Era a tarde mais
longa de todas as tardes que me acontecia, eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas,
e eu entardecia. Era tarde, tão tarde, que a boca tardando-lhe o beijo, mordia,
quando à boca da noite surgiste, na tarde, tal rosa tardia. Quando nós nos olhámos
tardámos no beijo, que a boca pedia e, na tarde ficámos unidos, ardendo na luz
que morria. Em nós dois nessa tarde, em que tanto tardaste, o sol amanhecia. Era
tarde demais para haver outra noite, para haver outro dia.
Meu amor, meu
amor, minha estrela da tarde, que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde. Meu
amor, meu amor, eu não tenho a certeza se tu és a alegria ou se és a tristeza. Meu
amor, meu amor, eu não tenho a certeza...
Foi a noite mais
bela de todas as noites que me aconteceram, dos nocturnos silêncios que à noite
de aromas e beijos se encheram. Foi a noite em que, os nossos dois corpos
cansados não adormeceram e, da estrada, mais linda da noite uma festa de fogo
fizeram. Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram, era o dia da
noite de todas as noites que nos precederam. Era a noite mais clara daqueles que,
à noite, amando se deram e, entre os braços, da noite de tanto se amarem,
vivendo morreram.
Eu não sei meu
amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto. É por ti que adormeço e
acordo, e, acordado recordo no canto essa tarde, em que tarde, surgiste dum
triste e profundo recanto. Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e
de espanto.
Meu amor, nunca
é tarde nem cedo para quem se quer tanto!
Roubadodaqui, mas não posso deixar de partilhar. No meio de tanta “pobreza” ainda há humor! E quem tiver curiosidade sobre estas "personagens figurantes" pode ler parte da estória aqui.
Ai Costa, a vida costa...
O recluso aproximou-se do 44, saudou-o com
um respeitoso “Engenheiro” e uma ligeira vénia como ele gostava, e entregou-lhe
uma folha de papel dobrada. O 44 agarrou a folha e ficou a olhar para o homem
com ar desconfiado.
“Não é nada, engenheiro”, disse o homem. O
44 olhou em volta e voltou a fixar-se no colega recluso que lhe assegurou
tranquilamente: “É só para ver o que lhe andam a fazer lá fora, não é nada de
mal. É dos seus camaradas.”
O 44 abriu a folha e leu o seu conteúdo.
Olhou embasbacado para o recluso que estava à sua frente, que abanava a cabeça
com cara de caso e tornou a baixar os olhos. “Isto é uma montagem?”, perguntou,
sem levantar os olhos da folha.
“Acho que não. Pelo menos, deram-me como
bom”, respondeu o recluso.
“Há 5 anos é em 2010, pá. Que porcaria é
esta?”, rosnou o 44, fixando o outro recluso, que encolheu os ombros em
silêncio. “A mulher ficou desempregada no meu governo!”, vociferou o
engenheiro, furioso a olhar para a reprodução do cartaz. “Os gajos mandaram
isto para a rua?”
“Eu também perguntei isso”, disse o recluso.
O 44 arremelgou-lhe os olhos, “E?”
“Parece que estes são para substituir o da
tipa a virar o céu.”
“Mas que merda é esta?!”
O 44 encostou-se à parede exterior da cela.
Vários reclusos aproximaram-se. Irritado, ele levantou a folha, virou-se e, com
uma palmada, pô-la na parede. “Mas quem é que autorizou esta merda?!”, gritou.
“O Costa anda a dormir ou anda armado em sonso… ou pensa que brinca comigo?!” Os
reclusos rodearam-no para ler a folha que ele prendia contra a parede. Ele
recomeçou:
“A mulher ficou desempregada quando eu era
governo. Em 2010. Comigo ninguém ficou desempregado! Ninguém!” O 44 olhou em
volta. “Algum de vocês ficou desempregado em 2010?” Os homens negaram
prontamente com a cabeça. “Ninguém ficou desempregado em 2010! Ninguém!”, bufou
o 44.
“E, ainda por cima falta uma vírgula,
engenheiro”, disse um dos reclusos.
Temendo a reacção do 44, os que estavam
encostados ao que falara afastaram-se, deixando-o sozinho ante o olhar maníaco
do engenheiro.
“Que vírgula, pá. Falta uma vírgula onde?!”
“Aí”, o recluso deu um passo em frente e
apontou para “anos” enquanto lia alto: “Estou desempregada há 5 anos sem
qualquer subsídio ou apoio.” Fez uma pausa e explicou: “E, com esta frase, nem sei
se a vírgula era suficiente, parece-me que não. Mais valia porem: “Estou
desempregada há cinco anos e há um ano, ou dois ou o que fosse, sem qualquer
subsídio ou apoio…
E a segunda frase…”
“O que tem a segunda frase?”
“Devia ter pessoas, não é só um número, 353
mil. São 353 mil pessoas. Podiam ter posto: Somos mais de 353 000 pessoas.”
“Tem ali um asterisco no número”, indicou um
recluso.
“Um asterisco nunca é bom”, respondeu o que
estava a falar. “E depois não podem dizer, não brinquem com os números, respeitem
as pessoas quando é o cartaz que as despersonaliza…”
“Mas temos aqui um analista de
publicidade?!”, interrompeu o 44, furibundo. “Qual asterisco, quais números,
quais pessoas! Isso não interessa nada. As pessoas não interessam nada! O que
interessa é que eu há 5 anos era o primeiro-ministro e o PS era o governo.”
O 44 calou-se, amarfanhou a folha com raiva,
lançando-a numa bola para dentro da cela, levou as mãos à cabeça, que abanava
desesperado e, por fim, abrindo as mãos em prece, recomeçou:
“O PS põe um cartaz na rua com uma mulher
que se diz desempregada desde quando eu era primeiro-ministro e o PS governo,
e, ainda por cima, segundo o que a mulher diz e eles escrevem, nunca recebeu
nenhum subsídio ou apoio. Desempregada há 5 anos sem qualquer subsídio. 5 anos!
Mesmo quando nós éramos governo. Um ano e meio… Mas que merda de cartaz é
este?!... O que é isto, pá?!... O que é isto?”
Os reclusos abanavam as cabeças como os cães
de plástico com uma mola em vez do pescoço que se viam antigamente em automóveis
seleccionados.
O 44 olhou em volta, semicerrou os olhos
numa expressão maléfica e sussurrou para os reclusos: “Quem
é que tem um telemóvel?”
O nosso amor
chega sempre ao fim. Tu velhinha com teu ar ruim, e eu velhinho a sair porta
fora. Mas de manhã algo estranho acontece, tu gaiata vens da catequese, e eu gaiato a correr da escola. Mesmo evitando tudo se repete: o encontrão, a queda e..., a "dor" no pé, que o teu sorriso sempre me consola.
No nosso amor
tudo continua, o primeiro beijo e a luz da lua, o casamento e o sol de janeiro...!
Vem a Joana, a
Clara e o Martim...! Surge a pituxa, a laica e o bobi, e uma ruga a espreitar
ao espelho. Com a artrite, a hérnia e a muleta, tu confundes o nome da neta, e
eu não sei onde pus o dinheiro!
O nosso amor
chega sempre aqui. Ao instante de eu olhar para ti com ar de cordeirinho
penitente, mas nem te lembras bem o que é que eu fiz. E eu, com isto, também me
esqueci! Mas contigo sinto-me contente, penduro o sobretudo no cabide, visto o
pijama, e junto-me a ti de sorriso meigo e, atrevidamente... Ao teu pé frio encosto o meu quentinho, e, adormecendo, lá digo baixinho:
Há 4 anos por
estas horas, um amigo na flor da idade, passava uns maus momentos, tinha sido
vítima de um “pequeno” pontapé da vida. Pequeno hoje, passados estes anos. Na
altura foi um grande chuto.
Hoje ele anda
por aí graças aos avanços tecnológicos da saúde, à sua família, aos seus amigos
mas, sobretudo, à sua força de lutar pela vida e vontade de vencer. Passados
que são 4 anos sobre esse incidente de percurso, recordo aqui, algo do que escrevi nessa altura.
Meu caro, espero que ao receberes esta minha
missiva, te encontres no melhor estadio possível, que nós por cá vamos indo
assim-assim, como dirão alguns; ou bem graças a Deus, dirão outros.
Soube que o meu amigo iniciou há dias uma
viagem, que todos pensámos que seria breve, mas parece que afinal, a coisa se
tem prolongado. Por isso, quero desde já dizer-te, que todos nós lamentamos a
tua ausência, e que, diga-se em abono da verdade, até não estamos muito
agradados contigo, por disso não nos teres dado conhecimento antecipado, pois,
como sabes, qualquer um de nós te teria impedido dessa deliberação. Mas como
somos mesmo teus amigos, quero desde já esclarecer-te que estás completamente
desculpado, pois aos amigos tudo se perdoa.
Antes de te dar conhecimento, do que me têm
confidenciado alguns amigos durante a tua ausência, pois sei que tens tido
notícias daqueles que te são mais queridos: a tua família; gostaria de te dar
algumas pequenas notícias, que gostarás de saber, como pessoa informada que sei
que gostas de ser.
Assim, em primeiro lugar não posso deixar de
te transmitir que o nosso “benfas” continua igual a si próprio, inimitável, tal
qual como no ano passado. Num dia promete mundos e fundos, no dia a seguir é
banal. Vê bem que até empatou com os galos de barcelos! Depois de ter estado a
ganhar por dois... O jesus está cada vez mais ateu! Por isso é que, não fosse a
imensa tristeza que me dá cada vez que vou ao teu Blog e vejo que ainda não
tiveste oportunidade para nos dares notícias tuas, até ficaria satisfeito pela
triste figura em que lá o postaste no teu último artigo. Só acho que lhe falta
as tais orelhas de asno, que se usavam no tempo da outra senhora, para estar
perfeito! Este ano só vamos à catedral quando tu regressares...
Em segundo lugar, parece que tua “ grupa”
cancelou a digressão prevista para Agosto aqui pelo nordeste alentejano. Mas
tanto quanto consegui saber, os programas para Setembro estão intactos e
requerem a tua presença com a maior brevidade possível. Ora sabendo eu, da
paixão daquela gente pelo projecto, só me resta interceder junto do meu amigo,
para que não os faças esperar muito mais tempo e regresses quanto antes, pois a
sua ansiedade pelo teu regresso, garanto-te eu, que é imensa.
Gostaria ainda de te dizer, que o nosso
“jantar tortulhano” mensal de Agosto foi adiado, para te darmos mais algum
tempo para programares o teu regresso com calma. O meliante do Bonacho sempre
na ironia, como tu bem sabes, anda dizer que, em vez de ervas e milho para
alimentar os patos e o galo, os anda a enfrascar com “hormonas de engorda”, não
vás tu aparecer aqui a qualquer momento e, os maganos, estejam só com as penas
e osso. Eu até já lhe disse que o não fizesse, pois se tal acontecer, nós até
nos prestávamos a romper a tal promessa, e iríamos ao “primo de marvão”
comemorar o teu regresso, com uma festita de arromba. Por isso imagina lá do
que nós somos capazes, só para te termos junto de nós.
Quanto ao grupo de amigos que desde o dia
trinta do passado mês de Julho, quase diariamente, têm perguntado pelo meu
amigo, não resisto a deixar aqui os seus nomes, com o único propósito de te
transmitir uma força imensa, e incentivar o teu regresso para junto de nós. E
já agora, e a teu belo gosto, todos te enviam um abraço do tamanho do mundo,
com alguns beijinhos á mistura:
Adelaide, Antero Ribeiro, António João
Raposo, António Machado, Bicho, Bonacho, Bonito, Carlos Sequeira, Catarina
Bucho, Céu Garcia, Chaparro, Conceição Bugalhão, Enf.º Oliveira, Escarameia,
Fátima Dias, Fernando Gomes, Garraio, Gomes Esteves, Hermínio, Jacinta
Fernandes, João Carlos Anselmo, João de Brito, João José Escarameia, Joaquim
Barbas, Joaquim Chaparro, Jorge Miranda, José Domingos Felizardo, Júlia
Barradas, Leonel, Luís Barradas, Luís Bugalhão, Luísa Bugalhão, Magafo, Manuel
Andrade, Manuel Gaio, Maria Manuel, Mário Bugalhão, Nani, Nuno Mota, Nuno
Pires, Paula Guedelha, Paulo Mota, Paulo Estorninho Mota, Pedro Graça, Sofia
Anselmo, Tó Caldeira; e outros que por falha minha não registei...
E deste teu amigo recebe tudo, embora o que
eu te quero dizer a sério, é que estou à tua espera para te abraçar, para me
contares pormenores da viagem, e para cumprirmos a tal promessa de caminhada em
tempos combinada: a de irmos à vila de Fátima. Mas não penses que será apenas
ida …, vamos e regressamos a pé!
“Dicen que por las noches / No mas se le iba en puro llorar, / Dicen que no comía / No mas se le iba en puro tomar; / Juran que el mismo cielo / Se estremecia al oír su llanto / Como sufrió por ella, / Que hasta a en su murte la fue llamando: / Cucurrucucú, cantaba, / Cucurrucucú, lloraba.”
Prometo não
falar de amor, de gostar e sentir, portanto não vou rimar com dor ou mentir. Joga-se
pelo prazer de jogar e, até perder, invadem-se espaços trocam-se beijos sem
escolher. Homens temporariamente sós que cabeças no ar...
Não interessam
retratos de solidão interior, não há qualquer tragédia mas, um vinho a beber. Partidas
regressos conquistas, a fazer, tudo anotado numa memória que quer esquecer. Homens
sempre, sempre sós, preferem perder.
Homens sempre
sós são bolas de ténis no ar, muito abatidos saltam e, acabam por enganar. Homens
sempre sós nunca conseguem...
- Resumo de futura história de uma família com 4 séculos
- A poesia na sua simplicidade
- Continuação da poesia na sua simplicidade, mas atenção ao "espontâneo" por volta do minuto 3: "o mache do mê avô nã (o) gostava de lavrar/o mê avô também nã (o)..."
Como tinha
anunciado, aconteceu no último sábado, mais um Encontro da família Bugalhão. Mais
uma vez nas margens do rio Sever por ali se ajuntaram cerca de 60 familiares,
uns pela genética e outros pela afinidade.
Para além do bom
repasto servido no Restaurante Sever, foram umas boas horas de convívio entre
familiares oriundos das diversas partes deste Portugal onde se encontram
radicados, em que alguns, apenas se vêem por estas ocasiões.
O último ano foi
trágico para esta família, já que alguns e assim, sem que se previsse, nos
deixaram fisicamente. Mas estiveram presentes, porque deles não nos esquecemos.
A organização
esteve impecável, parabéns à Jacinta Bugalhão. A iniciativa das poesias superou
as expectativas e deixou, certamente, água na boca para próximos encontros. Assim
como a promessa de editar futuramente a História da Família. No próximo ano lá
estaremos, tem a organização o Fred. (Frederico Luz).
Aí está mais um
encontro da família Bugalhão, será já no próximo sábado dia 18/7. Será o 5º,
uma actividade ininterrupta que iniciámos em 2011. Será mais uma vez no
Restaurante o Sever, na Portagem.
Bugalhão, este apelido estranho mas único, que
aparece pela primeira vez em registos no final do século XVII, ostentado por
uma família de moleiros estabelecida ao longo do Rio Sever no concelho de Marvão,
mas que se perde nos séculos anteriores e que resulta da junção de 2 apelidos:
Toureiro e Serrano. O primeiro oriundo da vila de Alpalhão, que terá chegado ao
concelho de Marvão ainda no início do século XVIII; e os Serranos oriundos da
zona da Serra da Estrela (concelho da Guarda) chegados a estas paragens, talvez em finais do século XVI
princípios do século XVII. A sua origem continua um mistério!
Mas no próximo sábado
o que queremos é conviver entre familiares espalhados por todo o país, e
celebrar as 4 ou 5 gerações presentes. Mas também relembrar aqueles que, de
forma física definitiva, nos vão deixando a cada ano que passa.
Por isso, enquanto
a vida nos deixar, lá estaremos...
...ou mais uma “estórea”
orquestrada pelo eng.º Vítor & companhia!
É dito e sabido
que, a maioria das contratações na administração pública está envolta em mantos
de nebulosidade. O problema agravou-se com a inibição de abertura de concursos
de admissão de pessoal. Os regulamentos de recrutamento são cada vez mais
obscuros e, os dirigentes, servem-se de todas as artimanhas para levar a água
ao seu moinho. Isto é, contratarem aqueles que muito bem querem e lhes apetece,
nomeadamente, a sua clientela partidária, amigos, ou amigos dos amigos. Este
problema tem ainda maior dimensão na Administração Local.
A “estórea” que
hoje vos quero contar, não ma contou certa velhinha, como diz o fado do
embuçado, mas ouvi-a “por aí”. Umas vezes pela boca dos próprios, outras vezes
pelo ruído, mais conhecido popularmente por “zum-zuns” ou falatórios, que
circulam em torno destes casos. Eu vou ouvindo, escutando, e agora escrevo a
presente crónica a que dou o nome de “uma
contratação anunciada...”. Então cá vai:
Num certo dia do
último mês de Maio, estando eu a assistir a uma Reunião da CM de Marvão, às pás
nas tantas, naquelas conversinhas de embalar, ou do chove e não molha, de que o
senhor eng.º Vítor, presidente da dita é mestre, e que não é para fazer parte
das actas (como ele nunca se esquece de frisar), mas apenas para auscultar da
sensibilidade dos seus vereadores sobre aquilo que anda a instrumentar na sua
cabeça, saiu-se com esta:
“...como vós sabeis a Técnicaque aqui tínhamos a trabalhar nos projectos de
fundos europeus (que até é empregada actualmente das “terras de marvão”), vai sair (não disse porquê, mas até há
pouco tempo dizia que ela era a melhor do mundo e arredores), e eu (ele) ando a pensar em trazer para cá uma pessoa de Portalegre muito
experiente na coisa, fez um excelente trabalho na Câmara de Portalegre, mexe-se
muito bem em Évora, é a doutora Teresa Narciso. Que pensais vós do assunto?
Claro que
ninguém opinou nada sobre o assunto, e o senhor engenheiro lá continuou com a
sua ideia, que era a de fazer um contrato
de prestação de serviços com uma tal de Teresa Narciso. E claro por Ajuste Directo, a modalidade quase sempre usada na CM de Marvão, como já aqui escrevi. Se assim a pensou, assim a executou. E na Reunião de Câmara do dia 1 de Junho
de 2015, e dissimulada num assunto que dava pelo nome de “Plano de Acção de Regeneração Urbana”, lá apareciaaProposta do senhor engenheiro presidente, para a contratação da tal Técnica, e que aqui reproduzo em baixo,
para que não pensais que eu ando a inventar:
Mas se já tudo
estava decidido que seria Teresa Narciso (digo eu), porque razão aparecem nesta
Proposta mais 2 nomes? Possivelmente porque, dias antes, o Vereador Nuno
Pires, lhe havia “xingado” a cabeça pelo facto de na CM de Marvão, as contratações
por Ajustes Directos aparecer sempre, e só, uma única pessoa ou uma empresa contactadas,
sabendo-se que até existe uma Plataforma Electrónica com a finalidade de tornar
estes processos mais baratos e transparentes (mas que era desconhecida na CM de
Marvão até há 2 meses atrás). Eis por isso que, desta vez o senhor eng.º Vítor
aparece aqui com mais 2 nomes, que aparecem aqui não caídos do céu, mas vindos
de terras distantes como Arouca e Castanheira de Pêra. Muitos conhecimentos tem
este senhor eng.º. Nem o "olheiro" do Benfica descobriria esta gente! Até me apetece citar o António Aleixo: Para a mentira ser segura/e atingir profundidade/tem de trazer à mistura/qualquer coisa de verdade.
Ainda no
seguimento deste processo, e aquando da discussão desta Proposta do eng.º Vítor à Câmara
Municipal, ficam ainda outras dúvidas. Mormente, a da apresentação pelo
Vereador do PS Carlos Castelinho de mais 2 Empresas interessadas neste
processo, em que uma delas até era do concelho de Marvão, mas que foram
rejeitadas pelo presidente e “seus” vereadores, como se pode ler aqui no
estrato da Acta de Reunião de Câmara realizada em 1 de Junho de 2015:
Posto isto, ou
muito me engano, ou por capricho do destino, será escolhida por Ajuste Directo,
a tal predilecta doutora Teresa Narciso, Técnica Superior na CM de Portalegre,
que irá custar ao tão depauperado erário público, 22 140 euros (18 000 + IVA) em 9 meses (média de 2 500 euros/mês). Mas que a dita juntará ao seu ordenado de Técnica Superior na AP!
Diz-se ainda por
aí, acerca desta tão prestimosa técnica que, de facto ela trabalhou em tempos nesta
área dos Projectos de Fundos Europeus, no tempo em que o amigo do eng.º Vítor, eng.º Mata Cáceres era presidente da CM de Portalegre (parece que até era uma
das suas discípulas), mas que após a chegada à presidência de Adelaide
Teixeira, esta não a achou assim tão idónea, e a acomodou na “prateleira”! Mas
isto devem ser más-línguas.
Mas levando a
coisa mais a sério, convirá questionar o senhor eng.º Vítor com uma série de dúvidas
que devem apoquentar os marvanenses:
1 – Por que será
que se vão gastar 22 000 mil euros em 9 meses, com uma Avença, numa pessoa que
tem um posto de trabalho de Técnica Superior bem remunerada, numa outra
autarquia; em vez de se fazer um contrato com uma outra Técnica que se tire do
desemprego e que seja no futuro uma mais-valia para o concelho de Marvão?
2 – Por que
razão o eng.º Vítor e seus vereadores, recusaram aceitar que entrasse no
processo de adjudicação uma empresa que até é do concelho de Marvão, e emprega
vários técnicos que residem, ou são naturais do concelho de Marvão?
3 – Por que
razão não se fez uma Avença com a actual Técnica (Madalena Mata) se tinha sido,
como diz o eng.º Vítor, tão competente na gestão do anterior Quadro Comunitário?
4 – Por que
razão o senhor eng.º Vítor anuncia à Câmara de Marvão, antecipadamente às
consultas dos vários concorrentes (Maio de 2015), o nome da pessoa já
escolhida? Quem lhe encomendou o recado? Terá sido a tal “companhia”?
5 – Se a tal
Técnica é tão “boa” nessas áreas, por que motivo na Autarquia onde trabalha,
não desempenha essas actividades?
Respostas
exigem-se...
Nota: Nada tenho contra a referida
Técnica, nem tão pouco a conheço. O que está aqui em causa, é uma determinada
forma de fazer política e gerir os destinos do concelho de Marvão, a que urge
por fim.
Início hoje uma rubrica que pretende dar a conhecer alguns dados para que, quando Outubro chegar, aqueles que me lêem possam tomar uma opção eleitoral o mais consciente possível. Os dados que aqui apresento não são de um qualquer fazedor de opinião, são aqueles que considero os mais fidedignos possíveis: do INE, ou da Plataforma Pordata. Claro que haverá sempre aqueles que duvidam de alguma coisa, e mesmo aqueles que duvidam de tudo, pois o que conta é a sua realidade e, dizem eles, os números não enchem barriga. Mas quando se trata de números sobre “aquilo com que se compram os melões”, eu acho que não perdemos nada em dar-lhe uma olhadela. Depois, cada um tirará as suas ilações, eu tiro e opino com a minha.
Falemos da Dívida Pública
Diz-se por aí que,
a tão malfadada austeridade não valeu de nada, pois a Dívida Pública não parou
de aumentar nestes 4 anos. É verdade, não vale a pena escamotear esse facto.
Mas uma coisa é uma dívida que aumenta entre 2005 e 2011 numa média de 15 000 milhões de euros/ano (como no consulado
de Sócrates e do Partido Socialista), ultrapassando em 2010 os 26 000 milhões de euros; outra coisa é
uma dívida que aumenta 7 000 milhões de
euros/ano (consulado de Passos Coelho), isto é, menos de metade em cada ano
que passou. Estimando-se mesmo, que no final de 2015, e pela primeira vez na
história da democracia portuguesa, a dita tenha uma diminuição de 1 700 milhões
de euros, como se pode ver no Gráfico 1 e no Quadro 1 que se complementam.
Quadro 1 - Evolução da Dívida Pública conhecida entre 1991 - 2015
Fonte: Pordata
Óptimo seria que em 2011 (quando a dívida aumentou 22 600 milhões de euros), com uma “varinha mágica”, se parasse o endividamento. Mas como sabe o menos observador destes fenómenos, tal seria impossível. Se ao reduzir o endividamento em cerca de 8 000 milhões/ano teve o impacto social que teve, como seria se diminuísse 15 000 milhões?
Aliás, será
curioso fazer o seguinte exercício teórico e verificar que, se se mantivessem
nestes últimos 4 anos as políticas seguidas pelo Partido Socialista (possivelmente
com custos idênticos), a Dívida Pública seria no final de 2015 cerca 254 000 milhões de euros (147% do PIB),
como se pode ver no Gráfico 2 (Linha rosa). Com as tais “políticas de austeridade”, a Dívida
Pública conhecida (Linha azul), será no final de 2015 cerca de 224 000 milhões de euros (130% do PIB).
A diferença será
assim de cerca 30 000 milhões de euros o
que, na prática, dá uma diminuição de custos actualmente, só em juros, de cerca
de 1 500 milhões de euros/ano. Para
além dos nossos filhos (de quem dizemos gostar muito), terem na sua herança,
menos 30 000 milhões de dívidas contraídos pelos seus paizinhos.
Mares convulsos, ressacas estranhas, cruzam-te a alma de verde-escuro.
As ondas que te empurram, as vagas que te esmagam, contra tudo lutas..., contra
tudo falhas. Todas as tuas explosões redundam em silêncio:
Nada me diz...
Berras às bestas que te sufocam, em abraços viscosos cheios
de pavor. Esse frio surdo, o frio que te envolve, nasce na fonte, na fonte da
dor!
Remar, remar, forçar a corrente! Ao mar, ao mar, que mata a
gente:
... e se recordar é
viver, aqui fica a minha contribuição com o Post que me iniciou nesta coisa da
blogosfera, publicado em Dezembro de 2007:
"COMO NASCE UM BLOGUE
…a meu pai
(1920-2006)
“Decorria o ano
de 1956, já havíamos passado o solstício de verão e as noites corriam longas e
cálidas, celebrando-se nesse dia segundo o calendário gregoriano, a festa de S.
Pedro. Manuel, homem de pouco mais de trinta anos de idade, caminhava ao longo
das margens da ribeira, que meia dúzia de quilómetros mais abaixo chamavam de
rio Sever, que o conduziriam ao moinho do Fraguil, onde morava. Cismava sobre
os últimos meses da sua vida falando baixinho como era seu hábito, após mais
uns copos com os amigos na tasca do Chico Videira. Esperava pelas duas horas da
manhã, hora que, juntamente com mais meia dúzia de companheiros, pegaria na sua
carga de café contrabandeado que iria entregar perto de Malpartida de Cáceres.
Luísa, sua
mulher, havia-o deixado, depois de mais uma desavença entre ambos e, juntamente
com a filha haviam-se acolhido em casa arrendada na Martela, do outro lado da
ribeira, cerca de mil metros de distância em linha de tiro de onde Manuel agora
se encontrava. Francisco, o filho mais velho casal, então com quinze anos de
idade, já há muito que trabalhava em casa de patrão para ganhar a vida, que os
tempos não iam fáceis.
Várias haviam já
sido as suas tentativas de ajuntamento, mas desta vez, Luísa, parecia não estar
pelos ajustes. Ele bem tentava, pois todos os dias, à tardinha, esperava
Conceição, assim se chamava a filha do casal desavindo, quando esta regressava
da escola e lhe entregava um pãozinho, incumbindo-a de dizer à mãe que voltasse
para casa, na esperança, que tal gesto pudesse seduzir Luísa, mas até esse dia
sem qualquer resultado prático. Apesar do pão não ser devolvido, também os
sinais de que Luísa estivesse para quebrar, tardavam em aparecer.
Pouco passava
das dez horas da noite, hora aquela de lusco-fusco, em que todos os gatos
parecem pardos e, Manuel, sentiu como que um calafrio que lhe percorreu a
espinha, dorida dos trinta quilos de café que tinha carregado a noite passada e
depois de mais uma fuga dos guardas-fiscais, que por pouco, o não apanhavam ali
bem perto do secadeiro-da-bruxa. Mas aquele calafrio, não lhe pareceu de dor,
nem tão pouco de frio, pois a noite estava quente, e as dores, sabia ele como
lhe mordiam. Demorou ainda alguns segundos a perceber o porquê, mas, no momento
seguinte, a coisa ficou clara no seu pensamento, pois, certamente, se devia à
lembrança de corpo de mulher, que há três meses não tocava, e que de repente
lhe aflorou, algures na sua cabeça.
Sem perceber,
como que por automatismo, encontrou-se a saltar as passadeiras que o levariam à
outra margem da ribeira e, sem saber muito bem porquê, já subia, por entre as
giestas floridas, a encosta que o haveria de levar às proximidades da casa onde
vivia Luísa…”
A praga dos
ajustes directos reina no mundo das entidades públicas. Praga porquê? Porque
não sabemos se o preço adjudicado foi o melhor (relação “custo qualidade”), até
porque, não há garantia da observância dos princípios subjacentes à contratação
pública, nomeadamente os princípios da concorrência, da igualdade e da
transparência. Citando a jurisprudência do Tribunal de Contas, "o ajuste directo constitui um
procedimento fechado, que não integra qualquer nível de concorrência, pelo que só se deve aceitar a sua
utilização quando se demonstre inviável qualquer outra solução procedimental
que melhor salvaguarde a concorrência."
A Câmara
Municipal de Marvão, em minha opinião, continua a usar e abusar dos “ajustes
directos” para a quase totalidade das suas adjudicações. É o campeão do Norte Alentejo
desta modalidade e, arrisco-me a afirmar, certamente, do país. Como já referi aqui,o município de Marvão em 3 anos (entre
2012 e 2014), no total de verbas utilizadas para adjudicações, 87% foram por “ajustes
directos”, e apenas 13% se recorreu ao “concurso público”. Isto, parece-me, exagerado. E não estamos a falar de bagatelas, já
que a média anual de verbas nesses 3 anos, rondou os 1,2 milhões euros/ano, num
Orçamento total do município que ronda os 5 milhões/ano.
Tal situação já
foi por mim despoletada numa Reunião de Câmara no princípio deste ano, no que
fui corroborado pelo Vereador da Oposição Nuno Pires, e que levou o Presidente
da Câmara a prometer ter mais algum critério nas decisões futuras sobre o uso desta
modalidade, nomeadamente, o recorrer à Plataforma Electrónica:
base - contratos públicos online (mesmo nos “ajustes directos), e consultar sempre
mais que uma empresa ou entidade.
Só que, ao que
parece, só é consultado quem o senhor Presidente e os seus correligionários
quiserem! Exemplo claro do que acabo de afirmar, é um novo caso que se prepara, já aprovado na última Reunião de Câmara, de uma próxima adjudicação de Prestação
de Serviços, que irá onerar o município em 2 000 euros + IVA/mês, e que
proximamente aqui trarei ao conhecimento dos marvanenses.
Para provar o
que acabo de afirmar, nos primeiros 5 messe de 2015, o município de Marvão já
realizou 13 adjudicações. Dessas, 12 foram por “ajuste directo”, no valor de 245
754 euros.
Pergunta-se: Em
quantas foi utilizada a Plataforma Electrónica e consultadas mais que uma
empresa ou entidade? É que nestas coisas da administração da coisa pública não
chega ser sério, é preciso mesmo parecê-lo, para que os munícipes possam
julgar.
Quadro 1 - Adjudicações da CM de Marvão em 2015
Legenda: A vermelho a única adjudicação por concurso público
Equipa do GDA - De pé da esquerda para a direita: Daniel Conchina; Pedro Jesus, Nuno Macedo, Ricardo Ramos, Carlos da Luz, Carlos Bernardo, Nelson Nunes, André Pires, Quim Silva, João Bugalhão e António Garraio. Em baixo pela mesma ordem: Filipe Guedelha, Henrique, Cascavel, Luís Siva, Guilherme Silva, Joel Vilhalva e Pedro Vaz.
( faltam na foto Luís Costa e Luís Macedo)
Fará por estes
dias 30 anos que orientei pela primeira vez, uma equipa de futebol sénior do
Grupo Desportivo Arenense, decorria o ano de 1985 e foi em Valência de Alcântara.
Parece que foi ontem! Nessa altura eu era um jovem de 28 anos, tinha na equipa
jogadores 7 e 8 anos mais velhos que eu. Agora tenho 58 e, ontem, tive o prazer
de lá voltar, e liderar uma equipa de jovens que ainda nem eram nascidos quando
eu lá estive pela primeira vez. O tempo passa, ou nós passamos pelo tempo, e
quase não damos por isso. Podem por isso imaginar o misto de emoções que ontem
ali vivi!
A coisa começou
assim: no passado dia 30 de Maio recebo um telefonema do meu amigo António
Garraio que me dizia que, dali a uma semana, a 6 de Junho, o Ayuntamente de Valência
de Alcântara iria inaugurar um piso sintético do seu Campo de Futebol e que,
fazia questão de convidar uma equipa do GDA para um amistoso, com a nossa congénere
cacerenha.
Só que o GDA não
tem futebol de 11 sénior há 10 anos. E por isso logo lhe disse que não seria fácil,
e eu, só estaria disponível, para orientar a equipa dentro das 4 linhas. Para a
organização, não contassem comigo. Estava cansado de dar para esses peditórios,
e não me sentia nada motivado e disponível.
Foi aí que o
Garraio começou os seus contactos: Direcção do GDA (Luís Barradas), Jorge
Rosado, Nuno Pires, e penso que posteriormente o Luís Costa também acabou
envolvido. Foram estes 4 amigos que, em menos de uma semana, conseguiram
mobilizar cerca de duas dezenas de atletas do concelho, surpreendendo muita
gente, nomeadamente, sobre a sua existência, e que andam espalhados por aí
pelas diversas equipas do distrito. E outra dezena ficou ainda de fora que, por
motivos pessoais, não puderam estar presentes. É caso pra dizer "... o homem sonha a obra nasce!"
Isto é, cerca de
30 jogadores, 80% com ligações ao concelho de Marvão, foram “descobertos” em 6
ou 7 dias. E ontem, dia 6 de Junho de 2015, vestidinhos a rigor, com as cores
azul e branco do GDA, entraram no municipal de Valência de Alcântara, para
estrearem o seu novo piso, para representarem o clube, o concelho de Marvão, o
distrito de Portalegre, e o próprio país Portugal.
Sobre as peripécias
do jogo não vos vou contar muito. Foi pena ver pouca gente do concelho nas
belas bancadas que emolduram o campo. Só vos digo que o comportamento de fair-play, das duas equipas, foi
exemplar! Nem uma única quezília em 90 minutos. Até eu, nunca a tal tinha
assistido no passado! As duas equipas limitaram-se a jogar a bola de cá para lá
e, de lá para cá. Nem dos árbitros tenho notícias a não ser, da amena
cavaqueira que com um mantive no final do jogo, durante um belo petisco que nos
presentearam, não sobre o “partidaço” que se havia disputado, mas sobre a sua
paixão pela língua portuguesa e suas dificuldades.
No final do jogo
o GDA acabou por ganhar por 3 – O com golos de Ricardo Ramos, e André Pires (2).
E que golaços deste puto maravilha (atenção olheiros, abram a pestana) , a quem toda a plateia, imediatamente, começou
a apelidar de “pequeño messi”. Mas se este jovem, e outros têm agora 18 -19
anos, também outros menos jovens deram o seu contributo, alguns já na ternura
dos 40. E que bonito foi ver combinar a experiencia e a juventude! O FUTEBOL é
um jogo maravilhoso, e não precisa de muita conversa para ser jogado. O
resultado só poderia ser um: Muito Bom.
Porque
participei eu nesta actividade? Em primeiro lugar, pela paixão e pelo prazer do
futebol e pelo desafio que me foi lançado pelos amigos em cima referidos. Em
segundo lugar, para tentar sensibilizar os responsáveis políticos e desportivos
de que, talvez, o futebol sénior no concelho Marvão merecesse uma oportunidade
sustentável e de acordo com a realidade.
Se valeu a pena? "... vale sempre a pena se alma não for pequena". A primeira pedra
está lançada. Quem vai atirar a próxima?
- Arrumação tácita da equipa do GDA:
- As duas Equipas para a posteridade
- Equipas perfiladas para início do jogo
- Fases animadas do jogo
- Aspecto bem composto da bancada com as autoridades política
- Foto com 6 anos: Já em 2009 se previa que este menino (André Pires) daria um bom jogador
Nota Final: Um bem haja a todos os que
participaram nesta iniciativa, e que me fizeram reviver 30 anos dedicados ao desporto rei.