quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Isto é o Estado no seu melhor...


700 Milhões/ano de suplementos! 

Que raio de Funcionário Público fui eu que, ao longo de 30 anos, nunca tive nenhum suplemento. Sim, porque ser Enfermeiro, não se corre qualquer risco! Ao menos podíamos estar isentos de Taxas Moderadoras dos serviços em que trabalhamos...  

Mas outros, até para tocar o sino!



“Desta factura dos suplementos ficam de fora os subsídios obrigatórios que o Estado tem de pagar aos seus funcionários: como o de refeição (520 milhões de euros) e ajudas de custo (120 milhões de euros). São apenas complementos salariais, muitos deles exclusivos de cada ministério, que são abordados no relatório das Finanças (inclusive os seus funcionários que recebem 18 meses/ano). E são, de facto, imensos.”

Vale quase tudo: "gratificação para o tratador de solípedes", que abrange 350 trabalhadores e custa por ano 45.992 euros; "gratificação de trânsito", para 3337 polícias e que vale 942 mil euros; ou "abono de alimentação para pessoal impedido nas messes", para 300 funcionários e que custa 253 mil euros.

O grosso, porém, dos suplementos pagos pelo MAI diz respeito aos complementos salariais das forças de segurança - são 76 milhões de euros. Mas esses, tal como os 120 milhões de euros pagos nas Forças Armadas pela "condição militar", não são abrangidos pela revisão da tabela. Em nome do estatuto de excepção daquelas carreiras,, esses valores ficarão intocáveis.

(leia o resto aqui)


2º Round – A mula de tales....


“Diz a lenda que em tempos uma mula, que todos os dias tinha que carregar sacos de sal, que sempre que passava por uma ribeira ou riacho entrava por eles dentro, e assim, dissolvia algum do sal, aliviando-se um pouco da pesada carga. Vendo isso, o manhoso dono, um dia em vez de sal, carregou a dita com lã....”


Parece ser o que estes dois estão a pedir: Carregá-los com o “fardo” da governação. Aí não terão riacho nem "rio" que vos valha...


quarta-feira, 10 de setembro de 2014

1º Round - Que pobreza...




“Hoje (ontem) ficou bem demonstrado o que o PS tem para oferecer aos portugueses: candidatos que são um vazio de ideias e estratégias para o país: a única coisa que os move é o poder; o argumento que António Costa usa para justificar esta palhaçada onde meteu o partido dele, é que ele, Costa, tem mais condições para lá chegar que o Tozé. Patético. Esta campanha para eleger um "candidato a 1º ministro" tem pelo menos uma virtude: eles têm de mostrar o que valem. E até ao dia 28 de Setembro os portugueses "há-dem" perceber que eles valem muito pouco.

(Alexandre Carvalho da Silveira)”


Elejo este comentário, dos muitos que li por aí, a respeito do debate entre António Costa e António José Seguro. E cito-o por me rever nele um pouco. Quem assistiu ontem a este 1º confronto entre estas duas personalidades que querem governar Portugal e os ecos que se seguiram nas televisões, acho eu que tem que se sentir defraudado, e pensar que este país assim não vai lá.

Começando pelo debate, que inclui a jornalista moderadora pelas perguntas que fez e pelas que não fez, mais parecia uma entrevista para seleccionar um candidato a um qualquer “big brother”, ou outro qualquer “reality show”, todos mais preocupados com a “imagem” do que com os conteúdos, e privilegiado o supérfluo em detrimento do essencial. Assim não pode ser.

E desculpem-me senhores jornalistas e comentadores militantes, eu estou-me nas tintas para que o primeiro-ministro seja "um gajo bonito e porreiro", ou "esteja sereno perante as câmaras ou mais ansioso", se é "um doutor de Vila Real ou um camponês de Lisboa, ou vice-versa", se um é "melhor actor do que o outro", ou de coisas do género "Seguro aparentou ter um feitio perigoso", "arma-se em cão raivoso", "fez biquinho", "António Costa conseguiu aguentar todas as ofensas" ou Seguro "faz uns esgares que fazem lembrar uma cobra-cascavel"; o que eu quero saber, e penso que a maioria dos portugueses, é se estes dois estão bem preparados para governarem o país e quais as ideias e estratégias que apresentam para governarem.

O que eu quero saber é:

- Quais as propostas concretas, exequíveis e calendarizadas que têm para diminuírem a maior chaga social que é o desemprego.

- Que valor para o salário mínimo nacional e quais as medidas para promoveram a sua sustentabilidade, sobretudo nas micro e pequenas empresas.

- Como vão ser capazes de manter os custos do actual SNS, com os parcos recursos que possui o Estado.

- Que propostas para o Ensino Superior, que continua a formar cursos em áreas que ninguém precisa. Veja-se o caso das áreas das humanidades/engenharias.

- O que vão fazer com as "rendas" excessivas que ainda pagamos com as PPP´s, e que o próprio partido deles (PS) criaram. 

- Como vão no futuro melhorar e controlar a supervisão ao sistema bancário e financeiro para se evitarem coisas como o BPN e BES. 

- O que vão fazer às Empresa Públicas, nomeadamente, as de transportes, e como as vão financiar no futuro.

- Como vão eles aumentar as Receitas do Estado (com números concretos), para fazerem face às Despesas que se propõem aumentar (com a reposição de salários e parar os cortes nas pensões, reabrir Tribunais e Escolas, etc., como andam a prometer).

- Qual a “receita” ou “poção mágica” (enquanto estadistas) que têm para fazerem o tal crescimento económico de que tanto falam. E porque não o fizeram no passado quando tiveram responsabilidades governativas e políticas (no caso do António Costa), ou se descobriram novas estratégias.

- Como é que vão fazer a sustentabilidade da Segurança Social. Onde vão eles há procuras das Receitas que cubram os custos insustentáveis (38 000 milhões de euros em 2013) que são hoje praticamente 50% das Receitas totais do estado. E com tendência para se agravarem drasticamente, por razões demográficas e não só, no futuro.

- Para quanto terá de crescer o PIB português (o tal aumento de riqueza de que falam) para sustentar uma Despesa Pública superior a 80 000 milhões de euros. Como vão conseguir um PIB de 200 000 milhões, quando actualmente não chega aos 170 000 milhões de euros.

- Como vão ser capazes de aumentar as Exportações e terem uma Balança Comercial equilibrada, se no passado nunca o fizeram, e porquê?

- E por fim, qual a estratégia que têm para diminuir a Dívida Pública e respeitarem o Tratado Orçamental, que assinaram e se comprometeram a respeitar (o PS) com défice inferior a 2,5%?


Se me responderem concretamente, e com simplicidade, a estas questões, eu até me vou inscrever ainda hoje, como simpatizante, e votarei nos dois....     

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Umas “estatísticas” de vez em quando, sempre dá para irmos pensando (3)


A Balança Comercial portuguesa

Já há algum tempo que andava para abordar este tema, que me parece um pouco descurado nos debates de economia em Portugal, privilegiando-se habitualmente outros indicadores, como por exemplo o PIB, e descurando a importância do balanço entre exportações e as importações. Ora a balança comercial diz respeito a todas as transacções de mercadorias entre residentes e não-residentes, processadas durante um período de tempo determinado, e o seu saldo é determinado pela diferença entre o montante das exportações e o montante das importações de bens verificadas durante esse período. Logo de importância extrema para a economia do país.

De grosso modo para um não economista, como é o meu caso, mas que gosta de mexer nestas coisas de forma ligeira mas séria, a nossa Balança Comercial ao longo dos últimos 40 anos tem sido quase sempre negativa (com um intervalo nos anos 80, nos primeiros anos do cavaquismo), isto é, as Importações têm sido quase sempre superiores ao que conseguimos exportar.

Desde 1974 que esse défice tem sido sempre a “aviar”, atingindo a sua expressão máxima no consulado de José Sócrates como veremos mais adiante. Mas para conhecimento dos mais distraídos, aqui, ficam alguns dados para ilustrar a coisa:

- Entre 1966 e 1973: Saldo Positivo
- Entre 1974 e 1977: Saldos negativos sempre superiores a 6% do PIB
- Em 1982: Saldo Negativo de 12,1% do PIB (Recorde)
- Entre 1985 e 1990: Saldos ligeiramente positivos
- A partir de 1990 os saldos negativos não pararam de crescer, voltando a atingir os 12% do PIB em 2008.

Na lei dos sistemas abertos, como é a economia mundial, sempre que um sistema para viver tenha necessidade de receber, constantemente, mais do que aquilo que consegue produzir, é um sistema deficitário, e que mais dia, menos dia entrará em rotura, a não ser que se trate de um sistema parasita, com um paizinho ou mãezinha que o alimente, ou que viva à custa do alheio.

Isso é o que se tem passado na economia portuguesa nos últimos 40 anos e que passou a ser lei, pelo menos para a filosofia dominante “esquerdoide” que nos acultura. A divisa é “o que é preciso é consumir”, porque isso aumenta o PIB. E para eles, desde que o PIB aumente é bom, nem que seja com dinheiro emprestado, e quem vier atrás que feche a porta. Só que esse alguém que vem atrás serão os nossos filhos e netos, que quer queiram ou não, terão de pagar o “pato”. Ah, mas essa filosofia também manda dizer que gostamos muito desses nossos descendentes! Pois, belas heranças lhes vamos deixar.

Na história mais recente da nossa Balança Comercial, e que mais nos interessa actualmente, podemos ver no Gráfico 1 que entre 2000 e 2011, em números absolutos, as Importações (barras grená) foram sempre muito superiores ao que se conseguiu exportar (barras azuis), atingindo o valor mais elevado, como já havia referido, em 2008, com um saldo negativo de 16 383 milhões de euros

Só entre 2000 e 2010 o défice acumulado da nossa Balança Comercial foi, aproximadamente, 142 500 milhões de euros. Isto é, todos os anos Portugal, perdeu em média para os outros países, entre o que exporta e o que importa, cerca de 13 000 milhões de euros/ano.

No entanto, a partir de 2011, essa tendência começou a alterar-se, e em 2012 já tivemos uma balança equilibrada, e, em 2013 as Exportações superaram as Importações.


No Gráfico 2, podemos verificar melhor os saldos da Balança Comercial em milhões de euros. Entre 2000 e 2010 esses saldos são sempre francamente negativos, mas a partir de 2011, começa a inverter-se essa tendência. Em 2011 o nosso saldo da Balança Comercial já foi apenas de 6 500 milhões de euros, e em 2012 a balança foi equilibrada. Em 2013, mais de 20 anos depois, Portugal voltou a ter um saldo positivo, isto é, as nossa Exportações foram superiores em quase 3 000 milhões de euros ao que importámos.      



Breve análise política a estes dados:

Este fim-de-semana fez grade escândalo aos “papagaios” da nossa praça, as declarações da ministra das finanças, ao afirmar que, é preciso algum cuidado ao “injectar” dinheiro na economia portuguesa, pois isso contribuirá, imediatamente, para aumentar as importações (bens de consumo) e consequentemente, voltar a desequilibrar a nossa Balança Comercial, e, isso pode não ser saudável para a nossa economia.

Ora o que os números que acabo de publicar dizem, é que possivelmente ela tem razão. Como se pode ver nos Gráficos e números publicados, não foi a injecção de dinheiro na economia portuguesa, como fez Sócrates a partir de 2008 (para não me referir mais para atrás), que levou ao investimento e aumento de exportações, mas antes ao consumo, e como somos uma economia que pouco produz, recorre-se às importações. O que leva a um aumento do défice da nossa Balança Comercial, e isso, não sei se será coisa boa.

Mas o António Costa deve saber. Ele diz-se "mestre" em estratégias de crescimento económico, e "milagres" de criação de riqueza! A ver vamos, como diz o cego. 

Quanto aos camaradas contestatários comunistas? Recomendo uma visita ao Camarada Castro, que esse então, é "doutorado", nestas coisas do import./export.      


segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Fomos Incompetentes ou continuamos incompetentes?


Há alguma coisa de anormal no último resultado?

Os últimos 16 jogos da Selecção de Jorge Mendes, Fernando Gomes, Paulo Bento e Cristiano Ronaldo:

Luxemburgo – Portugal, 1-2

Portugal - Azerbaijão, 3-0

Rússia – Portugal, 1-0

Portugal - Irlanda do Norte, 1-1

Israel Portugal, 3-3

Azerbaijão – Portugal, 0-2

Portugal – Rússia, 1-0

Irlanda do Norte – Portugal, 2-4

Portugal – Israel, 1-1

Portugal – Luxemburgo, 3-0

Portugal – Suécia, 1-0

Suécia – Portugal, 2-3

Alemanha – Portugal, 4-0

Portugal – Estados Unidos. 2-2

Portugal – Gana, 2-1

Portugal – Albânia 0-1



domingo, 7 de setembro de 2014

Popless...


Maldito espelho devolveu a imagem dela sem reflectir, é um vício danado aspirar o ar ao ela passar. Vai do hábito ficar sentado e, deixá-la fugir. Fingir que passou ao lado, e vê-la zarpar. Ai, lá vai ela sabendo que é linda, por onde passa nem relva cresce. Lá vem ela mostrando interesse nessa palavra, nesse Popless. Lá vem ela sabendo que mexe um peito acima, outro desce, lá vem ela mostrando interesse no que, no que cresce...

É uma pena ter ficado sentado e deixá-la jantar. Foi um erro declarar-me culpado por ela sorrir. Ai, lá vai ela sabendo que é bela, que me escuta à janela. Lá vem ela sabendo que é linda, por onde passa tudo mexe! Ai lá vai ela sabendo que é boa, que a nossa cabeça fica à toa, lá vem ela sabendo que o interesse de tudo isto é palavra Popless.

Ai lá vem ela sabendo que é linda, por onde passa, nem relva cresce. Lá vem ela mostrando interesse por resolver este Popless. Ai lá vai ela sabendo que é boa e que esta cabeça ficou à toa. Lá vem ela sabendo que mexe, um peito assim, até mais cresce. Ai lá vem ela mostrando interesse, e lá vem ela sabendo que é bela, e, que à janela eu fico à espera: À espera de vê-la...



sábado, 6 de setembro de 2014

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Umas “estatísticas” de vez em quando, sempre dá para irmos pensando (2)


1 - Porque fecham escolas em Portugal?

Em primeiro lugar porque o número de alunos tem diminuído nos últimos anos. E isto porque, o número de crianças nascidas em Portugal é cada vez menor. Como se pode ver no Gráfico 1, em 2013 nasceram aproximadamente menos 40 000 crianças do que no ano 2000 (120.500 em 2000; e apenas 82.600 em 2013). Desde o princípio do século que esta diminuição tem sido sempre progressiva. Uma redução média aproximada 3 000 crianças em cada ano que passa. E irá continuar assim.


Esta diminuição de nascimentos tem razões várias. Mas está na moda dizer-se que é por razões económicas. Não creio sequer que seja uma das principais. A não ser que economia seja tudo, como também agora está na moda. Para deitar por terra esta tese basta dizer que, por exemplo, na década de 60 do século passado, nasciam em média em Portugal cerca 215 000 crianças (quase o triplo das que nasceram em 2013), com uma população inferior em cerca de 2 milhões de habitantes, e não consta que as condições económicas dessa época fossem melhores que hoje.


Para atestar o que acabo de afirmar, e se tivermos em conta os dados correspondentes aos 40 anos de vigência do actual regime em Portugal em 1974 nasceram 172 000 crianças, o que comparando com as actuais 82 000 de 2013, tem existido, em média, uma diminuição de 2 250 nascimentos/ano. Logo não custa concluir que sem crianças não há Escolas, a não ser que sejam para adultos, o que não seria mal pensado, sobretudo em disciplinas como aritmética básica. Garanto que daria jeito a muitos “dotôres”!

E quem mais as tem fechado?

É mais ou menos aceite que, «a memória», não é também dos melhores predicados dos portugueses, e, tal não acontece só porque sim. Existem até diversos estudiosos que se têm dedicado a explicar a coisa. José Gil, por exemplo, um dos nossos melhores filósofos e pensadores da actualidade dá algumas explicações, como é o caso da chamada «não inscrição», devido ao facto de sermos um povo que nunca analisa o passado, que prefere seguir sempre em frente e esquecer o que ficou para trás. Para alguns “optimistas militantes” isto é óptimo, mas leva-nos a cair quase sempre nos mesmos erros.

Agora é o malandro do Nuno Crato que se lembrou de começar a fechar Escolas, sobretudo as do 1º Ciclo do Ensino Básico, (isto é as antigas Escolas do Ensino Primário do ti António, também conhecido pelo “botas”). Mas então se todos os anos temos menos 3 000 alunos, e como já vimos essa progressão é mais ou menos constante há mais de meio século, como não hão-de fechar escolas? Ou então, como parece que dos vários “actores” do ensino, os únicos que têm aumentado são os Professores, mantemos as Escolas só com Professores a darem aulas uns aos outros!

Mas voltemos à coisa da «memória», ou da falta dela como parece ser o caso. A Revista Visão, como se pode ver aqui, publicou esta semana uma reportagem sobre a coisa (mas impregnada da tal filosofia “canhota”, desdenhando como convém ao segmento, e para vender).

Como se pode ver na Figura 1, entre 2002 e 2014 fecharam em Portugal 4 867 Escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico. Dividindo isto em 3 períodos, como na escola, temos:

- Antes de Sócrates (2002-2005)
- Durante o Sócrates (2005-2011)
- E depois do Sócrates, era Passos/Crato (2011-2015)


       Figura 1 - Escolas do 1º Ciclo que fecharam

     Fonte: Revista Visão


O que podemos verificar é que apesar da redução de crianças ser sempre mais ou menos constante, as políticas de encerramento de escolas foram muito diferentes. Assim:

- Nos 3 anos lectivos de 2002-2005, fecharam 677 Escolas, numa média de 226 escolas/ano.

- Nos 6 anos lectivos entre 2005-2011, fecharam 3 448 Escolas, numa média de 575 Escolas/ano.

- Nos 4 anos lectivos 2011-2015, (tendo em conta que se espera que no próximo ano fechem à volta de 250 escolas), fecham 990 Escolas, numa média de 248 Escolas/ano.

Como se vê os números são significativos, durante os 6 anos lectivos do consulado socrático, em cada ano fecharam o dobro das Escolas, quando comparamos com os outros 2 períodos. Alguém se lembra?

Camarada Professor/Sindicalista Mário Nogueira, sendo assim, quer que chame a Maria de Lurdes Rodrigues, a Isabel Alçada e o Sócrates? Olha que eles já andam por aí a afiar a “moca” com o camarada Costa! Ou ficamos com o Nuno Crato que parece, pelo menos, ser mais moderado no encerramento das ditas...  

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O PS vai acabar?

Tal como está formulada, a questão em epígrafe é, com certeza excessiva. Mas pode e deve ser colocada face à actual situação do Partido Socialista. E talvez, sobretudo para os militantes e simpatizantes do Partido Socialista, não fosse descabido reflectirem sobre estas palavras publicadas aqui.


"... a dinâmica interna de luta pelo poder no PS e de revanchismo por parte da ala socrática do partido impulsionaram o desafio à liderança por parte de António Costa. Quando o partido necessitava de se unir face à velha e nova concorrência política, desuniu-se como nunca e iniciou um processo de fractura que irá prolongar-se no tempo. O responsável directo por este facto é o próprio António Costa. A sua acção dividiu o partido internamente, mas também a opinião dos portugueses sobre o PS - que é cada vez de maior desconfiança e distanciamento.

A narrativa dos apoiantes de António Costa é de natureza salvífica. Ou seja, eles consideram que, uma vez afastado o líder desprezado e substituído pelo endeusado Costa, a maioria absoluta vai sorrir ao PS. Ora, eu creio que isso não acontecerá, precisamente porque a crise do PS não era essencialmente uma crise de liderança mas antes de contexto face às forças em presença em Portugal e na Europa."

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Contra-informação...



Mais uma derrota, do neo-liberal, Nuno Crato. Nem consegue privatizar o Ensino Público!!!!!


O mundo dos outros...


(Eu que é até não simpatizo muito com a criatura, aqui, não podia estar mais de acordo)

PORQUE É QUE NÃO VALE MUITO A PENA TER ESPERANÇA …
Por José Pacheco Pereira

“... como no Inferno quando se entra pela porta maldita e se deixa a dita esperança à entrada. Agosto é um bom mês para percebermos tudo. Milhares e milhares de jovens que não lêem um livro, passam o mês em festivais no meio do lixo, do pó, da cerveja e dos charros. Milhares e milhares de adultos vão meter o corpo na água e na areia, sem verdadeira alegria nem descanso. Outros muitos milhares de jovens e adultos nem isto podem fazer porque não tem dinheiro. No interior, já que não há correios, nem centros médicos, nem tribunais, proliferam as capitais, da chanfana, do caracol, do marisco, do bacalhau, dos enchidos, da açorda, as "feiras medievais" de chave na mão, as feiras de tudo e mais alguma coisa desde que não sejam muito sofisticadas. Não é uma Feira da Ciência, nem Silicon Valley.

As televisões, RTP, SIC e TVI “descentralizam-se” e fazem arraiais com umas estrelas pimba aos saltos no palco, mais umas “bailarinas”, nem sequer para um grande público. Incêndios este ano há pouco, pelo que não há imagens fortes, ficamos pelo balde de água. Crimes violentos “aterrorizam” umas aldeias de nomes entre o ridículo e o muito antigo, que os jornalistas que apresentam telejornais com tudo isto gostam de repetir mil vezes. Felizmente que já começa outra vez a haver futebol, cada vez mais cedo. O governo, com excepção das finanças e dos cortes contra os do costume, não governa, mas isso é o habitual.

A fina película do nosso progresso, cada vez mais fina com a crise das classes ascendentes, revela à transparência todo o nosso ancestral atraso, ignorância, brutalidade, boçalidade, mistura de manha e inveja social. No tempo de Salazar falava-se do embrutecimento dos três f: futebol, Fátima e fado. Se houvesse Internet acrescentar-se-ia o Facebook como o quarto f. Agora não se pode falar disso porque parece elitismo. Áreas decisivas do nosso quotidiano hoje não são sujeitas à crítica, porque se convencionou que em democracia não se critica o "povo".

Agosto é um grande revelador e um balde de água fria em cima da cabeça para aparecer na televisão ou no You Tube. Participar num rebanho, mesmo que por uma boa causa, podia pelo menos despertar alguma coisa. Nem isso, passará a moda  e esquecer-se-á a doença. Pode ser que para o ano a moda  seja meter a cabeça numa fossa séptica, a favor da cura do Ebola.

Assim não vamos a lado nenhum. Como muito bem sabem os que não querem que vamos a qualquer lado.”

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Volta Artur, estás perdoado....


O Slimani é que não colaborou....



sábado, 30 de agosto de 2014

Os abutres tranquilos...

Quanto vale afinal a «Tranquilidade»?

- 1 200 milhões como se dizia em 2013?
- 700 milhões, em Março de 2014?
- 500 milhões?
... ou pouco mais de 50 milhões se vendida, agora, aos “abutres”?

Ou como ainda se diz aqui“Não me espantaria que Ricardo Salgado, ou a família Espírito Santo, viesse a recomprar a Tranquilidade, mais tarde ou mais cedo, com comissão de prémio ao fundo Apollo por esta mediação. Seria uma ironia bancocrática sublime: o GES suga a Tranquilidade e carrega-a de dívidas; o Estado paga as dívidas e assume as responsabilidades; e os Espírito Santo voltam a comprar a seguradora, limpa de dívidas, por tuta-e-meia... Não sei se é crime: mas compensa.”

Tal como a mim, não me espantaria nada, se daqui a uns meses visse Maria Luís Albuquerque, Pires de Lima, ou qualquer outro ministro, que ao saírem do governo, sejam nomeados, tranquilamente, administradores da «Nova Tranquilidade»!


Já se têm visto coisas destas no passado...

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Que "deus" nos valha...


Ai se de facto “ele” existisse, as maldições de Sodoma e Gomorra estariam aí novamente a chegar, e, pelo menos:

- 7 pragas de carraças
- 7 pragas de pulgas
- 7 Pragas de piolhos
- 7 pragas de esgana
- 7 pragas de Leptospirose
- 7 pragas de equinococose

- 7 cursos extra de veterinários, e menos 7 cursos de pediatras....



terça-feira, 26 de agosto de 2014

A propósito de “meets” e outros mitos...


Excelente artigo de Helena Matos: Os Condescendentes“Findo o serviço militar obrigatório,escaqueirada a escola pública em nome da pedagogia, sobram os estádios e os centros comerciais onde os jovens se cruzam independentemente da origem social e étnica.”

Como leitura complementar fica este artigo de Leonardo Santana-Maia escrito e publicado em 2009. Fala da comunidade cigana, mas em minha opinião também serve para outras:

“Com o advento da democracia, tornou-se obrigatório levar a cabo uma série de medidas com vista à integração das comunidades ciganas na sociedade portuguesa, em nome dos princípios civilizacionais de combate ao racismo e de luta contra a discriminação social e racial.

Acontece que um número muito significativo de ciganos recusa, liminarmente, fazer qualquer esforço de integração e, à boa maneira cigana, só aceita a lei portuguesa para colher os benefícios das políticas de integração, porque, quanto ao resto, continua a reger-se pelas suas próprias leis.

E, num país onde a autoridade do Estado se evaporou, até os pequenos marginais começaram a sonhar em grande. E muitas comunidades ciganas adaptaram-se rapidamente à nova realidade, evoluindo naturalmente do contrabando de tabaco e dos pequenos furtos para o tráfico de droga e para os roubos violentos, muitas vezes sobre pessoas idosas ou que vivem isoladas. E tudo isto perante a passividade das autoridades públicas que lhes continuam a dar religiosamente os subsídios de reinserção social como se isso, por si só, tivesse o efeito miraculoso de os converter ao cumprimento das leis portuguesas.

Em Abrantes a situação começa já a tornar-se preocupante, havendo bairros, localidades e pessoas que vivem absolutamente aterrorizadas. E já não basta serem assaltadas e agredidas como são ainda forçadas a viver sob ameaça permanente de verem os filhos mortos, caso apresentem queixa ou, se a tiverem apresentado, a não retirem. É caso para se dizer que, neste momento, a “lei cigana” já se começa a sobrepor à lei portuguesa na regulação de conflitos.

Sou, obviamente, a favor de políticas de reinserção social. Mas quem recebe apoios sociais tem de perceber que também tem deveres para com aqueles que pagam impostos para que eles possam receber esses apoios. O que não é admissível é que, sob o pretexto da reinserção social, o Governo e as câmaras estejam apenas a financiar o crime e a promover a marginalidade.

Com efeito, relativamente às comunidades ciganas, o Estado português limita-se apenas a despejar dinheiro, fechando os olhos a todos os incumprimentos das obrigações impostas, aos comportamentos marginais e aos flagrantes sinais exteriores de riqueza que muitas destas comunidades apresentam.

Por este andar, isto ainda vai acabar mal. Quem te avisa…”

E já agora, a respeito destas tretas, cito eu:

Ò i o ai, disse-me um dia um careca
Ò i o ai, quando uma cobra tem sede
Ò i o ai, corta-lhe logo a cabeça
E encosta-a bem à parede


segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Amor é fogo que arde. Mas só é fogo se queimar....

Mais uma promessa, mais um dia a duvidar, mais outro remendo à pressa, mais uma forma de te procurar. A saudade não dá tréguas, pede um sopro de ar para em mágoas repousar. Se eu falar talvez tu negues, me chames a dançar, e sinta o corpo a voar.

Só é dor se for vontade de agarrar. Só é fogo se queimar. Só é felicidade enquanto durar.
Só é fogo se queimar...

Só mais um momento, lamento, muito tempo. Tanto tempo a mais, mais que um sentimento, mais que o segredo, ainda é cedo. A verdade mora a léguas, faz cambalear. Tem, tem grades a penar.

Se eu falar talvez tu negues, e me chames a dançar, e, sinta o corpo a voar.

Só é dor se for vontade de agarrar. Só é fogo se queimar. Só é felicidade enquanto durar.

Só é fogo se queimar....




sexta-feira, 22 de agosto de 2014

O mundo dos outros...


"Muito se maldiz. Dá gozo, rende aplausos, não compromete e, acima de tudo, é muito fácil maldizer. Mais ainda quando feito em matilha - todos a ladrar e a morder sem correr riscos demasiados."

(Eva Gaspar, aqui)

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Perguntas ao sindicalista/ professor Mário Nogueira (2)


1 - Portugal, a exemplo de outras profissões, paga mal aos professores?


Fonte: Education at a glance, 2013″ da OCDE (Dados 2011)


Resposta: Parece que não. Em Portugal, os professores são das poucas profissões que têm salários como nos países ricos. Como se pode ver no Gráfico superior, os professores portugueses ganham o mesmo que a média da OCDE (grupo de países ricos) superior, por exemplo, à Noruega, França ou Itália (que dirão a maioria das outras profissões?). A média do salário anual dos professores portugueses ronda os 40 000 USD/ano (aproximadamente 30.000 euros).Isto é, cerca de 2 150 euros/mês (brutos).


2 - Os professores em Portugal são mal pagos quando comparados com outras profissões de idêntica formação?


Fonte:  “Education at a glance, 2013″ da OCDE (Dados de 2011)


Resposta: Falso. Os professores em Portugal são dos Licenciados mais bem pagos, como se pode ver neste segundo Gráfico.  Portugal é um dos 4 países da OCDE em que os professores ganham mais do que alguém com as mesmas qualificações. Como já tinha escrito aqui, em média os professores ganham mais 400 euros que outros profissionais com qualificações idênticas, comparando por exemplo com os enfermeiros, estes não vão além, de uma média salarial mensal de 1 600 euros/mês.

Parece significativo, ou não?

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Ah..., coitadinho do crocodilo!

Esta bacoquice corporativa, de que o SNS paga aos médicos cubanos três vezes mais do que aos médicos portugueses, faz-me lembrar a velha história que quando se soou na floresta que “deus” ia exterminar todos os animais com a boca grande, logo o ingénuo hipopótamo se apreçou a dizer, fazendo uma boquinha muito pequenina: - Ah, coitado do crocodilo!

Independentemente da política de ter que se chegar ao cúmulo de ir contratar médicos estrangeiros – Devido a uma política errada e miserável de 40 anos na formação de médicos, com o impingir dos famigerados “numerus clausus” às faculdades de medicina, sem qualquer critério estatístico de necessidades, da qual a Ordem dos Médicos é a principal responsável; vir agora essa mesma Ordem, lançar mais uma vez poeira para os olhos dos portugueses com os ordenados dos seus associados em comparação com o se paga aos médicos cubanos, só para rir senhores dôtores.

Eu sei, com estas alarvices, o que o Ministro da Saúde deveria fazer: Era fazer, “à letra”, aquilo que o senhor doutor médico bastonário José Manuel Silva disse apelando “aos sindicatos que exijam que o Governo pague aos profissionais portugueses o mesmo valor que paga aos cubanos.” Então se assim é, segundo o senhor bastonário, não tinha nada que saber:

Segundo esta notícia da Administração Central do Sistema de Saúde, o Estado português paga a cada médico cubano (ordenado bruto), 4.230 euros. Se o bastonário diz que os médicos portugueses ganham 1/3, era só fazer as contas: 4.230/3 = 1410 euros, de ordenado médio, para cada um. A este valor teria que se abater ainda 23,75% que o Estado paga de “tsu”, o que daria um ordenado bruto de 1.022 euros. Que aliás é mais ou menos o que o Estado cubano paga a cada médico cubano a trabalhar em Portugal, porque o resto, aproximadamente 3.200 euros por cabeça, o “exemplar” estado cubano confisca.

Se alguém acredita nisto, então a Ordem dos Médicos terá razão. E já agora, eu sou o rei da Pérsia!


Leitura complementar: E depois deparam-mo-nos com notícias como esta, acontecida ontem, retirada daqui do Facebook de Pedro Sobreiro:

"... O dia de trabalho estava a minutos de terminar e um telefonema de casa deitou por terra o descanso que previa. Afinal a Alice estava pior da febre que a atormentou toda a noite e até levou a um duche frio durante a madrugada para a temperatura baixar. Pontos brancos na garganta remeteram de imediato para Castelo de Vide e o Centro de Saúde mais próximo.

Lá chegados, a funcionária torceu logo o nariz. Ainda havia 3 ou 4 pacientes por atender e faltavam 15 minutos para as 19 horas. "Vou ver, mas...", como que encolhendo os ombros. Eu sei e a mãe sabe que a culpa não era sua nem dos seus colegas.

Ainda assim aguardámos alguns minutos até que pouco tempo depois chegou o veredicto de sua eminência chamada (doutor?) Rui Alves que nos mandou encostar à box. Nem por ser uma criança, nem por ser antes das 7h, nem por ser um diagnóstico fácil de fazer e uma prescrição ainda mais óbvia se moveu. Um NÃO e está feito. É mais fácil assim.

A Cris ainda pensou em reclamar, porque tínhamos entrado durante o horário de abertura mas bastou recordar-se da última que fez e não deu em nada para se demover.

É esta, alguma da classe médica que temos, que se julga dona e senhora de tudo, que faz o povo revoltar-se. Por uns minutos...

Eu podia ter-lhe feito uma espera, uma decoração no carro ou noutro sítio qualquer onde libertasse o meu desagrado. Mas eu não sou dessa estirpe. Apenas grito aqui e sinto-me mais aliviado com isso.

O que assusta neste país cada vez mais bomba-relógio é que os médicos pecadores pelos quais pagam os justos são cada vez mais; e os portugueses capazes da minha reação são casa vez menos.
 — a sentir-se embasbacado com o país que temos."

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Comunistas, comunistas, mas “dinheiro” à parte...

Como se pode ler aqui, “...o regime remuneratório dos profissionais cubanos no exterior impõe que estas quantias sejam depositadas trimestralmente pelas entidades onde estão a trabalhar os médicos numa conta da empresa de Cuba - Serviços Médicos Cubanos -, que paga aos profissionais destacados para Portugal menos de um quarto do que recebe do Estado Português.”


Curiosa esta notícia do “Jornal i”. De acordo com o Jornal, o Estado português paga directamente aos Serviços Médicos de Cuba os ordenados dos médicos cubanos contratados para o SNS português, que só depois de retirar ¾ do ordenado para pagarem a sua formação nesse país comunista, os médicos acabam apenas por receber 25% do que ganham em Portugal. Isto é, em 6 anos, o Estado português pagou 12 milhões de euros a Cuba pelos médicos cubanos a trabalhar em Portugal, mas o camarada Castro só pagou aos profissionais 3 milhões de euros. Os outros 9 milhões foram para os cofres do Estado Cubano (diga-se dos contribuintes cubanos) para reembolsarem a formação!

Ai se o Passos Coelho resolve dar uma de “comuna” e fazer o mesmo aos nossos “dotôres” emigrantes (médicos e outros licenciados). Eu estarei na 1ª linha a apoiar. Sim que isto não são só direitos, depois vêm alguns deveres. 

Vivó camarada Castro!  

Perguntas ao sindicalista/ professor Mário Nogueira (1)

Será Portugal um país em que os professores têm muitos alunos?





Resposta: Falso, como se pode ver no Quadro acima, (dados do ano de 2011, e desde aí o número de alunos continua a diminuir), com excepção do ensino pré-escolar, o “número de alunos por professor” é sempre inferior à média da OCDE.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Devaneios de verão



Coisas destas sim, Tiaguinho. Deixa-te lá de coisas como as que “aquilo que eu não fiz...”, porque, certamente, algumas fizeste. Todos fizemos, todos beneficiámos, uns mais que outros, claro, mas isso são coisas do mundo. Deixa as coisas da política, que tal como eu, parece que tens pouco jeito. Agora sobre “morenas” tiro-te o chapéu. Isto sim. Até eu me arrependo por, aquilo, que não fiz ou não faço!





Já este Luizinho, não. Com coisas destas, vai de mal a pior. Cheira-me a “machismo encapuzado”. Ainda bem que já não és militante do PCP. Se a camarada Odete Santos, ou mesmo a “louca” Ana Gomes te apanham com lamechices destas, não queria estar na tua pele. Talvez as novas estrelas da "esquerda" Rita Rato ou a Isabel Moreira, gostem! Então a denegrir a psicologia das mulheres, a explorar as suas contradições femininas! Isso não se faz camarada, por muito caviar que enfardes e alguns amigos que aldrabes...


sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Rei morto? Rei posto...


Portugal voltou a ter um novo «DDt» (o “t” é pequenino porque o “tudo” é muito pouco, e cada vez menos). Os portugueses não podem sentir-se órfãos alguém tem que mandar, nem que seja para o....

Francamente, no país mais desigual da europa, vir invocar o princípio constitucional da «igualdade e da confiança», só por mangação...

Leitura complementar aqui. Ou aqui...




quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Duas "espécies" lusitanas...



I
por Rui Rocha

“Vivemos, portanto, num tempo em que todas as atenções se viram para as minorias. Só isso pode justificar que se dedique tanto tempo ao lince da Malcata e se descure o estudo do cabrão lusitano, espécie que prima pela sua abundância. Não admira, pois, que reconheçamos de imediato um lince quando o vemos e que tenhamos, em contrapartida, tanta dificuldade em identificar um cabrão à primeira vista. 

A integral compreensão da problemática do cabrão obriga-nos a distinguir entre o aspirante a cabrão e o cabrão de pleno direito: o aspirante tem todas as competências necessárias para afirmar-se como cabrão, mas a vida ainda não lhe proporcionou o momento adequado para as colocar em prática. Não se trata, como se vê, de uma questão de idade ou de falta de experiência, mas de oportunidade. Daí que não seja inteiramente correcto afirmar que a oportunidade faz o cabrão. A oportunidade apenas permite transformar a potência em acto, dar a conhecer ao mundo o efeito do cabrão que já estava feito.

Os actos praticados são assim a única forma de o cabrão se dar a conhecer ao mundo cabrão como é. Entendamo-nos neste ponto fundamental. Ao contrário do que defendem certas correntes que se debruçam sobre estas matérias, é impossível reconhecer um cabrão pelo seu aspecto, pelo olhar, pelo sorriso ou pela forma como fala. Os actos e só os actos definem o cabrão. Não há ninguém que tenha cara de cabrão. Ou nariz e orelhas de cabrão. Se quisermos identificar um cabrão, temos que avaliar actos praticados de forma objectiva e imparcial.

Da mesma forma, o cabrão lusitano, como espécie autóctone, encontra-se distribuído de forma regular por todas as regiões, níveis de formação, estratos sociais, raças, credos, religiões ou profissões. Em vão procuraremos isolar características sociais ou outras que permitam confinar os cabrões a uma população com características determinadas. Aliás, esta natureza adaptativa do cabrão é, em boa medida, a razão principal do seu sucesso. Mas, se é verdade que há cabrões em todo o lado, também é certo que o cabrão é condicionado pelo contexto em que se insere. Existindo um substrato comum nos actos praticados pelos cabrões, é óbvio que o cabrão que exerce no Bairro do Lagareiro tem um repertório de acções diferenciado daquele outro que tem a sua base operacional numa mansão do Restelo. Não admira por isso que se fale, em alguns estudos, do cabrão e da sua circunstância.

Por último, importa sublinhar um aspecto fundamental que resulta inequivocamente de milhares de horas de observação. Os verdadeiros cabrões nunca deixam de o ser. O fim da vida activa de cabrão só seria possível por via do arrependimento sincero. E um cabrão, por definição, não se arrepende, jamais se reforma. Pelo contrário. O cabrão, mesmo depois de descoberto, depois de ver avaliados os seus actos e o seu percurso, invocará invariavelmente como desígnio último da sua vida a reposição da honra e da dignidade perdidas. Se for verdadeiramente cabrão, daqueles de papel passado pelo notário, falará ainda da sua família para puxar a lágrima. É isso, em última instância que, apesar de todo o esforço que fazem para não serem reconhecidos, nos permitirá identificá-los.

Na dúvida, em todo o caso, recorra-se a um método infalível: coloque-se um pouco de honra e dignidade no seu caminho. Apesar de todo o discurso e parangonas, o verdadeiro cabrão, porque nunca as viu, será incapaz de reconhecê-las.


II
Por Alberto Pimenta

“O pequeno filho da puta, é sempre, um pequeno filho da puta; mas não há filho da puta, por pequeno que seja, que não tenha a sua própria grandeza, diz o pequeno filho da puta. No entanto, há filhos-da-puta que nascem grandes e filhos da puta que nascem pequenos, diz o pequeno filho da puta. De resto, os filhos da puta não se medem aos palmos, diz ainda o pequeno filho da puta. O pequeno filho da puta tem uma pequena visão das coisas e mostra em tudo quanto faz, e diz, que é mesmo o pequeno filho da puta. No entanto, o pequeno filho da puta tem orgulho em ser o pequeno filho da puta.

Todos os grandes filhos da puta são reproduções, em ponto, do pequeno filho da puta, diz o pequeno filho da puta. Dentro do pequeno filho da puta estão em ideia todos os grandes filhos da puta, diz o pequeno filho da puta. Tudo o que é mau para o pequeno é mau para o grande filho da puta, diz o pequeno filho da puta. O pequeno filho da puta foi concebido pelo pequeno senhor à sua imagem e semelhança, diz o pequeno filho da puta.

É o pequeno filho da puta que dá ao grande tudo aquilo de que ele precisa para ser o grande filho da puta, diz o pequeno filho da puta. De resto, o pequeno filho da puta vê com bons olhos o engrandecimento do grande filho da puta: o pequeno filho da puta o pequeno senhor Sujeito Serviçal Simples Sobejo ou seja, o pequeno filho da puta.

O grande filho da puta também em certos casos começa por ser um pequeno filho da puta, e não há filho da puta, por pequeno que seja, que não possa vir a ser um grande filho da puta, diz o grande filho da puta. No entanto, há filhos da puta que já nascem grandes e filhos da puta que nascem pequenos, diz o grande filho da puta. De resto, os filhos-da-puta não se medem aos palmos, diz ainda o grande filho-da-puta. O grande filho da puta tem uma grande visão das coisas e mostra em tudo quanto faz e diz que é mesmo o grande filho da puta.

Por isso o grande filho da puta tem orgulho em ser o grande filho da puta. Todos os pequenos filhos da puta são reproduções em ponto pequeno do grande filho da puta, diz o grande filho da puta. Dentro do grande filho da puta estão em ideia todos os pequenos filhos da puta, diz o grande filho da puta. Tudo o que é bom para o grande não pode deixar de ser igualmente bom para os pequenos filhos da puta, diz o grande filho da puta. O grande filho da puta foi concebido pelo grande senhor à sua imagem e semelhança, diz o grande filho da puta. É o grande filho da puta que dá ao pequeno tudo aquilo de que ele precisa para ser o pequeno filho da puta, diz o grande filho da puta.



De resto, o grande filho da puta, vê com bons olhos a multiplicação do pequeno filho da puta: o grande filho da puta o grande senhor Santo e Senha Símbolo Supremo, ou seja, o grande filho da puta.”