quarta-feira, 13 de junho de 2012
2º GRANDE ENCONTRO DA FAMÍLIA BUGALHÃO
quinta-feira, 7 de junho de 2012
quarta-feira, 2 de maio de 2012
segunda-feira, 30 de abril de 2012
há dias assim...
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Estóreas de contrabando: O Palindro
Ontem, durante o percurso da IV Rota do Contrabando, enquanto percorria alguns desses trilhos e veredas, então usados nessas actividades no passado, ao deparar-me com uma pequena manada de vacas que por ali pastavam descansadamente, veio-me à memória uma dessas estóreas, talvez uma das mais fabulosas que ouvi, pela voz do seu protagonista de nome José Rosado, que todos conhecíamos por Zé Passarito, mas que o meu pai tratava sempre pelo “Palindro”, vá lá saber-se porquê!
O “Palindro” era uma dessas personagens prodigiosas, capazes de inventar duas intrujices em cada frase que proferisse, fazendo-se acreditar por quem o ouvisse e, o mais impressionante era que ele próprio parecia chegar ao ponto de acreditar nas suas próprias patranhas.
Num serão, desses inícios de noite frios e pachorrentos, dizia o “Palindro” para o meu pai:
- Oh Manel vou-te contar uma que nunca te contei. Numa noite em que eu e mais sete camaradas íamos levar umas cargas de café à Fontanheira, ali numa tapada da Ramila eis que, de repente, nos aparece por detrás duma giesta, uma magana de uma vaca enorme, preta como noite, a investir direita a nós! Olha, só tive tempo de bradar aos outros camaradas, que o melhor era a gente, entre todos, agarrá-la, antes que ela escangalhasse o primeiro que apanhasse. Assim aventei e assim o fizemos. Largámos as “carguitas” do café, e, entre todos, lá segurámos o bicho. Claro que, comigo a ir à córnea!
Só que após termos a sorte terminada, começámos a pensar. E agora? Quando a largarmos ela vai apanhar pelo menos um, e, duma valente “sova” esse não se vai safar!
Foi então que eu me lembrei de dizer para o “Pingas”, que estava no lombo da bicha:
- Eh pá dá aí uma pedra! Assim que apanhei o calhau nas unhas dei com ele num dos olhos da vaca, e, enquanto ela ficou a coçar o olho, nós agarrámos no café, e fugimos todos!
O meu pai já conhecedor do que a “casa” gastava, ainda lhe respondeu:
- Oh Palindro, isso foi mesmo assim?
Claro que o Palindro não se desmanchou e logo contrapôs, que era tão verdadinha como ele se chamar Zé Passarito! E que, se desconfiava, perguntasse ao seu cunhado Julião Pena, que também ia no grupo.
Só que o Mané Bugalhão conhecia bem a manhosice desses dois, e jamais arriscaria tal pergunta ao cunhado do Vale Carvão, cuja resposta ele já conhecia de ginjeira:
- Pois, pois, Manel, hum, hum..., esse” passarito” é mesmo danado para estóreas...
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Gostar...
Gostar, percebe-se nas atitudes e nos comportamentos, nunca nas palavras, embora estas, também sejam importantes e, às vezes, a falta delas...
Gostei da tua atitude de hoje, magoou-me o teu comportamento de ontem.
quarta-feira, 7 de março de 2012
Para o meu admirador secreto do Fórum
Caruma
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Reflexões sobre saúde: O mito dos 1 500 utentes por médico

Quando se começou a pensar na criação do “médico de família” no SNS, de acordo com alguns estudos da época, convencionou-se que a quantidade ideal de utentes por cada médico em CSP seria o de 1 500.
Muitas coisas mudaram desde então: os problemas de saúde, as estruturas etárias, as ocupações das pessoas, as tecnologias, os sistemas de informação, a experiência dos profissionais, os fármacos, etc., etc. Mas este número, com pequenas nuances, lá se foi mantendo. E só tem sido aceite a sua negociação, pelos médicos, a troco de dinheiro, como é o caso nas actuais Unidades de Saúde Familiar.
Não irei discutir se esse número é pouco ou é muito, aceito que seja uma base, e da minha experiência de 30 anos de trabalho na área, parece-me um bom número para quando um clínico inicia a prestação de cuidados com uma determinada “lista” de utentes. Já tenho uma certa dificuldade em aceitar, que após algum tempo de trabalho com esses utentes e o seu respectivo conhecimento e quando eles são praticamente os mesmos, com pequenas mobilidades, esse número “mítico” se mantenha nem que seja 10 ou 20 anos depois.
Se eu for fazer um determinado percurso num terreno que não conheça, possivelmente, nas primeiras vezes o tempo que gasto em o percorrer será X, mas a partir do momento em que conheça as subidas e as descidas, as curvas e contra-curvas, os obstáculos naturais e outros, ao fim de algumas caminhadas, certamente, reduzirei o tempo gasto, e, se dispuser do mesmo tempo diariamente, seguramente, posso aumentar o espaço percorrido.
Logo, o que deveria acontecer era quando um clínico inicia-se trabalho com uma nova “lista” de utentes a base deveria ser a dos 1 500; mas depois, anualmente, esse número deveria ser aumentado de 100 utentes, até ao máximo de 2 000 utentes. Em termos de remuneração, quem tivesse apenas até 1 500 receberia apenas um “ordenado base”, e à medida que fosse aumentando a “lista”, por cada 100 utentes receberia mais 10% da remuneração base. Premiava-se o mérito e desapareciam os utentes sem médica de família.
No distrito de Portalegre, apesar de continuarmos a ouvir a ladainha de falta de médicos, nem esse número é atingido e como podemos verificar no Quadro 2, a média de utentes/médico de família no distrito ronda os 1 300. Apenas em 2 concelhos essa quantidade ultrapassa ligeiramente os 1 500 (Elvas e Ponte de Sôr). E em 9 concelhos esse número não chega aos 1 200.
No entanto, a maioria destes clínicos continuam a clamar que as suas listas de utentes estão completas ou ultrapassam os tais 1 500. E porquê?
Muito simples, na maioria dos casos, os Ficheiros estão desactualizados e os Sistemas de Informação em CSP continuam a não dar resposta à pergunta mais básica que é a: de quantos são?
Há dias, o todo-poderoso Bastonário da Ordem dos médicos dizia numa entrevista que em Portugal existem quase 12 milhões utentes inscritos no SNS, quando temos apenas 10 milhões de habitantes, e, que bastaria que se procedesse a uma actualização dos Registos para que não houvesses utentes sem médico de família em Portugal!
Pergunto eu: Então porque não dá orientações aos seus consócios para que o façam?
No distrito de Portalegre a situação é menos grave, mas mesmo assim, existem inscritos perto de 132 000 utentes, quando somos apenas cerca de 119 000 (13 000 inscritos a mais), e não tenho conhecimento de termos por cá inscritos vindos dos distritos de Évora ou Santarém e muito menos espanhóis. Com este número de inscritos a média aumenta logo para cerca dos tais 1 500 utentes/médico.
A quem interessará esta situação?
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Reflexões sobre saúde: Deixar as Urgências para o que é urgente...
“Hoje, morre-se nas Urgências Hospitalares em situação idêntica à dos campos de batalha medievais, às vezes nem um pano encharcado de vinagre nos levam aos beiços. É urgente parar esta desumanidade...”.
Preâmbulo
Os serviços das urgências hospitalares são hoje verdadeiros caos, onde desembarcam todo o tipo de problemas. São como a foz do tal rio, que vos falei no Post anterior, onde não existiram quaisquer cuidados de manutenção a montante.
Nos “bancos”, hoje em dia, desagua de tudo: desde o homem de meia-idade que tem uma dor no peito, o politraumatizado num acidente de viação, a grávida de 5 meses que teve uma hemorragia abundante, o velho que caiu sobre a anca e não mexe o membro, a mulher que foi encontrada e não mexe um braço e a perna do mesmo lado, alguém que teve uma dor violenta no dorso e está a vomitar, o homem que não consegue urinar à 6 horas, aquele que mal consegue respirar, etc; tudo isto misturado com o menino que não quis comer a sopa, o velho que tem uma dor reumática há 3 anos, a esposa que se indispôs com o marido, o marido que bebeu uns copos e chegou a casa vomitou ou estava tonto, a mãe cujo filho apareceu com febre pela manhã, o trabalhador que não lhe apetece trabalhar e diz que tem uma unha encravada, a pessoa de 95 anos do lar de idosos que já estava morta pela manhã mas a família exigiu que o levassem ao hospital porque senão não tem quem lhe passe o óbito, e, um sem fim de situações que nunca mais pararia!
O que é que é urgente e o que é que não é? Na perspectiva pessoal do utente/doente, urgente é sempre o seu problema, como é lógico. Terão de ser os serviços a fazer essa triagem e organizar as prioridades de atendimento, dentro de um tempo razoável.
Estes serviços são, em termos organizativo-funcionais um verdadeiro calvário para aqueles que por mil e uma razões os procuram, mas não o são menos para os diversos profissionais que aí desempenham as suas actividades, e, são o grande quebra-cabeças para qualquer administrador ou gestor de serviços de saúde.
No entanto, há várias décadas que todos os pensadores e administradores do sistema de saúde conhecem que esta problemática só tem uma solução: Reorganização e investimento nos Cuidados de Saúde Primários, enquanto porta de entrada dos utentes no sistema de saúde.
As urgências, se se quiserem eficazes, não podem continuar a ser de porta aberta e privilegiada para todos os cidadãos que queiram resolver os seus problemas de saúde, ou não. Ninguém deveria dirigir-se para um serviço de urgência hospitalar, sem ser enviado por um Serviço de Cuidados de Saúde Primários, com excepção das situações de emergência que serão conduzidas pelos respectivos serviços do INEM.
Desde a sua implementação, sem precisar das diversas reorganizações, que no SNS isto está previsto, porque não acontece então?
Por razões diversas, sobretudo desorganização e muitos interesses obscuros. Alguns deles já os enumerei no Post anterior, como é o exemplo dos clínicos gerais andarem a fazer o que não devem na Prevenção Primária, porque existem outros profissionais tão ou melhor habilitados que eles para essas actividades, quando deveriam estar disponíveis para dar resposta a estas situações de episódios agudos ou recidivas de doença, onde a sua formação é única e fundamental; mas também os grandes interesses privados e corporativos a quem não interessa ver estas situações correrem bem, alguns que são em, simultâneo, administradores no SNS.
Por outro lado, deveríamos proceder a uma “desmedicalização” do SNS, os utentes deveriam começar a ter mais confiança e procurarem os outros profissionais do sistema, para que estes os ajudem na resolução dos seus problemas. Como tenho vindo a defender, o médico não pode continuar a ser o actor que tudo resolve. E médicos e utentes têm que perceber isto.
Só que estas medidas, mesmo que começassem a ser tomadas agora, irão demorar algum tempo até se fazerem sentir. Não se mudam hábitos por decreto, e muito menos por obra e graça de qualquer personalidade divina, por isso urge começar.
2 – Deixar as Urgências para o que é urgente
A minha proposta urgente, para a reorganização das Urgências no Alto Alentejo, distrito de Portalegre, passaria por localizar no Hospital Doutor José Maria Grande, todas as urgências de cariz médico-cirúrgico, mantendo em Ponte de Sôr e Elvas serviços de urgência básicos (SUB).
Não faz qualquer sentido manter uma equipa médico-cirúrgica no Hospital de Elvas, e outra em Portalegre, quando todos os estudos apontam para que cada uma destas equipas tenha pelo menos 150 000 habitantes, no distrito, existem duas para 118 000 habitantes. Quando o tempo de deslocação entre as duas cidades é inferior a 45 minutos.
Uma aberração e um grande desperdício de recursos. Não estamos em tempos de bairrismos e muito menos de birrinhas!
Aqui no Hospital de Portalegre, existiriam dois serviços de atendimento (duas equipas) a trabalhar em paralelo: 1 para atendimento do que fosse catalogado pela “Triagem” com “verde” ou “amarelo” (pouco urgentes); e 1 outro para as verdadeiras urgências os “laranjas” e “vermelhos”.
O primeiro seria assegurado por profissionais dos Centros de Saúde, já que viram ultimamente os seus horários de atendimento diminuídos, e penso que ainda possuem 12 horas nas suas carreiras para estas actividades. O segundo, dentro do possível, seria assegurado pelos profissionais hospitalares de Elvas e Portalegre, só em último remédio se deveria recorrer às empresas mercenárias exteriores, nem que para isso se tivesse que pagar em horas extraordinárias aos profissionais em défice.
Quando a rapaziada de Lisboa soubesse, que havia médicos em Portalegre que ganhavam 30 ou 40% mais que eles, talvez fosse uma maneira de os arrancar de lá.
As criancinhas seriam atendidas no serviço assegurado pelos Centros de Saúde. Não faz sentido um serviço de urgência em Pediatria para atender pouco mis de 20 000 infantes, que são o número de jovens que existe no distrito dos 0-18 anos. Isto é um luxo a que não nos podemos dar, porque quando se desperdiça num lado, noutro irá faltar...
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Reflexões sobre saúde - Desaproveitamento dos Enfermeiros em Cuidados de Saúde Primários
Para a coisa não ser disparada assim a frio convém que lhe façamos um breve enquadramento, para constatar que nem sequer existe grande novidade e, outros tempos houve, em que as coisas já foram testadas.
Está a decorrer desde 2008, uma reorganização dos cuidados de saúde Primários (CSP). Esta reorganização baseia-se naquilo que se estabeleceu chamar os Centros de Saúde (CS) de 3ª Geração.
Esta reorganização surge na sequência dos CS de 1ª Geração criados em 1971, cuja finalidade era a de prestarem cuidados a alguns problemas de saúde dominantes na época, como eram a mortalidade materna, infantil e doenças infecciosas. Essas actividades baseavam-se, sobretudo, na prevenção e vigilância desses problemas de saúde, e eram desempenhadas, maioritariamente, por enfermeiros com apoio de alguns (muito poucos) médicos de saúde pública, os chamados Delegados de Saúde.
Os CS de 2ª Geração surgiram em Portugal em 1984, a sua organização pretendia atribuir a todos os cidadãos um médico de família, que trabalharia em equipa com os restantes profissionais dos CS. Tinham por base uma filosofia utópica de prestação de cuidados globais de saúde, que englobavam desde a promoção e a vigilância de saúde; a prevenção, os diagnósticos e tratamento de doenças; e ainda a reabilitação dos doentes afectados e a sua integração na sociedade. A figura dominante e poderosa destes CS era a do Clínico Geral, que tudo controlava, desde a administração à prestação de cuidados, que subalternizou todos os outros profissionais, nomeadamente, os seus colegas da área da saúde pública; mas sobretudo, os enfermeiros, que à medida que foram conseguindo “títulos” académicos, como o de licenciados, se viram com funções, na maioria das vezes, de meros auxiliares de consultório, mas muito “felizes” porque trabalhavam em Equipa, quando na maioria das vezes o que faziam era cumprir as prescrições dos senhores doutores médicos. Toda a autonomia que tinham nos CS de 1ª Geração foi-se.
A par de alguma melhoria de alguns indicadores de saúde, o que ficou e ainda se mantém desta herança foi uma medicalização crescente da saúde, e como era lógico, os custos CSP dispararam. Mas os resultados de melhoria da saúde dos portugueses pouco se viram.
Dos actuais CS de 3ª Geração e sua criação em 2008, pouco há para dizer. A filosofia e os princípios mantêm-se como os seus antecessores. Foi feita apenas para responder às necessidades dos grandes centros urbanos do litoral, onde se acumulam o número de cidadãos sem médico de família (estima-se que mais de 1milhão), apesar dos rácios de utentes por médico ser inferior a toda a Europa. A sua reorganização, mais uma vez, foi completamente controlada pelos médicos de clínica geral, que viram nesta oportunidade apenas mais uma forma de ganhar algum dinheiro, para se equipararem aos seus colegas hospitalares. Passados 4 anos, o número de cidadãos sem médico mantêm-se, e os custos não param de subir.
Como resolver então esta situação:
Na minha modesta opinião, a reorganização deveria ter por base o reaproveitamento dos enfermeiros (como já reconheceu o actual Ministro da Saúde), contrapondo ao pseudo trabalho de equipa, um “Trabalho em articulação e Cooperação” entre os diversos técnicos; onde os enfermeiros seriam os responsáveis por tudo o que fossem actividades Prevenção Primária e alguma da Prevenção Terciária, ou seja: promoção e vigilância da saúde, prevenção de doenças e seguimento das grandes enfermidades crónicas.
Os enfermeiros, através de Protocolos elaborados para os diversos Programas de Saúde, seriam os responsáveis nos CS pelos programas de saúde infanto-juvenil, planeamento familiar e saúde reprodutiva, saúde materna e prevenção do cancro da mama e do útero, vacinação, seguimento dos diabéticos e de doentes hipertensivos, doentes com problemas de coagulação, seguimento de doentes dependentes nos domicílios e nos lares, e outros Programas de Saúde em execução nos Centros de Saúde.
Isto libertaria os médicos generalistas para a Prevenção Secundária, onde a sua formação é essencial em actividades de diagnóstico e tratamento das doenças, atendimento de situações agudas ou episódios de recidiva das doenças crónicas.
Toda esta nova organização seria apoiada por outros técnicos de saúde, tais como fisioterapeutas, psicólogos, higienistas orais e de nutrição, etc. E claro, um Sistema de Informação fidedigno, compatível com os Sistemas de Informação Hospitalares; e o respectivo pessoal administrativo.
O financiamento, isto é, o “carcanhol” para cada um ou grupo de profissionais, seria feito com base em Objectivos por lista de utentes, e com avaliação nos resultados obtidos, em oposição à actual avaliação de processos.
Amahã abordarei a Utilização das Urgências por situações não urgentes
domingo, 12 de fevereiro de 2012
domingo, 22 de janeiro de 2012
Memórias do dia 22 de Janeiro de 1974 – Um dia que nunca esqueço
Com este Capítulo chega ao fim o relato que aqui venho fazendo, em dias do aniversário, da experiência que vivi no dia 22 de Janeiro de 1974, quando participei num feito que considero histórico, que é o de ter participado numa “greve” durante o regime do Estado Novo, algo que era considerado crime.
Tenhamos em conta que esse regime já agonizava, e que o seu fim se aproximava, a passos largos, no próximo 25 de Abril, mas mesmo assim o risco era grande! Nessa época, convém relembrar que, participar numa aventura destas punha em risco a própria vida. Mas, o que representava essa mesma vida para um jovem de 16 anos, que via aproximar-se, a sua ida para África, para matar ou morrer, numa guerra absurda e por uma causa bem menos justa.
Para uma actualização integral, caso já tenha caído no vosso esquecimento, recomendo que recueis até há um ano atrás, neste espaço, e lêem o II Capítulo; ou mesmo dois anos e, aqui, encontrarão o inicio desta pequena aventura. Para aqueles que não tenham paciência para tanto, ficam aqui, os últimos parágrafos do II Capítulo, para refrescar a memória, daqueles que ainda a possuem:
“... Quando chegou a minha vez, senti-me a enfrentar um pelotão de fuzilamento. No entanto a dúvida, do monólogo com a entidade patronal, já se havia esfumado, pois já ouvira bem claro, o que se passara com aqueles que mais próximos estavam de mim, e assim, foi sem qualquer surpresa, que ouvi da boca do senhor Engenheiro Neves, a pergunta que repetia pela quinquagésima vez:
- O senhor quer ou não trabalhar?
“Ainda passou pela minha cabeça argumentar que Sim, que queria! Que gostava muito, e precisava daquele trabalho, como do pão para a boca…! Mas, que o senhor engenheiro fosse criterioso, pois bem sabia que o custo da vida estava pelas horas da morte, que a renda da casa tinha aumentado, a electricidade em casa já andava a ser substituída por velas; o comboio já custava seis escudos do Cacém para Lisboa, até, pela “bica”, já queriam vinte e cinco tostões; ir ao cinema? Só no “piolho”…; saiba, o senhor engenheiro, que a malta mata-se aqui a trabalhar, a dar o litro dez horas por dia; eu, uma criança, pela manhã até já cuspo ferrugem deste maldito óxido de ferro, e à noite, só oiço “grilos” nas orelhas; os maganos daqueles sarracenos não param de aumentar o preço do petróleo e, como o senhor sabe, quando aumenta o crude, aumenta tudo, O senhor bem sabe, que fomos nós, com o nosso trabalho, que fizemos esta empresa, não se esqueça, que ainda há três anos, não passava de uma oficina num “vão de escada”!
- E já agora, ò senhor engenheiro, o que era isso para si de, apenas mais dez escudos por dia a cada um de nós? Etc., etc.….”
Mas não. Baixei a cabeça, por ser a primeira vez que estava tão de perto com tamanha eminência, não prenunciei uma só palavra, e lá segui, no formigueiro, para a porta de saída. Evitando assim, ao Sr. Neves da Silva, a palavra por si mais repetida naquele dia: RUA!”
Capítulo III e Epílogo
Como já havíamos revelado no Capítulo anterior, esta «média empresa» não passava, há três anos atrás, de uma pequena oficina familiar de vão de escada, com meia dúzia de operários que, praticamente, executavam obra miúda, tal como portas e portões ou janelas em ferro, para protecção das propriedades privadas das redondezas. Havia sido concebida e criada “a meias” entre dois sócios, em que um, o actual patrão, à boa maneira portuguesa se havia desenvencilhado do segundo, assim que a coisa começou a prosperar e dar rendimentos.
As instalações de produção eram constituídas por dois grandes pavilhões contíguos que embora iguais no seu formato, parecendo irmãos, poder-se-ia antes dizer que um havia parido o outro, sendo assim um o principal e o outro o secundário. Ali eram construídas toda a gama de maquinaria para a construção civil, desde gruas a betoneiras, até silos e cofragens; ali trabalhavam mais de duzentos operários entre traçadores, cortadores, torneiros, maçariqueiros, ferramenteiros, desempenadores, serralheiros civis e mecânicos, soldadores, serventes para toda a obra, montadores, electricistas, fresadores, aprendizes, praticantes de tudo e de nada, controladores de produção, e, qualidade, chefes de secção, e, gerais, etc., etc. Digamos que, de grosso modo, ferro era connosco.
Apesar desta vocação institucional pelo metal, ainda me lembro, como se fosse hoje, do episódio do “martelo de desempenar borracha”, quando estava no meu segundo dia de tirocínio da arte do malhar ferro, ter chegado à minha beira, um daqueles já experimentados “mestres ratinhos” e ter-me ordenado: «- Ò chaval, vai além à Ferramentaria levantar um martelo de desempenar borracha! E vai num pé e vem no outro, senão tens que experimentar a densidade da verga de aço nessas nalgas, que tenho aqui guardada para os molengões alentejanos...».
Tendo eu apenas catorze anitos, pensava já não ser dos mais tolos, e um “martelo de desempenar borracha?”, não lembrava ao diabo! Mas, quem se atrevia a desobedecer nessa época a um “mestre”? E, com ar desconfiado, mas sem pestanejar, lá fui em demanda da peculiar ferramenta de endireitar a borracha. Claro que, ao meu pedido, o ferramenteiro me cravou um volumoso “embrulho” com mais de vinte quilos, que lá tinha sempre pronto a entregar aos incultos e novatos na arte de malhar o ferro.
Sobre a data desta pequena praxe, já haviam passado mais de dois anos, quando ocorreram os acontecimentos desse dia 22 de Janeiro de 1974. A cena que relatámos anteriormente de conflito entre o representante do capital e o jovem de 16 anos que eu era, repetiu-se, nessa manhã, cerca de duas centenas de vezes. Tantas quanto o número de operários que ali trabalhavam e que, naquele dia, por questões de reivindicativa justiça salarial, resolveram não o fazer.
Sendo o pavilhão secundário como que filho do principal, ali labutavam os proletários admitidos mais recentemente, os mais novos, quer na empresa quer em idade; ficando o pavilhão principal para aqueles trabalhadores mais antigos na casa, alguns deles oriundos da oficina mãe do vão de escada, que mantinham ainda com o patronato uma espécie de relação de amizade pelo caminho que haviam percorrido em comum, quando ainda uns não eram mandantes e, outros, ainda não eram mandados. Esta premissa viria a influenciar, acentuadamente, todo o desenrolar dos acontecimentos.
Não admira pois que no pavilhão secundário, o primeiro a ser inquirido pela eminência patronal, sobre se queriam ou não trabalhar, a negação de iniciar labuta pelos abordados tenha tido uma adesão praticamente total; já no denominado pavilhão principal, sem que no secundário se percebesse muito porquê e, perante a pergunta do engenhocas, a resposta mais frequente foi, em vez do esperado não, ter-se começado a ouvir, com alguma frequência e intensidade, as rebarbadoras a chiar e os martelos a castigar o ferroso metal.
Estava assim encetado o princípio estratégico de dividir para reinar, e a partir dali, as “formigas” que haviam abandonado a caverna, teriam de lutar por si, embora se viessem a sair vitoriosas, os provimentos seriam para todo o formigueiro. O costume!
Foi assim que, enquanto metade daqueles que haviam iniciado a peleja já ajustavam moldes nas chapas, faziam deslizar com maestria o punção ou escopro batidos pelo martelo, riscavam com o traçador de ponta de diamante, serravam bocados de ferro, com as guilhotinas cortavam as chapas com violência, assentavam esqueletos de longarinas e pivôs nos gabaritos, soldavam a eléctrodo incandescente tirantes e degraus, ensaiavam lanças e contra-lanças, faziam rolar as calandras e tornos mecânicos, apertavam grampos, moldavam curvas nas bigornas, desempenavam cantoneiras, empilhavam vigas, faziam expirar os foles das forjas, acendiam maçaricos de oxigénio e gás metano, faziam furos de berbequim, rebarbavam chanfres para soldaduras, acertavam esquadrias, faziam deslizar pontes rolantes, ou experimentavam croquis... Nós, aqueles que tinham recebido e acatado a ordem de expulsão senhorial, deparámo-nos, subitamente, num grupo com cerca de uma centena de embotados à porta de entrada do pavilhão secundário, esperando o regresso do soberano, dispostos a tudo, para tentarmos em grupo, aquilo que não havíamos logrado individualmente.
Neves da Silva, não se fez esperar muito. Mesmo que nos quisesse fugir, aquela que era a porta de entrada, também era a única porta de saída e, janelas se existiam, ficavam demasiado altas para serem escaladas por sua excelência. Mostrando alguma coragem, aproximou-se do hostil grupo de enferrujados que, rapidamente, o rodearam e uma conversação estranhamente pacífica e respeitosa iniciou-se: Nós, alegando da necessidade do aumento salarial para fazer face ao aumento do custo de vida; ele, contra-argumentando tal impossibilidade, com a finalidade de manter a empresa viável. O trivial nestas coisas.
De considerando em considerando, de fundamento em fundamento, num diálogo de surdos, sem que qualquer das partes mostrasse vontade de ceder, passadas que foram duas horas a malhar ferro de língua, a entidade patronal lá anuiu a que os enferrujados poderiam voltar no próximo dia aos seus postos de trabalho, se assim o quisessem, pois ele anulava a ordem de despedimento. Quanto à reivindicação de aumento salarial? Essa nem em Maio, como vinha sendo tradição, quanto mais em Janeiro.
Sentença de patrão!
Não proliferava por essa época a comunicação social marialva de hoje, senão não faltariam declarações obstinadas, sobretudos para as televisões, de cada uma das partes a clamar por vitória, argumentado os representantes de uns “que tinha este processo de luta reivindicativa sido um êxito, pois havia-se conseguido uma adesão em números da paralisação de cem por cento por parte dos trabalhadores, que apesar de metade deles terem chegado a ser despedidos, o patronato teve que ceder e proceder à sua reintegração imediata, isto para além de ter sido um acto heróico, possivelmente até histórico, isto de fazer uma greve num regime totalitário que a proibia e, logo, o governo, como sempre ao lado do capital, também havia saído derrotado e, quem sabe, até ferido de morte”; pela outra parte, não deixaria de aparecer o Sr. Engenheiro, acompanhado, certamente, por três ou quatro capangas de gabardina cinzenta, que aliás o acompanharam sempre durante a sua deambulação pelos pavilhões fabris, defendendo “que mais uma vez a inegável responsabilidade desta administração, apoiada sempre por suas excelências as autoridades corporativas em representação do patriótico governo da nação, haviam levado a bom porto, e debelado mais uma pequena rebelião, em que, não mais de meia dúzia de trabalhadores metalúrgicos, certamente mal aconselhados, ou mesmo manipulados por forças ocultas, quiçá estrangeiras, contrárias aos reais interesses da nação portuguesa e adversas à pacífica convivência existente entre patrões e seus empregados, tão imbuídos no desenvolvimento do país no difícil momento que atravessamos face à difícil conjuntura externa, etc., etc., etc....”
Em conclusão: “lançados os foguetes, feitas as festas, alguém terá sempre de apanhar as canas”; ou ainda, mais apropriado para este caso, “depois de levantada a mesa, sempre alguém fica com as barbas untadas”. E foi o que veio acontecer.
Apesar de no dia seguinte todos termos voltado ao trabalho, uns mais envergonhados, outros menos, não podíamos ignorar que em termos de resultados, exceptuando a perda da produção de um dia de malhar no ferro por parte do patronato; os grandes perdedores do feito épico, haviam sido, como de costume os trabalhadores, que não viram concretizadas nenhuma das suas justas reivindicações, salvo o facto de, metade deles gozar o privilégio de terem passado três quartéis do vigésimo segundo dia do mês de Janeiro, do ano da revolução dos cravos de verga direita, que é o mesmo que dizer sem vergar a mola.
Nos quinze dias subsequentes nada aconteceu, e tudo parecia navegar num mar de rosas entre aquelas oito paredes. No entanto, as consequências tardias desta aventura não se fizeram esperar, já que, rapidamente, se concluiu que as tais figuras funestas de gabardina cinzenta, não tinham andado por ali apenas para se inteirarem do estado da arte de malhar no ferro ou a medir os decibéis dessa acção que tanto agrediam as expostas membranas timpânicas! Assim, em quase todas as manhãs seguintes, e, sucessivamente, lá dávamos pela falta de mais um! E, de sussurro em sussurro, lá se passava a notícia: “ a pide foi buscá-lo a casa esta noite e levaram-no para Caxias! Parece que pertencia ao partido dos comunistas e que esteve na génese da paralisação do outro dia. ”
Assim, em cada noite que chegava, eu, esperava a minha vez. Apesar de não ter qualquer ligação ao tal partido, ou qualquer outro, bem sabia que apesar da minha tenra idade, tinha sido um dos mais activos argumentista na revolta dos enferrujados na sessão de “enfrentamento” com o patronato.
Ditosamente, a madrugada de 25 de Abril ocorreu, e, sem que eu soubesse porquê, a minha vez de passar umas “férias” na praia do cagalhão nunca chegou!
Por tudo isto, o dia 22 de Janeiro ficou gravado na minha memória...
sábado, 21 de janeiro de 2012
Não estar, mas ficar na memória...
Júlia ou Maria Júlia, era certamente uma das mais lúcidas memórias da família, detentora de uma “memória de elefante”, foi ela que me passou muitas reminiscências do passado colectivo da nossa família. Para mim, ela terá sido como uma segunda mãe.
Sei que algures, um destes dias nos voltaremos a encontrar. Sei também, que para além de me repetir todas as estóreas que me contou na minha infância, não deixará de me presentear com mais um bocadinho da tal “coalhada”, pela qual eu suspirava, enquanto fazia o seu queixo mole...
É só mais um pouquinho na roda da vida...
ai piroli, pirolé
se não gostas de agurardente com chocolate
bebe café...”
Hoje é um dia triste.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Estar; "mas já não estar..."
Se às vezes numa rua no lugar
eu penso que um dia hei-de morrer
sei que tudo o que tenho vou deixar
aqui onde hoje estou deixo de estar
e tudo quanto sou deixo de ser
medo da morte não consigo ter
mas outros mais humanos e banais
medos que a gente tem mesmo sem querer
como o medo que eu tenho de morrer
só por querer viver um pouco mais
se consigo a meu modo estar no céu
mesmo vivendo neste chão de inverno
se apenas sou árvore que cresceu
no espaço e no tempo que é o meu
para que havia eu de ser eterno
mas como as minhas cinzas vão ficando
debaixo de uma pedra de jardim
meu amor tu sabes onde me encontrar
e uma flor sobre a pedra vais deixar
de cada vez que lembrares de mim
de cada vez que te lembrares de mim
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Haja pachorra...
É mesmo de perguntar: Mijaste-te, ou queres colo?
terça-feira, 15 de novembro de 2011
O maior mastro do mundo é português!!!

A melhor Selecção de Futebol da Europa, na voz e na escrita da maioria dos bacocos “comentadores da treta” da nossa praça, joga logo à noite o seu futuro (e estamos à rasca), no próximo Europeu, contra uma modesta Selecção da Bósnia, que ocupa o 21º lugar do ranking FIFA.
Antes do jogo com a Dinamarca, que nos passou a perna nos 2 últimos apuramentos para competições internacionais, para a maioria desses comentadores, parece que nem valia a pena jogar pois os supersónicos jogadores portugueses, “os galácticos”, eram considerados os grandes candidatos a campeões da Europa, e nem valeria a pena jogar com esse tais dinamarqueses.
A mim isto cheirava-me como de costume, a mais uma “portuguesisse manhosa”. E só acreditei quando me garantiram que táctica desta vez era diferente, não seria o 4.4.2; nem o 4.3.3; nem tão pouco o 4.2.3.1; mas que a coisa era garantida, pois a “nova táctica”, passava por um modelo original, que era o de «atarem os braços e as pernas aos dinamarqueses»!...
Muito me surpreendeu, quando o jogo começou e vi os sacanas dos Vikings à solta! Logo pensei: isto vai dar bronca. E deu.
Só espero que logo à noite, não se esqueçam, pelos menos, de atar os braços ao bósnios, senão a coisa “nã sará façal”....
terça-feira, 25 de outubro de 2011
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Roubar à descarada...
Para comprovar este vídeo, confirme-se o desplante a que chega, também em Portugal, o sistema bancário. Até para nos receberam diheiro nos cobram comissões.
A “estórea” conta-se em poucas palavras: “depois de mais um ano de sacrifícios e poupanças, decidi amortizar a minha dívida, referente a crédito para habitação, com uma certa instituição bancária”.Qual o meu espanto, que até para receberem o dinheirinho das minhas economias, ainda me cobram 34 Euros!!!
Pode não ser ilegal, mas é imoral. E como diria o meu pai: “se isto não é um roubo, o que será?”
Andam mesmo a pedi-las...
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Histórias da carochinha...
Atente-se nos diversos títulos de Jornais:
"Empresa Canadiana procura OURO em Vila de Rei"
A autarquia de Vila de Rei denuncia a empresa canadiana Redcorp Ventures, por fazer prospecções de ouro no seu território sem seu conhecimento e aprovação.
(Tertúlia do Pinhal: 11 Agosto 2007)
"Canadianos compram mina de ouro em Penedono"
A empresa mineira canadiana Colt Capital comprou a concessão para a exploração de ouro na mina de Penedono aos espanhóis da Rio Narcea. Esta concessão, atribuída em Outubro de 2004, ainda se encontra em fase de pesquisa e exploração.
(Diário de Notícias: 19 de Agosto 2007)
"Empresa canadiana procura ouro em terras de Leiria"
Uma empresa mineira do Canadá encontra-se a realizar prospecções de ouro em vários concelhos do distrito de Leiria, com vista a verificar a viabilidade económica da zona.
(Notícias da Região de Ansião: S/d)
"Canadianos à procura de petróleo em Alcobaça"
A Mohave Oil & Gas Corporation, empresa de exploração de petróleo e gás natural, quer realizar prospecções na cidade de Alcobaça.
(Diário de Notícias: 11 Fevereiro 2011)
"Empresa canadiana encontra ouro em Covas"
A empresa canadiana ‘Avrupa Minerals’ acaba de anunciar ter descoberto ouro em trabalhos de prospecção realizados na freguesia de Covas, Vila Nova de Cerveira, que poderá ser em quantidade “significativa”, refere o site oficial da empresa. Em causa está uma área de cerca de 900 metros de comprimento por 100 metros de largura, na antiga mina de volfrâmio de Covas, entretanto desactivada.
(Correio do Minho: 20/7/2011)
"Canadianos na corrida ao ouro no Alentejo"
A empresa Colt Resources quer explorar, por cinco anos, as jazidas do metal precioso, em Escoural. De acordo com o jornal, o pedido de licença está na Direcção-Geral da Energia e Geologia, que diz que aprovação «estará para breve», segundo o rotativo.
A empresa canadiana já tem presença em Portugal, através da exploração de outros depósitos de ouro e tungsténio.
(Jornal Público: 14 de Junho de 2011)
"Empresa canadiana "está a dar o máximo" para descobrir petróleo na costa portuguesa"
O director-geral da Mohave Oil & Gas, Arlindo Alves, disse hoje que a empresa de prospecção petrolífera "está a dar o máximo" para descobrir petróleo no mar da costa portuguesa.
(Jornal Económico com Lusa 9/8/2011)
"Canadianos investem 49 milhões para descobrir petróleo"
Companhia Mohave Oil & Gas vai investir 49 milhões de euros até 2013 para encontrar hidrocarbonetos em Portugal.
O director-geral da empresa, Arlindo Alves, diz que este investimento integra intervenções a realizar nas actuais cinco concessões de prospecção, três 'onshore' (em terra, em Aljubarrota, Rio Maior e Torres Vedras e duas 'offshore' (no mar), São Pedro de Moel e Cabo Mondego.
(Económico com Lusa 11/8/2011)
... no entanto em Marvão, de acordo com o Sr. Presidente da Câmara (ver declarações ao Jornal Alto Alentejo de 25/5/2011), o capital canadiano quer investir no Turismo (Pistas de BTT, diz ele), para o qual já adquiriu, certamente, mais de 10% do território do norte do concelho, o qual está a isolar com cercas de 3 metros de altura.


Será? Ou o actual executivo, anda a contar-nos histórias da carochinha?
Se assim for convinha começar as declarações com: “era uma vez...”
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Pequenas pérolas do funcionamento autárquico ...
"PROPOSTA PARA O LANÇAMENTO DE DERRAMAS NO CONCELHO DE MARVÃO
Sobre este assunto foi presente uma proposta do Sr. Presidente da Câmara Municipal, Vitor Frutuoso com o seguinte teor:
“Considerando que, de acordo com o estabelecido no artigo 14.º da Lei n.º 2/2007, de 15 de Janeiro, (Lei das Finanças Locais), os municípios podem deliberar lançar anualmente uma derrama, ate ao limite máximo de 1,5% sobre o lucro tributável sujeito e não isento de imposto sobre o rendimento das pessoas colectivas (IRC), que corresponda à proporção do rendimento gerado na sua área geográfica por sujeitos passivos residentes em território português que exerçam, a título principal, uma actividade de natureza comercial, industrial ou agrícola.”
Que a Câmara Municipal delibere qual a taxa a aplicar e submeter á aprovação da Assembleia Municipal de acordo com o estabelecido na alínea f) do n.º 2 do artigo 53.º da Lei n.º 169/99, de 18 de Setembro, na redacção da Lei n.º 5-A/2002, de 11 de Janeiro
- O Sr. Vereador, Eng.º Nuno Lopes propôs que fosse isento o lançamento da derrama.
- O Sr. Presidente da Câmara, Vitor Frutuoso propôs que fosse fixado em 1,5%.
- O Sr. Vereador, Dr. José Manuel propôs que fosse estabelecido o valor de 0,75%.
A proposta do Vereador Nuno Lopes foi rejeitada com três votos contra e dois a favor, a proposta do Sr. Presidente Vitor Frutuoso foi rejeitada com três votos contra e dois a favor; e a proposta do Vereador José Manuel também foi rejeitada com quatro votos contra e um a favor.
Dado que todas as propostas foram rejeitadas, fica este assunto agendado para a próxima Reunião. "
Palavras para quê! O poder autárquico no seu meelhor...
sábado, 17 de setembro de 2011
Cartas de amigo (3)
de acordo com o desejo que te expressei na última missiva, ao esperar ser a última vez que te escrevia para a cidade grande, a direcção desta dita já é para bem mais perto. Ainda não como eu desejava que fosse, a tua residência de SAA, mas tendo como destino a “casa grande” da capital de distrito. Digamos que bem mais acessível em distância para todos os que te estimamos. E como diz o outro: “... devagar se vai ao longe”, ou ainda: “devagar e passo certo...”.
Em primeiro lugar gostaria de te dizer que a tua evolução, desde o último dia em que estivemos juntos na casa do santo josé, foi simplesmente espectacular. Não sofresse eu dessa maleita da chamada “agnóstica”, e quase diria que o venerável tinha feito um pequeno milagre.
Convém informar que o Pedro que agora recebemos no nosso nordeste alentejano, ainda não é aquele que todos nós desejamos, mas creio que com o tempo, e a tua força de vontade de viver, não tardará o dia em que te teremos a cobrar impostos na tua repartição da mui nobre e sempre leal, e certamente outras tropelias, porque o teu espírito de homem livre e rebelde, parece-me intacto.
Bem sei que ainda não estás capaz de fazeres a “maratona de londres” na tal hora e quarenta e cinco minutos, como ontem me confidenciavas, e que parece que às vezes verbalizas umas coisas sem sentido! Mas olha, a dizer “babosêras” é o que mais por aí há, e alguns até se julgam alguém e lhes tiram o chapéu quando passam, por isso não te chateies, que tempos virão em que a tua “intelectualidade” virá a fazer furor..., o que até nem é muito difícil neste mundo de jericos.
Por fim, quero-te dizer, que de acordo com o teu pedido, irei informar todos os amigos que sejam um pouco mais pacientes para te visitarem, que te dêem mais alguns dias de recato com os teus familiares mais íntimos, já que a tua convalescença requer algum repouso e recato, e que não tardará o dia em que te possam dar o tal abraço prometido.
Deste teu amigo um só desejo: Se já chegaste até aqui, espero que subas os poucos degraus que faltam...
Um abraço
jbuga
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Cartas de amigo (2)
espero que esta minha missiva te vá encontrar ainda melhor que ontem, nós por cá, vamos indo como deus quer.
Em primeiro lugar, quero-te dizer que a viagem de regresso a Portalegre me correu bem, aliás, muito bem (até ouvi pelo caminho o relato do nosso benfas, que ganhou mais uma vez...), depois de constatar que o meu amigo não pára de nos surpreender, e toda aquela apreensão que me acompanhou na ida se dissipou, após constatar, in vivo, que tu não te deixas abater por qualquer cornada de vespa assassina, nem que ela tivesse cornos, em vez de um “banal” ferrão...
O que mais gostei de ver em ti, e que mais me surpreendeu, foi comprovar que manténs praticamente intactas a maioria das tuas competências intelectuais, que era o que mais me tem trazido inquieto; já que as mazelas físicas, são meras questões de bate-chapas e retoques de pintura. Mas essa coisinha da “caixa dos pirolitos”, confesso, que me trazia preocupado.
Também te quero dizer, e espero que tu não leves a mal, que ando por aqui a informar os nossos amigos, sobretudo aqueles que não param de se preocupar contigo, que penso que o teu regresso vai ser uma questão de tempo. Seguramente, até mais rápido do que muitos de nós pensávamos.
Convém no entanto alertar os mais optimistas, que a coisa não vai ser fácil, que não há milagres (isto digo eu); mas esse sorriso enigmático que ontem me revelaste, leva-me a acreditar que estás disposto a ir à luta, e do que de ti depender, não vai faltar determinação. Aliás, todos nós sabemos que tu és um lutador de causas, e que não irás falhar. Entretanto, convém que saibas que podes contar comigo e, certamente, com todos os amigos.
Deves também estranhar, eu não usar o mesmo meio de comunicação, o fórum. Mas como isto são questões do foro pessoal, vou usar a Retórica, da qual, como tu sabes, me deste a honra de ser o padrinho.
Por fim espero, sinceramente, que seja a última vez que te escrevo para a cidade grande, porque, ou muito me engano, ou dentro em breve vais regressar a este nosso nordeste alentejano.
Um abraço deste teu amigo, que espero materializar em breve.
joão bugalhão
quinta-feira, 28 de julho de 2011
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Menos um cargo, mais uma vaga...
No final foi-me dada a oportunidade de fazer uma Declaração de despedida, que aqui deixo para memória futura:
Comunicação à Assembleia Intermunicipal da CIMAA
"Ex.º Senhor Presidente da Mesa e Ex.º Senhores Membros da Assembleia Intermunicipal da CIMAA,
Estou a dirigir-me a esta Assembleia para comunicar que estive aqui hoje pela última vez, já que irei apresentar em breve a minha renúncia ao mandato na AM de Marvão, por razões que penso serem do domínio público e, consequentemente deixarei de ter lugar nesta Assembleia.
Aqui estive desde a primeira hora da criação deste espaço de representação intermunicipal do distrito de Portalegre e, embora a minha intervenção na discussão pública dos diversos temas que por aqui passaram tenha sido diminuta; procurei pelo menos ser um observador atento e aprender algo com as vossas intervenções, por isso vos agradeço. Quero deixar ainda, um agradecimento aos Membros da AM de Marvão que em mim confiaram para os representar nesta Assembleia.
No entanto, se me é permitido nesta hora da partida, gostaria de deixar aqui uma pequena análise, em forma de mensagem para o futuro, ao que me foi dado assistir durante estes 3 anos.
Penso que temos perdido demasiado tempo com discussões sobre pormenores processuais e nos temos fixado pouco em conteúdos, isto é, dando demasiada importância ao supérfluo e descurando o essencial.
E o essencial para mim, no distrito de Portalegre, são meia dizia de temas, já que eles são comuns a todos os concelhos (e penso que a todas as forças politicas aqui representadas), que raramente aqui foram aflorados, e que na minha modesta opinião deveriam estar na ordem do dia desta Assembleia, pois eles é que são os verdadeiros problemas que afectam os norte alentejanos, dos quais, de uma forma simplista, enumero os seguintes exemplos:
- O despovoamento do distrito (superior a 1% ao ano)
- Qual o modelo de desenvolvimento para um distrito de velhos (30% da população tem 65 anos ou mais)
- A baixa taxa de empregabilidade/desemprego e as suas razões
- Razões para as piores médias no ensino escolar
- O modelo de prestação de cuidados de saúde
- Que modelo de reorganização administrativa e seu financiamento
Espero, sinceramente, que no futuro, esta Assembleia possa continuar dar o seu contributo para o desenvolvimento do nosso distrito, e se não torne mais um Órgão inútil e a extinguir.
Obrigado por me terem ouvido.
João Bugalhão"
segunda-feira, 18 de julho de 2011
I Grande Encontro da Família Bugalhão
Neste Encontro estiveram “presentes” 6 gerações, com o denominador comum José Bugalhão e Teresa Raposo, possivelmente nascidos por volta de 1850, no concelho de Marvão.
(... o descoberto! Não o início)A 2ª geração foi composta pelos seus 4 filhos: Francisco, Joaquina, Teresa e João, já falecidos. Sendo o último a falecer o João, possivelmente em 1969.
Do conhecido da 3ª geração deste clã, chegaram a gente, cerca de 22 Descendentes:
- 8 do Francisco: Joaquina, Genoveva da Conceição, Maria José, Manuel, Maria “Júlia”, Emília, Luísa e Vicência.
- 1 da Joaquina: Teresa
- 5 da Teresa: Dionísio, Conceição, João, “Xica”, Álvaro
- 8 do João: Joaquina, Mª. Catarina, José, Mª Antónia, Francisco, Joaquim, João e Júlia.
No entanto, estiveram apenas presentes descendentes do Francisco e do João, já que os descendentes das duas “infantas”, ao perderam o apelido em favor do dos seus companheiros, não se fizeram representar.
Presentes neste I Encontro estiveram ainda 7 membros desta geração, com o mais velho Francisco, e actual patriarca, a contar a bonita idade de 92 anos.
( 3ª Geração: Júlia, João, Joaquim, Francisco, Luisa, Mª Júlia e Emília)
(O Patriarca Francisco, 92 anos)
As restantes 3 gerações, cerca de 70 “bugas”, foram os filhos, netos e bisnetos desta 3ª geração; com a mais nova com 2 anos a fazer de José Bugalhão seu tetravô.
(O Patriarca Francisco com a sobrinha bisneta de 2 anitos)
E assim, cerca de 80 pessoas, a maior parte sem nunca se terem visto, mas que partilham em comum o apelido Bugalhão (certamente exclusivo desta família em Portugal), conviveram durante cerca de 10 horas.
(Ena tantos bugas!)
(... estes também são)
Claro que com facilidade se poderia chegar à centena de membros, ou mais, já que foi a primeira tentativa, e espera-se que para o ano se realize o II Encontro. Para já ficou de o organizar o Luís, possivelmente na mesma altura, 3º Sábado de Julho.

(Luís, o organizador do próximo Encontro)
Foi ainda possível apurar que certamente haverá outros “ramos do clã”, pois ao que parece José Bugalhão teria outros irmãos, que ficam para investigar em iniciativas futuras.
Uma outra evidência deste Encontro, que era algo que eu já suspeitava, é o perigo que corre o apelido, já que dos presentes, apenas foram encontrados “2 infantes”, que poderão no futuro, dar continuidade à denominação “bugalhão”...
(Os 2 pequenos grandes responsáveis pela continuação do apelido "bugalhão")
Galeria de Fotos:
(Sandra grande responsável por este I Encontro da Família Bugalhão)
(3 Gerações em busca das raizes: Mª Júlia, João, Luis e Diana)
(Mário assume a escrita)
(Tó Zé apresenta o Patriarca: seu pai)
(3 gerações de "bugas" bonitas)
(Este é que é o buga "escritor"?)
(Óh primos, parece que estamos no Pego Ferreiro há 70 anos atrás!)
(A inconfundível Teresa: "Deixem-me falar porra...")
(Óh João, se o primo Manel não nos tivesse "deixado", ainda iamos levar uma carguita de café ali à Fontanheira...)
(Porque é que o meu pai Francisco foi para Tomar? Isto aqui é tão bonito!)
(Óh ti Júlia como era a quadra da "avó" Teresa para os netos? "Ai Piruli, piruli, pirulé/ai piruli, piruli, pirulé/se não queres vinho, nem aguardente/bebes café...)
(Óh Clara, não há dúvida, a minha prima Vicência teve uma filha muito bonita)
(Os representantes "buga" dos Galegos...)
(Ao tempo que a gente não se via primo João Maria...)
(João José e Francisco:sobrinho e tio)
(As descendentes de Teresa e José Bugalhão sempre em destaque)
("... que bem fala o meu primo João! Porque terá deixado a política?)
(Representantes de Tomar e da Beirã posam para a foto)
(Luís Buga: "Se isto fosse uma "corte", às tantas eu era o rei?)
(As manas: Júlia. Emília e Luisa)
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Poema para os meus amigos...
Mas não falei, por não ser judeu.
Depois, perseguiram os comunistas,
Nada disse então, por não ser comunista,
Em seguida, castigaram os sindicalistas
Decidi não falar, porque não sou sindicalista.
Mais tarde, foi a vez dos católicos,
Também me calei, por ser protestante.
Então, um dia, vieram buscar-me.
Mas, por essa altura, já não restava nenhuma voz,
Que, em meu nome, se fizesse ouvir.
[Sermão do Pastor Martin Niemoller, geralmente com variações que fogem da forma original, e quase sempre atribuido erroneamente a Bertolt Brecht]
terça-feira, 5 de julho de 2011
10 anos de intervenção política no Concelho de Marvão...
Há cerca de 10 anos que venho exercendo as funções de Membro desta Assembleia. Aqui cheguei pela primeira vez em 2001, e parto agora, tal como entrei:
Livre e sem ter colhido qualquer benefício pessoal pela minha participação na política.
No entanto, tenho que reconhecer, que ao longo destes 10 anos, a minha participação nesta Assembleia, foi uma das melhores experiências de vida, que em muito contribuiu para o meu crescimento social, mas também enquanto indivíduo e cidadão. Por isso agradeço aos marvanenses.
Durante este longo período sempre pautei o meu exercício por duas premissas essenciais:
- Representar aqueles que me elegeram
- Defender os meus ideais em prol do concelho de Marvão.
Um desses meus ideais, e valores fundamentais (a par da justiça), é a Liberdade, pela qual tenho lutado toda a minha vida. Isto porque, uma sociedade sem Liberdade efectiva é uma sociedade amorfa, não criativa, castradora, retrógrada e consequentemente votada ao atraso social.
Na busca dessa Liberdade, cogito que foi por isso que em 1963, aos 6 anos de idade, fugi ao meu pai para ir para as Festas S. Marcos; em 1971, com 14 anos, saí da minha casa de família em Marvão, para conhecer outros mundos e outras gentes; em 1975 abandonei o Partido Comunista, onde fiz a minha aprendizagem política, incomodado com o "centralismo democrático" e com a liberdade condicionada; em 1982, deixei a carreira militar farto de uma hierarquia prepotente, onde manda quem pode; e, recentemente, em 2009, terminei a minha carreira profissional, com prejuízos económicos, farto de um sistema que premeia o compadrio, o “amiguismo”, em vez do mérito e dos resultados funcionais.
É em luta por essa mesma Liberdade, que agora vou deixar de ser Membro desta Assembleia, pois não aceito que esse Valor seja coarctado, em nome da decisão de maiorias conjunturais.
Esta minha decisão, nada tem ver com o PSD. Partido que prima por cultivar o respeito pela pluralidade de ideias e opiniões, ideais basilares da social-democracia; mas sim um desacordo com os actuais dirigentes concelhios de Marvão, que tentam condicionar a opinião individual daqueles que não sejam “carneirinhos alinhados”, numa prática que mais parece do antigo regime salazarista ou do ultrapassado comunismo ortodoxo.
Claro que podia continuar como independente nesta AM, persistindo em lutar pelas premissas que aqui me trouxeram, mas tal parece-me eticamente pouco correcto e vou resistir a fazê-lo, sacrificando minha Liberdade individual, em nome do colectivo.
Ao longo destes 10 anos, nunca fui mais um da engrenagem. O meu nome está, certamente, referido em todas Actas das Assembleias em que participei: intervim, critiquei, propus sempre alternativas às críticas, e tomei decisões. Nem sempre terei tido razão, mas fi-lo sempre na convicção que estava a defender o melhor para o meu concelho e para os marvanenses.
Certamente, que o meu nome irá ficar nesta Assembleia, como o de alguém “contestatário”, tenho consciência disso. Quanto a mim, apenas tentei ser agitador de consciências, na busca de um novo paradigma de comportamento político. Prova disso é que durante estes 10 anos, participante em mais de 50 Reuniões, apenas “votei contra”, meia dúzia de vezes. E duas foram hoje 30/6/2011.
As minhas discordâncias com o “rumo” do actual executivo são públicas, mas convém que aqui sejam enumeradas e sistematizadas:
- Discordo do endividamento continuado do município nos últimos 6 anos, que considero acima do razoável (quase 2,5 milhões de euros). Eu próprio votei favoravelmente até ao valor de 1,8 milhões; a partir daí pareceu-me excessivo e sem justificação em relação às Obras realizadas.
- Discordo do excesso de Pessoal Dirigente do actual executivo. Três Membros Executivos a tempo inteiro e um Assessor, para pouco mais de 3 500 habitantes é uma aberração. 1 Presidente e um Vereador eram mais que suficientes.
- Não compreendo a manutenção do Presidente desta Assembleia, que a maiorias das vezes está ausente (5 faltas em 10 reuniões), raramente aparece em sua representação oficial, e afirma que não tem que dar explicações a este Órgão pelo não cumprimento dos seus deveres, sem que a actual maioria tome qualquer posição.
- Discordo, na conjuntura actual, de Projectos de Investimento em “embelezamentos” sem retorno, ou aqueles que oneram o município em despesas evitáveis, com é o caso do actual Projecto de construção de 37 casas para Habitação Social, que ficarão para ser pagos nos próximos 70 anos!
Num concelho com 1 478 famílias, 3 500 habitantes e existência de 3 000 alojamentos, o deficit de habitação não me parece uma prioridade. A não ser para “caçar” votos. Espero que o Tribunal de Contas trave este devaneio.
- Discordo da venda de património para fins duvidosos, caso do Prédio da Coutada na zona envolvente da vila de Marvão.
- E discordo profundamente da prática política do Executivo em relação ao grupo da Assembleia que o suporta. Onde só somos chamados a votar favoravelmente as decisões desse mesmo executivo.
Tendo em conta a minha linha de pensamento e porque creio que a actual estratégia do executivo, não será o melhor para o meu concelho, e porque estou em discordância com o que pensam os actuais dirigentes concelhios do meu partido;
Que por uma questão de consciência, acho que não devo abdicar das minhas ideias e opiniões para o concelho, originando com isso um conflito dentro do grupo, certamente, difícil de entender pelos munícipes que nos elegeram;
Irei brevemente pedir a minha Renuncia do cargo de Membro desta Assembleia.
Desejo a maior sorte do mundo a esta Assembleia para bem de Marvão.
João Bugalhão
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Diego Ventura no Campo Pequeno em Lisboa 1Jul2010
(Ver com ecrã inteiro)
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Uma “esquerda” patética e corporativa...
Também ontem, ficámos a saber, após a comunicação do novo primeiro-ministro, que iria haver necessidade de criar um “imposto extraordinário” em 2011, que será: metade do montante que os portugueses recebem para além do ordenado mínimo (e eu felizmente faço parte desses terço de portugueses).
Logo, parte da nossa “esquerda” política veio com grande alarido contestar corporativamente, “... ai credo que isto vai afectar cerca de 3,5 milhões de portugueses!”
Eu pergunto: E os outros 7 milhões, porque é que não irão pagar?
“Se a esquerda tivesse juízo, e fosse uma verdadeira esquerda, deveria era estar preocupada com esses 2/3 dos portugueses.”
Mas isto sou eu apensar...


