinhas” cairia para metade dos últimos anos!

Se tiverem por aí alguma correcção ou opinião diferente, não se evitem, mandem para analisarmos...

PS: Tá bem Seguro, eu sei que dívida, no próximo ano, aumentará mais 7 000 milhões de euros, perdão de litros. Mas isso, é metade do que vinha sendo no tempo do teu antecessor correligionário, digo eu!

Para a dona Merkel, com "carinho" ...

Vá lá senhora vá escolher o seu par: alguém para a amar! A europa agradece...


(Ver ecrã completo)

domingo, 11 de novembro de 2012

sábado, 10 de novembro de 2012

Leituras de fim-de-semana...

No Blog "o insurgente", encontrei este Post denominado "os devoristas". A inveja que tenho de não ser eu o seu autor, mas, como o subscrevo na íntegra, espero que o António Maria não se importe:


"Quem andou a comprar dívida portuguesa não foi a Alemanha, foi a banca portuguesa e a Caixa (que se sobre endividaram junto do BCE, e a quem deixaram umas cautelas de risco elevado), assim como —pasme-se— o principal fundo de pensões do estado… português!

Desafio, pois, o PS do inseguro Seguro, o PCP do megafone Jerónimo, e o Bloco do reciclado Mao, a desfazerem este nó! Quem pagará a reestruturação que defendem para a gigantesca dívida pública portuguesa? Se a dita dívida está em boa parte sentada ao colo dos bancos indígenas à beira da falência, do banco público, igualmente insolvente, e do fundo de pensões do tal estado social, cuja liquidez dá para oito meses, a quem servirão as vossas desmioladas alternativas ao memorando da Troika assinado pelos três partidos do arco da desgovernação?

Se quiserem não pagar, ou pagar menos, já sabem quem ficará com o calote ao colo, não é? E então?

A Autoeuropa, a SAP e a Simens são algumas das empresas que funcionam bem em Portugal há décadas, ao contrário de tudo o que vem dos piratas do PS, dos piratas do PSD, dos piratas do BES, da Mota-Engil, do Grupo Mello e do resto da corja de imbecis e de ladrões que levaram o país à bancarrota e insistem em roubar o que resta.

Usar a Alemanha, a tia Merkel, e a Troika, como bodes expiatórios da pirataria local é mais uma prova de demência de uma parte dos indígenas da Tugolândia, que assim bem merece a má sorte que lhes caiu em cima.

Há uns séculos atrás a mesma corja de então expulsou sucessiva e alegremente os judeus, culpando-os da bancarrota do país. Expulsou os Jesuítas da Lusitânia do oeste e do Brasil. E, algumas décadas depois, extinguiu as ordens religiosas, para depois vender a pataco conventos e igrejas, cujas pedras foram usadas para fazer muros, casotas e tanques de água, deixando à vista até hoje cicatrizes escandalosas na paisagem de ruínas de pedra que abunda pelo país. Em todos estes casos citados o objetivo foi o mesmo: obter liquidez para tapar as finanças públicas arruinadas. Os criminosos de então são os mesmos de hoje: a corja dos rendeiros e dos burros com poder a soldo dos primeiros.

Ou seja, expulsámos, sucessivamente, gente que sabia fazer dinheiro, mas sobretudo gente culta e que sabia pensar. Ficaram, já então, a maltratar este pobre país, os burros do poder, os cretinos assessores, os rendeiros de sempre e os putos e putas da corte. A comandar ficaram e estão, lançando milho à populaça estupidamente agradecida — como galinhas.

Uma vez mais, a mesma corja de burros dominantes, incultos e criminosos, lança o povo contra os credores, no preciso momento em que estes enviam o dinheiro que paga mensalmente os vencimentos da função pública, dos governantes, e os lucros usurários dos banqueiros e dos rendeiros protegidos desta cloaca da Europa.

Há porém uma diferença: desta vez, não conseguirão expropriar os credores externos. Apenas podem roubar a Previdência Social e rebentar de vez com o estado social — o que têm estado a fazer nas costas dos eleitores.

E assim, não pagar é assunto muito sério também, cujo preço só poderá ser o fim deste imprestável regime, desta democracia populista, desta partidocracia sem concerto nem conserto, de mais uma cleptocracia disfarçada.

Espero bem que, desta vez, esta bancarrota arruíne boa parte da corja que matou, uma vez mais, Portugal. Os portugueses pobres e remediados estão a ser arruinados diariamente, pelo que nada têm que temer da ruína dos ricos que assaltam o país cantando e rindo.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Autárquicas 2013 (1)

Com este título, inicio hoje uma rubrica dedicada às próximas eleições autárquicas, que se realizarão em Outubro do próximo ano. Esta será a minha forma, enquanto cidadão e munícipe, de intervir sobre esse acto de expressão democrática.

Com um ano de antecedência, aqui deixarei o meu olhar e algumas opiniões, sobre o que for observando nesta temática, quer a nível nacional, quer ao nível da minha terra, o concelho de Marvão.

Fa-lo-ei, de forma avulsa, ao sabor do que for ocorrendo, ao invés de uma intervenção sistematizada, que tantas vezes tenho usado no passado. Aqui darei conhecimento do que for sabendo, nunca me coibindo de fazer a minha crítica ou dar a minha opinião.

Este 1º Post, surge na sequência de uma entrevista a que acabei de assistir de Fernando Costa, Presidente há mais de 25 anos, da Câmara das Caldas da Rainha, eleito nas listas do PSD. Aqui deixo, para reflexão, algumas ideias soltas:

- No caso das Caldas da Rainha, concelho com cerca de 54 000 mil habitantes, 250 Km2, a Vereação Municipal é composta por ele, Fernando Costa, e 2 vereadores a tempo inteiro; não tem Empresas Municipais. E afirmou que, não só não tem dívidas, como até tem superávite.

- No caso do concelho Marvão, actualmente, existe: 1 Presidente, 2 Vereadores a tempo inteiro, e 1 Assessor, para uma população de 3 500 habitantes e 155 Km2. Quando nos primeiros 20 anos de poder autárquico (1976 – 2005), e quando a população era o dobro, o Município só tinha o Presidente e 1 Vereador a tempo inteiro.

Pergunta-se:

Será que para as próximas eleições, alguma força política concorrente terá a coragem de propor para Marvão, uma Vereação a tempo inteiro, composta apenas por 1 Presidente e 1 Vereador? A poupança durante o mandato seria superior a 200 mil euros e poderia ser usada para apoios sociais!

A ver vamos! Mas olhem que a malta não é rica, e o país está falido...

terça-feira, 6 de novembro de 2012

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Cada português deve 20 mil euros!


Como se pode ler aqui a Dívida Pública cresceu 20 vezes desde 1974.

"Em 1974 a dívida pública equivalia a cerca de 14% do Produto Interno Bruto (PIB), isto é, da riqueza gerada no ano do 25 de Abril. Hoje, equivale a perto de 120% do PIB."

Como explicar isto? Respondam doutores: Mário Soares, Cavaco Silva, Manuela Ferreira Leite, Marques Mendes, Vítor Constâncio, Durão Barroso, Jorge Sampaio, Francisco Louçã, Marcelo, Sousa Tavares; e engenheiros Guterres e Sócrates, etc.?

Será que isto é fruto da política do governo de Passos Coelho?

domingo, 4 de novembro de 2012

Democracia e Constitucionalidade

- Demitir um governo que tem maioria na Assembleia da República (Jorge Sampaio em 2004), será “ democrático e constitucional”?

- Passar uma dívida pública de 60% para 120% do Produto Interno Bruto (Sócrates e PS entre 2005 e 2011), será “democrático e constitucional”?

- Duplicar a dívida pública em seis anos (Sócrates e PS entre 2005 e 2011), será “democrático e constitucional”?

- Acumular défices orçamentais alicerçados em dívida (todos os governos desde 1974), será “democrático e constitucional”?

- Contrair empréstimos internacionais, com juros elevadíssimos, que constituirão encargos incomportáveis para as gerações futuras (governos desde 2000), será “democrático e constitucional”?

- Ser o país mais endividado da zona euro (em 2011) será “democrático constitucional”?

- Conduzir Portugal à bancarrota (Mário Soares: 1977 e 1983; Sócrates: 2011), será “democrático e constitucional”?

- Um "juiz sindical" em 2012  fazer declarações como: "ou nos dão mais grana ou chubamos o Orçamento de Estado" (Mouraz Lopes), será "democrático e constitucional"?

sábado, 3 de novembro de 2012

Ai que estão a ir às penas dos “papagaios”...

De acordo com o Orçamento de Estado, as pensões vão ser cortadas em 2013. A redução será de 3,5% para pensões entre 1.350 euros e os 1.800 euros brutos. Acima deste valor e até 3.750 euros, a redução será progressiva até atingir 10%. Já quem recebe uma pensão superior a 3.750 euros brutos terá um corte de 10% ao que se soma mais uma redução de 15% sobre o valor que excede os 3.750 e os 5.030 euros e de 40% sobre o valor que excede este último e os 7.545 euros.

Talvez assim se perceba porque andam aí muitos “papagaios”, em todos os tempos de antena e programas televisivos da treta, a dar ao rabo. É que desta vez, também lhes vão tocar, e parece que bem fundo.

O que não me parece bem é andarem a instrumentalizar aqueles que não vão ter cortes, (todos os que têm pensões abaixo dos 1 350 euros e que são cerca de 80% dos pensionistas), com a ajuda de “jornalistas” e órgãos de informação que só estão interessados em lançar a confusão através daquilo que referem como audiências.

A lista de alguns "figurões" aqui fica (poderia referir muitos mais), sobretudo os tais “papagaios”, que mais não fazem que defender o seu próprio rabo.

Isto são valores mensais:

- Mário Soares – 40 000

- Cavaco Silva – 11 700

- Eduardo Catroga – 9 700

- Alberto João Jardim – 7 900

- Almeida Santos – 4 400

- Manuel Alegre – 3 200

- Zita Seabra – 3 000

- Marques Mendes – 2 900

- Helena Roseta – 2 800

- Ferreira Leite – 2 700

- Jorge Coelho – 2 400

- Ângelo Correia – 2 200

- Armando Vara – 2 000 (tadinho...)

- António Vitorino – 2 000

- Dias Loureiro – 1 700 (coitado...)

Oh "coelhinho", se não arranjas um regime de excepção para as "aves falantes", se os gajos te apanham, até te tiram a pele!!!

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

pequenas memórias (1)

Para mim o dia de todos os santos estará sempre ligado àquele longínquo primeiro dia de Novembro de 1966. E sempre que a data chega, não consigo deixar de a recordar.

Diga-se, previamente, que eu era por esses tempos, catraio de 9 anos de idade, e o dia dos santos, era assim que o denominávamos, só mais tarde é que vim a saber que pertencia a todos, era desejado pela gaiatada da aldeia com muitos dias de antecedência.

Nessa data, quase de madrugada, para sermos os primeiros a chegar, juntávamo-nos em pequenos grupos, para a “esmola” dar para todos, e lá íamos nós, bolsa a tiracolo, de porta em porta, pedir os santinhos. Nesse ano, lá fui na companhia de mais duas amigas mais ou menos da minha idade.

Era assim que percorríamos toda a Abegôa (aldeia do concelho de Marvão) e seus arredores, aceitando tudo o que nos davam, que ia das nozes às romãs; do rebuçado de meia-tostão às bolinhas de chocolate tipo joaninha; um tostão, quando muito dois, porque os jovens paroquianos eram muitos e o dinheiro já naquela época não abundava; mas também uns copitos de jeropiga, licor, ou aguardente “frôxa”, já que essa léria dos menores não poderem beber bebidas com espírito ainda estava para ser engendrada, e a data era mesmo para festejar aqueles que tinham alma grande, então venha de lá um copito que, só um, não há-de fazer mal.

Só que, copito aqui copito ali, chegava-se ao fim do dia, e a “carga”, que não era só das diversas dádivas que enchiam a bolsa, lá começava a tombar, e era aí que, muitas vezes, as “doçuras” descambavam para as “travessuras”.

Foi assim, que nessa tarde, eu e as outras duas santinhas, não sei se por retaliação a alguma doçura mais amarga, ou fruto de algum exagero das tais espirituosas, ou ainda quem sabe, fruto da maldade típica das crianças que éramos, que sem se saber lá muito bem porquê, desatámos à pedrada à canalização, quase megalítica, que ligava a fonte ao tanque da ti Jaquina do Mané Pedro! E daí à sua demolição, foi um instante.

Não deve ter sido muito difícil, à proprietária, deslindar os autores da façanha destruidora, pois na manhã seguinte, a dita, apresentou-se em minha casa dando conta a minha mãe dos acontecimentos da véspera.

As consequências, não se fizeram tardar com umas boas “orelhadas” correctivas, e a proibição de voltar, nos próximos tempos, à propriedade da vizinha Jaquina, onde eu tanto gostava de ir para brincar com o seu neto Jaquim Manel.

O período de interdição de voltar ao “local do crime” perdurou por diversos anos e, a partir daí, o nosso parque de diversão infantil passou a ser em campo neutro, a casa da ti Júlia. Ambos ficámos a ganhar!

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Há que mudar de vida (1)

As Dívidas

“Em 1995, só 4 países tinham dívidas mais baixas do que o nosso país. Em 2000, Portugal tinha das dívidas mais baixas; só 3 países (Irlanda, Reino Unido e Finlândia) tinham valores inferiores. Entre 1995 e 2000, Portugal manteve uma dívida pública, em percentagem do PIB, substancialmente inferior à média da Europa. O grande salto para o endividamento faz-se no período 2000 a 2008, antes da crise internacional. Em 2008, só 3 países (Grécia, Itália e Bélgica) tinham valores superiores. Nenhum país conheceu neste período maior acréscimo do peso da dívida. Neste período, metade dos países conheceram decréscimos. Tivemos um acréscimo de 42,1% contra uma média de apenas 0,5% em média na Europa."


Podemos dizer que de grosso modo, em Portugal, toda a gente deve! Deve o Estado (central, regional e local), devem as Empresas, devem as Instituições, devem as famílias e devem todos os portugueses.

Mesmo aqueles que afirmam a pés juntos que não devem nada a ninguém, estão enganados, e é bom que disso se consciencializem. Quer queiram, quer não, só através da Divida Pública, cada português deve cerca de 18 000 mil euros. O que quer dizer, só através nesta rubrica, uma família de 4 pessoas deve cerca de 72 000 euros a “alguém”, ou seja quase 15 000 mil contos. O preço de uma casa modesta de família (mais tarde explicarei o porquê desta comparação).

Em relação a esta dívida, diariamente, ouvimos discussões e acusações sobre de quem é a responsabilidade da dita. O Partido Socialista diz que é dos governos do PSD e do CDS; o PSD diz que é o dos governos do PS. Há quem diga que é do Passos Coelho; mas este diz que é do Sócrates; o Sócrates dizia que a culpa era do Santana e do Barroso; mas estes culpavam o Guterres, porque nem sabia fazer uma conta de percentagem; há ainda quem diga, que o pai da coisa (o monstro) foi o Cavaco; mas não se esqueçam, que o dito, governou a seguir a duas intervenções do FMI (sinal que as coisas não estariam muito famosas); Soares também não pode ser ilibado (embora ele já se tenha esquecido); e mesmo o PCP também terá tido a sua cota de responsabilidade governativa, nomeadamente, entre 1974 e 1975 (para além de outras, tão ou mais graves).

No entanto, e como podemos verificar na Figura 1, a “escada é uniforme”, isto é, sempre a subir progressivamente, e desafio qualquer analista a ser capaz de defender qual dos supra citados está ilibado, ou se alguma personalidade ou partido foi capaz de inverter esta tendência. E mais, se alguém é capaz de observar alguma diferença em relação a este período de tempo em análise.

Por isso meus amigos, quer queiramos ou não, «a dívida pública» é um problema de todos, e não vale a pena andarmos a apontar responsabilidades. A não ser para fazermos “julgamentos à séria” (não apenas políticos), destes protagonistas. Aí contem comigo.

Figura 1 – Evolução da Dívida Pública em Portugal em milhares de milhões de euros.
Fonte: Pordata


Para termos mais a noção do problema em que estamos metidos, em média a Dívida Pública, aumentou desde 1974 cerca de 5 000 milhões de euros todos os anos e, estará por esta altura com um valor “total provável” de pelo menos 180 000 milhões de euros, pela qual pagaremos em 2012, cerca de 8 000 milhões de juros.

Perguntar-se-á por esta altura, de onde veio então este dinheiro que o Estado não tinha mas gastou? A resposta é: recorreu a empréstimos em nome de todos nós.

Como inverter esta situação, é um desafio que não parece nada fácil. Claro que o objectivo nunca será uma reversão total da dívida. Tal, em minha opinião, é impossível. Mas a situação a que chegámos, e de que todos temos responsabilidade é insustentável, sobretudo, porque quem nos foi emprestando dinheiro parece que não quer continuar a fazê-lo, e aqui é que a “porca torce o rabo”.

Em minha opinião, é fundamental que a maioria dos portugueses tenha noção desta situação. Os nossos governantes deveriam perder algum do seu tempo a explicá-la de uma forma simples, para que, cada um de nós pudesse fazer algo que contribuísse para a solução, e não para o problema. Se não formos capaz de o fazer, andaremos de resgate em resgate, até ao resgate final. E claro, haverá sempre aqueles que defenderão que “dever não é problema...”.

Sobretudo enquanto não tivermos de pagar, e nos emprestarem, digo eu!

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Louco amor: Da ficção com a realidade ao lado...

Provavelmente será novidade, para alguns dos meus amigos, vir aqui enunciar que sou simpatizante e, até seguidor, de algumas Telenovelas, e ainda por cima da TVI. Se é para "sofrer", temos que ir ao fundo da coisa.

Felizmente que, as novas tecnologias do vídeo, permitem-nos, mediante a opção “gravação”, não estar a papar com aqueles longos minutos de publicidade a altas horas da noite, senão, a agrura ainda seria maior, e assim, nas calmas, no dia seguinte, a uma hora morta e quando muito bem me apetece, é possível ver um episódio seguido, ou mesmo vários. E olhem, para andar nos copos, ou, noutros agraves, antes isto!

Foi assim que, nos últimos meses, fui vendo a dita «Louco Amor» que passa na TVI. Neste caso, estimulado ainda, pela curiosidade de ver os cenários gravados na nossa região, mais propriamente, na vila judaica de Castelo de Vide.

Como todos sabem, a “Estória” de uma Telenovela é o somatório de muitas “estorietas”, mais ou menos encadeadas, e baseadas sempre nos mesmos fundamentos: intrigas, paixões, rivalidades, segredos, mentiras, amores impossíveis, etc., etc.; tão do agrado do género humano, e de quem não está para pensar muito após um dia de trabalho.

Esta não foge à regra. Embora o que aqui me traga, no fundamental deste Post, seja algo que venho observando e seguindo, e que se prende com “um certo “negócio obscuro em que se vê envolvida a Quinta dos Castanheiros situada em Castelo de Vide”.

Ora o que tenho vindo a constatar na evolução dessa “estorieta”, é uma argumentação do tipo “déjà vu” ficcionada; mas com uma história análoga e verídica, que tem sido realidade nos últimos tempos no concelho de Marvão, refiro-me, concretamente, à aquisição e isolamento por vedações de vastas áreas de terrenos, para negócios que ninguém sabe, ou só alguns sabem, o que daí advirá. Tal como o que se conta em «Louco Amor»!

Vejamos então algumas analogias que aí tenho encontrado, e para as quais chamo o vosso reparo:

- Aquisição de terrenos através de mediadores indígenas;

- Utilização de capital estrangeiro;

- Engodo à população que é para uma fábrica, e que o investimento levará à criação de emprego na região;

- Vedações ilegais, vigilância e alta segurança;

- Não cumprimento da legislação municipal e de área protegida de Parque Natural;

- Movimentação de terras sem consentimento;

- É para exploração das “pedras locais”, com descaracterização e poluição do subsolo;

- Possíveis actos de corrupção das autoridades locais (na ficção);

Só me falta daqui a dias ver, que o que está em causa é a exploração de Xenótimo, ou qualquer outro mineral raro para ecrãs vídeo! Se assim for, a TVI tem-me à perna, por apropriação de direitos de autor. Querem lá ver que ainda vou também ganhar algum, com a história das vedações...

Nota: Oxalá, no real, não apareçam algumas vítimas de sangue, como parece ser o caso na ficção!

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Perguntar não ofende...

Existe na CM de Marvão uma situação que me vem deixando intrigado, e que não vi no passado nem no presente, alguém questionar o porquê, nomeadamente a Oposição, tanto na Vereação como na Assembleia Municipal.

A CM de Marvão, de acordo com a Acta da sua última Reunião, possui um Saldo de Tesouraria que ronda os 3 milhões de euros (2, 8 milhões), como se pode verificar no Quadro 1. Este valor representa, aproximadamente, 40% do Orçamento total da autarquia para 1 ano.

Quadro 1 - Resumo de Tesouraria da CM de Marvão em Outubro 2012

Fonte: Acta da CM de Marvão

Convém ainda esclarecer, que este valor não é circunstancial (devido a um qualquer recebimento ocasional), já que esse saldo no presente ano (10 meses), teve uma Média superior a 2, 2 milhões, como se pode verificar no Quadro 2. E para melhor fundamentar o que acabo de referir, há mais de 2 anos que a média desse valor é superior a 1,5 milhões de euros.


Esta situação poderia até ser considerada muito positiva, pois nos tempos que correm, ter uma Instituição com este desafogo financeiro, representa muito “juízo” por parte dos actuais dirigentes, e pode representar uma “mais-valia” para os tempos que se avizinham.

Mas numa Autarquia sem dívidas, como faz questão de ser sempre reafirmado pelo Presidente (confirmado pela análise aos Relatórios de Contas), sem conhecimento público de um qualquer grande Projecto para o próximo ano, e sabendo-se que se aproxima um período eleitoral para o próximo ano, convém questionar e alertar o seguinte:

- Que pretende o Executivo fazer com estas verbas?

- Elas irão manter as médias até ao próximo acto eleitoral? Ou irão ser gastas em “obrinhas” de última hora para contentar clientela, conquistar votos de ocasião e desfrutar de armas desiguais da concorrência?

- Poderão ficar estas verbas de “alicerce” para um próximo executivo, para não se verificar aquilo de que se queixou Vítor Frutuoso em 2005, de ter encontrado os cofres vazios e uma grave crise financeira?

As perguntas aqui ficam para quem tem a responsabilidade, nos órgãos próprios, questionar os dirigentes. Depois não se queixem!

Eu, enquanto cidadão, vou ficar atento ao desenvolvimento, tanto do executivo como daqueles que se dizem seus opositores.

sábado, 20 de outubro de 2012

Procura-se...




Fiquei a saber ontem, numa tertúlia de amigos, que a Oposição em Marvão ao actual presidente da câmara Vítor Frutuoso, procura envidar esforços de forma a encontrar uma alternativa única, forte e credível, para as próximas eleições autárquicas de 2013.

Felicito-os por tal. Após 8 anos de poder, o actual executivo em Marvão, começa a "cheirar a mofo" (para não usar outra adjectivação), muito diferente, na sua prática, daquele sadio Projecto e lufada de ar fresco iniciado em 2005.

Uma democracia forte precisa de alternativas e alternâncias, assim como precisa de crítica e de vigia aos seus actores, que sem elas, se podem tornar em pequenos déspotas e democratas de “meia-tigela”.

Dois mandatos deveria ser a regra para o exercício de cargos públicos. Mais que isto, e com o fraco exercício dos nossos órgãos reguladores, é entrar em territórios muito perigosos, como aqueles que todos nós vimos verificando, seja no concelho, seja no país.

Fiquei no entanto algo desapontado com alguns “perfis ideais” traçados para os possíveis candidatos que se pretendem apresentar como alternativa, e que parecem ter que obedecer a alguns dos seguintes parâmetros:

Alguém que venha de fora para não se conhecerem os defeitos; alguém de quem não se possa dizer mal; o que interessa é a personalidade imaculada; que seja alguém tipo “expert”;alguém acrítico e que não se tenha envolvido em conflitos com o actual executivo; e, porque a Mudança é sempre positiva, etc., etc.

E eu a questionar-me:

Mas qual será o Projecto? Será que mais uma vez o que interessa é o “figurão”? O facto de não ser do meio é sinonimo de qualidade? Só interessa o “chefe”, os restantes até podem não saber ler ou escrever? E o que é que já fez pelo concelho até agora? Mudar só para mudar, e se for para pior?....

Por mim, de figuras cinzentas, já chegam as que temos. O que Marvão precisa é de pessoas que conheçam o concelho, as suas gentes, e os seus costumes; que saiba o nome dos marvanenses dos Alvarrões ao Pereiro e dos Galegos ao Vale de Ródão; que queira trabalhar em equipa, que considere as pessoas acima das obras, que saiba ouvir mais do que falar; que saiba estar presente nos bons e maus momentos; que não utilize o “eu” quando se refere ao trabalho de todos; que saiba que qualquer homem isolado é uma ilha, e o conjunto é sempre superior à soma das partes; que não ponha os seus negócios à frente dos interesses da comunidade; que não olhe para os do seu "partido" como imaculados e para os outros como inimigos; alguém que seja simples e não um megalómano; que respeite o movimento associativo, que trate todos por igual e com respeito, em vez de nomear comissários políticos; que utilize os recursos para melhorar a vida dos marvanenses, e não para servir os amigos ou correligionários; que saiba que está no lugar para servir os marvanenses e não para se servir deles...

E mais não digo, porque já disse muito!

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Onde andam os ingleses?

Diz-se que Portugal e a Inglaterra possuem a mais antiga aliança diplomática do mundo entre Estados. Data de 1386 o “Tratado de Windsor”, mas há quem diga, que ele foi firmado já em cima de um outro que vinha de 1294.

Este Tratado, com algumas adaptações, ainda válido, “estabelece um pacto de apoio mútuo entre Portugal e Inglaterra”.

À sombra deste Tratado, ao longo da história, pôde Portugal desfrutar da «nobre protecção» do reino de sua majestade, sempre que este “rectangulozinho” foi ameaçado, ou posto em causa, na sua independência por hostilidades ou inimizades de potências exteriores. Livraram-nos assim os amigos ingleses, sucessivamente, de Castela (1383-1411), dos Habsburgos (1640-1668), de Napoleão (1806-1810), dos Alemães (1914-1918).

Talvez não fosse má ideia, nos tempos que correm, invocar essa velha Aliança, para que “os bifes” nos venham salvar mais uma vez, da terrível ameaça “Troicana”, e devolver a independência nacional a estes velhos amigalhaços

Entretanto, avisamos desde já, que desta vez não poderemos pagar os vossos favores com as nossas cortiças, porque os sobreiros deu-lhes a filoxera; nem com sal, porque o oceano anda muito poluído e a ASAE fiscaliza tudo; azeites já não temos, porque a CEE obrigou-nos a arrancar as oliveiras; os vinhos (do Porto e outros), precisamos deles para nosso consumo; os metais preciosos, já não vêm do Brasil; tecidos e tapeçarias indianas da mais alta qualidade, agora só temos dos chineses; a pimenta, o cravo-da-índia, a canela, a cochonilha, o ébano, e a noz-moscada, estão em desuso; o/a benjoim já pouco se aplica, pois os perfumes agora têm outros aromas da moda; as porcelanas chinesas usam mão-de-obra infantil; e quanto aos dentes de elefante, agora estão proibidos pela protectora dos animais.

Convém ainda referir, para não vos enganarmos, que já não temos para saque ou rapto a “Nau Madre de Deus” (o maior navio do mundo do seu tempo), porque vocês já nos a roubaram em 1592, juntamente com aquele Documento impresso em Macau em 1590, e que continha toda a informação preciosa sobre o comércio português na China e no Japão e que, vos permitiu, roubar-nos esse negócio de seguida; Da Ammaia? Só se levarem alguns pedregulhos que por lá abundam, pois as 3 dezenas de estátuas romanas já vocês levaram em 1810; e nem tão pouco o Mapa cor-de-rosa já é nosso, por isso escusam de nos fazer qualquer Ultimato.

Mas se mesmo assim nos quiserem resgatar, a malta agradece e oferece um pouco do nosso sol, porque os Alemães, parece que não o merecem!

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Hipócrates ou hipocrisia...

 Não deixa de ser estranho que, numa altura de recessão e de cortes salariais, que o governo através do ministro de saúde Paulo Macedo, consiga um acordo de “Carreira” com os poderosos sindicatos dos doutores médicos, que implica uma brutal valorização salarial de mais de 30%.

Ficou-se a saber hoje, que um qualquer doutor médico, que na anterior carreira iniciava a profissão com um salário a rondar os 1 800 euros/mês (mais 600 que qualquer outro licenciado); passa através deste acordo, para cerca de 2 700 euros/mês.

Um aumento de 900 euros/mês!!! Isto é mesmo “gente” de outra estirpe...

Bem pode o ministro justificar que, este aumento, implica que os ditos senhores doutores médicos passem de um horário de 35 horas semanais para 40 horas. Pois se fizermos umas meras contas de dividir podemos verificar que mesmo assim, por cada hora existe um aumento nominal de 16 euros/hora (67,5 – 51,5).  BRUTAL!

Se um dos problemas da saúde em Portugal fosse a falta de médicos, como nos querem continuar a fazer crer, quando todas as estatísticas dizem o contrário, aceito que se pagasse por exemplo 55 euros/hora aos ditos. Que, nesse caso, para merecerem os 2 700, deveriam fazer pelo menos 50 horas/semana (2 700 euros/55 euros).

Todos ficariam a ganhar: os utentes do SNS, que passariam a ter mais disponibilidade dos “seus” médicos; e os tais doutores médicos, que passariam a ganhar mais 900 euros/mês, cerca de 4 euros a mais em cada hora, do que ganham actualmente. 

E isto é para o inicio das carreiras, faço ideia como será nas outras categorias!!!

Comparando com outros licenciados na Administração Pública, também em início de carreira, estes não vão além de 34 euros/hora (1 200 euros/mês). E no caso dos Enfermeiros (licenciados de 2ª), o preço/hora é apenas 29 euros (1 020 euros/mês), isto quando não lhe pagam através de “empresas de escravos”, uns míseros 4 euros/hora.

Felizmente que existe ministro das finanças, e a este BRUTAL aumento salarial de 900 euros/mês dos doutores médicos, irá sacar-lhe pelo menos 300, através do aumento do escalão do IRS. Digamos que, e neste caso, ainda bem que o Gaspar não dorme...  

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Siga a balhação...

Dizer muito em poucas palavras, por Rui Rocha. Roubado daqui:


"O PS matou o país. Agora, passa o dia no cemitério a berrar que estamos órfãos. O CDS chora muito. O Bloco de Esquerda e o PCP tornaram-se místicos e falam-nos de uma vida para além da morte. O CDS chora muito. O PSD diz que quer ressuscitar o morto dando-lhe porrada. O CDS continua a chorar."

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

As iludências, às vezes aparudem...


“Ele há por aí uns coveiros tão eficazes, tão eficazes, que pedem a ajuda para abrir as covas, àqueles que nelas se irão enterrar...”

Penso que, se outro mérito este Governo não vier a ter, o facto de ter vindo a consciencializar a maioria dos portugueses, de que a política económico-financeira que vinha sendo seguida nas últimas duas décadas (pelo menos), não poderia continuar, e teria que ser no mínimo contida,ou até mesmo invertida.

De uma forma muito simplista, já expliquei aqui, o problema geral. Um país que:

- Consome mais do que produz de uma forma continuada;

- Em que o sector estado gasta 50% da sua produção;

- Recebeu de fundos comunitários (a fundos perdidos), nos últimos 20 anos, milhares de milhões de escudos e euros, para modernizar a sua economia; e os gastou, sobretudo em alcatrão, imobiliário, rotundas, carros de luxo; esquecendo a agricultura, o mar e a indústria;

- Mesmo assim se endivida a uma média de 5%, nos últimos 40 anos; e uma média de 10% nos últimos 6 anos;

- Em 30 anos precisa de pedir ajuda externa por 3 vezes: 1977, 1983 e 2011.

- Tem uma democracia paupérrima, sem quaisquer meios de controlo dos eleitos pelos eleitores; considerado o 3º mais corrupto da Europa;

- Os eleitores preferem ser enganados nas campanhas eleitorais, já que, se algum Partido ousasse dizer a verdade, jamais seria eleito.

É certamente um país a precisar de mudar de vida.

Uma das medidas consideradas fundamentais, exigidas pela Troika e aceite por quem assinou o acordo, era a de se diminuir “despesa no estado” (o tal que leva 50% do que produzimos), sobretudo a supérflua, “as tais gorduras”, a que permitiria diminuir custos, com o menor prejuízo das pessoas.

O primeiro problema é que das “gorduras” vive muita gente (pessoas), e não são propriamente os “mais fracos”. E mesmo que se levasse a sério esta medida, seriam precisos, em minha opinião, pelo menos 4 ou 5 anos para se verem os resultados.

Ora a exigência era que fosse de imediato. Para quem está de fora (a Troika), quer lá saber a quem se corta. O importante é que se atinja o objectivo estabelecido (que se corte).

Que fez então o Governo? O costume: Lançou mão do aumento de impostos, os de resultados mais imediatos: IVA; e para fazer face a um “buraco” que disseram encontrar dos seus antecessores, vai ½ subsídio de Natal em 2011.

E como a malta não fez grandes ondas, e malhar na função pública está na moda, nada melhor que multiplicar por 4, não pagar 2 meses em 2012, e dizer que se “diminuiu a despesa” do Estado em Portugal! E quanto às tais “gorduras”, lá se foram esquecendo, que os ministros comem muito queijo.

Só que às vezes, sem se saber muito bem porquê, existem Instituições em Portugal que gostam de complicar. Foi o caso do Tribunal Constitucional, que se lembrou de dizer, que o dito corte, era inconstitucional, e entornou o caldo todo, e, pôs o Governo á nora.

Foi aí que o Gaspar pensou ser "criativo":

- Ora se o que eu pretendo é sacar o quantitativo de 2 meses aos trabalhadores do Estado, cujo patrão sou eu, mas não lhos posso tirar só a eles, vou tirar a todos, estado e privados. Aos privados, os patrões que se decidam: fiquem com eles, ou devolvam; desde que na Segurança Social entre o mesmo. Eu, enquanto “patrão estado”, vou ficar com a “massa” dos meus, isto é, não lhes vou pagar! E assim, diminuir a dita despesa do estado naquilo que já tinha previsto anteriormente.

E assim surge o imbróglio da TSU (1 subsídio). O resto virá por acerto no IRS.

Só que existem por aí uns fregueses, que com nada se contentam, e logo vieram reclamar que esta medida é um ROUBO (e naturalmente é). E vai de convocarem, sem excepção, toda a freguesia para reclamar: - Que por aí não, que o povo não aguenta mais e, “o povo unido nunca será vencido”.

E foram tantos, que o Governo se assustou, e alguns “ratos” vieram logo pôr o focinho de fora, para ver se o tempo estava propício para abandonarem o barco: parece que ainda não estava!

Está agora o Governo com a “batata quente” entre mãos, mas tenho a certeza, que como de costume, quem se lixa vai ser o mexilhão. Em minha opinião, vão optar por uma de duas medidas:

- Ou existe a coragem de descontar 7% a todos (embora ao Gaspar só os FP interesse); e toda a gente que trabalha vai sentir;

- Ou no próximo ano, os Funcionários Contratados na Função Pública não verão os Contratos renovados, e irão a caminho da rua. Aí, só esses cerca de 80 000 o sentirão.

Consta que uma delas será aplicada, e os tais da Troika, não perdoam. Até parece que as verbas dispendidas pelo Estado nestas duas rubricas, são muito idênticas.

Não me admira por isso, que muitos dos bem-intencionados Manifestantes do dia 15/9/2012, tenham sido alguns daqueles que virão a ser as grandes vítimas dos argumentos e slogans gritados no último sábado. E mais não digo, para não ser socialmente incorrecto, mas tem a ver com o pensamento que expresso, no início deste artigo...

Eu enquanto cidadão, se tiver que ser, e me dessem a escolher, preferia a primeira. Parece ser mais solidária e até altruísta: Manter algum emprego, e não aumentar o já insuportável e injusto desemprego.

Oxalá eu esteja enganado...

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades...

Mais uma do "salta-pocinhas", quando se brinca com um povo de fraca memória, retirada daqui:

"Tenho felizmente boa memória. Lembro-me portanto da revisão constitucional de 1982 que na prática retirou o semipresidencialismo da nossa lei fundamental. Foi uma alteração ad hominem, que transformou uma ocasional maioria parlamentar em arma de arremesso contra o Presidente Ramalho Eanes. Recordo-me também que o principal mentor desta iniciativa foi o então líder do Partido Socialista, Mário Soares. Como retaliação contra o facto de Eanes ter demitido o seu Executivo e dado posse a três sucessivos governos de iniciativa presidencial.

A partir da revisão de 1982, o Presidente deixou de poder demitir o Governo e este passou a ser politicamente responsável apenas perante a Assembleia da República. Foi a maior alteração introduzida à letra e ao espírito da Constituição de 1976 por decisão conjunta do PS de Soares e do PSD, na altura liderado por Francisco Pinto Balsemão. Ambos invocavam, para o efeito, a necessidade de parlamentarização do sistema político português. Não deixa, por isso, de ser irónico que Soares venha agora fazer um apelo público ao Presidente da República para mudar o Governo sem recurso a eleições e formar um novo Executivo.

Exige hoje precisamente o que Eanes fez com ele em 1978. Esquecendo-se já da forma como respondeu a Eanes ao alterar as regras constitucionais, reduzindo drasticamente os poderes do Chefe do Estado. Razão tinha Marx: a História costuma repetir-se, mas como farsa."

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Mais uma para refletir...

Tirado daqui:

Sempre defendi a permanência de Portugal no Euro. Mesmo que à custa de sacrifícios para ultrapassar os erros de política económica dos últimos 15 anos.
Por Camilo Lourenço

Mas na semana passada percebi que não temos mentalidade para lá estar. E que, por isso, o melhor é sair. Assim poderemos voltar a crescer desvalorizando o “novo Escudo” em pelo menos 40% face ao Euro. Isso provocará um disparo da inflação? Sim, mas é a única forma de provocar perdas salariais (reais) de 15 ou 20% para ajustar a economia. Teremos crescimento? Sim, mas à custa de baixos salários (até voltaremos a ter empresas de mão-de-obra barata). Mas nós merecemos!

Estar no Euro implica não gastar mais do que se tem e apostar na produtividade. No primeiro caso para evitar que o Estado se endivide para além do sustentável. No segundo porque só o aumento da produtividade garante aumentos contínuos de salários. O problema é que o país não está preparado para isso. Nem quer aprender. Veja-se quanta gente, nos três partidos do Poder, continua a pedir mais tempo para cumprir o défice. Esquecendo que mais tempo significa mais dívida. E veja-se quanta gente defende aumentos salariais sem crescimentos de produtividade, que só geram défices comerciais brutais e desemprego elevado.

Portugal não tem nem políticos nem cidadãos preparados para estar no Euro. É melhor assumir isso e negociar uma saída ordenada. Daqui a dez anos estaremos arrependidos? Sem dúvida. Mas pode ser que, entretanto, tenhamos dado uma vassourada na miserável classe política que levou o país à falência três vezes em 34 anos. E pode ser que até lá os cidadãos percebam que as desvalorizações da moeda são o caminho mais curto para empobrecer um país.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

II Encontro da Família Bugalhão (21/7/2012)

Era uma vez um moleiro chamado José Bugalhão que nasceu por volta de 1850. Casou com Teresa Gonçalves (Raposo), que terão nascido e residido em Pego Ferreiro – Santo António das Areias...


(Foto de Família dos participantes)


(Os manos: Francisco, Joaquim e João)


(Sobrinha Teresa com ti Emília)


(O Patriarca Francisco)

(Joaquim e Rita: Quase um século os separa)


(Joaquim e os seus 8 filhos)


(As manas Fernanda e Mª Teresa)

(São, Manuela, Tó-Zé, Felismina e Sandra)


Um pouco de ficção e de história, em memória de Francisco Gonçalves Bugalhão (1877 -  1953)
Por joão Bugalhão

Capítulo I

"Janeiro, é por natureza, um mês feio para os urbanos por causa da chuva. Mas um mês fundamental para aqueles que vivem nos campos, e que ainda sabem avaliar os favores do tempo.

Não nos dias que correm, onde as chuvas já pouco importam, mesmo aos rústicos, pois como todos sabemos, o cultivo já teve melhores dias, pelo menos neste país de sol e praia. No entanto, sempre que ocorre um inverno mais seco e uma primavera um pouco solarenga, quando chega o estio, e nos vemos ameaçados com a amofinação de não nos podermos banhar diariamente à grande e à francesa, lá se lembram os das cidades, que talvez não tivesse sido boa ideia terem andado a exaltar, que tinha sido bom o tempo do inverno, só porque não choveu.

Não foi o caso deste ano de 1920, pois que, dos quinze dias que este primeiro mês já leva decorridos, ainda não parou de diluviar. Até parece, que o poder divino se esqueceu de que há pobres que precisam de ganhar o sustento, que não têm uma seara nas costas, que pouco têm com que se cobrir, a não ser, o colmo dos seus casebres à noite, e a copa de alguma árvore durante o dia.

Acordou Teresa, mulher do moleiro, um pouco enjoada, não sabendo se, por noite mal dormida, ou porque terá chegado o dia de parir o ser que em si vem gerando há cerca de nove meses.

Xico, assim se chamava o moleiro do Pego Ferreiro, havia chegado a casa, quando já anoitecia, depois de mais um dia de freguesia, na distribuição dos talêgos de farinha, pelos muitos fregueses por onde haviam passado há duas semanas atrás a recolher o grão, que lhe dera origem.

Como de costume, chegava amontado no seu Macho preferido, que sabia o caminho da casa de cor, trazendo em fila indiana, uns presos aos outros, a sua vasta frota de tires muares. E também como era hábito, era elevada a taxa de alcoolemia que circulava nas suas veias e artérias. Proveito do seu bom trato com muitos dos amigos fregueses, que se orgulhava de ter.

Tivessem os vigias daquela época, efectuado uma daquelas operações de fiscalização e propaganda, tão na moda nos tempos de hoje e, certamente, o moleiro teria que recorrer aos préstimos dos confrades de então do seu vindouro bisneto Mário, senão quisesse ver a sua concessão de condução de machos e mulas confiscada, para além da elevada coima que lhe assentariam.

Sempre o vinho teve nomeada de tornar as pessoas mais inconscientes e belicosas, sobretudo se ingerido em quantidades exageradas, mas não era esse o efeito produzido com o moleiro Xico Bugalhão. Pois, parecia que quanto mais bebia, mais os seus humores pareciam benfeitorizar.

Só que Teresa, diga-se como quase todas as mulheres, sobretudo se de esposas se tratar, é que parecia não estar pelos ajustes. E ainda o moleiro não se havia apeado do seu anjo muar, e já ela irrompia em desmedido pranto, maldizendo e amaldiçoando o precioso néctar, e desejando que este já se tivesse esgotado…, ao que o moleiro respondia com o seu costumeiro humor: eu bem tento… mas, tu não me ajudas!

Mas em simultâneo, talvez guiada por inspiração religiosa matrimonial, lá o ia amparando até junto do lume que sempre crepitava na chaminé, para que este pudesse enxugar, em próprio corpo, a roupa ensopada da rega que tinha apanhado.

Enquanto Teresa e a filha mais velha Joaquina, procediam à acomodação da frota dos tires muares nas respectivas quadras, e ainda mal o moleiro se havia acomodado junto ao lume, já as suas duas filhas mais novas, Marizei e Genoveva a quem chamavam Conceição, se lhe atiravam para o colo, pois já sabiam que aquele serão seria longo e de muitas histórias e cantilenas.

Sabemos hoje que muitas das estórias e cantilenas infantis, mais não são que uma maneira graciosa de nos moldar social e culturalmente e, não raras as vezes, se profere que são verdadeiras e ardis estratégias de instrução sexual. Assim se diz do capuchinho vermelho, da gata borralheira, da branca de neve e sete anões, da carochinha e de outras agora mais hodiernas…

Não podemos extrapolar se seria essa a reflexão pedagógica do moleiro Bugalhão. Tenhamos em conta que eram duros aqueles tempos, tais como os de hoje, em que costumamos dizer que nem tempo temos para nos aliviar de fluidos produzidos pelo organismo ao longo do dia, tal o frenesim em que nos obrigam a viver.

O facto é que quando Teresa, a mãe, e Joaquina, a filha, se preparavam para entrar em casa, depois de cumprida a sua missão de arrumadoras, e sem que lhes tivessem dado qualquer gorjeta, puderam ainda ouvir o final da cantilena com que o moleiro mimoseava as filhas mais novas:

“…encontrei maria a cagar/ p´ra cima de uma travessa/ botê-lhe a capa p´ra cima/ maria caga depressa”…

Ficou Joaquina mais escarlate que o rubro do pendão português, então recentemente criado, e Teresa à beira daquilo a que futuramente se chamaria, um carga de nervos! Tal o baque sofrido por Teresa ao ouvir tal linguajar para as duas inocentes, que desatou novamente no carpido interrompido e vociferando contra a sua desditosa vida: "este homem desgraça-se a ele e a mim…, que não me leva o Senhor, deste mundo, etc., etc.…"

Levou Xico algum tempo a reagir ao aranzel da mulher. Mas, esta última oração parecia-lhe cair mesmo a propósito. Levantou-se, pousando Marizei com todo o afecto sobre o banco em que antes se encontrava sentado, e dirigindo-se à mulher pegou nela ao colo embaraçada e, tropeçando, dirigiu-se para o quarto contíguo, deitando-a sobre a tosca coberta que cobria a enxerga.

Depois, calmamente, dirigiu-se à mesa da sala, onde jaziam dois redentores em poses de via-sacra e, pegando-lhes com o apreço divino que tais estaturas mereciam, foi colocá-los, um de cada lado da mulher, verbalizando: "... vá Teresa, com qual queres ir para o céu? Com este, ou com aquele…? À entrada da porta Joaquina, já uma mulherzinha e as duas petizas, riam às gargalhadas. Viu-se a mulher do moleiro naqueles preparos e ante tal cena, sem se saber muito bem por quê, desatou também a rir…e, de repente sentiu uma dor intensa, como se algo se lhe arrancasse interiormente. Depois dessa, outras se seguiram, cada vez mais violentas.

Não cantarolava já agora o moleiro. Num impulso tinha pegado nos dois cristos e sem saber muito bem o que fazer, como sempre acontece aos homens nestas situações, andava de cá para lá com os ditos nas mãos, talvez, quem sabe, suplicando por uma boa hora…

Valeu-lhe a chegada de sua mãe, Teresa Gonçalves, chamada com urgência por Joaquina. Sempre as mães nos chegam nas horas certas e de apoquentação, sobretudo àqueles, que ainda têm a ventura de as ter.

Pouco faltava para a meia-noite, quando a avó Teresa, conseguiu retirar com vida das entranhas de sua nora, o segundo filho varão do casal de moleiros, que seria o único, pois o primeiro havia falecido da lua entripal, e a partir daí só germinariam filhas: Maria a que todos conheceram por Júlia, Luísa e Emília de uma só vez, e por fim Vicência.

Há horas de sorte na vida, tal como foi o caso da natividade desta criança; o ter nascido viva e sem deixar sequelas em sua ascendente, numa época em que a mortandade infantil e materna, não era aquilo que é hoje, pois quase sempre, o balanço entre vivos e mortos, quase se igualava a zero.

Teve sorte este moço, ao nascer vivo e valente, para as noites de geada e maresia que iria passar no futuro ao relento, certamente influenciado pelas práticas de preparação para o parto usadas por seu pai. Ou talvez, quem sabe, devido a alguma jura feita aos redentores, na hora da aflição.

Está agora ao colo de sua avó Teresa Gonçalves, mulher fumadora e boémia, de quem se diz, frequentar tascas e tabernas da época, para jogar a bago com os competidores masculinos e, claro, beber uns copitos. Onde seu marido, Zé Bugalhão, levava as crianças, que ficava a velar em casa, para que ali mesmo, fossem aleitadas. Pode por agora usufruir esse colo e, simultaneamente, da primeira cantilena que esta lhe vai cantando:

“…ai pirroli, pirroli, pirroli/ ai pirroli, pirroli, pirrolé…/ se não queres chocolate, nem aguardente/ bebes café”.

Um mês após este nascimento, e aquando de mais uma distribuição de farinha pela freguesia, apresentar-se-á, o moleiro, no registo civil de Santo António das Areias, dizendo que lhe nasceu um filho e que se chamará Manuel…"


Capítulo II

"Ao longo dos tempos, sempre se disse que um dos melhores ofícios era o de Cantoneiro. De quem se diz, com maleficência claro, só se verem trabalhar quando alguém passa na estrada, sem nunca se referir, no entanto, se o transeunto se fará transportar de veículo motorizado, ou circule simplesmente gastando as solas dos sapatos ou, montado em animal de quatro patas.

Se de veículo a motor se tratasse, quão bela seria a vida que Xico Bugalhão levaria como Cantoneiro assalariado da autarquia marvanense, seu primeiro ofício,  naquele final de século dezanove de 1895. Pois constava, que há apenas alguns dias havia chegado a Portugal, vindo de terras de França, o primeiro panhard & levassor. Do qual se dizia, que a sua primeira façanha, teria sido a de atropelar um incauto burro, que pastava sossegado nos campos do Alentejo.

Dizia-se ainda que, como lhe não haviam inventado buzina, certamente por isso, não pôde o quadrúpede ser avisado, começando o seu condutor, o senhor conde de avilez, aos gritos de: “arreda…arreda”, só que, não estando o competidor habituado a linguagem tão erudita, não percebeu, o que lhe seria fatal.

Contribuiu este facto, para que antes de tal invenção humana fosse baptizada de automóvel, carro, viatura, auto, popó, carriola, bate-latas, caranguejola, veículo, geringonça, automotor, ripolam, charrueque, calhambeque, carripana, bolinhas, etc., fosse o seu primeiro nome em terras lusitanas, o de “máquina do diabo”. Certamente, por ter atropelado o nobre animal, que no estábulo sagrado havia amornado aquele que seria cognominado como filho de deus dos cristãos, após ter alombado com sua mãe, da Galileia até Belém.

Xico Bugalhão era o segundo filho de José Bugalhão e Teresa Gonçalves (a já referida progenitora que, amamentava os filhos no intervalo de uma jogatana de cartas em plena "tasca"), o qual terá vindo ao mundo em meados dos anos setenta do século XIX. Quis o destino, que o seu primeiro ofício fosse de Cantoneiro de estradas do município, se tal se podia chamar às míseras carreteiras de terra batida que atravessavam o concelho de Marvão naquela época, onde ainda não havia chegado o alcatrão. Matéria preciosíssima no futuro, sobretudo, quando autarcas candidatos pretenderem ganhar eleições, lançando essa massa preta para os olhos dos ingénuos eleitores.

Não se fez velho nesta ocupação o Cantoneiro, pois como já sabemos de episódios anteriores, o seu futuro será o de contribuir para transmutar grão em farinha, do qual se fará muito do pão que matará a fome a estas gentes. Mas não se pense, ter sido por falta de predisposição para o remanso de que este ofício é apelidado, que Xico resolveu mudar de ramo, pois não terá sido esse, o fundamento. Aliás, não terá sido apenas um, mas dois os motivos relevantes a influenciar o processo de tomada de decisão, do futuro moleiro.

O primeiro motivo, já o havíamos aportado em episódios precedentes, que era a circunstância de nunca ter lidado bem com essa situação funcional, que é a de ser-se trabalhador por conta de outrem. Mesmo que esse outrem seja uma entidade abstracta, como é o caso do Estado, seja ele o central, ou o local como era a circunstância.

E bem podemos afirmar que esta imaterialidade, nunca terá tido uma aplicação tão adequada já que, há mais de um mês, os representantes locais marvanenses desse Estado, logo, os patrões do futuro moleiro, haviam abandonado as suas funções e responsabilidades, para as quais haviam sido “meio-escolhidos” “meio-nomeados”, e tinham ido às suas vidas, despedindo-se à espanhola, pois o governo regenerador do ribeiro, por decreto, os havia mandado às urtigas sem outra justificação que não fosse, a de os considerar incapazes, e meros gastadores dos poucos dízimos gerados por uma gente de desventurados e pelintras.

Para além desses predicados que o regenerador ribeiro utilizou, para destituir a legítima vereação municipal do magalhães, e extinguir concomitantemente o concelho de Marvão, integrando-o no de Castelo de Vide; dizia-se por estas bandas, à boca-pequena, que estes haviam sido ainda burlados pela oposição progressista do frenético (frederico) laranjo, ao prometer-lhes que estivessem sossegados em suas casas, que não levantassem ondas e, mantivessem na ordem as ingénuas e boas gentes marvanenses, que ele se encarregaria de os incluir na vereação futura do município castelovidense, logo que o seu partido ocupasse, por rotatividade, o poleiro da vila judaica. Só que tal nunca veio a suceder, porquanto os regeneradores, no poder, não estavam para aí virados, e como de costume, não cumpriam o acordado com o citrino.

O segundo motivo, tinha razões mais objectivas e menos filosóficas. Tinha pois a ver com uma das maiores pragas sociais de sempre desde que o mundo é mundo, ou pelo menos, desde que os romanos haviam passado a pagar aos seus colaboradores em sal, os serviços por estes prestados, denominando pomposamente, tal facto, de “salarium argentum”. Termo esse, que viria a ser reduzido pelos portugueses, abreviadamente, para salário.

E no reduzir é que estava o problema. Aliás, nem era bem o reduzir, até se poderia afirmar, com mais propriedade, que seria o reduzir à fórmula ínfima, isto matematicamente falando, e, o termo exacto era suprimir.

E com salários suprimidos, ou melhor, como se dizia por ali, jornas em atraso, já o Cantoneiro Xico Bugalhão leva quase cinco meses, sem que lhe seja dado a ver a cor do dinheiro para as sopas. Julho, Agosto e Setembro, quando o empregador ainda era o município de Marvão. Outubro e o que resta do mês de Novembro, cujas responsabilidades têm que ser imputadas aos de Castelo de Vide; que, apesar de se andarem por aí a gabar em discursos pacóvios, como foi o caso do pinto sequeira, o de ter sido um grande melhoramento a integração do concelho vizinho, o facto é, que continuou a não cumprir com as suas mais elementares obrigações, como seja as de pagar o tal salarium argentum aos seus empregados. Apesar de ter retirado dos cofres da Câmara de Marvão a quantia de um conto de réis, quantia que, naquela época, seria mais do que suficiente para saldar as jornas com esta gente trabalhadora.

Como já foi contado, andaríamos por essa altura, em meados do mês de todos os santos, menos o de são receber. E o Cantoneiro Xico, com outro seu camarada de ofício, estavam a endireitar as suas cruzes, depois de terem debelado, mais uma das valetas feitas pelas chuvas, na carreteira entre a Portagem e a sede do finado concelho de Marvão, perto do lugar das Ferrarias, quando repararam, que se acercava deles um grupo com cerca de uma dezena de cavaleiros a trote em suas cavalgaduras.

Arrazoavam alto, quase aos berros, com uma pronúncia estranha de ilhéus, e puderam os dois marvanenses ouvir claramente, um dos valetes a dizer para o do cavalo baio, de que não havia mesmo qualquer dúvida, que estes marvanenses estavam mesmo satisfeitos por pertencerem ao concelho de Castelo de Vide, e que tal como ele havia referido, para que constasse nos tempos futuros, tudo corria na melhor ordem e sossego. Bastava ver a consideração que revelaram estes dois trabalhadores, que até se puseram em sentido, assim que nos viram aproximar.

Ao ouvir tal arengo, questionou Xico Bugalhão o seu camarada, sobre quem seriam tais figurões? E o que fariam por estas terras esquecidas?

Ao que aquele respondeu:

- Atã…ò Xique, sã os nossos noves patrõs. Aquele éi o presedente da cambra de castel`vide, ô sequêra da costa, …e o papagai falante éi o secretare d`ele, andão nas elêçõs. Mas…os mal creadons, nein nôs desserem bom dîia, nein tã pouque q’ando nos pagavão…

Está agora Xico Bugalhão, ainda com a picareta na mão, olhando os facínoras judeus a afastarem-se velozmente.

As palavras do seu consorte de desventura, começaram a revoltar-lhe as entranhas e, atirando o seu utensílio de trabalho, violentamente contra a sebe, lá foi andando e dando conta de sua deliberação, para que também constasse em tempos futuros:

- A partir desse dia, não trabalharia durante toda a sua vida, para mais cabrão nenhum, nem que tivesse que expirar à fome…arre cos pariu!

(e assim cumpriu até final dos seus dias...)

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Uma sonda pelas "nalgas adentro"...

Enfermagem ou limpeza, o preço à hora é quase o mesmo

Como se pode ler aqui, "... os enfermeiros que aceitem trabalhar nos Centros de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, receberão apenas mais uns cêntimos do que um empregado de limpeza."

Não se trata de qualquer depreciação a quem trabalha em limpezas, actividades tão dignas como qualquer outra, mas antes, a vergonha a que chegaram alguns empresários da treta. Com um Estado que devia regular a nada fazer, e, ainda incentivar; numa área que deveria ser considerada “nobre”: os cuidados de saúde!

Contra esta rebaldaria, só me apetece alvitrar uma coisa a todos os Enfermeiros. Cada vez que um dos responsáveis por estes malefícios precisem dos vossos cuidados, programem uma das seguintes actividades:

- Algaliem-nos, passando primeiramente a algália (em vez de gel anestésico), por areia fina (em alternativa sal grosso);
- Ou como diz o Ricardo Araújo Pereira, metam-lhes uma sonda anal pelas "nalgas adentro"!

quarta-feira, 13 de junho de 2012

2º GRANDE ENCONTRO DA FAMÍLIA BUGALHÃO

Via facebook do Luís:


"Boas tardes caras e caros familiares Bugalhão.

Como sabeis, no próximo dia 21JUL12, Sábado, pelas 13.00-13.30, terá lugar o 2º GRANDE ENCONTRO DA FAMÍLIA BUGALHÃO. Assim sendo, publico agora as informações e os procedimentos a levar a cabo para efectivar o evento:

1. Ementa (Restaurante "O Sever")

- Couvert: queijo de Nisa, salada de grão com bacalhau, ovinhos mexidos com farinheira;
- Sopa de hortaliça;
- Bacalhau à casa;
- Bochechinhas assadas no forno com batata assada e grelos salteados;
- Pudim da casa;
- Vinho regional, cerveja, refrigerantes, água, café, ginjinha e amarelinha;

Preços: € 20,00 Adultos; € 10,00 Crianças entre os 7 e os 11 anos (inclusive); Grátis – Crianças até aos 6 anos (inclusive).

2. Lembrança:
Tal como no ano passado, haverá uma lembrança para marcar a data (será novamente um íman para o frigorífico). Contudo, não faz muito sentido que uma família com 4 elementos fique com (e pague) 4 ímanes iguais. Assim, quando vos inscreverdes, para além do número de pessoas, dos nomes e das idades de cada uma, solicito que indiqueis quantas lembranças quereis, ou se não quereis nenhuma. O preço é de € 1,00.;

3. Podereis enviar as inscrições para luisbugalhao@gmail.com, ou publicá-la aqui no grupo. O meu telemóvel é 918 132 918, para alguma dúvida;

4. Quando vos inscreverdes devereis proceder ao pagamento do valor correspondente, através de transferência bancária para o seguinte NIB: 0018 0000 3577 8465 001 98

É opcional, mas se puderdes enviar-me um mail a notificar-me dessa transferência, facilitar-me-á o trabalho de compilação das inscrições e pagamentos.

5. Muito importante: as inscrições devem ser feitas até ao dia 08JUL12, Domingo. Após essa data só casos especiais serão considerados (peço compreensão para o cumprimento deste prazo, pois deveremos dar os dados ao restaurante e à artesã que faz as lembranças com essa antecedência);

6. Não haverá convites personalizados, à semelhança do ano passado, portanto, toca a passar palavra para os que não têm facebook.

7. Finalmente, envio um grande abraço a todos, mas um especial à Sandra Bugalhão Páscoa, à Conceição Bugalhão e ao João Bugalhão pela ajuda que me têm dado na organização. Não sou eu o festeiro: tem sido esta comissão de festas.

É tudo (e já é muito). Cordiais cumprimentos, Viva a Família Bugalhão!...

e até 21JUL12.

TA - Ilustro esta publicação com algumas das nossas matriarcas. A do centro, a Ti' Júlia, deixou-nos este ano... é uma pequena homenagem que lhe faço. Ela também estará connosco este ano."



quinta-feira, 7 de junho de 2012

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Alguma Lucidez...

Entre tanta cegueira, vales-nos tu Ricardo, com a tua lucidez!