sábado, 9 de maio de 2015
E se de repente um "estranho" lhe oferecer "flores"...
... cuidado, isso, pode não ser Impulse! Mas pode ser uma grande trapalhada...
sexta-feira, 8 de maio de 2015
A correr? Para quê...
Corre a gente decidida
para ter a vida que quer, sem repararmos que a vida, passa por nós a correr. Às
vezes até esquecemos nessa louca correria, por que motivo corremos, e para onde
se corria.
Buscando novos
sabores corre-se atrás de petiscos, quem corre atrás de valores, corre sempre
grandes riscos. E dá para ser escorraçado, correr de forma diferente, há quem
seja acorrentado, por correr contra a corrente!
Num constante corrupio
já nem sequer nos ocorre, que a correr até o rio, chegando ao mar também morre.
Ou atrás do prejuízo ou, à frente da ameaça, corremos sem ser preciso e, a
correr, a vida passa!
quarta-feira, 6 de maio de 2015
Convívio e puro prazer...
Muita atenção ao jogador assinalado (1º da esquerda, em baixo), diz quem sabe que foi uma das últimas oportunidades de o ver equipado por estas bandas. A partir daqui, só com uma deslocação a Madrid, onde fará dupla com CR7.
Obrigado à vida por momentos como este...
segunda-feira, 4 de maio de 2015
Coisas giras encontradas por aí...
SUSTENTABILIDADE:
Um pouco de água fria na fervura!
por Fernando
Bonito (retirado daqui)
Na qualidade de
presidente da Mesa da Assembleia do GDA, dou os parabéns à direcção, equipa
técnica e atletas, por esta vitória na Taça de Futsal da AFP, e que muita alegria e orgulho nos deram! Mas
considero ter também, agora, a obrigação de recordar a história da última
década do clube...
Há 10 anos
também fomos campeões! No caso, da primeira divisão do campeonato distrital de
futebol (de 11). E também, então, fiquei feliz e orgulhoso! Curiosamente, na
passada sexta-feira, nas comemorações do dia do sócio, foi relembrada essa
conquista e feita uma espécie de homenagem aos então envolvidos.
Acontece que
essa conquista não foi feita com sustentabilidade e teve como consequência
nunca mais entrarmos nesse campeonato e o clube ter ficado na falência, com uma
dívida avultada a fornecedores...
Seguiram-se,
depois, dois mandatos com dois grupos de sócios (diferentes dos agora
homenageados), liderados por Dionísio Gordo, primeiro, e por João Bugalhão, depois,
que reconquistaram o clube financeiramente, deixando condições para a actual direcção
aspirar a outros objectivos e conquistas.
Ontem foi um dia
grande para o GDA. No entanto recordo que, apesar de financeiramente estável,
no último biénio as despesas do clube suplantaram as receitas, pelo que, tal como
um sócio referiu na última Assembleia, urge inverter a situação para manter a
sustentabilidade!
É que,
provavelmente, com o actual nível de apoio camarário ao clube (um dos mais
exíguos do distrito) não será possível a este manter todas as actividades dos
últimos anos (camadas jovens de futebol, futsal sénior, camadas jovens de
futsal e velhas guardas de futebol).
Pode ser que
perante a jornada de ontem, com todo o executivo camarário (e assessorias)
presente (!?), esses responsáveis percebam que só um maior apoio da câmara
permitirá ao GDA continuar com este nível de actividade!
Entretanto, além
de solicitar à direcção que se preocupe com a sustentabilidade financeira do
clube, já agora solicito também que, se possível, no próximo sábado conquiste
novo "caneco" para o GDA. Agora a supertaça distrital de futsal!
Saudações
Arenenses
Comentário ao
artigo
por Jorge Rosado (retirado do mesmo sítio)
Amigo Fernando
Dias, esta tua intervenção é extremamente importante e actual no desempenho das
tuas funções como presidente da AG do GDA. Recordo-me perfeitamente da gestão
de há 10 Anos, e o que têm em comum, é apenas o título!
Como sócio
reconheço o excelente trabalho feito pelas Direcções, primeiro do Dionísio
Gordo e João Bugalhão pela coragem como assumiram a liderança do clube e
conseguiram regularizar as contas do Clube (muito mérito), e, assim abrirem
caminho ao enorme trabalho e "ginástica financeira" da actual Direcção
que, diariamente, estes órgãos sociais dos últimos dois mandatos fazem para
manter uma dinâmica constante na actividade do GDA: sei do que falo! Abdicar de
estar com a família, trabalhar para uma causa, sem nada pedir em troca, merece
no mínimo, o RECONHECIMENTO dos Sócios e da População evidentes no dia do Sócio
e na Final de sábado e naturalmente do Município.
Amigos, formação
é serviço público! Quantas equipas de futsal no Distrito têm formação? Em Abril
de 2014 apresentei, então como Presidente do Centro Cultural de Marvão, uma
proposta de alteração ao regulamento de Apoio ao Associativismo que previa isso
mesmo: Bonificação por desempenho/performance;
Um Clube que aposta na formação, que tem técnicos qualificados, que consegue gerar uma mobilização nunca vista, é um Clube que merece o respeito e retorno da Autarquia;
Não chega medalhas de mérito e palmadinhas nas costas, é preciso actos: políticas que estimulem este trabalho quase profissional que está a ser feito. Faço votos para que, os responsáveis autárquicos, tenham tirado alguma ilação do que viram pela primeira vez (obrigados?) em Arronches!
Quanto à
sustentabilidade, totalmente de acordo! Nunca poderá suceder o que sucedeu há
10 Anos!
domingo, 3 de maio de 2015
Quanto é doce, quanto é bom... (saudade)
Quanto é doce,
quanto é bom, no mundo encontrar alguém que nos junte contra o peito, e, a quem
nós chamemos mãe. Vai-se a tristeza, o desgosto, põe-se um ponto na tormenta, quando a mãe nos dá um beijo, quando a mãe nos acalenta!
E embora seja ladrão, aquele que tenha mãe, lá tem no meio da luta ternos afagos de alguém...
E embora seja ladrão, aquele que tenha mãe, lá tem no meio da luta ternos afagos de alguém...
terça-feira, 28 de abril de 2015
Como mentindo, se faz política em Portugal
Fui militar de
cavalaria, como Salgueiro Maia, embora só chegasse à Escola Prática de Santarém
no princípio de 1978, isto é, 4 anos depois de este ter comandado o esquadrão
que meteria o ânus para dentro à rapaziada mandante da capital. Quando ali cheguei, os ecos deste herói da revolução (ou será um mero golpe de estado?), já pouco
habitavam nessas paredes, diga-se até que, os que ecoavam, não eram os mais
abonatórios.
No entanto, eu,
sempre nutri por ele admiração e, se lá estivesse em 74, não hesitaria em ter ido com ele. Com o tempo, essa admiração foi aumentando,
fazendo parte para mim daqueles ícones que pela sua atitude e comportamento no
pós 25 de Abril, em oposição a muitos cromos do prec: o do anti-herói, a humildade, o incógnito, o militar leal que
defende com armas o seu povo tal como jurou, que sabe que o lugar dos militares é nos quartéis; ficará para sempre gravado na galeria
da admiração da minha memória.
Não sei se Salgueiro
Maia herdou de seu pai alguns destes valores, talvez sim. Mas o que parece que
não aconteceu foi transmiti-los a sua filha Catarina, tão citada por estes dias
nas redes sociais e na imprensa pela “malta canhota”, como sendo uma das vítimas da política
do actual Governo. Que tal como diz a própria, foi obrigada a cumprir a sugestão
de Passos Coelho, e coitada (para além dum pai injustiçado), lá teve que
emigrar para o Luxemburgo! Esta não herdou
certamente os princípios do pai Fernando, senão vejamos:
Diz Catarina Salgueiro Maia que emigrou para o
Luxemburgo em 2011, «ano em que a 'troika' chegou a
Portugal e "em que o primeiro-ministro aconselhou as pessoas a ganhar
experiência no estrangeiro", ironizou, recordando os apelos do Governo à
emigração». Não há
dúvida de que a troika chegou a Portugal em 2011 (o pedido de ajuda foi feito a 6
de Abril); já o
governo apenas tomou posse em 21 de Junho, e as tais declarações polémicas sobre emigração
ocorreram a partir de Outubro.
Ora no
vídeo em baixo, aos 30 segundos, Catarina afirma com absoluta
certeza que chegou ao Luxemburgo no
dia 15 de Março de 2011. Portanto, quando diz que diz que «foi
"convidada" a sair de Portugal pelo primeiro-ministro Passos Coelho»
está a mentir descaradamente!
Se por ressabiamento ou ao serviço da sua ideologia política,
isso não sei; mas sei que se queremos melhores políticos temos que ser melhores
cidadãos. Não vale tudo para levar a água ao nosso moinho. E não, as
qualidades (a imagem de tenho de Salgueiro Maia é a de um homem recto) não se
transmitem por osmose jornalística.
segunda-feira, 27 de abril de 2015
GDA – UJA: Opinião de um arenense
Unir/desunir, ou como “o conjunto” deveria
ser sempre superior à mera soma das partes.

- GDA: Grupo Desportivo Arenense; UJA: União da Juventude Arenense
Não quis
escrever este artigo antes da data de realização das festas para não
influenciar ou dar azo a algum mal-entendido e por me parecer que, o que quero
expor, estar para além duma mera realização de “festas”, pois entendo que a
relação entre estas duas associações deve ter um sentido mais lato e abrangente.
Também não quero
deixar de, previamente, referir que o papel de mediadores e sensibilizadores
que deveria ser exercido pelas instituições públicas - Junta de SA das Areias e
CM de Marvão, parece não terem ficarado muito bem na fotografia, já que, em vez de unirem antes diviram, nomeadamente o Presidente da Câmara,
que ao imiscuir-se nestas querelas, parece que em nada contribuiu para minimizar ou resolver, tal como se pode ler aqui em comunicado da UJA. O
que me leva até a questionar se o Sr. Presidente não terá mais nada para fazer
do que andar metido em “festeiro”! Será que não existe um assessor, ou um técnico
em melhor situação?
Mas vamos ao que
interessa. Estas duas associações, onde cada uma deveria desempenhar o seu
papel na comunidade arenense, onde ambas cabem à vontade, há muito que em vez
de trabalharem em conjunto e se complementarem, passam o tempo a disputar
algumas áreas comuns, nomeadamente, as actividades de cariz cultural. Já nem
defendo que se fundam, sendo a UJA a vertente jovem do GDA, mas que se sentem a
uma mesa e elaborem um simples protocolo de colaboração, para que ambas fiquem
mais ricas e a comunidade arenense possa beneficiar. O GDA, sempre privilegiou e está mais vocacionado para o desenvolvimento de actividades desportivas; a
UJA, enquanto associação de jovens, parece estar mais virada para actividades
de cariz cultural e recreativo. Porque não unirem-se e actuarem em conjunto?
O GDA possui, actualmente, um bem patrimonial único na povoação, a sua Sede. Parece, no entanto, estar com alguma dificuldade
em a dinamizar (pelo menos foram críticas ouvidas na última Assembleia Geral).
A Direcção comprometeu-se que, no futuro, iria tentar pelo menos, fazer a sua
abertura diária. Mas a pergunta que se faz é, para quê se não existem lá actividades?
E assim, um bem que apesar de ser formalmente do GDA, é em primeiro lugar da comunidade
arenense, está para ali desaproveitada e às moscas, quando poderia servir as
duas associações, e todos ficavam a ganhar. Mais, essa Sede possui uma “pérola”
na sua cave, uma sala tipo Discoteca, a mais antiga e apetrchada do distrito e uma
das mais antigas do país, que está praticamente desactivada. Será que a UJA não
estará em posição de a dinamizar para a juventude arenense ter aí um meio de
diversão e não ter que sair da sua terra? Este seria um bom começo de entendimento
em que ambas as organizações podiam beneficiar.
Esta situação até
já nem seria nova, pois em 1996 quando fui eleito Presidente da Direcção do GDA,
foi uma das primeiras medidas que tomei, e com resultados muito positivos para
ambas as associações. Pelo menos foi essa avaliação que se fez na altura.
Para que sirva de reflexão, aqui deixo alguns dados gerais sobre o Protocolo de então, e que fazem parte do Relatório que ficou no GDA:
Para que sirva de reflexão, aqui deixo alguns dados gerais sobre o Protocolo de então, e que fazem parte do Relatório que ficou no GDA:
“... em Setembro de 1996 foi feito um
Protocolo com a UJA, com a finalidade de por em funcionamento e dinamizar esta dependência
do Clube, e simultaneamente proporcionar Receitas às duas Associações para
desenvolvimento das suas actividades. Este Protocolo baseou-se a nível
financeiro, e após apuramento líquido das receitas, a sua distribuição em 3
partes:
- 50% para o GDA;
- 30% para a UJA;
- 20% para obras e investimentos na Sala.
Ao fim de 2 anos (96/98) os resultados líquidos
foram os seguintes (transformados em euros):
- GDA: 12 200 euros
- UJA: 5 150 euros
- Obras e Investimentos na Sala: 7 050 euros
Total
de receita líquida: 24 400 euros.
Bem sei que os
tempos são outros, mas não deveriam conversar?
quinta-feira, 23 de abril de 2015
Novos sons da música portuguesa....
“.... já não sei
o que fazer, se chego tarde, protestas; se venho cedo, não estás! Ai quem me
dera entender porque é que agora contestas, mais logo, tanto te faz...”
terça-feira, 21 de abril de 2015
Bairro do Porto Roque: Sessão Pública (3)
Contributo de Nuno Pires (retirado daqui)
"Decorreu no
passado sábado dia 18-04, um debate participativo de ideias para o
desenvolvimento do Projecto do Bairro da Fronteira. Abrir as portas e falar
deste assunto é positivo, mas é preciso saber qual é o objectivo, ser feito com
organização, método, para que os Marvanenses se sintam parte integrante e não
relegados para 2º plano.
Estou à vontade
para partilhar o que no meu entender esteve menos bem nesta organização, pois
tive esta manhã a oportunidade de o transmitir ao Sr. Presidente do Município o
principal responsável por nunca ter desistido da aquisição deste Empreendimento
e pelo desenvolvimento do mesmo.
Contrariamente
as expectativa de muitos, o número de pessoas presentes, superou seguramente a
meia centena de pessoas, o que revela o interesse da população por este projecto.
Alguns aspectos que devem ser corrigidos no futuro:
1- Não se deve
chamar “debate participativo” a um evento com 9 oradores. Por muito sucintos
que sejam e ocupem só 20 minutos cada, chegamos a 3 horas de intervenções, que
foi o que aconteceu. Pois a primeira intervenção do público só surgiu pelas 18
horas. No futuro que se chame “sessão informativa”. Saúdo a decisão do Sr.
Presidente que hoje mesmo me informou que brevemente será lançado novamente o
convite aos Marvanenses para desta vez poderem ser os atores principais neste
processo.
2- Perante um
elenco como o que nos foi apresentado é inaceitável que os oradores não
tivessem identificados, gerando na assistência a dúvida de quem estavam a
ouvir. No Futuro não custa nada ter na mesa a indicação do nome dos oradores e
quem representam.
3- A falta de um
moderador. O Sr. Presidente com a paixão que todos nós lhe reconhecemos quando
intervém, nunca poderia assumir as despesas da moderação. O Presidente é o
representante do povo, é a voz que nos representa, e não lhe deveria caber essa
função. Por cada intervenção que surgia do público, tínhamos o Sr. Presidente
com o seu entusiasmo a falar deste projecto, e absorver o tempo que ainda
restava a alguns Marvanenses resistentes que aguentaram, e só quase 4 horas
depois puderam intervir.
No futuro,
acredito que o Sr. Presidente reconhecerá capacidades aos profissionais que com
ele trabalham, e encontrará uma solução para que estas acções possam ter um
moderador.
4- O Registo
deste momento. Foi pena que não tenha existido quem registasse os principais
tópicos dos oradores, e as principais ideias que ainda surgiram nessa tarde de
sol. Já dizia o meu avô que, “qualquer papel escrito é sempre melhor que a
melhor das memórias”. No futuro, acredito que estará alguém a registar a
construção deste futuro e para que mais tarde possa ser recordado como
História.
Sobre o Futuro do Bairro da Fronteira!
Em primeiro
lugar há bastante tempo que venho dizendo ao Sr. Presidente, (como se pode
consultar nas actas da Assembleia Municipal e reuniões de Câmara Municipal),
que é urgente resolver a situação com os actuais moradores e todos aqueles que
o Sr. Presidente entenda que tenham direito pelas ligações históricas,
sentimentais e emocionais a adquirir a sua fracção. A situação patrimonial em
que se encontra a situação (em fase de divisão de propriedade horizontal), não
impede chegar a acordo com as pessoas. Pois a situação actual também não
impediu que o Município adquirisse tal Património.
Qualquer projecto
ou projectos que sejam pensados para este espaço, só deverão ser pensados, após
a finalização do processo com os moradores. Isto porquê?
- Qual é o projecto
que pode ser pensado para um espaço, sem se saber a quantidade de m2
disponíveis?
- Qual é o projecto
que pode ser pensado para um espaço, sem saber o nº de fogos devolutos e livres
para serem ocupados?
- Numa perspectiva
de investimento privado (que também deve ser ponderada), qual é o investidor
que investe, sem saber no que investe?
Acredito que
muito rapidamente o Sr. Presidente vai resolver os problemas com os antigos
moradores e seja possível saber na realidade que Futuro para a Fronteira.
Hoje deixo aqui
uma solução na área da Acção Social, inspirada numa ideia já anteriormente
apresentada em Assembleia Municipal pelo marvanense João Bugalhão: “Uma aldeia social para idosos”. Tal
projecto permitiria:
- Criação de
Emprego;
- Combater o
despovoamento, e aumentar a população do concelho;
- Reabilitação
urbana;
- Atrair utentes
nacionais e internacionais com poder de compra;
- Um novo
conceito de apoio social;
São estes os
eixos mais fortes que podem dar sustentabilidade a um projecto desta natureza e
contribuir para o desenvolvimento económico do nosso concelho."
segunda-feira, 20 de abril de 2015
Porto Roque: Alternativas
Aqui ficam mais 2 Sugestões para o Bairro do Porto Roque na fronteira de Marvão. Talvez uma complemente a outra.
- Esta, que existe algures mais a norte:
- ... ou esta pela qual me venho batendo. Pode ser que as imagens impressionem mais que as palavras
Bairro do Porto Roque: Sessão Pública (2)
Aquilo que Vítor Frutuoso não quer ouvir! Por isso só fala, fala e fala...
(Texto da
autoria de Fernando Bonito, em complemento ao texto de Pedro Sobreiro,
publicado aqui)
“Complemento ao
descrito pelo Pedro, por quem “aguentou” quase até ao fim.
Em 2005 fui eleito para a Assembleia Municipal de Marvão, como independente, nas listas do PSD, de Vítor Frutuoso (VF). Defendi, sempre caso a caso, o que considerava melhor para o concelho, fosse de acordo ou contra a governação então vigente. Dei ideias e defendi afincadamente projectos, com por exemplo o Ninho de Empresas, que aquele, muito bem, veio posteriormente a concretizar.
Em 2009, apesar
do convite que me foi endereçado, decidi não continuar devido a várias razões.
As principais foram:
1 - VF ser um homem diametralmente diferente entre “o antes” e “o após” o dia das eleições (o indivíduo ponderado, cordato, humilde e democrata, transformou-se no “ditadorzinho” que conhecemos);
2- ao contrário do antes acordado (e publicitado), o executivo, liderado por VF, nunca funcionou como equipa (naquele caso com Pedro Sobreiro), tal como, aliás, continua a não funcionar actualmente (agora com José Manuel Pires). Mas existiram outras razões, entre as quais o facto de não aguentar mais as longas, desorganizadas, maçadoras e inconsequentes dissertações de VF na Assembleia Municipal.
1 - VF ser um homem diametralmente diferente entre “o antes” e “o após” o dia das eleições (o indivíduo ponderado, cordato, humilde e democrata, transformou-se no “ditadorzinho” que conhecemos);
2- ao contrário do antes acordado (e publicitado), o executivo, liderado por VF, nunca funcionou como equipa (naquele caso com Pedro Sobreiro), tal como, aliás, continua a não funcionar actualmente (agora com José Manuel Pires). Mas existiram outras razões, entre as quais o facto de não aguentar mais as longas, desorganizadas, maçadoras e inconsequentes dissertações de VF na Assembleia Municipal.
Ontem, seis anos
depois, após aquilo que considero uma acertada decisão da câmara (a aquisição
do “Porto de Roque”) e face ao interesse que a mesma em mim despertou,
“arrisquei” estar presente numa sessão, supostamente de debate participativo,
“organizada” por VF.
E eis que
aconteceu o descrito pelo Pedro!
Nada evoluiu em 10 anos. Numa sessão em que supostamente se pretendia ouvir a população sobre o fim a dar a este local, foram convocados um número descabido de oradores e, pior, após chegar atrasado (como é seu apanágio), VF monopolizou completamente a sessão. Das três horas e tal em que estive presente falou, muito provavelmente, durante metade do tempo.
Nada evoluiu em 10 anos. Numa sessão em que supostamente se pretendia ouvir a população sobre o fim a dar a este local, foram convocados um número descabido de oradores e, pior, após chegar atrasado (como é seu apanágio), VF monopolizou completamente a sessão. Das três horas e tal em que estive presente falou, muito provavelmente, durante metade do tempo.
E quando,
finalmente, chegou o tempo de dar a palavra à plateia, momento em que metade
dos inicialmente presentes já, tal como o Pedro, tinham desistido de cansaço
(até alguns com propostas para apresentar), VF respondia a todos os
intervenientes, falando sempre mais tempo que eles, com dissertações obtusas e
sem nexo.
Por exemplo, quando alguém propôs a instalação de um centro de interpretação, defendeu que não era viável, dando como exemplo o pouco visitado Centro de Interpretação da Batalha de Atoleiros, em Fronteira… como se fosse comparável o afluxo de visitantes a Fronteira e a Marvão !?
Por exemplo, quando alguém propôs a instalação de um centro de interpretação, defendeu que não era viável, dando como exemplo o pouco visitado Centro de Interpretação da Batalha de Atoleiros, em Fronteira… como se fosse comparável o afluxo de visitantes a Fronteira e a Marvão !?
Momento muito
confrangedor foi também apresentação do “Vereador” espanhol (que deveria ser um
dos mais acarinhados), com a desorganizada coadjuvação de VF.
VF fez de moderador quando precisava de alguém que o moderasse!
Nesta sessão, a
grande preocupação de VF foi, apenas e só, a de fazer “campanha”, ora
descrevendo aquilo que já fez, ora confortando os populares (votantes)
presentes, rendeiros das casas do Porto de Roque, a quem chegou a dizer que,
não obstante poder ser contra a lei (!?), ficassem descansadas que as casas
seriam preferencialmente para eles… (eu se fosse rendeiro ficava desconfiado!).
Enfim, Pedro, do
que muito bem descreveste, só não concordo com a opinião sobre a intervenção do
Professor Jorge Oliveira. Além de uma intervenção rápida, estruturada e muito
eloquente, o Professor foi dos poucos que fez uma proposta concreta e bem
enquadrada, naquela sessão.
Uma nota final:
concordo com o descrito sobre a intervenção do Tiago. Também foi rápida e
estruturada, vendendo bem o “seu peixe”, isto é, a sua oferta, a qual também
considerei interessante. Contudo (não por responsabilidade do Tiago) a mesma
estava ali desenquadrada, pois é uma solução que pode eventualmente ser
aplicada a qualquer finalidade que se encontre para aquele local.
E essa escolha era, exactamente (e só), a questão!!
“No fundo, pareceu-me que entre eco villages e bio energias, as soluções, já estarão mais ou menos alinhavadas…”
E essa escolha era, exactamente (e só), a questão!!
“No fundo, pareceu-me que entre eco villages e bio energias, as soluções, já estarão mais ou menos alinhavadas…”
domingo, 19 de abril de 2015
Bairro do Porto Roque: Sessão Pública (1)
(Texto retirado da página do facebook de Pedro Sobreiro)
“Intróito: Não faço isto para que metam gostos
(que podem sair caro, atenção! porque quem não está com o regime, tem de estar
na facção inimiga. Sabem como é...) e se tiverem de criticar o que aqui
escrevo, que o façam abertamente, sem medos, olhos nos olhos, à homem.
Eu sou de
Marvão, eu gosto de Marvão, eu preocupo-me com Marvão e por isso, quando vi num
cartaz que iria haver uma sessão pública de debate participativo organizado
pelo Município de Marvão sobre que futuro haveria de ter o bairro da fronteira
de Porto Roque, a acontecer na antiga instalação da alfândega, pensei logo que
iria estar presente e se assim o pensei, melhor o fiz.
À hora certa lá
estava eu, como se tivesse esquecido (já larguei estas lides autárquicas há 6
anos) como em Portugal (não) se respeitam os horários. Com os tais 20/25
minutos de atraso, lá começou a sessão com uma intervenção do presidente da
câmara. Pelo tom, pelo ritmo e pela abrangência recordei os tempos passados e
senti-me feliz por ter de por minha única e espontânea vontade ter fechado a
porta. Eu sei que sou o desalinhado, um crítico por natureza mas os erros ali
foram tantos para quem estava com o sentido de sair dali mais esclarecido que
seria algo notável se assim acontecesse.
Desconhecia os
intervenientes e não só não tinham uma placa identificativa na mesa como
tampouco se deram ao trabalho de dizer quem eram, como se nós tivéssemos a
obrigação de o saber. Seguiu-se Roberto Grilo, vice-presidente da CCDR Alentejo
que disse sim, que pode haver dinheiro mas que temos de ser nós
(câmara/munícipes) a decidir e por isso é que estas sessões fazem falta
Tempo para uma
abordagem histórica do local que servia de introdução ao debate e enquanto
ouvia o Prof. Jorge Oliveira, que certamente é uma sumidade em tudo o que diz,
não conseguia parar de me perguntar por que motivo num debate que certamente
seria longo para todos os intervenientes (público incluído) numa sala tão
grande e fria, não se começou pelo que realmente interessava e nos tinha levado
ali a todos. Fiquei feliz foi por não ter decidido ler as 15 páginas que, disse
ter escrito, sobre o assunto. É que… não
foi bem a história que nos levou ali, mas sim o que fazer no futuro ao sítio.
Tive que me
ausentar por motivos pessoais por uns breves 20 minutos e quando regressei,
pareceu-me que não tinha perdido grande coisa.
Vi o Tiago Gaio,
Director da Areana Tejo dar uma pequena palestra profícua e concreta sobre o objectivo
de conseguir aplicar ali um conceito de eco village tenho em vista o respeito
pelo meio ambiente e pelo desenvolvimento sustentável. Apanhei ainda o consejal
de Valência de Alcântara que estava em representação do município e do seu
presidente, e apesar de parecer simpático e bem-intencionado, não conseguiu
esquecer o novo que é. Seguiu-se outro senhor já mais rodado, com outro
traquejo e abertura mas que se limitou a apresentar powerpoints!
Reparei então
que a tarde ia longa, o meu Benfica estava prestes a entrar em campo e na vida
há que definir prioridades.
Saí como entrei.
Sem nada saber, ter ouvido ou discutido sobre o assunto que me levou ali. Sem
timings, sem direcções certas, sem grandes linhas mestras.
Sei que quem
certamente saiu dali vitorioso foi o autarca que teve a iniciativa, quanto mais
não fosse porque discutiu o futuro e segundo ele, certamente pensará que
envolveu a população (que me surpreendeu até a mim por ser tanta) a tomar uma
decisão, que sabemos nós, não foi decisão alguma.
O Benfica venceu por 2- 0. Menos mal.”
Mais
ou menos, assino por baixo. Pelo meio, quando tu saíste da sala, ainda houve
umas aulas sobre técnicas de reabilitação urbana (mas não daquele sítio),
e algo sobre a "história da engenharia", nada de concreto meu caro. Felicito o Pedro por esta análise crítica, mas muito lúcida (e tu é que
bateste com a cabeça na pedra).
Museu histórico de Fronteiras? Centro interpretativo de ciência viva? Centro de estágio para artistas? E de onde viria o dinheiro? E como se sustentaria? Será que este povo ainda não percebeu que está na miséria e na banca rota, e o que é preciso é pensar trabalho produtivo e não apenas em distribuições e diversão?
Tenho
ainda de acrescentar o "desprezo" com que o o dito Presidente trata
aqueles que tiveram a coragem de apresentar ideias e projecto na Assembleia
Municipal, referindo-se quase com desdém, e até me trocando o nome (será que já
não me conhece? Mas olhe que há 10 anos conhecia-me bem!), e não reconhecendo
valor para ali ser apresentado em pé igualdade com tantas "fantasias"
que ali levou. Um Projecto que traria ao concelho cerca de mais 100 habitantes,
criaria 20 ou 30 postos de trabalho, seria uma solução para as famílias que ainda ali vivem (integrando-as), dinamizaria toda a área, teria certamente financiamento de fundos
comunitários, mas seria sobretudo financiado com fundos privados.
Porque
não o apresentei lá? Porque acho que a falta de respeito já chega, e os
"palhacinhos" começam a ficar fartos do CIRCO!
Grande
Pedro. Obrigado pela coragem.
quinta-feira, 16 de abril de 2015
Cidadania em democracia (2)
Ultimamente
tenho assistido a algumas das Reuniões de Câmara Marvão (púbicas), que se
realizam nas 1ª e 3ª segunda-feira de cada mês, pelas 10 horas, no Salão Nobre
da Instituição.
Aqui deixo o extracto
da última Acta publicada , no sítio do município de Marvão
(Reunião de 4/3/2015), no que diz respeito à
minha participação no período dedicado às intervenções do público. Esta
intervenção, teve como fundamento, uma intervenção do Vereador da Oposição Nuno
Pires em que apelava ao executivo a utilização de princípios de “transparência e democracia”, e em que
citei alguns dados sobre as adjudicações de “Bens e Serviços” pelo município de Marvão, que me parece não se enquadrarem nesses princípios:
Existiu resposta
a esta minha intervenção, nomeadamente por parte do Sr. Presidente da Câmara de
Marvão, mas a mesma não foi posta na Acta. Porquê? Talvez não convenha a alguém...
Ilustro ainda esta intervenção com alguns dados que recolhi, já aqui tratados. O Gráfico e Quadro são de minha autoria.
terça-feira, 14 de abril de 2015
O mundo dos outros...
Muito bom, e pode aplicar-se noutros palcos. Uma boa lição de estratégia politica, só falta saber se o Sérgio Correia terá razão!
por Sérgio de Almeida Correia
Meu caro Professor Marcelo Rebelo de Sousa,
Lamento desiludi-lo, mas V. Exa., apesar de todo o seu virtuosismo, não está com sorte nenhuma. Deixe lá, essas coisas acontecem a qualquer um. Para a Académica o fim-de-semana também não correu de feição. Há noites assim e para essas temos a certeza de que o tempo, como dizia o outro, não volta para trás, pelo que agora importa, futebolisticamente falando, "corrigir os erros e levantar a cabeça".
Todos nós compreendemos que quem - não me interprete mal mas é o que me parece das suas aparições televisivas analisadas à distância -, condiciona a decisão política aos jogos de interesses clientelares, dando dela a ideia de que tudo não passa de um negócio de bastidores, rumores, boatos e meias-verdades ao sabor das conveniências e das agendas pessoais e televisivas, tenha dificuldade em definir-se e em assumir os riscos inerentes à política sem receio de fracassar.
Se o meu caro Professor quer ser Presidente da República, e é legítimo que o seja num momento tão difícil como aquele que Portugal atravessa, então avance já, não perca tempo, apresente-se aos seus concidadãos. Poderá fazê-lo em directo, na TVI, sem gastar um chavo, com garantia de audiências e o monopólio das manchetes de segunda-feira. Depois seria só cavalgar a onda. Quem nada no Tejo e nas águas do Guincho pode cavalgar qualquer Nazaré. Não espere pela definição e estabilização da galeria dos condenados. Deixe isso para os fracos e os sacristães. Essa seria a sua forma de marcar a agenda e condicionar eficazmente as escolhas de Passos Coelho.
O PSD ficaria refém do seu anúncio e o Professor garantiria de imediato o apoio do seu partido. Não se acanhe. O Professor Sampaio da Nóvoa ficaria apavorado ante a perspectiva de um debate com V. Exa., com a Judite de Sousa e o Rodrigues dos Santos a moderá-lo, e eu com receio do que lhe pudesse acontecer. Quanto ao apoio do CDS-PP e de Paulo Portas, como sabe, com mais ou menos amuo, isso seria sempre negociável. Em política quase tudo é negociável: sobreiros, submarinos, vistos "gold", sondagens, computadores "Magalhães", "PPP's", barcos que metem água, comissões de inquérito, as contribuições do Jacinto Leite Capelo Rego, enfim, tudo menos a vichyssoise. Até aí compreendemos todos. Aliás, não há quem não compreenda que seja mais fácil percorrer os caminhos florentinos ao crepúsculo do que entrar e sair da corte quando o Sol está a pique.
É claro que se não quer ser candidato, nem está disposto a avançar, deverá dizê-lo desde já. Não lhe ficaria bem andar a alimentar amores impossíveis domingo após domingo. Nenhuma dona de casa gosta disso. Um homem tem de se definir ou então que desampare a loja. Para empata já chega o inquilino de Belém. Não deixe que neste aviário em que se tornou a apresentação de candidaturas presidenciais qualquer avestruz se predisponha a chocar os ovos alheios. E deixe-me dizer-lhe que frangos e pintos para andarem a correr de um lado para outro e a conspurcar a capoeira já temos os suficientes para esta fase. Está na hora de aparecerem os galos. O Professor tem um porte e uma crista suficientemente vistosos para não se perderem nos "entretantos" daquelas entediantes conversas de salão com as tias e os tios de Cascais que só percebem de canasta e gamão.
Certamente que lhe daria imenso jeito, como ao PSD, e talvez mais a este, ter como rival numa eventual candidatura presidencial o Professor Sampaio da Nóvoa. Tudo isso nós percebemos. O que ninguém entende é que queira fazer do homem um Fernando Nobre, coisa que ele nunca será, e do PS, com o devido respeito, o partido dos animais. Isso os portugueses nunca lhe perdoariam e poderiam zangar-se com quem teve a ideia. Como também ninguém entende a sua pressa em querer que o PS defina um candidato e o apoie sem que os candidatos se definam primeiro e o PSD diga qual a sua estratégia presidencial e qual o mole que vai apoiar.
A sua tentativa de condicionar as escolhas, que foi o que ontem quis fazer sob a capa do comentador independente, não passará disso mesmo. Uma tentativa para depois ver as reacções. Só que as presidenciais não são orais de Constitucional em que a rapaziada bronzeada se põe a atirar bolas para canto. O PS não precisa de apoiar o Professor Sampaio da Nóvoa. Não se iluda. Ao PS basta um, um único candidato, e não precisa de alternativa ao Professor Sampaio da Nóvoa porque este não é candidato [oxalá não me engane]. É uma lebre.
Porque é evidente que o meu caro Professor está farto de saber que jamais se apresentará contra um Guilherme d´Oliveira Martins. Por amizade, eu sei. Mas também porque ser cilindrado, sejamos realistas, por um homem tão discreto não seria bonito de se ver. O Professor Marcelo sabe bem, porque é um homem culto e inteligente, que a discrição é sempre mais eficaz do que o brilho dos holofotes. O brilho é transitório, apaga-se com o tempo. A discrição faz parte do carácter. É fiável. E é isto que os portugueses esperam do seu próximo Presidente da República. Fiabilidade. O Professor Marcelo sabe muito bem que, tal como na amizade, no amor ou na vida só há duas coisas que contam: a fiabilidade e a seriedade. Na política não é diferente. E também sabe que só será vencedor das presidenciais quem for fiável. Chega de feira. Pessoalmente, não tenho dúvidas de que entre dois homens (ou mulheres) igualmente sérios os portugueses escolherão quem lhes dê mais garantias. Quem seja mais fiável. E é aí que a porca torce o rabo para o seu lado.
Os portugueses já perceberam quem quem canta em qualquer palco, a qualquer hora, desde que tenha um microfone e uma câmara, sendo-lhe indiferente se o faz na TVI, na Madeira, na Universidade de Verão ou em Quarteira, por muito simpático, bem-disposto e sério que seja, não é fiável. As verdadeiras estrelas, tal como um Presidente da República que se preze, não podem estar em todo o lado ao mesmo tempo, não podem andar aos saltinhos a dar palpites e a mandar recados. Porque se desgastam. E o meu caro Professor Marcelo sabe isso tão bem quanto eu. O Professor Marcelo não é o dr. Marques Mendes para lhe andar a disputar audiências. Eu não queria estar a dizer-lhe isto, eu não sou ninguém. Eu emigrei. E habituado como estou a apreciá-lo e a vê-lo brilhar em qualquer palco desde os tempos de antanho, nunca esperei que se espalhasse ao comprido de forma tão confrangedora.
Peço-lhe desculpa, não me contive, tinha de lhe dizer isto. Às vezes temos de fazer de Lopetegui para não fazermos de trolhas.
Com estima e elevada consideração, subscreve-se um admirador desiludido.
segunda-feira, 13 de abril de 2015
terça-feira, 31 de março de 2015
O mundo dos outros...
Mais um texto fabuloso do Pedro Correia, que não posso deixar de partilhar. São reflexões
como estas que ainda nos fazem acreditar que existe alguma lucidez no mundo.
O "rosto humano" dos homicidas
por Pedro
Correia
"Nunca cessarei de me espantar com o reduzido valor da vida humana na moeda corrente do tráfego noticioso. Um indivíduo comete um crime horroroso, arrastando com premeditação para a morte centena e meia de inocentes a bordo de um avião como se fossem reses a caminho do açougue. E logo de todo o lado despontam peças amáveis, que o tratam familiarmente pelo nome próprio, atribuem o massacre de que foi responsável aos efeitos de uma arreliadora "depressão", difundem incessantemente fotografias do pacato e risonho rapaz que seria antes de se ter "descontrolado" e divulgam testemunhos abonatórios acerca da personalidade do visado, assegurando ao mundo que se tratava de uma pessoa tranquila, um rapaz "competente e sonhador".
E - cherchez la femme - jamais esquecem de mencionar, vezes sem conta, que o sujeito se viu abandonado pela namorada. Sugerindo assim ao leitor ou espectador incauto que a responsabilidade suprema do massacre não terá sido do assassino mas da rapariga que recusou prolongar o namoro. Nestes momentos surge sempre um psicólogo a mencionar a condição depressiva como "causa" do "acidente" (benigno vocábulo utilizado em profusão) e talvez nem falte até um sociólogo de pacotilha a mencionar o indivíduo como "vítima" de uma sociedade injusta ou do sistema capitalista, que "é por natureza repressor".
Já lemos e ouvimos de tudo nesta sociedade-espectáculo que cultiva a emoção em sessões contínuas mas segmentadas em capítulos sucintos e precários. Por isso a indignação de muito boa gente tem prazos de validade cada vez mais curtos e é dirigida a alvos móveis, que variam consoante a tendência do momento.
Neste caso, por exemplo, a primeira vaga de estridência nas redes sociais dirigiu-se contra a idade avançada da aeronave da Germanwings, uma companhia aérea de baixo custo integrada no grupo Lufthansa. Sem investigação, sem aprofundamento dos factos, sem nada comprovado: bastou alguém acender um rastilho para logo milhares de almas ferverem de fúria contra a companhia aérea que se permitia utilizar aparelhos tão "antigos". Na escala de valores contemporâneos, como sabemos, ser novo é sinónimo de ser bom.
O problema é que não se tratou de um "acidente", não foi um azar, não foi um capricho divino. Foi um homicídio premeditado pelo tal jovem sorridente e desportivo cujas imagens nos invadem o domicílio à hora dos telediários. Com o nome impresso por toda a parte, irresistível tentação para outros psicopatas que anseiam por minutos de fama à custa do sangue alheio.
Em vez uma bomba ou uma AK-47, o tal tipo amável optou antes por um Airbus 320 como instrumento do massacre. “Descontrolou-se”, repete alguém. Como já sucedera com aquele assassino norueguês, um monstro de sorriso gélido que em 2011 matou a sangue-frio 77 adolescentes num acampamento de Verão.
Também ele contou com a benevolência de psiquiatras que logo o consideraram “inimputável” – como se o mal não estivesse inscrito desde os confins dos tempos na condição humana. Também ele teve o nome e o rosto impressos por toda a parte.
Um e outro, celebridades instantâneas à escala planetária. Neste mesmo mundo em que tantos benfeitores permanecem anónimos e jamais serão procurados para notícia de telejornal."
segunda-feira, 30 de março de 2015
O mundo dos outros....
A primeira derrota de Costa
por Pedro Correia
António Costa decidiu derrubar António José Seguro, sem deixar o então secretário-geral do partido submeter-se ao teste das eleições legislativas após três anos em funções no Largo do Rato, com um argumento derivado do mais puro achismo lusitano: achava-se em melhores condições de protagonizar o ciclo político pós-Passos Coelho.
Isto sucedeu, note-se, no rescaldo imediato das eleições europeias de 2014, em Portugal ganhas pelo PS. Esse foi o terceiro triunfo de Seguro em três anos: antes, com ele à frente do partido, os socialistas tinham vencido as eleições regionais dos Açores e as autárquicas.
Costa achou "poucochinho" o triunfo nas europeias - que constituíram um descalabro generalizado para a família socialista no Velho Continente ao qual o PS português foi dos raros partidos que escapou - e, estribado na tropa de choque de José Sócrates, garantiu aos militantes que faria melhor do que os 38% das intenções de voto atribuídas a Seguro pelas sondagens à época.
Quase um ano depois, afinal, o PS permanece como estava: Costa não ganhou um milímetro nas pesquisas de opinião para o partido, que acaba de averbar uma estrondosa derrota nas eleições regionais da Madeira. Apesar de prometerem ser as mais propícias de sempre para a oposição socialista pois marcavam o fim do longo consulado jardinista.
Com um péssimo candidato a encabeçar a lista regional, uma desastrosa política de alianças que privilegiou o patusco Coelho - o Beppe Grillo funchalense - e o Partido dos Animais, e sem a menor capacidade de aglutinar a esquerda local, mais dividida que nunca, o PS acaba de ser remetido para mais quatro anos de oposição no arquipélago, assistindo impotente à revalidação da maioria absoluta do PSD, desta vez comandado por Miguel Albuquerque. E sem ter sido sequer capaz de ultrapassar o CDS como segunda força política regional.
Pior ainda: os socialistas recuam em relação ao anterior escrutínio, ocorrido em 2011, não só em número de votos e percentagem, mas também em lugares no Parlamento regional. Há quatro anos elegeram seis deputados (em 47), agora têm os mesmos, mas como concorreram em coligação com três partidos, um desses assentos caberá ao patusco Coelho, que se apressou a descolar do PS, esgotado o prazo de validade enquanto barriga de aluguer.
António Costa participou na campanha eleitoral da Madeira, apoiou o candidato fracassado, envolveu-se. E perdeu.
Estivesse ainda Seguro ao leme do PS nacional, acossado por um batalhão de bitaiteiros televisivos dispostos a "fazer-lhe a folha", e não faltaria o coro das carpideiras a bramar contra a "frouxa" liderança no Largo do Rato.
Como Seguro já não está, resta o silêncio.
domingo, 29 de março de 2015
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