quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Patetice portuguesa vista do estrangeiro...


Um país cheio de "doutores e engenheiros"
por BELEN RODRIGO/Publicado em Madrid, no Jornal ABC no Dia 18/09/2014

"Os “títulos” são muito importantes em Portugal, e são usados muitas vezes para se referirem a pessoas que os possuem: “Senhor Doutor” ou “Senhor Engenheiro” é como os portugueses tratam os licenciados em Portugal. Actualmente os “títulos académicos” ainda são muito importantes para os portugueses.

O grau académico de Doutor é o mais elevado dos sistemas de Ensino Superior, e que é normalmente obtido após se concluir um Doutoramento. No entanto em Portugal, o termo, é genericamente usado para o tratar meros “licenciados” em diversas áreas.

Quando digitam a abreviatura “Dr. ou Dra.” referem-se licenciados. Já o “Professor Doutor” é aquele que tem um Doutoramento, e é um professor na Universidade. Se é ainda um investigador (doutorando) não é usada a sigla de “Prof. Doutor”, é apenas o Doutor (diferente médico). Mas “Doutores” são também tratados qualquer Licenciado em Ciências ou Engenharia. E muitos ficam ofendidos se assim não forem tratados!

Para os estrangeiros, é difícil acostumarem-se com este excesso de formalismo, sobretudo os espanhóis, tão acostumados com a familiaridade de nome próprio. Pouco a pouco, especialmente nas gerações mais jovens, estão tentando dar menos importância ao como se referir a estas pessoas, mas isso é algo muito enraizado nos costumes do país.

Até em Cartões de Crédito (e cheques), por exemplo, indica-se o seu titular como Dr. ou ENG. (abreviatura de engenheiro em Português), seguido do nome da pessoa, mas com seu respectivo título sempre a acompanhar. E especialmente, quando você telefona para falar com um trabalhador específico, a Secretaria, fica sempre muito irritada se você disser que quer falar com Sr. Peres! Imediatamente é corrigido, dizendo que ali só trabalha é o Sr. Dr. Peres!

Quer gostemos ou não, títulos académicos têm muita importância em Portugal. Pretendem diferenciar ainda mais as classes mais altas das mais baixas, num país onde a classe média é bastante pequena. Aumenta-se os argumentos de autoridade entre aqueles que têm e/ou não têm nenhum título. Apesar dessa obsessão por doutores e engenheiros, surpreende algumas novidades, como a Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, Bragança, que tomou a decisão, há algumas semanas, de terminar com esses “tratamentos” para todos os Deputados Municipais, que são agora tratados de forma igual: pelo seu nome ou apelido.

Pode ser que, lentamente, as coisas vão mudando, embora muitos sociólogos portugueses reconheçam que mostrar o estatuto (título) é uma necessidade, e isso é algo que constantemente é feito em Portugal. Então entramos noutro mundo “o de aparências”: a relação de ser e ter. O mesmo se passa com os automóveis. A importância que os portugueses têm num belo carro, embora implique, na maioria das vezes, ter a dispensa vazia.

A chamada «titulocracia», de alguma forma, parece uma praga difícil de tratar, ao invés de uma doença. Ou é, simplesmente, algo peculiar para Portugal."


Quem não se fiar muito na minha tradução tem aqui o texto original: Un país lleno de doctores e ingenieros


Cor-de-rosa negro...


Surpreendente, ou talvez não, em pleno século XXI, e após 40 anos de democracia, e um investimento tão grande na educação - Uma certa maneira de ser do povo português, tão bem retratada nestes temas. E ainda há por aí quem diga, que o país se instruiu e evoluiu. Não foram as mentes...

TA: Claro que não me refiro a esta recriação feliz da Manuela e do Bruno.






terça-feira, 7 de outubro de 2014

Colocação de professores – Um problema crónico inconcebível

Num país de memória curta, convém relembrar os seguintes títulos de Jornais:


- 24 Set. 2010: Correio da Manhã - Caos mantém-se duas semanas após o início das aulas; há 1110 vagas por preencher;

- 15 Set. 2009: Diário de Notícias - Concurso de professores gera mau estar, FENPOF diz que não foi transparente;

- 13 Set. 2005: Primeiro de Janeiro - Apenas 17,5% das escolas estão em aulas;

- 16 Out. 2004: Público - Colocação de professores continua a gerar polémica;

- 24 Set. 2002: Diário Económico - Milhares de professores não foram colocados;

- 28 Set. 2001: Correio da Manhã - Professores acusam Governo de criar instabilidade;


Como se pode ler aqui na opinião de um Deputado da maioria que apoia o Governo: 

“Mais de dez Ministros depois, dezenas de Secretários de Estado, diversos Directores gerais, muitos funcionários, e sempre com o mesmo líder sindical (o tal que não dá aulas há décadas), há milhares de professores que vivem todos os anos na insegurança de não saberem se têm ou não colocação. É verdade que, face à oscilação anual do número de alunos, seria impossível garantir um número fixo de professores, mas apesar disso tem que ser possível fazer melhor e reduzir esta instabilidade.”


Façam-se os concursos entre Janeiro e Março de cada ano, que é o que se faz em qualquer país civilizado e organizado. Incluindo as pré-matrículas de alunos. E teste-se com amostragens. 

Se o problema for a variação do nº de alunos (como diz o deputado) para o ano lectivo de 2015/2016, e se não houver “técnicos” no Ministério para calcular (bem sei que a Matemática é um problema para os portugueses), eu que sou um leigo no Ensino, vou lá fazer os cálculos (parece brincadeira mas não é). Isso pode ser muito difícil para muitos “dotôres da praça” ou digníssimos deputados, mas para um Merceeiro é como limpar o c* a meninos.

A título de exemplo: Tendo em conta estes dados, este ano entrarão para o 1º ano do Ensino Básico cerca de 102 000 alunos (alguns dos nascidos em 2007 e metade 2008); no próximo ano cerca de 101 000 (os restantes de 2008 e metade dos 2009); (...); e para o ano lectivo de 2017/2018 cerca de 98 000 (metade dos nascidos de 2010 e metade dos de 2011), e no ano seguinte perto dos 94 000 (os restantes nascidos em 2011 e metade dos nascidos em 2012). ..
As restantes contas (da continuidade) é juntar algumas variáveis que eu espero estejam calculadas!

Mas se quiserem alguém mais qualificado convoquem o Professor Valadares Tavares que ele diz que é tão fácil como saltar à corda.

É capaz é de não haver muitas organizações interessadas nisso, nomeadamente, alguns Sindicatos, e alguns professores salta-pocinhas! Vai uma apostinha...

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Umas “estatísticas” de vez em quando, sempre dá para irmos pensando (4)


Uma dos temas que seria importante andarmos a debater sobre o Ensino em Portugal - Ensino Profissional/Ensino Unificado e Massificado. Infelizmente andamos a discutir concursos e colocação de professores. O Gráfico que hoje apresento é tão evidente que tem pouca discussão.

Espero que os jovens e os seus paizinhos olhem para estes dados. 




E nos Estados Unidos, 50% dos jovens que complementam o Ensino Secundário saem com formação para começarem a trabalhar.

No entanto, em vez de se planear o que é que Portugal precisa para se criar riqueza e tornar este país funcional, continuamos obstinados em formar dotôres, gastando rios de dinheiro (o que temos e o que não temos), para depois emigrarem, e fornecermos a outros de mão beijada. Entretanto vamos ter que ir buscar fora uma série de profissionais onde somos deficitários e, claro, voltar a abrasar dinheiro.

No Ensino em Portugal se o mercado do trabalho precisar de engenheiros, formamos professores; se precisarmos de enfermeiros ou cuidadores de velhos, formamos educadores de infância; se precisarmos de técnicos informáticos, formamos gestores; se precisarmos de electricistas, formamos mecânicos; etc. 

Depois admiram-mo-nos muito que seja grande o desemprego jovem! Siga a cegarrega...

domingo, 5 de outubro de 2014

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Coisas de outono...


Manhã cinzenta faz-me chorar, a chuva lembra, o teu olhar. As folhas mortas caem no chão, a dor aperta, o coração.

Quanto eu não daria para poder voltar atrás. Volta para o meu peito, daqui não saias mais...

Perdi-me amor para te encontrar, na solidão, do teu olhar. No teu olhar se perde o meu, também o mar, se perde no céu.

Quanto eu não daria para poder voltar atrás. Volta para meu peito, daqui não saias mais....

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Estupidez civilizacional – Figuras funestas (1)




Faz-me comichão estas figuras aspirantes a dotôres, que andam por aí numa qualquer cidade. Com temperaturas às vezes superiores a 30º centigrados, circulam ostentando capa e capote. Eles, mais parecendo um qualquer pastor alentejano ou da serra da estrela; elas, com um ar de esquimós mal-encaradas, "tipo devorador" de calouros. Em comum têm as bebedeiras que passeiam, a linguagem vernácula capaz de envergonharem qualquer actor de filmes pornográficos, e a falta de respeito para a restante comunidade.

Tal como nas Forças Armadas, não será possível arranjarem, pelo menos, um traje de verão? Já que o resto...


Mas ainda há humor....



Querido Portugal
por Ricardo Araújo Pereira


"Temos de falar. Como sabes, o meu amor por ti tem resistido a tudo. Tu és pobre, sujo em vários sítios e estúpido muitas vezes. Mas há em ti uma certa ingenuidade que faz com que até os teus defeitos - e são tantos - me seduzam. Na maior parte das vezes não és mau, és só malandro. E tens três qualidades que compensam tudo o resto: a comida, a língua e o clima.

Era precisamente sobre isto que te queria falar. Andas a desleixar-te. 

A comida já foi melhor. Bem sei que a culpa não é só tua. A União Europeia proíbe umas coisas, os nutricionistas desaconselham outras. Mas já não se encontram jaquinzinhos, os restaurantes receiam fazer cabidela e a medicina parece ter arranjado um método infalível para determinar o que é prejudicial à saúde: se sabe bem, faz mal.

A língua também já não é o que era. Não me entendas mal: continua a ser a tua maior virtude. Não sei como é possível uma pessoa exprimir-se numa dessas línguas bárbaras que não distinguem o ser do estar. Embora os franceses e os ingleses, aparentemente, não o saibam, ser bêbado é muito diferente de estar bêbado. Mas, quando eu era pequeno, “setores” era o nome que se dava aos professores. Hoje, setores é a versão actualizada da palavra sectores. Na escola, os “setores” explicam o que os setores são. No meu tempo, o sector primário era a área de actividade que compreendia a agricultura e outras formas de produção de matérias-primas, e um “setor” primário era um professor do ensino básico. Agora, é tudo a mesma coisa, assim como "être" e "to be" significam tanto ser como estar.

Outra coisa: isto do clima não pode continuar. Este verão foi muito fraco. Houve pouco sol e a água estava fria. Não se admite. A gente tolera a corrupção, a injustiça, a inveja, o subdesenvolvimento e tudo o mais que tu conseguires gerar. Mas tem de estar sol. Se é para não haver verão, nem subtilezas linguísticas, nem papas de sarrabulho, mais vale irmos para a Finlândia, onde as coisas funcionam (e a moral sexual das moças nórdicas é muito mais relaxada).

Tens de escolher: ou há regular funcionamento das instituições, ou há céu pouco nublado ou limpo. Vê lá isso, por favor.

Um grande beijo. Ricardo."


quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Estupidez civilizacional (ou o fazer de conta que gostamos dos animais)


Nota introdutória: Tenho a meu favor, que me lembre, nunca ter tratado mal, deliberadamente, qualquer animal, para além de ter participado na morte de alguns porcos, coelhos, galinhas e outra passarada, que ajudei a comer posteriormente. Ah, e também gosto das touradas com touros de morte! E ainda dizer que, nasci e fui criado sempre com bicharada.



Entra hoje em vigor em Portugal, mais uma estupidez legislativa da nossa idiotice civilizacional, e mais uma aberração anti natura: A criminalização do animal humano quando maltrate outros de outra espécie. 

Será que quando um cão morde num gato, ou gato mate um rato (nem que seja para brincar), ou quando uma galinha coma uma minhoca, também irão ser criminalizados?     

Quem observe, hoje em dia, a atitude e o comportamento de determinados humanos com os seus animais de “estimação”, que domesticam para seu auto prazer, a “aculturação humanóide” que deles fazem desvirtuando todos os seus instintos naturais, e a defesa aberrante que disso se quer fazer; restam poucas dúvidas que, o “triunfo dos porcos”, na essência da expressão, aí está a chegar. E se não for dos porcos, pelo menos dos cães assim será.

E quais os animais que são os privilegiados? Aqueles que vos vejo comer e devorar em pratos e refeições suculentas, ou aqueles que tratam como filhos ou cônjuges? Para esta gente há animais filhos de deus e animais diabólicos? E as plantinhas, não serão também seres vivos? 

Matar porcos, vacas, ou patos é legal (porque servem para alimentar os humanos), matar um cão ou gato é crime? Coitados dos chineses!

Deixem os animais em paz, e respeitem-nos no seu habitat natural. Deixem-nos ser cães, gatos, ratos, lobos, etc. Deixem de os querer tornar humanos “pequeninos”, isso é que é maltratar animais.


E já agora, deixem as plantas florir. Haja bom senso, e sejamos pessoas...

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Rescaldo das "primárias" no PS (2)



Agora um pouco mais a sério. Na sequência do que já havia afirmado aqui, deixo este artigo onde me revejo, e para não estar a repetir o que outros já escreveram.


Sócrates 2.0?
Por Diogo Agostinho

“O país falou. Bem, uma parte do país. E foi expressiva a vitória. Depois de 4 meses, sim foram 4 penosos meses, de uma campanha recheada de ataques pessoais, calúnias e episódios rocambolescos, que culminaram naquilo que já todos sabíamos. A questão de fundo, nestas primárias socialistas, era de forma. O conteúdo esteve manifestamente ausente. António José Seguro, o defensor do interior, vindo de fora dos círculos elitistas de Lisboa, não era um fiel escudeiro da herança socratista. E assim, entre outros erros e falhas, começou a sua queda e o seu desgaste.

Depois de 7 anos, do Governo de José Sócrates, em que António Costa foi uma peça fundamental, titular da pasta da Administração Interna, número dois no Governo e no Partido, era óbvio que os dias estavam contados para o homem de Penamacor.

As primárias foram uma brisa de ar fresco no bafio do Bloco Central ao abrir a simpatizantes uma decisão que é normalmente feita em sacos de votos, dentro dos Partidos. Foi a única grande vantagem deste processo, liderado pelo todo-poderoso Jorge Coelho.

Ao longo deste tempo, pelas bandas do Rato ninguém deu pela saída da Troika (quer dizer, formalmente), pela falência do maior banco privado português, pelo sumiço do DDT, pelo experimentalismo do Banco de Portugal, pelo Verão sem calor nem sol, pelo puxão de orelhas do Tribunal Constitucional ao Governo, pelo apagão do CITIUS, que os Ministros de Portas vão fazendo o seu caminho e também não repararam que o Primeiro-Ministro andou ocupado com a exclusividade.

Enquanto os Antónios se digladiavam, tudo o que aconteceu no país ficou em espera.

Não sei se o que resta desta contenda será suficiente para unir um Partido em cacos, mas a sabedoria popular ensina-nos que o cheiro a poder é sempre afrodisíaco. E se é.

Numa campanha de forma e de estilos vimos um Seguro agressivo, sobretudo quando o tema era António Costa e vimos um Costa igual a si próprio, contundente, nos dois últimos debates, mas sem uma linha, uma ideia, sem um plano de fundo, para mostrar e mobilizar o país.

Depois de três anos de travessia do deserto, em que Seguro teve de apoiar os memorandos negociados por outros, Costa, no alto da janela do município sempre de olho no Rato, em São Bento ou Belém, conforme o resultado dos cálculos políticos, foi minando e contando com a ajuda preciosa vinda de Paris, sempre disponível para acabar com quem não dignificava, isto é, defendia o legado do último Governo PS.

O problema começa agora. O D. Sebastião, Costa, o Desejado, como se percebeu pela campanha, e se vê todos os dias desde há mais de 7 anos na cidade de Lisboa, nada tem a dizer ou a fazer de fundamentalmente novo.

Tem a aura, o contexto familiar e o trajecto dos ungidos. Mas e substância? O que pensa o novo candidato do PS a Primeiro-ministro da divida pública do País? O que pensa o ainda Presidente de Câmara de Lisboa da reforma do Estado? E da conjugação dos impostos com o défice das contas públicas? E o que defende para fomentar o salvífico "crescimento"? E o que pensa da Europa e a da integração europeia? E o que pensa da nossa Constituição?

Falou-nos de uma agenda para a década. É bonito e soa bem. Mas e que mais? E como? Através do investimento público? Outra vez as grandes obras públicas? Mas onde é que já vimos isto? Pois. Também me lembro bem do senhor que estava ontem bem sorridente a comentar na RTP. Ele e todos os seus animados apoiantes no Fórum Lisboa. A tralha socrática correu com quem lhes fez frente no Partido e estava sedenta de vingança e ansiosa por regressar ao poder. E aí está. Com fulgor e entusiasmo. Pronta para "mobilizar Portugal".

O problema, espero, é que agora, finalmente, já não podem existir estados de graça a um homem que lidera Lisboa há sete anos e que nada de novo tem para nos mostrar, a não ser uma gestão cinzenta, esburacada, de trânsito difícil, excepto o fluvial, e que cumprindo a sua palavra, deverá suspender o mandato pois, segundo o candidato socialista a Primeiro-Ministro, liderar uma cidade como Lisboa exige total exclusividade, curioso como esta expressão entrou em voga.

Será que tivemos mais dois vencedores na noite de ontem? Não terá sido apenas Costa a celebrar. José Sócrates, que regressou do exílio, e Fernando Medina, o futuro Presidente da Câmara de Lisboa têm razões para festejar.

Cá estaremos para ver e perceber que contributos teremos do novo Candidato a Primeiro-Ministro. Que Costa tem aura isso é inegável. Mas não chega. É preciso falar. E explicar muito bem, concretizando. Estou certo de que pode ter a tentação de seguir os exemplos de todos os Primeiros-Ministros eleitos, repito, eleitos, desde Guterres e que mentiram ou omitiram para lá chegar, mas penso que cheques em branco, com coisas ocas como Agendas para a década não chegam para enganar ninguém. Esperemos que encontre a sua agenda e, de caminho, algumas ideias dignas de serem apresentadas. 

Sócrates 2.0? Não obrigado. Já sabemos que a criatura é sempre pior que o criador..”.



Rescaldo das "primárias" no PS (1)


Com este, 




... até os alemães vão aprender a voar!



(Portugal foi ontem, pela 1ª vez, campeão europeu de Ténis-de-Mesa ao vencer a Alemanha por 3-1. A Alemanha era há 6 anos consecutivos campeã da Europa)

domingo, 14 de setembro de 2014

A plenos pulmões...


Naquela rua vivia um rapaz que não sabia nem ler nem escrever....


sábado, 13 de setembro de 2014

Doutores, doutores, onde é que eles estão?


Numa altura em que tanto se discute as Ciências, a Investigação e o Desenvolvimento (até temos um Comissário europeu desta área), quase sempre o que chega ao público, sobretudo quando o “pilim” começa a escassear, é a tal estéril discussão dos financiamentos, não se discutindo a fundo a problemática e a política de uma área que é fundamental para a aquisição e criação de conhecimento e, consequentemente, tratar do essencial que o país necessita (não apenas da aquisição de “canudos”), e que será, sem qualquer dúvida, um investimento reprodutivo, e criador de riqueza para o país e/ou para o mundo.

Num país de “dotôres e engenhêros”, como se diz por aí, o que aqui se aborda não são os “doutores” das Licenciaturas ou Mestrados, o que aqui se trata são os “Doutoramentos” a sério, os produtores de novos conhecimentos. Daqueles que podem usar o título de Doutor, ou melhor, de Professor – Doutor.

Trago aqui este tema, depois de ter assistido na última segunda-feira ao Programa “olhos nos olhos” do Professor Medina Carreira, que teve como convidado o Investigador Professor António Coutinho, dos quais utilizo alguns dados aí apresentados, a que juntei mais alguns da minha pesquisa.

Nos últimos 15 anos, sobretudo na última década, e porque havia dinheiro a rodos (emprestado), privilegiou-se a quantidade e a massificação de doutorados, com cada um a escolher, a seu belo prazer, sem orientação, e sem se ter em conta as necessidades do país, tal como se fez em outras áreas de formação.

Tudo se pode investigar, parece ter sido a divisa. A maioria das vezes apenas para se ostentar o “canudo” como um troféu de caça. O país gastou muito dinheiro próprio nessas formações, e como o “bago" andava fácil, até os financiamentos dos Fundos Europeus para a área, foram negligenciados. Terá sido até, uma das poucas rubricas do Orçamento Europeu em que Portugal contribuiu mais do que beneficiou.

Se de facto formou bem e nas áreas que precisava? Duvido. Alguém que avalie os resultados. Mas vamos a alguns dados que aqui deixo para conhecimento e reflexão de cada um, e que, quando se fale de Ciência e Investigação, alguns de nós já possam ter uma opinião mais fundamentada. Replico assim, algum do conhecimento aí apresentado sobre: quem são, quantos são, e o que fazem os Doutores em Portugal, e, quanto custa o fruto de algum do seu trabalho.

Para aqueles que não se quiserem dar ao trabalho de ler todo o Post, aqui fica um breve Resumo.

- Em 2012, Portugal (na Europa a 23), é um dos países com menos doutorados por 1 000 pessoas em idade activa: 3,9 em 2009; 5 em 2012;

- Actualmente há cerca de 26 000 doutorados em Portugal. Destes, 16 100 (67%) doutoraram-se depois do ano 2000, uma média de 1 240 Doutores/ano. Só em 2012 doutoraram-se mais de 2 200 doutorandos.

- As áreas com mais doutorados são as Ciências Sociais e Humanidades. As Engenharias, as Tecnologias, e as Ciências da Vida e da  Saúde não vão além dos 32% do total de doutorados.

- Dos doutorados em Portugal, apenas 3% trabalham nas Empresas. A grande maioria dos doutorados em Portugal trabalha na área da Educação (80%).

- Portugal tem um dos mais baixos custos com Investigação. Entre 2007 e 2012 esse valor oscilou sempre entre 1,5% e 2% do PIB. Em 2012 foi de 1,5% a que corresponderam aproximadamente 2 476 milhões de euros. Só a Espanha e a Itália gastam tão pouco como nós na Investigação.

- Estes custos têm sido repartidos pelo Sector Público e pelo Sector Privado. Em 2012 o Sector Público contribuiu aproximadamente com 1 400 milhões (57%) de euros, e o Sector Privado com 1 076 milhões de euros (43%).

De acordo com alguns dados que recolhi, em 1999 Portugal tinha 8 700 pessoas Doutoradas. Mas em 2012 esse número já era de cerca 26 000. Em apenas uma década, o número de Doutorados triplicou. Digamos, de grosso modo, que foi muito o conhecimento adquirido. Possivelmente, como começámos tarde em relação a outros países, vamos a isto que é sempre a aviar! E, fomos, certamente, o país da Europa que mais Doutores formou em tão pouco tempo, digo eu.

No entanto, mesmo depois desta “fornada”, quando comparado com os outros países da Europa, como se pode ver no Gráfico 1, Portugal ocupava ainda em 2009 um dos últimos lugares, com apenas 3,9 Doutorados por 1 000 pessoas activas. Mas no final de 2012, esse indicador, já era de cerca de 5 Doutorados por cada 1 000 pessoas em idade de trabalho, o que nos fará subir 3 ou 4 lugares no ranking.

       Gráfico 1 – Doutorados por 1 000 activos 



No Gráfico 2 podemos verificar que, dos tais 26 000 Doutorados que existem actualmente, só entre 2000 e 2012 Portugal formou cerca de 16 100 novos Doutores, numa média de 1 240 novos produtores de novos conhecimentos, em cada ano que passou. Poderíamos até pensar que a coisa até nem foi nada mau, se por acaso tivesse existido planeamento, e uma política de formar o que o país necessitava para o seu desenvolvimento. 

Mas o que podemos ver ainda nesse Gráfico é que as áreas mais privilegiadas foram para as áreas Sociais e de Humanidades com 37% (Ciências da Educação, Sociologias, Psicologias, Economia, Comunicação, e afins); estas áreas foram o dobro dos Doutoramentos em Engenharias e Tecnologias (que foram de apenas 20%), e o triplo dos Doutoramentos em Ciências da Vida e da Saúde, que se diz serem as de maior futuro e necessidade (apenas 12% dos Doutoramentos).  


     Gráfico 2 – Doutoramentos Realizados e Áreas de Formação entre 2000 – 2012



Com a opção de formação por estas áreas, não será de estranhar onde iremos encontrar a trabalhar a grande maioria dos nossos detentores e replicadores de conhecimentos. Não será certamente em Empresas!

Não se julgue que estou a defender que a maioria devesse lá estar. Mas o que é discutível é de serem apenas uns escassos 3% dos Doutorados em Portugal a trabalhar em Empresas, isto é, cerca de 800 dos tais 26 000. É pouco, muito pouco, quando sabemos que são as Empresas as grandes produtoras de riqueza e, certamente, aquelas onde os novos conhecimentos são essenciais. Aliás, isso é visível quando comparamos com o que acontece noutros países com os doutorados nas Empresas:

- Espanha: 17%
- Bélgica: 32%
- Dinamarca: 36%
- Até a Hungria: 8%
E já nem quero falar da Suíça!

Assim sendo, onde trabalham afinal os doutorados em Portugal? 

No Estado, claro: Ou no Ensino ou Laboratórios Públicos. 

Repartidos assim: 80% no Ensino e Educação e 7% em Laboratórios Públicos. E ainda dizem que somos um país neo liberal!
  

  Gráfico 3 – Emprego dos Doutorados em Portugal e outros países, por sector de actividade.



Não sendo os únicos, a função principal dos nossos doutorados é produzir conhecimento, isto é a sua participação na Investigação e no Desenvolvimento (I&D), convirá assim ter uma ideia de quanto é que o país despende nestas actividades, e sobretudo, comparar com os outros países. E também quem é que paga as facturas, e, em que percentagem: Estado e Privados.

De acordo com alguns cálculos que fiz, Portugal terá gasto em 2012 cerca de 1,5% do PIB em actividades Investigação, a que corresponde uma verba aproximada de 2 476 milhões de euros, ou seja perto de 24 cêntimos por português.

Como se pode ver no Quadro 1, quando comparado com outros países, em custos “per capita”, Portugal aproxima-se bastante da Espanha e da Itália. Mas nestas coisas da Investigação está a “anos-luz” de países como a Alemanha e a Dinamarca (96 cêntimos e 1, 32 euros/habitante, respectivamente); e mesmo a França, não vamos além de 1/3 do que é gasto por cada francês para actividades de Investigação e Desenvolvimento. 




Por fim será importante saber quem financia estas actividades de I&D. Assim no Gráfico 4, podemos verificar que em relação à contribuição dos dinheiros públicos, neste conjunto de países, Portugal, percentualmente, ocupa desde 2008 o 1º lugar. Fazendo as contas por alto em valores absolutos, em 2007 o valor foi de 1 277 milhões de euros; em 2009 foi de 1 677 milhões; e em 2012 foi de 1 400 milhões de euros. Como se pode ver as diferenças não são assim tão grandes, como se anda por aí a fazer crer. 

  Gráfico 4 – Impacto das despesas com I&D nas despesas públicas de alguns países 2007 – 2012. 



Quanto às contribuições do Sector Privado, no Gráfico 5 podemos observar o contrário do anterior (lógico num país neo liberal!). Portugal, a par da Espanha e da Itália, são aqueles onde o sector privado menos contribui para a I&D, não passando em 2012, além dos O,7% dos respectivos PIB´s, praticamente metade da média da União europeia a 27 países que é de 1,42% dos respectivos PIB´s.

Em Portugal esse valor tem sido praticamente constante nos últimos 6 anos: 1 000 milhões de euros em 2007; 1 350 milhões em 2009; e 1 076 milhões de euros em 2012.

Comparando com as verbas do Sector Público, e tendo em conta que nas Empresas apenas trabalham 3 % dos doutorados, teremos de concluir que ou estes gastam muito, a Investigação anda a ser feita por outros, ou o Sector Privado anda a financiar os investigadores públicos!


    Gráfico 5 – Evolução das Despesas em I&D do Sector Privado em diversos países, 2007 - 2012 



Seria bom que alguém se dedicasse a Investigar e avaliar do impacto e os resultados desta política. 

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Isto é o Estado no seu melhor...


700 Milhões/ano de suplementos! 

Que raio de Funcionário Público fui eu que, ao longo de 30 anos, nunca tive nenhum suplemento. Sim, porque ser Enfermeiro, não se corre qualquer risco! Ao menos podíamos estar isentos de Taxas Moderadoras dos serviços em que trabalhamos...  

Mas outros, até para tocar o sino!



“Desta factura dos suplementos ficam de fora os subsídios obrigatórios que o Estado tem de pagar aos seus funcionários: como o de refeição (520 milhões de euros) e ajudas de custo (120 milhões de euros). São apenas complementos salariais, muitos deles exclusivos de cada ministério, que são abordados no relatório das Finanças (inclusive os seus funcionários que recebem 18 meses/ano). E são, de facto, imensos.”

Vale quase tudo: "gratificação para o tratador de solípedes", que abrange 350 trabalhadores e custa por ano 45.992 euros; "gratificação de trânsito", para 3337 polícias e que vale 942 mil euros; ou "abono de alimentação para pessoal impedido nas messes", para 300 funcionários e que custa 253 mil euros.

O grosso, porém, dos suplementos pagos pelo MAI diz respeito aos complementos salariais das forças de segurança - são 76 milhões de euros. Mas esses, tal como os 120 milhões de euros pagos nas Forças Armadas pela "condição militar", não são abrangidos pela revisão da tabela. Em nome do estatuto de excepção daquelas carreiras,, esses valores ficarão intocáveis.

(leia o resto aqui)


2º Round – A mula de tales....


“Diz a lenda que em tempos uma mula, que todos os dias tinha que carregar sacos de sal, que sempre que passava por uma ribeira ou riacho entrava por eles dentro, e assim, dissolvia algum do sal, aliviando-se um pouco da pesada carga. Vendo isso, o manhoso dono, um dia em vez de sal, carregou a dita com lã....”


Parece ser o que estes dois estão a pedir: Carregá-los com o “fardo” da governação. Aí não terão riacho nem "rio" que vos valha...


quarta-feira, 10 de setembro de 2014

1º Round - Que pobreza...




“Hoje (ontem) ficou bem demonstrado o que o PS tem para oferecer aos portugueses: candidatos que são um vazio de ideias e estratégias para o país: a única coisa que os move é o poder; o argumento que António Costa usa para justificar esta palhaçada onde meteu o partido dele, é que ele, Costa, tem mais condições para lá chegar que o Tozé. Patético. Esta campanha para eleger um "candidato a 1º ministro" tem pelo menos uma virtude: eles têm de mostrar o que valem. E até ao dia 28 de Setembro os portugueses "há-dem" perceber que eles valem muito pouco.

(Alexandre Carvalho da Silveira)”


Elejo este comentário, dos muitos que li por aí, a respeito do debate entre António Costa e António José Seguro. E cito-o por me rever nele um pouco. Quem assistiu ontem a este 1º confronto entre estas duas personalidades que querem governar Portugal e os ecos que se seguiram nas televisões, acho eu que tem que se sentir defraudado, e pensar que este país assim não vai lá.

Começando pelo debate, que inclui a jornalista moderadora pelas perguntas que fez e pelas que não fez, mais parecia uma entrevista para seleccionar um candidato a um qualquer “big brother”, ou outro qualquer “reality show”, todos mais preocupados com a “imagem” do que com os conteúdos, e privilegiado o supérfluo em detrimento do essencial. Assim não pode ser.

E desculpem-me senhores jornalistas e comentadores militantes, eu estou-me nas tintas para que o primeiro-ministro seja "um gajo bonito e porreiro", ou "esteja sereno perante as câmaras ou mais ansioso", se é "um doutor de Vila Real ou um camponês de Lisboa, ou vice-versa", se um é "melhor actor do que o outro", ou de coisas do género "Seguro aparentou ter um feitio perigoso", "arma-se em cão raivoso", "fez biquinho", "António Costa conseguiu aguentar todas as ofensas" ou Seguro "faz uns esgares que fazem lembrar uma cobra-cascavel"; o que eu quero saber, e penso que a maioria dos portugueses, é se estes dois estão bem preparados para governarem o país e quais as ideias e estratégias que apresentam para governarem.

O que eu quero saber é:

- Quais as propostas concretas, exequíveis e calendarizadas que têm para diminuírem a maior chaga social que é o desemprego.

- Que valor para o salário mínimo nacional e quais as medidas para promoveram a sua sustentabilidade, sobretudo nas micro e pequenas empresas.

- Como vão ser capazes de manter os custos do actual SNS, com os parcos recursos que possui o Estado.

- Que propostas para o Ensino Superior, que continua a formar cursos em áreas que ninguém precisa. Veja-se o caso das áreas das humanidades/engenharias.

- O que vão fazer com as "rendas" excessivas que ainda pagamos com as PPP´s, e que o próprio partido deles (PS) criaram. 

- Como vão no futuro melhorar e controlar a supervisão ao sistema bancário e financeiro para se evitarem coisas como o BPN e BES. 

- O que vão fazer às Empresa Públicas, nomeadamente, as de transportes, e como as vão financiar no futuro.

- Como vão eles aumentar as Receitas do Estado (com números concretos), para fazerem face às Despesas que se propõem aumentar (com a reposição de salários e parar os cortes nas pensões, reabrir Tribunais e Escolas, etc., como andam a prometer).

- Qual a “receita” ou “poção mágica” (enquanto estadistas) que têm para fazerem o tal crescimento económico de que tanto falam. E porque não o fizeram no passado quando tiveram responsabilidades governativas e políticas (no caso do António Costa), ou se descobriram novas estratégias.

- Como é que vão fazer a sustentabilidade da Segurança Social. Onde vão eles há procuras das Receitas que cubram os custos insustentáveis (38 000 milhões de euros em 2013) que são hoje praticamente 50% das Receitas totais do estado. E com tendência para se agravarem drasticamente, por razões demográficas e não só, no futuro.

- Para quanto terá de crescer o PIB português (o tal aumento de riqueza de que falam) para sustentar uma Despesa Pública superior a 80 000 milhões de euros. Como vão conseguir um PIB de 200 000 milhões, quando actualmente não chega aos 170 000 milhões de euros.

- Como vão ser capazes de aumentar as Exportações e terem uma Balança Comercial equilibrada, se no passado nunca o fizeram, e porquê?

- E por fim, qual a estratégia que têm para diminuir a Dívida Pública e respeitarem o Tratado Orçamental, que assinaram e se comprometeram a respeitar (o PS) com défice inferior a 2,5%?


Se me responderem concretamente, e com simplicidade, a estas questões, eu até me vou inscrever ainda hoje, como simpatizante, e votarei nos dois....     

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Umas “estatísticas” de vez em quando, sempre dá para irmos pensando (3)


A Balança Comercial portuguesa

Já há algum tempo que andava para abordar este tema, que me parece um pouco descurado nos debates de economia em Portugal, privilegiando-se habitualmente outros indicadores, como por exemplo o PIB, e descurando a importância do balanço entre exportações e as importações. Ora a balança comercial diz respeito a todas as transacções de mercadorias entre residentes e não-residentes, processadas durante um período de tempo determinado, e o seu saldo é determinado pela diferença entre o montante das exportações e o montante das importações de bens verificadas durante esse período. Logo de importância extrema para a economia do país.

De grosso modo para um não economista, como é o meu caso, mas que gosta de mexer nestas coisas de forma ligeira mas séria, a nossa Balança Comercial ao longo dos últimos 40 anos tem sido quase sempre negativa (com um intervalo nos anos 80, nos primeiros anos do cavaquismo), isto é, as Importações têm sido quase sempre superiores ao que conseguimos exportar.

Desde 1974 que esse défice tem sido sempre a “aviar”, atingindo a sua expressão máxima no consulado de José Sócrates como veremos mais adiante. Mas para conhecimento dos mais distraídos, aqui, ficam alguns dados para ilustrar a coisa:

- Entre 1966 e 1973: Saldo Positivo
- Entre 1974 e 1977: Saldos negativos sempre superiores a 6% do PIB
- Em 1982: Saldo Negativo de 12,1% do PIB (Recorde)
- Entre 1985 e 1990: Saldos ligeiramente positivos
- A partir de 1990 os saldos negativos não pararam de crescer, voltando a atingir os 12% do PIB em 2008.

Na lei dos sistemas abertos, como é a economia mundial, sempre que um sistema para viver tenha necessidade de receber, constantemente, mais do que aquilo que consegue produzir, é um sistema deficitário, e que mais dia, menos dia entrará em rotura, a não ser que se trate de um sistema parasita, com um paizinho ou mãezinha que o alimente, ou que viva à custa do alheio.

Isso é o que se tem passado na economia portuguesa nos últimos 40 anos e que passou a ser lei, pelo menos para a filosofia dominante “esquerdoide” que nos acultura. A divisa é “o que é preciso é consumir”, porque isso aumenta o PIB. E para eles, desde que o PIB aumente é bom, nem que seja com dinheiro emprestado, e quem vier atrás que feche a porta. Só que esse alguém que vem atrás serão os nossos filhos e netos, que quer queiram ou não, terão de pagar o “pato”. Ah, mas essa filosofia também manda dizer que gostamos muito desses nossos descendentes! Pois, belas heranças lhes vamos deixar.

Na história mais recente da nossa Balança Comercial, e que mais nos interessa actualmente, podemos ver no Gráfico 1 que entre 2000 e 2011, em números absolutos, as Importações (barras grená) foram sempre muito superiores ao que se conseguiu exportar (barras azuis), atingindo o valor mais elevado, como já havia referido, em 2008, com um saldo negativo de 16 383 milhões de euros

Só entre 2000 e 2010 o défice acumulado da nossa Balança Comercial foi, aproximadamente, 142 500 milhões de euros. Isto é, todos os anos Portugal, perdeu em média para os outros países, entre o que exporta e o que importa, cerca de 13 000 milhões de euros/ano.

No entanto, a partir de 2011, essa tendência começou a alterar-se, e em 2012 já tivemos uma balança equilibrada, e, em 2013 as Exportações superaram as Importações.


No Gráfico 2, podemos verificar melhor os saldos da Balança Comercial em milhões de euros. Entre 2000 e 2010 esses saldos são sempre francamente negativos, mas a partir de 2011, começa a inverter-se essa tendência. Em 2011 o nosso saldo da Balança Comercial já foi apenas de 6 500 milhões de euros, e em 2012 a balança foi equilibrada. Em 2013, mais de 20 anos depois, Portugal voltou a ter um saldo positivo, isto é, as nossa Exportações foram superiores em quase 3 000 milhões de euros ao que importámos.      



Breve análise política a estes dados:

Este fim-de-semana fez grade escândalo aos “papagaios” da nossa praça, as declarações da ministra das finanças, ao afirmar que, é preciso algum cuidado ao “injectar” dinheiro na economia portuguesa, pois isso contribuirá, imediatamente, para aumentar as importações (bens de consumo) e consequentemente, voltar a desequilibrar a nossa Balança Comercial, e, isso pode não ser saudável para a nossa economia.

Ora o que os números que acabo de publicar dizem, é que possivelmente ela tem razão. Como se pode ver nos Gráficos e números publicados, não foi a injecção de dinheiro na economia portuguesa, como fez Sócrates a partir de 2008 (para não me referir mais para atrás), que levou ao investimento e aumento de exportações, mas antes ao consumo, e como somos uma economia que pouco produz, recorre-se às importações. O que leva a um aumento do défice da nossa Balança Comercial, e isso, não sei se será coisa boa.

Mas o António Costa deve saber. Ele diz-se "mestre" em estratégias de crescimento económico, e "milagres" de criação de riqueza! A ver vamos, como diz o cego. 

Quanto aos camaradas contestatários comunistas? Recomendo uma visita ao Camarada Castro, que esse então, é "doutorado", nestas coisas do import./export.      


segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Fomos Incompetentes ou continuamos incompetentes?


Há alguma coisa de anormal no último resultado?

Os últimos 16 jogos da Selecção de Jorge Mendes, Fernando Gomes, Paulo Bento e Cristiano Ronaldo:

Luxemburgo – Portugal, 1-2

Portugal - Azerbaijão, 3-0

Rússia – Portugal, 1-0

Portugal - Irlanda do Norte, 1-1

Israel Portugal, 3-3

Azerbaijão – Portugal, 0-2

Portugal – Rússia, 1-0

Irlanda do Norte – Portugal, 2-4

Portugal – Israel, 1-1

Portugal – Luxemburgo, 3-0

Portugal – Suécia, 1-0

Suécia – Portugal, 2-3

Alemanha – Portugal, 4-0

Portugal – Estados Unidos. 2-2

Portugal – Gana, 2-1

Portugal – Albânia 0-1



domingo, 7 de setembro de 2014

Popless...


Maldito espelho devolveu a imagem dela sem reflectir, é um vício danado aspirar o ar ao ela passar. Vai do hábito ficar sentado e, deixá-la fugir. Fingir que passou ao lado, e vê-la zarpar. Ai, lá vai ela sabendo que é linda, por onde passa nem relva cresce. Lá vem ela mostrando interesse nessa palavra, nesse Popless. Lá vem ela sabendo que mexe um peito acima, outro desce, lá vem ela mostrando interesse no que, no que cresce...

É uma pena ter ficado sentado e deixá-la jantar. Foi um erro declarar-me culpado por ela sorrir. Ai, lá vai ela sabendo que é bela, que me escuta à janela. Lá vem ela sabendo que é linda, por onde passa tudo mexe! Ai lá vai ela sabendo que é boa, que a nossa cabeça fica à toa, lá vem ela sabendo que o interesse de tudo isto é palavra Popless.

Ai lá vem ela sabendo que é linda, por onde passa, nem relva cresce. Lá vem ela mostrando interesse por resolver este Popless. Ai lá vai ela sabendo que é boa e que esta cabeça ficou à toa. Lá vem ela sabendo que mexe, um peito assim, até mais cresce. Ai lá vem ela mostrando interesse, e lá vem ela sabendo que é bela, e, que à janela eu fico à espera: À espera de vê-la...



sábado, 6 de setembro de 2014