sábado, 20 de outubro de 2012

Procura-se...




Fiquei a saber ontem, numa tertúlia de amigos, que a Oposição em Marvão ao actual presidente da câmara Vítor Frutuoso, procura envidar esforços de forma a encontrar uma alternativa única, forte e credível, para as próximas eleições autárquicas de 2013.

Felicito-os por tal. Após 8 anos de poder, o actual executivo em Marvão, começa a "cheirar a mofo" (para não usar outra adjectivação), muito diferente, na sua prática, daquele sadio Projecto e lufada de ar fresco iniciado em 2005.

Uma democracia forte precisa de alternativas e alternâncias, assim como precisa de crítica e de vigia aos seus actores, que sem elas, se podem tornar em pequenos déspotas e democratas de “meia-tigela”.

Dois mandatos deveria ser a regra para o exercício de cargos públicos. Mais que isto, e com o fraco exercício dos nossos órgãos reguladores, é entrar em territórios muito perigosos, como aqueles que todos nós vimos verificando, seja no concelho, seja no país.

Fiquei no entanto algo desapontado com alguns “perfis ideais” traçados para os possíveis candidatos que se pretendem apresentar como alternativa, e que parecem ter que obedecer a alguns dos seguintes parâmetros:

Alguém que venha de fora para não se conhecerem os defeitos; alguém de quem não se possa dizer mal; o que interessa é a personalidade imaculada; que seja alguém tipo “expert”;alguém acrítico e que não se tenha envolvido em conflitos com o actual executivo; e, porque a Mudança é sempre positiva, etc., etc.

E eu a questionar-me:

Mas qual será o Projecto? Será que mais uma vez o que interessa é o “figurão”? O facto de não ser do meio é sinonimo de qualidade? Só interessa o “chefe”, os restantes até podem não saber ler ou escrever? E o que é que já fez pelo concelho até agora? Mudar só para mudar, e se for para pior?....

Por mim, de figuras cinzentas, já chegam as que temos. O que Marvão precisa é de pessoas que conheçam o concelho, as suas gentes, e os seus costumes; que saiba o nome dos marvanenses dos Alvarrões ao Pereiro e dos Galegos ao Vale de Ródão; que queira trabalhar em equipa, que considere as pessoas acima das obras, que saiba ouvir mais do que falar; que saiba estar presente nos bons e maus momentos; que não utilize o “eu” quando se refere ao trabalho de todos; que saiba que qualquer homem isolado é uma ilha, e o conjunto é sempre superior à soma das partes; que não ponha os seus negócios à frente dos interesses da comunidade; que não olhe para os do seu "partido" como imaculados e para os outros como inimigos; alguém que seja simples e não um megalómano; que respeite o movimento associativo, que trate todos por igual e com respeito, em vez de nomear comissários políticos; que utilize os recursos para melhorar a vida dos marvanenses, e não para servir os amigos ou correligionários; que saiba que está no lugar para servir os marvanenses e não para se servir deles...

E mais não digo, porque já disse muito!

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Onde andam os ingleses?

Diz-se que Portugal e a Inglaterra possuem a mais antiga aliança diplomática do mundo entre Estados. Data de 1386 o “Tratado de Windsor”, mas há quem diga, que ele foi firmado já em cima de um outro que vinha de 1294.

Este Tratado, com algumas adaptações, ainda válido, “estabelece um pacto de apoio mútuo entre Portugal e Inglaterra”.

À sombra deste Tratado, ao longo da história, pôde Portugal desfrutar da «nobre protecção» do reino de sua majestade, sempre que este “rectangulozinho” foi ameaçado, ou posto em causa, na sua independência por hostilidades ou inimizades de potências exteriores. Livraram-nos assim os amigos ingleses, sucessivamente, de Castela (1383-1411), dos Habsburgos (1640-1668), de Napoleão (1806-1810), dos Alemães (1914-1918).

Talvez não fosse má ideia, nos tempos que correm, invocar essa velha Aliança, para que “os bifes” nos venham salvar mais uma vez, da terrível ameaça “Troicana”, e devolver a independência nacional a estes velhos amigalhaços

Entretanto, avisamos desde já, que desta vez não poderemos pagar os vossos favores com as nossas cortiças, porque os sobreiros deu-lhes a filoxera; nem com sal, porque o oceano anda muito poluído e a ASAE fiscaliza tudo; azeites já não temos, porque a CEE obrigou-nos a arrancar as oliveiras; os vinhos (do Porto e outros), precisamos deles para nosso consumo; os metais preciosos, já não vêm do Brasil; tecidos e tapeçarias indianas da mais alta qualidade, agora só temos dos chineses; a pimenta, o cravo-da-índia, a canela, a cochonilha, o ébano, e a noz-moscada, estão em desuso; o/a benjoim já pouco se aplica, pois os perfumes agora têm outros aromas da moda; as porcelanas chinesas usam mão-de-obra infantil; e quanto aos dentes de elefante, agora estão proibidos pela protectora dos animais.

Convém ainda referir, para não vos enganarmos, que já não temos para saque ou rapto a “Nau Madre de Deus” (o maior navio do mundo do seu tempo), porque vocês já nos a roubaram em 1592, juntamente com aquele Documento impresso em Macau em 1590, e que continha toda a informação preciosa sobre o comércio português na China e no Japão e que, vos permitiu, roubar-nos esse negócio de seguida; Da Ammaia? Só se levarem alguns pedregulhos que por lá abundam, pois as 3 dezenas de estátuas romanas já vocês levaram em 1810; e nem tão pouco o Mapa cor-de-rosa já é nosso, por isso escusam de nos fazer qualquer Ultimato.

Mas se mesmo assim nos quiserem resgatar, a malta agradece e oferece um pouco do nosso sol, porque os Alemães, parece que não o merecem!

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Hipócrates ou hipocrisia...

 Não deixa de ser estranho que, numa altura de recessão e de cortes salariais, que o governo através do ministro de saúde Paulo Macedo, consiga um acordo de “Carreira” com os poderosos sindicatos dos doutores médicos, que implica uma brutal valorização salarial de mais de 30%.

Ficou-se a saber hoje, que um qualquer doutor médico, que na anterior carreira iniciava a profissão com um salário a rondar os 1 800 euros/mês (mais 600 que qualquer outro licenciado); passa através deste acordo, para cerca de 2 700 euros/mês.

Um aumento de 900 euros/mês!!! Isto é mesmo “gente” de outra estirpe...

Bem pode o ministro justificar que, este aumento, implica que os ditos senhores doutores médicos passem de um horário de 35 horas semanais para 40 horas. Pois se fizermos umas meras contas de dividir podemos verificar que mesmo assim, por cada hora existe um aumento nominal de 16 euros/hora (67,5 – 51,5).  BRUTAL!

Se um dos problemas da saúde em Portugal fosse a falta de médicos, como nos querem continuar a fazer crer, quando todas as estatísticas dizem o contrário, aceito que se pagasse por exemplo 55 euros/hora aos ditos. Que, nesse caso, para merecerem os 2 700, deveriam fazer pelo menos 50 horas/semana (2 700 euros/55 euros).

Todos ficariam a ganhar: os utentes do SNS, que passariam a ter mais disponibilidade dos “seus” médicos; e os tais doutores médicos, que passariam a ganhar mais 900 euros/mês, cerca de 4 euros a mais em cada hora, do que ganham actualmente. 

E isto é para o inicio das carreiras, faço ideia como será nas outras categorias!!!

Comparando com outros licenciados na Administração Pública, também em início de carreira, estes não vão além de 34 euros/hora (1 200 euros/mês). E no caso dos Enfermeiros (licenciados de 2ª), o preço/hora é apenas 29 euros (1 020 euros/mês), isto quando não lhe pagam através de “empresas de escravos”, uns míseros 4 euros/hora.

Felizmente que existe ministro das finanças, e a este BRUTAL aumento salarial de 900 euros/mês dos doutores médicos, irá sacar-lhe pelo menos 300, através do aumento do escalão do IRS. Digamos que, e neste caso, ainda bem que o Gaspar não dorme...  

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Siga a balhação...

Dizer muito em poucas palavras, por Rui Rocha. Roubado daqui:


"O PS matou o país. Agora, passa o dia no cemitério a berrar que estamos órfãos. O CDS chora muito. O Bloco de Esquerda e o PCP tornaram-se místicos e falam-nos de uma vida para além da morte. O CDS chora muito. O PSD diz que quer ressuscitar o morto dando-lhe porrada. O CDS continua a chorar."

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

As iludências, às vezes aparudem...


“Ele há por aí uns coveiros tão eficazes, tão eficazes, que pedem a ajuda para abrir as covas, àqueles que nelas se irão enterrar...”

Penso que, se outro mérito este Governo não vier a ter, o facto de ter vindo a consciencializar a maioria dos portugueses, de que a política económico-financeira que vinha sendo seguida nas últimas duas décadas (pelo menos), não poderia continuar, e teria que ser no mínimo contida,ou até mesmo invertida.

De uma forma muito simplista, já expliquei aqui, o problema geral. Um país que:

- Consome mais do que produz de uma forma continuada;

- Em que o sector estado gasta 50% da sua produção;

- Recebeu de fundos comunitários (a fundos perdidos), nos últimos 20 anos, milhares de milhões de escudos e euros, para modernizar a sua economia; e os gastou, sobretudo em alcatrão, imobiliário, rotundas, carros de luxo; esquecendo a agricultura, o mar e a indústria;

- Mesmo assim se endivida a uma média de 5%, nos últimos 40 anos; e uma média de 10% nos últimos 6 anos;

- Em 30 anos precisa de pedir ajuda externa por 3 vezes: 1977, 1983 e 2011.

- Tem uma democracia paupérrima, sem quaisquer meios de controlo dos eleitos pelos eleitores; considerado o 3º mais corrupto da Europa;

- Os eleitores preferem ser enganados nas campanhas eleitorais, já que, se algum Partido ousasse dizer a verdade, jamais seria eleito.

É certamente um país a precisar de mudar de vida.

Uma das medidas consideradas fundamentais, exigidas pela Troika e aceite por quem assinou o acordo, era a de se diminuir “despesa no estado” (o tal que leva 50% do que produzimos), sobretudo a supérflua, “as tais gorduras”, a que permitiria diminuir custos, com o menor prejuízo das pessoas.

O primeiro problema é que das “gorduras” vive muita gente (pessoas), e não são propriamente os “mais fracos”. E mesmo que se levasse a sério esta medida, seriam precisos, em minha opinião, pelo menos 4 ou 5 anos para se verem os resultados.

Ora a exigência era que fosse de imediato. Para quem está de fora (a Troika), quer lá saber a quem se corta. O importante é que se atinja o objectivo estabelecido (que se corte).

Que fez então o Governo? O costume: Lançou mão do aumento de impostos, os de resultados mais imediatos: IVA; e para fazer face a um “buraco” que disseram encontrar dos seus antecessores, vai ½ subsídio de Natal em 2011.

E como a malta não fez grandes ondas, e malhar na função pública está na moda, nada melhor que multiplicar por 4, não pagar 2 meses em 2012, e dizer que se “diminuiu a despesa” do Estado em Portugal! E quanto às tais “gorduras”, lá se foram esquecendo, que os ministros comem muito queijo.

Só que às vezes, sem se saber muito bem porquê, existem Instituições em Portugal que gostam de complicar. Foi o caso do Tribunal Constitucional, que se lembrou de dizer, que o dito corte, era inconstitucional, e entornou o caldo todo, e, pôs o Governo á nora.

Foi aí que o Gaspar pensou ser "criativo":

- Ora se o que eu pretendo é sacar o quantitativo de 2 meses aos trabalhadores do Estado, cujo patrão sou eu, mas não lhos posso tirar só a eles, vou tirar a todos, estado e privados. Aos privados, os patrões que se decidam: fiquem com eles, ou devolvam; desde que na Segurança Social entre o mesmo. Eu, enquanto “patrão estado”, vou ficar com a “massa” dos meus, isto é, não lhes vou pagar! E assim, diminuir a dita despesa do estado naquilo que já tinha previsto anteriormente.

E assim surge o imbróglio da TSU (1 subsídio). O resto virá por acerto no IRS.

Só que existem por aí uns fregueses, que com nada se contentam, e logo vieram reclamar que esta medida é um ROUBO (e naturalmente é). E vai de convocarem, sem excepção, toda a freguesia para reclamar: - Que por aí não, que o povo não aguenta mais e, “o povo unido nunca será vencido”.

E foram tantos, que o Governo se assustou, e alguns “ratos” vieram logo pôr o focinho de fora, para ver se o tempo estava propício para abandonarem o barco: parece que ainda não estava!

Está agora o Governo com a “batata quente” entre mãos, mas tenho a certeza, que como de costume, quem se lixa vai ser o mexilhão. Em minha opinião, vão optar por uma de duas medidas:

- Ou existe a coragem de descontar 7% a todos (embora ao Gaspar só os FP interesse); e toda a gente que trabalha vai sentir;

- Ou no próximo ano, os Funcionários Contratados na Função Pública não verão os Contratos renovados, e irão a caminho da rua. Aí, só esses cerca de 80 000 o sentirão.

Consta que uma delas será aplicada, e os tais da Troika, não perdoam. Até parece que as verbas dispendidas pelo Estado nestas duas rubricas, são muito idênticas.

Não me admira por isso, que muitos dos bem-intencionados Manifestantes do dia 15/9/2012, tenham sido alguns daqueles que virão a ser as grandes vítimas dos argumentos e slogans gritados no último sábado. E mais não digo, para não ser socialmente incorrecto, mas tem a ver com o pensamento que expresso, no início deste artigo...

Eu enquanto cidadão, se tiver que ser, e me dessem a escolher, preferia a primeira. Parece ser mais solidária e até altruísta: Manter algum emprego, e não aumentar o já insuportável e injusto desemprego.

Oxalá eu esteja enganado...

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades...

Mais uma do "salta-pocinhas", quando se brinca com um povo de fraca memória, retirada daqui:

"Tenho felizmente boa memória. Lembro-me portanto da revisão constitucional de 1982 que na prática retirou o semipresidencialismo da nossa lei fundamental. Foi uma alteração ad hominem, que transformou uma ocasional maioria parlamentar em arma de arremesso contra o Presidente Ramalho Eanes. Recordo-me também que o principal mentor desta iniciativa foi o então líder do Partido Socialista, Mário Soares. Como retaliação contra o facto de Eanes ter demitido o seu Executivo e dado posse a três sucessivos governos de iniciativa presidencial.

A partir da revisão de 1982, o Presidente deixou de poder demitir o Governo e este passou a ser politicamente responsável apenas perante a Assembleia da República. Foi a maior alteração introduzida à letra e ao espírito da Constituição de 1976 por decisão conjunta do PS de Soares e do PSD, na altura liderado por Francisco Pinto Balsemão. Ambos invocavam, para o efeito, a necessidade de parlamentarização do sistema político português. Não deixa, por isso, de ser irónico que Soares venha agora fazer um apelo público ao Presidente da República para mudar o Governo sem recurso a eleições e formar um novo Executivo.

Exige hoje precisamente o que Eanes fez com ele em 1978. Esquecendo-se já da forma como respondeu a Eanes ao alterar as regras constitucionais, reduzindo drasticamente os poderes do Chefe do Estado. Razão tinha Marx: a História costuma repetir-se, mas como farsa."

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Mais uma para refletir...

Tirado daqui:

Sempre defendi a permanência de Portugal no Euro. Mesmo que à custa de sacrifícios para ultrapassar os erros de política económica dos últimos 15 anos.
Por Camilo Lourenço

Mas na semana passada percebi que não temos mentalidade para lá estar. E que, por isso, o melhor é sair. Assim poderemos voltar a crescer desvalorizando o “novo Escudo” em pelo menos 40% face ao Euro. Isso provocará um disparo da inflação? Sim, mas é a única forma de provocar perdas salariais (reais) de 15 ou 20% para ajustar a economia. Teremos crescimento? Sim, mas à custa de baixos salários (até voltaremos a ter empresas de mão-de-obra barata). Mas nós merecemos!

Estar no Euro implica não gastar mais do que se tem e apostar na produtividade. No primeiro caso para evitar que o Estado se endivide para além do sustentável. No segundo porque só o aumento da produtividade garante aumentos contínuos de salários. O problema é que o país não está preparado para isso. Nem quer aprender. Veja-se quanta gente, nos três partidos do Poder, continua a pedir mais tempo para cumprir o défice. Esquecendo que mais tempo significa mais dívida. E veja-se quanta gente defende aumentos salariais sem crescimentos de produtividade, que só geram défices comerciais brutais e desemprego elevado.

Portugal não tem nem políticos nem cidadãos preparados para estar no Euro. É melhor assumir isso e negociar uma saída ordenada. Daqui a dez anos estaremos arrependidos? Sem dúvida. Mas pode ser que, entretanto, tenhamos dado uma vassourada na miserável classe política que levou o país à falência três vezes em 34 anos. E pode ser que até lá os cidadãos percebam que as desvalorizações da moeda são o caminho mais curto para empobrecer um país.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

II Encontro da Família Bugalhão (21/7/2012)

Era uma vez um moleiro chamado José Bugalhão que nasceu por volta de 1850. Casou com Teresa Gonçalves (Raposo), que terão nascido e residido em Pego Ferreiro – Santo António das Areias...


(Foto de Família dos participantes)


(Os manos: Francisco, Joaquim e João)


(Sobrinha Teresa com ti Emília)


(O Patriarca Francisco)

(Joaquim e Rita: Quase um século os separa)


(Joaquim e os seus 8 filhos)


(As manas Fernanda e Mª Teresa)

(São, Manuela, Tó-Zé, Felismina e Sandra)


Um pouco de ficção e de história, em memória de Francisco Gonçalves Bugalhão (1877 -  1953)
Por joão Bugalhão

Capítulo I

"Janeiro, é por natureza, um mês feio para os urbanos por causa da chuva. Mas um mês fundamental para aqueles que vivem nos campos, e que ainda sabem avaliar os favores do tempo.

Não nos dias que correm, onde as chuvas já pouco importam, mesmo aos rústicos, pois como todos sabemos, o cultivo já teve melhores dias, pelo menos neste país de sol e praia. No entanto, sempre que ocorre um inverno mais seco e uma primavera um pouco solarenga, quando chega o estio, e nos vemos ameaçados com a amofinação de não nos podermos banhar diariamente à grande e à francesa, lá se lembram os das cidades, que talvez não tivesse sido boa ideia terem andado a exaltar, que tinha sido bom o tempo do inverno, só porque não choveu.

Não foi o caso deste ano de 1920, pois que, dos quinze dias que este primeiro mês já leva decorridos, ainda não parou de diluviar. Até parece, que o poder divino se esqueceu de que há pobres que precisam de ganhar o sustento, que não têm uma seara nas costas, que pouco têm com que se cobrir, a não ser, o colmo dos seus casebres à noite, e a copa de alguma árvore durante o dia.

Acordou Teresa, mulher do moleiro, um pouco enjoada, não sabendo se, por noite mal dormida, ou porque terá chegado o dia de parir o ser que em si vem gerando há cerca de nove meses.

Xico, assim se chamava o moleiro do Pego Ferreiro, havia chegado a casa, quando já anoitecia, depois de mais um dia de freguesia, na distribuição dos talêgos de farinha, pelos muitos fregueses por onde haviam passado há duas semanas atrás a recolher o grão, que lhe dera origem.

Como de costume, chegava amontado no seu Macho preferido, que sabia o caminho da casa de cor, trazendo em fila indiana, uns presos aos outros, a sua vasta frota de tires muares. E também como era hábito, era elevada a taxa de alcoolemia que circulava nas suas veias e artérias. Proveito do seu bom trato com muitos dos amigos fregueses, que se orgulhava de ter.

Tivessem os vigias daquela época, efectuado uma daquelas operações de fiscalização e propaganda, tão na moda nos tempos de hoje e, certamente, o moleiro teria que recorrer aos préstimos dos confrades de então do seu vindouro bisneto Mário, senão quisesse ver a sua concessão de condução de machos e mulas confiscada, para além da elevada coima que lhe assentariam.

Sempre o vinho teve nomeada de tornar as pessoas mais inconscientes e belicosas, sobretudo se ingerido em quantidades exageradas, mas não era esse o efeito produzido com o moleiro Xico Bugalhão. Pois, parecia que quanto mais bebia, mais os seus humores pareciam benfeitorizar.

Só que Teresa, diga-se como quase todas as mulheres, sobretudo se de esposas se tratar, é que parecia não estar pelos ajustes. E ainda o moleiro não se havia apeado do seu anjo muar, e já ela irrompia em desmedido pranto, maldizendo e amaldiçoando o precioso néctar, e desejando que este já se tivesse esgotado…, ao que o moleiro respondia com o seu costumeiro humor: eu bem tento… mas, tu não me ajudas!

Mas em simultâneo, talvez guiada por inspiração religiosa matrimonial, lá o ia amparando até junto do lume que sempre crepitava na chaminé, para que este pudesse enxugar, em próprio corpo, a roupa ensopada da rega que tinha apanhado.

Enquanto Teresa e a filha mais velha Joaquina, procediam à acomodação da frota dos tires muares nas respectivas quadras, e ainda mal o moleiro se havia acomodado junto ao lume, já as suas duas filhas mais novas, Marizei e Genoveva a quem chamavam Conceição, se lhe atiravam para o colo, pois já sabiam que aquele serão seria longo e de muitas histórias e cantilenas.

Sabemos hoje que muitas das estórias e cantilenas infantis, mais não são que uma maneira graciosa de nos moldar social e culturalmente e, não raras as vezes, se profere que são verdadeiras e ardis estratégias de instrução sexual. Assim se diz do capuchinho vermelho, da gata borralheira, da branca de neve e sete anões, da carochinha e de outras agora mais hodiernas…

Não podemos extrapolar se seria essa a reflexão pedagógica do moleiro Bugalhão. Tenhamos em conta que eram duros aqueles tempos, tais como os de hoje, em que costumamos dizer que nem tempo temos para nos aliviar de fluidos produzidos pelo organismo ao longo do dia, tal o frenesim em que nos obrigam a viver.

O facto é que quando Teresa, a mãe, e Joaquina, a filha, se preparavam para entrar em casa, depois de cumprida a sua missão de arrumadoras, e sem que lhes tivessem dado qualquer gorjeta, puderam ainda ouvir o final da cantilena com que o moleiro mimoseava as filhas mais novas:

“…encontrei maria a cagar/ p´ra cima de uma travessa/ botê-lhe a capa p´ra cima/ maria caga depressa”…

Ficou Joaquina mais escarlate que o rubro do pendão português, então recentemente criado, e Teresa à beira daquilo a que futuramente se chamaria, um carga de nervos! Tal o baque sofrido por Teresa ao ouvir tal linguajar para as duas inocentes, que desatou novamente no carpido interrompido e vociferando contra a sua desditosa vida: "este homem desgraça-se a ele e a mim…, que não me leva o Senhor, deste mundo, etc., etc.…"

Levou Xico algum tempo a reagir ao aranzel da mulher. Mas, esta última oração parecia-lhe cair mesmo a propósito. Levantou-se, pousando Marizei com todo o afecto sobre o banco em que antes se encontrava sentado, e dirigindo-se à mulher pegou nela ao colo embaraçada e, tropeçando, dirigiu-se para o quarto contíguo, deitando-a sobre a tosca coberta que cobria a enxerga.

Depois, calmamente, dirigiu-se à mesa da sala, onde jaziam dois redentores em poses de via-sacra e, pegando-lhes com o apreço divino que tais estaturas mereciam, foi colocá-los, um de cada lado da mulher, verbalizando: "... vá Teresa, com qual queres ir para o céu? Com este, ou com aquele…? À entrada da porta Joaquina, já uma mulherzinha e as duas petizas, riam às gargalhadas. Viu-se a mulher do moleiro naqueles preparos e ante tal cena, sem se saber muito bem por quê, desatou também a rir…e, de repente sentiu uma dor intensa, como se algo se lhe arrancasse interiormente. Depois dessa, outras se seguiram, cada vez mais violentas.

Não cantarolava já agora o moleiro. Num impulso tinha pegado nos dois cristos e sem saber muito bem o que fazer, como sempre acontece aos homens nestas situações, andava de cá para lá com os ditos nas mãos, talvez, quem sabe, suplicando por uma boa hora…

Valeu-lhe a chegada de sua mãe, Teresa Gonçalves, chamada com urgência por Joaquina. Sempre as mães nos chegam nas horas certas e de apoquentação, sobretudo àqueles, que ainda têm a ventura de as ter.

Pouco faltava para a meia-noite, quando a avó Teresa, conseguiu retirar com vida das entranhas de sua nora, o segundo filho varão do casal de moleiros, que seria o único, pois o primeiro havia falecido da lua entripal, e a partir daí só germinariam filhas: Maria a que todos conheceram por Júlia, Luísa e Emília de uma só vez, e por fim Vicência.

Há horas de sorte na vida, tal como foi o caso da natividade desta criança; o ter nascido viva e sem deixar sequelas em sua ascendente, numa época em que a mortandade infantil e materna, não era aquilo que é hoje, pois quase sempre, o balanço entre vivos e mortos, quase se igualava a zero.

Teve sorte este moço, ao nascer vivo e valente, para as noites de geada e maresia que iria passar no futuro ao relento, certamente influenciado pelas práticas de preparação para o parto usadas por seu pai. Ou talvez, quem sabe, devido a alguma jura feita aos redentores, na hora da aflição.

Está agora ao colo de sua avó Teresa Gonçalves, mulher fumadora e boémia, de quem se diz, frequentar tascas e tabernas da época, para jogar a bago com os competidores masculinos e, claro, beber uns copitos. Onde seu marido, Zé Bugalhão, levava as crianças, que ficava a velar em casa, para que ali mesmo, fossem aleitadas. Pode por agora usufruir esse colo e, simultaneamente, da primeira cantilena que esta lhe vai cantando:

“…ai pirroli, pirroli, pirroli/ ai pirroli, pirroli, pirrolé…/ se não queres chocolate, nem aguardente/ bebes café”.

Um mês após este nascimento, e aquando de mais uma distribuição de farinha pela freguesia, apresentar-se-á, o moleiro, no registo civil de Santo António das Areias, dizendo que lhe nasceu um filho e que se chamará Manuel…"


Capítulo II

"Ao longo dos tempos, sempre se disse que um dos melhores ofícios era o de Cantoneiro. De quem se diz, com maleficência claro, só se verem trabalhar quando alguém passa na estrada, sem nunca se referir, no entanto, se o transeunto se fará transportar de veículo motorizado, ou circule simplesmente gastando as solas dos sapatos ou, montado em animal de quatro patas.

Se de veículo a motor se tratasse, quão bela seria a vida que Xico Bugalhão levaria como Cantoneiro assalariado da autarquia marvanense, seu primeiro ofício,  naquele final de século dezanove de 1895. Pois constava, que há apenas alguns dias havia chegado a Portugal, vindo de terras de França, o primeiro panhard & levassor. Do qual se dizia, que a sua primeira façanha, teria sido a de atropelar um incauto burro, que pastava sossegado nos campos do Alentejo.

Dizia-se ainda que, como lhe não haviam inventado buzina, certamente por isso, não pôde o quadrúpede ser avisado, começando o seu condutor, o senhor conde de avilez, aos gritos de: “arreda…arreda”, só que, não estando o competidor habituado a linguagem tão erudita, não percebeu, o que lhe seria fatal.

Contribuiu este facto, para que antes de tal invenção humana fosse baptizada de automóvel, carro, viatura, auto, popó, carriola, bate-latas, caranguejola, veículo, geringonça, automotor, ripolam, charrueque, calhambeque, carripana, bolinhas, etc., fosse o seu primeiro nome em terras lusitanas, o de “máquina do diabo”. Certamente, por ter atropelado o nobre animal, que no estábulo sagrado havia amornado aquele que seria cognominado como filho de deus dos cristãos, após ter alombado com sua mãe, da Galileia até Belém.

Xico Bugalhão era o segundo filho de José Bugalhão e Teresa Gonçalves (a já referida progenitora que, amamentava os filhos no intervalo de uma jogatana de cartas em plena "tasca"), o qual terá vindo ao mundo em meados dos anos setenta do século XIX. Quis o destino, que o seu primeiro ofício fosse de Cantoneiro de estradas do município, se tal se podia chamar às míseras carreteiras de terra batida que atravessavam o concelho de Marvão naquela época, onde ainda não havia chegado o alcatrão. Matéria preciosíssima no futuro, sobretudo, quando autarcas candidatos pretenderem ganhar eleições, lançando essa massa preta para os olhos dos ingénuos eleitores.

Não se fez velho nesta ocupação o Cantoneiro, pois como já sabemos de episódios anteriores, o seu futuro será o de contribuir para transmutar grão em farinha, do qual se fará muito do pão que matará a fome a estas gentes. Mas não se pense, ter sido por falta de predisposição para o remanso de que este ofício é apelidado, que Xico resolveu mudar de ramo, pois não terá sido esse, o fundamento. Aliás, não terá sido apenas um, mas dois os motivos relevantes a influenciar o processo de tomada de decisão, do futuro moleiro.

O primeiro motivo, já o havíamos aportado em episódios precedentes, que era a circunstância de nunca ter lidado bem com essa situação funcional, que é a de ser-se trabalhador por conta de outrem. Mesmo que esse outrem seja uma entidade abstracta, como é o caso do Estado, seja ele o central, ou o local como era a circunstância.

E bem podemos afirmar que esta imaterialidade, nunca terá tido uma aplicação tão adequada já que, há mais de um mês, os representantes locais marvanenses desse Estado, logo, os patrões do futuro moleiro, haviam abandonado as suas funções e responsabilidades, para as quais haviam sido “meio-escolhidos” “meio-nomeados”, e tinham ido às suas vidas, despedindo-se à espanhola, pois o governo regenerador do ribeiro, por decreto, os havia mandado às urtigas sem outra justificação que não fosse, a de os considerar incapazes, e meros gastadores dos poucos dízimos gerados por uma gente de desventurados e pelintras.

Para além desses predicados que o regenerador ribeiro utilizou, para destituir a legítima vereação municipal do magalhães, e extinguir concomitantemente o concelho de Marvão, integrando-o no de Castelo de Vide; dizia-se por estas bandas, à boca-pequena, que estes haviam sido ainda burlados pela oposição progressista do frenético (frederico) laranjo, ao prometer-lhes que estivessem sossegados em suas casas, que não levantassem ondas e, mantivessem na ordem as ingénuas e boas gentes marvanenses, que ele se encarregaria de os incluir na vereação futura do município castelovidense, logo que o seu partido ocupasse, por rotatividade, o poleiro da vila judaica. Só que tal nunca veio a suceder, porquanto os regeneradores, no poder, não estavam para aí virados, e como de costume, não cumpriam o acordado com o citrino.

O segundo motivo, tinha razões mais objectivas e menos filosóficas. Tinha pois a ver com uma das maiores pragas sociais de sempre desde que o mundo é mundo, ou pelo menos, desde que os romanos haviam passado a pagar aos seus colaboradores em sal, os serviços por estes prestados, denominando pomposamente, tal facto, de “salarium argentum”. Termo esse, que viria a ser reduzido pelos portugueses, abreviadamente, para salário.

E no reduzir é que estava o problema. Aliás, nem era bem o reduzir, até se poderia afirmar, com mais propriedade, que seria o reduzir à fórmula ínfima, isto matematicamente falando, e, o termo exacto era suprimir.

E com salários suprimidos, ou melhor, como se dizia por ali, jornas em atraso, já o Cantoneiro Xico Bugalhão leva quase cinco meses, sem que lhe seja dado a ver a cor do dinheiro para as sopas. Julho, Agosto e Setembro, quando o empregador ainda era o município de Marvão. Outubro e o que resta do mês de Novembro, cujas responsabilidades têm que ser imputadas aos de Castelo de Vide; que, apesar de se andarem por aí a gabar em discursos pacóvios, como foi o caso do pinto sequeira, o de ter sido um grande melhoramento a integração do concelho vizinho, o facto é, que continuou a não cumprir com as suas mais elementares obrigações, como seja as de pagar o tal salarium argentum aos seus empregados. Apesar de ter retirado dos cofres da Câmara de Marvão a quantia de um conto de réis, quantia que, naquela época, seria mais do que suficiente para saldar as jornas com esta gente trabalhadora.

Como já foi contado, andaríamos por essa altura, em meados do mês de todos os santos, menos o de são receber. E o Cantoneiro Xico, com outro seu camarada de ofício, estavam a endireitar as suas cruzes, depois de terem debelado, mais uma das valetas feitas pelas chuvas, na carreteira entre a Portagem e a sede do finado concelho de Marvão, perto do lugar das Ferrarias, quando repararam, que se acercava deles um grupo com cerca de uma dezena de cavaleiros a trote em suas cavalgaduras.

Arrazoavam alto, quase aos berros, com uma pronúncia estranha de ilhéus, e puderam os dois marvanenses ouvir claramente, um dos valetes a dizer para o do cavalo baio, de que não havia mesmo qualquer dúvida, que estes marvanenses estavam mesmo satisfeitos por pertencerem ao concelho de Castelo de Vide, e que tal como ele havia referido, para que constasse nos tempos futuros, tudo corria na melhor ordem e sossego. Bastava ver a consideração que revelaram estes dois trabalhadores, que até se puseram em sentido, assim que nos viram aproximar.

Ao ouvir tal arengo, questionou Xico Bugalhão o seu camarada, sobre quem seriam tais figurões? E o que fariam por estas terras esquecidas?

Ao que aquele respondeu:

- Atã…ò Xique, sã os nossos noves patrõs. Aquele éi o presedente da cambra de castel`vide, ô sequêra da costa, …e o papagai falante éi o secretare d`ele, andão nas elêçõs. Mas…os mal creadons, nein nôs desserem bom dîia, nein tã pouque q’ando nos pagavão…

Está agora Xico Bugalhão, ainda com a picareta na mão, olhando os facínoras judeus a afastarem-se velozmente.

As palavras do seu consorte de desventura, começaram a revoltar-lhe as entranhas e, atirando o seu utensílio de trabalho, violentamente contra a sebe, lá foi andando e dando conta de sua deliberação, para que também constasse em tempos futuros:

- A partir desse dia, não trabalharia durante toda a sua vida, para mais cabrão nenhum, nem que tivesse que expirar à fome…arre cos pariu!

(e assim cumpriu até final dos seus dias...)

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Uma sonda pelas "nalgas adentro"...

Enfermagem ou limpeza, o preço à hora é quase o mesmo

Como se pode ler aqui, "... os enfermeiros que aceitem trabalhar nos Centros de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, receberão apenas mais uns cêntimos do que um empregado de limpeza."

Não se trata de qualquer depreciação a quem trabalha em limpezas, actividades tão dignas como qualquer outra, mas antes, a vergonha a que chegaram alguns empresários da treta. Com um Estado que devia regular a nada fazer, e, ainda incentivar; numa área que deveria ser considerada “nobre”: os cuidados de saúde!

Contra esta rebaldaria, só me apetece alvitrar uma coisa a todos os Enfermeiros. Cada vez que um dos responsáveis por estes malefícios precisem dos vossos cuidados, programem uma das seguintes actividades:

- Algaliem-nos, passando primeiramente a algália (em vez de gel anestésico), por areia fina (em alternativa sal grosso);
- Ou como diz o Ricardo Araújo Pereira, metam-lhes uma sonda anal pelas "nalgas adentro"!

quarta-feira, 13 de junho de 2012

2º GRANDE ENCONTRO DA FAMÍLIA BUGALHÃO

Via facebook do Luís:


"Boas tardes caras e caros familiares Bugalhão.

Como sabeis, no próximo dia 21JUL12, Sábado, pelas 13.00-13.30, terá lugar o 2º GRANDE ENCONTRO DA FAMÍLIA BUGALHÃO. Assim sendo, publico agora as informações e os procedimentos a levar a cabo para efectivar o evento:

1. Ementa (Restaurante "O Sever")

- Couvert: queijo de Nisa, salada de grão com bacalhau, ovinhos mexidos com farinheira;
- Sopa de hortaliça;
- Bacalhau à casa;
- Bochechinhas assadas no forno com batata assada e grelos salteados;
- Pudim da casa;
- Vinho regional, cerveja, refrigerantes, água, café, ginjinha e amarelinha;

Preços: € 20,00 Adultos; € 10,00 Crianças entre os 7 e os 11 anos (inclusive); Grátis – Crianças até aos 6 anos (inclusive).

2. Lembrança:
Tal como no ano passado, haverá uma lembrança para marcar a data (será novamente um íman para o frigorífico). Contudo, não faz muito sentido que uma família com 4 elementos fique com (e pague) 4 ímanes iguais. Assim, quando vos inscreverdes, para além do número de pessoas, dos nomes e das idades de cada uma, solicito que indiqueis quantas lembranças quereis, ou se não quereis nenhuma. O preço é de € 1,00.;

3. Podereis enviar as inscrições para luisbugalhao@gmail.com, ou publicá-la aqui no grupo. O meu telemóvel é 918 132 918, para alguma dúvida;

4. Quando vos inscreverdes devereis proceder ao pagamento do valor correspondente, através de transferência bancária para o seguinte NIB: 0018 0000 3577 8465 001 98

É opcional, mas se puderdes enviar-me um mail a notificar-me dessa transferência, facilitar-me-á o trabalho de compilação das inscrições e pagamentos.

5. Muito importante: as inscrições devem ser feitas até ao dia 08JUL12, Domingo. Após essa data só casos especiais serão considerados (peço compreensão para o cumprimento deste prazo, pois deveremos dar os dados ao restaurante e à artesã que faz as lembranças com essa antecedência);

6. Não haverá convites personalizados, à semelhança do ano passado, portanto, toca a passar palavra para os que não têm facebook.

7. Finalmente, envio um grande abraço a todos, mas um especial à Sandra Bugalhão Páscoa, à Conceição Bugalhão e ao João Bugalhão pela ajuda que me têm dado na organização. Não sou eu o festeiro: tem sido esta comissão de festas.

É tudo (e já é muito). Cordiais cumprimentos, Viva a Família Bugalhão!...

e até 21JUL12.

TA - Ilustro esta publicação com algumas das nossas matriarcas. A do centro, a Ti' Júlia, deixou-nos este ano... é uma pequena homenagem que lhe faço. Ela também estará connosco este ano."



quinta-feira, 7 de junho de 2012

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Alguma Lucidez...

Entre tanta cegueira, vales-nos tu Ricardo, com a tua lucidez!

segunda-feira, 30 de abril de 2012

há dias assim...



Saber o que fazer, Com isto a acontecer, Num caso como o meu. Ter o meu amor, Para dar e pra vender, Mas sei que vou ficar, Por ter o que eu não tenho, Eu sei que vou ficar. É de pedir aos céus, A mim, a ti e a Deus, Que eu quero ser feliz. É de pedir aos céus. Porque este amor é meu, E cedo, vou saber Que triste é viver, Que sina, ai, que amor, Já nem vou mais chorar, Gritar, ligar, voltar, A máquina parou, Deixou de tocar. Sentir e não mentir, Amar e querer ficar, Que pena é ver-te assim, Já sem saberes de ti. Rasguei o teu perdão, Quis ser o que já fui, Eu não vou mais fugir, A viagem começou. Porque este amor é meu E cedo vou saber, Que triste é viver, É de pedir aos céus, A mim, a ti e a Deus, Que eu quero é ser feliz, É de pedir aos céus. Porque este amor é teu, E eu já só vou amar, Que bom não acabou, A máquina acordou.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Estóreas de contrabando: O Palindro

Em tempos, já por aqui andei a narrar pequenas estórias sobre contrabando e contrabandistas, que me chegaram por relatos que fui ouvindo durante a minha infância. A maioria deles pelo meu pai, quando ao canto da chaminé relembrava, com os amigos de aventura e entre dois copos de aguardente, episódios vividos ao longo da sua experiência de contrabandista.

Ontem, durante o percurso da IV Rota do Contrabando, enquanto percorria alguns desses trilhos e veredas, então usados nessas actividades no passado, ao deparar-me com uma pequena manada de vacas que por ali pastavam descansadamente, veio-me à memória uma dessas estóreas, talvez uma das mais fabulosas que ouvi, pela voz do seu protagonista de nome José Rosado, que todos conhecíamos por Zé Passarito, mas que o meu pai tratava sempre pelo “Palindro”, vá lá saber-se porquê!

O “Palindro” era uma dessas personagens prodigiosas, capazes de inventar duas intrujices em cada frase que proferisse, fazendo-se acreditar por quem o ouvisse e, o mais impressionante era que ele próprio parecia chegar ao ponto de acreditar nas suas próprias patranhas.

Num serão, desses inícios de noite frios e pachorrentos, dizia o “Palindro” para o meu pai:

- Oh Manel vou-te contar uma que nunca te contei. Numa noite em que eu e mais sete camaradas íamos levar umas cargas de café à Fontanheira, ali numa tapada da Ramila eis que, de repente, nos aparece por detrás duma giesta, uma magana de uma vaca enorme, preta como noite, a investir direita a nós! Olha, só tive tempo de bradar aos outros camaradas, que o melhor era a gente, entre todos, agarrá-la, antes que ela escangalhasse o primeiro que apanhasse. Assim aventei e assim o fizemos. Largámos as “carguitas” do café, e, entre todos, lá segurámos o bicho. Claro que, comigo a ir à córnea!
Só que após termos a sorte terminada, começámos a pensar. E agora? Quando a largarmos ela vai apanhar pelo menos um, e, duma valente “sova” esse não se vai safar!
Foi então que eu me lembrei de dizer para o “Pingas”, que estava no lombo da bicha:
- Eh pá dá aí uma pedra! Assim que apanhei o calhau nas unhas dei com ele num dos olhos da vaca, e, enquanto ela ficou a coçar o olho, nós agarrámos no café, e fugimos todos!

O meu pai já conhecedor do que a “casa” gastava, ainda lhe respondeu:
- Oh Palindro, isso foi mesmo assim?

Claro que o Palindro não se desmanchou e logo contrapôs, que era tão verdadinha como ele se chamar Zé Passarito! E que, se desconfiava, perguntasse ao seu cunhado Julião Pena, que também ia no grupo.

Só que o Mané Bugalhão conhecia bem a manhosice desses dois, e jamais arriscaria tal pergunta ao cunhado do Vale Carvão, cuja resposta ele já conhecia de ginjeira:

- Pois, pois, Manel, hum, hum..., esse” passarito” é mesmo danado para estóreas...

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Gostar...

Gostar, na sua forma mais nobre, requer o aceitar o outro tal como ele é nas qualidades, mas também nos defeitos. Magoar, intencionalmente, não cabe no meu conceito de gostar.

Gostar, percebe-se nas atitudes e nos comportamentos, nunca nas palavras, embora estas, também sejam importantes e, às vezes, a falta delas...

Gostei da tua atitude de hoje, magoou-me o teu comportamento de ontem.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Para o meu admirador secreto do Fórum

Esta não procurei muito, estava mesmo no cimo, fresquinha de 2010!

Caruma

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Reflexões sobre saúde: O mito dos 1 500 utentes por médico

Com o tema de hoje – O mito dos 1 500 utentes por médico, termino a trilogia de ideias que aqui elegi para melhorar os cuidados de saúde no distrito de Portalegre. Relembro que os dois anteriores foram: Reaproveitamento dos Enfermeiros nos Cuidados de Saúde Primários e Deixar as Urgências para o que é urgente.


Quando se começou a pensar na criação do “médico de família” no SNS, de acordo com alguns estudos da época, convencionou-se que a quantidade ideal de utentes por cada médico em CSP seria o de 1 500.

Muitas coisas mudaram desde então: os problemas de saúde, as estruturas etárias, as ocupações das pessoas, as tecnologias, os sistemas de informação, a experiência dos profissionais, os fármacos, etc., etc. Mas este número, com pequenas nuances, lá se foi mantendo. E só tem sido aceite a sua negociação, pelos médicos, a troco de dinheiro, como é o caso nas actuais Unidades de Saúde Familiar.

Não irei discutir se esse número é pouco ou é muito, aceito que seja uma base, e da minha experiência de 30 anos de trabalho na área, parece-me um bom número para quando um clínico inicia a prestação de cuidados com uma determinada “lista” de utentes. Já tenho uma certa dificuldade em aceitar, que após algum tempo de trabalho com esses utentes e o seu respectivo conhecimento e quando eles são praticamente os mesmos, com pequenas mobilidades, esse número “mítico” se mantenha nem que seja 10 ou 20 anos depois.

Se eu for fazer um determinado percurso num terreno que não conheça, possivelmente, nas primeiras vezes o tempo que gasto em o percorrer será X, mas a partir do momento em que conheça as subidas e as descidas, as curvas e contra-curvas, os obstáculos naturais e outros, ao fim de algumas caminhadas, certamente, reduzirei o tempo gasto, e, se dispuser do mesmo tempo diariamente, seguramente, posso aumentar o espaço percorrido.

Logo, o que deveria acontecer era quando um clínico inicia-se trabalho com uma nova “lista” de utentes a base deveria ser a dos 1 500; mas depois, anualmente, esse número deveria ser aumentado de 100 utentes, até ao máximo de 2 000 utentes. Em termos de remuneração, quem tivesse apenas até 1 500 receberia apenas um “ordenado base”, e à medida que fosse aumentando a “lista”, por cada 100 utentes receberia mais 10% da remuneração base. Premiava-se o mérito e desapareciam os utentes sem médica de família.

No distrito de Portalegre, apesar de continuarmos a ouvir a ladainha de falta de médicos, nem esse número é atingido e como podemos verificar no Quadro 2, a média de utentes/médico de família no distrito ronda os 1 300. Apenas em 2 concelhos essa quantidade ultrapassa ligeiramente os 1 500 (Elvas e Ponte de Sôr). E em 9 concelhos esse número não chega aos 1 200.



No entanto, a maioria destes clínicos continuam a clamar que as suas listas de utentes estão completas ou ultrapassam os tais 1 500. E porquê?

Muito simples, na maioria dos casos, os Ficheiros estão desactualizados e os Sistemas de Informação em CSP continuam a não dar resposta à pergunta mais básica que é a: de quantos são?

Há dias, o todo-poderoso Bastonário da Ordem dos médicos dizia numa entrevista que em Portugal existem quase 12 milhões utentes inscritos no SNS, quando temos apenas 10 milhões de habitantes, e, que bastaria que se procedesse a uma actualização dos Registos para que não houvesses utentes sem médico de família em Portugal!

Pergunto eu: Então porque não dá orientações aos seus consócios para que o façam?

No distrito de Portalegre a situação é menos grave, mas mesmo assim, existem inscritos perto de 132 000 utentes, quando somos apenas cerca de 119 000 (13 000 inscritos a mais), e não tenho conhecimento de termos por cá inscritos vindos dos distritos de Évora ou Santarém e muito menos espanhóis. Com este número de inscritos a média aumenta logo para cerca dos tais 1 500 utentes/médico.

A quem interessará esta situação?

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Reflexões sobre saúde: Deixar as Urgências para o que é urgente...

(Cont.)

“Hoje, morre-se nas Urgências Hospitalares em situação idêntica à dos campos de batalha medievais, às vezes nem um pano encharcado de vinagre nos levam aos beiços. É urgente parar esta desumanidade...”.

Preâmbulo

Os serviços das urgências hospitalares são hoje verdadeiros caos, onde desembarcam todo o tipo de problemas. São como a foz do tal rio, que vos falei no Post anterior, onde não existiram quaisquer cuidados de manutenção a montante.

Nos “bancos”, hoje em dia, desagua de tudo: desde o homem de meia-idade que tem uma dor no peito, o politraumatizado num acidente de viação, a grávida de 5 meses que teve uma hemorragia abundante, o velho que caiu sobre a anca e não mexe o membro, a mulher que foi encontrada e não mexe um braço e a perna do mesmo lado, alguém que teve uma dor violenta no dorso e está a vomitar, o homem que não consegue urinar à 6 horas, aquele que mal consegue respirar, etc; tudo isto misturado com o menino que não quis comer a sopa, o velho que tem uma dor reumática há 3 anos, a esposa que se indispôs com o marido, o marido que bebeu uns copos e chegou a casa vomitou ou estava tonto, a mãe cujo filho apareceu com febre pela manhã, o trabalhador que não lhe apetece trabalhar e diz que tem uma unha encravada, a pessoa de 95 anos do lar de idosos que já estava morta pela manhã mas a família exigiu que o levassem ao hospital porque senão não tem quem lhe passe o óbito, e, um sem fim de situações que nunca mais pararia!

O que é que é urgente e o que é que não é? Na perspectiva pessoal do utente/doente, urgente é sempre o seu problema, como é lógico. Terão de ser os serviços a fazer essa triagem e organizar as prioridades de atendimento, dentro de um tempo razoável.

Estes serviços são, em termos organizativo-funcionais um verdadeiro calvário para aqueles que por mil e uma razões os procuram, mas não o são menos para os diversos profissionais que aí desempenham as suas actividades, e, são o grande quebra-cabeças para qualquer administrador ou gestor de serviços de saúde.

No entanto, há várias décadas que todos os pensadores e administradores do sistema de saúde conhecem que esta problemática só tem uma solução: Reorganização e investimento nos Cuidados de Saúde Primários, enquanto porta de entrada dos utentes no sistema de saúde.

As urgências, se se quiserem eficazes, não podem continuar a ser de porta aberta e privilegiada para todos os cidadãos que queiram resolver os seus problemas de saúde, ou não. Ninguém deveria dirigir-se para um serviço de urgência hospitalar, sem ser enviado por um Serviço de Cuidados de Saúde Primários, com excepção das situações de emergência que serão conduzidas pelos respectivos serviços do INEM.

Desde a sua implementação, sem precisar das diversas reorganizações, que no SNS isto está previsto, porque não acontece então?

Por razões diversas, sobretudo desorganização e muitos interesses obscuros. Alguns deles já os enumerei no Post anterior, como é o exemplo dos clínicos gerais andarem a fazer o que não devem na Prevenção Primária, porque existem outros profissionais tão ou melhor habilitados que eles para essas actividades, quando deveriam estar disponíveis para dar resposta a estas situações de episódios agudos ou recidivas de doença, onde a sua formação é única e fundamental; mas também os grandes interesses privados e corporativos a quem não interessa ver estas situações correrem bem, alguns que são em, simultâneo, administradores no SNS.

Por outro lado, deveríamos proceder a uma “desmedicalização” do SNS, os utentes deveriam começar a ter mais confiança e procurarem os outros profissionais do sistema, para que estes os ajudem na resolução dos seus problemas. Como tenho vindo a defender, o médico não pode continuar a ser o actor que tudo resolve. E médicos e utentes têm que perceber isto.

Só que estas medidas, mesmo que começassem a ser tomadas agora, irão demorar algum tempo até se fazerem sentir. Não se mudam hábitos por decreto, e muito menos por obra e graça de qualquer personalidade divina, por isso urge começar.

2 – Deixar as Urgências para o que é urgente

A minha proposta urgente, para a reorganização das Urgências no Alto Alentejo, distrito de Portalegre, passaria por localizar no Hospital Doutor José Maria Grande, todas as urgências de cariz médico-cirúrgico, mantendo em Ponte de Sôr e Elvas serviços de urgência básicos (SUB).

Não faz qualquer sentido manter uma equipa médico-cirúrgica no Hospital de Elvas, e outra em Portalegre, quando todos os estudos apontam para que cada uma destas equipas tenha pelo menos 150 000 habitantes, no distrito, existem duas para 118 000 habitantes. Quando o tempo de deslocação entre as duas cidades é inferior a 45 minutos.
Uma aberração e um grande desperdício de recursos. Não estamos em tempos de bairrismos e muito menos de birrinhas!

Aqui no Hospital de Portalegre, existiriam dois serviços de atendimento (duas equipas) a trabalhar em paralelo: 1 para atendimento do que fosse catalogado pela “Triagem” com “verde” ou “amarelo” (pouco urgentes); e 1 outro para as verdadeiras urgências os “laranjas” e “vermelhos”.

O primeiro seria assegurado por profissionais dos Centros de Saúde, já que viram ultimamente os seus horários de atendimento diminuídos, e penso que ainda possuem 12 horas nas suas carreiras para estas actividades. O segundo, dentro do possível, seria assegurado pelos profissionais hospitalares de Elvas e Portalegre, só em último remédio se deveria recorrer às empresas mercenárias exteriores, nem que para isso se tivesse que pagar em horas extraordinárias aos profissionais em défice.

Quando a rapaziada de Lisboa soubesse, que havia médicos em Portalegre que ganhavam 30 ou 40% mais que eles, talvez fosse uma maneira de os arrancar de lá.

As criancinhas seriam atendidas no serviço assegurado pelos Centros de Saúde. Não faz sentido um serviço de urgência em Pediatria para atender pouco mis de 20 000 infantes, que são o número de jovens que existe no distrito dos 0-18 anos. Isto é um luxo a que não nos podemos dar, porque quando se desperdiça num lado, noutro irá faltar...

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Reflexões sobre saúde - Desaproveitamento dos Enfermeiros em Cuidados de Saúde Primários

1 - Desaproveitamento dos Enfermeiros em Cuidados de Saúde Primários

Para a coisa não ser disparada assim a frio convém que lhe façamos um breve enquadramento, para constatar que nem sequer existe grande novidade e, outros tempos houve, em que as coisas já foram testadas.

Está a decorrer desde 2008, uma reorganização dos cuidados de saúde Primários (CSP). Esta reorganização baseia-se naquilo que se estabeleceu chamar os Centros de Saúde (CS) de 3ª Geração.

Esta reorganização surge na sequência dos CS de 1ª Geração criados em 1971, cuja finalidade era a de prestarem cuidados a alguns problemas de saúde dominantes na época, como eram a mortalidade materna, infantil e doenças infecciosas. Essas actividades baseavam-se, sobretudo, na prevenção e vigilância desses problemas de saúde, e eram desempenhadas, maioritariamente, por enfermeiros com apoio de alguns (muito poucos) médicos de saúde pública, os chamados Delegados de Saúde.

Os CS de 2ª Geração surgiram em Portugal em 1984, a sua organização pretendia atribuir a todos os cidadãos um médico de família, que trabalharia em equipa com os restantes profissionais dos CS. Tinham por base uma filosofia utópica de prestação de cuidados globais de saúde, que englobavam desde a promoção e a vigilância de saúde; a prevenção, os diagnósticos e tratamento de doenças; e ainda a reabilitação dos doentes afectados e a sua integração na sociedade. A figura dominante e poderosa destes CS era a do Clínico Geral, que tudo controlava, desde a administração à prestação de cuidados, que subalternizou todos os outros profissionais, nomeadamente, os seus colegas da área da saúde pública; mas sobretudo, os enfermeiros, que à medida que foram conseguindo “títulos” académicos, como o de licenciados, se viram com funções, na maioria das vezes, de meros auxiliares de consultório, mas muito “felizes” porque trabalhavam em Equipa, quando na maioria das vezes o que faziam era cumprir as prescrições dos senhores doutores médicos. Toda a autonomia que tinham nos CS de 1ª Geração foi-se.
A par de alguma melhoria de alguns indicadores de saúde, o que ficou e ainda se mantém desta herança foi uma medicalização crescente da saúde, e como era lógico, os custos CSP dispararam. Mas os resultados de melhoria da saúde dos portugueses pouco se viram.

Dos actuais CS de 3ª Geração e sua criação em 2008, pouco há para dizer. A filosofia e os princípios mantêm-se como os seus antecessores. Foi feita apenas para responder às necessidades dos grandes centros urbanos do litoral, onde se acumulam o número de cidadãos sem médico de família (estima-se que mais de 1milhão), apesar dos rácios de utentes por médico ser inferior a toda a Europa. A sua reorganização, mais uma vez, foi completamente controlada pelos médicos de clínica geral, que viram nesta oportunidade apenas mais uma forma de ganhar algum dinheiro, para se equipararem aos seus colegas hospitalares. Passados 4 anos, o número de cidadãos sem médico mantêm-se, e os custos não param de subir.

Como resolver então esta situação:

Na minha modesta opinião, a reorganização deveria ter por base o reaproveitamento dos enfermeiros (como já reconheceu o actual Ministro da Saúde), contrapondo ao pseudo trabalho de equipa, um “Trabalho em articulação e Cooperação” entre os diversos técnicos; onde os enfermeiros seriam os responsáveis por tudo o que fossem actividades Prevenção Primária e alguma da Prevenção Terciária, ou seja: promoção e vigilância da saúde, prevenção de doenças e seguimento das grandes enfermidades crónicas.

Os enfermeiros, através de Protocolos elaborados para os diversos Programas de Saúde, seriam os responsáveis nos CS pelos programas de saúde infanto-juvenil, planeamento familiar e saúde reprodutiva, saúde materna e prevenção do cancro da mama e do útero, vacinação, seguimento dos diabéticos e de doentes hipertensivos, doentes com problemas de coagulação, seguimento de doentes dependentes nos domicílios e nos lares, e outros Programas de Saúde em execução nos Centros de Saúde.

Isto libertaria os médicos generalistas para a Prevenção Secundária, onde a sua formação é essencial em actividades de diagnóstico e tratamento das doenças, atendimento de situações agudas ou episódios de recidiva das doenças crónicas.

Toda esta nova organização seria apoiada por outros técnicos de saúde, tais como fisioterapeutas, psicólogos, higienistas orais e de nutrição, etc. E claro, um Sistema de Informação fidedigno, compatível com os Sistemas de Informação Hospitalares; e o respectivo pessoal administrativo.

O financiamento, isto é, o “carcanhol” para cada um ou grupo de profissionais, seria feito com base em Objectivos por lista de utentes, e com avaliação nos resultados obtidos, em oposição à actual avaliação de processos.

Amahã abordarei a Utilização das Urgências por situações não urgentes

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Vale a pena ter um Honda...



(Ver ecrã inteiro)

domingo, 22 de janeiro de 2012

Memórias do dia 22 de Janeiro de 1974 – Um dia que nunca esqueço

Preâmbulo

Com este Capítulo chega ao fim o relato que aqui venho fazendo, em dias do aniversário, da experiência que vivi no dia 22 de Janeiro de 1974, quando participei num feito que considero histórico, que é o de ter participado numa “greve” durante o regime do Estado Novo, algo que era considerado crime.

Tenhamos em conta que esse regime já agonizava, e que o seu fim se aproximava, a passos largos, no próximo 25 de Abril, mas mesmo assim o risco era grande! Nessa época, convém relembrar que, participar numa aventura destas punha em risco a própria vida. Mas, o que representava essa mesma vida para um jovem de 16 anos, que via aproximar-se, a sua ida para África, para matar ou morrer, numa guerra absurda e por uma causa bem menos justa.

Para uma actualização integral, caso já tenha caído no vosso esquecimento, recomendo que recueis até há um ano atrás, neste espaço, e lêem o II Capítulo; ou mesmo dois anos e, aqui, encontrarão o inicio desta pequena aventura. Para aqueles que não tenham paciência para tanto, ficam aqui, os últimos parágrafos do II Capítulo, para refrescar a memória, daqueles que ainda a possuem:

“... Quando chegou a minha vez, senti-me a enfrentar um pelotão de fuzilamento. No entanto a dúvida, do monólogo com a entidade patronal, já se havia esfumado, pois já ouvira bem claro, o que se passara com aqueles que mais próximos estavam de mim, e assim, foi sem qualquer surpresa, que ouvi da boca do senhor Engenheiro Neves, a pergunta que repetia pela quinquagésima vez:

- O senhor quer ou não trabalhar?

“Ainda passou pela minha cabeça argumentar que Sim, que queria! Que gostava muito, e precisava daquele trabalho, como do pão para a boca…! Mas, que o senhor engenheiro fosse criterioso, pois bem sabia que o custo da vida estava pelas horas da morte, que a renda da casa tinha aumentado, a electricidade em casa já andava a ser substituída por velas; o comboio já custava seis escudos do Cacém para Lisboa, até, pela “bica”, já queriam vinte e cinco tostões; ir ao cinema? Só no “piolho”…; saiba, o senhor engenheiro, que a malta mata-se aqui a trabalhar, a dar o litro dez horas por dia; eu, uma criança, pela manhã até já cuspo ferrugem deste maldito óxido de ferro, e à noite, só oiço “grilos” nas orelhas; os maganos daqueles sarracenos não param de aumentar o preço do petróleo e, como o senhor sabe, quando aumenta o crude, aumenta tudo, O senhor bem sabe, que fomos nós, com o nosso trabalho, que fizemos esta empresa, não se esqueça, que ainda há três anos, não passava de uma oficina num “vão de escada”!
- E já agora, ò senhor engenheiro, o que era isso para si de, apenas mais dez escudos por dia a cada um de nós? Etc., etc.….”

Mas não. Baixei a cabeça, por ser a primeira vez que estava tão de perto com tamanha eminência, não prenunciei uma só palavra, e lá segui, no formigueiro, para a porta de saída. Evitando assim, ao Sr. Neves da Silva, a palavra por si mais repetida naquele dia: RUA!”


Capítulo III e Epílogo

Como já havíamos revelado no Capítulo anterior, esta «média empresa» não passava, há três anos atrás, de uma pequena oficina familiar de vão de escada, com meia dúzia de operários que, praticamente, executavam obra miúda, tal como portas e portões ou janelas em ferro, para protecção das propriedades privadas das redondezas. Havia sido concebida e criada “a meias” entre dois sócios, em que um, o actual patrão, à boa maneira portuguesa se havia desenvencilhado do segundo, assim que a coisa começou a prosperar e dar rendimentos.

As instalações de produção eram constituídas por dois grandes pavilhões contíguos que embora iguais no seu formato, parecendo irmãos, poder-se-ia antes dizer que um havia parido o outro, sendo assim um o principal e o outro o secundário. Ali eram construídas toda a gama de maquinaria para a construção civil, desde gruas a betoneiras, até silos e cofragens; ali trabalhavam mais de duzentos operários entre traçadores, cortadores, torneiros, maçariqueiros, ferramenteiros, desempenadores, serralheiros civis e mecânicos, soldadores, serventes para toda a obra, montadores, electricistas, fresadores, aprendizes, praticantes de tudo e de nada, controladores de produção, e, qualidade, chefes de secção, e, gerais, etc., etc. Digamos que, de grosso modo, ferro era connosco.

Apesar desta vocação institucional pelo metal, ainda me lembro, como se fosse hoje, do episódio do “martelo de desempenar borracha”, quando estava no meu segundo dia de tirocínio da arte do malhar ferro, ter chegado à minha beira, um daqueles já experimentados “mestres ratinhos” e ter-me ordenado: «- Ò chaval, vai além à Ferramentaria levantar um martelo de desempenar borracha! E vai num pé e vem no outro, senão tens que experimentar a densidade da verga de aço nessas nalgas, que tenho aqui guardada para os molengões alentejanos...».

Tendo eu apenas catorze anitos, pensava já não ser dos mais tolos, e um “martelo de desempenar borracha?”, não lembrava ao diabo! Mas, quem se atrevia a desobedecer nessa época a um “mestre”? E, com ar desconfiado, mas sem pestanejar, lá fui em demanda da peculiar ferramenta de endireitar a borracha. Claro que, ao meu pedido, o ferramenteiro me cravou um volumoso “embrulho” com mais de vinte quilos, que lá tinha sempre pronto a entregar aos incultos e novatos na arte de malhar o ferro.

Sobre a data desta pequena praxe, já haviam passado mais de dois anos, quando ocorreram os acontecimentos desse dia 22 de Janeiro de 1974. A cena que relatámos anteriormente de conflito entre o representante do capital e o jovem de 16 anos que eu era, repetiu-se, nessa manhã, cerca de duas centenas de vezes. Tantas quanto o número de operários que ali trabalhavam e que, naquele dia, por questões de reivindicativa justiça salarial, resolveram não o fazer.

Sendo o pavilhão secundário como que filho do principal, ali labutavam os proletários admitidos mais recentemente, os mais novos, quer na empresa quer em idade; ficando o pavilhão principal para aqueles trabalhadores mais antigos na casa, alguns deles oriundos da oficina mãe do vão de escada, que mantinham ainda com o patronato uma espécie de relação de amizade pelo caminho que haviam percorrido em comum, quando ainda uns não eram mandantes e, outros, ainda não eram mandados. Esta premissa viria a influenciar, acentuadamente, todo o desenrolar dos acontecimentos.

Não admira pois que no pavilhão secundário, o primeiro a ser inquirido pela eminência patronal, sobre se queriam ou não trabalhar, a negação de iniciar labuta pelos abordados tenha tido uma adesão praticamente total; já no denominado pavilhão principal, sem que no secundário se percebesse muito porquê e, perante a pergunta do engenhocas, a resposta mais frequente foi, em vez do esperado não, ter-se começado a ouvir, com alguma frequência e intensidade, as rebarbadoras a chiar e os martelos a castigar o ferroso metal.

Estava assim encetado o princípio estratégico de dividir para reinar, e a partir dali, as “formigas” que haviam abandonado a caverna, teriam de lutar por si, embora se viessem a sair vitoriosas, os provimentos seriam para todo o formigueiro. O costume!

Foi assim que, enquanto metade daqueles que haviam iniciado a peleja já ajustavam moldes nas chapas, faziam deslizar com maestria o punção ou escopro batidos pelo martelo, riscavam com o traçador de ponta de diamante, serravam bocados de ferro, com as guilhotinas cortavam as chapas com violência, assentavam esqueletos de longarinas e pivôs nos gabaritos, soldavam a eléctrodo incandescente tirantes e degraus, ensaiavam lanças e contra-lanças, faziam rolar as calandras e tornos mecânicos, apertavam grampos, moldavam curvas nas bigornas, desempenavam cantoneiras, empilhavam vigas, faziam expirar os foles das forjas, acendiam maçaricos de oxigénio e gás metano, faziam furos de berbequim, rebarbavam chanfres para soldaduras, acertavam esquadrias, faziam deslizar pontes rolantes, ou experimentavam croquis... Nós, aqueles que tinham recebido e acatado a ordem de expulsão senhorial, deparámo-nos, subitamente, num grupo com cerca de uma centena de embotados à porta de entrada do pavilhão secundário, esperando o regresso do soberano, dispostos a tudo, para tentarmos em grupo, aquilo que não havíamos logrado individualmente.

Neves da Silva, não se fez esperar muito. Mesmo que nos quisesse fugir, aquela que era a porta de entrada, também era a única porta de saída e, janelas se existiam, ficavam demasiado altas para serem escaladas por sua excelência. Mostrando alguma coragem, aproximou-se do hostil grupo de enferrujados que, rapidamente, o rodearam e uma conversação estranhamente pacífica e respeitosa iniciou-se: Nós, alegando da necessidade do aumento salarial para fazer face ao aumento do custo de vida; ele, contra-argumentando tal impossibilidade, com a finalidade de manter a empresa viável. O trivial nestas coisas.

De considerando em considerando, de fundamento em fundamento, num diálogo de surdos, sem que qualquer das partes mostrasse vontade de ceder, passadas que foram duas horas a malhar ferro de língua, a entidade patronal lá anuiu a que os enferrujados poderiam voltar no próximo dia aos seus postos de trabalho, se assim o quisessem, pois ele anulava a ordem de despedimento. Quanto à reivindicação de aumento salarial? Essa nem em Maio, como vinha sendo tradição, quanto mais em Janeiro.
Sentença de patrão!

Não proliferava por essa época a comunicação social marialva de hoje, senão não faltariam declarações obstinadas, sobretudos para as televisões, de cada uma das partes a clamar por vitória, argumentado os representantes de uns “que tinha este processo de luta reivindicativa sido um êxito, pois havia-se conseguido uma adesão em números da paralisação de cem por cento por parte dos trabalhadores, que apesar de metade deles terem chegado a ser despedidos, o patronato teve que ceder e proceder à sua reintegração imediata, isto para além de ter sido um acto heróico, possivelmente até histórico, isto de fazer uma greve num regime totalitário que a proibia e, logo, o governo, como sempre ao lado do capital, também havia saído derrotado e, quem sabe, até ferido de morte”; pela outra parte, não deixaria de aparecer o Sr. Engenheiro, acompanhado, certamente, por três ou quatro capangas de gabardina cinzenta, que aliás o acompanharam sempre durante a sua deambulação pelos pavilhões fabris, defendendo “que mais uma vez a inegável responsabilidade desta administração, apoiada sempre por suas excelências as autoridades corporativas em representação do patriótico governo da nação, haviam levado a bom porto, e debelado mais uma pequena rebelião, em que, não mais de meia dúzia de trabalhadores metalúrgicos, certamente mal aconselhados, ou mesmo manipulados por forças ocultas, quiçá estrangeiras, contrárias aos reais interesses da nação portuguesa e adversas à pacífica convivência existente entre patrões e seus empregados, tão imbuídos no desenvolvimento do país no difícil momento que atravessamos face à difícil conjuntura externa, etc., etc., etc....”

Em conclusão: “lançados os foguetes, feitas as festas, alguém terá sempre de apanhar as canas”; ou ainda, mais apropriado para este caso, “depois de levantada a mesa, sempre alguém fica com as barbas untadas”. E foi o que veio acontecer.

Apesar de no dia seguinte todos termos voltado ao trabalho, uns mais envergonhados, outros menos, não podíamos ignorar que em termos de resultados, exceptuando a perda da produção de um dia de malhar no ferro por parte do patronato; os grandes perdedores do feito épico, haviam sido, como de costume os trabalhadores, que não viram concretizadas nenhuma das suas justas reivindicações, salvo o facto de, metade deles gozar o privilégio de terem passado três quartéis do vigésimo segundo dia do mês de Janeiro, do ano da revolução dos cravos de verga direita, que é o mesmo que dizer sem vergar a mola.

Nos quinze dias subsequentes nada aconteceu, e tudo parecia navegar num mar de rosas entre aquelas oito paredes. No entanto, as consequências tardias desta aventura não se fizeram esperar, já que, rapidamente, se concluiu que as tais figuras funestas de gabardina cinzenta, não tinham andado por ali apenas para se inteirarem do estado da arte de malhar no ferro ou a medir os decibéis dessa acção que tanto agrediam as expostas membranas timpânicas! Assim, em quase todas as manhãs seguintes, e, sucessivamente, lá dávamos pela falta de mais um! E, de sussurro em sussurro, lá se passava a notícia: “ a pide foi buscá-lo a casa esta noite e levaram-no para Caxias! Parece que pertencia ao partido dos comunistas e que esteve na génese da paralisação do outro dia. ”

Assim, em cada noite que chegava, eu, esperava a minha vez. Apesar de não ter qualquer ligação ao tal partido, ou qualquer outro, bem sabia que apesar da minha tenra idade, tinha sido um dos mais activos argumentista na revolta dos enferrujados na sessão de “enfrentamento” com o patronato.

Ditosamente, a madrugada de 25 de Abril ocorreu, e, sem que eu soubesse porquê, a minha vez de passar umas “férias” na praia do cagalhão nunca chegou!

Por tudo isto, o dia 22 de Janeiro ficou gravado na minha memória...

sábado, 21 de janeiro de 2012

Não estar, mas ficar na memória...

O clã Bugalhão perdeu hoje mais uma das suas raízes. Maria, aquela que todos conheciam por Júlia, partiu.

Júlia ou Maria Júlia, era certamente uma das mais lúcidas memórias da família, detentora de uma “memória de elefante”, foi ela que me passou muitas reminiscências do passado colectivo da nossa família. Para mim, ela terá sido como uma segunda mãe.

Sei que algures, um destes dias nos voltaremos a encontrar. Sei também, que para além de me repetir todas as estóreas que me contou na minha infância, não deixará de me presentear com mais um bocadinho da tal “coalhada”, pela qual eu suspirava, enquanto fazia o seu queixo mole...

É só mais um pouquinho na roda da vida...

“ai piroli, piroli
ai piroli, pirolé
se não gostas de agurardente com chocolate
bebe café...”


Hoje é um dia triste.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Estar; "mas já não estar..."




Se às vezes numa rua no lugar

eu penso que um dia hei-de morrer

sei que tudo o que tenho vou deixar

aqui onde hoje estou deixo de estar

e tudo quanto sou deixo de ser


medo da morte não consigo ter

mas outros mais humanos e banais

medos que a gente tem mesmo sem querer

como o medo que eu tenho de morrer


só por querer viver um pouco mais

se consigo a meu modo estar no céu

mesmo vivendo neste chão de inverno

se apenas sou árvore que cresceu

no espaço e no tempo que é o meu

para que havia eu de ser eterno


mas como as minhas cinzas vão ficando

debaixo de uma pedra de jardim

meu amor tu sabes onde me encontrar

e uma flor sobre a pedra vais deixar

de cada vez que lembrares de mim

de cada vez que te lembrares de mim

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Haja pachorra...

Que terá feito este "pardal" para acabar com esta situação quando era Ministro-Adjunto do Primeiro-Ministro do XII Governo (1992-1995); ou Ministro dos Assuntos Parlamentares, no XV Governo (2002-2004)?

É mesmo de perguntar: Mijaste-te, ou queres colo?


terça-feira, 15 de novembro de 2011

O maior mastro do mundo é português!!!


A melhor Selecção de Futebol da Europa, na voz e na escrita da maioria dos bacocos “comentadores da treta” da nossa praça, joga logo à noite o seu futuro (e estamos à rasca), no próximo Europeu, contra uma modesta Selecção da Bósnia, que ocupa o 21º lugar do ranking FIFA.

Antes do jogo com a Dinamarca, que nos passou a perna nos 2 últimos apuramentos para competições internacionais, para a maioria desses comentadores, parece que nem valia a pena jogar pois os supersónicos jogadores portugueses, “os galácticos”, eram considerados os grandes candidatos a campeões da Europa, e nem valeria a pena jogar com esse tais dinamarqueses.

A mim isto cheirava-me como de costume, a mais uma “portuguesisse manhosa”. E só acreditei quando me garantiram que táctica desta vez era diferente, não seria o 4.4.2; nem o 4.3.3; nem tão pouco o 4.2.3.1; mas que a coisa era garantida, pois a “nova táctica”, passava por um modelo original, que era o de «atarem os braços e as pernas aos dinamarqueses»!...

Muito me surpreendeu, quando o jogo começou e vi os sacanas dos Vikings à solta! Logo pensei: isto vai dar bronca. E deu.

Só espero que logo à noite, não se esqueçam, pelos menos, de atar os braços ao bósnios, senão a coisa “nã sará façal”....