sexta-feira, 27 de maio de 2011

Reflexão 5 - “O chico-esperto, descendente em linha directa do pato-bravo...”

O “pato-bravo” era o nome porque ficaram conhecidos nos anos sessenta e setenta, alguns trolhas que iam para Lisboa oriundos da província, sobretudo das beiras e Ribatejo, para trabalharem na construção civil, e que poucos anos depois se transformaram em construtores, voltavam à “santa terrinha” de Mercedes preto, e com muitas notas de conto de réis no bolso.

O “chico-esperto” é uma figura bem mais complexa e de difícil definição. O filósofo José Gil, no contexto de Portugal, define o chico-espertismo como: “... A habilidade de contornar a lei ou mesmo violá-la subtilmente com fins egoístas”.

Mais popularmente, digamos que todos nós conhecemos a figura do “chico-esperto”, dos tempos de escola, também conhecido pelo “carapau de corrida”.

O “chico-esperto” era aquele que, quando o professor perguntava “quem foi que descobriu?”: respondia despudoradamente, “fui eu...”! Qualquer que fosse a sua verdadeira qualificação. Com isso, o “chico-esperto”, tentava cair nas graças do poder, como o líder, chefe de seita, o melhor de todos, pisando os colegas, trapaceando, fazendo batota...

A verdade é que todos sabiam-mos que ele não passava de um arruaceiro, preguiçoso e malcriado, que projectava a sua existência medíocre, à custa do copianço, da batota e da má influência que exercia sobre dois ou três microcéfalos que se obrigavam e abrigavam na sua envaidecida protecção. O “chico-esperto” era uma figura odiosa para a maioria da turma, causadora de repúdio ou de receio, mas ele próprio parecia viver bem com isso, porque o seu objectivo era passar de ano, não por mérito, mas pela batoteira imagem de liderança que passava junto dos professores á custa das “chico-espertices” que fazia.

Quando conheci, num congresso em 2005, o figurão sobre quem hoje aqui reflicto, ele era presidente da Mesa do Congresso do partido em que milito, era ali uma espécie de “deus” para a quase maioria dos meus condiscípulos que, quando ele entrava na sala, faziam um silêncio sepulcral, com todos os olhos a seguirem-no, como se ali chegasse o “altíssimo”!

Invoco assim Dias Loureiro, o homem mais poderoso da maior fraude pós 25 de Abril, o BPN/SLN, que quase destruiu o sistema financeiro português. Mas podia replicar este “figura de estilo”, por muitos outros que por aí abundam, mas penso que o seu exemplo, representa na perfeição o título deste Post. Um dia Dias Loureiro afirmou:

“Quando entrei na política ganhava 40 contos por mês (...), e quando saí da política em 1995, não tinha dinheiro nenhum...”

Seis anos mais tarde declarou em sede de IRS, renumerações mais elevadas do que Belmiro de Azevedo (tido como o homem mais rico do país), ou seja, quase 200 mil contos gerados pelos negócios, e pela sua actividade como advogado.

Para ilustrar esta Reflexão, deixo-vos um pequeno texto que encontrei por aí na blogosfera, mas que eu gostaria de ser o autor:

“Manel, vieste tu para Lisboa, vindo de Aguiar da Beira, meteste-te na política, e acabaste como ministro da Administração Interna do Cavaco. Foste tu o responsável pela carga policial sobre a malta que estava a bloquear a ponte 25 de Abril.

E sabes quem te sucedeu no cargo, depois de o PSD perder as eleições (por causa da ponte e do feriado do Carnaval)? Pois foi o Jorge Coelho – que coincidência!

Ou então, não é coincidência – é a chamada solidariedade beirã…


Mas vê onde chegaste! Conselheiro de Estado, hã?!


E rico, muito rico – não graças aos ordenados de ministro e de deputado, diz o Pacheco Pereira – e digo eu, que sei como são os ordenados dos quadros da Função Pública.


Portanto, ficaste rico graças ao BPN e a negócios como aqueles de Porto Rico?


Ou ganhaste o Totoloto várias vezes?


De qualquer modo, fiquei com pena de ti, quando te vi ontem, na SIC, a seres entrevistado por aquele jornalista de economia, com ar sério. Que carinha tão inocente fizeste, durante toda a entrevista. Fizeste-me lembrar aqueles putos que acabam de fanar os chocolates todos da dispensa e dizem, com carinhas de anjinhos: «não fui eu, mãezinha…»


Mas podes estar tranquilo.
Nada te vai acontecer. A coisa vai engonhar nos tribunais, engonhar, engonhar, até seres bisavô...”

Por causa deste e outros “chico-espertos”, Portugal vai estar penhorado para muitos anos, só o BPN vai custar-nos 5 mil milhões de euros.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Talvez o melhor vídeo de campanha...

Reflexão 4 - O "jorginho"


Em 2004, depois de nomear Santana Lopes para 1º ministro, acabaria por o demitir 4 meses depois, apesar de este ser sustentado por uma maioria parlamentar. O PSD tinha sido o Partido mais votado nas eleições de 2002.

Foi em minha opinião um verdadeiro “golpe de estado”, que culminou, meses mais tarde, por ser sancionado nas “urnas”, a exemplo de outras situações idênticas na 1ª República do século passado, e que abriria caminho à ascensão do seu correligionário José Sócrates.

Sete anos depois, vejamos a herança do homem, da frase:

“Há mais vida para além do deficit...”

Claro que há, aqui ficam alguns exemplos:

- Em 2012 seremos o ÚNICO país em recessão na Europa: Mas Sócrates diz que a culpa é da conjuntura internacional e da oposição.

- Seis anos depois, o país ficou em “Banca Rota”, se não fosse a “ajuda externa”, em Junho de 2011 não haveria dinheiro para pagar salários e dívidas.

- Em 2010, Portugal tem a maior dívida externa (pública) de sempre da sua história: Em 6 anos, passou de cerca de 60% do PIB, para cerca de 110%.

- Dos cerca de 160 mil milhões de euros de divida pública, só nestes 6 anos Sócrates pediu 83 mil milhões de euros. Mais do dobro que quando tomou posse.

- A maior taxa de desemprego desde que há registo: Passando de cerca de 7% em 2005, para cerca de 12% em 2011, a rondar os 800.000 desempregados.

Espero “jorginho” que se sinta co-responsável. De facto há mais vida para além do deficit! A história não perdoará...

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Reflexão 3 - "G`anda Tanga"

Em 2002 após a fuga de António Guterres e do PS do governo português, Durão Barroso ganha as eleições e forma governo com o CDS/PP de Paulo Portas.

Aparecendo aos olhos dos portugueses como o “delfim” de Cavaco, este ex militante do MRPP (que na Faculdade de Direito era conhecido como o “salta para cima da mesa”), em 17 de Abril de 2002, alegando falta de solidariedade política do PS em relação ao seu programa de emergência, apresentado e discutido na Assembleia da República, afirmava:

"Os senhores [do PS] deixaram Portugal de tanga..."!

Mas ao fim de dois anos, com a “tanga ainda mais rota”, Durão Barroso, abandonou o Governo e pirou-se para Presidente da Comissão Europeia, precipitando com esta decisão, uma crise política que culminou o “golpe de estado” de Jorge Sampaio, que está na origem da vitória de Sócrates, e de toda a situação política dos últimos 6 anos.

Barroso, não pode assim, deixar de ser considerado um dos grandes responsáveis pela actual situação de Portugal. E já agora, é legitimo perguntar:

- Que beneficiou Portugal e os portugueses com Barroso na presidência da Comissão Europeia?

terça-feira, 24 de maio de 2011

Reflexão 2 - "o padreco"

Em 1995, Guterres e o PS ganham as eleições e chegam ao governo, culpando o governo anterior de Cavaco Silva pela situação em que se encontrava o país. Pediu sacrifícios aos portugueses prometendo que a adesão ao Euro nos traria prosperidade num futuro próximo.

Foi um falhanço total, e em 2001 exercia o cargo de primeiro-ministro quando se demitiu, após as eleições autárquicas de Dezembro, em que o PS sofreu uma derrota significativa.

No acto inesperado da demissão declarou:

“...demito-me para evitar que o país caia num «pântano democrático», devido à falta de apoio ao governo que os resultados eleitorais indicam”!

(Embora se tratassem de eleições autárquicas, o “padreco”, como ficou conhecido, pirou-se para a Nações Unidas com o cargo Alto Comissariado para os Refugiados)

Começava aqui o nosso grande descalabro...

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Reflexão 1 - "asn´eira"

Como não irei participar na campanha eleitoral activa, porque estou farto de folclore e de politiquices, procurarei aqui neste espaço do Retórica, dar o meu humilde contributo para as opções que se nos deparam no próximo dia 5 de Junho. Assim, irei aqui, diariamente, escolher uma frase ou pensamento, que nos faça reflectir sobre o percurso dos últimos anos que nos trouxe até aqui, contribuindo para uma reflexão séria, não politiqueira, da realidade portuguesa.

Proponho para começo, uma afirmação, de um dos maiores responsáveis, em minha opinião, pela actual situação, mas que anda por aí esquecido e muito bem instalado na vida. Então aqui vai:

"...Sem moeda própria não voltaremos a ter problemas de balança de pagamentos iguais aos do passado. Não existe um problema monetário macroeconómico e não há que tomar medidas restritivas por causa da balança de pagamentos. Ninguém analisa a dimensão macro da balança externa do Mississipi ou de qualquer outra região de uma grande união monetária...".

Vítor Constâncio: discurso de tomada de posse como Governador do Banco de Portugal, em 23 de Fevereiro de 2000.

(Pirou-se 10 anos depois para o Banco Central Europeu, onde faz de vice-presidente. Deve ser para por estas ideias em prática...)

sábado, 21 de maio de 2011

Debate Sócrates/Coelho e o queixinhas Louçã...

Em baixo publico uma “denúncia” a que estes senhores deveriam ter respondido ontem, se por acaso houvesse coragem de lhes perguntar! Um porque é o responsável político a que isto chegou (Sócrates), e o outro que pretende ser Primeiro-Ministro, o que pensa fazer com estas situações insustentáveis na sociedade portuguesa.



E já agora o denunciante (Louçã), também não fica muito bem na fotografia. Porque em vez de ter ido denunciar esta e outras situações ao Triunvirato, preferiu andar a disputar eleitorado com o PCP, que já tinha decidido não falar com FMI/BCE/UE, para saber-mos o que eles pensam disto!




Louçã denuncia que há 20 pessoas em Portugal que têm mil cargos de administração em empresas diferentes:

Elvas, 21 Maio (Lusa) -- O coordenador do BE, Francisco Louçã, denunciou quinta-feira dados dum relatório da CMVM que expõe que "há 20 administradores das maiores empresas portuguesas que têm mil cargos de administração", numa média de 50 empregos por cada um.

No discurso do comício de quinta-feira à noite em Elvas, Francisco Louçã referiu-se a um "relatório" de que "certamente nenhuma televisão ainda falou mas que é importantíssimo porque nos diz alguma coisa sobre o retrato do nosso país".
"Há 20 administradores das maiores empresas portuguesas que têm mil cargos de administração em empresas diferentes. Cada um deles tem, em média, 50 empregos", denunciou.

Segundo o coordenador do BE "um deles tem 62 empregos e os outros não lhe ficam muito longe", acrescentando que "o ordenado mais importante que é pago a uma destas pessoas, é o que está à frente, no topo, é de dois milhões e meio de euros".
"Os outros receberão um pouco menos. São os homens mais poderosos de Portugal", condenou.

Louçã explicou, assim, que quando se pergunta "onde é que está a dívida, que problemas é que tem a economia, porque é que nos últimos anos cresceram os problemas, porque é que se fizeram construções desnecessárias, a resposta está aqui: "20 pessoas com mil cargos de administração, cruzando grupos diferentes, cruzando todo o mapa da economia".

"É um pequeno grupo de turbo-administradores que voam de empresa para empresa. Chamam a isto trabalho talvez mas certamente a isto chama-se renda", condenou.

Que país é este?...

sexta-feira, 20 de maio de 2011

"Os seus actos não reflectem as suas palavras..."

O “Diário Económico”, convidou ontem para uma conferência sobre governação com empresários e gestores: José Sócrates, Passos Coelho e Paulo Portas.

Era uma conferência em cada um dos convidados, individualmente, tinha 45 minutos para expor as suas ideias sobre a temática, depois respondia a algumas perguntas do Director do Jornal, e por fim respondia a apenas uma pergunta efectuada por um dos empresários presentes.

Quando chegou a vez de Sócrates responder à questão do empresário Peter Villax que lhe perguntou educadamente: “"Eu tenho um problema essencial consigo, os seus actos não reflectem as suas palavras..."; Em vez de responder à pergunta, por muito irritado que pudesse estar, o primeiro-ministro deu um ralhete no empresário, como uma virgem ofendida, disparando à má fila e em tom ameaçador: "Não gostei do que disse!". E não respondeu.






Este tique “mafioso” do Eng.º Pinto de Sousa vem-se repetindo, como se o empresário e os portugueses, não tivessem direito a fazer-lhe esta pergunta!

Por isso, o que aqui vos trago hoje, em nome do esclarecimento, é mais uma dessas “pérolas socretinas”, em que a “bota, mais uma vez, não bate com a perdigota”. E não é sobre o passado, é sobre um tema que terá implicações na vida de todos nós:

- As diferenças entre alguns temas que o governo do PS se comprometeu com o Triunvirato; e o que o PS tem no seu programa eleitoral, sobre esses mesmos temas.

Compare as diferenças.

1.

Carta à Troika: "Vamos nivelar as indemnizações por rescisão nos contratos sem termo e nos contratos a prazo, vamos apresentar legislação com vista a reduzir a indemnização para todos os novos contratos para 10 dias por ano de trabalho"

Programa "oficial" do PS: Não consta qualquer referência às indemnizações.

2.

Carta à Troika: "Vamos preparar até ao final de Dezembro de 2011, uma proposta que visa introduzir ajustamentos aos casos de despedimento individual com justa causa."

Programa "oficial" do PS: Não consta qualquer referência aos casos de despedimento.

3.

Carta à Troika: "Vamos reduzir a duração máxima dos benefícios do seguro desemprego a um máximo de 18 meses e a limitar as prestações de desemprego a 2.5 vezes do índice de apoio social e apresentar um perfil de diminuição de benefícios após seis meses de desemprego (uma redução de pelo menos 10 por cento nos benefícios) "

Programa "oficial" do PS: "Continuar a reformar o mercado de trabalho, de forma torná-lo mais ágil na contratação de desempregados, reforçar os instrumentos de promoção das qualificações dos desempregados e alargar os instrumentos de aproximação dos desempregados a uma inserção ou reinserção laboral são tarefas de uma agenda para a competitividade e para a dinamização do mercado de emprego."

4.

Carta à Troika: "De forma a promover reajustes salariais em linha com a produtividade a nível da empresa iremos: (i) permitir que os conselhos de trabalho negoceiem condições de mobilidade e do tempo de trabalho, (ii) redução do limite abaixo do qual as comissões de trabalhadores ou trabalhadores de outras organizações não pode celebrar acordos colectivos de trabalho para 250 empregados por empresa, e (iii) incluir nos acordos colectivos sectoriais as condições em que os conselhos podem independentemente concluir acordos colectivos de trabalho a nível de empresa."

Programa "oficial" do PS: "O diálogo e a concertação social constituem, por seu turno, não só elementos característicos de uma democracia madura mas também bases sólidas para alavancar o crescimento económico e o progresso social. O Governo do PS fará o seu melhor para incentivar um diálogo regular e profícuo entre organizações empresariais e sindicatos, de modo a que ele contribua para um verdadeiro pacto nacional para a competitividade e o emprego."

5.

Carta à Troika: "Uma taxação sobre a electricidade será introduzida a partir de Janeiro de 2012."

Programa "oficial" do PS: "O actual contexto económico e as perspectivas futuras exigem consumidores mais preparados e exigem, também, mercados regulados. O que é especialmente relevante, por um lado, no sector dos serviços financeiros - com destaque para os serviços prestados pelos bancos comerciais relativamente ao crédito à habitação e às comissões bancárias cobradas e para o crédito ao consumo, bem como para a premência de promover a literacia financeira; e, por outro lado, nos serviços públicos essenciais (electricidade, gás natural, água e resíduos, comunicações electrónicas). É também necessário fomentar a educação para o consumo, prevenir o sobre endividamento das famílias e promover a poupança e um consumo sustentável."

6.

Carta à Troika: "Pretendemos acelerar o nosso programa de privatizações. O plano já existente abrange os transportes (Aeroportos de Portugal, TAP e ramo de mercadorias da CP), energia (GALP, EDP e REN), comunicações (Correios de Portugal) e de seguros (Caixa Seguros)."

Programa "oficial" do PS: "O programa de privatizações previsto no Programa de Estabilidade e Crescimento será também implementado."

7.

Carta à Troika: As taxas moderadoras serão aumentadas em Setembro de 2011, indexadas à inflação no final de 2011, e as isenções serão substancialmente reduzidas.

Programa oficial do PS: "O Orçamento de Estado deve manter-se como fonte de financiamento essencial do SNS, assegurando o princípio constitucional da tendencial gratuitidade no ponto de contacto do cidadão com o sistema." (Não há referência às taxas moderadoras).

Qual acha que é o programa verdadeiro?

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Oh sr. engenheiro não faça de nós parvos..., mais do que já fez!

Memorando com o Triunvirato

“O documento escondido, ou o programa neo-liberal do Governo Sócrates”

O documento principal do Memorando com o Triunvirato já é por demais conhecido e nele estão previstas as medidas do FMI para a sua intervenção em Portugal.

O debate entre Francisco Louçã e José Sócrates, chamou a atenção para um outro documento constante desse Memorando, que o Executivo tentou manter escondido até hoje.

Esse documento é uma Carta do Governo ao FMI / BCE, na qual o Primeiro-Ministro, assume uma série de compromissos para os próximos anos.

O Aventar, acaba de publicar a sua tradução integral em português e, depois de a ler, só dá mesmo para abrir a boca de espanto com aquilo que o Governo lá escreve.

Não tanto pelo neo-liberalismo de algumas dessas medidas, algumas já conhecidas, mas sobretudo pela desfaçatez com que José Sócrates tem falado delas na pré-campanha eleitoral a propósito do PSD.

Eis algumas pérolas:

- A lista de bens e serviços sujeitos a uma redução de valores do IVA será revista em 2011.

- Uma taxação sobre a electricidade será introduzida a partir de Janeiro de 2012.

- Pretendemos acelerar o nosso programa de privatizações. O plano já existente abrange os transportes (Aeroportos de Portugal, TAP e ramo de mercadorias da CP), energia (GALP, EDP e REN), comunicações (Correios de Portugal) e de seguros (Caixa Seguros).

- Vamos identificar, no momento da segunda avaliação, mais duas grandes empresas para privatização até ao final de 2012. Um plano de privatização actualizado será preparado até Março de 2012.

- As taxas moderadoras serão aumentadas em Setembro de 2011, indexadas à inflação no final de 2011, e as isenções serão substancialmente reduzidas.

- A CGD deverá aumentar o seu capital para os novos níveis exigidos a partir de recursos internos do grupo e melhorar a gestão do grupo. Isso incluirá uma agenda mais ambiciosa com vista à já anunciada venda do ramo de seguros do grupo, um programa para a eliminação gradual de todas as subsidiárias não nucleares.

- Iremos nivelar as indemnizações por rescisão nos contratos sem termo e nos contratos a prazo, vamos apresentar legislação com vista a reduzir a indemnização para todos os novos contratos para 10 dias por ano de trabalho.

- Iremos preparar até ao final de Dezembro de 2011, uma proposta que visa introduzir ajustamentos aos casos de despedimento individual com justa causa.

- Um dos principais objectivos do nosso programa é incrementar a competitividade. Isso implicará uma redução significativa das contribuições patronais para a segurança social. As medidas de compensação necessárias para garantir a neutralidade fiscal poderão incluir a alteração da estrutura e das taxas de IVA, reduções adicionais das despesas permanentes e aumento de outros impostos que não tenham efeito adverso na competitividade. Embora a proposta possa ser implementada em duas etapas, um primeiro passo ousado será implementado no contexto do orçamento de 2012.

- O envolvimento do Estado nas actividades do sector privado será reduzido, e a independência das entidades reguladoras sectoriais reforçado. Vamos eliminar os “golden shares” e todos os direitos especiais.

- A administração tributária vai ser modernizada. A administração tributária nacional, a administração aduaneira e os serviços de tecnologia da informação serão unificados. A estrutura irá racionalizar agências locais, fechando pelo menos 20 por cento das repartições locais em 2011 e 2012.

No meio disto tudo, faz ainda parte do Memorando com o Triunvirato um terceiro documento, que por enquanto permanece secreto…


"G`andas Oportunidades...

domingo, 8 de maio de 2011

O mundo dos outros...

Algumas opiniões de António Barreto com as quais concordo:

"José Sócrates deve ser severamente punido nas próximas eleições"

“O primeiro-ministro, José Sócrates, não está à altura, não é capaz de contribuir para as soluções futuras”.

“José Sócrates precisa de ser muito, muito severamente castigado e a melhor maneira de o castigar é através da via eleitoral. Ele necessita de ser muito severamente castigado porque ele é pessoalmente responsável pelo mau estado a que Portugal chegou, as finanças públicas e o Estado”.

“…ele não ajudará, nem fora, nem dentro, a nenhuma solução das soluções necessárias e importantes para o país”.

“O primeiro-ministro quase levou o País à bancarrota para defender interesses pessoais e partidários”.

“Estou plenamente convencido de que o primeiro-ministro há muito tempo que decidiu que tinha de aceitar a ajuda externa, mas queria fazer tudo o que era preciso para poder responsabilizar o exterior por toda a sua actuação. O engenheiro Sócrates sabia perfeitamente, há muito tempo, que queria fazer eleições e que queria culpar a direita e os especuladores por todos os males e por todos os seus erros.

Sondagens: “É possível que um partido que desempenhou funções de governo durante tantos anos - apesar dos disparates, da demagogia e dos erros - tenha uma parte da população que lhe seja afecta, porque são os seus empregos, são os seus interesses, são as suas colocações”...

“Eu dou as boas-vindas ao acordo de assistência externa. É um acordo que, ao contrário da tradição dos acordos com o FMI, está muito mais atento às questões sociais e à possibilidade de crescimento económico”.

sábado, 23 de abril de 2011

O Manel mais a Maria, depois da garrafa de "Casal Garcia"...

Telmo do "big brother" candidato a deputado????

Isso mesmo "Camaradas", o Telmo é candidato a deputado pelo PS, e pelo círculo eleitoral de Leiria.

Qual nobre, qual carapuça, isto é que é "quolidade"...



quinta-feira, 21 de abril de 2011

S.O.S.!!!!


- Existem programas para deixar de fumar....
- Existem programas para deixar de beber...
- Existem programas para deixar de engordar....
- Existem programas para deixar as drogas....
- Há quem mude de política como quem muda de camisa...
- Até há quem deixe de acreditar em deus, depois de ser crente...

Alguém conhece, me aconselha, ou ajuda com um “programa” para mudar de CLUBE!!!!

terça-feira, 19 de abril de 2011

segunda-feira, 18 de abril de 2011

sexta-feira, 15 de abril de 2011

O pior cancro dos próximos anos...

Numa altura em que o spin socrático, coadjuvado por boa parte do aparelho mediático deste país, tenta criar um clima eleitoral em que a governação socialista não seja avaliada, é importante mostrar os factos. Hoje é consensual que as parcerias público-privadas foram negócios ruinosos para o Estado português. E quem é que as realizou?




De acordo com o Jonal "SOL" desta semana, " Uma factura de 9,5 mil milhões de euros para pagar durante os quatro anos de mandato do próximo Governo, entre 2011 e 2015. É um 'presente' que o primeiro-ministro José Sócrates deixa ao próximo governo.

O montante suficiente para construir dois novos aeroportos em Alcochete, é a soma dos encargos com as rendas das parcerias público-privadas (PPP) que o Estado terá de assumir até 2015, de acordo com um relatório sobre as mesmas elaborado por uma instituição financeira, ao qual o SOL teve acesso.

Mais de dois terços - 6,5 mil milhões de euros - deste valor dizem respeito às PPP rodoviárias. As sete vias SCUT, construídas durante o último Governo socialista de António Guterres, e as nove concessões rodoviárias lançadas desde que José Sócrates chegou ao poder, em 2005, são as culpadas pela dimensão dos encargos financeiros, entre as quais está parte da tão badalada auto-estrada cor-de-rosa (uma nova auto-estrada entre o Porto e Lisboa).."

Ajuda???

quinta-feira, 14 de abril de 2011

A unidade do PS: a noite das "facas-longas" prepara-se...

Novas gravatas para este PS
14-03-2011




A antiga deputada socialista, Marta Rebelo, analisa o PS actual no pós-congresso de Matosinhos.

"De gravata cor-de-rosa “PS-fushia”, em rigor cromático – polegar pronto a elevar o moral, teleponto de lente cristalina sem lugar a enganos mas engasgos de emoção, o líder pergunta se estão com ele. E em apoteose estão todos.

Todos se convencem que dia 5 de Junho chegará a vitória. O FMI passa a ser sigla desconhecida e o PSD a besta, numa amnésia colectiva de euforia telegénica produzida pelo maior realizador e protagonista da era mediática da política nacional: José Sócrates, senhoras e senhores. Chegou, discursou, venceu? Não. Mas na bolha da Exponor e até às 14h de domingo passado todos queriam tanto que sim."


Fui delegada de sofá (por doença grave), o que me concedeu o distanciamento necessário para analisar aquelas pessoas. Muitas fazem parte do meu quotidiano há tantos, muitos anos. Sou leal, não sou cega. E foi muito mais fácil colocá-los no divã em frente ao meu sofá, tomar-lhes o pulso aos pecados e antever-lhes as vontades recalcadas, com a TV a intermediar-nos o encontro.

Sejamos verdadeiros: o que é que há para salvar? Nem a face.


Vencer as legislativas é ganhar uma carga de trabalhos, a gestão da bancarrota e ter o triste contentamento de ser eleito pelos que votarão encolhendo os ombros enquanto a caneta faz a cruz.

As sondagens são cruéis: quem vier a seguir, será tão mau quanto quem está. Mas o poder é uma vertigem de loucura, vício e ilusão da possibilidade do salvamento constante. E em euforia estudada, quase acreditando nela, estava lá a constelação dos maiores: José Sócrates, António José Seguro, António Costa, Francisco Assis.

Depois, porque a união foi cozida com linha de pesca, da que não quebra senão mordida por um tubarão – e o único que tínhamos retirou-se, Jaime Gama – estavam Carlos César, Manuel Alegre, Ferro Rodrigues. E Edite Estrela a organizar os «peço a palavra» a Almeida Santos, o que valeu a Ana Gomes ser enxotada para a meia-noite de sábado e o pavilhão vazio. Erro – e este PS não costuma fazer destes: as TV´s só queriam uma voz dissonante. Mesmo sem gravata de cor estudada, Ana Gomes teve quase tanto palco quanto Sócrates.

Mas vamos ao futuro. E depois do adeus, o que faziam eles ali?

Primeiro é preciso que haja adeus do grande líder. Sócrates é dos que cai de pé. Não bebe cicuta, fareja-a à distância. Vai a eleições. Perde-as, mas por uma unha negra. E quero ver Cavaco a obrigá-lo a retirar-se para outras pistas de sky para possibilitar o bloco central de todos. O homem da esquerda moderna pode bem ganhá-las por uma unha negra, e o imbróglio não muda de figura. Mas muda a vida interna do PS.

Seguro respira já os ares do próximo congresso, que muitos dizem ser dentro de três meses. Será eleito, pois claro. Na surdina, nos bastidores, a fazer a sua cama com lençóis de algodão egípcio desde 2004, tecido pelos melhores artesões do aparelho socialista, não acredito que alguém vença To-zé.

Tal como não lhe antevejo qualquer feito relevante. Não sabe escolher gravatas nem combinar-lhes as cores. Fala pouco, não vá comprometer-se. No congresso, dirigia-se aos jornalistas dizendo lugares comuns como um jogador da bola no “flash interview”.
Não me identifico com gente que só faz e fala em off, para evitar o compromisso.

António José Seguro é o amante que anda com a caixa do solitário no bolso há anos, à espera do momento propício para fazer o pedido sem correr o risco da noiva dizer que não. Calculismo é só forma, e por mais quilates que o diamante tenha não há gemas perfeitas. Pode viabilizar o bloco central? Pode. Vai ser Secretário-Geral do PS? Vai. Um dia Guterres, num momento intimo a quatro, prognosticou que Seguro faria a liderança da esquerda do PS. E como anda há tanto tempo a preparar-se, é seguramente impoluto. Encontrem-lhe lá a careca, desafio-vos. Encontrem-lhe lá o génio ou as ideias, peço-vos.

Se, e só se, daqui a três meses se repetir o conclave socialista, Francisco Assis, atira-se ao caminho de Seguro. Perde, mas como provou em Felgueiras, não tem medo nenhum de levar tareia e tem tempo. É determinado, este nosso povo gosta mais dos fortes do que dos das falinhas mansas, como Seguro. Não tem o aparelho do PS em todo o seu esplendor, mas tem os que vêm minando a vida a António José e se preparam para lhe dar guerra.

Tem os que ainda acharem que devem alguma coisa a Sócrates, que tem com António José um ódio mútuo de décadas – mas esses serão tão poucos, num partido as dívidas eclipsam-se todas na má sorte. Tem uma certa continuidade do “status quo”, sem estar demasiado comprometido com o dito. Tem fibra própria, imagino-lhe um pequeno-almoço menos metódico do que o de To-zé, que se atira voraz às fibras dos cereais saudáveis para o corpo e a mente todas as manhãs. Só que é aqui que Seguro é impossível de bater: no método, na organização, na espera. Nem precisa de esticar muito as pernas quando descansa de esperar sentado.

Depois o eterno amado António Costa. No PS sempre me disseram «costista». Estes alinhamentos lembram-me a «cosa nostra», mas tenho uma admiração assumida pelo edil de Lisboa que me vem ainda da menoridade. Hoje ouso dizer que os “timmings” vão estando contra ele. E que está errado se vê com solidez a mudança directa dos Paços do Concelho para o Palácio de Belém, à semelhança do seu mentor Sampaio. António, precisa de escolher a cor de gravata certa para o palco adequado, e esticar o tempo como num jogo de xadrez. Xeque-mate?

Manuel Alegre, porque era preciso, foi morder a mão do PCP e do BE, que lhe deu de comer e uma bela indigestão em Janeiro; Ferro Rodrigues voltou, é um homem bom e nestes anos chamou os bois pelos nomes; Carlos César é determinante. Porém não sei que vento ou casamento virá dos Açores.

César não gosta de Sócrates, isso um leigo percebe. Foi alegrista, como poucos, atentando contra a moderação lisboeta; disse à porta do Congresso que o governo cometeu erros e identificou-os: demorou demasiado tempo a reconhecer a existência da crise, a «internalizá-la», foi demasiado keynesiano e a estratégia falhou. Depois, debaixo dos holofotes, disse como os outros, «Zé, estou contigo».

É, como figura, mais forte do que Seguro, mas socialistamente mais insular; facilmente se entenderia com Costa, são ambos rijos; com Assis? Depende da direcção dos ventos nas Lajes. Curiosamente, disse o mesmo que Ana Gomes foi bradar a palco. Mas lá dentro, na cenografia magnificamente orquestrada alinhou pelo diapasão da unidade.

Este PS precisa de definição. Precisa o país, precisamos todos.


Estou certa de que já todos recuperaram da embriaguez do fim-de-semana. E sóbrios, esperam pelo futuro do líder. Sócrates não sucederá a Sócrates, isso todos pensam e (quase) todos anseiam.

Eu, a quem «elogiaram» como «a menina bonita do PS», «a socranete n.º 1», ou «a estrela em ascensão», respondo que a idade traz rugas; então e Edite Estrela? e as estrelas acabam cadentes... Estou desiludida, afastada e farta desta engrenagem do meu partido (vá, chamem-me o que quiserem).

Não sei se estou contigo, Zé – eu manifestante com a Geração à Rasca.

E sem humildade de plástico, não me tenho na conta de futuro de nada. Todavia, avance quem for contra Seguro, regresso com o arsenal que aprendi a reunir com todos estes. Estarei com Costa sempre. Com Assis, se for ele a avançar.

Posso porém garantir-vos que o meu arsenal não caberá nunca numa lata de salsichas nobre, daquelas pequeninas e de seis unidades, de qualidade dúbia mas que de repente geraram uma corrida às prateleiras dos supermercados.

Que partidos são estes?!


Este fim-de-semana o PS esteve ocupado numa vitória colectiva, reunido para um espectáculo de pirotecnia do mais elevado teor de unidade e de tiro ao alvo social-democrata, o criador de todas as desgraças do rating do país e, afinal, da sua paupérrima condição.

Vamos ver quem atira na lata de salsichas certa...

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Veja as semelhanças...

Este foi o “artista” que enxovalhou Portugal e o Presidente Cavaco, aquando da sua visita à República Checa:


“O presidente da República Checa, Vaclav Klaus, foi visto a 'roubar' uma caneta cerimonial com pedras semi-preciosas durante uma conferência de imprensa numa visita à América Latina.”






Este é um “artista” português, que "rouba gravadores a jornalistas" digníssimo deputado da nação, eleito pelo Partido Socialista, do qual é um alto dirigente, e que volta a ser CABEÇA DE LISTA, pelo mesmo partido:



Este? É outro tipo de "artista"..., nunca foi visto a "roubar", mas mete-nos as mãos nos bolsos com uma facilidade:




Palavras para quê?...

terça-feira, 12 de abril de 2011

Em nome da verdade, contra a propaganda de intoxicação...

(Um amigo fez-me chegar esta missiva, e eu como assino por baixo, vou partilhá-la convosco. Só para os menos informados, porque há por aí uns “espertes” que já conhecem isto tudo..., mas nunca será demais repetir. Digo eu!).

FOI PEDIDO O RESGATE

Por Henrique Medina Carreira.

Bom, dado o que está em causa é tão só o futuro dos nossos filhos e a própria sobrevivência da democracia em Portugal, não me parece exagerado perder algum tempo a desmontar a máquina de propaganda dos bandidos que se apoderaram do nosso país.

Já sei que alguns de vós estão fartos de ouvir falar disto e não querem saber, que sou deprimente, etc., mas é importante perceberem que o que nos vai acontecer é, sobretudo, nossa responsabilidade porque não quisemos saber durante demasiado tempo e agora estamos com um pé dentro do abismo e já não há possibilidade de escapar.

Estou convencido que aquilo a que assistimos nos últimos dias é uma verdadeira operação militar e um crime contra a pátria (mais um). Como sabem há muito que ando nos mercados (quantos dos analistas que dizem disparates nas TVs alguma vez estiveram nos ditos mercados?) e acompanho com especial preocupação (o meu Pai diria obsessão) a situação portuguesa há vários anos.

Algumas verdades inconvenientes não batem certo com a "narrativa" socialista há muito preparada e agora posta em marcha pela comunicação social como uma verdadeira operação de PsyOps, montada pelo círculo íntimo do bandido e executada pelos jornalistas e comentadores "amigos" e dependentes das prebendas do poder (quase todos infelizmente, dado o estado do "jornalismo" que temos).

Ora acredito que o plano de operações desta gente não deve andar muito longe disto:

Narrativa:
Se Portugal aprovasse o PEC IV não haveria nenhum resgate.

Verdade:
Portugal já está ligado à máquina há mais de 1 ano (O BCE todos os dias salva a banca nacional de ter que fechar as portas dando-lhe liquidez e compra obrigações Portuguesas que mais ninguém quer - senão já teríamos taxas de juro nos 20% ou mais).

Ora esta situação não se podia continuar a arrastar, como é óbvio. Portugal tem que fazer o rollover de muitos milhares de milhões em dívida já daqui a umas semanas só para poder pagar salários! Sócrates sabe perfeitamente que isso é impossível e que estávamos no fim da corda. O resto é calculismo político e teatro. Como sempre fez.

Narrativa:
Sócrates estava a defender Portugal e com ele não entrava cá o FMI.

Verdade:
Portugal é que tem de se defender deste criminoso louco que levou o país para a ruína (há muito antecipada como todos sabem). A diabolização do FMI é mais uma táctica dos spin doctors de Sócrates. O FMI fará sempre parte de qualquer resgate, seja o do mecanismo do EFSF (que é o que está em vigor e foi usado pela Irlanda e pela Grécia), seja o do ESM (que está ainda em discussão entre os 27 e não se sabe quando, nem se, nem como irá ser aprovado).

Narrativa:
Estava tudo a correr tão bem e Portugal estava fora de perigo mas vieram estes "irresponsáveis" estragar tudo.

Verdade:
Perguntem aos contabilistas do BCE e da Comissão que cá estiveram a ver as contas quanto é que é o real buraco nas contas do Estado e vão cair para o lado (a seu tempo isto tudo se saberá).

Alguém sinceramente fica surpreendido por descobrir que as finanças públicas estão todas marteladas e que os papéis que os socráticos enviam para Bruxelas para mostrar que são bons alunos não têm credibilidade nenhuma? E acham que lá em Bruxelas são todos parvos e não começam a desconfiar de tanto óasis em Portugal? Recordo que uma das razões pela qual a Grécia não contou com muita solidariedade alemã foi por ter martelado as contas sistematicamente, minando toda a confiança. Acham que a Goldman Sachs só fez swaps contabilísticos com Atenas?
E todos sabemos que o engº relativo é um tipo rigoroso, estudioso e duma ética e honestidade à prova de bala, certo?

Narrativa:
Os mercados castigaram Portugal devido à crise política desencadeada pela oposição. Agora, com muita pena do incansável patriota Sócrates, vem aí o resgate que seria desnecessário.

Verdade:
É óbvio que os mercados não gostaram de ver o PEC chumbado (e que não tinha que ser votado, muito menos agora, mas isso leva-nos a outro ponto), mas o que eles querem saber é se a oposição vai ou não cumprir as metas acordadas à socapa por Sócrates em Bruxelas (deliberadamente feito como se fosse uma operação secreta porque esse aspecto era peça essencial da sua encenação). E já todos cá dentro e lá fora sabem que o PSD e CDS vão viabilizar as medidas de austeridade e muito mais.

É impressionante como a máquina do governo conseguiu passar a mensagem lá para fora que a oposição não aceitava mais austeridade. Essa desinformação deliberada é que prejudica o país lá fora porque cria inquietação artificial sobre as metas da austeridade. Mesmo assim os mercados não tiveram nenhuma reacção intempestiva porque o que os preocupa é apenas as metas. Mais nada.

O resto é folclore para consumo interno. E, tal como a queda do governo e o resgate iminente não foram surpresa para mim, também não o foram para os mercados, que já contavam com isto há muito (basta ver um gráfico dos CDS sobre Portugal nos últimos 2 anos, e especialmente nos últimos meses).

Porque é que os média não dizem que a bolsa lisboeta subiu mais de 1% no dia a seguir à queda? Simples, porque não convém para a narrativa que querem vender ao nosso povo facilmente manipulável (julgam eles depois de 6 anos a fazê-lo impunemente).

Bom, há sempre mais pontos da narrativa para desmascarar mas não sei se isto é útil para alguém, ou se, é já óbvio para todos. E como é 5ª feira e estou a ficar irritado só a escrever sobre este assunto termino por aqui.

Se quiserem que eu vá escrevendo mais digam, porque isto dá muito trabalho.

A problemática colocação do mastro/A problemática vinda do FMI

(A cantiga do dia)


"o louçã perdeu a joana!
o jerónimo...? o brito
o cavaco não diz nada
e para bem da maralhada
mais vale não abrir o bico...


O coelho anda tonto...
o portas já não ri!
o sócrates perdeu o norte...
e p’ra mal da nossa sorte
chamou o FMI..”.



Haja música...






A problemática colocação de um mastro
Para efeitos de efeitar a avenida
Com balões dependurados, papelinhos coloridos
Troxe o insólito sarilho à autarquia

É que esta idelidade
Agiu em conformidade
Com o gosto colossal de dois ou três

E anunciou com muito orgulho
Muita pompa e barulho
Que o maior mastro do mundo é Português
E anunciou com muito orgulho
Muita pompa e barulho
Que o maior mastro do mundo é Português

Os olhares que se pasmavam na escalada
Não alcançavam nem o meio, nem o fim
Para muitos aquele mastro é má contenção de gastos
Para outros, ele está muito bem assim

O fascínio é humano
E o que é grande em tamanho
Glorifica sempre muito quem o fez

Isto exalta uma nação
E há que dizê-lo com razão
Que o maior mastro do mundo é Português
Isto exalta uma nação
E há que dizê-lo com razão
Que o maior mastro do mundo é Português

São Pedro perdeu as chaves
Santo António o menino
São João foi pelos ares
E para mal dos seus azares
Não encontra o cordeirinho

Santo António anda tonto
São Pedro diz que não vê
São João caiu redondo
E do céu deu um tombo
Tropeçou não sabe em quê

Inquieta a multidão na avedida
Assobia por tanto ter de esperar
Mas nem bairros, nem bairristas, nem as tais marchas previstas
O espectante espectador viu desfilar

Quem se entende com altares
Diz que os santos populares
Não desfilam pelas ruas desta vez

Que nos falte a tradição
Ao menos valha a emoção
Que o maior mastro do mundo é Português
Que nos falte a tradição
Ao menos valha a emoção
Que o maior mastro do mundo é Português

Recuperados os santos dos seus maus-tratos
Os responsáveis resolveram confrontar
Escorregando pelo mastro, perguntaram cá em baixo
Que país levantou alto este pilar

Para a porta do vizinho
Toda a gente varreu lixo
Quando a culpa nos aponta e envolve

E quando toca ao país
Patriota é o que diz
Que o maior mastro do mundo é Espanhol

El postito Portugués
Solo es grandito en pequenez
Pero el maior mastro del mundo es Español

domingo, 10 de abril de 2011

"Dazk...! Quê?

Ontem, ao final do dia, ou mais concretamente, ao inicio da noite, farto da política, da crise e do futebol, resolvi fazer uma incursão numa outra paixão minha, a música.

Há dias quando passava junto do Centro de Artes e Espectáculos de Portalegre, resolvi dar uma olhada aos programas para os próximos dias, logo me fixei no dia 9 de Abril, num nome “Dazkarieh”, que em tempos havia confundido como sendo um álbum da “Brigada Vítor Jara”, por ignorância pura. Enfim coisas de não especialistas...

A meio da tarde, e depois de alguma pesquisa, pensando que a coisa prometia, ainda telefonei ao meu amigo Sabi, procurando saber se ele estava a par do evento, sabendo-o apaixonado por estes fenómenos. Mas o dito, lá me despediu, referindo que não estava disponível, porque o seu grande móbil actual, é um tal projecto “a Grupa”, referindo-me ainda, com toda a paixão, “... que muito melhor do que ser espectador é ser actor”, e eu concordei. Oxalá.

Mas meu caro, não sabes o que perdeste, tu e todos aqueles que não estiveram presentes. É que apesar de ser um projecto com cerca de uma dezena de anos, não parece ser conhecido do grande público, e é pena. Para vos afilar o apetite aqui fica a sua apresentação, e a sugestão que, quando ouvirem este palavrão: “Dazkarieh”, não percam o espectáculo, vale a pena.


Quem são e o que são os "Dazkarieh":



E esta:


quinta-feira, 7 de abril de 2011

Como chegámos aqui, porque chegámos, e quem são os responsáveis?

O que hoje sinto, como português, é uma autêntica desilusão pelo estado a que chegou este nosso Portugal, mas sobretudo, pelo que nos espera no futuro imediato, e constatar ainda, que praticamente, não nos restava outra alternativa.

O "resgate" do FMI é um verdadeiro atentado às soberanias nacionais, como aliás se confirma na Irlanda e na Grécia, onde as pessoas dizem que estão a perder o que tanto custou conquistar. Estes termos que por aí navegam, tais como “ajuda externa” ou “resgate”, deveriam ser imediatamente banidos do nosso vocabulário, pois o que nos espera é uma verdadeira INTERVENÇÃO EXTERNA.

Tradicionalmente, "resgate" é o dinheiro que se paga para libertar alguém que tenha sido aprisionado por outrem. No entanto, o que pode verificar, nesses países em que essa “ajuda ou resgate” está em curso (Grécia e Irlanda), é que esse pretenso "resgate" corresponde, na prática, a uma verdadeira prisão, sendo especialmente atingidas as classes mais baixas com cortes violentíssimos nos salários, aumentos brutais de impostos, e tudo isto sem que a desconfiança dos mercados seja minimamente aliviada, pois as taxas de juro mantêm-se a níveis altíssimos, como parece que hoje continua a acontecer em Portugal, apesar do anúncio de ontem.

Quer-se fazer crer, que a vinda do FMI a Portugal em 1983 não foi problema. Pois eu, lembro-me bem da vinda do FMI em 1983, que teve como medidas emblemáticas o corte do subsídio de Natal retirado através de um imposto extraordinário e retroactivo, e a fome que na altura assolou o país (sobretudo na península de Setúbal), sendo confrangedora a situação de miséria que víamos atingir cada vez mais pessoas, e só não foi mais catastrófico, porque em 1986 entrámos na CEE (o nosso ouro do Brasil do século XX).

Que ninguém se iluda, o que por aí vem, é que vai ser a verdadeira CRISE, que nos vai por a viver com aquilo que produzimos, e isso, sejamos honestos, é muito pouco. Os números não enganam, apesar dos fundos comunitários que continuam a entrar em Portugal (que desperdiçamos com investimentos que não interessam nem ao menino Jesus), todos os anos aumentamos, em pelo menos 10%, a nossa dívida externa.

O que se deve questionar é que culpa têm a classe média e baixa (quando há prémios são para os gestores), para terem que suportar as medidas de austeridade. Não deveriam ser aqueles que deixaram irresponsavelmente acumular os défices públicos e privados que os deveriam pagar?

Passos Coelho disse ontem, que "o País não pode ser tomado pela responsabilização da culpa".

Pois eu acho precisamente o contrário: que pode e deve ser tomado por essa responsabilização. É precisamente nos julgamentos eleitorais que os políticos devem prestar contas dos seus actos.

Eu por mim tudo farei para, neste espaço, dar a conhecer o pouco que vou sabendo e não aceito as “peias” do esquecimento e da não inscrição, de que o “português” tanto gosta.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

De regresso ao segundo momento (in) glório!...

No passado sábado dia 5 de Fevereiro regressei ao velhinho estádio municipal da cidade de Portalegre, integrando um grupo de amigos que designamos de “projecto velhas-guardas”, uma espécie de confraria do futebol, para mais uma folia futeboleira, representado nós a terra do santo casamenteiro antónio, e os nossos congéneres da cidade o santo pastor mamede.

Desempenho aí, actualmente, uma função de dirigente do grupo, uma espécie de “manageiro” dos tempos modernos, coadjuvado pelo meu amigo Bonito Dias na função de treinador. Mas nesse dia, como os confrades eram em número reduzido, lá fui aliciado a dar uma mãozinha, ou mais a propósito falando, dar umas biqueiradas no esférico, quando os restantes camaradas estivessem que já mais não podiam, e se por mero acaso, o dito objecto se deparasse ao meu alcance, a uma velocidade compatível com as minhas já reduzidas capacidades para o arte do pontapé na bola.

Quando faltavam cerca de dez minutos para terminar a função, tempo mais que suficiente para me moer, e tendo já entrado anteriormente todos os companheiros suplentes, o “mister” lá me deu ordem de entrada em campo, sem me atribuir qualquer papel específico, que não fosse o de fazer de conta que continuávamos com o máximo de artífices permitido, que para o caso devem ser em número de onze.

Decorria já o último minuto da contenda, com todos os nossos ao assalto da baliza dos de são mamede, procurando neutralizar a desvantagem mínima de um golo, que estes nos haviam marcado ilegalmente, pelo chamado “fora-de-jogo” segundo as leis da bola, mas que o árbitro, caseiro, havia feito grossa a vista; quando o objecto de jogo, se me deparou ao alcance do pé, e a menos de dois metros da linha fatal de golo.

Confesso que já me via aos pulos de contentamento, quem sabe até…, festejando com um “mortal” a igualdade alcançada pelos do santo casamenteiro, mas para isso, eu tinha que fazer transpor aquela mariola redonda, a meta que estava mesmo ali à minha frente à mão de semear. Parecia fácil (parece tão fácil cá de fora), mas quando a chutei, a floresta de pernas dos representantes do santo pastor eram mais que muitas, e o dito esférico foi repelido. Voltei a empurra-lo, mas nada..., nem se mexeu!

E o meu momento de glória futebolística, mais uma vez não se concretizou…, tal como há 30 anos atrás, quando neste mesmo local, iniciei e terminei no mesmo dia, a minha desventurada e curta carreira futebolística, e que agora aqui partilho convosco.


Decorria o ano de 1980, era eu então um jovem de vinte e três anos de idade, e cumpria, por essa altura, o serviço militar como alferes miliciano, num regimento de cavalaria, desta ditosa republica à beira-mar localizada, e tinha como incumbência ministrar instrução aos mancebos que aí se apresentavam.

Por razões que até hoje desconheço, raramente para essa unidade militar, eram incorporados jovens oriundos do meu concelho de Marvão. Mas nesse longínquo ano, por lá apareceu um o jovem de apelido Trindade e meu homónimo de nome, que eu conhecia por ser um razoável praticante destas coisas do pontapé na bola, jogava no clube da minha terra, e a quem passei a proteger por ser meu patrício.

Como nessa época, eu era dos poucos que já possuía automóvel, rapidamente, o João Trindade, se fez meu companheiro de viagem aos fins-de-semana, quer de vinda para as Areias, quer no regresso à cidade protegida pela santa rainha, onde me dava conta das aventuras futebolísticas do arenense.

Daí, a entranhar-me, com a sua retributiva protecção, nas lides, foi um ímpeto. Até porque aos dirigentes do clube, dava um certo jeito esta aliança, não por mim, sempre pouco habilitado nessa arte do futebol, mas porque com maior facilidade e frequência, podiam contar com o “pietra” de Santo António.

Durante dois ou três meses por lá andei exercitando, sobretudo, a vertente técnica do célebre desporto-rei que é o futebol, já que a psicológica “boa vontade não me faltava”, e na física…., a correr, diga-se até em abono da justeza, que não eram todos que me agarravam. Mas quanto a pisar o “pelado” a sério, isso parecia nunca mais ocorrer, e o potencial “pélébio da Abegôa” (uma mistura de Pélé com Eusébio), começava a esmorecer.

A oportunidade surgiu numa bela noite, no já acima mencionado estádio municipal da capital do distrito, num jogo que tínhamos por opositor uma equipa das redondezas da cidade, de seu nome Alagoa. Não ainda como titular mas como suplente, e decorria já a segunda parte da jogatana com o resultado ainda em branco, quando ouvi da boca do “mister” Dinis, as duas palavras mágicas: -“ Bugalhão aquece!”

De repente, pareceu-me que a noite se iluminava mais intensamente, não pelos holofotes artificiais, mas porque, num ápice, o sol brilhava em todo o seu esplendor naquele hectare de terra batida, onde a relva, só anos mais tarde viria a nascer. Na minha mente desfilavam todos os meus ídolos de infância: o Jaime Graça, José Augusto, Torres, Eusébio, Simões, Néné, Jordão, Artur, Humberto e outros …, todos eles estavam dentro de mim, e em conjunto, ia transportá-los para aquele paraíso rectangular ali à minha frente.

Não precisei de esperar muito, e dois minutos depois já eu, e todos os meus ídolos, entravamos em campo, substituindo um camarada, que hoje não recordo quem, mas não errarei muito se alvitrar que seria o Lança, “eterno extremo-direito” da equipa azul, já que, foi para essa zona estratégica do terreno, que me recordo ter ido ocupar.

Não tardou nada que um dos “velhacos” da equipa, a quem terá passado pela cabeça ao ver por ali um elemento estranho, que nada melhor que lhe meter uma bola em profundidade, para testar as capacidades do novo “craque” arenense. E se assim o pensou, assim o fez!

É então que, acabadinho de me estrear, eu vejo passar por mim, em direcção à área contrária com uma velocidade invejável a redondinha, que me haviam endossado. Claro que não me passou pela cabeça, meter-lhe o pé, a fim de executar um dos gestos técnicos fundamentais da modalidade: a recepção, pois sabia que tal manobra, jamais estaria ao alcance das minhas “apuradas” capacidades técnicas, e, que a dita haveria de ressaltar para bem longe de mim, como se tivesse batido numa talocha; antes a deixei passar com uma vénia, como o verdadeiro cavalheiro deve fazer à sua dama. Depois, com a elegância de um dom juan, parti em sua perseguição, até à sedução final, que neste caso, seria fazê-la deslizar com suavidade, nas redes da baliza dos alagoenses. E com a velocidade de um raio, aí vou eu em sua perseguição.

Mas a perversa não ia nada devagar, obrigando-me quase a uma velocidade de TGV. Ainda ela não havia ultrapassado a linha da chamada grande-área quando eu lhe dei o primeiro toque delicado, não fosse ela julgar, que se tratava de algum vagabundo perseguidor sem maneiras, numa qualquer manobra de grotesco assédio futeboleiro. Tal pequeno gesto fez com a minha diva deslizasse mais uns escassos cinco metros, e ambos já nos preparávamos para chegar junto da marca da grande penalidade.

Por essa altura já eu me preparava para executar o gesto técnico mais valorizado na modalidade: o remate. Este, ao contrário da recepção, não requer grandes dotes tecnicistas, o que interessa é que seja certeiro, e, que dê em golo. Pois, como se costuma dizer na gíria do futebol: “para marcar, nem que seja com o cu…!”

Só que, enquanto nos perdíamos nestas teses da retórica futeboleira, os homens da equipa opositora não ficaram, propriamente a dormir, e quando me preparava para o sublime acto de fazer o golo, eis que um deles me abalroou, estatelando-me com grande aparato a mais de cinco metros de distancia do local do embate.

Um misto de revolta e satisfação assaltaram então o jovem “pélébio da Abegôa”. Por um lado sentia-me espoliado do meu grande desiderato, que tão fácil parecia de alcançar, e que, certamente, me levaria ao estrelato futebolístico, nem que fosse apenas na minha terra, que jamais dera um predestinado assim; por outro lado, tinha a certeza que, não sofresse o árbitro daquela doença “saramaguiana” denominada cegueira, e a consequente grande penalidade, bem como a expulsão do infractor, ninguém as poderia negar.

Tão absorvido estava ainda com estas dissertações, que nem dei por uma das minhas pernas se encontrar “meia debulhada”, originada pelo violente embate da queda e do contacto com as areias do terreno. No entanto quando me virei para o homem do apito, e o vi apontar para aquela marca branca no chão, situada a onze metros da linha de golo, não houve dores que se sobrepusessem a tamanha satisfação.

A minha primeira reacção, foi olhar para o “banco” na expectativa, penso que justa, que o “mister” Dinis, ordenasse:
- Marca o “penaltyBuga, já que foste tu que levaste a porrada desse brutamontes!...

Mas não era essa a sua opinião, pois um estreante, não estaria certamente à altura duma tal responsabilidade, e lá encarregou o capitão “ Zé” da sua cobrança. Ficando eu quase tão satisfeito, como se a decisão recaísse sobre mim, embora ferido por fora e, porque não dizer, um pouco por dentro. Mas lá fiquei na expectativa, que o meu capitão repusesse a justiça, sentenciando com golo aquele bárbaro gesto do alagoense.

Vi-o partir para a bola com convicção dos grandes momentos, preparando já a minha reparação interior de ver reposta a surripiada justiça. O grito goooool…., já se solta da minha garganta. Zé remata com toda a força possível mas…, eis que a bola, sobe, sobe, sobe…, nem na rede de cobertura com cinco metros de altura acerta e só pára, nas proximidades da estação da rodoviária …

O jogo lá continuou, bola para cá, bola para lá e, passados três minutos, com grande surpresa minha ouvi a voz do “mister” a chamar pelo meu nome.

Num primeiro momento pensei o mais lógico, que me quereria dar alguma palavra de conforto pelo meu esforço inglório, um toque positivo, como quem diz que tivesse paciência, que o futebol é mesmo assim, que tal como na vida, às vezes não há justiça, etc., etc., mas não, o que ele me ordenava era que me iria substituir por outro camarada! Eu, que apenas tinha entrado no rectângulo mágico há menos de cinco minutos atrás, e logo me haviam ceifado barbaramente, debulhando-me por completo a minha singular perna direita, mais concretamente a coxa, que a perna é mais abaixo, originando até um castigo máximo, que chamam penalty, contra os alagoeiros, ou lá qual seja a sua denominação, apenas em cinco minutos mister, e já vou sair? Olhe que eu não sou de faltar ao respeito a ninguém, sou até um rapaz humilde e educado, mas sair cinco minutos depois de entrar não lembra ao diabo, quanto mais a si, que é para mim uma espécie de deus da bola. Mas nada, a decisão estava tomada, e o treinador é que sabe, pelo menos é para isso que lá está, e eu, que faço aqui?

Desde essa noite, não mais apareci nos treinos do arenense, terminando assim, a minha curta carreira de jogador da bola, se quisessem o "pietra" que o fossem buscar…

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Hoje é dia de São Brás

(3 Fevereiro)

Na minha infância e juventude, este era um dos dias mais esperados e desejados, por ser dia de festa na terra onde vivia, Abegoa de seu nome, no concelho de Marvão.

Logo a seguir ao almoço, na Capela com o nome do santo, situada na encosta norte da vila, havia missa seguida de procissão, como penso que ainda haverá, mantendo-se a tradição. Contudo, habitualmente, as festividades são transferidas para o fim-de-semana de maior proximidade.

Após as cerimónias religiosas, havia a tradicional arrematação de “ramos”: pequenos cestos de verga de vime, onde a vizinhança do padroeiro depositava as suas oferendas ao São Brás, compostas usualmente, por uma garrafa de vinho, um pão e dois ou três chouriços, que a súcia lá ia arrematando pela oferta mais alta ao apregoar do leiloeiro: “…quem mais dá?..., dou-lhe uma, dou-lhe duas e…, doou-lhe três.”

Eu, e a outra catrefada de gaiatos das redondezas, já havíamos ajuntado, previamente, as moeditas que tínhamos surripiado, à socapa, aos nossos pais e, às vezes, lá conseguíamos no fim, levar uma das mais baratinhas fogaças, ou daquelas que já ninguém queria, e lá partíamos mais contentes que ratos, para uma animada função.

Quando chegava a noite, a Sociedade da Abegoa enchia até pelas costuras do exíguo salão recreativo, para o tradicional Baile do São Brás, abrilhantado por um afamado acordeonista das redondezas, e onde acorriam todas as moças casadouras locais, já que os moços, com maior liberdade, vinham de todo o concelho.

Eu, catraio acanhado, ficava quase sempre oculto na sala de entrada das mulheres, já que, naquela época, a moda do “uni sexo” ou igualdade de género, ainda estava para chegar, e de lá ia observando e aprendendo as estratégias da arte marialva no “descante do sacrossanto brás”, para quando chegasse a minha vez na roda da vida, poder cumprir a tarefa com um desempenho digno de um qualquer dom juan.

Mas o que ainda hoje recordo com alguma intriga, e que eu mais gostava de assistir, era a ocorrência que se passava por volta da meia-noite, quando o artífice tocador da concertina anunciava:
- Agora é a “peça à inglesa”.

Essa tal “peça inglesa”, não era mais que a inversão da tal estratégia marialva, dos moços irem buscar as moças para dançar. O que exigia “à inglesa”, era que teriam de ser o inverso, e serem as cativas moçoilas a escolherem quem seria o seu eleito daquela dança.

O que eu não conseguia entender, naquele cenário idílico, em que “a presa procurava o caçador”…, era o porquê de muitos daqueles infantes, que ocupavam quase sempre a popa, na altura de eleger, de repente, como cachorros com o cauda entre as pernas, corriam a refugiar-se o mais atrás possível, nos fundos da sala, ou às vezes, invadindo o meu refúgio feminil, com medo de serem os preferidos daquelas rústicas casadoiras.

Só mais tarde percebi o desassossego daquela rapaziada! …
É que após a dita “à inglesa”, os garbosos cavalheiros tinham que conduzir as atrevidas donzelas ao “Bufett”, onde tinham que as presentear com um “drink” e, pelo menos dez tostões de “ervilhanas”…

E o bago, nessa época, tal como hoje, andava escasso…

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

o josé, e, a pilar...

01/02/2011


Ontem fui ao cinema, coisa que não fazia há mais de dez anos. Fui ver o “José e Pilar”, que é assim como um documentário de desagravamento, pós morte, de alguém que é uma figura maligna, da erudita sociedade portuguesa.

Sinceramente, para quem conhece a obra de Saramago, aquilo parece-me uma “coisa muito light”, que só foi possível realizar, porque apanharam o homem com os pés para a cova, e, que apesar de não ter temor ao julgamento divino, coitado, gostaria de ficar o melhor possível com os da sua espécie.

No final, foi proposto um debate com o realizador, que estava presente (muito cansado por ter feito trezentos quilómetros para vir a Portalegre, mas também, segundo nos confidenciou, por ter passado quatro anos a aturar aquele casal), sobre o filme, e o “nosso” Nobel.

As questões e comentários, quase todas feitas por mulheres da assistência, recaíram, maioritariamente, sobre a personalidade de Pilar del Rio, secundarizando, vá lá saber-se porquê, o José.

É um facto, que este José da canada, só começou salientar-se, após ter conhecido a andaluza de castril. Até aí, a sua obra, era conhecida apenas por meia dúzia de marxistas, não obstante, já terem nascido alguns dos seus produtos mais importantes, como: levantado do chão, o ano da morte de ricardo reis, o memorial do convento e, a jangada já havia passado pelos açores.

Claro que bem conheço aquela máxima, “de que por trás de um grande homem estar sempre uma grande mulher…”, mas porra, daí a converter-se simplesmente no marido da Pilar, é excessivo.

Não fosse eu, conhecedor dessa sua produção livreira pré-pilar, e teria questionado também o senhor Miguel Gonçalves Mendes, sobre uma dúvida que há muito se me acomete:

- Tendo ele privado durante quatro anos com este casal de pombinhos, será que ela (pilar), não metia uma manita na fértil imaginação saramaguiana?

Mas fiquei calado, quem sabe, para não fazer má figura, ou não fosse o seu “engenho” andar por ali e amaldiçoar-me enquanto seu discípulo aprendiz.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Memórias do dia 22 de Janeiro de 1974 – Um dia que nunca esqueço

Capítulo - II

Parece que foi ontem, e já passou um ano desde que aqui vos contei a primeira parte, desta minha aventura de 22 de Janeiro de 1974. É assim o tempo, esse maganão que nunca pára, avançando sempre, sem contemplações, indiferente ao bom ou mau (tempo), de acordo com a perspectiva de cada um.

Quando penso nesta questão do “tempo”, ou como ele passa apressadamente, vem-me sempre à memoria aquela alusão de Saramago, sobre a sua avó materna, de nome Josefa Caixinha, feita no discurso de recepção do Prémio Nobel da Literatura, quando este recordava estas suas palavras:
“… o mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer". Não disse medo de morrer, disse pena de morrer, como se a vida de pesado e contínuo trabalho que tinha sido a sua estivesse, naquele momento quase final, a receber a graça de uma suprema e derradeira despedida, a consolação da beleza revelada.”

Mas vamos em frente (no tempo), que o que aqui quero partilhar convosco, não é propriamente literatura, e muito menos poesia, mas antes um acontecimento único e que me marcou para a vida.

Para uma actualização integral, se já caiu no vosso esquecimento, recomendo que recueis à um ano atrás e, carregando ali, na “caixinha” (que não é a avó do José), do lado direito, no ano de 2010, mês Janeiro, lá hão-de encontrar um artigo com o mesmo título do de agora, para poderem fazer o enquadramento da história.

Contudo, recordo aqui, o último parágrafo desse artigo, para refrescar a memória, daqueles que ainda a possuem:

“… o facto é que, pelas 10 horas do dia 22 de Janeiro, quatro meses antes do futuro Dia da Liberdade, os proletários da CIM, fizeram ali um silêncio sepulcral, naquele arraial de “malhar ferro”, e, mandaram dizer ao patrão Neves, que a partir daquela hora, estavam em greve, até que ele decidisse proceder à justa actualização salarial.

Eu era um deles e também aderi…”

A Greve, naquele tempo, era para a maioria de nós, uma coisa assim como o longínquo ano 2000, que as profecias anunciavam, ser o ano do fim do mundo. Algo que se ouvia murmurar, mas que, certamente, não existiria. Estar num impulso, metido no seu seio, ficava-se assim como uma criança, que vai ao “comboio fantasma” pela primeira vez, mesmo que acompanhado pelos pais.

Se eu sabia que era proibido fazer greve nessa altura? Claro que sabia; se sabia que existia a policia política PIDE, que tudo controlava ? Claro que sim; se sabia que todos os dias iam parar a Caxias, Aljube, ou Peniche pessoas por apenas contestarem a ordem vigente? Sem dúvida; se sabia que as pessoas que aí eram aprisionadas, eram vilmente torturadas, às vezes até à morte? Claro que não podíamos ignorar: víamos, ouvíamos e líamos…

No entanto, para mim, jovem aventureiro de 16 anos, entrei nessa “estação fantasma”, sem medir prós ou contras, apenas movido por aquilo que me parecia ser o mais elementar sentido de justiça: lutar pela melhoria de condições de vida…
Isso bastava-me, depois logo se veria.

Durante as primeiras duas horas, isto é, até ao meio-dia, ocasião em que íamos almoçar, nada sucedeu. Apenas algumas conversas fúteis sobre a vida, que no meu caso específico, certamente, seria alguma combinação com o camarada do lado, sobre a hora e o local do bailarico do próximo fim-de-semana. Ou, quem sabe, uma discussão “futeboleira” sobre rivalidades de benfiquismo e sportinguismo, já que os tripeiros naquelas paragens, para além de raros, naquela tempo ainda não contavam para o campeonato.

Após almoço ligeiro, transportado em “lancheira”, comido ao ar livre, sentado numa pedra, ingerido directamente da dupla marmita de alumínio, habitada num compartimento pela sopa de legumes, e no outro, por alguns restos de guisado da noite anterior acompanhado de pequenas sopas de carcaça, e, após uma hora, lá regressámos ao silêncio cavernoso do posto de trabalho, que mais acertado seria, chamar-se naquele dia, posto de greve.

Passava pouco das 14 horas, quando à entrada do pavilhão principal da oficina, surgiu repentinamente, o patrão Neves, na sua figura altiva, agasalhado com o seu impecável sobretudo preto, acompanhado do “encarregado-geral”, e do chamado “guarda-livros”.

Observado de longe, a cerca de cinquenta metros em linha recta, via-o movimentar-se bruscamente, dirigindo-se individualmente, a cada um dos meus congéneres operários metalúrgicos, junto ao seu local de greve. Dirigia-lhes algumas palavras, em voz bastante alta e alterada, mas que, pela distância a que estavam de mim, me era impossível enxergar. Após o breve monólogo que travavam, como formigas num carreiro, os contactados, sem excepção, lá se iam dirigindo para a porta da rua.

Quando chegou a minha vez, senti-me a enfrentar um pelotão de fuzilamento, no entanto a dúvida, do monólogo com a entidade patronal, já se havia esfumado, pois já ouvira bem claro, o que se passara com aqueles que mais próximos estavam de mim, e assim, foi sem qualquer surpresa, que ouvi da boca do senhor Engenheiro Neves, a pergunta que repetia pela quinquagésima vez:

- O senhor quer ou não trabalhar?

“Ainda passou pela minha cabeça argumentar que Sim, que queria! Que gostava muito, e precisava daquele trabalho, como do pão para a boca…! Mas, que o senhor engenheiro fosse criterioso, pois bem sabia que o custo da vida estava pelas horas da morte, que a renda da casa tinha aumentado, a electricidade em casa já andava a ser substituída por velas; o comboio já custava seis escudos do Cacém para Lisboa, até pela “bica” já queriam vinte e cinco tostões; ir ao cinema? Só no “piolho”…; saiba, o senhor engenheiro, que a malta mata-se aqui a trabalhar, a dar o litro dez horas por dia; eu, uma criança, pela manhã até já cuspo ferrugem deste maldito óxido de ferro, e à noite, só oiço “grilos” nas orelhas; os maganos daqueles sarracenos não param de aumentar o preço do petróleo e, como o senhor sabe, quando aumenta o crude, aumenta tudo, O senhor bem sabe, que fomos nós, com o nosso trabalho, que fizemos esta empresa, não se esqueça, que ainda há três anos, funcionava num “vão de escada”. E já agora, ò senhor engenheiro, o que era isso para si de, apenas mais dez escudos por dia a cada um de nós? Etc., etc.….”

Mas não. Baixei a cabeça, por ser a primeira vez que estava tão de perto com tamanha eminência, não prenunciei uma só palavra, e lá segui, no formigueiro, para a porta de saída. Evitando assim, ao Sr. Neves da Silva, a palavra por si mais repetida naquele dia:

RUA!

(Para o ano, a 22 de Janeiro, se cá estivermos, termino a novela…)