quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Apenas para reflectir...


Em que mundo vivemos?  Qual o melhor local para morrer? Porque morrem as pessoas nos hospitais? Já algum morto disse onde gostaria de ter morrido? Onde estão os familiares quando as pessoas morrem? Se é moda os pais assistirem ao nascimento dos filhos, porque não se cria a moda dos filhos assistirem à morte dos pais? Acaso o morrer é menos humano que nascer? E como dizia Saramago "se de repente ninguém morresse..."? Quantos já viram como se morre para lá das portas de um serviço de urgência hospitalar? A morte ainda existe?

Haja algum decoro nesta péssima comunicação social que nos intoxica. Sejam minimamente sérios e deixem de servir interesses obscuros.

Leitura inspiradora retirada de aqui:

"... sétima pessoa a morrer nas urgências em apenas um mês. Isto é extraordinário. Nos anos anteriores, ninguém morria nas urgências. O que também era extraordinário. Isto é tudo tão extraordinário que nem sei o que é mais extraordinário.

Faz lembrar os últimos tempos de Correia de Campos como Ministro da Saúde. Se bem me lembro, de um momento para o outro, as mulheres começaram a parir em barda nas ambulâncias. Penso que até houve um bebé que nasceu num helicóptero a caminho de uma maternidade. O mais fantástico deste fenómeno foi que mal o ministro caiu as mulheres deixaram de ter filhos nas ambulâncias. Uma explicação possível é a queda de natalidade.

Adenda: Um dia depois desta entrada, foi notícia de abertura no Jornal da Tarde da SIC o caso de um idoso de 96 anos que morreu nas urgências. De acordo com um comentário do "Tiro ao Alvo" sabe-se agora que "o falecido foi atendido 9 minutos depois de chegar ao hospital e que padecia, como é compreensível, de várias doenças crónicas."

PS: Em 2014 registaram-se em Portugal 238 mortes infantis, até ao primeiro ano de vida, o valor mais baixo de sempre em números absolutos.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

O Bairro da Fronteira do Porto Roque – Galegos, Marvão

“Fazer de conta que se dialoga, que se é um democrata, mas fazer só o que lhe vai na real gana...”

Hesitei bastante em escrever sobre este tema, pois, possivelmente, irei desagradar a alguém para além daqueles a quem me dirijo, nomeadamente, alguns interesses particulares legítimos, mas o que penso que aqui estou a defender é o interesse público, e o concelho de Marvão. O ideal era que esses interesses particulares pudessem ser negociados e harmonizados com os interesses comunitários e, sinceramente, não me parece que seja isso que esteja a acontecer, e por isso decidi que não podia ficar calado. Pelo menos fico bem com a minha consciência, e levanto aqui uma questão, que antes de ser decidida, deveria ser alvo de uma discussão alargada entre a comunidade marvanense.

Como é do conhecimento da maioria dos marvanenses, ou deveria ser, após um longo processo, a Câmara Municipal de Marvão acabou de adquirir (com o dinheiro dos contribuintes, isto é, de todos nós), pelo valor de cerca de 700 mil euros, ao Estado Central, o complexo do Bairro da Fronteira de Galegos. Felicito aqui todo o trabalho e empenho de Vítor Frutuoso e sua equipa pela aquisição, mas não posso estar mais em desacordo com o processo que agora se está a desenvolver.

Como é reconhecido, certamente por todos os marvanenses, trata-se de um espaço nobre: amplo, agradável, plano, bem situado junto à fronteira com Espanha. E a seguir ao espaço da Portagem, talvez seja o melhor espaço do concelho. Se estivéssemos em tempo de “vacas gordas” ou se eu fosse um idealista diria que, aqui, quase tudo se poderia arquitectar. Mas como os tempos não vão de feição, e eu sou mais do realismo do que dos sonhos, sou em opinar que, perante esta localização única, se deveria parar para pensar o que ali se poderia e deveria fazer, e, não embarcar na primeira ideia que vem à cabeça (por mais iluminados que nos julguemos), na mais fácil, ou de favores a amigos de ocasião. Porque está em causa o interesse público, e uma situação destas não se repete na história do concelho.

 Apesar do Presidente Vítor Frutuoso, que não é nada teimoso (!), já ter metido na cabeça há muito tempo que a finalidade estratégica deste espaço seria para habitações – quer para alguns que já aí vivem, quer para acrescentar ao já farto parque habitacional do concelho (existem 2 apartamentos por família no concelho de Marvão); na última Reunião de Câmara de Outubro, quando da discussão do Orçamento 2015, fiquei com a ideia que se iria fazer um debate, e que a opção da zona habitacional iria passar por alguma discussão.

Mais disso fiquei convencido quando o próprio Presidente, considerou a Declaração de Voto apresentada pelo Vereador Nuno Pires: - “Que essa declaração seria, no futuro, como uma “bíblia” para o actual Executivo”. E transcrevo aqui o que dizia essa Declaração a este respeito:

- Bairro da Fronteira do Porto Roque (Maior investimento proposto para 2015)

Relativamente à aquisição deste Bairro, é com pena que verificamos a falta de estratégia por parte do executivo acerca desta infra-estrutura (talvez um dos locais mais nobres do concelho), com um potencial para desenvolvimento de Projectos da área económico e social em deficit no nosso concelho, nomeadamente, a falta de emprego e o despovoamento.
Concordamos com a aquisição, e estamos de acordo com a resolução das situações dos habitantes que efectivamente habitam estas casas; Estamos ainda de acordo, que sejam criadas as condições necessárias para a manutenção de habitação digna e condições dessas famílias, ali ou em outro local que se negoceie. Mas defendemos que após a aquisição, e tendo em conta a situação de localização de excepcionalidade deste Bairro, deveria ser criada um Comissão/Grupo de Trabalho compostas por peritos e autarcas, com vista a encontrar um Projecto que beneficiasse o concelho e os seus habitantes.  
Esta nossa visão de futuro para esta infra-estrutura vai ao encontro das declarações do presidente do Tribunal de Contas Europeu, Dr. Vítor Caldeira, proferidas na recente homenagem que lhe fez o Município na atribuição da medalha de mérito Municipal, quando declarou que: “...o desafio dos municípios do interior para combater o despovoamento, é o de encontrar alternativas?”. Estas declarações poderão bem ser o mote que se aplica a este Projecto.
Em nossa opinião, manter o foco exagerado no desenvolvimento da Habitação e Urbanismo, é um erro crasso deste executivo para o projecto da Fronteira. Temos vários exemplos ao longo destes mandatos:
 - O terreno para o Loteamento na Beirã, transformado actualmente numa pista de MotoCross;
- O Loteamento de Santo António das Areias, com mais de 50% dos lotes para vender;
- O loteamento do “Vaqueirinho”, o processo continua a aguardar resolução;
- O terreno para o Loteamento da Portagem, nada se sabe;
Num concelho que segundo os censos 2011 tem 2 apartamentos por família, a aposta continuada na habitação, talvez não seja prioritário. Seria bem mais importante virar agulhas para a requalificação do que existe.”

No entanto o que verifico nas informações dadas por Vítor Frutuoso, é que esse debate, não se irá fazer, pois ele já há muito que tomou a decisão. Veja-se o que encontrei na Acta da Reunião do dia 5 de Janeiro de 2015:

INFORMAÇÕES DO SENHOR PRESIDENTE: A Fronteira de Marvão já está na posse do município e vai tentar reunir com os moradores e saber quais são os que pagavam renda ao Património do Estado para lhes propor um ajuste directo caso desejem adquirir as casas. No entanto, vai solicitar aos advogados do município um parecer sobre a legalidade desta intenção. É para avançar com esta ideia, tendo em conta que há pessoas que não têm contratos de arrendamento, e com as quais pretende fazer o negócio directamente sem irem a hasta pública para não serem prejudicadas caso haja outros interessados nas habitações. Na reunião vai informar que irá dar preferência a quem pagou renda durante estes anos e é intenção que fique registado que as casas sejam para primeira habitação e as que sejam para férias serão colocadas em hasta pública. Depois desta reunião e depois de feita uma lista dos interessados, bem como de uma selecção dos mesmos, apresentará à Câmara Municipal.”

Conclusão:

A “bíblia” e os seus mandamentos, para Vítor Frutuoso, não passam de tábua rasa.

É pena, mas a coisa pública é assim que se administra. Assim o concelho irá gastar cerca de 2 milhões de euros (700 mil de aquisição + 1,3 milhões para infra-estruturas, no mínimo). Para aplicar numa coisa que já somos largamente excedentários, e que irá aumentar drasticamente nos próximos anos, quando concelho ficar com cerca de 2 500 habitantes, cerca de 1 000 famílias e perto de 3 000 apartamentos familiares.

As perguntas que ficam são se, este investimento não poderia ser melhor rentabilizado, beneficiar e contribuir para o desenvolvimento efectivo do concelho, nomeadamente, na criação de emprego e fixação de pessoas? Se não se deveria procurar resolver o problemas dos ainda ainda aí vivem, e ficar com o espaço livre para se planear um bom projecto. E em vez de se beneficiarem meia dúzia de pessoas, com o dinheiro de todos, não seria melhor construir um Projecto que beneficiasse muitos marvanenses? E quem serão os grandes conselheiros do Presidente, que assim decide, num tão importante projecto para o concelho, desprezando o debate e novas ideias? 

As questões aqui ficam. Veremos os resultados...      

sábado, 17 de janeiro de 2015

Podia ser dedicado à gripe, mas não é...


Essa só me faz chorar, espirrar e  tossir...

O mais difícil é o silêncio ao fim do dia, não ouvir os teus passos pela casa e não saber onde pára a alegria. O mais difícil é dormir com a saudade, acordar sem nunca te ver por perto, e, o deserto no mar da cidade.

O mais difícil é entrar no quarto vazio, perceber como tudo está arrumado e como tudo está sem vida e como tudo está tão frio. O mais difícil é arrumar a tristeza, é não ter explicação, desfazer toda esta incerteza.

Mas pior que perder seria não ter vivido, seria não ter amado, seria não ter sofrido. Mas pior que perder, seria não ter vivido, seria não ter amado, seria não te ter tido...


quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Coisas giras vistas por aí...


É fácil, é barato e, quem sabe, alivie muita gente...

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Novos sons na música portuguesa...

 

"Povo Que Cais Descalço"


segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Morre muita gente na minha terra...


Morre muita gente na minha terra. Nasce pouca gente na minha terra e, muitos, para sobreviverem têm que sair de lá. Por isso perdemos mais de metade da população em pouco mais de 40 anos. No meu concelho de Marvão éramos cerca de 8 000 residentes em 1971. Nos dias de hoje, serão pouco mais de 3 000 almas vivas, as que aí residem.

Morre muita gente na minha terra. E continuarão a morrer nos próximos anos, já que 35% dessas 3 000 almas vivas (1 000 pessoas), têm mais de 65 anos. E como ninguém é eterno, nos próximos 15 anos, a maioria destes mais aqueles que a dita não vai poupando, o concelho de Marvão ficará com pouco mais de 2 000 habitantes.

Morre muita gente na minha terra, e não há volta a dar. Não há estratégias que invertam esta situação, por mais que, determinados papagaios da política quer locais quer nacionais, enunciem mudanças e promessas vãs, mas sem qualquer fundamento. Esta é uma realidade com que teremos de viver e que, em minha opinião, só através de uma qualquer catástrofe será invertida, seja ela natural (terramoto ou inundações no litoral), seja ela social (guerra ou fome, que obrigue as pessoas a refugiarem-se no interior do país).

Morre muita gente na minha terra. E nem sempre são só os velhos a quem não é conhecido outro destino. Só nos primeiros 10 dias deste ano, que eu saiba, a dita, se encarregou de levar 4 almas de meia-idade (menos de 60 anos). 3 deles eram meus amigos e mais novos do que eu: O João José (meu primo); o Luís Mourato (meu vizinho e amigo que conheci nos anos oitenta); e, agora o Mário, meu amigo de infância e criação, por causa de quem levei os primeiros tabefes de meu pai, por com ele me entreter em brincadeiras de gaiatos quando ia buscar o tabaquito para o “velho Buga” à loja de sua mãe que conhecíamos na Abegoa como a “ti Piedade”.

Morre muita gente na minha terra. E muitos marvanenses têm por hábito irem aos funerais dos que partem. Serão nobres a maioria das razões e sentimentos porque muitos o fazem, sem discussão. Mas nos últimos anos, instituiu-se algo que me parece aberrante, descabido, e mesmo cínico: a excursão folclórica dos políticos aos funerais na hora do enterro. Sem discrição, com comportamentos automatizados, a federem a falsidade, baseados naquilo que é denominada “ estratégia do beijinho”! 

Usando e abusando, sem escrúpulos, a fragilidade com que se encontram as famílias do ente que partiu, a verterem lágrimas de crocodilo à vista de todos, e, que todos comentam. Num destes dias, um amigo meu, confidenciava-me “Desta vez, um dos ditos, apareceu em grande estilo, na sua melhor forma, dando beijinhos a todos os que mexiam. Beijinhos não, porque ele não beija. Ele mete apenas a fuça a jeito, e são as pessoas que o beijam a ele.”

Num meio rural, com cada vez menos gente, em que tudo se repara e compara, até a presença destas personagens nestes locais e nestas situações, faz a diferença: “... ah, até o senhor presidente, da câmara ou da junta, estavam ”, ou “vejam lá, que nem o senhor «presidente» apareceu. Só nos vêm quando precisam dos nossos votos...”, etc. E eles sabem disto, não admira por isso que estejam sempre lá. E por outro lado, estas cerimónias, são por estes tempos também as mais frequentadas. 

Então para quê perder tempo com campanhas eleitorais a fazer política, a ouvir queixas, a descentralizar assembleias, a discutir as melhores estratégias para o bem comum, dar a conhecer os resultados da administração da coisa pública, que deviam ser as suas principais preocupações? Vamos aos funerais, está lá toda gente, parece mal estarmos a falar de política, distribuímos beijinhos às senhoras, apertos de mão (bem apertados) aos cavalheiros, e votem em nós que somos uns gajos porreiros!

Já “vivi”, em tempos, estratégias políticas com esta gente, sei o que pensavam e o diziam dos seus antecessores: “... o A só fazia campanha nos funerais; o B só vai às missas e às procissões”. E agora, qual é a diferença? Até têm uma “escala” para comparecerem, e não lhes falhar ninguém (sei do que falo). Ao menos que sejam genuínos e discretos. Cumpram as vossas funções para com os vivos e deixem os mortos em paz. Ajudem as pessoas em vida, ou na doença, e honrem-nos com a missão para que foram eleitos.   

Vai continuar a morrer gente na minha terra. Eu não gosto que os funerais sirvam para campanha dos políticos, por isso escrevi este artigo. E quando chegar a minha vez, não quero “politiquices”. Citem Mário de Sá Carneiro, e contribuem para o meu desejo em vida:

“Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro...”

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Sobre o novo visual: Um mergulho no tempo e na história...


José Saramago disse um dia que “...sem memória não existimos”, e Fernando Pessoa já tinha afirmado antes que “...a memória é a consciência inserida no tempo”. Para quem se interessa pelo passado, como forma de perceber o presente, mergulhar no tempo e revolver arquivos é uma tarefa fabulosa para a imaginação, mesmo que de uma simples história familiar se trate. Sem nos darmos conta, estamos a encarnar os nossos antepassados, e quando passamos pelos locais em que estes viveram, quase somos tentados a ver o mundo actual com os olhos de há 200 ou 300 anos atrás. Ao mergulhar nestas pesquisas, às tantas, eu já não era o João Bugalhão nascido em 1957, mas cheguei a sentir-me aquele outro João Bugalhão nascido em 1783 moleiro no Moinho da Malpiqua da Ribeira da Ponte Velha, casado primeiro com Joana da Conceição, depois, por morte desta, com Cândida Rosa, e pai de 12 (doze) filhos.

                                                     João Bugalhão in “Bugalhão um nome estranho”


A partir de hoje, e com este novo visual que apresento no cabeçalho deste meu escape que é a “Retórica bugalhónica”, passo a assumir e carregar nos ombros os 4 séculos de história de uma família tradicional de moleiros das margens do Rio Sever, no concelho de Marvão, numa história que investiguei.

O apelido Bugalhão terá sido usado pela primeira vez, por um sujeito de nome José, nascido em 1754 já no concelho de Marvão, que para além deste apelido, também ostentava outros dois: Toureiro, que era o apelido de seu pai e de seu avô (oriundo da vila de Alpalhão; e Gonçalves Serrano, de seu avô materno António, moleiro, e também já nascido no concelho de Marvão no final do século XVII, mas descendente de uma família oriunda da freguesia da Arrifana, concelho da Guarda (certamente essa a origem do apelido – Serra da Estrela: serrano.

A razão por que terá José passado a ostentar este apelido enigmático de Bugalhão, continua um mistério! O facto é que é, no mínimo estranho, tanto que é único em Portugal. O que significa que todos aqueles que têm este apelido são seus descendentes. 

Quem sabe, possa através deste espaço, encontrar alguém que me ajude a desvendar este mistério...


quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

ATÉ AO FIM...


Um dia pensei que gostaria de morrer, tendo de ser, a ler um bom texto de Saramago, a ver as fintas do Figo e a ouvir Madredeus. Mas, ouvir este poema e esta voz, talvez também fosse aceitável para a coisa. E, se não for pedir muito, lá para os 96!


Nestes tempos em que, a dita, anda por aí que nem uma doida, até parece que não tem mais nada para fazer, a poesia de Vasco Graça Moura, que transformei em prosa, mas que a Katia se encarregou de voltar a a fazer poesia. Simplesmente deslumbrante...


Intensamente amor, intensamente, ponho na minha voz esta saudade que é feita de futuro no presente e, na ilusão, é feita de verdade. Intensamente amor, intensamente.

Desesperando amor, desesperando, por mesmo assim eu não te dizer tudo, mesmo ao lembrar-me, de onde e como e, quando teu coração mudou, mas eu não mudo.

Desesperando amor, desesperando até ao fim, amor, até ao fim do mundo, tal qual Pedro e Inês.

Aqui te espero, aqui me tens a mim neste mísero estado em que me vês, até ao fim amor, até ao fim, amor, até ao fim...


domingo, 4 de janeiro de 2015

Futebol na sua essência...


Tal como aqui enunciei no Post anterior realizou-se ontem o jogo de futebol de Velhas Guardas entre o Grupo Desportivo Arenense e GRAP de Leiria. O resultado desportivo, talvez o que menos interesse para este evento foi uma vitória dos de SA das Areias por 4 – 0, mas de ressalvar sobretudo o convívio que leva um grupo de apaixonados a virem de Leiria ao concelho de Marvão para darem uns pontapés na bola e conhecer um grupo e uma região. A paixão, essa, é clara: o futebol na sua essência.

Daqui a uns tempos, serão os de SA das Areias, a retribuir a visita à freguesia de Pousos no concelho da cidade do Lis.

Mas mais que as palavras, ficam as imagens para mais tarde recordar. Repare-se sobretudo na paisagem envolvente de fazer inveja a um tal estádio da pedreira, que dizem ser um dos mais bonitos na Europa. Nada que se compare a este conjunto de pedregulhos que mira o Campo dos Outeiros em SA das Areias. Pena é que, tão grande investimento sirva para tão pouco!



Equipa do GDA. De pé da esquerda para a direita: Luís Costa, João Bugalhão, Simão Branco, Nuno Macedo, Artur Costa, Ricardo Ramos, José Vaz, Paulo David, Rui Canuto, Pedro Vaz, Pedro Jesus e Fernando Bonito; Em baixo: Pedro Graça, António Bonacho, Mário Cardoso, Filipe Gedelha, João Carlos, Luís Reis, Henrique Martins, Márcio Fernandes e o menino Miguel Anselmo.  



Equipas: GDA de camisola branca; e GRAP de camisola amarela

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Futebol/Convívio


Mais um jogo de futebol e convívio entre as Velhas Guardas do GD Arenense e os seus congéneres do GRAP de Leiria.

Quem quiser ver velhos craques futebolísticos é passar amanhã às 15 horas pelo Campo dos Outeiros em Santo António das Areias  







Para começar 2015: Dedo em algumas feridas...


O que cavaco deveria vir dizer, deixemo-nos de tretas.... 




quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Desejos para 2015...

Saúde, trabalho, algum amor, bocadinhos de felicidade e, se não for pedir de mais, um amigo como o do José Sócrates!!!

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Pantomineiro! Porquê?


A Rosa é bonita! Mas, mais é a Rita que coisa tão bela, e as flores nela, como a Gabriela, largam um perfume que fica tão bem. Formosa é a Anita esguia, catita, mas que caravela (ou avião)! Já a Daniela? Seu corpo revela sorrisos que assumem que a quero também. 

Falei com Amélia para ver a Aurélia, irmã de Florbela, pois flor como aquela só vira Manuela, aflora ciúme de rubro carmim. Quase não quis Odete, que através de Elisabete mandou as lágrimas dela ao contar-lhe na viela que, não seria ela, quem ia cuidar de mim.

Já beijei Joana e a Mariana, mas foi com cautela! Pois nessa ruela na mesma cancela, num golpe de sorte, Marina me quer. Tal como Firmina, Ana e Josefina querem ter a tutela, mas sinto a cela e o meu amor gela. Reanimo o norte e, fujo a correr...

Sonhei com os dias de todas as marias virem à janela, e como uma aguarela verde e amarela, num odor lá do forte de azul rosmaninho.

De tanto querer tudo o que é mulher, sei que no final, de não saber qual, vivo assim o mal de amar sozinho...

La, la, la…


segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

O mundo dos outros...

(Muito bom e vale a pena ler. Retirado daqui)

O tempo dos moradores suburbanos com fatos de alfaiate de segunda
por Helena Matos


“A imagem não é minha mas sim de Raquel Varela que referindo-se a Passos Coelho o viu “com o seu fato de alfaiate de segunda, morador suburbano”. Por sinal acho que Raquel Varela tem razão. Só que, como é próprio da extrema-esquerda, Raquel Varela não percebeu a razão da razão que tinha.

De facto Passos Coelho não só vive nos subúrbios como os seus fatos são semelhantes a milhares de outros que os habitantes dos subúrbios vestem durante os dias de semana. Ora aquilo a que se assiste neste momento entre os protagonistas da política em Portugal é também uma clivagem social e geracional. Uma clivagem transversal ao espectro político e em que os subúrbios e os fatos de segunda não serão irrelevantes.

No caso do PSD isso é evidente: os barões, os homens de fato de bom corte e apelidos históricos retiraram-se para que Passos Coelho fosse ali queimar umas etapas até que eles, naturalmente senhores da situação, fossem chamados a cumprir o papel para que se consideravam predestinados: a salvação nacional. Não foi assim e por isso o que não perdoam a Passos Coelho não foi o que este fez de errado mas sim, pelo contrário, que o seu falhanço não tenha sido absoluto. Tão absoluto que eles, numa certa noite de Julho de 2013, tivessem de ser chamados a Belém onde Cavaco lhes diria que salvassem Portugal. Não é o aumento da carga fiscal nem a austeridade que à direita não se perdoa a Passos mas sim o ter tornado irrelevantemente dispensáveis os bagões, os penedas, os freitas, os capuchos…

À esquerda as dores ainda são maiores. Em primeiro lugar porque o PS era e é a verdadeira aristocracia do regime. Em segundo porque António Costa precisou do velho PS para chegar à liderança. E mal esse PS se sinta beliscado no seu poder e influência vai começar a sentir-se traído pelo actual secretário-geral. Afinal o PS como bom partido de esquerda que é gosta de tratar os seus líderes como reis desde que estes façam o PS reinar. Por isso o PS correu com Seguro e serviu Sócrates. Este último deu ao PS uma pose e uma linguagem de poder e o PS calou. Aquilo que os socialistas em particular e o povo de esquerda em geral lastimam na queda de Sócrates nada tem de ideológico mas sim de social. O que lhes dói não são as acusações nem as suspeitas que caem sobre o antigo primeiro-ministro (que muitos socialistas aliás sempre tiveram) mas sim que todo este caso faça a esquerda descer do seu pedestal.

Quando, agora que Sócrates está preso, a esquerda se admira porque ao antigo primeiro-ministro é aplicada a legislação (aprovada por sinal pelos governos socialistas para os demais mortais) o que faz é simplesmente manifestar a sua estupefacção e incredulidade pelo facto de o país não lhes reconhecer a superioridade da esquerda que acreditavam ter inscrito no ADN da democracia.

O PS não quer naturalmente ser liderado por um corrupto mas quer que, se numa outra conferência de imprensa algum jornalista perguntar ao líder, como sucedeu quando José Sócrates anunciou a sua renúncia, se este não teme vir a ser alvo de investigações, de novo se ouça uma vaia monumental a quem teve o desplante de formular tal questão. O PS espera de António Costa que não compre fatos em Rodeo Drive nem faça férias em hotéis topo de gama mas exige que Costa seja capaz, tal como o foi Sócrates, de ridicularizar e humilhar quem insistir em perguntar aos socialistas donde vem o dinheiro. Agora não para um estrambólico modo de vida mas sim para as obras, para o investimento público e para as políticas anunciadas.

O que vivemos neste momento é um desacerto entre o mundo mediático e uma parte das elites dos partidos. Não interessa se se gosta ou detesta. Interessa apenas que é assim. Da extrema-esquerda ao CDS as nomenclaturas falam, agem e imaginam-se num Portugal em que eles, urbanos e cultos, pairam sob um povo de forte pendor rural. É o país dos muito pobres e dos muitos ricos, dos privilegiados e dos sem-abrigo. O país no qual eles, os políticos, se vêem a corrigir os desequilíbrios e as injustiças e a mudar a realidade à força de decretos-lei.

Só que esse país, por mais fotogénico que fosse, e de facto era e ainda é nas reportagens paternalistas que o New York Times nos dedica, coexiste com um Portugal suburbano, cheio de homens que vestem fatos de alfaiates de segunda para ir trabalhar. Alguns optam por uma ainda mais esteticamente dramática versão desportiva. As elites partidárias, culturais e mediáticas abominam este mundo que não fica bem nas fotografias, não aparece muito nas encíclicas e não encontra explicação em Marx. Das universidades onde se multiplicam os centros de estudos dirigidos por clones de Raquel Varela às sedes partidárias sejam elas de esquerda ou de direita, a dicotomia entre os muito pobres e os muito ricos justifica-lhes muito mais o seu pendor intervencionista.


Mas o país suburbano existe e é fundamental que os grandes partidos e os seus líderes democratizem a relação que têm com ele. Caso não o façam o desinteresse dessas pessoas será um dos terrenos em que crescerão os populismos que tornarão o país ingovernável. Os casos da França e da Espanha são um bom exemplo daquilo a que pode conduzir a clivagem entre os partidos democráticos e a realidade. Só que em Portugal não será sequer necessário que surjam uma Frente Nacional ou um Podemos para que acabemos num beco sem saída ou mais propriamente a acreditar que é possível regressar ao passado. PS e PSD têm mais do que quanto baste de gente que acredita que tal não só é possível como desejável.”

domingo, 28 de dezembro de 2014

Que estranha forma de ser a destes socialistas...


Alguém escreveu que “...o socialismo só existe quando existe dinheiro de outros”. O mesmo parece aplicar-se em relação às leis que eles próprios criam, que parece que só se aplicam aos não socialistas!

Vem isto a propósito de um decreto de lei publicado pelo governo de José Sócrates em 2011 que legislava sobre a correspondência enviadas a presos, mas que segundo eles próprios, apenas se deveria aplicar aos que não tenham sido bafejados/endeusados pela filosofia socialistas. Como é o caso do agora “preso 44”, que passou de legislador a recluso. Os que têm a “fichazinha” no largo do rato estão dispensados de cumprir esta ou qualquer outra legislação!

Veja-se o que diz o artigo 127º do REGULAMENTO GERAL DOS ESTABELECIMENTOS PRISIONAIS, que um tal José Sócrates Pinto de Sousa aprovou, mas parece que apenas para os outros, não para ele:






Razão tinha o outro: “façam o que eu digo mas não o que eu faço”, ou mande fazer!

Não se percebe o porquê de tanta indignação dos democratas da treta por causa das “encomendas” enviadas ao “mestre” da filosofia. A não ser que, o senhor, esteja a fazer alguma biblioteca em Évora! Se assim for, mandem-lhe é encomendas com notas de 500 euros, que era ao que ele estava habituado... 




sábado, 27 de dezembro de 2014

Tesourinhos deprimentes...


Para os amigos do agora, 44, que não param de criticar a actual mensagem de natal de Passos Coelho, oiçam esta datada de Dezembro de 2010, 5 meses antes da bancarrota, e 6 messes antes do dito abandonar o barco.

São 7 minutos que vale a pena recordar...


quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Pois podia...


Podia haver uma luz em cada mesa, e, uma família em cada casa! Jesus em Dezembro aqui, na Terra, podia ser natal e não ser farsa. 

A história certa é: natal de porta aberta. A ceia servida é a vida do criador!

Podia ser notícia o fim da amargura que divide os homens, por de trás dos canhões! A fome e a miséria servem a loucura que, forja profetas e divide as nações!

Podia ser verdade o tom e o discurso desse velho actor, falando aos fiéis. Mas nada se passa na noite do mundo, máscaras de dor, pequenos papéis...

Podia ser Natal...


quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Assim se brinca às empresas públicas: Greve da TAP desconvocada...

Greve da TAP desconvocada

Depois de terem causado transtornos a todos aqueles que, por esse mundo fora, precisavam dos seus serviços, às vezes uma vez por ano e apenas nesta época, de terem chantageado os governantes,  e, de terem causado milhões de euros de prejuízo a todos os contribuintes, ainda querem sair como heróis.

Se os salgados, costas oliveiras, sócrates e restante pandilha começam, pelo menos, a ser desmascarados, para quando o julgamento desta gente favorecida e protegida, mas que não fica muito à frente nos prejuízos que têm causado ao país.

Começa a ser hora, apesar de ser natal, de dizer: já chega. Não rima mas é verdade...   

Porque é Natal...


Para todos os visitantes aqui da Retórica umas boas festas:



terça-feira, 23 de dezembro de 2014

O socialismo será só para o dinheiros dos outros....


Para quem passa a vida a insultar empresários e governantes que pagam salários baixos, não deixará passar este flagrante caso de exploração do factor trabalho: O motorista de sócrates ganhava 600€ por mês; ou seja, sócrates, patrão, pagava 600€ ao seu motorista João Perna (às tantas com disponibilidade permanente).

Ou seria, ao menos, 600€ por cada perna!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Tiro pela culatra! Há dias assim....


Mal a vi, fui seduzido, com o seu corpo lança-chamas e a perna bem torneada, e, eu meti no meu sentido, se não a levo para a cama não sou homem não sou nada. Pus um ar de matador, e assim, sem falinhas mansas, convidei-a para jantar! Quase a vi ficar sem cor, mas quando eu perdia as esperanças..., aceitou, sem hesitar!

Pronto para a grande conquista, barba feita risco ao lado, sapato novo e brilhante. Comprei rosas na florista, e cheguei adiantado à porta do restaurante. Quase me caía o queixo e, até fiquei aturdido, com o choque da surpresa.

Ela, ao chegar, deu-me um beijo, apresentou-me ao marido e..., foi andando para a mesa... 


quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Carta para o pai natal...


 Meu caro pai natal, apesar dos meus 57 anos de idade, é a primeira que a ti me dirijo, pois nos meus tempos de menino, tu, ainda não eras tão popular por estas paragens, e depois de adulto nunca engracei muito contigo, mas como não sei a quem me dirigir, olha, aqui vai:

Numa época em que toda a gente te pede coisas, eu não quero nada de substancial, diga-se até que, estou aqui mais a interceder para dar, do que para pedir. Tenho assim, um pedido muito simples para ti. Gostava de deixar de ser accionista das empresas de transportes aqui no burgo, nomeadamente, TAP, METRO´s, CP e afins, etc.

Desconheço o porquê de me terem feito accionista de tais empresas. Devem ter-se aproveitado aí por volta de 1975 da minha ingenuidade de rapaz, a partir daí nunca mais me largaram. Mas agora já passou muito tempo e nunca me deram, ou usufruí, de qualquer dividendo. Dizem-me ainda que é por serem de superior interesse nacional, mas eu duvido, não possuo qualquer conhecimento do ramo, e não quero ser responsável por coisas destas,  ou destas,  e muito menos de  estas

Contribuir para a saúde, segurança, defesa, educação, segurança social, ainda vá que não vá, agora para transportes? Que façam como eu e outros, aqui no interior, paguem quando precisarem de se transportar. Senão andem a pé que faz bem à saúde e desenvolve a industria portuguesa do calçado. 

Agora é de vez, não quero mais. Cedo gratuitamente e, a título definitivo, as minhas acções ao pcp, ou à cgtp (que as leiloem na festa do avante), ou ao costa. Mete-lhas no sapatinho na próxima noite de natal, ou em outro sítio qualquer, é-me indiferente! Não as quero, e "prontes".

Nem que tenha de roubar o burro do presépio ao menino jesus para me transportar. Comprar-lhe-ei todo feno para a sua alimentação, uma albarda nova, e um par de ferraduras de 6 em 6 messes. Por isso, quem quiser andar de cu tremido nessas "empresas estratégicas", que pague os custos. Eu prefiro andar de burro...

Espero, pai natal, no futuro passar a ser mais um que acredita em ti! Obrigado.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Leitura de fds: Polvo à portuguesa...

Do que nos livrámos
por José António Saraiva

“Em 2008, o BPN foi nacionalizado contra a vontade dos seus accionistas. Na altura, poucas vozes contrárias se fizeram ouvir, até porque a nacionalização tinha o aval do governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio.

Após este acto, o Governo designou como administrador do BPN Francisco Bandeira, um homem da confiança pessoal de Sócrates. Entretanto, no ano seguinte, na sequência de convulsões internas, o BCP seria 'governamentalizado', entrando para a administração Carlos Santos Ferreira e Armando Vara, notórios amigos de Sócrates.

O BES, por seu lado, era governado por Ricardo Salgado, cuja cumplicidade com Sócrates se tornou a partir de certa altura evidente, ao ponto de - quebrando a sua proverbial contenção nas referências ao poder político - elogiar por diversas vezes o primeiro-ministro em público. Quanto à CGD, era tutelada pelo Governo.

Em conclusão, exceptuando o BPI (de Fernando Ulrich), a partir de 2009 toda a banca ficou 'nas mãos' de Sócrates ou dos seus amigos: CGD, BCP, BPN e BES - para não falar do BdP, onde pontificava Constâncio.

Na comunicação social a situação também não era famosa.

No início do consulado de José Sócrates, o grupo Controlinvest (DN, JN e TSF), de Joaquim Oliveira, foi logo identificado pelo primeiro-ministro como um potencial aliado (até pela sua dependência da banca). O grupo Cofina (Correio da Manhã e Sábado), de Paulo Fernandes, também se mostrava cauteloso nas referências ao Governo.
O grupo Impresa (SIC, Expresso e Visão) mantinha-se na expectativa. O grupo RTP (RTP e RDP) pertencia ao Estado e mostrava-se dócil. O grupo Renascença não se metia em sarilhos.

Restava o quê?

A TVI e o Público - este dirigido por José Manuel Fernandes, considerado por Sócrates persona non grata. O SOL só apareceria mais tarde.

 Quando rebenta o caso Freeport, em 2009, as coisas vão aquecer.

A TVI estabelece um acordo com o SOL para a investigação daquele tema e torna-se para Sócrates um inimigo declarado. Manuela Moura Guedes, a pivô do jornal televisivo de sexta-feira (que antecipa as notícias do Freeport), é o primeiro alvo a abater - e Sócrates empenha-se em afastá-la por todos os meios; mas tal não se mostra fácil, dado ser mulher do director da estação, José Eduardo Moniz.

Em desespero, Sócrates tenta usar a PT para comprar a TVI, mas o negócio borrega. Também há tentativas para fechar o SOL, através do BCP (que era accionista de referência do jornal), comandadas por Armando Vara.

No que respeita à Impresa, apesar de não fazer grande mossa ao socratismo, sofre vários ataques, designadamente por parte de Nuno Vasconcellos e Rafael Mora, líderes da Ongoing e próximos de Sócrates, que tentam encostar Balsemão à parede. Finalmente, sem se perceber porquê, Belmiro de Azevedo aceita a saída de Fernandes da direcção do Público, e Moura Guedes e Moniz deixam a TVI (indo este estranhamente para a Ongoing…).

O SOL fica isolado - e só se salvará por ser adquirido por accionistas não envolvidos na política interna.

Visto o controlo substancial de Sócrates sobre a banca e a comunicação social, olhemos para o poder político.

Sócrates dominava naturalmente o Governo, de que era o chefe, e o Parlamento, onde o PS tinha maioria absoluta - só lhe escapando a Presidência da República. Por isso, voltou contra Cavaco Silva todas as baterias.
 O PS e o Governo tentaram tudo para implicar Cavaco no caso BPN, por deter acções do banco (embora as tenha vendido antes de ir para Belém). Esta campanha contra o Presidente da República ressuscitaria com estrondo nas eleições presidenciais de 2011, com a cumplicidade - diga-se - de muita comunicação social.

Outro momento alto da guerra contra Cavaco foi o aproveitamento de uma gafe de um seu assessor, Fernando Lima - que tinha falado a um jornalista sobre a possível existência de escutas a Belém -, para tramar o Presidente. Usando uma técnica nele recorrente, Sócrates armou-se em vítima, virou os acontecimentos a seu favor e tentou destruir Cavaco Silva, acusando-o de montar uma cabala.

Outra vez com a ajuda de muitos jornalistas, os socratistas exploraram o caso à exaustão e o assunto foi objecto de intermináveis debates televisivos - onde se chegou a dizer que o PR tinha de renunciar ao cargo! A campanha não matou Cavaco mas fez mossa, fragilizando o único bastião que não era dominado por Sócrates na esfera do poder político.

Talvez hoje alguns jornalistas percebam melhor o logro em que caíram.

Passando finalmente à Justiça, Sócrates tinha no procurador-geral da República, Pinto Monteiro, e no presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha do Nascimento, não propriamente dois cúmplices, como alguns disseram, mas duas pessoas que pareceram sempre empenhadas em protegê-lo, fossem quais fossem as razões.

Nesta área, Sócrates contava ainda com um bom aliado: Proença de Carvalho, pessoa influente nos meios judiciais (incluindo junto de Pinto Monteiro). E teve sempre o apoio do bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho e Pinto. Portanto, também aqui, o primeiro-ministro estava bem acolchoado.

Governo, Parlamento, Justiça, comunicação social, banca: Sócrates controlava os três poderes do Estado - executivo, legislativo e judicial - e estendia os seus tentáculos ao quarto poder (os media) e ao poder financeiro (os bancos).

Talvez muita gente não se tenha apercebido na época deste cenário aterrador. Mas olhando para trás - e sabendo-se o que hoje se sabe - temos noção do perigo que o país correu: um homem sobre o qual pesam suspeitas tão graves chegou a deter um poder imenso, que se alargava a todas as áreas de influência.

Só de pensar nisto ficamos assustados - e é muito estranho que alguns dos que privavam com ele não se tenham apercebido de nada. Foi lamentável ver pessoas de bem - como Ferro Rodrigues ou Correia de Campos - fazerem tão tristes figuras, defendendo-o encarniçadamente até ao fim.

É certo que, como bem disse José António Lima, a democracia venceu-o, afastando-o do cargo. Mas também foi a democracia que permitiu que um homem como este chegasse a reunir um poder tão grande em Portugal.

Isso mostra a vulnerabilidade do sistema democrático.

P. S. - No caso dos vistos gold, logo a seguir às detenções, deu-se por adquirido que os arguidos eram culpados, considerou-se “inevitável” a demissão de Miguel Macedo, e António Costa disse que o Governo ficava “ligado à máquina”. Uma semana depois, as mesmas pessoas contestam a prisão de Sócrates, invocam a “presunção de inocência” e acham “absurdo” falar na hipótese de demissão de António Costa.
Palavras para quê?”


Só falta saber “quem” representa este José António (Saraiva), acho que a mim não, apesar de me parecer que aqui tem razão... 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Parabéns a você...



Há 36 anos, por esta hora, um grupo de amigos em SA das Areias preparava-se para criar uma das instituições mais importantes, ao longo destes anos, no concelho de Marvão: O Grupo Desportivo Arenense.


Instituição herdeira de outras que a antecederam quer na área desportiva, mas também nas áreas cultural e recreativa, o GDA teve ao longo da sua vida, como qualquer instituição ou pessoa, pontos altos e pontos menos altos, mas lá continua a desempenhar o seu papel.

Entrei para este clube em 1980, isto é, 2 anos após a sua criação. Primeiro como mero sócio e praticante de dar uns pontapés na bola (nunca com grande sucesso), depois, mais tarde, quando me radiquei na terra, aí fui praticamente tudo: massagista, treinador de futebol de formação e de seniores em cerca de 20 anos, presidente da direcção (6 anos), presidente da mesa da assembleia geral (2 anos), e, nos últimos 6 anos responsável pela secção de velhas guardas. Foi e é, para mim, um privilégio pertencer a este Clube.

Por isso no dia do seu aniversário deixo aqui os meus sinceros parabéns. Que venham outros 36 anos.       


sábado, 6 de dezembro de 2014

Para aquecer o coração...


De manhã cedinho eu salto do ninho e vou para a paragem, de bandolete à espera do sete, mas não pela viagem! Eu bem que não queria mas, um belo dia, eu vi-o passar, e o meu peito, que é céptico, por um pica de eléctrico, voltou a sonhar.

Em cada repique que salta do clique daquele alicate, de um modo frenético, o peito que é céptico, toca a rebate. Se o trem descarrila o povo refila, e eu fico num sino, porque um mero trajecto, no meu caso concreto, é já o destino.

Ninguém acredita o estado em que fica o meu coração quando o sete me apanha, até acho que, a senha, me salta da mão! Pois na carreira desta vida vão, mas nada me dá, a pica que o pica, do sete me dá!

Que triste fadário e que itinerário tão infeliz, traçar meu horário com o de um funcionário, de um trem, da carris. Se eu lhe perguntasse se tem livre passe para o peito de alguém? Vá-se lá saber, talvez eu, lhe oblitere o peito, também... 



quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Difícil, difícil, é simplificar...


No passado sábado após mais um convívio futebolístico, que até nem correu muito bem para o nosso lado em termos de resultado, conversava ao jantar com dois jovens técnicos da modalidade, manifestando-lhes o meu desacordo sobre as “novas linguagens” utilizadas, quer por comentadores quer por alguns técnicos sobre a arte do pontapé na bola, e que, em minha opinião, nada trouxeram de novo à compreensão do futebol.

Ele são as posições 6 ou 10, às vezes as 8 ½ ou 9 ½ (curiosamente fala-se pouco da posição 11); ele são as “segundas-bolas”; ele são as transições, as coberturas, as contenções, etc., etc.,.

Quando afinal, o futebol, o desporto-rei, a modalidade do povo é tão simples: primeiro tentar não sofrer golos (defender), e depois tentar marcar (atacar). E acho que não estou só, veja-se o que diz José Mourinho aqui:

“Em Liverpool, um jornalista perguntou-me antes do jogo: `Vais atacar ou defender? Eu disse-lhe: `Vou atacar quando tiver a bola e defender quando não a tiver. Ele perguntou-me: `É assim tão simples? Sim, é simples. Se tens a bola queres marcar, se não tens queres impedir que o adversário marque. Por vezes querem complicar o que é simples”.

Não posso estar mais de acordo. O resto é conversa...

Aposto que se está a ver ao espelho...


"O sistema vive da cobardia dos políticos, da cumplicidade de alguns jornalistas, do cinismo dos professores de Direito e do desprezo que as pessoas decentes têm por tudo isto". 

São acusações de José Sócrates, manifestadas numa carta de três páginas, escrita à mão e a tinta vermelha, enviada ao "Diário de Notícias", e transcritas aqui.

Pior que isto, ou mais triste como diz o Ricardo Araújo Pereira, só se for ter "um motorista que funciona como multibanco, um amigo que funciona como offshore e uma mãe que funciona como agente imobiliária."

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

E agora PS?

Para ler aqui, e reflectir

Ou Assis leva o "passo" trocado, ou todos os outros (Costa, Ferro Rodrigues, Jorge Sampaio, Vera Jardim, Vítor Ramalho & companhia) não primam por grande coerência. Como sempre...




sábado, 29 de novembro de 2014

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Política à portuguesa...


Passos Coelho, primeiro-ministro de Portugal, deu ontem uma entrevista ao Canal 1 da RTP. Em minha opinião até nem esteve muito bem. Não na postura do “estou melhor assim? ou assim...?”, como o outro que agora está atrás das grades, mas sobretudo em relação aos conteúdos que, me parece, são o que interessa. Devia ter-se preocupado, especialmente, em realçar, de forma objectiva, como estava o país quando tomou posse do governo, o que mudou desde então, e o que pensa fazer para o futuro, de uma maneira muito clara e simples, dizendo as verdades, não cair na tentação do facilitismo, para que toda a gente o percebesse. E aí, Passos Coelho, continua a revelar algum défice de comunicação para o grande público, digo eu.

Mas o que mais me indignou foi o corrupio dos representantes da oposição a correrem, desalmadamente, para comentarem a entrevista, como quem está aflitinho para ir à casa de banho, sem um período de análise e reflexão sobre a mesma, a debitar opiniões feitas, e os gajos da comunicação social a estenderem os solícitos microfones, como quem oferece o papel higiénico para os ditos limparem o pipi ou a pilinha consoante o género. Depois, é vê-los afastarem-se para os seus camarins, como quem se aliviou de uma qualquer necessidade urgente, e, darem a vez aos papagaios comentadores, que agem como moscas, atirados a uns e a outros, como quem devora as fezes mais saborosas.

Pobre política, e que maus políticos elegemos....