quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Uma lufada de ar fresco no concelho de Marvão...

Quatro dias após a apresentação do Movimento Independente Marvão para Todos, deixo aqui, e de forma sistematizada, os ecos dessa brisa que nos chegam através da Comunicação Social presentes na Sessão. Assim, para memória futura, e pela ordem inversa a que chegaram ao público, podemos ver e ler as peças dos Jornais Alto Alentejo e Fonte Nova, e da Rádio Portalegre. Em meu nome pessoal fica o agradecimento pelo vosso serviço. Oxalá nós possamos estar, no futuro, à altura deste dia, pois o trabalho e os objectivos a que nos propomos é árduo e só agora começa.


- Jornal Alto Alentejo (Edição de 4/11/2015):  



- Jornal Fonte Nova (Edição de 3/11/2015):































- Rádio Portalegre on line (1/ 11/2015)


“Nada contra ninguém, tudo pelo concelho de Marvão”, é o lema do Movimento Independente Marvão para Todos que foi apresentado à população durante a tarde deste sábado.


O projeto, composto por dez pessoas do concelho, tem por objetivo “ser uma alternativa à atual gestão”, e apresentar um candidato às autárquicas de 2017.
Segundo a carta de princípios do Movimento, o “Marvão para todos” assume-se como um grupo de intervenção cívica de pessoas do concelho, que pugnam pela independência, transparência e rigor e que defende uma relação transparente entre a Câmara e os munícipes”.


Em declarações à Rádio Portalegre, Fernando Bonito, do Movimento independente, “Marvão tem a partir de hoje uma oposição atenta aos abusos de poder que possam existir”.
Fernando Bonito adiantou ainda que é intenção do seu Movimento trabalhar em prol do concelho, “com gestão e não a fazer política em cima do joelho“.

O projeto independente nasceu há mais de um ano, e segundo Teresa Simão, o surgimento deve-se ao facto de “todos os que fazem parte do “Marvão para Todos” sentirem desconforto em relação à atual governação que tem estado presente em Marvão”.

Sobre o futuro de Marvão, é intenção do Movimento “desenvolver uma nova forma de fazer politica, que seja abrangente, coesa e com sentido de servir”.

Segundo Nuno Pires, também porta-voz do Movimento Independente, outro dos desígnios do grupo é delinear uma estratégia que aproveite o “enorme potencial que Marvão tem”.

O “Marvão para todos” integra os nomes de Adelaide Martins, João Bugalhão, Jorge Rosado, José Manuel Baltazar, Luís Barradas, Nuno Pires, Pedro Sobreiro, Susana Teixeira, Teresa Simão e Fernando Bonito.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Uma nova "Fonte Nova"


Depois de algum tempo de interregno voltou hoje às bancas o Jornal Fonte Nova. O Retórica deseja ao Jornal e a todos os seus colaboradores os maiores êxitos.

E para começar, um bom trabalho, que em baixo se publica, sobre a Sessão de Apresentação do Movimento "Marvão para Todos". Da minha parte um grande obrigado à Manuela Lã Branca e a todos os seus colaboradores.






segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Isto não é ver de binóculos, é ver com muita lucidez...


Um artigo muito bom do Pedro Sobreiro, sobre o Marvão para Todos, uma reflexão a não perder para os que estão fora, mas também para todos os que o ajudaram a nascer. 

Alguém, que agora não me recordo, disse que, se os homens bons se afastarem da política, ela tenderá a cair nos braços dos incompetentes! 


“A política faz falta. E quando penso nisto lembro-me sempre do bom do meu professor Basílio Horta que me ensinou que o homem é um homem gregário e vivendo em sociedade tem necessidade que haja um que diga qual é o caminho a seguir. Mas a política hoje é, para a maioria da sociedade, apenas o que tem de negativo: os interesses, a falsidade, o afastamento daquilo que é necessário para a grande maioria das pessoas.”



sábado, 31 de outubro de 2015

"Marvão para todos" apresenta-se à população...

Seguindo a notícia da Rádio Portalegre, o concelho de Marvão tem, a partir de hoje, um novo Movimento Independente, que pretende ser uma nova alternativa na política local. Diz a notícia da RP de hoje à tarde:

 “Nada contra ninguém, tudo pelo concelho de Marvão”, é o lema do Movimento Independente Marvão para Todos que foi apresentado à população durante a tarde deste sábado. O projeto, composto por dez pessoas do concelho, tem por objetivo “ser uma alternativa à atual gestão”, e apresentar um candidato às autárquicas de 2017.

Segundo a carta de princípios do Movimento, o “Marvão para todos” assume-se como um grupo de intervenção cívica de pessoas do concelho, que pugnam pela independência, transparência e rigor e que defende uma relação transparente entre a Câmara e os munícipes”.

Em declarações à Rádio Portalegre, Fernando Bonito, do Movimento independente, “Marvão tem a partir de hoje uma oposição atenta aos abusos de poder que possam existir”. Fernando Bonito adiantou ainda que é intenção do seu Movimento trabalhar em prol do concelho, “com gestão e não a fazer política em cima do joelho“.

O projeto independente nasceu há mais de um ano, e segundo Teresa Simão, o surgimento deve-se ao facto de “todos os que fazem parte do “Marvão para Todos” sentirem desconforto em relação à atual governação que tem estado presente em Marvão”. Sobre o futuro de Marvão, é intenção do Movimento, “desenvolver uma nova forma de fazer politica, que seja abrangente, coesa e com sentido de servir”.

Segundo Nuno Pires, também porta-voz do Movimento Independente, outro dos desígnios do grupo é delinear uma estratégia que aproveite o “enorme potencial que Marvão tem”.

O “Marvão para todos” integra os nomes de Adelaide Martins, João Bugalhão, Jorge Rosado, José Manuel Baltazar, Luís Barradas, Nuno Pires, Pedro Sobreiro, Susana Teixeira, Teresa Simão e Fernando Bonito.”


quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Marvão para Todos...



Como se pode ler em baixo, na notícia do Jornal Alto Alentejo desta semana, no próximo sábado dia 31/10 irá ser apresentado um novo projecto de Movimento Independente denominado "Marvão para Todos". A Apresentação pública decorrerá a partir das 14h30 na Casa da Cultura/Câmara Velha na vila de Marvão




E já agora, aqui fica o Convite público para todos os marvanenses que queiram estar presentes e conhecerem o Marvão para Todos, os seus princípios, as suas ideias e os seus membros.



sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Um pouco de lucidez nunca fez mal a ninguém...


Não gosto de Cavaco. 
Raramente estou de acordo com ele. 
Nunca votei nele. 
Mas respeito-o como Presidente eleito pela maioria dos portugueses.

Acho no entanto que, o que de importante ele ontem disse, de acordo com a Constituição, está tudo nesta frase. O resto é conversa da treta...

«É aos deputados que compete decidir, em consciência e tendo em conta os superiores interesses de Portugal, se o Governo deve ou não assumir em plenitude as funções que lhe cabem.»

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Eleições? Mas que eleições?...


Para período pós eleitoral, um bom texto de Maria João Marques (apenas) para reflexão.

E que tal um "governozito" formado por PS, PCP e Bloco? Eu aplaudo...


A coluna vertebral de Costa é muito maleável: de domingo para terça passou de ‘o PSD tem mais deputados e deve formar governo’ para ‘vamos negociar seriamente à esquerda para um governo de esquerda..." 

Continuar a ler....


Pode-se também reflectir com esta, não menos interessante: Coliga-te esquerda, coliga-te...

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Novos sons da música portuguesa...

... e sobretudo as palavras!


"... o dia não te correu bem e não gostas do que fazes, e agora só pedes um pouco de atenção! Pus tudo para fora, estou pronto para ouvir, diz-me algo que não saiba e que te dê a razão. Vais ter de mim um ar sério e compreensivo, um abraço convincente, como se fosse um irmão. 

Diz agora o que te vai na mente e, no que puder ajudar, tens aqui um amigo com quem, com quem podes contar. No fundo, na frente, na mesma camisola, a frio, a quente, com a cara para dar, o bom e o mau, o que importa realmente: Levo a tua bandeira onde consiga chegar!

O dia não te correu bem e não gostas do que fazes, não é culpa de ninguém e podes sempre mudar. Procura no que sabes, no caminho para andar, trata a vida sempre bem que ela, bem te vai tratar.

Põe amor no teu caminho e a verdade ao de cima, nunca ficarás sozinho, podes ajudar também. Se alguém no teu presente possa a vir necessitar, faz de ti um amigo com quem se possa, com quem se possa contar..."


sábado, 12 de setembro de 2015

O meu contributo para a escolha eleitoral de 4 de Outubro.


Mesmo que os políticos sejam “todos” iguais, os resultados das "políticas" nem sempre o são. Porquê? 


Nota: O saldo da Balança Comercial mede a diferença entre as exportações e as importações



De onde vem o "bago" para fazer face a este desequilíbrio? 





A questão é simples: Vamos continuar, ou avançamos para a "mudança"?


quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Ainda sobre o debate Passos - Costa...


Como Passos Coelho deveria ter respondido aos Gráficos de Costa, e nem precisaria de dizer mais nada. Não respondeu, mas isso não não nega a realidade. 

Então vejamos:

1 - Dívida Pública: Cresceu, mas era possível não crescer? Mas será que se pode comparar com o que vinha acontecendo nos últimos anos da governação socialista? 

   
     Dívida Pública em % do PIB








... e se fosse com a política do PS? A dívida pública seria de 253,5 mil milhões de euros, em vez dos actuais 223,6 mil milhões. Atente-se no Gráfico seguinte:


2 - Despesas Públicas? Sem palavras!




3 - Balança de transacções? Pela primeira vez em 40 anos foi positiva!


Só não vê quem não quiser...

Às costa(s) do passos, ou de passos às costas!


Este artigo de Luís Menezes Leitão resume de uma forma concisa o que penso sobre o debate de ontem...

“Passos Coelho pode orgulhar-se de ter dirigido o governo que conseguiu levar a bom porto o país, depois da situação mais complexa que qualquer governo teve em Portugal desde 1975, em grande parte por culpa do governo anterior. Como primeiro-ministro, revelou-se especialmente em dois momentos extremamente difíceis.

O primeiro foi em Julho de 2013, quando segurou o governo, perante a demissão irrevogável do seu parceiro de coligação, Paulo Portas, evitando que a coligação se desfizesse, como sucedeu à AD em 1982 quando Freitas do Amaral também decidiu abandonar o barco. O segundo foi em Julho de 2014, quando recusou envolver o dinheiro dos contribuintes no colapso do BES, não repetindo assim o que Sócrates tinha feito com o BPN. Passos Coelho apresenta a seu crédito ter conseguido evitar novos resgates e ter colocado o país novamente a crescer. Por isso, como recentemente escreveu o insuspeito José Silva Pinto neste livro, mesmo que perca as eleições, sairá sempre do governo com a consciência tranquila."


quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Porquê?


descoordenação e o pouco tino do executivo marvanense continuam, e a falta coerência também. É normal quando existe um poder centrado numa só pessoa, e que gosta muito de falar e pouco de ouvir.

Assistimos no dia do concelho a uma homenagem em massa de diversos marvanenses e não só (um ex Alcaide de Valência também foi bafejado). Não irei discutir minimamente, ou por em causa, todos aqueles que individualmente ou em associação, foram homenageados. Se o foram é porque lhes é reconhecido mérito por algo que fizeram ao longo do seu percurso de vida pela comunidade marvanense. O que quero questionar são os critérios (ou falta deles) na escolha e oportunidade das diversas distinções, a sua falta de coerência, e de quem será a responsabilidade última de olhar para estas coisas, e decidir. 



O grupo de homenageados com Antónia Moura Andrade e as filhas de João Dinis Carita e Manuel Pedro da Paz.

Antes de referir concretamente essa falta de coerência nas nomeações, quero informar que tive com a personalidade em causa, sempre uma divergência política pela sua condução dos destinos do concelho, mas a quem sempre respeitei como Presidente do meu concelho e, hoje, passados que são dez anos, tem para mim um valor idêntico a todos aqueles que o precederam, e espero que o mesmo se mantenha para os seus vindouros. Refiro-me concretamente a Manuel Bugalho, Presidente da Câmara Municipal de Marvão entre 1998 e 2005.


 Numa data em que são homenageados 3 dos presidentes dos últimos 50 anos:

- João Dinis Carita: 1964 – 1973
- Manuel Pedro da Paz 1977 – 1985
- António Moura Andrade 1985 – 1997

E anteriormente já tinha sido homenageado Manuel Magro Machado (1956 – 1963), alguém me explica porque não se fez agora a homenagem, passados 10 anos sobre o fim do seu último mandato (2005), a Manuel Carrilho Bugalho?

Nota: Se para homenagear António Moura Andrade (que sempre foi eleito nas listas do PSD), foi preciso ser o Partido Socialista a fazer a proposta; seria da mais elementar astúcia (para além da justiça) que os dirigentes do PSD de Marvão tivessem feito o mesmo em relação a Manuel Carrilho Bugalho. Mas para isso era preciso que o PSD de Marvão tivesse dirigentes!


domingo, 6 de setembro de 2015

Vergonhoso (2)...


Recebi de Fernando Bonito Dias este “comentário” ao meu Post anterior sobre a polémica Declaração de Voto de alguns membros do executivo marvanense. Por me parecer bastante elucidativo, contribuir para se entender melhor o que está em causa, e complementar à minha apreciação, decidi postá-lo aqui em primeiro plano.

Diz assim o Fernando:

“Esta atitude do executivo da CMM merece uma reflexão clara e aprofundada!

Esta atitude, abstenção na votação da atribuição da Medalha de Mérito Municipal ao Centro Cultural de Marvão e correspondente declaração de voto, são sintomáticos da (des) governação vigente em Marvão!

Uma (des) governação que:

- Não tem “EQUIPA” de gestão!
- Não tem capacidade de gestão!
- Não se envolve na gestão do bem comum do concelho!
- Investe a maioria do seu tempo e energia na gestão dos seus interesses eleitoralistas!
- Não trata os marvanenses por igual e não revela justiça nas suas decisões.

Portanto, este é um processo que merece ser descrito e recordado!

Merece ser descrito e recordado porque, como disse o Nobel da literatura, Mário Vargas Llosa, ao “Expresso” em 8/Nov./2014, “se virarmos as costas à política, esta ficará nas mãos das pessoas piores!”

Ultimamente, face à “normal” atitude de “se servir” que os políticos em geral têm demonstrado, as pessoas tendem a afastar-se da política, vendo nesta algo sujo e imoral. No entanto, ninguém que viva em sociedade (e somos todos) se deveria alhear da política, pois esta não passa da “arte ou ciência da organização, direcção e administração de uma comunidade”, seja esta uma cidade, um concelho ou um país. Dito isto, vamos aos factos.

Em 2013 as obras do castelo estavam prontas, após uma boa decisão do executivo em avançar para a requalificação daquela que é a nossa pérola mais preciosa: o castelo de Marvão! Efectuar a obra foi o mais fácil. Foi colocar dinheiro e… pronto.

Nessa altura, exigia-se o mais difícil: a gestão da obra!

Como o executivo não tem equipa nem capacidade de gestão, não se envolve no bem comum do concelho e apenas pretende, em qualquer circunstância, defender os seus interesses eleitoralistas, logo engendrou um plano (concurso) para ser uma das “associações dominadas pelo regime”, a “Terras de Marvão” (“liderada” na prática pelo vice presidente da CMM (!?), o qual deveria dedicar totalmente o seu tempo à gestão da câmara… ou seja do bem comum!), a ficar com a gestão do castelo, possibilitando, assim, ao executivo capitalizar em votos, os favores que ali fosse distribuindo.

Mas aconteceu que quem ganhou o concurso (que os interesses instalados ainda tentaram impugnar) para a gestão do castelo foi outra associação, a do Centro Cultural de Marvão, a qual até se revelou bastante dinâmica nessa gestão, obtendo excelentes resultados!

E agora, ressabiado com o acontecido em 2013 e sem sentido de justiça, o executivo (que não se preocupa com o bem comum e não trata os marvanense por igual), não obstante o bom trabalho desenvolvido, prepara-se para retirar a gestão do castelo àquela associação (através de rescisão contratual) e produz esta vergonhosa votação/declaração de voto na questão da Medalha de Mérito Municipal…

Sintomático!

Mais uma vez, o executivo com esta votação (“abstenção” e não “contra”), revela a sua incapacidade e a superior preocupação de que as suas atitudes sejam sempre na direcção da defesa dos seus interesses eleitoralistas.

Como se os Marvanenses fossem estúpidos!

Abraços

Fernando Bonito Dias”

sábado, 5 de setembro de 2015

Vergonhoso (1)...

Se o princípio de Peter nos remete para a incompetência do topo da pirâmide do poder, quando enuncia que “num sistema hierárquico, todo o funcionário tende a ser promovido até ao seu nível de incompetência”; neste caso, parece que aos que governam em Marvão já não lhes chega a incompetência e o abuso desse poder, também já não lhes resta qualquer pingo de bom senso. E eu acrescento ainda, sem mais comentários, um pouco de vergonha!

Senão atente-se nesta aberrante Declaração de Voto destes 4 “gestores” da Câmara Municipal de Marvão, após a aprovação de uma proposta para a atribuição da Medalha de Mérito Municipal a uma Associação do concelho – O Centro Cultural de Marvão, no próximo dia 8 de Setembro:

Declaração de Voto do Presidente Vítor Frutuoso e dos vereadores Luís Vitorino, José Manuel Pires e Tiago Gaio:

“A fundamentação da presente proposta é, sobretudo, o facto do Castelo ter sido considerado um dos monumentos nacionais de referência pelo Trip Advisor. Contudo, apesar de se tratar de um site importante, a nível turístico, o mesmo não pode ser considerado uma referência formal, estável e consolidada. Por outro lado, foi o Município de Marvão que contribuiu, de forma determinante, para criar as condições que vieram a proporcionar esta referência no Trip Advisor.

Quanto ao papel do Centro Cultural de Marvão na sua interacção com os sócios, a população e respectivas dinâmicas socioculturais, na generalidade, poderá dizer-se que fez um trabalho normal e aceitável no que diz respeito ao plano de actividades que se espera de uma associação desta natureza.

Quanto à exploração do Castelo, principal motivo da distinção honorífica, na nossa perspectiva podemos considerar que atingiu os objectivos mínimos, mas ficou muito aquém da sua própria proposta, isto é:

- A antiga sala do Museu Militar, que seria destinada a exposições temporárias/rotativas, foi convertida em loja arrendada a um particular, ao arrepio da sua própria proposta e esquecendo uma questão fundamental: no recinto interior é o único espaço com instalações sanitárias e, deste modo, passou a ter um uso exclusivo, quando deveria ter uma disponibilidade colectiva;

- A exploração da Cafetaria, que deveria funcionar durante todo o ano, na realidade, funcionou pontualmente e nunca conseguiu ter visibilidade;

- A interpretação do Castelo apareceu tardiamente e foi parcial, pois só considerou a sua evolução histórica, e ficou por explicar, entre outras coisas, a sua funcionalidade e respectiva evolução, enquadramento da estrutura defensiva por si e integrada no sistema defensivo territorial;

- As visitas guiadas em parceria com uma empresa devidamente qualificada, referidas na proposta de exploração não se concretizaram ou não tiveram qualquer visibilidade;

- O programa de actividades harmonizado com os objectivos dos programas escolares, referido na proposta de exploração, não teve visibilidade;

- O programa de actividades proposto, de carácter lúdico e pedagógico, não teve dimensão e/ou visibilidade;

- Foram efectivamente cumpridos, na generalidade, os compromissos relativos à manutenção e vigilância do Castelo;

- Quanto ao modelo de gestão, não diríamos que é inovador, mas antes aquele que talvez seja mais vantajoso para a associação, pelo menos é discutível se será melhor opção de recorrer a voluntariado pago, ou se seria o recurso programas e contratos de emprego estáveis e inclusivos.

Face ao exposto, os eleitos pelo PSD não votam contra a presente proposta optando pela abstenção.”.

Abstenção? Então o que é que diriam se votassem CONTRA? Nem Salazar, se tivesse que condecorar Álvaro Cunhal diria melhor!  

E é assim que tratam aqueles que desenvolvem actividades voluntárias de associativismo no concelho?

A resposta desta Associação, e bem, só poderia ser uma: RECUSAR A HOMENAGEM

Por mim, que sempre estive ligado ao movimento associativo do concelho de Marvão, sinto-me envergonhado por esta Declaração de Voto destes membros do executivo camarário. Acho que aos seus promotores só resta, se ainda tiverem um pouco de bom senso, pedirem desculpa ao Centro Cultural de Marvão e a todos os marvanenses. 

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Eles até já estão com medo? Ai as "maganonas"...


"As relações são em função do desejo e não vice-versa. O problema num casal é quando um tem muito mais desejo do que o outro. Normalmente o homem tem mais vontade e mais iniciativa. Mas muitas vezes é egoísta e não se esforça nada por criar ambiente nem investe nos preliminares. A maior parte dos homens não percebe nada de sexualidade porque ninguém os ensinou. Um dos dramas masculinos é que, de facto, os homens não percebem nada de mulheres. Com uma agravante. Além de não perceberem nada, agora estão assustados porque as coisas estão a mudar. Havia um grande domínio masculino nesta área. Os homens tomavam a iniciativa e elas aceitavam. Mas agora elas já reivindicam. E até já tomam a iniciativa. O padrão está muito confuso e os homens não estão preparados para isso. Têm medo da sexualidade delas."

Artigo simples e interessante (para eles) a não perde aqui.

sábado, 15 de agosto de 2015

Ajustes directos: A praga continua...


Como já havia escrito aqui, um acórdão do Tribunal de Contas (TC) defende que "o ajuste directo constitui um procedimento fechado, que não integra qualquer nível de concorrência, pelo que só se deve aceitar a sua utilização quando se demonstre inviável qualquer outra solução procedimental que melhor salvaguarde a concorrência." Ora na Câmara Municipal de Marvão, o Ajuste Directo, parece ser a regra e nunca excepção.

Apesar de em Reunião de Câmara de 4/3/2015, Vítor Frutuoso ter prometido que a partir dali seria mais criterioso nestas adjudicações (promovendo concursos públicos ou uso da Plataforma Electrónica), não só não cumpriu, como parece que daqui para a frente será pior. Não admira, quem governa sem oposição, faz o que quer e lhe dá na gana. São assim os nossos “demo cratas”. O povo só paga, não controla (nem sabe, ou imagina, o que se faz nas suas costas), a leis e a justiça estão pelas horas da morte e, assim, estes pequenos tiranos/caciques, fazem o que querem sem prestarem contas a ninguém. Eu cá vou tentando fazer o meu papel de contribuinte, pode valer de pouco, mas fico aliviado.

Desta vez aqui dou conhecimento de mais duas adjudicações, cujos processos parecem ser muito duvidosos, a crer no que diz o TC e nas promessas do senhor presidente da CM de Marvão.

O primeiro diz respeito a uma Prestação de Serviços, cuja história, também já contei aqui. Só que o Processo ainda se desenrolou de forma mais duvidosa que aquela que eu imaginava. O senhor presidente levou uma proposta a Reunião de Câmara em que propunha 3 Candidatas (duas das candidatas vindas da lua), porque ele já tinha “decidido” a quem faria a adjudicação! E depois fez essa mesma adjudicação, sem que tenha dado qualquer conhecimento ao Órgão Executivo sobre que critério usou para escolher Teresa Narciso.
Assim não vale a pena tanto trabalho: Escolha logo, poupa-se trabalho.

O segundo diz respeito às obras de Execução da Rede de Abastecimento de Águas ao Vale de Ródão, como se pode ver no Quadro 1, e cuja adjudicação por Ajuste Directo é feita no valor de 145 000 euros + IVA (num Total de 153.700 €); quando lei obriga que obras acima de 150 000 euros já obrigam a Concurso Público. Bem podia o senhor presidente adjudicar por 149 999,999999999 euros.
Ainda era legal. A moral é que não me parece grande coisa!

A pergunta que se faz é óbvia: Não seria possível fazer melhor e mais barato se se recorresse ao Concurso Público? Porque não promover a concorrência que é filosofia liberal do seu partido. Ou o senhor presidente concorre pelo PSD, mas aplica políticas da esquerda radical?

Por falar em filosofia, convém aqui lembrar o tal princípio: “... à mulher de César não chega ser séria, é preciso parecer”. Ou será o contrário.... 

   Quadro 1 - Ajustes Directos na CM de Marvão. 


sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Tempo de verão...


Retirado daqui. Para ler e..., sorrir, nem que seja amarelo...




Acabei de vir de férias do Algarve e estive atento ao que se passava à minha volta. Identifiquei dez tipos de personagens que encontramos em qualquer praia portuguesa:

O poster

O poster é aquele gajo que vai para a praia pausar o seu cenário barraquê: tatuagem tribal no braço; Liliana em árabe, nome de quem ele pensa ser a sua filha; aqueles calções curtos e fluorescentes à Cristiano Ronaldo ou, caso não tenha tido tempo de os comprar, puxa os seus para cima, arregaçados a mostrar os quadríceps depilados. O poster nunca larga os óculos escuros da moda nem para ir para a água. Fica ali, a molhar os pés e a contemplar a linha do horizonte e a infinitude do universo. Isso e os rabos das gajas que passam, obviamente. Os posters, por norma, vão em bando, sem mulheres, e ficam sempre com um escaldão nas costas porque são incapazes de pedir a um amigo que lhes passe creme, com medo de lhes começar a apetecer um folhado de salsicha e estragar a dieta de batidos de proteína. O poster faz danças de acasalamento em pleno areal que passam por dar toques na bola, jogar às raquetes a atirar-se para o chão, ou a fazer rasteiras aos amigos e mostrar-lhes os truques que aprendeu a ver o UFC.

O gangue das poderosas

As poderosas são as fêmeas naturais dos posters. Vão à praia como quem vai para um casamento, casamento esse que parece o do Toy ou o da Luciana e do Yannick. Vão maquilhadas, cheias de brincos e pulseiras, e de sandálias de salto alto para empinar o seu rabo que, invariavelmente, vai destapado com um bikini fio dental de cortinado, todo enfiado na gaveta. Nota-se que é um gangue porque todas têm uma tatuagem tribal ao fundo das costas, mostrando que são fiéis às suas raízes. Quando vêem alguma criança que se esqueceu do ancinho, prontificam-se a ajudar com as suas unhas de gel pontiagudas, capazes de escavar na areia molhada até ao núcleo da terra. Depois, retiram a areia que ficou presa nas unhas utilizando o piercing do umbigo ou da língua. Passam a tarde toda a tirar fotografias aos pés, às pernas com o mar em pano e fundo e a tirar selfies para actualizar o perfil do Facebook de cinco em cinco minutos, acompanhadas de frases em brasileiro. Tiram, também, fotos a mostrar o rabo "sem querer", com citações ao género "A melhor curva do corpo de uma mulher é o seu sorriso", mostrando que confundem os conceitos de fio dental com fio dentário.

O "Marcelo Rebelo de Sousa"

Este personagem é o que leva o livro da moda para a praia. Portugal passou a ter mais leitores de praia há uns anos com o Código Da Vinci e esta moda voltou a surgir em força com a morte do Saramago, onde muita gente foi a correr comprar os seus livros para levar para a praia, não fosse ele aparecer em forma de ectoplasma e assombrar as casas de férias do Algarve. Este é aquele tipo de pessoas que escolhem o livro sem critério, olhando para o top FNAC e tirando da prateleira o que tem a capa mais bonita. Pode ser um José Rodrigues dos Santos, uma Margarida Rebelo Pinto ou um, Deus nos livre, Gustavo Santos com os seus títulos sugestivos: "Agarra o agora" e "Ama-te a ti mesmo", todos eles parecendo livros de auto-ajuda, mas à masturbação. Esta personagem só lê uma ou duas páginas de cada vez e vai alternando com a Revista Maria para descansar o cérebro em sobreaquecimento.

O grupo da Linha de Sintra

Este grupo é uma espécie de best of de posters e poderosas. Neste grupo todos têm tatuagens, muitas das quais parecem aquelas que saíam no Bollycao, feitas por catálogo e sem qualquer significado a não ser o de mandar aquela pausa. Obviamente, neste grupo cheira a ganza e ouve-se música num rádio tijolo a pilhas ou num iPhone ligado a umas colunas, que o progresso chega a todo o lado, mesmo à linha de Sintra. Música, como quem diz, porque normalmente é uma kizomba comercial ou música electrónica trance, dubmix step, in tha nice fucking shit. Neste grupo fala-se alto e ouvem-se muitos "Cáralhos", com acento esdrúxulo e tudo, sem qualquer tipo de problema se há crianças à volta ou não. Para além de asneiras também se ouvem outras palavras feias como "Jéssica", "Carla", "Wilson" e "Sandro Miguel". Se eu fosse vendedor de bolas de Berlim, bastava-me cronometrar mais ou menos uma hora desde que começa a cheirar a ganza, para voltar lá a passar. Com a larica do THC acabavam-me logo com o stock e ia para casa mais cedo.

O que não tira a roupa

Há sempre alguém num grupo de pessoas que não tira a roupa, embora por razões diferentes. Há sempre um cinquentão que vai de calças de ganga e pólo, ao qual eu dou o nome de "o meu Pai". Há sempre um gordinho ou uma gordinha que deixou que a sociedade lhe vestisse um colete-de-forças que não conseguem tirar com medo de passar vergonhas. Há também os programadores, que metem creme factor 50 na cara e nas mãos e que nunca tiram a roupa com medo de perder o seu bronze informático e, com ele, a credibilidade em futuras entrevistas de emprego: "Você diz aqui que é programador avançado de C++... Com essa cor só acreditava se fosse indiano! Você é um aldrabão!". Há, depois, algumas mulheres que aparentam ter uma relação peso-altura dentro do normal, mas que optam por nunca tirar a roupa. Estas, obviamente, apanham no lombo e estão cheias de nódoas negras. Se tiverem de burka é apenas uma questão cultural e religiosa e não devemos brincar com isso.

O "Mário Soares"

Felizmente, há quem não ligue a essas parvoíces do culto da imagem padrão que a sociedade nos tenta impor. Acho muito bem que uma mulher tire a roupa mesmo quando a balança marca o red-line. Acho óptimo que se sintam confortáveis com o seu corpo e exibam toda a sua xixa no esplendor de um fio dental, ou de um bikini normal que parece um fio dental, tal a escala e perspectiva distorcida dada pelo naco de picanha. Volto a afirmar que acho muito bem e cada um usa o que quer, mas, como é óbvio, essa liberdade também me permite que vos diga que parecem o Mário Soares com umas cuecas na cabeça e as bochechas ao pendurão. Parecem aqueles rolos de carne aos quais se atou um cordel antes de ir ao forno e estão ali com a carninha toda arrepanhada que até é capaz de fazer mal e cortar a circulação. Nunca fazem qualquer tipo de desporto na praia a não ser para correr atrás do senhor das bolas de Berlim a quem pedem sempre duas, uma para a viagem, e sempre com creme.

Os lambões

Há sempre um casal que acha que a praia é o melhor local para trocar carícias, especialmente abaixo do nível da cintura. Estão ali deitados só numa toalha, juntinhos, ela com a perna por cima dele, a dar beijos todos molhados e com as línguas de fora a entrelaçarem-se quais tentáculos capazes de fazer inveja a qualquer pescador de polvo. A real magia acontece quando eles se tapam com a outra toalha, em pleno sol a pique do meio dia, como quem está a sentir uma aragem fresca no umbigo e, mais vale prevenir que as constipações de Verão são muito perigosas. Começam então as ondulações debaixo da toalha, como quem fez alergia ao sol e precisa, urgentemente, de ser coçado por uma mão amiga. Pensam que estão a ser discretos, mas toda a gente percebe que eles estão ali com as mãos cheias de areia a esfoliar as peles mortas das zonas íntimas. Este espectáculo termina com ela a levantar-se e a ajeitar o bikini e a ir ao mar lavar-se, enquanto ele fica virado de barriga para baixo a fazer de avestruz. Sempre que vão colocar o chapéu de sol e o ferro espeta logo, é porque acertaram num local onde outrora esteve um destes lambões.

O frango do churrasco

Há sempre alguém, normalmente proveniente de países do norte, que a meio do dia já apresenta uma coloração que nos dói só de olhar. Já não é aquele típico vermelho vivo, mas sim uma cor de sangue pisado, já roxo e de pele encarquilhada que é óbvio que vai doer. Aquilo é carne que já está podre e cozinhada ao mesmo tempo e que já nunca mais lhes vai servir para nada. Não é um escaldão, é uma queimadura de terceiro grau para a qual não há creme hidratante e Aloe Vera que alivie. Aquilo é, basicamente, um cancro instantâneo e aquela pessoa vai falecer em poucos dias, ou pelo menos, vai desejar que isso aconteça de cada vez que for tomar banho e passar a toalha porosa naquela carne viva. Já tenho os testículos arrepiados só de pensar.


O queixinhas

Todas as praias têm um queixinhas. Pode ser homem, mulher, novo ou velho, o queixinhas é uma personagem transversal a todas as raças, credos e estratos sociais, sendo, no entanto, predominante nos mais elevados. O queixinhas diz que a água está fria, que está vento a levantar areia, que está muita gente, que está muito barulho, que há muitas mamas de silicone, que no tempo dele não havia bikinis a mostrar o rabo todo, que a cerveja já está a ficar quente, etc. Uma vez, vi um casal a queixar-se de tudo, desde as algas do mar até aos grãos de areia que não eram simétricos. O filho, vira-se para eles e diz "Podem parar de se queixar um bocadinho? Aproveitem a vida, há pessoas que a única vez que viram a praia foi para entrar num barco cheio de outros refugiados que depois naufragou e morreram todos". Ficou um ambiente estranho e a mulher disse "Lá está você com essas coisas, Bernardo.", enquanto passou a língua num dedo para continuar a folhear a revista Caras. Gente que trata os filhos por você não lambe, passa a língua. O problema é que a eles, em muitos sítios, ninguém lhes passa a língua, uma das razões de serem assim, palermas.

 A família

A típica família portuguesa é uma das espécie autóctones a todas as praias nacionais. Sejam emigrantes ou não, o padrão é sempre o mesmo. Muita gente a falar alto, 37 chapéus-de-sol e 12 pára-ventos, todos montados qual obra-prima da engenharia cigana. Mal assentam o acampamento, as tias velhas começam a gritar com os putos para virem pôr protector solar, enquanto os homens começam a abrir a geleira e a tirar as caricas com os dentes. Muitos desses homens usam bigode, têm um chapéu panamá a tapar a careca e, claro, usam uma cuequinha de banho a mostrar o enchumaço da tomatada com os pelos todos a brotar pelas virilhas quais ervas daninhas em campo selvagem. As mulheres da família fazem uma espécie de concurso masterchef, cada uma com a sua geleira a dar a provar as iguarias que passou a noite anterior a confeccionar. É sandes com ovo mexido, é croquetes e rissóis, é tupperwares com feijoada à transmontana, há de tudo e claro que não pode faltar o melão e melancia cortados aos cubinhos. Aí de quem disser à tia Júlia que a quiche da tia Clotilde está mais saborosa que a dela. "Pois, mas a tia Clotilde nunca trabalhou nem criou dez filhos com um ordenado mínimo". E pronto, está o caldo entornado e passam o resto do dia a discutir as desavenças antigas da família. O pior das famílias na praia são as crianças mal-educadas. Ontem, na praia da Batata, em Lagos, assisti a uma cena daquelas dignas de um tutorial "Como não ser pai". Uma miúda, com os seus doze anos, estava farta de perguntar quando é que podia ir para a água. Os pais disseram-lhe "meia hora" e ela de dois em dois minutos voltava a perguntar, até que, vendo que ainda faltavam 20 minutos, começou a chorar, a estrebuchar e a rebolar-se na areia, num espectáculo que parecia algo saído do Cirque du Soleil ou de uma discoteca cheia de doentes epilépticos. Gritou e grunhiu qual javali a jogar à cabra cega num quarto cheio de pioneses no chão. Isto durou meia hora, todas as pessoas na praia a olhar para ela, a mãe a ignorar, o pai claramente a querer dar-lhe uma chapada com uma pedra da calçada, mas a não o fazer porque actualmente é mal visto bater nas crianças em público. Foram embora, com ela de arrasto aos berros e o irmão mais novo a dizer "Vamos embora? Olha Mariana, muito obrigado... por nada". Depois os cães é que estão proibidos de entrar nas praias...


Enfim. Falto eu! 

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Em noite de "chuva de estrela", uma estrela na tarde...


Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia, eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas, e eu entardecia. Era tarde, tão tarde, que a boca tardando-lhe o beijo, mordia, quando à boca da noite surgiste, na tarde, tal rosa tardia. Quando nós nos olhámos tardámos no beijo, que a boca pedia e, na tarde ficámos unidos, ardendo na luz que morria. Em nós dois nessa tarde, em que tanto tardaste, o sol amanhecia. Era tarde demais para haver outra noite, para haver outro dia.

Meu amor, meu amor, minha estrela da tarde, que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde. Meu amor, meu amor, eu não tenho a certeza se tu és a alegria ou se és a tristeza. Meu amor, meu amor, eu não tenho a certeza...

Foi a noite mais bela de todas as noites que me aconteceram, dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram. Foi a noite em que, os nossos dois corpos cansados não adormeceram e, da estrada, mais linda da noite uma festa de fogo fizeram. Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram, era o dia da noite de todas as noites que nos precederam. Era a noite mais clara daqueles que, à noite, amando se deram e, entre os braços, da noite de tanto se amarem, vivendo morreram.

Eu não sei meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto. É por ti que adormeço e acordo, e, acordado recordo no canto essa tarde, em que tarde, surgiste dum triste e profundo recanto. Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto.

Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!


sexta-feira, 7 de agosto de 2015

A propósito de uns certos Cartazes publicitários...


Roubado daqui, mas não posso deixar de partilhar. No meio de tanta “pobreza” ainda há humor! E quem tiver curiosidade sobre estas "personagens figurantes" pode ler parte da estória aqui
Ai Costa, a vida costa... 




O recluso aproximou-se do 44, saudou-o com um respeitoso “Engenheiro” e uma ligeira vénia como ele gostava, e entregou-lhe uma folha de papel dobrada. O 44 agarrou a folha e ficou a olhar para o homem com ar desconfiado.

“Não é nada, engenheiro”, disse o homem. O 44 olhou em volta e voltou a fixar-se no colega recluso que lhe assegurou tranquilamente: “É só para ver o que lhe andam a fazer lá fora, não é nada de mal. É dos seus camaradas.”

O 44 abriu a folha e leu o seu conteúdo. Olhou embasbacado para o recluso que estava à sua frente, que abanava a cabeça com cara de caso e tornou a baixar os olhos. “Isto é uma montagem?”, perguntou, sem levantar os olhos da folha.
“Acho que não. Pelo menos, deram-me como bom”, respondeu o recluso.

“Há 5 anos é em 2010, pá. Que porcaria é esta?”, rosnou o 44, fixando o outro recluso, que encolheu os ombros em silêncio. “A mulher ficou desempregada no meu governo!”, vociferou o engenheiro, furioso a olhar para a reprodução do cartaz. “Os gajos mandaram isto para a rua?”
“Eu também perguntei isso”, disse o recluso.
O 44 arremelgou-lhe os olhos, “E?”
“Parece que estes são para substituir o da tipa a virar o céu.”
“Mas que merda é esta?!”

O 44 encostou-se à parede exterior da cela. Vários reclusos aproximaram-se. Irritado, ele levantou a folha, virou-se e, com uma palmada, pô-la na parede. “Mas quem é que autorizou esta merda?!”, gritou. “O Costa anda a dormir ou anda armado em sonso… ou pensa que brinca comigo?!” Os reclusos rodearam-no para ler a folha que ele prendia contra a parede. Ele recomeçou:

“A mulher ficou desempregada quando eu era governo. Em 2010. Comigo ninguém ficou desempregado! Ninguém!” O 44 olhou em volta. “Algum de vocês ficou desempregado em 2010?” Os homens negaram prontamente com a cabeça. “Ninguém ficou desempregado em 2010! Ninguém!”, bufou o 44.
“E, ainda por cima falta uma vírgula, engenheiro”, disse um dos reclusos.

Temendo a reacção do 44, os que estavam encostados ao que falara afastaram-se, deixando-o sozinho ante o olhar maníaco do engenheiro.
“Que vírgula, pá. Falta uma vírgula onde?!”
“Aí”, o recluso deu um passo em frente e apontou para “anos” enquanto lia alto: “Estou desempregada há 5 anos sem qualquer subsídio ou apoio.” Fez uma pausa e explicou: “E, com esta frase, nem sei se a vírgula era suficiente, parece-me que não. Mais valia porem: “Estou desempregada há cinco anos e há um ano, ou dois ou o que fosse, sem qualquer subsídio ou apoio…
E a segunda frase…”
“O que tem a segunda frase?”

“Devia ter pessoas, não é só um número, 353 mil. São 353 mil pessoas. Podiam ter posto: Somos mais de 353 000 pessoas.”
“Tem ali um asterisco no número”, indicou um recluso.
“Um asterisco nunca é bom”, respondeu o que estava a falar. “E depois não podem dizer, não brinquem com os números, respeitem as pessoas quando é o cartaz que as despersonaliza…”
“Mas temos aqui um analista de publicidade?!”, interrompeu o 44, furibundo. “Qual asterisco, quais números, quais pessoas! Isso não interessa nada. As pessoas não interessam nada! O que interessa é que eu há 5 anos era o primeiro-ministro e o PS era o governo.”

O 44 calou-se, amarfanhou a folha com raiva, lançando-a numa bola para dentro da cela, levou as mãos à cabeça, que abanava desesperado e, por fim, abrindo as mãos em prece, recomeçou:
“O PS põe um cartaz na rua com uma mulher que se diz desempregada desde quando eu era primeiro-ministro e o PS governo, e, ainda por cima, segundo o que a mulher diz e eles escrevem, nunca recebeu nenhum subsídio ou apoio. Desempregada há 5 anos sem qualquer subsídio. 5 anos! Mesmo quando nós éramos governo. Um ano e meio… Mas que merda de cartaz é este?!... O que é isto, pá?!... O que é isto?”

Os reclusos abanavam as cabeças como os cães de plástico com uma mola em vez do pescoço que se viam antigamente em automóveis seleccionados.
O 44 olhou em volta, semicerrou os olhos numa expressão maléfica e sussurrou para os reclusos: “Quem é que tem um telemóvel?”


(Este veio daqui)

Numa altura que só se fala da zambujeira, fiquemo-nos pelo Zambujo...


O nosso amor chega sempre ao fim. Tu velhinha com teu ar ruim, e eu velhinho a sair porta fora. Mas de manhã algo estranho acontece, tu gaiata vens da catequese, e eu gaiato a correr da escola. Mesmo evitando tudo se repete: o encontrão, a queda e..., a "dor" no pé, que o teu sorriso sempre me consola.

No nosso amor tudo continua, o primeiro beijo e a luz da lua, o casamento e o sol de janeiro...!

Vem a Joana, a Clara e o Martim...! Surge a pituxa, a laica e o bobi, e uma ruga a espreitar ao espelho. Com a artrite, a hérnia e a muleta, tu confundes o nome da neta, e eu não sei onde pus o dinheiro!

O nosso amor chega sempre aqui. Ao instante de eu olhar para ti com ar de cordeirinho penitente, mas nem te lembras bem o que é que eu fiz. E eu, com isto, também me esqueci! Mas contigo sinto-me contente, penduro o sobretudo no cabide, visto o pijama, e junto-me a ti de sorriso meigo e, atrevidamente...

Ao teu pé frio encosto o meu quentinho, e, adormecendo, lá digo baixinho: 
- Eu vivia tudo novamente...