sábado, 21 de fevereiro de 2015
Atrás dos tempos, vêm tempos...
... e outros tempos hão-de vir!
Os vetados eram precisamente Portugal e Espanha!
E o povo pá?...
(Dizer quase tudo (sobre o tema) em poucas palavras...)
por Rui Rocha
É óbvio que o entendimento alcançado entre o Eurogrupo e a Grécia representa uma vitória do governo de Atenas no domínio da semântica e uma cedência em toda a linha em termos substanciais. Mas o aspecto mais relevante do acordo nem sequer é esse. De facto, ao contrário do que aconteceu em momentos anteriores, não é a Troika, perdão, não são as Instituições que impõem um pacote de remédios ao país. Pelo contrário, como explicou o Ministro Varoufakis com incontida satisfação, é agora o próprio governo grego quem apresentará uma proposta de medidas que são a contrapartida da assistência financeira temporária. Isto mostra que as palavras de Juncker eram sinceras e que a Troika, digo, as Instituições aprenderam a lição.
Agora já não há pecados contra a dignidade dos povos, nem imposições humilhantes. É o próprio governo grego, no exercício da sua soberania, que toma a iniciativa de apresentar sugestões que contrariam as promessas eleitorais na base das quais foi eleito. E que celebra o facto como um grande sucesso. Não há, note-se, qualquer agressão exterior. Há, isso sim, liberdade de escolher e propor as medidas. A mesma que o escorpião tem quando, acossado pelo fogo, espeta no seu corpo uma dose de veneno.
O Syriza ainda não percebeu, mas comete assim um suicídio financeiramente assistido. Estamos, na verdade, perante um verdadeiro Syrizicidio.
O Syriza ainda não percebeu, mas comete assim um suicídio financeiramente assistido. Estamos, na verdade, perante um verdadeiro Syrizicidio.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
O mundo dos outros...
(Com espírito...)
Por Rodrigo Adão
da Fonseca
“Leio por aí quem ache que Portugal está a ser vítima da austeridade, como se esta fosse desejada por alguém, e que a alternativa seria uma alegre felicidade à moda do Syriza. O meu vizinho gordinho também diz que era mais feliz antes de lhe terem implantado uma banda gástrica, que comia o que lhe apetecia, bebia à grande, e andava bem melhor do que agora; tive de lhe lembrar que sem a banda gástrica – que acredito que seja uma grande chatice – a esta hora estaria três palmos abaixo da terra.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
Sagres, a fama que vem de longe...
Só que o Roberto e o Eduardo não jogavam no Sporting. Nem tinham um palerma sem humor como o Bruno a presidente...lol
Partilhar ilhas, nem que sejam de outros...
Deixa tocar-te a
pele, ler nos poros tudo o que és, como numa folha de papel onde crias tudo o
que não vês. Deixa entrelaçar os dedos, nos teus cabelos de querubim, desvendar
os teus segredos saber se és igual a mim.
Quem és tu? De onde vens? Tens duas
asas como eu! Tens corpo e alma, e, também tens encontro marcado no céu. Deixa beijar-te
a boca, a casa onde a tua língua poisa, para saber se esta coisa louca nos sabe
aos dois à mesma coisa...
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
A falácia da dívida pública continua...
De acordo com os
comentadores do regime e os intoxicadores das redes sociais, dizer que a evolução da Dívida Pública
portuguesa dos últimos 3 anos nada tem a ver com a doidice em que se caiu desde
o ano 2000, é o mesmo que dizer que, quem o faça, e de acordo com a origem
do julgador, se possa preparar para umas 50 vergastadas se islâmico for, ser excomungado
pelos judaístas, ou ir parar à fogueira inquisidora dos católico antigos. No
fundo, o que esses julgadores e as respectivas claques dos macacos de imitação (“via
likes”) querem, é fazer crer aos incautos que tudo está igual ou pior, no que à
Divida Pública diz respeito. Ora só um cego pode acreditar nisso. Ou pior,
aqueles que não querem ver, que como dizia o outro, são os piores dos cegos.
O Gráfico é tão evidente que me abstenho de o comentar. Direi apenas que em 15 anos (desde 2000), 2014 foi o 3º ano em que a Dívida Pública portuguesa menos cresceu: 5, 3 mil milhões de euros. Só em 2000 e em 2007 se fez melhor.
Convém ainda acrescentar que, em 2012 e 2013, foram incluídos cerca de 15 mil milhões de euros de dívida que estava escondida (pelo brilhante governo de sócrates) nas empresas de transportes; e que, actualmente, existirão nos cofres do estado mais cerca de 15 mil milhões de euros que nos irão permitir pagar a dívida ao FMI, e para outras despesas.
Mas como isto de
um país pode parecer coisa muito complicada para a maioria dos cidadãos, peguemos no exemplo de
uma pequena família de 4 pessoas: pai, mãe e 2 filhotes.
Era uma vez:
No ano 2000 da
nossa era, esta família tinha uma vida e umas finanças equilibradas, apesar de já terem alguma dívida: os adultos
tinham o seu ordenado anual de 4 200 contos (150 contos por mês/cada), embora já
tivesse uma dívida de cerca de 2 200 contos de um empréstimo de habitação. A
partir daí (com o crédito fácil e “juros baratos” que lhes ofereceram depois da
entrada no “euro”), até ao ano de 2011, esta família, em média, todos os anos
aumentou a sua dívida (entre empréstimos e juros), 210 contos/ano (1 050 euros
em moeda actual), o que quer dizer que no início de 2012, a dívida já ascendia a 23 600 euros. Isto é, em 12 anos a sua dívida, se a moeda ainda fosse
o escudo, disparou dos 2 200 contos (ano 2000) para uma dívida de 4 720 contos
(final do ano de 2011).
Apesar dos 2
adultos em 2011, terem rendimentos que rodam os 22 500 euros anuais; enquanto
no ano 2000 deviam 50% desses rendimentos, no início de 2012 os seus
rendimentos anuais já não chegavam para pagarem a dívida, e precisavam ainda de lhe
acrescentar 1 100 euros.
Isto quer dizer
que, durante 12 anos esta família gastou todos os anos, em média, mais 1 050
euros do que recebia. Mas nos 3 últimos anos (2009 – 2011) o descalabro foi de
tal ordem que chegaram a gastar mais 2 500 euros/ano do que recebiam. Isto é, nesses
fatídicos 3 anos, esta família, devido aos seus compromissos precisava de 25 000
euros/ano para viver: Só tinham rendimentos de 22 500 e uma dívida acumulada de
23 600 euros!
Os “amigos”, já
ninguém lhes queria emprestar dinheiro, e os que arriscavam, era com juros de
12% ao ano. Um dos cônjuges estava à beira de ficar sem emprego, o que equivalia a menos 12 000 euros ao ano no orçamento familiar.
As perguntinhas
que se põem são muito simples:
- Como é que se pode por esta família a
viver da mesma maneira, mantendo o mesmo estilo de vida, mas com apenas com 22
500 euros (se o dito cônjuge não cair no desemprego!)?
- Como é que isso se pode fazer de um dia
para o outro?
- E quem é paga os compromissos em atraso e assumidos (dívida),
nomeadamente: ao Zé da mercearia, ao Chico do Talho, o casaquito para o
inverno, os livros em dívida dos putos, a prestação, gasolina e seguro do
carro, o tabaquito, as bejecas, etc.?
Nota Final:
Pelas minhas contas, em 2014 parece que esta família ainda não conseguiu começar a diminuir
a sua divida aos bancos, aos amigos, e aos familiares. Também não se peçam milagres. Roma e Pavia não se fizeram num dia, nem em 3 anos! Mas através do Gráfico que apresento em cima, e salvo a distância que vai de um país para uma família, em 2012, a família, já conseguiu viver com 24 500 euros (- 500 euro que o
ano anterior); em 2013 passou para 24 000 (- 1000 euros que em 2011); e em 2014
já se aguentou com 23 000 (menos 2000 que no ano de 2011, e apenas mais 500
euros do que os seus rendimentos anuais. Se isto não é evolução, que me
desculpem!
Mas quem sabe mesmo de milgres destes é o Costa, o Jerónimo, a Catarina, o Louçã, o Bagão, a Manuela, o
Mendes, o Marcelo, o Pacheco, ou ao grande economista do regime o Nicolau
(expresso) dos laços.
Eu por mim
gostava de saber como eles fariam, para ir programando o meu voto! É que só já faltam 7 messes
para as eleições, e eu gosto de programar com tempo...
sábado, 14 de fevereiro de 2015
Podia ser, porque não...
Tu estás livre e eu estou livre e há uma noite para passar,
porque não vamos unidos, porque não vamos ficar na aventura dos sentidos. Tu
estás só e eu mais só estou, tu que tens o meu olhar, tens a minha mão aberta à
espera de se fechar, nessa tua mão deserta...
Vem que amor não é o tempo, nem é o tempo que o faz. Vem que
amor é o momento, em que eu me dou em que te dás.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
Perdoem aos outros, para nos perdoarem a nós...
Estes rapazes (Cravinho, Bagão, Carvalho da Silva, Carlos César,
Pacheco Pereira, etc.), fazem-me lembrar aqueles bêbados que toda a vida apanharam grandes pielas
(ficando a dever), deitando mão a tudo o que tivesse teor alcoólico (e que os outros pagassem), foram fazer
umas férias ao estrangeiro (não uma desintoxicação), ou desapareceram das
tascas que sempre frequentaram (governos e afins) e, tempos depois, regressam a
pregar contra o consumo de bebidas com álcool (enquanto estiverem na oposição).
Mas andam sempre
a desafiar os amigos se não pagam um copo (os pobres dos contribuintes, sejam eles portugueses, alemães ou suecos), ou
quando é que se juntam para fazer uma noitada das antigas (convidando inclusivamente o
primeiro-ministro)!
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
Município de Marvão campeão norte alentejano dos “ajustes directos”! (2)
Tal como
prometi, volto hoje à temática da contratualização na Administração Pública,
nomeadamente, à dos Municípios. Convém relembrar que, a linha que separa a
obrigação de proceder ao “concurso público” é de contratualizações superiores
150 000 mil euros para empreitadas de “obras públicas”; e de 75.000 euros para
aquisições de “bens e serviços”.
Tal como em
quase tudo em Portugal, da saúde à educação, ou à regionalização, para não
falar de outras áreas, as leis são gerais e massificadas, quando a
administração é completamente diferente. Municípios como Lisboa, Porto, ou
Coimbra, e todos os que tenham populações superiores a 50 000 habitantes, não
podem ser geridos com as mesmas leis de concelhos com populações inferiores a
10 000 habitantes.
Tratar por igual aquilo que é completamente diferente, é um
erro crasso, e a nossa administração sofre desse problema. Em minha opinião, um
pequeno concelho, com pouco mais de 3 000 habitantes, não deveria ser aplicada
a mesma legislação que um que tem mais de 1 milhão. Logo, se os valores legislados para ter de se proceder à modalidade do “concurso público” poderão ser razoáveis para os grandes Municípios (onde imperam as grandes obras), mas para os
pequenos Municípios, onde as obras com valor superior a 150 000 euros se podem
contar pelos dedos de uma mão (e ainda sobram muitos dedos), deveriam ser
completamente diferente.
Já escrevi, no
artigo anterior, que nos 6 pequenos Municípios do norte alentejo analisados: Marvão, C. Vide, Arronches, Fronteira,
Alter e Monforte (total de 20 400 habitantes), em 3 anos foram feitas 576
contratualizações, a que correspondeu uma verba de 27, 5 milhões de euros. Destas, apenas 25 (praticamente 5%) mereceram “concursos
púbicos”.
O que quer dizer que, 551 das contratualizações com as entidades
privadas, foram feitas por “ajuste directo”. Sinceramente não me parece razoável.
E quanto à transparência? Por muito optimistas e positivistas que queiramos ser,
a dúvida, terá de existir. Ainda mais se instala quando, existem um grande número destes
“ajustes directos” que atingem praticamente o limite, e que são superiores a
130 000 ou mesmo 140 000 euros! Numa administração que se quer transparente, não
parece que tal contribua para isso.
Como se pode ver
no Quadro 1, entre 2012 e 2014 (3 anos), neste 6 Municípios , foram efectuadas 551
contratualizações por “ajuste directo”, atingindo um valor total de cerca 12, 1 milhões de euros, numa média de 4 milhões euros/ano. Como se pode ainda
verificar, o ano de 2013 – Ano de
eleições, foi aquele em que o “ajuste directo” mais foi usado, atingindo
uma verba de 4,6 milhões de euros (40% do total).
O concelho que mais recorreu
ao “ajuste directos” foi o Município de
Marvão, com uma verba de cerca de 3,
7 milhões de euros (31% do total dos 6 municípios. No pólo oposto está
Monforte, com uma verba de apenas 745 mil euros (20% dos gastos em Marvão).
É ainda curioso ou talvez não, tal com já tínhamos escrito em artigos anteriores (por isso o saldo de tesouraria diminuiu drasticamente), que no ano de eleições (2013), o Município de Marvão fez contratualizações por "ajuste directo" no valor de 1,6 milhões de euros (43% do total dos 3 anos). Significativo, não?
Já quando
olhamos para os dados da contratualização pela modalidade de “concurso público”
(ter em conta que estamos a falar de grandes obras), o valor desta contratualização,
apesar de dizer respeito apenas a 25 contratualizações, foi nesses 3 anos, de
15,4 milhões de euros, uma média de 616 000 euros por contrato. Alter foi
aquele que realizou mais “contratos Públicos (10); seguido de C. de Vide com 5.
Quando analisamos
a comparação entre concelhos, os valores encontrados são praticamente o inverso
do que existia com os “ajustes directos". Assim, como se pode ver no Quadro 2,
Marvão foi aquele que menor verba gastou nesta modalidade de contratação,
apenas 546 044 euros, quando a verba dos “ajustes directos” tinha sido de 3,7
milhões de euros. No pólo oposto está Arronches cujo valor foi praticamente de
3 milhões de euros em “concursos públicos”, quando os “ajustes directos tinham
sido apenas 1,5 milhões de euros.
Para uma melhor
visualização do que acabo de afirmar, apresento o Gráfico 3 (para aqueles que
os números fazem comichão, e/ou gostam mais de bonecos). Assim, é bem visível aí o
título deste artigo - O Município de
Marvão é o campeão norte alentejano dos “ajustes directos”! Das verbas
contratualizadas no concelho de Marvão nestes 3 anos, 87% são por ajustes directos. Isto é,
os autarcas decidem as obras, e contratam directamente a empresa para a
realizar.
Legal? Sim. Moral e transparente?
Não me parece! 87% de “ajustes directos”
- 13% de “concursos públicos”, é uma goleada, que dá certamente para ser
campeão distrital. Ou quem sabe, mesmo nacional!
Por fim, e para
provar o que disse em cima, que muitas destes “ajustes directos” aproximam-se
dos limites da necessidade de recorrer a concurso público (o que torna a coisa
mais duvidosa), fica a lista de algumas dessas contratualizações feitas pelo
Município de Marvão, nos últimos 5 anos:
Obras por “ajuste directo” do município de
Marvão 2009 – 2014, acima dos 100 000 euros (Muitas acima dos 140 000 euros)
- Execução de
valetas revestidas em betão em estradas e caminhos - 99.530,00 € - 19-12-2014 – Verocivil
- Construções, Lda.
- Construção da
Rede de Águas na Fonte da Mulher - 134.200,00
€ - 21 – 11 – 2014 - Navedansa -
Construtora, Lda.
- Reabilitação
da Casa Vivas (Casa Pároco) - 120.200,00
€ - 03-10-2014 - C.R.T., Lda.
- Emissário de
Águas Residuais da Rasa - 111.672,44 €
- 08-10-2013 – José Pires Raposo &
João Garcia - Construções, Lda.
- Aplicação de
Slurry nos Caminhos Municipais - C.M. 524 - 149.174,04 € - 18-07-2013 - Bripealtos
- Agregados e Construções, Lda.
- Pavimentação
do CM 1033-1 entre a EN 359 e a Escusa - 111.625,67
€ - 18-04-2013 - Plenavia -
Construção e Conservação de Vias e Valorização Ambiental, Lda.
- Centro de
Interpretação do Concelho de Marvão - Museu - 139.613,75 € - 06-02-2013 - Sociedade
de Empreitadas Centrejo, Lda.
- Loteamento de
Santo António das Areias - Execução das infra-estruturas - 143.999,72 € - 23-01-2013 - Construções
J. J. R. & Filhos, S. A.
- Construção/Reabilitação
de Habitações - Remodelação de Habitação - Rua do Terreiro Rua das Portas da
Vila - 149.875,98 € - 05-11-2012 - Damião & Belo, Lda.
- Execução do
Caminho Municipal entre a Portagem e Olhos de Água - 120.629,30 € -17-01-2012 - Constradas
- Estradas e Construção Civil, S. A.
- Reabilitação
de uma habitação ecológica em Marvão - 149.945,72
€ - 18-04-2011 - Damião & Belo,
Lda.
- Reabilitação
de uma antiga escola primária para Centro Municipal de Protecção Civil - 144.940,19 € - 08-02-2011 - Crespo
& Parreira, Construtores, Lda.
- Beneficiação
do CM do Monte Pobre - Prado - 139.277,89
€ - 20-08-2010 - Urbigav -
Construções, Sociedade Unipessoal, Lda.
- Arranjos
Paisagísticos da Encosta Sul Portagem - 145.441,18
€ - 21-10-2009 - Eirinhas
Construções, Lda.
- Bairro Novo da
Portagem – Requalificação do Bairro Novo da Portagem - 145.970,88 € - 02-04-2009 - Eirinhas
Construções, Lda.
domingo, 8 de fevereiro de 2015
A lei da vida...
Desta vez foi a
raiz mais funda. O clã Bugalhão perdeu mais uma raiz, foi Francisco Gonçalves
Bugalhão, nascido em 1919. Era até ontem o patriarca da família. Agora resta a
sua memória. E enquanto esta perdurar, Francisco, e o seu sorriso e simpatia,
continuarão vivos.
A nós, pernadas
dessa árvore com mais de 300 anos, resta-nos continuar, e tentarmos ser dignos
daqueles que nos precederem no relógio do tempo.
sábado, 7 de fevereiro de 2015
Vá lá esta dos homens não se querem bonitos...
Prometo não
falar de amor, de gostar e, sentir. Portanto não vou rimar com dor ou mentir! Joga-se
pelo prazer de jogar e, até perder. Invadem-se espaços, trocam-se beijos, sem
escolher. Homens temporariamente sós, que cabeças no ar...
Não interessam
retratos de solidão interior. Não há qualquer tragédia, mas um vinho a beber. Partidas,
regressos, conquistas, a fazer. Tudo anotado numa memória, que quer esquecer. Homens
sempre, sempre sós, preferem perder...
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
Município de Marvão campeão norte alentejano dos “ajustes directos”! (1)
A Administração
Pública, para poder desempenhar as suas funções tem, frequentemente,
necessidade de recorrer a entidades privadas para a aquisição de um conjunto de
Bens e Serviços. Na Administração Central estes Bens incluem gastos correntes
diversos tais como: material de escritório e escolar, alimentação, combustíveis,
produtos farmacêuticos e outro material de consumo clínico; e incluem também os
gastos em Serviços, tais como: os alugueres, a limpeza e a vigilância de
instalações, o fornecimento de água, electricidade, gás, as comunicações, os
transportes, a aquisição de serviços de saúde, estudos, pareceres e outros
trabalhos especializados. Na Administração Local (Municípios), para além de
toda esta parafernália de produtos, há a acrescentar todo o conjunto de obras e
obrinhas, e a contratualização de serviços e avenças. Há quem diga que, é aqui
que estão as tão faladas “gorduras do estado”, e que para emagrecer o “monstro”
bastaria a criação de algumas “centrais de compras” para servirem toda a
administarção (talvez regionais), privilegiar a “contratação pública” em vez do
“ajuste directo”, e partilhar recursos humanos para evitar o rol de avençados
que por aí andam.
Existem basicamente duas maneiras de contratualizar pela Administração Pública, quer a central quer a
local: Concurso Público ou por Ajuste
Directo. De grosso modo, a modalidade de “concurso público”, baseia-se na
abertura de um concurso a várias entidades fornecedoras do bem ou serviço, que
se pretende adquirir ou contratar, o que apresentar melhores condições é-lhe
adjudicado o concurso. No caso do “ajuste directo”, a instituição escolhe um
(ou mais que um) colaborador ou fornecedor, e contrata directamente o produto
ou serviço.
A modalidade a
privilegiar deveria ser sempre o “concurso
público”, pois seria aquele que consagraria a melhor transparência e seria,
em princípio, o mais benéfico para o Estado (isto é, todos nós), pois
favoreceria a possibilidade de concorrência entre empresas, e a escolha de
fornecedores com preços mais baixos. No entanto, devido ao facto de existir a
necessidade, muitas vezes de fazer pequenas aquisições por instituições ou
entidades, e o concurso público ser por vezes mais moroso, a lei criou a
modalidade do “ajuste directo” para pequenos valores contratuais, com a
finalidade de facilitar algumas compras.
O “ajuste directo” deveria ser sempre a
excepção, e não a regra! Pois como é lógico, esta modalidade, presta-se a
todo o tipo de dúvidas (favorecimento, compadrio, amiguismo, corrupção, etc.),
e se bem que exista muita gente séria, não tenhamos dúvidas que, o contrário
também é verdade. E na administração da coisa pública, é como a “estórea da
mulher do outro”, mas ao contrário: não basta parecer, sério, tem mesmo que o ser. Porque é o dinheiro de todos nós que paga. E quanto mais se gastar, mais
teremos de pagar, não duvidem.
A provar que o
“ajuste directo” deveria ser a excepção, está que houve a necessidade de
introduzir limites monetários aos valores máximos a contratualizar. Só que em
Portugal, país pouco dado ao rigor e a contas (onde a divisa é: o Estado é coisa abstracta e é para
explorar); mas também de exploradores e de alguns de conquistadores, esse valor tem vindo a aumentar,
situando-se actualmente nos 150 000 euros para empreitadas de obras públicas; e
75.000 euros para aquisições de bens e serviços. Mas existem outras excepções
que permitem quase tudo. E parece que, ultimamente, o “ajuste directo”, passou
a ser a regra e não a excepção.
A provar o que
acabo de dizer estão os dados que apresento do Gráfico 1, referente ao ano de
2012, em que podemos verificar que 63% das aquisições de Bens e Serviços foram
feitas por “ajuste directo”, e apenas em 37% se recorreu ao “concurso público”.
Gráfico 1 – Aquisição de Bens e
Serviços no ano de 2012 pela Administração Pública em Portugal.
Dados mais recentes mostram que, o panorama não mudou muito nos últimos 2 anos para esta modalidade de “ajuste directo”, a valer em valores monetários 56% em 2013, e 52% em 2014. No Gráfico supra, podemos ainda verificar que, apesar de existir uma Plataforma Electrónica para usar nesta modalidade de contratualização, que permitiria um controlo e gestão mais eficiente na aquisição dos Bens e Serviços, a grande maioria destes contratos (60%), continuam a ser feitos em “papel”.
... e por cá, pelo norte alentejo, como vai
a molenga?
Depois de
consultar a Plataforma Electrónica “base
- contratos públicos online”, e de muitas contas e continhas, o ambiente
encontrado não é muito diferente ao panorama nacional. Digamos até que, no caso do Município de Marvão, a
situação roça o aberrante, e é o “campeão
do ajuste directo” no que toca a verbas, que é o que interessa, quando
comparado com os seus congéneres vizinhos (concelhos com menos de 4 000
habitantes), como demonstrarei no
próximo artigo sobre esta temática,
No cômputo dos 3
últimos anos (2012 – 2014), dos 116 contratos efectuados no Município de Marvão,
114 (98%) foram efectuados por “ajusto directo”; tendo recorrido apenas a
“concurso público” em 2 dos contratos efectuados. É ainda de realçar que, no último
ano de 2014, a
totalidade (100%) da contratualização efectuada, foi por recurso a “ajuste
directo”
Este panorama
não muda muito, nos restantes concelhos observados - Castelo de Vide, Alter, Arronches, Fronteira, Monforte. Como se
pode observar no Gráfico 2 no que toca à quantidade de contratos que
privilegiam a modalidade por “ajuste directo”. Nos 3 anos analisados, sobressai
Alter com “10 contratos públicos” e Castelo de Vide com 5.
Já no que toca
às verbas implicadas nestas contratações, o panorama muda completamente de
concelho para concelho, e não se pense que estamos a falar de “ninharias”. Estamos
a falar, no caso de Marvão, de verbas que rondam os 4,2 milhões de euros (só
superado por Arronches com 4,4 milhões de euros), e no total dos 6 concelhos de
27,5 milhões de euros!
Mas isso é para
um Post dos próximos dias, para este não ficar muito “maçudo”. Por agora fiquem
a pensar no assunto, e opinem se quiserem...
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
Como os socialistas injectam dinheiro na economia...
- Pedem emprestado e não cobram as dívidas de impostos e prestações sociais.
Já é do
conhecimento geral que os socialistas falam (e gostam) muito de “investimentos”,
de crescimento há custa do consumo interno (há custa de bens importados) e de
muito dinheiro na economia. Só entre 2005 e 2011, no consulado de José
Sócrates, o Estado (sobretudo à custa de endividamento), injectou na economia
cerca de 57 000 milhões de euros em investimentos (média de 8 000 milhões/ano);
a consequência foi a bancarrota em 2011. Nos últimos 3 anos (2012 – 2014), no
consulado de Passos Coelho, esse investimento não ultrapassou uma média de 4
000 milhões/ano (total de 12 000 milhões), praticamente metade da prática
socialista.
O Estado
injectar dinheiro na economia não é obrigatoriamente mau, se o tiver e for para obras que valham a pena, mas já é bastante questionável
se tiver que recorrer a dinheiro emprestado (que terá de ser pago mais tarde, e
com juros que esses investimentos não geram), ou com o recurso ao aumento de
impostos, que recaem sempre sobre os mesmos: a classe média. Geralmente nessa
altura, quando toca ao aumento de impostos ou ao pagamento de juros, os amigos
socialistas, já se têm posto ao fresco, vêm fazer flores para a oposição e exigir o contrário do que fizeram no governo. Quem
vier que feche a porta e que pague a conta; geralmente são sempre os mesmos: os
portugueses da classe média. É só consultar a história, e ter um bocadinho de
memória: 1977; 1983; 2011; três bancarrotas socialistas.
Mas os seus
“investimentos” e a sua injecção de dinheiro na economia não se ficam por aqui,
a sua sapiência vai muito mais além, e é bem mais sofisticada. Que eles não
andam cá só para verem passar os comboios ou os aviões, eles querem novos aeroportos e, se é para ver comboios que seja o TGV!
Acresce ainda, se
pegarmos nesta notícia de hoje, verificamos que
só em 2014, a
Segurança Social conseguiu recuperar cerca de 5 000 milhões de euros de
dívidas das empresas e dos cidadãos que se esqueceram de pagar as contribuições;
e em 2013, essa verba já tinha sido 4 600 milhões de euros. Não sei é se, a
maioria destes devedores, se esqueceram de passar férias nas Caraíbas ou na Austrália,
ou de terem na sua frota um bom jipe e um ou outro Ferrari ou BMW, ou um monte
alentejano, ou um filho no ensino privado!
Ora a maioria destes “esquecimentos” dizem respeito a anos
anteriores a 2011, exactamente os tempos da governação socialista.
Por estas e por
outras, não custa concluir que, com verbas destas a circularem por aí, não
faltou (nem faltaria) dinheiro na economia. Se somarmos só estas duas parcelas (dinheiro do Estado
+ Dívidas à Segurança Social), são cerca de 13 000 mil milhões/ano! É muito
dinheiro. Poder-se-ia reduzir o desemprego a “zero”: dava cerca de 20 000 euros
a cada desempregado/ano.
Mas mesmo assim, a consequência, foi uma bancarrota. No Estado, porque a maioria dos dirigentes destas políticas estão bem "abobradinhos". Pena que, como diz o António Barreto, não estejam a fazer companhia ao Pinto de Sousa e ao Vara...
domingo, 1 de fevereiro de 2015
António Barreto: Alguma lucidez...
(Ler artigo completo aqui)
"Evidentemente que posso sempre acrescentar
que gostaria de ver algumas pessoas presas. Não digo nomes, mas são alguns
banqueiros, empresários, administradores de empresas, ex-ministros,
ex-secretários de Estado, ex-directores-gerais... Gostava de os ver presos.
(...)
O que é o mais requintado da política?
São os
princípios, os objectivos para um país.
Isso significa que não há objectivos?
Os partidos
estão a esvaziar-se. Creio que vamos ter novos candidatos políticos nos
próximos anos, é inevitável. Aliás, em vários países europeus já estão a
aparecer muitos partidos. Os nossos estão a esvaziar-se num clima crispante, as
pessoas não têm confiança nos partidos, nos seus dirigentes. Os partidos
portugueses são pequeninos, chegaram ao mundo democrático muito tarde, com 100
anos ou 50 anos de atraso. Depois ficámos muito contentes com o 25 de Abril,
lembro-me que havia muita gente que dizia era a revolução mais jovem, mais
limpa, a revolução do futuro. E era ao contrário, era a última, uma revolução
obsoleta, o que sobrava do século XIX, princípios do século XX. Uma revolução
que criou uma Constituição funesta, uma fortaleza na altura, uma espécie de
lugar geométrico de todos os sistemas de defesa de todos os países que podiam
ameaçar Portugal: a tropa, os comunistas, os fascistas, os estrangeiros, os
nacionais, tudo. Mas essa Constituição ficou um monstro. Há animais assim, como
o ornitorrinco, que tem pêlo, bico, nada, põe ovos e é mamífero, uma coisa
esquisitíssima.
Que Constituição nos serviria?
Uma Constituição
que dê mais liberdade às gerações actuais, que lhes permita eleger os seus
partidos, os seus políticos e que tenha uma maior margem de liberdade nas suas
decisões. Em muitas matérias laborais, de saúde, de educação, de segurança
social, de organização do Estado, função das autarquias e justiça, a
Constituição, em vez de definir as grandes estruturas e deixar o tempo e as
classes preencherem os conteúdos, fixou-os. Podia ser muito limpa de todos os
ónus ideológicos.
Mas o país pode mudar mesmo com a
Constituição que tem, ou não?
Nalgumas coisas
não. O sistema político está totalmente desenhado para permitir que estes
partidos fiquem perpetuamente no poder e que os que venham continuem com o
mesmo sistema. Tem de limpar da Constituição o método d'Hondt, o sistema
proporcional, a ideia de que os deputados são eleitos por listas. O mundo que
mais aprecio, e não é só o anglo-saxónico, tem sistemas uninominais, as pessoas
elegem um deputado a quem pedem contas. Se esse deputado morre ou muda de
emprego, elegem outro, não vão buscar o 15.º ou 27.º, um analfabeto qualquer,
um atrasado que está lá no fundo da lista para encher. Há um sistema de
confiança nos seus eleitos que a nossa Constituição destruiu. Um deputado que
vote ao contrário do Dr. Passos Coelho ou do Dr. António Costa corre riscos
muito sérios de ser vilipendiado, destruído, até expulso do partido. Isto não é
um sistema livre e tem de ser expurgado da Constituição.”
(...)
Qual é a liberdade que nos falta?
A primeira de
todas é dizer não. A segunda é pensar sozinho ou escolher as próprias
influências.
Há 50 anos tínhamos
50% de analfabetos, impensável na Europa. Tudo dependia do Estado e do poder
político, do poder militar, do poder da Igreja. Se se dizia não, perdia-se
tudo, vivia-se no medo. Isto criou o hábito da reverência, do respeitinho, de
dizer que sim e ter medo de quem manda.
(...)
Consegue ver como será Portugal dentro de
20 anos?
Se a Europa
aprofundar o entrosamento federal, Portugal será uma região da União Europeia.
Mais pobre, mas periférica, com personalidade bastante, mais do que outros
países. Estará tomado por conta, mas não vejo isso como particularmente mau,
não sou nacionalista. Se a Europa não progredir nessa linha, será retomada a
afirmação nacional. Se for essa a via, Portugal manterá a independência, a
personalidade, o carácter, mas ficará mais pobre, terá menos progresso. Este
são os meus dois cenários: mais Europa, mais dependente, mais progresso, talvez
mais liberdade individual. Do outro lado, mais independência, mais
personalidade, mais pobreza e menos liberdade individual.
sábado, 31 de janeiro de 2015
Humor de fim-de-semana: Assino por baixo...
por Rui Rocha
"Se num dos
próximos dias se cruzarem, por acaso, com Antonis Kostas, secretário-geral do
Partido Socialista, em vez de se ficarem por tomar notas nos caderninhos
daquilo que o personagem se lembrar de dizer, e tendo em conta o entusiasmo com
que recebeu a eleição do Syriza, façam também alguma (todas não que podem
tomar-lhe o gosto de exercer a profissão como deve ser), das seguintes
perguntas:
- quando o PS for
governo, Antonis Kostas vai aumentar o salário mínimo para 750€?
- quando o PS
for governo, Antonis Kostas vai aprovar a distribuição de energia eléctrica
gratuita a 300.000 portugueses carenciados?
- quando o PS
for governo, Antonis Kostas vai abolir as taxas moderadororas do acesso a
consultas do Sistema Nacional de Saúde?
- quando o PS
for governo, Antonis Kostas vai concretizar algum programa de readmissão de
funcionários públicos? Em caso afirmativo, em que moldes?
É que eu gosto
de ir planeando o meu voto com alguma antecedência e preciso de saber se o
entusiasmo é genuíno ou se é só o mais velhaco oportunismo. Pode ser? Obrigado."
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
Aquilo que os socialistas não querem ver...
Há dias que esperava a divulgação pública dos primeiros resultados sobre a execução orçamental do ano de 2014. Eles aí estão. E a partir de agora, sempre que se fale em avaliação governamental, sobretudo no que diz respeito às finanças públicas, porque são essas que os governos podem controlar directamente, estes 2 Gráficos, não podem deixar de ser considerados.
O actual governo
com coisas bem-feitas, mas também com outras a terem de ser analisadas com
sentido crítico e emendadas, iniciou as suas funções em meados de 2011,
substituindo o de José Sócrates que se demitiu. O país estava com as finanças públicas
em bancarrota, o défice público tinha sido em 2010 de 20 100 milhões de euros
(11,2% do PIB), e já em 2009 tinha sido de 17 204 milhões de euros (9,8% do PIB);
isto é, só nesses dois últimos anos de governação socialista, o défice público,
totalizou 37 304 milhões de euros. E a dívida pública, em números por baixo, rondava os 170 mil milhões
de euros (105% do PIB).
Dizem agora
aqueles que querem voltar à governação, que são os mesmos, há excepção do
querido líder que por agora continua arrecadado em Évora, que o país está pior,
e que com a sua anterior política (PEC´s) teria sido melhor. Nos gráficos que
se apresentam, pelo menos no que diz respeito às contas públicas, só não vê quem não
quer, qual o papel de desempenho do actual governo. Em 2014 o défice será de
cerca de 7 000 milhões de euros (3,8% do PIB quando se apurarem as contas finais),
menos 10 000 milhões do que em 2010 (praticamente 1/3 do registado nesse ano).
Nos 4 anos de
governação de Passos Coelho (2011 – 2014) o deficit acumulado foi de 37 556
milhões de euros, praticamente o mesmo que o governo socialista acumulou só nos
últimos 2 anos da sua governação (2009 e 2010). Claro que estes dados terão
impacto na vida de todos os portugueses, e já estão a ter, por isso a berraria
que por aí vai para tentarem esconder o óbvio. Esperemos pela evolução da dívida
pública...
Nota: Mais dados sobre a execução
orçamental aqui.
É giro ainda
ver o que diziam, no início do ano de 2014, alguns paladinos da nossa política. Aqui fica
a opinião dos grandes profetas:
- João Galamba, por exemplo, tinha dificuldade em compreender “em que medida este orçamento contribui para a consolidação das finanças públicas”, o que vai em linha com a sua incompreensão generalizada de tantos outros assuntos.
- Nicolau Santos, o jornalista keynesiano especializado em laços papillon e em assuntos económicos, afirma mesmo tratar-se de uma “ficção”. E diz mais, “É uma ficção porque assenta num quadro macroeconómico irrealista e porque contempla um objectivo irrealizável”. A precisão das palavras de Nicolau é similar à sua exactidão na escolha de bonitas gravatas.
- Pedro Adão e Silva, entre comentários de futebol, de surf e de música, encontrou tempo para comentar um outro assunto no qual também é especialista. “O Governo prepara-se para fazer a mesma coisa em 2014 mas espera obter resultados diferentes. Partindo de um défice de 5,8%, o Governo estima reduzir o desequilíbrio orçamental em 2 pontos percentuais, para 4%, com 4 mil milhões de austeridade. Como e porquê? Ninguém sabe. A loucura prossegue, enquanto assistimos ao espantoso exercício que é queimar dinheiro na praça pública para satisfazer os desejos sadomasoquistas dos credores.“. O nosso especialista em coisas afirma, de Marcuse ao peito e prancha de surf debaixo do braço, que a “A meta do défice será superior ao acordado (4%)”. Assim tipo 4.5%, Pedro? “acima da que o próprio Governo quis que fosse a meta revista (4,5%)”.
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
A vez aos Avençados...
Esta parece ser
a nova fórmula – Contrato de Avença ou tarefa,
encontrada pelo poder local para ultrapassarem a limitação de contratação de
pessoal, e continuarem a ter lugar para alguns dos seus “boys” e amigos na
esfera da administração pública.
Aqui é esta notícia sobre Lisboa. Mas em Marvão, já existem cerca de 10 avençados (10% do pessoal), e só durante
2015 já se fizeram cerca de meia dúzia de novos contratos deste tipo, que abrangem
diversas áreas, tais como: nadadores salvadores, assessoria e comunicação,
arquitectos, engenheiros, informáticos, design gráfico, etc. Para além da panóplia
de contratos de prestação de serviços com empresas, por administração directa. E
não se irá ficar por aqui.
Perguntar não deveria ofender...
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
Vapores gregos...
A “canhotada”
acordou hoje com uma valente bebedeira de “syriza” (bebida genuinamente
grega, mas com sucedâneos por toda a europa). Em Portugal a euforia vai desde o
pavão Nicolau Santos à alucinada Catarina Martins, até o comunista João Ferreira acordou com a euforia de alguns vapores (qual foi o resultado do PC
grego?). Os socialistas, esses, ainda estão a reflectir sobre se esta bebida
será suficientemente forte que aguente a “sua” agenda para a década (em lugar
da "casca de carvalho", vão armazená-la em Évora junto do querido líder – o mártir),
e o Costa está a pensar em lançar já um imposto sobre ela para autorizar a sua
experiência em Lisboa, nem que tenha de fazer de "Tsipras" coração.
Na europa, Holland e Renzi, ainda não digeriram lá muito bem a coisa, e estão com alguma azia. Mas, Vladimir Putin, já apanhou uma valente piela só com o cheiro, e já se ofereceu para importar umas litradas para aquecer o inverno russo que vai frio como o caraças (não tardarão os couraçados russos no porto do Pireu)!
Falta saber quem pagará a conta...
domingo, 25 de janeiro de 2015
Leitura dominical...
por Paulo Morais
Não será de
estranhar que todos aqueles que tenham beneficiado com a estrutura do poder de
Sócrates respondam à sua chamada.
José Sócrates, mesmo preso, continua a
ostentar o seu poder. E insiste em chamar à cadeia de Évora, em devota
peregrinação, todos os que devem favores à sua governação e que estão na teia
da sua influência política. Enquanto primeiro-ministro, Sócrates usou os
poderes que lhe tinham sido delegados pelo povo para beneficiar alguns grupos
particulares, nomeadamente na Banca, nas obras públicas e nas parcerias
público-privadas (PPP). De tal forma os beneficiou que, para provar a corrupção
dos seus governos, as autoridades nem sequer teriam de proceder a buscas.
No
caso das PPP, bastará consultar o Diário da República. Lá estão as fórmulas
matemáticas que garantem rentabilidades milionárias, superiores a 20% ao ano,
num negócio de risco zero. Sócrates autorizou ainda pagamentos extraordinários
de centenas de milhões sem qualquer justificação plausível. E foi também o seu
governo que nacionalizou os prejuízos no BPN, deixando o património aos seus
antigos donos. Não será pois de estranhar que todos aqueles que tenham
beneficiado com a estrutura de poder de Sócrates venham agora a responder à sua
chamada.
Por lá já passaram os concessionários das PPP: da era Sócrates, de
Jorge Coelho, presidente da Mota-Engil nos tempos em que a empresa se tornou a
maior concessionária rodoviária, até José Lello, então administrador da DST.
Também os grandes escritórios de advogados, que urdem a malha legal da
corrupção, prestam vassalagem ao ex-chefe do governo, através das visitas de
António Vitorino, da Sociedade "Cuatrecasas", ou Tiago Silveira, da
"Morais Leitão". Os construtores e promotores imobiliários estiveram
representados na visita que Mário Lino fez à prisão acompanhado de Edite
Estrela, a autarca que mais favoreceu o imobiliário, quase destruindo Sintra.
Mas não só os representantes do capital peregrinam até Évora. A teia política
que Sócrates montou está intacta. José Sócrates requisita a presença e o apoio
do fundador do PS, Mário Soares, e do seu actual líder, António Costa.
Deputados, autarcas, ex-governantes, todos rumam a Évora em peregrinação,
mostrando assim que está nas mãos de Sócrates o destino dos socialistas. Ainda
que este destino seja o suicídio do PS.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
ALDEIAS LAR: NOVAS CASAS PARA VELHA SABEDORIA ...
I have a dream (eu tive um sonho...)
Hoje volto ao
tema Bairro da Fronteira do Porto Roque,
Galegos – Marvão, para partilhar, publicamente, uma ideia pessoal que há
muito tempo fervilha na minha mente e que, apenas tenho privado com alguns
amigos. Já disse anteriormente, que não sou muito de “sonhos” (no plano
colectivo), mas claro que também tenho os meus e, este, acompanha-me há muito
tempo.
Desde que se
começou a falar da aquisição pela autarquia de Marvão desse espaço, que começou
a germinar em mim esta ideia. Infelizmente, devido ao meu afastamento da vida
política activa no concelho, nunca tive oportunidade de a divulgar e discutir
nos lugares de próprios de decisão. Mas agora que a aquisição se fez, e antes
que se enverede por fórmulas antigas, esgotadas, e sem futuro (Ninhos de
Empresas, Aldeias Turísticas, ou deixar como está), quero deixar aqui a minha ideia.
Quem sabe alguém a lê-a, lhe pegue, e lhe dê pernas para andar. Se tal não suceder,
fica pelo menos a concepção de que existe sempre mais que uma solução para um
problema, às vezes a roçar a utopia, mas como dizia o outro “o sonho comanda a
vida...”.
Já referi no
artigo anterior que, a seguir ao espaço Portagem, considero este espaço, talvez, o mais nobre e valioso do concelho de Marvão. Agora que está na posse da esfera
pública local, deveria ser alvo de uma reflexão e discussão alargada para a sua
melhor utilização, antes de qualquer tomada de decisão. Essa discussão deveria
abranger autarcas, forças políticas, alguns peritos, e se possível com a inclusão
dos nossos vizinhos do lado de lá da fronteira.
Tendo em conta
estas premissas, a minha visão para este espaço poderia ser a da construção
daquilo a que denomino de Aldeia
Social/Lar Social – Um local residencial para alojamento de famílias ou indivíduos
seniores (situação de pós aposentação), que em vez de irem para Lares institucionais tradicionais, encontrariam aqui um espaço para viverem em
família e liberdade os seus últimos 20 ou 30 anos de vida. Aqui teriam os seus
espaços individuais e desfrutariam da sua privacidade familiar, e simultaneamente
teriam ajudas parciais ou totais em Actividades de Vida de que fossem
dependentes, tais como: vigilância, conforto e higiene pessoais e de alojamento,
alimentação, saúde, lazer, etc.
Este conceito
não é novo, existe nos países nórdicos há mais de 30 anos, já que para além de
dar as mesmas ajudas que os Lares de Institucionalização permitem às pessoas a
sua liberdade e privacidade individuais. São várias as vantagens desta
modalidade, sobretudo na área da saúde, mas abrangendo todas as áreas do
bem-estar e de um envelhecimento com qualidade de vida. Mas parece tardarem em
Portugal (onde existem poucos exemplos), onde se prefere encaixotar os idosos
em lares/fábricas que não passam de locais tipo antecâmara da morte.
Ora este espaço,
em minha opinião, tem todas as características para a instalação de um projecto
desta natureza: local amplo, plano para uma fácil locomoção, ensolarado, sossegado,
permite com facilidade a montagem de todas as infra-estruturas de apoio (cozinha,
refeitório, ginásio, enfermaria, piscina, etc.), e permite ainda, uma parceria
com a vizinha Espanha que ajudaria a rentabilizar o projecto. Aqui se poderiam construir
20 a 30
blocos habitacionais, com 4 apartamentos cada (2 de rés-do-chão e 2 no primeiro
andar), com 2 pessoas por apartamento, que daria um aldeamento para 100 a 120 pessoas (50 a 60 famílias).
Logicamente que
isto seria um projecto para o concelho de Marvão, mas especialmente, tendo por
universo alvo o distrito, ou mesmo o país, e dirigido a pessoas e famílias com
algumas posses económicas, pois os custos serão certamente superiores aos dos
lares tradicionais. Teria um cariz privado, já que dificilmente se conseguiria
acordos para estas valências, os custos por pessoa seriam sempre superiores a
800 euros por pessoa (digo eu sem um grande estudo da coisa).
As modalidades
de administração poderiam ser de cariz vário: estritamente privado; parceria público
privada; parceria com instituição de solidariedade social (misericórdia, ou um
dos lares do concelho); parceria com Inatel ou com Região de Turismo; e outras
que eu não conheça.
Vantagens para o concelho e para a
comunidade:
- Uma resposta
inovadora na área do apoio social.
- Aumento da
população do concelho em mais cerca de 100 habitantes
- Criação de
novos postos de trabalho (possivelmente entre 20 a 30)
- Proporcionar
níveis de bem-estar na velhice e final de vida
- Dar resposta a
necessidades de apoio social existentes em pessoas com posses económicas.
- Rentabilizar
um espaço de desenvolvimento com futuro;
Aqui deixo, em
traços largos e sem ser exaustivo (isso não me compete a mim enquanto cidadão),
o meu contributo para uma possível solução de um problema que a Câmara
Municipal de Marvão terá nas mãos nos próximos tempos. Cabe pois aos gestores e
decisores a palavra de resolução.
Nota Final: No entanto, a julgar pelas
palavras de Vítor Frutuoso, que insiste na prioridade da habitação e urbanismo,
a julgar pelas suas declarações de ontem à Rádio Portalegre, não me parece que
esteja interessado em qualquer reflexão e discussão sobre o assunto. “É para a habitação e prontos”. Gastam-se
ali 2 milhões de euros dos contribuintes, metem-se lá meia dúzia de famílias, são
mais 12 ou 15 votos, e, siga em frente...
Ficam é os
marvanenses a saber que, para essa meia-dúzia de famílias, cada um vai ter de
pagar cerca de 570 euros (2 milhões/3 500 marvanenses).
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