sábado, 15 de novembro de 2014

Uma das minhas, muito, preferidas...


(Dedicada ao meu amigo Nuno Mota)

Vê se pões a gargantilha porque amanhã é domingo, e eu quero, que o povo note, a maneira como brilha, no bico do teu decote. E se alguém perguntar, dizes que eu a comprei, ninguém precisa saber, que foi por ti que a roubei. E se alguém desconfiar porque não tenho um tostão, dizes que é uma vulgar, jóia de imitação.

Nunca fui grande ladrão, nunca dei golpe perfeito, acho que foi a paixão que me aguçou o jeito. Por isso põe a gargantilha, porque amanhã, é domingo, e, eu quero que o povo note, a maneira como brilha, no bico do teu decote...

Para todos os gostos:











sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Andam por aí os russos, mas hoje temos os arménios....


Arménio era um trolha da areosa, que tinha um par de olhinhos azuis, que quando me fixavam, no baile, me punham indefesa e tão nervosa. Arménio tenho nas minhas gavetas, aerogramas, cheios de erros de ortografia, perfumados entre as minhas meias pretas, aquelas que te punham em estado de euforia!

Arménio fui tua madrinha-de-guerra, rezei por ti, longas novenas sem fim. Para voltares inteirinho, e sem mazelas, mas ficaste por lá tão perdido no capim. Arménio quantos sonhos e planos? Prometeste que me levavas a Lisboa em Junho, no dia dos meus anos, bem sabes que a memória, é um atributo dos gémeos...



Esperemos que estes não incomodem a aviação e a marinha, mas sobretudo, não chateiem muito....

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Desafios: Apenas uma opinião...


Não são nada fáceis estas coisas da economia, sobretudo quando somos bombardeados continuamente com números e mais números. A maioria das vezes sem qualquer análise, fundamentação, ou explicação. Creio mesmo que, o objectivo é, baralhar o povinho.

O que hoje aqui apresento é arrojado, fruto de uma mera análise minha à evolução de alguns indicadores económicos, à sua influência na economia real, e na vida de todos nós. Uma hipótese por mim aventada, enquanto cidadão, de como se poderia, estrategicamente, contribuir para a saída desta crise que nos envolve.

1 – A Balança Comercial e o milagre das Exportações

Como já escrevi aqui, e se pode ver no Gráfico 1, o aumento das Exportações tem permitido a Portugal, nos últimos 3 anos, equilibrar a sua balança comercial com o exterior, e assim amenizar um pouco a crise. Pela primeira vez em 40 anos (em 2013) Portugal teve um saldo positivo com o exterior que se visse, no valor de 3,7 mil milhões de euros, isto é, entre o que importámos e o que exportámos, Portugal ficou a ganhar quase 4 mil milhões de euros, num só ano. Vários analistas dizem que isto foi uma oportunidade que a crise proporcionou. No entanto, não faltam também aqueles que dizem que estaremos a atingir o máximo das capacidades exportadoras, e que a partir daqui a ideia deve ser, pelo menos, tentar manter.


No entanto, apesar deste aumento significativo das exportações, que passaram de 47,6 mil milhões de euros em 2009, para 68,6 mil milhões em 2013 (um aumento de 21 mil milhões de euros), o seu impacto no PIB, apesar de existir, parece ser pouco significativo, como se pode ver no Gráfico 2, certamente devido o seu baixo valor em relação ao PIB total. Em 2013, apesar deste extraordinário aumento, as exportações representaram apenas 40% do PIB, mas em 2009 representavam apenas 30%. 


Este valor redondo dos 30% de impacto das exportações no PIB, parece ter sido a norma que acompanhou toda a primeira década deste século (2000 – 2010). Tal não admira, foi o tempo das grandes entradas de “dinheiro fresco” em Portugal, quer através de Fundos Comunitários, quer através do recurso a empréstimos. Só o Estado, nesses 10 anos, pediu emprestado cerca de 100 mil milhões de euros, e os privados ninguém sabe!

2 – O modelo do Consumo Interno como motor da Economia  

Foi uma década em que o foco estratégico foi posto no “consumir”, tal como na altura dos descobrimentos, ou do ouro do Brasil. Não admira assim que, o “consumo interno”, acompanhasse (e se confundisse), praticamente, com o crescimento do PIB, como se pode ver no Gráfico 3. O consumo sobe o PIB sobe, o consumo desce o PIB desce. Ora como o que interessava era “o crescimento” do PIB, consuma-se então, foi a palavra de ordem. O resultado está aí: Banca Rota.

Gráfico 3 - Evolução do PIB e do Consumo Interno 2000 - 2012


    Fonte: Banco de Portugal


Mas será o consumo interno, em Portugal, um mal em si mesmo? Claro que não, e se sustentável será, sem ser o motor principal, ser pelo menos, o motor auxiliar do desenvolvimento económico saudável. Assim como uma espécie de motor eléctrico dos automóveis híbridos.

Em Portugal, devido às suas dificuldades de produção dos produtos que alimentam o consumo, a solução, tem sido o recurso às Importações, e isso, é que na minha opinião tem contribuído para a nossa desgraça, e motivo pelo qual os outros países, se fazem passar por nossos amigos, indo ao ponto de nos emprestarem dinheiro para estimular esse consumo! Como habitualmente, não temos material para a troca, o resultado, é o desequilíbrio da balança de transacções, e o recurso ao endividamento.

3 – O desafio: Produzir (investir) nos Produtos que nos faltam para alimentar o consumo interno

Se analisarmos bem o Gráfico 3, podemos verificar que a diminuição do consumo interno, parece arrastar o decréscimo do PIB. Entre 2010 e 2012 o consumo interno caiu cerca de 8 pontos percentuais, e PIB caiu 5. Se tivermos em conta, que parte deste consumo interno é alimentado por importações, verifica-se no Gráfico 1, e como é lógico, que as ditas também caíram entre 2010 e 2012 num valor absoluto de aproximadamente 3 mil milhões de euros; e essa diferença ainda é maior se, tivermos como referência o ano de 2008, a diferença para 2012 é de cerca 9 mil milhões de euros! Uma brutalidade, como diz o outro.

Ora em minha opinião, a saída para esta situação, seria Portugal inventariar quais produtos que levaram a esta queda “brutal”, averiguar aqueles que são indispensáveis, e os que podemos produzir em Portugal, e partir para o tal investimento. Os Fundos Comunitários 2014 – 2020 teriam aqui uma boa aplicação.

Com um aumento no consumo interno na ordem dos 4 pontos percentuais (4 a 5 mil milhões de euros/ano), e a manutenção das Exportações, o PIB poderia crescer acima dos 2% ao ano, a nossa balança comercial continuaria estável, o emprego aumentaria, o país ficaria menos dependente do estrangeiro, se conseguíssemos manter o nível das nossas exportações nos 70 mil milhões (foram 68 em 2013), poderíamos continuar a importar no valor dos 65 mil milhões (64,9 em 2013), e poderíamos começar a pensar em pagar alguma da nossa dívida ao exterior.

Para tal, talvez não fosse mal pensado, que cada português aderisse a esta campanha na hora de comprar, seja o que for, e preferir o "Produzido em Portugal". Mesmo que um pouco mais caro, todos nós estaríamos a contribuir para o tal crescimento económico de que tantos falam. E isto seria como o dar sangue: custa muito pouco a cada um mas o país agradeceria. E depois pedir sempre a tal FacturaQuem sabe não esteja aqui a solução. 

Aqui fica o meu contributo de cidadão português:

    

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Quem falou em criminalizar maus tratos a animais?


Do facebook do Manuel Issac Correia retirei este artigo, o título é meu, que me parece pertinente para reflexão de “determinados “defensores dos animais! 

E agora? E se ....




“A problemática dos animais é algo de muito complexo. Hesitei muito em publicar (ou não) esta foto pelo choque que a imagem naturalmente causa, mas cheio de dúvidas vou atrever-me a colocá-la sem garantir que não a retirarei, pois continuo indeciso. E coloco-a não para chocar, mas sim porque sem ela não seria fácil provocar o desafio para uma reflexão que me preocupa e gostaria de partilhar, esperando recolher opiniões.

Esta foto foi feita ontem à hora de almoço numa quinta junto à minha casa. Esclareço que os animais foram de imediato abatidos para não sofrerem, e se não ficaram ainda em pior estado foi porque a minha mulher se apercebeu da situação e afugentou a cadela que lhes fez isto. O que considero mais relevante é que este ataque não é propriamente um ataque de um predador, nem a cadela que fez isto é um animal perigoso. Pelo contrário, é uma cadela de porte médio para o pequeno, de cor preta. Uma “rafeirota” até simpática que pertence a outros vizinhos. A cadela não fez isto para atacar os animais nem para se alimentar. Fê-lo como uma forma de brincadeira, para "espicaçar" estes pobres animais que ficaram neste estado.

Põe-se então aqui um problema com o qual frequentemente se debatem as pessoas que vivem em minifúndio. Segundo as pessoas de mais idade ter um cão solto é arranjar de imediato brigas com os vizinhos. Os cães não conhecem os limites das "suas propriedades" (nem dos seus limites digo eu!), pisam as hortas, atacam outros animais, desassossegam os que estão presos e tudo isso incomoda todos os vizinhos e cria atritos.

Pessoalmente nunca gostei de ver cães presos, mas na prática, e por mais que goste de cães, tenho de conceder que, à solta, são por vezes um perigo, uma ameaça e uma provável fonte de conflitos de vizinhança, pelo menos em zonas de quintas. Com a confusão que vai por vezes nalgumas cabeças, entre mau trato ao animal e, realidade da vivência no espaço rural, antevejo que um cão preso possa vir a ser uma nova fonte de conflito, desta vez legal, entre os seus proprietários e as autoridades. Ou seja, mais uma oportunidade para multas, processos e chatices.
Vou dar o meu perdigueiro porque não o quero ter preso, e não estou tranquilo relativamente ao seu comportamento à solta em espaço de quintas. E vou ter uma Serra d' Aires por pensar que será um animal menos problemático para se manter à solta.

Quem tem opiniões sobre este assunto?”

domingo, 9 de novembro de 2014

O mundo dos outros...

O genial programa do Costa

pelo comendador Marques Correia in Jornal Expresso


"A Coluna de Alterne, única que vê o mundo como ele é, não tem dúvidas. Em matéria de programas políticos, António Costa leva a Palma (e a Almirante de Reis e o Martim Moniz) a todos os outros políticos. Vejamos porquê:

Costa avançou para o partido, mas com o cuidado de não revelar o que seriam as grandes linhas da sua acção. Isso - disse - ficaria para o Congresso.
Agora, que avança para o Congresso, tem o extremo cuidado de não revelar as linhas fundamentais do que fará quando chegar ao Governo. Apresenta uma agenda para a década, que como se compreende (até por ser para 10 anos, tem de ser vagamente... hum... vaga). A solução dos problemas concretos, afirma - e bem -, ficará para uma grande discussão que se fará brevemente.
Para o ano, Costa avançará para as eleições com um programa eleitoral que será o resultado das grandes linhas para o Congresso, do grande debate entretanto feito, da Agenda para a Década e de todos os contributos que receber. No entanto, ninguém espere uma concretização excessiva, porque isso terá de ficar para o programa de Governo, que será mais abrangente do que o PS, como, em boa hora, já prometeu.
O próprio programa do Governo não poderá, tendo em conta a diversidade e multiplicidade de acordos feitos, ser absolutamente específico. Essa especificidade é própria de um Orçamento, pelo que no Orçamento do Estado feito pelo Governo de António Costa teremos mais certezas sobre o caminho que o país percorrerá.
No entanto, como se sabe, Costa defende Orçamentos do Estado plurianuais, o que é bem visto. Assim sendo, o próprio Orçamento, como o próprio Costa explicou ao jornal "Público", numa inovação saudável e respeitável "é móvel e vai sendo adaptado".
Digam lá quem não fica rendido a isto? Só se for o Dr. Pires de Lima..."

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Proposta de fim-de-semana...


(... mas também daria uma boa mensagem para os jihadistas. Ou para muitos portugueses azedos)

Os cidadãos no Japão, fazem, lá na China um bilhão, fazem, façamos, vamos amar!
Os espanhóis, os lapões, fazem, Lituanos e letões, fazem, façamos, vamos amar! Os alemães em Berlim, fazem, e também lá em Bom... em Bombaim, fazem, os hindus acham bom. Nisseis, nikeis e sanseis, fazem, lá em São Francisco muitos gays, fazem, façamos, vamos amar!

Os rouxinóis e os saraus, fazem, implicantes pica-paus, fazem, façamos, vamos amar! Uirapurus no Pará, fazem, tico-ticos no fubá, fazem, façamos, vamos amar! Chinfrins, galinhas, afins, fazem, e jamais dizem não... Corujas, sim, fazem, sábias como elas são. E os perus, todos nus, fazem, gaviões, pavões e urubus, fazem, façamos, vamos amar!

Dourados do Solimões, fazem, camarões e camarães, fazem, façamos, vamos amar! Piranhas só por fazer, fazem, namorados por prazer, fazem, façamos, vamos amar! Peixes elétricos bem, fazem, entre beijos e choques... Cações também, fazem, sem falar nos hadocs! Salmões no sal, em geral, fazem, bacalhaus do mar em Portugal, fazem, façamos, vamos amar!

Libélulas e nambus, fazem, centopéias sem tabus, fazem, façamos, vamos amar! Os louva-deuses, por fé, fazem, dizem que bichos de pé, fazem, façamos, vamos amar! As taturanas também, fazem, com ardor incomum, grilos meu bem, fazem, e sem grilo nenhum. Com seus ferrões, os zangões, fazem, pulgas em calcinhas e calções, fazem, façamos, vamos amar!

Tamanduás e tatus, fazem, corajosos cangurus, fazem, façamos, vamos amar! Coelhos só, e tão só, fazem, macaquinhos no cipó, fazem, façamos, vamos amar! Gatinhas com seus gatões, fazem, dando gritos de ais... Os garanhões, fazem, esses fazem demais. Leões ao léu, sob o céu, fazem, ursos lambuzando-se no mel, fazem, façamos, vamos amar!

Façamos, vamos amar!!


quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Que pensará disto a poderosa Ordem dos doutores médicos?



" ...Os investigadores do Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz analisaram exaustivamente a medicação de 126 idosos que vivem em três lares das regiões de Lisboa e Vale do Tejo e do Alentejo. As conclusões  do estudo publicado na última edição da Revista Portuguesa de Farmacoterapia são preocupantes: cerca de um sexto dos 1315 fármacos receitados diariamente foram identificados como “medicamentos potencialmente inadequados” e, em média, cada idoso tomava dois remédios que não faziam sentido tendo em conta o seu estado de saúde e a sua idade. No total, três quartos destes idosos estavam a tomar medicamentos potencialmente inadequados. Em média, cada um deles sofria de mais de quatro comorbilidades (patologias) e tomava mais de dez medicamentos por dia. Havia um idoso a quem tinham sido receitados 28 remédios..."

Eu já conheci um com 35!!!!!

Piadas de caserna...


"Avião" russo de novo sob escolta de português!!!


quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Ai esta merkel tem cá cada uma...



Esta fräulein não se atura, e não diz coisa com coisa! Então Portugal e Espanha têm licenciados a mais? Que parvoíce, claro que não têm! 

"Um vizinho do meu pai também dizia que não tinha burros a mais, não tinha era nada para lhes dar que fazer! Por isso, os ditos, era coice que até fervia. Dizia-se que era do «vício»."


Mas então pergunto eu, se não temos licenciados a mais, então porque é que existem tantos desempregados com Ensino Superior? E só não são muitos mais, porque têm emigrado como as aves. Note-se que, "desempregados", é o que por aí não falta. Mas os "licenciados desempregados" são em muito maior percentagem, dizem!

Se olharmos para o Gráfico 1 podemos verificar que, desde o ano 2000 o desemprego em jovens com o ensino superior não tem parado de aumentar, afectando em 2012 praticamente 40% dos jovens entre os 15 e os 24 anos. E nestes dois últimos anos, apesar de ter descido um pouco, de acordo com os últimos dados esses valores continuam superiores a 30%. Contrariamente ao que se tenta também fazer crer, parece que o problema (apesar de ter sido agravado), não é apenas deste governo e da troika, já que como se pode ver no Gráfico, desde 2000 que o percurso parece uma daquelas etapas de montanha na volta à França em bicicleta.


Podemos ainda observar que, mesmo quando comparamos os "jovens licenciados", com os jovens da mesma idade apenas com "ensino secundário completo" (apesar destes terem pouca formação profissional), o desemprego afecta sempre mais significativamente os jovens licenciados. Isto para já não questionar onde estão a trabalhar muitos dos licenciados? Muitos dos quais em caixas de hiper-mercados, balcões de centros comerciais, e coisas que tais.

Com o que acabo de afirmar em cima, não faltarão aqueles que, pelo menos, me estarão a acusar de estar a apelar à iliteracia e/ou mesmo ao analfabetismo, mas estão enganados. O que eu defendo é que, há muito, este país deveria ter algum planeamento, porque os recursos são poucos, e sempre foram. Desbaratá-los com o que não precisamos só para dizermos que temos muitos "dotôres", para subirmos nos "rankings", não me parece lá grande coisa, que é como quem diz uma boa política de formação.

Mas então o que fazer? Isso deve ter sido o que a merkel também disse, mas isso não interessa aos papagaios do regime, incluindo o até ministro Crato, que tão “acagachado” anda pelo Mário Nogueira & companhia, que até ele veio alinhar no coro. 

Assim não Crato, digo eu agora! E perdeste mais um apoiante.

O que este país deveria planear é quantos licenciados, ou outro grau académico precisa, bem como áreas que deve privilegiar. E depois, por mãos à obra e formar. Abandonar a massificarão que só trás problemas. E também não chegar sempre atrasado às mudanças, como  aqui já escrevi, e que se está a verificar em outros países que já perceberam o que se está a passar na área da formação há muito tempo, e mudaram de rumo. 

Observe-se, no Gráfico em baixo, o que se passava já em 2008 neste conjunto de países em análise. A Alemanha, a Holanda, e a Dinamarca, já mudaram há muito o seu paradigma de formação. Portugal ainda não percebeu, e parece que vai levar muito tempo a percebê-lo. Porque o que é preciso é privilegiar a quantidade de "dotôres" (os tais licenciados).

O que os governantes e os governados (sobretudo os jovens) se deveriam preocupar, era se o que se anda a aprender vai servir para ganhar o pão no futuro, e se possível os restantes bens de consumo. Ter um canudo para pôr na parede não dá, muitas vezes, para nada, sobretudo, se for numa área que ninguém precisa. Não vale a pena "servir" teatro ou ópera a famintos. 

Muitas vezes uma boa formação profissional, numa área de carência, será bem mais importante que o tal "canudo". E isto, o Estado, enquanto gestor do dinheiro dos contribuintes, tinha a obrigação de dar alguma orientação. Claro que ninguém seria obrigado a segui-la, desde que os custos saíssem do seu bolso particular. Parece-me elementar.


Talvez se esse tal vizinho do meu pai, tivesse resolvido substituir os “burros” por algumas vacas, porcos, galinhas, ou mesmo “patos”, talvez a coisa se tornasse mais rentável, e, evitaria de andar a levar uns coices no “focinho” de vez em quando...

terça-feira, 4 de novembro de 2014

A Retórica em números (1)


A partir de agora, e pelo menos uma vez por mês, darei a conhecer a todos aqueles que visitam este espaço, alguns dados sobre os que por aqui passam (à beira dos 50 000 em 4 anos de publicações regulares), e os temas que por aqui vou postando que mais interesse parecem despertar.

Tendo em conta que esta é uma das minhas formas de comunicar com o mundo sobre aquilo que dele observo, não me preocupando muito se tenho muitas ou poucas pessoas que me lêem, já que muitas vezes escrevo apenas para mim próprio e para quando chegar a minha hora do esquecimento vir aqui como quem consulta uma cábula sobre o meu passado. No entanto, alguns dos meus amigos que me lêem (ou olham, pelo menos, para os títulos), ficam admirados quando lhes digo os dados que possuo, e por isso, a partir de agora vou passar a partilha-los. Não porque isso me importe demasiado, mas sobretudo, para dar a conhecer, que no universo, há sempre alguém que nos serve de eco.

Mesmo a propósito, sobre estas coisas da blogosfera, escrevia hoje, aqui, o Pedro Correia no seu Delito de Opinião: 

"Um dia hei-de escrever algo mais profundo e consistente sobre a blogosfera. A possibilidade de trocarmos ideias, experiências e contactos - mesmo com gente que pensa de maneira muito diferente - é absolutamente inestimável. Isto só é possível quando escrevemos num meio em que aquilo que mais importa é comunicar. Não para convencer ninguém, mas para persuadir. Não para exibir códigos tribais, mas para captar sinais de outras "tribos". Nada a ver, portanto, com os eflúvios narcisistas agora tão em voga com a febre das "redes sociais" onde apenas uma palavra importa. A palavra eu..."

Assim nos últimos 30 dias, como se pode ver no Gráfico 1, passaram por aqui 1 740 visitantes, que dá uma média de 60 visitas/dia. O dia que registou maior número de entradas foi atingido ontem com 155 visitantes, sobretudo devido ao Post sobre a discussão do Orçamento da CM de Marvão para 2015. Esta demanda é recorrente, sempre que escrevo algo sobre o concelho de Marvão o “contador” dispara! Sinal que há nos marvanenses alguma “sede” de lerem algo sobre o concelho e desfrutaram de alguma informação, tão carente, e descurada, no concelho.


Durante estes últimos 30 dias, 2 dos 5 Posts mais procurados foram, com alguma surpresa minha, coisas que já escrevi há alguns tempos atrás – Um dedicado ao meu amigo Pedro Sobreiro; e outro sobre as minhas experiências “grevistas” antes do 25 de Abril, mas que, surpreendentemente, parecem agora despertar alguma curiosidade. O ranking dos 5 mais procurados foi o seguinte:  

1º - Post para o meu amigo Pedro Sobreiro(publicado em 24/2/2013)
2º - Mais uma época “futeboleira” (publicado em 10/10/2014)
3º - Memórias do dia 22 de Janeiro de 1974 (publicada em 22/01/2014)
4º - Questões de fé ou o marasmo do 3º mandato (publicado em 03/11/2014)
5º - Com a “saúde” não se deveria brincar (publicado em 22/10/2014)

Quanto á origem do público, a grande maioria é de Portugal (65%); os restantes são oriundos de: Estados Unidos (11%); França, Ucrânia e China (6% cada). Os restantes 6% são de outros países.

Por fim, os 2 temas mais procurados de sempre, dizem também respeito, a 2 assuntos sobre o concelho de Marvão, nomeadamente, sobre o imbróglio do Concurso sobre o Restaurante da Piscina da Portagem:

1º - Coisasmuito feias (1) – Publicado em 2/12/2013
2º - Coisasmuito feias (3) – Publicado em 27/2/2014

Entretanto, por aqui irei continuando, e um obrigado pela vossa visita. Aporta está sempre aberta, é só entrarem, não precisam pedir licença...

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Questões de fé ou o marasmo do 3º mandato...

Assisti na última Quinta-Feira, em Reunião de Câmara, à discussão e aprovação das Grandes Opções e do Plano (GOP) 2015-2018, e ao Orçamento para 2015 do município de Marvão.

No que toca às GOP, parece que a coisa se resume a “não haver plano”, quanto mais opções! A provar o que acabo de dizer está, que o presidente Vítor Frutuoso não perdeu mais de 2 minutos a apresentá-las, e só depois de ter sido instigado a fazê-lo pelo vereador da oposição Nuno Pires, senão nem isso faria, tal a importância que parece dar aos Documentos mais relevantes da vida de um município ou, o à vontade com que pensa estar a governar. Os únicos projectos no horizonte de que ouvi falar, que até nem são novos, foram as aquisições do Bairro da Fronteira de Galegos (358 000 euros) e dos Terrenos da antiga Celtex em SA das Areias (150 000 euros); e o melhoramento da Rede Águas também em SA das Areias (239 000 euros). O resto é o seguimento dos diversos eventos que vêm do passado.    

Quanto ao Orçamento, como é lógico, não havendo projectos, nada de novo em relação aos anteriores. É desfrutar de rendimentos. Nada que qualquer dona de casa não soubesse administrar com a maior das facilidades.

No que às Receitas diz respeito, estas estão previstas no valor de 5 448 milhões de euros.
-  3 271 milhões de euros (60%) serão assegurados pelos nossos impostos através OGE;
- 667 mil euros virão de Fundos Comunitários (13%);
- 400 mil virão do IMI e afins (7%);
- 500 mil da venda de bens e serviços (9%).
- Ficam a faltar 600 mil euros de outras receitas (11%).
Qual é a Organização que tendo uma fonte de Receitas assim assegurada, tem dificuldades de gestão? Só se forem muito burros (ou andem a brincar com o nosso dinheiro), e isso é o que não tem faltado noutros lados. Pelo menos, nesta situação, faça-se justiça a Vítor Frutuoso que tem tido “alguma” sensatez, e dirige um município exemplar a nível financeiro.

Quanto às Despesas aqui deixo a previsão para as mais significativas:
- Despesas com pessoal: 1 800 milhões de euros (33%)
- Aquisição de bens e serviços: 1 754 milhões de euros (30%)
- Investimentos: 1 253 milhões de euros (23%)
Para cumprir o Orçamento sobram cerca de 600 mil euros para outras despesas. Como se vê nada difícil.

Espero não ter sido demasiado reducionista na minha análise, mas isto foi ao que eu assisti. Por isso sou defensor que os executivos municipais não deveriam durar mais de 2 mandatos. Se assim fosse, certamente, que o balanço de Vítor Frutuoso à frente da Câmara Municipal de Marvão, teria de ser reconhecido como o de um bom autarca.

Perpetuar-se mais 4 anos no poder (a gastar 5 milhões ao ano), quando já esgotou o seu programa para o concelho, em mera gestão corrente, suportado por um grupo amorfo que só lhe complicam a vida e de onde não sai uma ideia ou proposta (vereadores e membros da assembleia municipal), apenas para manter privilégios, não irá abonar nada a favor dos marvanenses e do concelho de Marvão.

Tal acabou por ser reconhecido, implicitamente, pelo próprio Vítor Frutuoso quando teve conhecimento da Declaração de Voto apresentada pelo Vereador Nuno Pires onde enunciou meia-dúzia de propostas, e sobre o qual teceu o seguinte desabafo:

- Este Declaração vai ser para mim como uma bíblia!    

A saúde não tem preço, mas tem custos...


Para quem se interessar por este tema tem aqui uma excelente entrevista a Pedro Pita Barros.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Ainda dizem que já não há heróis...



Acho-me um rapaz semi-informado. Diga-se até que, para o meio português não devo ser dos piores, já que pouco mais tenho que fazer. Costumo até responder quando me perguntam o que faço na vida, costumo responder com simplicidade: - Observo o mundo!

Mesmo assim ontem, quando assistia à discussão do Orçamento de Estado para 2015 na Assembleia da República, comecei a reparar num rapazola bem-parecido ao lado do novo (velho) líder parlamentar do Partido Socialista Ferro Rodrigues. E eu a pensar que conhecia quase toda essa gente do meio!

Mais curioso fiquei quando o vi levantar para intervir no debate. Sinceramente, não sei o que disse. A única coisa que me preocupou foi saber quem seria o novo “figurão” da turma “costista”, promovido agora à primeira fila da bancada socialista. Foi então que a prestimosa televisão identificou a criatura. E fiquei assim a saber chamar-se: Pedro Nuno Santos!

Mas quem seria o Pedro Nuno?

Depois de algumas pesquisas, rapidamente se fez luz. O Pedro Nuno é um ex-presidente da jovem organização partidária Juventude Socialista, que tão exemplares políticos têm dado a este nobre país. Fiquei ainda a saber que, este “rapaz”, foi aquele célebre herói que, em Dezembro de 2012, se distinguiu por ter afirmado em Castelo de Paiva, a respeito Dívida Pública portuguesa: 

“... temos uma bomba atómica que podemos usar na cara dos alemães e franceses - ou os senhores se põem finos ou nós não pagamos. As pernas dos banqueiros alemães até tremem".

Ah ganda Pedro Nuno, sim senhor. São afirmações dessas que nos fazem sentir que somos a tal “nação valente”. E vês, vale sempre pena sermos destemido, já estás na primeira fila do Parlamento. E tenho quase a certeza que, daqui a mais ou menos 12 meses, quando o Costa limpar isto como quem limpa o cu a meninos, hás-de ser premiado. Não com a pasta da defesa mas, quase de certeza, com a dita da Guerra. E estarás assim, mais uma vez, na primeira fila para “contra os canhões marchar, marchar”, que é como quem diz: pôr os alemães e franceses não de joelhos, mas de cócoras, pelo menos os alemães, que já têm experiência. E os francius? Hão-de habituar-se. Dizem que quem experimenta uma vez, não quer outra coisa!

Belo rapaz, sim senhor, é de gente assim que o país precisa. Conta comigo. Mas mais para o género feminino, não me dou bem com modernices, nem com mentes avariadas.

Mas olha não há bela sem senão! Já não te auguro grande futuro para vidente, ou mesmo profeta, pelo menos a julgar por esta tua crónica escrita em Outubro de 2013 no “Jornal i”, ou estarás a perder qualidades? O princípio de Peter é uma chatice. Já agora deixo aqui essa tua premeditação falhada, para os meus amigos reflectirem sobre quem são as figuras que o Costa anda a promover. 

Oxalá não te melindres. Mas, sabes, isto na vida não se pode ser bom em tudo...

“Resgate sem austeridade
Por Pedro Nuno Santos

A menos de nove meses do fim do programa de assistência financeira, com taxas de juro implícitas da dívida pública portuguesa a rondar níveis insustentáveis, é cada vez mais óbvio que Portugal não conseguirá regressar aos mercados. O segundo resgate está por pouco tempo, e nem sequer precisávamos de ter sido previamente informados, como fomos, em “on” pelo primeiro-ministro e em “off” por responsáveis da Comissão Europeia.

O primeiro resgate falhou de forma clamorosa nos seus principais objectivos, a dívida pública portuguesa atingiu um nível já consensualmente considerado impagável e as taxas de juro implícitas não descem dos 6%, chegando mesmo a ultrapassar a barreira dos 7% muitas vezes. É incompreensível que perante o fracasso avassalador do primeiro resgate se queira responder com a repetição do erro, mas infelizmente são a irracionalidade e a estupidez que comandam, actualmente, Portugal e a Europa. Como é por demais evidente, o PS será pressionado pela elite política e económica, nacional e europeia, a pôr a sua assinatura num receituário que não funciona. Este será o momento definidor do PS, na sua afirmação como alternativa ao governo PSD/CDS e à sua política austeritária.

O Partido Socialista só precisa de reafirmar nesse momento o que tem dito nos últimos anos sobre austeridade: “Não funciona, destrói a economia e afasta-nos cada vez mais dos objectivos de consolidação orçamental.” Também deve dizer que só aceita um segundo resgate se a filosofia subjacente for absolutamente alterada e levar em consideração muitas das conclusões dos estudos internos do FMI. Isto é, só deve aceitar o segundo resgate se os objectivos principais do mesmo forem o crescimento económico e o desemprego e não o défice orçamental e a dívida pública. Estes últimos devem passar a ser objectivos secundários e subordinados aos dois primeiros. Deve também exigir como condição prévia uma reestruturação significativa da dívida pública, como sempre defendeu o FMI. Menos do que isto não pode ser aceite por um partido socialista.”


Um conselho do ti João: - Também não te deixes enganar para pastas da economia ou finanças. Apesar de dizerem que és economista, não me parece que tenhas grande jeito... E será que já alguém te disse que os banqueiros alemães e franceses há muito que tiraram de cá o pilim? Porque é que tu pensas que a tal Troika emprestou o bago?

        

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Duas faces da mesma divida...

Mais uns números para tentar perceber onde estamos, e como aqui chegámos.

Existe aquele velho ditado que nos diz: “tortura os números que eles te dirão o que queres”. Lamentavelmente assim é. E eu que sou um apaixonado dos ditos acho que eles são tão bons, que se prestam a quase tudo. O que hoje aqui posto para análise, são duas perspectivas de analisar os valores da Dívida Pública, e, são a prova do que acabo afirmar.

Habitualmente a Dívida Pública é-nos apresentada em % do PIB. Ora como todos sabemos, para além da variável PIB ser bastante complexa e subjectiva, ao apresentar a Dívida em percentagem do dito, isso é fruto do quociente entre o valor absoluto do que se pediu emprestado e o valor desse mesmo PIB:

- % da Divida face ao PIB = Valor em Dívida/Valor do PIB anual x 100

Logo, pode muito bem acontecer que, apesar de a dívida poder ter aumentado (numerador), em percentagem parece que diminui, bastando para tal, que o tal de PIB (denominador) aumente também em valor superior. É por isso que me parece que anda a vender-se por aí muito gato por lebre. Como se fosse quase lei, parece que, desde que o PIB aumente, podemos contrair mais dívida, que o resultado não se altera!

Apesar de este princípio ter sido a divisa dos últimos 40 anos, devido à filosofia “esquerdoide” dominante, em minha opinião, tal não deveria ter acontecido, e dever-se-ia, isso sim, em anos de PIB a crescer, ter-se aproveitado para reduzir a tal famigerada “dívida” que agora nos está a fazer a vida negra. Talvez tivéssemos evitado ter chegado onde chegámos e, agora andarmos a pagar, da pouca riqueza que produzimos (o tal PIB), cerca de 8 mil milhões de euros de juros/ano (5% da riqueza produzida num ano), que é um valor superior ao que se gasta com o Serviço Nacional de Saúde durante um ano.

1 - Evolução da Dívida Pública em % do PIB entre 1991 – 2013

Apesar do valor absoluto da Dívida Pública ter sempre aumentado em valores absolutos desde 1991, quando se observa o Gráfico 1, ficamos com a sensação que, anos houve, em que a Dívida Pública baixou ou, pelo menos, esteve contida. Ora tal só se verifica porque, tal com expliquei em cima, o valor do PIB nesses anos aumentou em valor absoluto superior ao que se pediu emprestado. Esta situação verificou-se, por exemplo, em 1992 durante o período Cavaquista, e no período entre 1995 e 2000 nos primeiros 5 anos de governo de António Guterres, e, que é apresentada, ainda hoje, como uma grande bandeira da governação socialista. 



Será no entanto, isso, completamente verdade?

Se eu vos disser que nesses 5 anos da governação de Guterres (1995 – 2000), o valor absoluto da Dívida Pública aumentou cerca de 10 mil milhões de euros, a uma média de 2 mil milhões/ano, passando de 52 mil milhões em 1995, para 62 mil milhões de euros em 2000, parece que custa a acreditar quando se olha apenas para o “boneco” que apresento em cima.

Vejamos então o que de facto se passou quando, em vez de analisarmos em percentagem, olharmos para os valores absolutos do endividamento.

2 - Evolução da Dívida Pública em milhões de euros entre 1991 – 2013

Quando falamos de valores reais, isto é, euros, que é aquilo com que se compram os melões (e tudo resto, como dizia o outro), como podemos ver no Gráfico 2, desde 1991 (e mesmo desde 1974), o valor da Dívida Pública, nunca teve um ano sequer, em que não tenha aumentado. Passando de uns “míseros” 35,5 mil milhões de euros em 1991, para uma verba brutal de 223 mil milhões de euros em 2014 (6 vezes mais). Isto é, em 25 anos, Portugal pediu mais 188 mil milhões de euros do que aquilo que conseguiu abater, numa média de endividamento de 8 mil milhões de euros/ano

Para aqueles que não percebem, ou não querem perceber, como é que havia dinheiro nos últimos anos, e agora não há, têm aqui uma explicação simples. Isto é, andávamos a viver todos, mas mesmo todos (uns mais que que outros, claro), de dinheiro emprestado, e, isso não podia perpetuar-se eternamente. Agora, para além de não nos emprestarem mais, ou nós ou os nossos filhos e netos, teremos de pagar o pato. O resto é retórica...   


Se quisermos olhar mais atentamente para alguns devaneios de certos governos, podemos verificar que só entre 2008 e 2014 a Dívida aumentou cerca de 100 mil milhões euros! Para aqueles que andam a querer propor uma Medalha "Condecorativa" a Sócrates pelos bons serviços prestados aos pobres, têm aqui um bom argumento: Entre 2009 e 2010, a criatura, aumentou a dívida em 32 mil milhões (4 vezes a média dos últimos 25 anos), e de 2010 para 2011 foram 23 mil milhões de euros (3 vezes a média dos últimos 25 anos)! Alguém duvida que o rapaz merece (a medalha!)?


Mas dizem por aí os papagaios, que entre 2011 e 2014 a Dívida continuou a aumentar! Verdade. Uma hemorragia de 40 anos não se estanca repentinamente, e até é bom que não se faça "o sistema" pode não aguentar. Mas quanto aumentou, e como está aumentar?


Em 2011 a Divida eram 196 mil milhões, e estima-se que no final de 2014 seja de 223 mil milhões de euros. Logo o aumento será de 27 mil milhões em 3 anos, inferior ao que a tal criatura, candidata a Medalha, vinha fazendo em cada ano. E segundo consta, existe uma almofada de cerca de 20 mil milhões de euros nos cofres do Estado, que dá para Portugal sobreviver, pelo menos, um ano. E, talvez seja bom relembrar que a dita "criatura socretina e sus muchachos" deixaram nos cofres do Estado cerca de 300 milhões de euros, que dali a 15 dias, quando se fosse pagar salários e pensões não haveria fundos! Que fariam então esses portugueses?

Se tal tivesse acontecido não andaríamos agora preocupados com a colocação de professores, com o colapso do sistema informático da justiça, com as diabruras do Machete, o Coelho não seria suspeito de fuga ao fisco, o Cavaco seria poupado aos "xeliques" em público, o TC não teria tanto trabalho, o BES teria sobrevivido, a PT já teria sido nacionalizada, a Troika nunca teria cá posto os pés, o Portas já seria vice do Seguro, o Louçã já seria secretário-geral do PCP, a Dívida já teria sido perdoada, o Marques Mendes já seria presidente do Benfica, o Sporting nunca teria perdido na Alemanha, o Pinto da Costa já só falaria castelhano e já teria engravidado a Fernanda, etc. Isto é, Portugal seria um paraíso. E quem sabe, até, uma próspera Republica Socialista!  

Claro que têm sempre hipótese de não acreditar em nada disto. São números! E nós somos pessoas. Só que as pessoas têm necessidades, e muitas vezes só podem ser compensadas com números, bago, para comprar os melões! E tudo resto.

Mas há quem tenha outra opinião. Como por exemplo, que toda esta situação se deveu e deve à “conjuntura externa”, e que Portugal foi apenas uma vítima. Isto diz a tal criatura. Sócrates. E agora os seus seguidores e discípulos Costa, Ferro, Vieira, Galamba & companhia. Então como explicam o Gráfico em baixo (e em percentagem, é melhor nem olhar para os valores absolutos)? Será que os países referidos são fantasmas? Ou são mesmo países do nosso mundo, e por acaso, até nossos vizinhos e parceiros na Europa?




Não venham com tretas que faltam aqui alguns países, sobretudo do sul da Europa, porque: a Espanha a Dívida é de 93% do PIB; a França 92%; o Reino Unido 91%. Resta a Grécia para nos confortar com os seus 175%. Mais uns aninhos de governação socialista e veremos se não chegamos lá! Avante Costa...


Malditos números... 

sábado, 25 de outubro de 2014

Oh que dois! Que ganda pica (do 7)...


Poucas confusões, com o uso da 1ª pessoa do singular! O Miguel Araújo, depois explica... 





quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Com a “saúde” não se deveria brincar...


Parece que os Cuidados de Saúde em Marvão estão de novo envoltos em polémica, a julgar por estas declarações ontem à Rádio Portalegre do Presidente da Câmara Vítor Frutuoso:

“O presidente da Câmara de Marvão acusou hoje a Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano (ULSNA) de tratar de forma “desigual e mesmo discriminatória” os utentes do concelho. Segundo Vítor Frutuoso a ULSNA “reduziu para metade” o período de atendimento dos utentes no Centro de Saúde de Marvão e em algumas Extensões de Saúde “estão a ser desmarcadas dezenas de consultas”.

O autarca referiu que estas alterações foram introduzidas de forma “unilateral” pela ULSNA, como forma de compensar a abertura do centro de saúde de Marvão em um dos dias de fim-de-semana. Responsabilizando a ULSNA pelos transtornos causados aos utentes do concelho, Vítor Frutuoso defende que os marvanenses têm direito a um atendimento semelhante ao dos outros concelhos do Alto Alentejo com a mesma dimensão.

O social-democrata observou que a forma como estão a funcionar os serviços de saúde no concelho “está longe das reivindicações” da autarquia, e acusa a ULSNA de ter agido de forma “intencional” e com base em interesses políticos.”


Que se passa afinal? Vou tentar resumir a situação.

O concelho de Marvão tem sido sempre descriminado negativamente na prestação de cuidados de saúde, quando comparado com os restantes concelhos do Norte Alentejo de igual dimensão. Para além dos seus Quadros de Pessoal terem sido sempre menores, o número de horas de atendimento aos utentes do concelho foi sempre, em média, inferior em cerca de 25 horas/semana, quando comparado com centros de saúde idênticos no distrito de Portalegre. Até há cerca de 1 mês atrás assim era, como se pode observar no Quadro 1:


A realidade do Quadro mostra que não são precisas grandes explicações ou análises, os dados são mais que elucidativos.

Há mais de 30 anos que a população do concelho de Marvão vem sendo descriminada em relação aos restantes concelhos do distrito, e cada vez que alguém por situação aguda, ou agravamento da sua doença crónica, tem necessidade de atendimento aos fins-de-semana ou depois das 5 da tarde aos dias de semana, vai de demandar para Castelo de Vide (onde muitas vezes é negado o atendimento), ou caminhar para Portalegre. Os custos são sempre por conta dos habitantes de Marvão. Até parece que pagam menos IRS que os restantes habitantes do distrito!

Uma injustiça com 30 anos.

Enquanto trabalhei e morei nesse concelho, sempre alertei, e me bati, pela reposição de tratamento igual aos outros concelhos do distrito, nomeadamente, junto dos serviços Regionais de Administração da Saúde, e junto dos representantes do Poder Local, para que defendessem os marvanenses dessa injustiça. Nunca encontrei grande eco, e fizeram quase sempre orelhas moucas, dizendo que “a saúde” não era da responsabilidade da Câmara! Aos quais eu sempre argumentei, que, ao menos, representassem os marvanenses e fizessem valer os seus direitos.

Há cerca de 5 anos, quando foi implementado este sistema de alternância de Centros de Saúde próximos, e já com esta Vereação liderada por Vítor Frutuoso, tive oportunidade de participar numa Reunião entre a Autarquia de Marvão e a Administração da ULSNA (Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano), onde foram analisados estes problemas, e onde foram reconhecidas estas desigualdades, que podemos ver no Quadro 2.


Ficou acordado que, devido à situação particular geográfica do concelho (a sede concelho ser menor que a maioria das freguesias e de difícil acesso), não fazia sentido, abrir um serviço de Horário alargado na Sede de Concelho, nomeadamente, um dia ao fim-de-semana. Mas que faria todo o sentido, que esse Horário funcionasse na Extensão de Saúde de São Salvador da Aramenha, onde se poderia, para além de servir todo o concelho de Marvão, fazer a alternância com o concelho de Castelo de Vide, a exemplo do que se faz nos outros concelhos. 

Funcionando esse serviço de Horário alargado ao Sábado em Castelo de Vide, e ao Domingo em São Salvado (Marvão).

Para que tal se verificasse, ficou a Câmara de Marvão, de realizar obras na Extensão de São Salvador, para que ali se pudessem realizar estas “consultas de Horário alargado” (não confundir com “urgências”, essas não existem em nenhum Centro de Saúde, apenas nos Serviços de Urgência de Portalegre, Elvas e Ponte de Sôr), e tanto quanto sei, essas obras, foram feitas.

Porque não se cumpriu até hoje este acordo e este Plano? Pois, não sei.

O que sei é que, recentemente, alguma alma iluminada, como existem muitas naquele concelho, resolveram andar com mais “um abaixo-assinado”, método onde se escondem aqueles que têm medo de dar a cara (e onde se escondem a maioria das vezes muitos cobardolas), a fim de exigiram à ULSNA a abertura, aos fins-de-semana, de Serviços de Saúde em Marvão. E claro, a ULSNA, fez-lhes a vontade! 

Sabe-se lá com que intenções e interesses, abriu-lhes o Centro de Saúde, não 5 horas ao fim-de-semana como havia ficado acordado há 5 anos, mas abriu-os 10 horas: 5 horas ao Sábado e 5 horas ao Domingo! Só que não foi em São Salvador, como era lógico e funcional e servir os 2 concelhos, mas na Sede Concelho, onde há mais de 30 anos toda a gente sabe que não funcionam nem funcionarão. 

Em contrapartida manteve também as 10 horas de Horário alargado em Castelo Vide. E ainda dizem que há poucos recursos humanos! A desperdiçar assim, não há recursos que cheguem. Digo eu...

Resultado: Como os Recursos Humanos não foram aumentados e os existentes não esticam, e se passaram a estar ocupados 10 horas ao fim-de-semana, passou a faltar esse mesmo tempo durante a semana. Lógico, não? Qualquer “manageiro” saberia isto, não é preciso ser doutorado em Gestão! 

Com uma agravante: é que enquanto aos dias de semana havia ocupação na prestação de cuidados familiares nas Extensões, ao fim-de-semana na Sede de Concelho ninguém lá vai. E com 10 horas bem podiam vir episódios agudos de doença... E assim, a lista de espera das consultas de Saúde Familiar começou a atrasar-se nas Extensões, e os utentes do Centro de Saúde de Marvão a saírem prejudicados. Qualquer profissional de saúde, por muito distraído que ande, saberia prever isso.

Urge portanto fazer várias perguntas, que devem ser respondidas por quem de direito:

- Porque não respeitou a ULSNA o Plano acordado há 5 anos? 5 Horas de abertura ao fim-de-semana na Extensão de Saúde de São Salvador, servindo os 2 concelhos: Marvão e Castelo de Vide. Poupavam-se assim 10 horas de equipas de saúde (Médico, Enfermeiro, Administrativo, e Auxiliar), que deveriam ser ocupadas na prestação de cuidados familiares durante a semana.

- Porque é que se abre um Serviço 10 horas ao fim-de-semana, num local de acesso difícil e ilógico, sabendo que isso, por dificuldade de parcos recursos humanos, vai prejudicar, em muito, a prestação de cuidados de saúde familiar durante a semana?

- Qual é a opinião dos responsáveis pelo Centro de Saúde de Marvão? E porque não se envolvem os profissionais para se encontrar um a solução partilhada? Ou mesmo uma pergunta mais provocatória: Quem é que manda no Centro de Saúde Marvão?

- Com este aumento de carga horária, como podem os parcos recursos médicos de Marvão, continuar a reforçar o Centro de Saúde Castelo de Vide?

- De quem é a responsabilidade de andar com “abaixo-assinados” a reivindicar coisas que deviam ser estudadas por peritos e debatendo-as primeiro? E quando não sabem porque não perguntam? Às vezes, com estas estratégias, o tiro sai pela culatra. Não me admira que venha ser o caso!

- E como irá acabar mais este imbróglio para os já, e sempre prejudicados, utentes de Marvão do SNS?

Bom senso meus senhores. Bom senso e diálogo entre quem decide e quem conhece a realidade do concelho de Marvão.

Os marvanenses têm, pelo menos, direito a um tratamento idêntico aos dos restantes habitantes do distrito de Portalegre.

   
Nota: Se alguém quando acabar de ler este Post pensar que é fácil criticar, sem apresentar alternativa e soluções, tem aqui, o que penso sobre como deveriam ser organizados os serviços de saúde em Marvão.