segunda-feira, 20 de abril de 2015

Bairro do Porto Roque: Sessão Pública (2)


Aquilo que Vítor Frutuoso não quer ouvir! Por isso só fala, fala e fala...


(Texto da autoria de Fernando Bonito, em complemento ao texto de Pedro Sobreiro, publicado aqui)

“Complemento ao descrito pelo Pedro, por quem “aguentou” quase até ao fim.

Em 2005 fui eleito para a Assembleia Municipal de Marvão, como independente, nas listas do PSD, de Vítor Frutuoso (VF). Defendi, sempre caso a caso, o que considerava melhor para o concelho, fosse de acordo ou contra a governação então vigente. Dei ideias e defendi afincadamente projectos, com por exemplo o Ninho de Empresas, que aquele, muito bem, veio posteriormente a concretizar.

Em 2009, apesar do convite que me foi endereçado, decidi não continuar devido a várias razões. As principais foram: 

1 - VF ser um homem diametralmente diferente entre “o antes” e “o após” o dia das eleições (o indivíduo ponderado, cordato, humilde e democrata, transformou-se no “ditadorzinho” que conhecemos); 

2- ao contrário do antes acordado (e publicitado), o executivo, liderado por VF, nunca funcionou como equipa (naquele caso com Pedro Sobreiro), tal como, aliás, continua a não funcionar actualmente (agora com José Manuel Pires). Mas existiram outras razões, entre as quais o facto de não aguentar mais as longas, desorganizadas, maçadoras e inconsequentes dissertações de VF na Assembleia Municipal.

Ontem, seis anos depois, após aquilo que considero uma acertada decisão da câmara (a aquisição do “Porto de Roque”) e face ao interesse que a mesma em mim despertou, “arrisquei” estar presente numa sessão, supostamente de debate participativo, “organizada” por VF.

E eis que aconteceu o descrito pelo Pedro! 

Nada evoluiu em 10 anos. Numa sessão em que supostamente se pretendia ouvir a população sobre o fim a dar a este local, foram convocados um número descabido de oradores e, pior, após chegar atrasado (como é seu apanágio), VF monopolizou completamente a sessão. Das três horas e tal em que estive presente falou, muito provavelmente, durante metade do tempo.

E quando, finalmente, chegou o tempo de dar a palavra à plateia, momento em que metade dos inicialmente presentes já, tal como o Pedro, tinham desistido de cansaço (até alguns com propostas para apresentar), VF respondia a todos os intervenientes, falando sempre mais tempo que eles, com dissertações obtusas e sem nexo

Por exemplo, quando alguém propôs a instalação de um centro de interpretação, defendeu que não era viável, dando como exemplo o pouco visitado Centro de Interpretação da Batalha de Atoleiros, em Fronteira… como se fosse comparável o afluxo de visitantes a Fronteira e a Marvão !?

Momento muito confrangedor foi também apresentação do “Vereador” espanhol (que deveria ser um dos mais acarinhados), com a desorganizada coadjuvação de VF.

VF fez de moderador quando precisava de alguém que o moderasse!

Nesta sessão, a grande preocupação de VF foi, apenas e só, a de fazer “campanha”, ora descrevendo aquilo que já fez, ora confortando os populares (votantes) presentes, rendeiros das casas do Porto de Roque, a quem chegou a dizer que, não obstante poder ser contra a lei (!?), ficassem descansadas que as casas seriam preferencialmente para eles… (eu se fosse rendeiro ficava desconfiado!).

Enfim, Pedro, do que muito bem descreveste, só não concordo com a opinião sobre a intervenção do Professor Jorge Oliveira. Além de uma intervenção rápida, estruturada e muito eloquente, o Professor foi dos poucos que fez uma proposta concreta e bem enquadrada, naquela sessão.

Uma nota final: concordo com o descrito sobre a intervenção do Tiago. Também foi rápida e estruturada, vendendo bem o “seu peixe”, isto é, a sua oferta, a qual também considerei interessante. Contudo (não por responsabilidade do Tiago) a mesma estava ali desenquadrada, pois é uma solução que pode eventualmente ser aplicada a qualquer finalidade que se encontre para aquele local. 

E essa escolha era, exactamente (e só), a questão!! 

“No fundo, pareceu-me que entre eco villages e bio energias, as soluções, já estarão mais ou menos alinhavadas…”

domingo, 19 de abril de 2015

Bairro do Porto Roque: Sessão Pública (1)


(Texto retirado da página do facebook de Pedro Sobreiro)

“Intróito: Não faço isto para que metam gostos (que podem sair caro, atenção! porque quem não está com o regime, tem de estar na facção inimiga. Sabem como é...) e se tiverem de criticar o que aqui escrevo, que o façam abertamente, sem medos, olhos nos olhos, à homem.

Eu sou de Marvão, eu gosto de Marvão, eu preocupo-me com Marvão e por isso, quando vi num cartaz que iria haver uma sessão pública de debate participativo organizado pelo Município de Marvão sobre que futuro haveria de ter o bairro da fronteira de Porto Roque, a acontecer na antiga instalação da alfândega, pensei logo que iria estar presente e se assim o pensei, melhor o fiz.

À hora certa lá estava eu, como se tivesse esquecido (já larguei estas lides autárquicas há 6 anos) como em Portugal (não) se respeitam os horários. Com os tais 20/25 minutos de atraso, lá começou a sessão com uma intervenção do presidente da câmara. Pelo tom, pelo ritmo e pela abrangência recordei os tempos passados e senti-me feliz por ter de por minha única e espontânea vontade ter fechado a porta. Eu sei que sou o desalinhado, um crítico por natureza mas os erros ali foram tantos para quem estava com o sentido de sair dali mais esclarecido que seria algo notável se assim acontecesse.

Desconhecia os intervenientes e não só não tinham uma placa identificativa na mesa como tampouco se deram ao trabalho de dizer quem eram, como se nós tivéssemos a obrigação de o saber. Seguiu-se Roberto Grilo, vice-presidente da CCDR Alentejo que disse sim, que pode haver dinheiro mas que temos de ser nós (câmara/munícipes) a decidir e por isso é que estas sessões fazem falta

Tempo para uma abordagem histórica do local que servia de introdução ao debate e enquanto ouvia o Prof. Jorge Oliveira, que certamente é uma sumidade em tudo o que diz, não conseguia parar de me perguntar por que motivo num debate que certamente seria longo para todos os intervenientes (público incluído) numa sala tão grande e fria, não se começou pelo que realmente interessava e nos tinha levado ali a todos. Fiquei feliz foi por não ter decidido ler as 15 páginas que, disse ter escrito, sobre o assunto. É que… não foi bem a história que nos levou ali, mas sim o que fazer no futuro ao sítio.

Tive que me ausentar por motivos pessoais por uns breves 20 minutos e quando regressei, pareceu-me que não tinha perdido grande coisa.

Vi o Tiago Gaio, Director da Areana Tejo dar uma pequena palestra profícua e concreta sobre o objectivo de conseguir aplicar ali um conceito de eco village tenho em vista o respeito pelo meio ambiente e pelo desenvolvimento sustentável. Apanhei ainda o consejal de Valência de Alcântara que estava em representação do município e do seu presidente, e apesar de parecer simpático e bem-intencionado, não conseguiu esquecer o novo que é. Seguiu-se outro senhor já mais rodado, com outro traquejo e abertura mas que se limitou a apresentar powerpoints!

Reparei então que a tarde ia longa, o meu Benfica estava prestes a entrar em campo e na vida há que definir prioridades.

Saí como entrei. Sem nada saber, ter ouvido ou discutido sobre o assunto que me levou ali. Sem timings, sem direcções certas, sem grandes linhas mestras.

Sei que quem certamente saiu dali vitorioso foi o autarca que teve a iniciativa, quanto mais não fosse porque discutiu o futuro e segundo ele, certamente pensará que envolveu a população (que me surpreendeu até a mim por ser tanta) a tomar uma decisão, que sabemos nós, não foi decisão alguma.

O Benfica venceu por 2- 0. Menos mal.”


Mais ou menos, assino por baixo. Pelo meio, quando tu saíste da sala, ainda houve umas aulas sobre técnicas de reabilitação urbana (mas não daquele sítio), e algo sobre a "história da engenharia", nada de concreto meu caro. Felicito o Pedro por esta análise crítica, mas muito lúcida (e tu é que bateste com a cabeça na pedra).

Museu histórico de Fronteiras? Centro interpretativo de ciência viva? Centro de estágio para artistas? E de onde viria o dinheiro? E como se sustentaria? Será que este povo ainda não percebeu que está na miséria e na banca rota, e o que é preciso é pensar trabalho produtivo e não apenas em distribuições e diversão?  

Tenho ainda de acrescentar o "desprezo" com que o o dito Presidente trata aqueles que tiveram a coragem de apresentar ideias e projecto na Assembleia Municipal, referindo-se quase com desdém, e até me trocando o nome (será que já não me conhece? Mas olhe que há 10 anos conhecia-me bem!), e não reconhecendo valor para ali ser apresentado em pé igualdade com tantas "fantasias" que ali levou. Um Projecto que traria ao concelho cerca de mais 100 habitantes, criaria 20 ou 30 postos de trabalho, seria uma solução para as famílias que ainda ali vivem (integrando-as), dinamizaria toda a área, teria certamente financiamento de fundos comunitários, mas seria sobretudo financiado com fundos privados.

Porque não o apresentei lá? Porque acho que a falta de respeito já chega, e os "palhacinhos" começam a ficar fartos do CIRCO!

Grande Pedro. Obrigado pela coragem.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Cidadania em democracia (2)


Ultimamente tenho assistido a algumas das Reuniões de Câmara Marvão (púbicas), que se realizam nas 1ª e 3ª segunda-feira de cada mês, pelas 10 horas, no Salão Nobre da Instituição.

Aqui deixo o extracto da última Acta publicada , no sítio do município de Marvão
(Reunião de 4/3/2015), no que diz respeito à minha participação no período dedicado às intervenções do público. Esta intervenção, teve como fundamento, uma intervenção do Vereador da Oposição Nuno Pires em que apelava ao executivo a utilização de princípios de “transparência e democracia”, e em que citei alguns dados sobre as adjudicações de “Bens e Serviços” pelo município de Marvão, que me parece não se enquadrarem nesses princípios:




Existiu resposta a esta minha intervenção, nomeadamente por parte do Sr. Presidente da Câmara de Marvão, mas a mesma não foi posta na Acta. Porquê? Talvez não convenha a alguém...

Ilustro ainda esta intervenção com alguns dados que recolhi, já aqui tratados. O Gráfico e Quadro são de minha autoria. 






terça-feira, 14 de abril de 2015

O mundo dos outros...


Muito bom, e pode aplicar-se noutros palcos. Uma boa lição de estratégia politica, só falta saber se o Sérgio Correia terá razão!


por Sérgio de Almeida Correia

Meu caro Professor Marcelo Rebelo de Sousa,

Lamento desiludi-lo, mas V. Exa., apesar de todo o seu virtuosismo, não está com sorte nenhuma. Deixe lá, essas coisas acontecem a qualquer um. Para a Académica o fim-de-semana também não correu de feição. Há noites assim e para essas temos a certeza de que o tempo, como dizia o outro, não volta para trás, pelo que agora importa, futebolisticamente falando, "corrigir os erros e levantar a cabeça".

Todos nós compreendemos que quem - não me interprete mal mas é o que me parece das suas aparições televisivas analisadas à distância -, condiciona a decisão política aos jogos de interesses clientelares, dando dela a ideia de que tudo não passa de um negócio de bastidores, rumores, boatos e meias-verdades ao sabor das conveniências e das agendas pessoais e televisivas, tenha dificuldade em definir-se e em assumir os riscos inerentes à política sem receio de fracassar.

Se o meu caro Professor quer ser Presidente da República, e é legítimo que o seja num momento tão difícil como aquele que Portugal atravessa, então avance já, não perca tempo, apresente-se aos seus concidadãos. Poderá fazê-lo em directo, na TVI, sem gastar um chavo, com garantia de audiências e o monopólio das manchetes de segunda-feira. Depois seria só cavalgar a onda. Quem nada no Tejo e nas águas do Guincho pode cavalgar qualquer Nazaré. Não espere pela definição e estabilização da galeria dos condenados. Deixe isso para os fracos e os sacristães. Essa seria a sua forma de marcar a agenda e condicionar eficazmente as escolhas de Passos Coelho. 

O PSD ficaria refém do seu anúncio e o Professor garantiria de imediato o apoio do seu partido. Não se acanhe. O Professor Sampaio da Nóvoa ficaria apavorado ante a perspectiva de um debate com V. Exa., com a Judite de Sousa e o Rodrigues dos Santos a moderá-lo, e eu com receio do que lhe pudesse acontecer. Quanto ao apoio do CDS-PP e de Paulo Portas, como sabe, com mais ou menos amuo, isso seria sempre negociável. Em política quase tudo é negociável: sobreiros, submarinos, vistos "gold", sondagens, computadores "Magalhães", "PPP's", barcos que metem água, comissões de inquérito, as contribuições do Jacinto Leite Capelo Rego, enfim, tudo menos a vichyssoise. Até aí compreendemos todos. Aliás, não há quem não compreenda que seja mais fácil percorrer os caminhos florentinos ao crepúsculo do que entrar e sair da corte quando o Sol está a pique.  

É claro que se não quer ser candidato, nem está disposto a avançar, deverá dizê-lo desde já. Não lhe ficaria bem andar a alimentar amores impossíveis domingo após domingo. Nenhuma dona de casa gosta disso. Um homem tem de se definir ou então que desampare a loja. Para empata já chega o inquilino de Belém. Não deixe que neste aviário em que se tornou a apresentação de candidaturas presidenciais qualquer avestruz se predisponha a chocar os ovos alheios. E deixe-me dizer-lhe que frangos e pintos para andarem a correr de um lado para outro e a conspurcar a capoeira já temos os suficientes para esta fase. Está na hora de aparecerem os galos. O Professor tem um porte e uma crista suficientemente vistosos para não se perderem nos "entretantos" daquelas entediantes conversas de salão com as tias e os tios de Cascais que só percebem de canasta e gamão.

Certamente que lhe daria imenso jeito, como ao PSD, e talvez mais a este, ter como rival numa eventual candidatura presidencial o Professor Sampaio da Nóvoa. Tudo isso nós percebemos. O que ninguém entende é que queira fazer do homem um Fernando Nobre, coisa que ele nunca será, e do PS, com o devido respeito, o partido dos animais. Isso os portugueses nunca lhe perdoariam e poderiam zangar-se com quem teve a ideia. Como também ninguém entende a sua pressa em querer que o PS defina um candidato e o apoie sem que os candidatos se definam primeiro e o PSD diga qual a sua estratégia presidencial e qual o mole que vai apoiar. 

A sua tentativa de condicionar as escolhas, que foi o que ontem quis fazer sob a capa do comentador independente, não passará disso mesmo. Uma tentativa para depois ver as reacções. Só que as presidenciais não são orais de Constitucional em que a rapaziada bronzeada se põe a atirar bolas para canto. O PS não precisa de apoiar o Professor Sampaio da Nóvoa. Não se iluda. Ao PS basta um, um único candidato, e não precisa de alternativa ao Professor Sampaio da Nóvoa porque este não é candidato [oxalá não me engane]. É uma lebre.

Porque é evidente que o meu caro Professor está farto de saber que jamais se apresentará contra um Guilherme d´Oliveira Martins. Por amizade, eu sei. Mas também porque ser cilindrado, sejamos realistas, por um homem tão discreto não seria bonito de se ver. O Professor Marcelo sabe bem, porque é um homem culto e inteligente, que a discrição é sempre mais eficaz do que o brilho dos holofotes. O brilho é transitório, apaga-se com o tempo. A discrição faz parte do carácter. É fiável. E é isto que os portugueses esperam do seu próximo Presidente da República. Fiabilidade. O Professor Marcelo sabe muito bem que, tal como na amizade, no amor ou na vida só há duas coisas que contam: a fiabilidade e a seriedade. Na política não é diferente. E também sabe que só será vencedor das presidenciais quem for fiável. Chega de feira. Pessoalmente, não tenho dúvidas de que entre dois homens (ou mulheres) igualmente sérios os portugueses escolherão quem lhes dê mais garantias. Quem seja mais fiável. E é aí que a porca torce o rabo para o seu lado.

Os portugueses já perceberam quem quem canta em qualquer palco, a qualquer hora, desde que tenha um microfone e uma câmara, sendo-lhe indiferente se o faz na TVI, na Madeira, na Universidade de Verão ou em Quarteira,  por muito simpático, bem-disposto e sério que seja, não é fiável. As verdadeiras estrelas, tal como um Presidente da República que se preze, não podem estar em todo o lado ao mesmo tempo, não podem andar aos saltinhos a dar palpites e a mandar recados. Porque se desgastam. E o meu caro Professor Marcelo sabe isso tão bem quanto eu. O Professor Marcelo não é o dr. Marques Mendes para lhe andar a disputar audiências. Eu não queria estar a dizer-lhe isto, eu não sou ninguém. Eu emigrei. E habituado como estou a apreciá-lo e a vê-lo brilhar em qualquer palco desde os tempos de antanho, nunca esperei que se espalhasse ao comprido de forma tão confrangedora.

Peço-lhe desculpa,  não me contive, tinha de lhe dizer isto. Às vezes temos de fazer de Lopetegui para não fazermos de trolhas. 

Com estima e elevada consideração, subscreve-se um admirador desiludido.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Perguntar não ofende! Ou será que ofende?


Com tantos peritos será que existe espaço para os marvanenses discutirem o assunto?




terça-feira, 31 de março de 2015

O mundo dos outros...

Mais um texto fabuloso do Pedro Correia, que não posso deixar de partilhar. São reflexões como estas que ainda nos fazem acreditar que existe alguma lucidez no mundo.

O "rosto humano" dos homicidas

por Pedro Correia




"Nunca cessarei de me espantar com o reduzido valor da vida humana na moeda corrente do tráfego noticioso. Um indivíduo comete um crime horroroso, arrastando com premeditação para a morte centena e meia de inocentes a bordo de um avião como se fossem reses a caminho do açougue. E logo de todo o lado despontam peças amáveis, que o tratam familiarmente pelo nome próprio, atribuem o massacre de que foi responsável aos efeitos de uma arreliadora "depressão", difundem incessantemente fotografias do pacato e risonho rapaz que seria antes de se ter "descontrolado" e divulgam testemunhos abonatórios acerca da personalidade do visado, assegurando ao mundo que se tratava de uma pessoa tranquila, um rapaz "competente e sonhador".

E - cherchez la femme - jamais esquecem de mencionar, vezes sem conta, que o sujeito se viu abandonado pela namorada. Sugerindo assim ao leitor ou espectador incauto que a responsabilidade suprema do massacre não terá sido do assassino mas da rapariga que recusou prolongar o namoro. Nestes momentos surge sempre um psicólogo a mencionar a condição depressiva como "causa" do "acidente" (benigno vocábulo utilizado em profusão) e talvez nem falte até um sociólogo de pacotilha a mencionar o indivíduo como "vítima" de uma sociedade injusta ou do sistema capitalista, que "é por natureza repressor".

Já lemos e ouvimos de tudo nesta sociedade-espectáculo que cultiva a emoção em sessões contínuas mas segmentadas em capítulos sucintos e precários. Por isso a indignação de muito boa gente tem prazos de validade cada vez mais curtos e é dirigida a alvos móveis, que variam consoante a tendência do momento.
Neste caso, por exemplo, a primeira vaga de estridência nas redes sociais dirigiu-se contra a idade avançada da aeronave da Germanwings, uma companhia aérea de baixo custo integrada no grupo Lufthansa. Sem investigação, sem aprofundamento dos factos, sem nada comprovado: bastou alguém acender um rastilho para logo milhares de almas ferverem de fúria contra a companhia aérea que se permitia utilizar aparelhos tão "antigos". Na escala de valores contemporâneos, como sabemos, ser novo é sinónimo de ser bom.

O problema é que não se tratou de um "acidente", não foi um azar, não foi um capricho divino. Foi um homicídio premeditado pelo tal jovem sorridente e desportivo cujas imagens nos invadem o domicílio à hora dos telediários. Com o nome impresso por toda a parte, irresistível tentação para outros psicopatas que anseiam por minutos de fama à custa do sangue alheio.
Em vez uma bomba ou uma AK-47, o tal tipo amável optou antes por um Airbus 320 como instrumento do massacre. “Descontrolou-se”, repete alguém. Como já sucedera com aquele assassino norueguês, um monstro de sorriso gélido que em 2011 matou a sangue-frio 77 adolescentes num acampamento de Verão.
Também ele contou com a benevolência de psiquiatras que logo o consideraram “inimputável” – como se o mal não estivesse inscrito desde os confins dos tempos na condição humana. Também ele teve o nome e o rosto impressos por toda a parte.

Um e outro, celebridades instantâneas à escala planetária. Neste mesmo mundo em que tantos benfeitores permanecem anónimos e jamais serão procurados para notícia de telejornal."

segunda-feira, 30 de março de 2015

O mundo dos outros....

A primeira derrota de Costa

por Pedro Correia

António Costa decidiu derrubar António José Seguro, sem deixar o então secretário-geral do partido submeter-se ao teste das eleições legislativas após três anos em funções no Largo do Rato, com um argumento derivado do mais puro achismo lusitano: achava-se em melhores condições de protagonizar o ciclo político pós-Passos Coelho.

Isto sucedeu, note-se, no rescaldo imediato das eleições europeias de 2014, em Portugal ganhas pelo PS. Esse foi o terceiro triunfo de Seguro em três anos: antes, com ele à frente do partido, os socialistas tinham vencido as eleições regionais dos Açores e as autárquicas.

Costa achou "poucochinho" o triunfo nas europeias - que constituíram um descalabro generalizado para a família socialista no Velho Continente ao qual o PS português foi dos raros partidos que escapou - e, estribado na tropa de choque de José Sócrates, garantiu aos militantes que faria melhor do que os 38% das intenções de voto atribuídas a Seguro pelas sondagens à época.

Quase um ano depois, afinal, o PS permanece como estava: Costa não ganhou um milímetro nas pesquisas de opinião para o partido, que acaba de averbar uma estrondosa derrota nas eleições regionais da Madeira. Apesar de prometerem ser as mais propícias de sempre para a oposição socialista pois marcavam o fim do longo consulado jardinista.

Com um péssimo candidato a encabeçar a lista regional, uma desastrosa política de alianças que privilegiou o patusco Coelho - o Beppe Grillo funchalense - e o Partido dos Animais, e sem a menor capacidade de aglutinar a esquerda local, mais dividida que nunca, o PS acaba de ser remetido para mais quatro anos de oposição no arquipélago, assistindo impotente à revalidação da maioria absoluta do PSD, desta vez comandado por Miguel Albuquerque. E sem ter sido sequer capaz de ultrapassar o CDS como segunda força política regional.

Pior ainda: os socialistas recuam em relação ao anterior escrutínio, ocorrido em 2011, não só em número de votos e percentagem, mas também em lugares no Parlamento regional. Há quatro anos elegeram seis deputados (em 47), agora têm os mesmos, mas como concorreram em coligação com três partidos, um desses assentos caberá ao patusco Coelho, que se apressou a descolar do PS, esgotado o prazo de validade enquanto barriga de aluguer.

António Costa participou na campanha eleitoral da Madeira, apoiou o candidato fracassado, envolveu-se. E perdeu.
Estivesse ainda Seguro ao leme do PS nacional, acossado por um batalhão de bitaiteiros televisivos dispostos a "fazer-lhe a folha", e não faltaria o coro das carpideiras a bramar contra a "frouxa" liderança no Largo do Rato.

Como Seguro já não está, resta o silêncio.

domingo, 29 de março de 2015

Novidades da música portuguesa...


Primeira amostra da "caixa negra", o resto vem a seguir...

sexta-feira, 20 de março de 2015

Seriedade e experiência, e, também simplicidade...


É difícil, nos tempos que correm, perceber o que nos rodeia, tal a quantidade de coisas com que somos bombardeados constantemente. Não há cérebro que aguente. Por isso, quando nos aparece qualquer coisa simples e objectiva, de clara compreensão, não podemos deixar de o enaltecer. É o que se passa com este artigo de Francisco Sarsfield Cabral, que para além de simples, é claro e objectivo:


"O nosso défice orçamental deve ficar este ano abaixo de 3%, como prevê o Governo, mas arrisca-se a exceder de novo essa meta entre 2016 e 2019. 

Este alerta vem de Teodora Cardoso, presidente do Conselho de Finanças Públicas. Economista independente e respeitada, nada próxima do se chama a “direita neoliberal”, Teodora Cardoso avisou que tal retrocesso acontecerá se o próximo governo seguir uma política orçamental irresponsável, mesmo que a economia cresça. 

Para reduzir o défice estrutural, que leva em conta a evolução da economia, será preciso não eliminar todas as medidas restritivas ainda em vigor e tomar novas medidas. O crescimento económico não chega para tudo. 

Passos Coelho tem-se mostrado cauteloso quanto a futuras benesses. António Costa fala o menos possível sobre o será a sua governação no caso de ganhar as próximas eleições e conseguir formar governo. 

Mas o pouco que A. Costa diz vai no sentido de diminuir receita fiscal e aumentar a despesa do Estado. É vital que o alerta de Teodora Cardoso seja levado a sério, em vez de predominar a demagogia eleitoralista." 

sábado, 14 de março de 2015

quinta-feira, 12 de março de 2015

Para que quero eu olhos... e ouvidos?


Para que quero eu olhos
Senhora Santa Luzia
Se eu não vejo o meu amor
Nem de noite nem de dia

Oh és tão linda, és tão formosa
Como a fresca rosa que no jardim vi
Oh dá-me um beijo
Pra matar o desejo, que sinto por ti...





segunda-feira, 9 de março de 2015

Porque te calas Costa?...


Uma análise de Carlos Guimarães Pinto aos casos políticos da última semana, retirada daqui, e que acaba por estar de acordo com o que escrevi no meu último Post. Em Portugal só não foge aos impostos quem não pode. É preciso mudar mentalidades para que, se todos pagarmos, os ditos possam baixar! Desde que tenhamos políticos sérios...



"Com excepção do último caso (onde a culpa também está mais longe de ser provada) todos aconteceram quando os intervenientes não tinham responsabilidades políticas, envolveram montantes baixos e, mesmo tendo havido intenção, correspondem a comportamentos normais na altura em que aconteceram. Por isso, é difícil perceber como é que qualquer destes casos pode justificar a desqualificação destas pessoas para o cargo de primeiro-ministro. Talvez seja boa altura para colocar a histeria de lado."


domingo, 8 de março de 2015

Ó Laura, no dia da mulher, diz ao Pedro que peça desculpa aos portugueses...


Na verdade e, em verdade vos digo, o tal cidadão imperfeito, Pedro Passos Coelho, desligado do poder e assoberbado por dilemas morais, dificuldades de conhecimento e cumprimento da lei, é uma ficção. Não existe. O que temos é alguém que, eleito para representar o povo, se marimbava para o cumprimento das regras que ele próprio discutiu e/ou aprovou.

Isto não é diferente do que se passa com a maior parte daqueles que elegemos da direita à esquerda, nesta democracia da treta. Veja-se o caso de todas as regras de privilégios sobre direitos dos Deputados e Regulamentos da Assembleia da República, que são sempre aprovados por unanimidade! Alguém se lembra de algum deputado do PCP ou Bloco a dizer que são uns cidadãos favorecidos, ou a rejeitar alguma mordomia?

O que Pedro Passos Coelho fez é lamentável para um cidadão com o seu percurso. Eticamente é deplorável. Passos deve um pedido de desculpas a todos os portugueses.

Mas também a maioria dos portugueses já entrou em prevaricações destas. O Estado é para explorar, tem sido a divisa. Podem argumentar que não são governantes, nem primeiro – ministro, mas todos somos cidadãos, e o “crime” de Passos Coelho é na área da ética e da cidadania.

Mas onde estão esses tais cidadãos perfeitos? Quem estiver limpinho (mas mesmo limpinho), que atire a primeira pedra...



quinta-feira, 5 de março de 2015

Pois: é....


... acaba a valentia de um homem, quando a mulher que ele ama, vai embora! É, tanta coisa muda nessa hora que, o mais valente dos homens chora.

Diz que faz e acontece, que não tem medo de nada! Levanta a voz, fala alto, maltrata a mulher amada.

E quando ela cisma e vai embora a montanha se desmancha, e o mais valente dos homens, chora como criança...



sábado, 28 de fevereiro de 2015

Cidadania em democracia...

(A minha intervenção de ontem na Assembleia Municipal de Marvão)

O exercício da democracia está muito para além do depositar do voto quando há eleições. Em democracia cada cidadão, cada munícipe, tem o dever de contribuir com as suas ideias e opiniões para a causa pública. Foi isso que eu procurei fazer ontem, respondendo ao desafio do Presidente da Câmara para que se apresentassem ideias sobre o espaço recentemente adquirido pelo município – O Bairro da Fronteira de Galegos, depois daqui já ter divulgado a minha opinião, dei-a ontem a conhecer aos eleitos do concelho de Marvão.

A partir de agora, pelo menos uma ideia para o aproveitamento daquele espaço nobre do concelho, existe. Assim apareçam outras, e se faça o tal debate que o Presidente da Câmara se comprometeu. Aqui fica a minha intervenção, apenas enquanto cidadão:


“Desde que se começou a falar da aquisição pela autarquia de Marvão do espaço do Bairro da Fronteira, há cerca de 10 anos, que começou a germinar em mim esta ideia. Infelizmente, devido ao meu afastamento da vida política activa no concelho, nunca tive oportunidade de a divulgar e discutir nos lugares próprios de decisão. Mas agora que a aquisição se fez, e antes que se enverede por fórmulas antigas, esgotadas, e sem futuro (Habitação Social, Ninhos de Empresas, Aldeias Turísticas, ou deixar como está), quero deixar aqui a minha ideia. Quem sabe, alguém ao lê-la lhe pegue, e lhe dê pernas para andar. Se tal não suceder, fica pelo menos a concepção de que existe sempre mais que uma solução para um problema, às vezes a roçar a utopia, mas como dizia o outro “o sonho comanda a vida...”.

É minha opinião que, a seguir ao espaço da povoação da Portagem, considero este espaço do Porto Roque, talvez, o mais nobre e valioso do concelho de Marvão. Agora que está na posse da esfera pública local, deveria ser alvo de uma reflexão e discussão alargada para a sua melhor utilização e rentabilização, antes de qualquer tomada de decisão. Essa discussão deveria abranger autarcas, forças políticas, peritos na matéria, e se possível com a inclusão dos nossos vizinhos do lado de lá da fronteira.

Tendo em conta estas premissas, a minha visão para este espaço poderia ser a da construção daquilo a que denomino de uma Aldeia Social/Lar Social – Um local residencial para alojamento de famílias ou indivíduos seniores (situação de pós aposentação), que em vez de irem para Lares institucionais tradicionais, encontrariam aqui um espaço para viverem em família e liberdade os seus últimos 20 ou 30 anos de vida. Aqui teriam os seus espaços individuais e desfrutariam da sua privacidade familiar, e simultaneamente teriam ajudas parciais ou totais em Actividades de Vida de que fossem dependentes, tais como: vigilância, conforto e higiene pessoais e de alojamento, alimentação, saúde, lazer, etc.

Este conceito não é novo, existe nos países nórdicos há mais de 30 anos, já que para além de dar as mesmas ajudas que os Lares de Institucionalização, permitem às pessoas a sua liberdade e privacidade individuais. São várias as vantagens desta modalidade, sobretudo na área da saúde, mas abrangendo todas as áreas do bem-estar e de um envelhecimento com qualidade de vida. Mas parece tardarem em Portugal (onde existem poucos exemplos), onde se prefere encaixotar os velhos em lares/fábricas, que não passam de locais tipo antecâmara da morte.

Ora este espaço, em minha opinião, tem todas as características para a instalação de um projecto desta natureza: local amplo, plano para uma fácil locomoção, ensolarado, sossegado, permite com facilidade a montagem de todas as infra-estruturas de apoio (cozinha, refeitório, ginásio, enfermaria, piscina, etc.); e permite ainda, uma parceria com a vizinha Espanha que ajudaria a rentabilizar o projecto. Aqui se poderiam construir 20 a 30 blocos habitacionais (novas construções), com 4 apartamentos cada (2 de rés-do-chão e 2 no primeiro andar), com 2 pessoas por apartamento, que daria um aldeamento para 100 a 120 pessoas (50 a 60 famílias).

Logicamente que isto seria um projecto para o concelho de Marvão, mas especialmente, tendo por universo alvo o distrito ou mesmo o país, e dirigido a pessoas e famílias com algumas posses económicas, pois os custos serão certamente superiores aos dos lares tradicionais. O ideal seria um projecto de cariz privado já que, dificilmente, se conseguiriam acordos para estas valências. Os custos mensais por pessoa seriam sempre superiores a 800 euros (digo eu sem um grande estudo da coisa). Mas poderiam existir outras modalidades de cariz vário: parceria público privada; parceria com instituição de solidariedade social (misericórdia, ou um dos lares do concelho); parceria com Inatel ou com Região de Turismo; e outras que eu não conheça.

Vantagens para o concelho e para a comunidade:

- Uma resposta inovadora na área do apoio social.

- Aumento da população do concelho em mais cerca de 100 habitantes

- Criação de novos postos de trabalho (possivelmente entre 20 a 30)

- Proporcionar níveis de bem-estar na velhice e final de vida

- Dar resposta a necessidades de apoio social existentes em pessoas com posses económicas.

- Rentabilizar um espaço de desenvolvimento com futuro;

Aqui deixo, em traços largos e sem ser exaustivo (isso não me compete a mim enquanto cidadão), o meu contributo para uma possível solução de um problema que a Câmara Municipal de Marvão terá nas mãos nos próximos tempos. Cabe pois aos gestores e decisores a palavra de resolução.

Possivelmente, um projecto destes, não teria grande dificuldade em ser financiado pelo novo Quadro Comunitário "Portugal 20/20", já que cria emprego, fixa população no interior, e contribui para a qualidade de vida.”
  

João Francisco Pires Bugalhão

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

40 Anos de regime: o que Portugal deveria reflectir

A história financeira pública de uma pseudo- democracia:

1 - Cofres do Banco de Portugal em Abril de 1974: 1 000 milhões de dólares (Aproximadamente 1,2 mil milhões de euros ao câmbio de hoje). O PIB da época era de cerca de 2,3 mil milhões de euros. Em Outubro de 1975 não existia um chavo nos cofres do Banco de Portugal. Num ano e meio abrasou-se o correspondente a 6 meses de PIB (a preços de hoje equivaleria a um gasto “adicional” de 80 mil milhões de euros em 18 meses);  

2 - Reservas de ouro em Abril de 1974: 880 Toneladas. Em 2014 existiam apenas cerca de 380 Toneladas. Em 40 anos venderam-se 500 Toneladas de ouro, que renderiam hoje cerca de 18 mil milhões de euros. Só ainda não se abrasou o resto porque o Banco Central Europeu não deixa vender.  

3 - Fundos comunitários europeus recebidos entre 1987 – 2014Entraram em Portugal cerca de 100 mil milhões de euros;

4 - Remessas dos emigrantes enviadas para Portugal entre 1974 – 2014: Cerca de 90 mil milhões de euros

5 - Dívida Pública em Dezembro de 2014: 224, 5 mil milhões de euros.

Quem discute isto em campanhas eleitorais, e estratégias para o resolver?

Nota: As contas são minhas. As fontes: Pordata; programas da TVi 24 “Olhos nos Olhos; e aqui.



segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

O que é bom, é (quase) eterno...


Oiçam...

O vento mudou e ela não voltou. As aves partiram, as folhas caíram. Ela quis viver e o mundo correr, prometeu, voltar, se o vento mudar. E o vento mudou e ela não voltou. Sei que ela mentiu, para sempre fugiu. Vento por favor, traz-me o seu amor. Vê que eu vou morrer, sem mais a ter!

Nuvens tenham dó que eu estou tão só. Batam-lhe á janela, chorem sobre ela. E as nuvens juraram e, quando voltaram, soube que mentira, para sempre fugira!

Nuvens por favor cubram minha dor. Já que eu vou morrer sem mais a ter...


sábado, 21 de fevereiro de 2015

Atrás dos tempos, vêm tempos...


... e outros tempos hão-de vir!



Os vetados eram precisamente Portugal e Espanha!

E o povo pá?...


(Dizer quase tudo (sobre o tema) em poucas palavras...)

por Rui Rocha

É óbvio que o entendimento alcançado entre o Eurogrupo e a Grécia representa uma vitória do governo de Atenas no domínio da semântica e uma cedência em toda a linha em termos substanciais. Mas o aspecto mais relevante do acordo nem sequer é esse. De facto, ao contrário do que aconteceu em momentos anteriores, não é a Troika, perdão, não são as Instituições que impõem um pacote de remédios ao país. Pelo contrário, como explicou o Ministro Varoufakis com incontida satisfação, é agora o próprio governo grego quem apresentará uma proposta de medidas que são a contrapartida da assistência financeira temporária. Isto mostra que as palavras de Juncker eram sinceras e que a Troika, digo, as Instituições aprenderam a lição.

Agora já não há pecados contra a dignidade dos povos, nem imposições humilhantes. É o próprio governo grego, no exercício da sua soberania, que toma a iniciativa de apresentar sugestões que contrariam as promessas eleitorais na base das quais foi eleito. E que celebra o facto como um grande sucesso. Não há, note-se, qualquer agressão exterior. Há, isso sim, liberdade de escolher e propor as medidas. A mesma que o escorpião tem quando, acossado pelo fogo, espeta no seu corpo uma dose de veneno. 

O Syriza ainda não percebeu, mas comete assim um suicídio financeiramente assistido. Estamos, na verdade, perante um verdadeiro Syrizicidio.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

O mundo dos outros...


(Com espírito...)


Por Rodrigo Adão da Fonseca

“Leio por aí quem ache que Portugal está a ser vítima da austeridade, como se esta fosse desejada por alguém, e que a alternativa seria uma alegre felicidade à moda do Syriza. 
O meu vizinho gordinho também diz que era mais feliz antes de lhe terem implantado uma banda gástrica, que comia o que lhe apetecia, bebia à grande, e andava bem melhor do que agora; tive de lhe lembrar que sem a banda gástrica – que acredito que seja uma grande chatice – a esta hora estaria três palmos abaixo da terra.

Se ele se portar bem, fizer exercício e não abusar, pode voltar a ter uma vida feliz. Até lá, convém que tenha juízo.”

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Sagres, a fama que vem de longe...





Só que o Roberto e o Eduardo não jogavam no Sporting. Nem tinham um palerma sem humor como o Bruno a presidente...lol




Partilhar ilhas, nem que sejam de outros...


Deixa tocar-te a pele, ler nos poros tudo o que és, como numa folha de papel onde crias tudo o que não vês. Deixa entrelaçar os dedos, nos teus cabelos de querubim, desvendar os teus segredos saber se és igual a mim. 

Quem és tu? De onde vens? Tens duas asas como eu! Tens corpo e alma, e, também tens encontro marcado no céu. Deixa beijar-te a boca, a casa onde a tua língua poisa, para saber se esta coisa louca nos sabe aos dois à mesma coisa...

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

A falácia da dívida pública continua...


De acordo com os comentadores do regime e os intoxicadores das redes sociais, dizer que a evolução da Dívida Pública portuguesa dos últimos 3 anos nada tem a ver com a doidice em que se caiu desde o ano 2000, é o mesmo que dizer que, quem o faça, e de acordo com a origem do julgador, se possa preparar para umas 50 vergastadas se islâmico for, ser excomungado pelos judaístas, ou ir parar à fogueira inquisidora dos católico antigos. No fundo, o que esses julgadores e as respectivas claques dos macacos de imitação (“via likes”) querem, é fazer crer aos incautos que tudo está igual ou pior, no que à Divida Pública diz respeito. Ora só um cego pode acreditar nisso. Ou pior, aqueles que não querem ver, que como dizia o outro, são os piores dos cegos. 

O Gráfico é tão evidente que me abstenho de o comentar. Direi apenas que em 15 anos (desde 2000), 2014 foi o 3º ano em que a Dívida Pública portuguesa menos cresceu: 5, 3 mil milhões de euros. Só em 2000 e em 2007 se fez melhor. 

Convém ainda acrescentar que, em 2012 e 2013, foram incluídos cerca de 15 mil milhões de euros de dívida que estava escondida (pelo brilhante governo de sócrates) nas empresas de transportes; e que, actualmente, existirão nos cofres do estado mais cerca de 15 mil milhões de euros que nos irão permitir pagar a dívida ao FMI, e para outras despesas.

Mas como isto de um país pode parecer coisa muito complicada para a maioria dos cidadãos, peguemos no exemplo de uma pequena família de 4 pessoas: pai, mãe e 2 filhotes.

Era uma vez:

No ano 2000 da nossa era, esta família tinha uma vida e umas finanças equilibradas, apesar de já terem alguma dívida: os adultos tinham o seu ordenado anual de 4 200 contos (150 contos por mês/cada), embora já tivesse uma dívida de cerca de 2 200 contos de um empréstimo de habitação. A partir daí (com o crédito fácil e “juros baratos” que lhes ofereceram depois da entrada no “euro”), até ao ano de 2011, esta família, em média, todos os anos aumentou a sua dívida (entre empréstimos e juros), 210 contos/ano (1 050 euros em moeda actual), o que quer dizer que no início de 2012, a dívida já ascendia a 23 600 euros. Isto é, em 12 anos a sua dívida, se a moeda ainda fosse o escudo, disparou dos 2 200 contos (ano 2000) para uma dívida de 4 720 contos (final do ano de 2011).

Apesar dos 2 adultos em 2011, terem rendimentos que rodam os 22 500 euros anuais; enquanto no ano 2000 deviam 50% desses rendimentos, no início de 2012 os seus rendimentos anuais já não chegavam para pagarem a dívida, e precisavam ainda de lhe acrescentar 1 100 euros.

Isto quer dizer que, durante 12 anos esta família gastou todos os anos, em média, mais 1 050 euros do que recebia. Mas nos 3 últimos anos (2009 – 2011) o descalabro foi de tal ordem que chegaram a gastar mais 2 500 euros/ano do que recebiam. Isto é, nesses fatídicos 3 anos, esta família, devido aos seus compromissos precisava de 25 000 euros/ano para viver: Só tinham rendimentos de 22 500 e uma dívida acumulada de 23 600 euros!

Os “amigos”, já ninguém lhes queria emprestar dinheiro, e os que arriscavam, era com juros de 12% ao ano. Um dos cônjuges estava à beira de ficar sem emprego, o que equivalia a menos 12 000 euros ao ano no orçamento familiar.

As perguntinhas que se põem são muito simples:

- Como é que se pode por esta família a viver da mesma maneira, mantendo o mesmo estilo de vida, mas com apenas com 22 500 euros (se o dito cônjuge não cair no desemprego!)?

- Como é que isso se pode fazer de um dia para o outro?

- E quem é paga os compromissos em atraso e assumidos (dívida), nomeadamente: ao Zé da mercearia, ao Chico do Talho, o casaquito para o inverno, os livros em dívida dos putos, a prestação, gasolina e seguro do carro, o tabaquito, as bejecas, etc.?


Nota Final: Pelas minhas contas, em 2014 parece que esta família ainda não conseguiu começar a diminuir a sua divida aos bancos, aos amigos, e aos familiares. Também não se peçam milagres. Roma e Pavia não se fizeram num dia, nem em 3 anos! Mas através do Gráfico que apresento em cima, e salvo a distância que vai de um país para uma família, em 2012, a família, já conseguiu viver com 24 500 euros (- 500 euro que o ano anterior); em 2013 passou para 24 000 (- 1000 euros que em 2011); e em 2014 já se aguentou com 23 000 (menos 2000 que no ano de 2011, e apenas mais 500 euros do que os seus rendimentos anuais. Se isto não é evolução, que me desculpem! 

Mas quem sabe mesmo de milgres destes é o Costa, o Jerónimo, a Catarina, o Louçã, o Bagão, a Manuela, o Mendes, o Marcelo, o Pacheco, ou ao grande economista do regime o Nicolau (expresso) dos laços.

Eu por mim gostava de saber como eles fariam, para ir programando o meu voto! É que só já faltam 7 messes para as eleições, e eu gosto de programar com tempo...   

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Podia ser, porque não...


Tu estás livre e eu estou livre e há uma noite para passar, porque não vamos unidos, porque não vamos ficar na aventura dos sentidos. Tu estás só e eu mais só estou, tu que tens o meu olhar, tens a minha mão aberta à espera de se fechar, nessa tua mão deserta...

 Tu que buscas companhia e eu que busco quem quiser, ser o fim desta energia ser um corpo de prazer, ser o fim de mais um dia. Tu continuas à espera do melhor que já não vem, e a esperança foi encontrada, antes de ti, por alguém. E, eu sou melhor que nada...

Vem que amor não é o tempo, nem é o tempo que o faz. Vem que amor é o momento, em que eu me dou em que te dás.