sábado, 5 de setembro de 2015

Vergonhoso (1)...

Se o princípio de Peter nos remete para a incompetência do topo da pirâmide do poder, quando enuncia que “num sistema hierárquico, todo o funcionário tende a ser promovido até ao seu nível de incompetência”; neste caso, parece que aos que governam em Marvão já não lhes chega a incompetência e o abuso desse poder, também já não lhes resta qualquer pingo de bom senso. E eu acrescento ainda, sem mais comentários, um pouco de vergonha!

Senão atente-se nesta aberrante Declaração de Voto destes 4 “gestores” da Câmara Municipal de Marvão, após a aprovação de uma proposta para a atribuição da Medalha de Mérito Municipal a uma Associação do concelho – O Centro Cultural de Marvão, no próximo dia 8 de Setembro:

Declaração de Voto do Presidente Vítor Frutuoso e dos vereadores Luís Vitorino, José Manuel Pires e Tiago Gaio:

“A fundamentação da presente proposta é, sobretudo, o facto do Castelo ter sido considerado um dos monumentos nacionais de referência pelo Trip Advisor. Contudo, apesar de se tratar de um site importante, a nível turístico, o mesmo não pode ser considerado uma referência formal, estável e consolidada. Por outro lado, foi o Município de Marvão que contribuiu, de forma determinante, para criar as condições que vieram a proporcionar esta referência no Trip Advisor.

Quanto ao papel do Centro Cultural de Marvão na sua interacção com os sócios, a população e respectivas dinâmicas socioculturais, na generalidade, poderá dizer-se que fez um trabalho normal e aceitável no que diz respeito ao plano de actividades que se espera de uma associação desta natureza.

Quanto à exploração do Castelo, principal motivo da distinção honorífica, na nossa perspectiva podemos considerar que atingiu os objectivos mínimos, mas ficou muito aquém da sua própria proposta, isto é:

- A antiga sala do Museu Militar, que seria destinada a exposições temporárias/rotativas, foi convertida em loja arrendada a um particular, ao arrepio da sua própria proposta e esquecendo uma questão fundamental: no recinto interior é o único espaço com instalações sanitárias e, deste modo, passou a ter um uso exclusivo, quando deveria ter uma disponibilidade colectiva;

- A exploração da Cafetaria, que deveria funcionar durante todo o ano, na realidade, funcionou pontualmente e nunca conseguiu ter visibilidade;

- A interpretação do Castelo apareceu tardiamente e foi parcial, pois só considerou a sua evolução histórica, e ficou por explicar, entre outras coisas, a sua funcionalidade e respectiva evolução, enquadramento da estrutura defensiva por si e integrada no sistema defensivo territorial;

- As visitas guiadas em parceria com uma empresa devidamente qualificada, referidas na proposta de exploração não se concretizaram ou não tiveram qualquer visibilidade;

- O programa de actividades harmonizado com os objectivos dos programas escolares, referido na proposta de exploração, não teve visibilidade;

- O programa de actividades proposto, de carácter lúdico e pedagógico, não teve dimensão e/ou visibilidade;

- Foram efectivamente cumpridos, na generalidade, os compromissos relativos à manutenção e vigilância do Castelo;

- Quanto ao modelo de gestão, não diríamos que é inovador, mas antes aquele que talvez seja mais vantajoso para a associação, pelo menos é discutível se será melhor opção de recorrer a voluntariado pago, ou se seria o recurso programas e contratos de emprego estáveis e inclusivos.

Face ao exposto, os eleitos pelo PSD não votam contra a presente proposta optando pela abstenção.”.

Abstenção? Então o que é que diriam se votassem CONTRA? Nem Salazar, se tivesse que condecorar Álvaro Cunhal diria melhor!  

E é assim que tratam aqueles que desenvolvem actividades voluntárias de associativismo no concelho?

A resposta desta Associação, e bem, só poderia ser uma: RECUSAR A HOMENAGEM

Por mim, que sempre estive ligado ao movimento associativo do concelho de Marvão, sinto-me envergonhado por esta Declaração de Voto destes membros do executivo camarário. Acho que aos seus promotores só resta, se ainda tiverem um pouco de bom senso, pedirem desculpa ao Centro Cultural de Marvão e a todos os marvanenses. 

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Eles até já estão com medo? Ai as "maganonas"...


"As relações são em função do desejo e não vice-versa. O problema num casal é quando um tem muito mais desejo do que o outro. Normalmente o homem tem mais vontade e mais iniciativa. Mas muitas vezes é egoísta e não se esforça nada por criar ambiente nem investe nos preliminares. A maior parte dos homens não percebe nada de sexualidade porque ninguém os ensinou. Um dos dramas masculinos é que, de facto, os homens não percebem nada de mulheres. Com uma agravante. Além de não perceberem nada, agora estão assustados porque as coisas estão a mudar. Havia um grande domínio masculino nesta área. Os homens tomavam a iniciativa e elas aceitavam. Mas agora elas já reivindicam. E até já tomam a iniciativa. O padrão está muito confuso e os homens não estão preparados para isso. Têm medo da sexualidade delas."

Artigo simples e interessante (para eles) a não perde aqui.

sábado, 15 de agosto de 2015

Ajustes directos: A praga continua...


Como já havia escrito aqui, um acórdão do Tribunal de Contas (TC) defende que "o ajuste directo constitui um procedimento fechado, que não integra qualquer nível de concorrência, pelo que só se deve aceitar a sua utilização quando se demonstre inviável qualquer outra solução procedimental que melhor salvaguarde a concorrência." Ora na Câmara Municipal de Marvão, o Ajuste Directo, parece ser a regra e nunca excepção.

Apesar de em Reunião de Câmara de 4/3/2015, Vítor Frutuoso ter prometido que a partir dali seria mais criterioso nestas adjudicações (promovendo concursos públicos ou uso da Plataforma Electrónica), não só não cumpriu, como parece que daqui para a frente será pior. Não admira, quem governa sem oposição, faz o que quer e lhe dá na gana. São assim os nossos “demo cratas”. O povo só paga, não controla (nem sabe, ou imagina, o que se faz nas suas costas), a leis e a justiça estão pelas horas da morte e, assim, estes pequenos tiranos/caciques, fazem o que querem sem prestarem contas a ninguém. Eu cá vou tentando fazer o meu papel de contribuinte, pode valer de pouco, mas fico aliviado.

Desta vez aqui dou conhecimento de mais duas adjudicações, cujos processos parecem ser muito duvidosos, a crer no que diz o TC e nas promessas do senhor presidente da CM de Marvão.

O primeiro diz respeito a uma Prestação de Serviços, cuja história, também já contei aqui. Só que o Processo ainda se desenrolou de forma mais duvidosa que aquela que eu imaginava. O senhor presidente levou uma proposta a Reunião de Câmara em que propunha 3 Candidatas (duas das candidatas vindas da lua), porque ele já tinha “decidido” a quem faria a adjudicação! E depois fez essa mesma adjudicação, sem que tenha dado qualquer conhecimento ao Órgão Executivo sobre que critério usou para escolher Teresa Narciso.
Assim não vale a pena tanto trabalho: Escolha logo, poupa-se trabalho.

O segundo diz respeito às obras de Execução da Rede de Abastecimento de Águas ao Vale de Ródão, como se pode ver no Quadro 1, e cuja adjudicação por Ajuste Directo é feita no valor de 145 000 euros + IVA (num Total de 153.700 €); quando lei obriga que obras acima de 150 000 euros já obrigam a Concurso Público. Bem podia o senhor presidente adjudicar por 149 999,999999999 euros.
Ainda era legal. A moral é que não me parece grande coisa!

A pergunta que se faz é óbvia: Não seria possível fazer melhor e mais barato se se recorresse ao Concurso Público? Porque não promover a concorrência que é filosofia liberal do seu partido. Ou o senhor presidente concorre pelo PSD, mas aplica políticas da esquerda radical?

Por falar em filosofia, convém aqui lembrar o tal princípio: “... à mulher de César não chega ser séria, é preciso parecer”. Ou será o contrário.... 

   Quadro 1 - Ajustes Directos na CM de Marvão. 


sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Tempo de verão...


Retirado daqui. Para ler e..., sorrir, nem que seja amarelo...




Acabei de vir de férias do Algarve e estive atento ao que se passava à minha volta. Identifiquei dez tipos de personagens que encontramos em qualquer praia portuguesa:

O poster

O poster é aquele gajo que vai para a praia pausar o seu cenário barraquê: tatuagem tribal no braço; Liliana em árabe, nome de quem ele pensa ser a sua filha; aqueles calções curtos e fluorescentes à Cristiano Ronaldo ou, caso não tenha tido tempo de os comprar, puxa os seus para cima, arregaçados a mostrar os quadríceps depilados. O poster nunca larga os óculos escuros da moda nem para ir para a água. Fica ali, a molhar os pés e a contemplar a linha do horizonte e a infinitude do universo. Isso e os rabos das gajas que passam, obviamente. Os posters, por norma, vão em bando, sem mulheres, e ficam sempre com um escaldão nas costas porque são incapazes de pedir a um amigo que lhes passe creme, com medo de lhes começar a apetecer um folhado de salsicha e estragar a dieta de batidos de proteína. O poster faz danças de acasalamento em pleno areal que passam por dar toques na bola, jogar às raquetes a atirar-se para o chão, ou a fazer rasteiras aos amigos e mostrar-lhes os truques que aprendeu a ver o UFC.

O gangue das poderosas

As poderosas são as fêmeas naturais dos posters. Vão à praia como quem vai para um casamento, casamento esse que parece o do Toy ou o da Luciana e do Yannick. Vão maquilhadas, cheias de brincos e pulseiras, e de sandálias de salto alto para empinar o seu rabo que, invariavelmente, vai destapado com um bikini fio dental de cortinado, todo enfiado na gaveta. Nota-se que é um gangue porque todas têm uma tatuagem tribal ao fundo das costas, mostrando que são fiéis às suas raízes. Quando vêem alguma criança que se esqueceu do ancinho, prontificam-se a ajudar com as suas unhas de gel pontiagudas, capazes de escavar na areia molhada até ao núcleo da terra. Depois, retiram a areia que ficou presa nas unhas utilizando o piercing do umbigo ou da língua. Passam a tarde toda a tirar fotografias aos pés, às pernas com o mar em pano e fundo e a tirar selfies para actualizar o perfil do Facebook de cinco em cinco minutos, acompanhadas de frases em brasileiro. Tiram, também, fotos a mostrar o rabo "sem querer", com citações ao género "A melhor curva do corpo de uma mulher é o seu sorriso", mostrando que confundem os conceitos de fio dental com fio dentário.

O "Marcelo Rebelo de Sousa"

Este personagem é o que leva o livro da moda para a praia. Portugal passou a ter mais leitores de praia há uns anos com o Código Da Vinci e esta moda voltou a surgir em força com a morte do Saramago, onde muita gente foi a correr comprar os seus livros para levar para a praia, não fosse ele aparecer em forma de ectoplasma e assombrar as casas de férias do Algarve. Este é aquele tipo de pessoas que escolhem o livro sem critério, olhando para o top FNAC e tirando da prateleira o que tem a capa mais bonita. Pode ser um José Rodrigues dos Santos, uma Margarida Rebelo Pinto ou um, Deus nos livre, Gustavo Santos com os seus títulos sugestivos: "Agarra o agora" e "Ama-te a ti mesmo", todos eles parecendo livros de auto-ajuda, mas à masturbação. Esta personagem só lê uma ou duas páginas de cada vez e vai alternando com a Revista Maria para descansar o cérebro em sobreaquecimento.

O grupo da Linha de Sintra

Este grupo é uma espécie de best of de posters e poderosas. Neste grupo todos têm tatuagens, muitas das quais parecem aquelas que saíam no Bollycao, feitas por catálogo e sem qualquer significado a não ser o de mandar aquela pausa. Obviamente, neste grupo cheira a ganza e ouve-se música num rádio tijolo a pilhas ou num iPhone ligado a umas colunas, que o progresso chega a todo o lado, mesmo à linha de Sintra. Música, como quem diz, porque normalmente é uma kizomba comercial ou música electrónica trance, dubmix step, in tha nice fucking shit. Neste grupo fala-se alto e ouvem-se muitos "Cáralhos", com acento esdrúxulo e tudo, sem qualquer tipo de problema se há crianças à volta ou não. Para além de asneiras também se ouvem outras palavras feias como "Jéssica", "Carla", "Wilson" e "Sandro Miguel". Se eu fosse vendedor de bolas de Berlim, bastava-me cronometrar mais ou menos uma hora desde que começa a cheirar a ganza, para voltar lá a passar. Com a larica do THC acabavam-me logo com o stock e ia para casa mais cedo.

O que não tira a roupa

Há sempre alguém num grupo de pessoas que não tira a roupa, embora por razões diferentes. Há sempre um cinquentão que vai de calças de ganga e pólo, ao qual eu dou o nome de "o meu Pai". Há sempre um gordinho ou uma gordinha que deixou que a sociedade lhe vestisse um colete-de-forças que não conseguem tirar com medo de passar vergonhas. Há também os programadores, que metem creme factor 50 na cara e nas mãos e que nunca tiram a roupa com medo de perder o seu bronze informático e, com ele, a credibilidade em futuras entrevistas de emprego: "Você diz aqui que é programador avançado de C++... Com essa cor só acreditava se fosse indiano! Você é um aldrabão!". Há, depois, algumas mulheres que aparentam ter uma relação peso-altura dentro do normal, mas que optam por nunca tirar a roupa. Estas, obviamente, apanham no lombo e estão cheias de nódoas negras. Se tiverem de burka é apenas uma questão cultural e religiosa e não devemos brincar com isso.

O "Mário Soares"

Felizmente, há quem não ligue a essas parvoíces do culto da imagem padrão que a sociedade nos tenta impor. Acho muito bem que uma mulher tire a roupa mesmo quando a balança marca o red-line. Acho óptimo que se sintam confortáveis com o seu corpo e exibam toda a sua xixa no esplendor de um fio dental, ou de um bikini normal que parece um fio dental, tal a escala e perspectiva distorcida dada pelo naco de picanha. Volto a afirmar que acho muito bem e cada um usa o que quer, mas, como é óbvio, essa liberdade também me permite que vos diga que parecem o Mário Soares com umas cuecas na cabeça e as bochechas ao pendurão. Parecem aqueles rolos de carne aos quais se atou um cordel antes de ir ao forno e estão ali com a carninha toda arrepanhada que até é capaz de fazer mal e cortar a circulação. Nunca fazem qualquer tipo de desporto na praia a não ser para correr atrás do senhor das bolas de Berlim a quem pedem sempre duas, uma para a viagem, e sempre com creme.

Os lambões

Há sempre um casal que acha que a praia é o melhor local para trocar carícias, especialmente abaixo do nível da cintura. Estão ali deitados só numa toalha, juntinhos, ela com a perna por cima dele, a dar beijos todos molhados e com as línguas de fora a entrelaçarem-se quais tentáculos capazes de fazer inveja a qualquer pescador de polvo. A real magia acontece quando eles se tapam com a outra toalha, em pleno sol a pique do meio dia, como quem está a sentir uma aragem fresca no umbigo e, mais vale prevenir que as constipações de Verão são muito perigosas. Começam então as ondulações debaixo da toalha, como quem fez alergia ao sol e precisa, urgentemente, de ser coçado por uma mão amiga. Pensam que estão a ser discretos, mas toda a gente percebe que eles estão ali com as mãos cheias de areia a esfoliar as peles mortas das zonas íntimas. Este espectáculo termina com ela a levantar-se e a ajeitar o bikini e a ir ao mar lavar-se, enquanto ele fica virado de barriga para baixo a fazer de avestruz. Sempre que vão colocar o chapéu de sol e o ferro espeta logo, é porque acertaram num local onde outrora esteve um destes lambões.

O frango do churrasco

Há sempre alguém, normalmente proveniente de países do norte, que a meio do dia já apresenta uma coloração que nos dói só de olhar. Já não é aquele típico vermelho vivo, mas sim uma cor de sangue pisado, já roxo e de pele encarquilhada que é óbvio que vai doer. Aquilo é carne que já está podre e cozinhada ao mesmo tempo e que já nunca mais lhes vai servir para nada. Não é um escaldão, é uma queimadura de terceiro grau para a qual não há creme hidratante e Aloe Vera que alivie. Aquilo é, basicamente, um cancro instantâneo e aquela pessoa vai falecer em poucos dias, ou pelo menos, vai desejar que isso aconteça de cada vez que for tomar banho e passar a toalha porosa naquela carne viva. Já tenho os testículos arrepiados só de pensar.


O queixinhas

Todas as praias têm um queixinhas. Pode ser homem, mulher, novo ou velho, o queixinhas é uma personagem transversal a todas as raças, credos e estratos sociais, sendo, no entanto, predominante nos mais elevados. O queixinhas diz que a água está fria, que está vento a levantar areia, que está muita gente, que está muito barulho, que há muitas mamas de silicone, que no tempo dele não havia bikinis a mostrar o rabo todo, que a cerveja já está a ficar quente, etc. Uma vez, vi um casal a queixar-se de tudo, desde as algas do mar até aos grãos de areia que não eram simétricos. O filho, vira-se para eles e diz "Podem parar de se queixar um bocadinho? Aproveitem a vida, há pessoas que a única vez que viram a praia foi para entrar num barco cheio de outros refugiados que depois naufragou e morreram todos". Ficou um ambiente estranho e a mulher disse "Lá está você com essas coisas, Bernardo.", enquanto passou a língua num dedo para continuar a folhear a revista Caras. Gente que trata os filhos por você não lambe, passa a língua. O problema é que a eles, em muitos sítios, ninguém lhes passa a língua, uma das razões de serem assim, palermas.

 A família

A típica família portuguesa é uma das espécie autóctones a todas as praias nacionais. Sejam emigrantes ou não, o padrão é sempre o mesmo. Muita gente a falar alto, 37 chapéus-de-sol e 12 pára-ventos, todos montados qual obra-prima da engenharia cigana. Mal assentam o acampamento, as tias velhas começam a gritar com os putos para virem pôr protector solar, enquanto os homens começam a abrir a geleira e a tirar as caricas com os dentes. Muitos desses homens usam bigode, têm um chapéu panamá a tapar a careca e, claro, usam uma cuequinha de banho a mostrar o enchumaço da tomatada com os pelos todos a brotar pelas virilhas quais ervas daninhas em campo selvagem. As mulheres da família fazem uma espécie de concurso masterchef, cada uma com a sua geleira a dar a provar as iguarias que passou a noite anterior a confeccionar. É sandes com ovo mexido, é croquetes e rissóis, é tupperwares com feijoada à transmontana, há de tudo e claro que não pode faltar o melão e melancia cortados aos cubinhos. Aí de quem disser à tia Júlia que a quiche da tia Clotilde está mais saborosa que a dela. "Pois, mas a tia Clotilde nunca trabalhou nem criou dez filhos com um ordenado mínimo". E pronto, está o caldo entornado e passam o resto do dia a discutir as desavenças antigas da família. O pior das famílias na praia são as crianças mal-educadas. Ontem, na praia da Batata, em Lagos, assisti a uma cena daquelas dignas de um tutorial "Como não ser pai". Uma miúda, com os seus doze anos, estava farta de perguntar quando é que podia ir para a água. Os pais disseram-lhe "meia hora" e ela de dois em dois minutos voltava a perguntar, até que, vendo que ainda faltavam 20 minutos, começou a chorar, a estrebuchar e a rebolar-se na areia, num espectáculo que parecia algo saído do Cirque du Soleil ou de uma discoteca cheia de doentes epilépticos. Gritou e grunhiu qual javali a jogar à cabra cega num quarto cheio de pioneses no chão. Isto durou meia hora, todas as pessoas na praia a olhar para ela, a mãe a ignorar, o pai claramente a querer dar-lhe uma chapada com uma pedra da calçada, mas a não o fazer porque actualmente é mal visto bater nas crianças em público. Foram embora, com ela de arrasto aos berros e o irmão mais novo a dizer "Vamos embora? Olha Mariana, muito obrigado... por nada". Depois os cães é que estão proibidos de entrar nas praias...


Enfim. Falto eu! 

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Em noite de "chuva de estrela", uma estrela na tarde...


Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia, eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas, e eu entardecia. Era tarde, tão tarde, que a boca tardando-lhe o beijo, mordia, quando à boca da noite surgiste, na tarde, tal rosa tardia. Quando nós nos olhámos tardámos no beijo, que a boca pedia e, na tarde ficámos unidos, ardendo na luz que morria. Em nós dois nessa tarde, em que tanto tardaste, o sol amanhecia. Era tarde demais para haver outra noite, para haver outro dia.

Meu amor, meu amor, minha estrela da tarde, que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde. Meu amor, meu amor, eu não tenho a certeza se tu és a alegria ou se és a tristeza. Meu amor, meu amor, eu não tenho a certeza...

Foi a noite mais bela de todas as noites que me aconteceram, dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram. Foi a noite em que, os nossos dois corpos cansados não adormeceram e, da estrada, mais linda da noite uma festa de fogo fizeram. Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram, era o dia da noite de todas as noites que nos precederam. Era a noite mais clara daqueles que, à noite, amando se deram e, entre os braços, da noite de tanto se amarem, vivendo morreram.

Eu não sei meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto. É por ti que adormeço e acordo, e, acordado recordo no canto essa tarde, em que tarde, surgiste dum triste e profundo recanto. Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto.

Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!


sexta-feira, 7 de agosto de 2015

A propósito de uns certos Cartazes publicitários...


Roubado daqui, mas não posso deixar de partilhar. No meio de tanta “pobreza” ainda há humor! E quem tiver curiosidade sobre estas "personagens figurantes" pode ler parte da estória aqui
Ai Costa, a vida costa... 




O recluso aproximou-se do 44, saudou-o com um respeitoso “Engenheiro” e uma ligeira vénia como ele gostava, e entregou-lhe uma folha de papel dobrada. O 44 agarrou a folha e ficou a olhar para o homem com ar desconfiado.

“Não é nada, engenheiro”, disse o homem. O 44 olhou em volta e voltou a fixar-se no colega recluso que lhe assegurou tranquilamente: “É só para ver o que lhe andam a fazer lá fora, não é nada de mal. É dos seus camaradas.”

O 44 abriu a folha e leu o seu conteúdo. Olhou embasbacado para o recluso que estava à sua frente, que abanava a cabeça com cara de caso e tornou a baixar os olhos. “Isto é uma montagem?”, perguntou, sem levantar os olhos da folha.
“Acho que não. Pelo menos, deram-me como bom”, respondeu o recluso.

“Há 5 anos é em 2010, pá. Que porcaria é esta?”, rosnou o 44, fixando o outro recluso, que encolheu os ombros em silêncio. “A mulher ficou desempregada no meu governo!”, vociferou o engenheiro, furioso a olhar para a reprodução do cartaz. “Os gajos mandaram isto para a rua?”
“Eu também perguntei isso”, disse o recluso.
O 44 arremelgou-lhe os olhos, “E?”
“Parece que estes são para substituir o da tipa a virar o céu.”
“Mas que merda é esta?!”

O 44 encostou-se à parede exterior da cela. Vários reclusos aproximaram-se. Irritado, ele levantou a folha, virou-se e, com uma palmada, pô-la na parede. “Mas quem é que autorizou esta merda?!”, gritou. “O Costa anda a dormir ou anda armado em sonso… ou pensa que brinca comigo?!” Os reclusos rodearam-no para ler a folha que ele prendia contra a parede. Ele recomeçou:

“A mulher ficou desempregada quando eu era governo. Em 2010. Comigo ninguém ficou desempregado! Ninguém!” O 44 olhou em volta. “Algum de vocês ficou desempregado em 2010?” Os homens negaram prontamente com a cabeça. “Ninguém ficou desempregado em 2010! Ninguém!”, bufou o 44.
“E, ainda por cima falta uma vírgula, engenheiro”, disse um dos reclusos.

Temendo a reacção do 44, os que estavam encostados ao que falara afastaram-se, deixando-o sozinho ante o olhar maníaco do engenheiro.
“Que vírgula, pá. Falta uma vírgula onde?!”
“Aí”, o recluso deu um passo em frente e apontou para “anos” enquanto lia alto: “Estou desempregada há 5 anos sem qualquer subsídio ou apoio.” Fez uma pausa e explicou: “E, com esta frase, nem sei se a vírgula era suficiente, parece-me que não. Mais valia porem: “Estou desempregada há cinco anos e há um ano, ou dois ou o que fosse, sem qualquer subsídio ou apoio…
E a segunda frase…”
“O que tem a segunda frase?”

“Devia ter pessoas, não é só um número, 353 mil. São 353 mil pessoas. Podiam ter posto: Somos mais de 353 000 pessoas.”
“Tem ali um asterisco no número”, indicou um recluso.
“Um asterisco nunca é bom”, respondeu o que estava a falar. “E depois não podem dizer, não brinquem com os números, respeitem as pessoas quando é o cartaz que as despersonaliza…”
“Mas temos aqui um analista de publicidade?!”, interrompeu o 44, furibundo. “Qual asterisco, quais números, quais pessoas! Isso não interessa nada. As pessoas não interessam nada! O que interessa é que eu há 5 anos era o primeiro-ministro e o PS era o governo.”

O 44 calou-se, amarfanhou a folha com raiva, lançando-a numa bola para dentro da cela, levou as mãos à cabeça, que abanava desesperado e, por fim, abrindo as mãos em prece, recomeçou:
“O PS põe um cartaz na rua com uma mulher que se diz desempregada desde quando eu era primeiro-ministro e o PS governo, e, ainda por cima, segundo o que a mulher diz e eles escrevem, nunca recebeu nenhum subsídio ou apoio. Desempregada há 5 anos sem qualquer subsídio. 5 anos! Mesmo quando nós éramos governo. Um ano e meio… Mas que merda de cartaz é este?!... O que é isto, pá?!... O que é isto?”

Os reclusos abanavam as cabeças como os cães de plástico com uma mola em vez do pescoço que se viam antigamente em automóveis seleccionados.
O 44 olhou em volta, semicerrou os olhos numa expressão maléfica e sussurrou para os reclusos: “Quem é que tem um telemóvel?”


(Este veio daqui)

Numa altura que só se fala da zambujeira, fiquemo-nos pelo Zambujo...


O nosso amor chega sempre ao fim. Tu velhinha com teu ar ruim, e eu velhinho a sair porta fora. Mas de manhã algo estranho acontece, tu gaiata vens da catequese, e eu gaiato a correr da escola. Mesmo evitando tudo se repete: o encontrão, a queda e..., a "dor" no pé, que o teu sorriso sempre me consola.

No nosso amor tudo continua, o primeiro beijo e a luz da lua, o casamento e o sol de janeiro...!

Vem a Joana, a Clara e o Martim...! Surge a pituxa, a laica e o bobi, e uma ruga a espreitar ao espelho. Com a artrite, a hérnia e a muleta, tu confundes o nome da neta, e eu não sei onde pus o dinheiro!

O nosso amor chega sempre aqui. Ao instante de eu olhar para ti com ar de cordeirinho penitente, mas nem te lembras bem o que é que eu fiz. E eu, com isto, também me esqueci! Mas contigo sinto-me contente, penduro o sobretudo no cabide, visto o pijama, e junto-me a ti de sorriso meigo e, atrevidamente...

Ao teu pé frio encosto o meu quentinho, e, adormecendo, lá digo baixinho: 
- Eu vivia tudo novamente...

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Para o Pedro (passado este tempo parece um sonho)...


Há 4 anos por estas horas, um amigo na flor da idade, passava uns maus momentos, tinha sido vítima de um “pequeno” pontapé da vida. Pequeno hoje, passados estes anos. Na altura foi um grande chuto.

Hoje ele anda por aí graças aos avanços tecnológicos da saúde, à sua família, aos seus amigos mas, sobretudo, à sua força de lutar pela vida e vontade de vencer. Passados que são 4 anos sobre esse incidente de percurso, recordo aqui, algo do que escrevi nessa altura.




Este é o momento amigo:

Esta é a oportunidade do golo que não podes falhar
Esta é a corrida que não podes interromper
Está à tua espera o copo que te falta beber
E há uma música que ainda te falta cantar

                                                         E nós estamos aqui...



Meu caro, espero que ao receberes esta minha missiva, te encontres no melhor estadio possível, que nós por cá vamos indo assim-assim, como dirão alguns; ou bem graças a Deus, dirão outros.

Soube que o meu amigo iniciou há dias uma viagem, que todos pensámos que seria breve, mas parece que afinal, a coisa se tem prolongado. Por isso, quero desde já dizer-te, que todos nós lamentamos a tua ausência, e que, diga-se em abono da verdade, até não estamos muito agradados contigo, por disso não nos teres dado conhecimento antecipado, pois, como sabes, qualquer um de nós te teria impedido dessa deliberação. Mas como somos mesmo teus amigos, quero desde já esclarecer-te que estás completamente desculpado, pois aos amigos tudo se perdoa.

Antes de te dar conhecimento, do que me têm confidenciado alguns amigos durante a tua ausência, pois sei que tens tido notícias daqueles que te são mais queridos: a tua família; gostaria de te dar algumas pequenas notícias, que gostarás de saber, como pessoa informada que sei que gostas de ser.

Assim, em primeiro lugar não posso deixar de te transmitir que o nosso “benfas” continua igual a si próprio, inimitável, tal qual como no ano passado. Num dia promete mundos e fundos, no dia a seguir é banal. Vê bem que até empatou com os galos de barcelos! Depois de ter estado a ganhar por dois... O jesus está cada vez mais ateu! Por isso é que, não fosse a imensa tristeza que me dá cada vez que vou ao teu Blog e vejo que ainda não tiveste oportunidade para nos dares notícias tuas, até ficaria satisfeito pela triste figura em que lá o postaste no teu último artigo. Só acho que lhe falta as tais orelhas de asno, que se usavam no tempo da outra senhora, para estar perfeito! Este ano só vamos à catedral quando tu regressares...

Em segundo lugar, parece que tua “ grupa” cancelou a digressão prevista para Agosto aqui pelo nordeste alentejano. Mas tanto quanto consegui saber, os programas para Setembro estão intactos e requerem a tua presença com a maior brevidade possível. Ora sabendo eu, da paixão daquela gente pelo projecto, só me resta interceder junto do meu amigo, para que não os faças esperar muito mais tempo e regresses quanto antes, pois a sua ansiedade pelo teu regresso, garanto-te eu, que é imensa.

Gostaria ainda de te dizer, que o nosso “jantar tortulhano” mensal de Agosto foi adiado, para te darmos mais algum tempo para programares o teu regresso com calma. O meliante do Bonacho sempre na ironia, como tu bem sabes, anda dizer que, em vez de ervas e milho para alimentar os patos e o galo, os anda a enfrascar com “hormonas de engorda”, não vás tu aparecer aqui a qualquer momento e, os maganos, estejam só com as penas e osso. Eu até já lhe disse que o não fizesse, pois se tal acontecer, nós até nos prestávamos a romper a tal promessa, e iríamos ao “primo de marvão” comemorar o teu regresso, com uma festita de arromba. Por isso imagina lá do que nós somos capazes, só para te termos junto de nós.

Quanto ao grupo de amigos que desde o dia trinta do passado mês de Julho, quase diariamente, têm perguntado pelo meu amigo, não resisto a deixar aqui os seus nomes, com o único propósito de te transmitir uma força imensa, e incentivar o teu regresso para junto de nós. E já agora, e a teu belo gosto, todos te enviam um abraço do tamanho do mundo, com alguns beijinhos á mistura:

Adelaide, Antero Ribeiro, António João Raposo, António Machado, Bicho, Bonacho, Bonito, Carlos Sequeira, Catarina Bucho, Céu Garcia, Chaparro, Conceição Bugalhão, Enf.º Oliveira, Escarameia, Fátima Dias, Fernando Gomes, Garraio, Gomes Esteves, Hermínio, Jacinta Fernandes, João Carlos Anselmo, João de Brito, João José Escarameia, Joaquim Barbas, Joaquim Chaparro, Jorge Miranda, José Domingos Felizardo, Júlia Barradas, Leonel, Luís Barradas, Luís Bugalhão, Luísa Bugalhão, Magafo, Manuel Andrade, Manuel Gaio, Maria Manuel, Mário Bugalhão, Nani, Nuno Mota, Nuno Pires, Paula Guedelha, Paulo Mota, Paulo Estorninho Mota, Pedro Graça, Sofia Anselmo, Tó Caldeira; e outros que por falha minha não registei...

E deste teu amigo recebe tudo, embora o que eu te quero dizer a sério, é que estou à tua espera para te abraçar, para me contares pormenores da viagem, e para cumprirmos a tal promessa de caminhada em tempos combinada: a de irmos à vila de Fátima. Mas não penses que será apenas ida …, vamos e regressamos a pé!

Deste que muito te considera

João Bugalhão



quinta-feira, 30 de julho de 2015

...dos meus gostos para além da portuguesa (1)


“Dicen que por las noches / No mas se le iba en puro llorar, / Dicen que no comía / No mas se le iba en puro tomar; / Juran que el mismo cielo / Se estremecia al oír su llanto / Como sufrió por ella, / Que hasta a en su murte la fue llamando: / Cucurrucucú, cantaba, / Cucurrucucú, lloraba.”


segunda-feira, 27 de julho de 2015

... dos homens não se querem bonitos!


Pela enésima vez: 


Prometo não falar de amor, de gostar e sentir, portanto não vou rimar com dor ou mentir. Joga-se pelo prazer de jogar e, até perder, invadem-se espaços trocam-se beijos sem escolher. Homens temporariamente sós que cabeças no ar...

Não interessam retratos de solidão interior, não há qualquer tragédia mas, um vinho a beber. Partidas regressos conquistas, a fazer, tudo anotado numa memória que quer esquecer. Homens sempre, sempre sós, preferem perder.


Homens sempre sós são bolas de ténis no ar, muito abatidos saltam e, acabam por enganar. Homens sempre sós nunca conseguem...

Como eu te compreendo Rui...


terça-feira, 21 de julho de 2015

...e vão 5! (continuação)


- Resumo de futura história de uma família com 4 séculos



- A poesia na sua simplicidade 



- Continuação da poesia na sua simplicidade, mas atenção ao "espontâneo" por volta do minuto 3: "o mache do mê avô nã (o) gostava de lavrar/o mê avô também nã (o)..."




- Será que um dia vai mesmo acontecer


segunda-feira, 20 de julho de 2015

...e vão 5!


Como tinha anunciado, aconteceu no último sábado, mais um Encontro da família Bugalhão. Mais uma vez nas margens do rio Sever por ali se ajuntaram cerca de 60 familiares, uns pela genética e outros pela afinidade.

Para além do bom repasto servido no Restaurante Sever, foram umas boas horas de convívio entre familiares oriundos das diversas partes deste Portugal onde se encontram radicados, em que alguns, apenas se vêem por estas ocasiões.  

O último ano foi trágico para esta família, já que alguns e assim, sem que se previsse, nos deixaram fisicamente. Mas estiveram presentes, porque deles não nos esquecemos.

A organização esteve impecável, parabéns à Jacinta Bugalhão. A iniciativa das poesias superou as expectativas e deixou, certamente, água na boca para próximos encontros. Assim como a promessa de editar futuramente a História da Família. No próximo ano lá estaremos, tem a organização o Fred. (Frederico Luz).   

(Galeria de fotos "roubadas" por aí)



































terça-feira, 14 de julho de 2015

V Encontro da Família Bugalhão: 18/7/2015


Aí está mais um encontro da família Bugalhão, será já no próximo sábado dia 18/7. Será o 5º, uma actividade ininterrupta que iniciámos em 2011. Será mais uma vez no Restaurante o Sever, na Portagem.

Bugalhão, este apelido estranho mas único, que aparece pela primeira vez em registos no final do século XVII, ostentado por uma família de moleiros estabelecida ao longo do Rio Sever no concelho de Marvão, mas que se perde nos séculos anteriores e que resulta da junção de 2 apelidos: Toureiro e Serrano. O primeiro oriundo da vila de Alpalhão, que terá chegado ao concelho de Marvão ainda no início do século XVIII; e os Serranos oriundos da zona da Serra da Estrela (concelho da Guarda) chegados a estas paragens, talvez em finais do século XVI princípios do século XVII. A sua origem continua um mistério!

Mas no próximo sábado o que queremos é conviver entre familiares espalhados por todo o país, e celebrar as 4 ou 5 gerações presentes. Mas também relembrar aqueles que, de forma física definitiva, nos vão deixando a cada ano que passa.

Por isso, enquanto a vida nos deixar, lá estaremos...



quinta-feira, 9 de julho de 2015

Crónica de uma “contratação” anunciada...


...ou mais uma “estórea” orquestrada pelo eng.º Vítor & companhia!

É dito e sabido que, a maioria das contratações na administração pública está envolta em mantos de nebulosidade. O problema agravou-se com a inibição de abertura de concursos de admissão de pessoal. Os regulamentos de recrutamento são cada vez mais obscuros e, os dirigentes, servem-se de todas as artimanhas para levar a água ao seu moinho. Isto é, contratarem aqueles que muito bem querem e lhes apetece, nomeadamente, a sua clientela partidária, amigos, ou amigos dos amigos. Este problema tem ainda maior dimensão na Administração Local.

A “estórea” que hoje vos quero contar, não ma contou certa velhinha, como diz o fado do embuçado, mas ouvi-a “por aí”. Umas vezes pela boca dos próprios, outras vezes pelo ruído, mais conhecido popularmente por “zum-zuns” ou falatórios, que circulam em torno destes casos. Eu vou ouvindo, escutando, e agora escrevo a presente crónica a que dou o nome de “uma contratação anunciada...”. Então cá vai:

Num certo dia do último mês de Maio, estando eu a assistir a uma Reunião da CM de Marvão, às pás nas tantas, naquelas conversinhas de embalar, ou do chove e não molha, de que o senhor eng.º Vítor, presidente da dita é mestre, e que não é para fazer parte das actas (como ele nunca se esquece de frisar), mas apenas para auscultar da sensibilidade dos seus vereadores sobre aquilo que anda a instrumentar na sua cabeça, saiu-se com esta:

“...como vós sabeis a Técnica que aqui tínhamos a trabalhar nos projectos de fundos europeus (que até é empregada actualmente das “terras de marvão”), vai sair (não disse porquê, mas até há pouco tempo dizia que ela era a melhor do mundo e arredores), e eu (ele) ando a pensar em trazer para cá uma pessoa de Portalegre muito experiente na coisa, fez um excelente trabalho na Câmara de Portalegre, mexe-se muito bem em Évora, é a doutora Teresa Narciso. Que pensais vós do assunto?

Claro que ninguém opinou nada sobre o assunto, e o senhor engenheiro lá continuou com a sua ideia, que era a de fazer um contrato de prestação de serviços com uma tal de Teresa Narciso. E claro por Ajuste Directo, a modalidade quase sempre usada na CM de Marvão, como já aqui escrevi. Se assim a pensou, assim a executou. E na Reunião de Câmara do dia 1 de Junho de 2015, e dissimulada num assunto que dava pelo nome de “Plano de Acção de Regeneração Urbana”, lá aparecia a Proposta do senhor engenheiro presidente, para a contratação da tal Técnica, e que aqui reproduzo em baixo, para que não pensais que eu ando a inventar:        



Mas se já tudo estava decidido que seria Teresa Narciso (digo eu), porque razão aparecem nesta Proposta mais 2 nomes? Possivelmente porque, dias antes, o Vereador Nuno Pires, lhe havia “xingado” a cabeça pelo facto de na CM de Marvão, as contratações por Ajustes Directos aparecer sempre, e só, uma única pessoa ou uma empresa contactadas, sabendo-se que até existe uma Plataforma Electrónica com a finalidade de tornar estes processos mais baratos e transparentes (mas que era desconhecida na CM de Marvão até há 2 meses atrás). 

Eis por isso que, desta vez o senhor eng.º Vítor aparece aqui com mais 2 nomes, que aparecem aqui não caídos do céu, mas vindos de terras distantes como Arouca e Castanheira de Pêra. Muitos conhecimentos tem este senhor eng.º. Nem o "olheiro" do Benfica descobriria esta gente!

Até me apetece citar o António Aleixo: Para a mentira ser segura/e atingir profundidade/tem de trazer à mistura/qualquer coisa de verdade.

Ainda no seguimento deste processo, e aquando da discussão desta Proposta do eng.º Vítor à Câmara Municipal, ficam ainda outras dúvidas. Mormente, a da apresentação pelo Vereador do PS Carlos Castelinho de mais 2 Empresas interessadas neste processo, em que uma delas até era do concelho de Marvão, mas que foram rejeitadas pelo presidente e “seus” vereadores, como se pode ler aqui no estrato da Acta de Reunião de Câmara realizada em 1 de Junho de 2015:

Posto isto, ou muito me engano, ou por capricho do destino, será escolhida por Ajuste Directo, a tal predilecta doutora Teresa Narciso, Técnica Superior na CM de Portalegre, que irá custar ao tão depauperado erário público, 22 140 euros (18 000 + IVA) em 9 meses (média de 2 500 euros/mês). Mas que a dita juntará ao seu ordenado de Técnica Superior na AP!

Diz-se ainda por aí, acerca desta tão prestimosa técnica que, de facto ela trabalhou em tempos nesta área dos Projectos de Fundos Europeus, no tempo em que o amigo do eng.º Vítor, eng.º Mata Cáceres era presidente da CM de Portalegre (parece que até era uma das suas discípulas), mas que após a chegada à presidência de Adelaide Teixeira, esta não a achou assim tão idónea, e a acomodou na “prateleira”! Mas isto devem ser más-línguas.

Mas levando a coisa mais a sério, convirá questionar o senhor eng.º Vítor com uma série de dúvidas que devem apoquentar os marvanenses:

1 – Por que será que se vão gastar 22 000 mil euros em 9 meses, com uma Avença, numa pessoa que tem um posto de trabalho de Técnica Superior bem remunerada, numa outra autarquia; em vez de se fazer um contrato com uma outra Técnica que se tire do desemprego e que seja no futuro uma mais-valia para o concelho de Marvão?

2 – Por que razão o eng.º Vítor e seus vereadores, recusaram aceitar que entrasse no processo de adjudicação uma empresa que até é do concelho de Marvão, e emprega vários técnicos que residem, ou são naturais do concelho de Marvão?

3 – Por que razão não se fez uma Avença com a actual Técnica (Madalena Mata) se tinha sido, como diz o eng.º Vítor, tão competente na gestão do anterior Quadro Comunitário?

4 – Por que razão o senhor eng.º Vítor anuncia à Câmara de Marvão, antecipadamente às consultas dos vários concorrentes (Maio de 2015), o nome da pessoa já escolhida? Quem lhe encomendou o recado? Terá sido a tal “companhia”?

5 – Se a tal Técnica é tão “boa” nessas áreas, por que motivo na Autarquia onde trabalha, não desempenha essas actividades?

Respostas exigem-se...

Nota: Nada tenho contra a referida Técnica, nem tão pouco a conheço. O que está aqui em causa, é uma determinada forma de fazer política e gerir os destinos do concelho de Marvão, a que urge por fim.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Contribuições para uma escolha consciente (1)


Início hoje uma rubrica que pretende dar a conhecer alguns dados para que, quando Outubro chegar, aqueles que me lêem possam tomar uma opção eleitoral o mais consciente possível. Os dados que aqui apresento não são de um qualquer fazedor de opinião, são aqueles que considero os mais fidedignos possíveis: do INE, ou da Plataforma Pordata. Claro que haverá sempre aqueles que duvidam de alguma coisa, e mesmo aqueles que duvidam de tudo, pois o que conta é a sua realidade e, dizem eles, os números não enchem barriga. Mas quando se trata de números sobre “aquilo com que se compram os melões”, eu acho que não perdemos nada em dar-lhe uma olhadela. Depois, cada um tirará as suas ilações, eu tiro e opino com a minha.

Falemos da Dívida Pública

Diz-se por aí que, a tão malfadada austeridade não valeu de nada, pois a Dívida Pública não parou de aumentar nestes 4 anos. É verdade, não vale a pena escamotear esse facto. Mas uma coisa é uma dívida que aumenta entre 2005 e 2011 numa média de 15 000 milhões de euros/ano (como no consulado de Sócrates e do Partido Socialista), ultrapassando em 2010 os 26 000 milhões de euros; outra coisa é uma dívida que aumenta 7 000 milhões de euros/ano (consulado de Passos Coelho), isto é, menos de metade em cada ano que passou. Estimando-se mesmo, que no final de 2015, e pela primeira vez na história da democracia portuguesa, a dita tenha uma diminuição de 1 700 milhões de euros, como se pode ver no Gráfico 1 e no Quadro 1 que se complementam. 


                
Quadro 1 - Evolução da Dívida Pública conhecida entre 1991 - 2015
               Fonte: Pordata

Óptimo seria que em 2011 (quando a dívida aumentou 22 600 milhões de euros), com uma “varinha mágica”, se parasse o endividamento. Mas como sabe o menos observador destes fenómenos, tal seria impossível. Se ao reduzir o endividamento em cerca de 8 000 milhões/ano teve o impacto social que teve, como seria se diminuísse 15 000 milhões?

Aliás, será curioso fazer o seguinte exercício teórico e verificar que, se se mantivessem nestes últimos 4 anos as políticas seguidas pelo Partido Socialista (possivelmente com custos idênticos), a Dívida Pública seria no final de 2015 cerca 254 000 milhões de euros (147% do PIB), como se pode ver no Gráfico 2 (Linha rosa). Com as tais “políticas de austeridade”, a Dívida Pública conhecida (Linha azul), será no final de 2015 cerca de 224 000 milhões de euros (130% do PIB).

A diferença será assim de cerca 30 000 milhões de euros o que, na prática, dá uma diminuição de custos actualmente, só em juros, de cerca de 1 500 milhões de euros/ano. Para além dos nossos filhos (de quem dizemos gostar muito), terem na sua herança, menos 30 000 milhões de dívidas contraídos pelos seus paizinhos.  

sexta-feira, 3 de julho de 2015

A “demo cracia” portuguesa no seu melhor...


Um testemunho que vale a pena ler sobre a prática partidária e a liberdade de opinião em Portugal.

Com democracias e democratas assim, porque precisamos nós de ditaduras?