segunda-feira, 28 de julho de 2014

Dom Sebastião? Ou mais um a vender gato por lebre...


Tem-se esmerado, nos últimos meses, a comunicação social do regime (Expresso, SIC, & companhia ilimitada) a enaltecer e promover mais um “dom Sebastião” da política portuguesa, num processo de sucessão pouco claro, para não falar mesmo em "traição", e tentar levá-lo ao colo a 1º ministro deste pobre país. Como se o dito, não tivesse já sido ministro de um governo (que por sinal até chegou a ser o seu nº2) de quem conhecemos os resultados, e presidente de uma Câmara que, dizem, não ser grande exemplo de governação. Um tal de António Costa.

Na ânsia de conquistar o poder, não olham a meios estes vendedores de banha da cobra, como se pode ver aqui. Indo ao ponto de prever um valor de 8 000 milhões de euros que estarão a fugir à Segurança Social (SS) fruto do Desemprego e da Emigração. Com os quais, diz o dito, irá repor os cortes das pensões e, talvez, os cortes das despesas com pessoal.

Se tivermos em conta que, actualmente, as despesas da Segurança Social com subsídios de desemprego rondam os 2 500 milhões de euros (Gráfico 1), e que quando ele esteve no governo pela última vez (1º governo de Sócrates, com essas tais belíssimas políticas), rondavam os 1 700 milhões de euros (anos de 2005 a 2007), e já havia cerca de 450 000 portugueses no desemprego, como aqui escrevi. Mesmo que reduzisse as prestações de desemprego a "zero", não se percebe onde irá, António Costa, buscar os outros 5 500 milhões!


É que 5 500 milhões de euros representam cerca de 40% das Receitas Correntes (14 700 milhões em 2012) da Segurança Social em Portugal! Valerão as contribuições para a SS das pessoas que emigraram nos últimos 3 anos assim tanto? Ou deveria António Costa fazer melhor as contas?

Ai Portugal, portugal...



domingo, 27 de julho de 2014

Afinal não são assim tão diferentes...


PSD – 2, 6 milhões!
PS – 2,7 milhões!
CDS – 5,5 milhões!

Mas o PCP, 4,5 milhões???

Bem prega frei tomás (camarada jerónimo)...


sexta-feira, 25 de julho de 2014

"Gorjas" e afins...

Este país está que não se entende. Veja-se que, agora, anda meio Portugal agitado, apenas e só, porque Ricardo Salgado terá recebido e se terá esquecido de declarar uma gorjeta de 14 milhões de euros, provinda de um “pato bravo”, a quem o espírito santo terá ajudado em algum milagre, ou coisa do além. Não se percebe.

Então num país super católico, que todos os anos desembolsa milhões em oferendas a todo e qualquer santo das mais variadas paróquia, a maioria das vezes sem que se veja o resultado de suas intervenções, qual é o alarido por esta oferenda a mais esta divindade? Ah e tal que são 14 milhões, e isso é muito dinheiro; porque é que alguém oferece uma prenda tão valiosa; como é que alguém se pode esquecer que recebeu tão grande verba; etc. etc. O costume. Cá para mim não passam de invejas de outras divindades. É que não nos esqueçamos que, o espírito santo, é a 3ª pessoa na hierarquia da santíssima trindade. E qual não terá sido o milagre? Às tantas transformou o "pato bravo" em avestruz!  

Quanto ao esquecimento de declarar a "gorja" pela criatura? Nada mais natural. Eu próprio, que nunca fui nenhum santo, e quando era chamado a ajudar o próximo na minha actividade profissional, como por exemplo administrar uma simples injecção ou medir a tensão arterial, várias foram as vezes em que os beneficiários, como gratidão pelo alívio de suas maleitas, me presentearam com uma pequena moeda, dizendo: - É para beber um cafezinho senhor enfermeiro, e desculpe ser poucochinho, mas a vida, anda pelas horas da morte. Claro que eu nunca queria aceitar, e lá me ia desculpando que não tinham que me dar nada, porque o “estado” (isto é os contribuintes que eles eram), já me pagava, e, eu não podia aceitar. Mas a maioria das vezes as pessoas lá deixavam a moedita (100 escudos primeiro, e 50 cêntimos depois), sem que desse por tal em cima da secretária. E não foram raras as vezes que eu me esqueci da oferenda.

Não eram 14 milhões! Claro. Mas o espírito santo deve ser uma criatura muito rica (nem que seja apenas pelas esmolas que recebe desde que o mundo é mundo), e os 14 milhões podem ser para ele, o que eram para mim os 50 cêntimos... 

O mundo dos outros....


O dinheiro não aparece sempre, há coisas que, afinal, acabam por mudar. Até quando menos se espera.

“A espiral de dívida que engoliu o grupo (Espírito Santo) é fruto de erros de gestão e de muita megalomania, da convicção de que o imenso poder da família e de Ricardo Salgado – associado a um nome antigo e prestigiado – continuaria a abrir todas as portes, e cofres, que fosse necessário. Mas isso não sucedeu porque nunca sucede de forma indefinida. Quando essas portas ficaram reduzidas à PT, percebeu-se que tudo tinha acabado – e acabou agora para o GES como tinha acabado em 2011 para o nosso país e o governo de José Sócrates. Como país aflito, tivemos então a ajuda de quem nos assegurou o financiamento destes três anos; como família endividada, os Espírito Santos não tiveram, nem poderiam ter, a ajuda do erário público ou do banco do Estado. É isso que explica que a família tenha falido e nós ainda não.”

(...) Pelo que sabemos até ao momento, há pelo menos duas coisas que se passaram de forma muito diferente do que antes era hábito. Primeiro, o Banco de Portugal, mesmo sem fazer estardalhaço público, estava há muito tempo a tratar de separar o BES dos activos contaminados do grupo. Se não o tivesse feito não sei como estaríamos hoje. Depois, houve um governo e um primeiro-ministro que disseram não a Ricardo Salgado, alguém que se recusou a pedir ao banco do Estado para ajudar a família em dificuldades, uma recusa que, sejamos claros e francos, não era sequer imaginável há dois ou três anos. Sobretudo não seria imaginável no tempo no tempo do governo anterior, no tempo em que Ricardo Salgado era cúmplice (e parceiro) da estratégia política de José Sócrates.”

Ler o resto Aqui.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Reflexões...



“Existe um complot de medo que abarca milhões de pessoas. É um complot que já não se sustenta unicamente na perspectiva de que o Estado devore a sociedade mediante regimes ditatoriais, ou que a sociedade faça desaparecer o Estado mediante uma revolução de massas, mas na possibilidade de vir a ficar excluído ou marginalizado. A exclusão é o problema. Se o Estado Social se encontra hoje descapitalizado, se está em ruínas ou foi parcialmente desmantelado, é porque as principais fontes de benefícios do capitalismo se deslocaram da exploração da mão-de-obra fabril para a exploração dos consumidores.”

Ler mais Aqui.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Estes são os descendentes de José Gonçalves Bugalhão (1754 - 1810)

Algumas imagens (Fotos da autoria de Fernanda Bugalhão e Tó Zé Bugalhão)









































sexta-feira, 18 de julho de 2014

IV Encontro da Família Bugalhão (19/7/2014)


“Quem não tiver história e tradições perde a sua identidade e, consequentemente, o seu espírito crítico e a sua auto-confiança ficarão diminuídos.” 

Amanhã dia 19 irá ter lugar o IV Encontro da Família Bugalhão, onde se irão juntar perto de uma centena de membros do clã. As raízes deste apelido têm origem no concelho de Marvão, e estendem-se no tempo por mais de 4 séculos.

Aqui fica o resumo da Árvore de Costados de 8 gerações da família. Mas já existem pelo menos mais 3 gerações, muitos dos quais se irão juntar amanhã.




De acordo com as minhas pesquisas, o 1º individuo a usar este apelido nasceu em 1754 (Reinava em Portugal D. João V), e foi baptizado com o nome de José, era filho de José António Toureiro (família oriunda de Alpalhão) e de Antónia Maria Serrana (família com origens no concelho da Guarda, freguesia de Arrifana). Durante os seus 57 anos de vida (faleceu em 1810), e como era habitual naqueles tempos, era conhecido por 3 nomes: José Gonçalves Serrano, José António Toureiro e José Gonçalves Bugalhão. Casou 2 vezes, primeiro com Catarina Maria (de quem teve pelo menos 6 filhos), e depois com Maria do Carmo (não tiveram filhos). Era Moleiro na aldeia da Ribeira da Ponte Velha, e já era descendente de família de Moleiros, como Moleiros continuaram a ser os seus descendentes até finais do século passado. Pertenceu à Irmandade dos Franciscanos. Apenas o seu filho João, nascido em 1783, deixou descendência (12 filhos).

O seu Testamento, lavrado 4 dias antes da sua morte, encontrei-o no Arquivo Distrital de Portalegre, e “reza” assim:

“Testamento de José Gonçalves Bugalham, moleiro morador na Ribeira deste termo.
Aprovado em 2 de Abril de 1810, conduzido e lavrado na forma do estilo.
Faleceu em 6 de Abril de 1810.”

J.M.J 2-4-1810

Em nome de Deus, Ámen. Este he o meu testamento que eu José Gonçalves Bugalham, viúvo que fiquei de Maria do Carmo, morador no moinho da Fonte Santa, faço para bem da minha alma e discargo de minha consciência.

Primeiramente encomendo minha alma a Deus, Nosso Senhor que a Criou e Remiu com o seu precioso sangue na árvore da Santa Cruz lhe peço me tome contas com misericórdia quando a minha alma se apresentar no Tribunal Divino e der contas de meus pecados, e o mesmo peço à Virgem Maria, minha mãe e senhora que interceda por mim a seu Bendito filho como peço ao Anjo da minha guarda e a todos os Santos e Santas da corte do Céu que roguem ao mesmo Senhor por mim.

Determino que sendo Deus servido e me leve da vida presente para eterna meu corpo seja envolto em um hábito de esmola de dois mil réis do Nosso Padre Sam Francisco e sepultado na minha freguesia, e me acompanharão de huma das casas da Vila até à sepultura sete Padres Clérigos e me dirá cada um uma missa de corpo presente, de esmola de cento e oitenta réis e me cantarão hum Ofício ofertado no dia do meu falecimento, aliás no primeiro desimpedido, e me acompanharão todas as Confrarias da Cruz pela esmola do costume santo, excepto daquelas de que sou Irmão. Item quero que se aplique pela minha Alma, um trintário de Missas e três trintários por meus encargos tendo-os aliás pela minha alma. Item quero que se apliquem por Alma de minha primeira mulher duas missas. Item quero que se apliquem por Alma de meu Pai duas missas e por Alma de minha Mãe outras duas e por Alma da minha Avó Maria Vaz duas Missas. Item quero que se apliquem aos Santos e Santas da minha devoção a cada um sua Missa, a saber: ao Anjo da minha guarda, outra à Senhora da Estrela, outra à Senhora da Guia, outra à Senhora da boa morte, outra pelas Almas do purgatório, outra a Sam Miguel, outra a Sam Pedro.

Item deixo o Curral da parte além da Ribeira, que comprei a Isabel da Silva de Moura ao meu filho Carlos. Item deixo o remanescente da minha terça a todos os meus filhos e filhas aos quais instituo por meus universais herdeiros.

Item: quero que José Fernandes Moleiro siga o meu testamento e lhe deixo pelo seu trabalho dois mil e quatrocentos réis e lhe peço faça pela minha Alma o que eu faria pela sua.

Declaro que meu genro Manuel Lopes está pago da legítima que pertenceu a sua mulher Teodora por morte da minha mulher.

Declaro que dei conta da legítima que pertenceu a minha filha Jacinta por morte da minha mulher doze mil réis o mais se lhe está devendo.

Declaro que me deve meu filho João dezoito mil réis que por ele tinha pago e lhe tinha emprestado e de um porco que lhe vendi.

E por esta forma dou este testamento por findo e acabado e quero que se cumpra como nele se contém por ser esta a minha última vontade a qual pedi ma fizesse Ezequiel Gração Roma de Marvão por eu não saber escrever o que eu fiz como pessoa particular e com ele assinei.

Moinho da Fonte Santa. 2 de Abril de 1810.

Seguem-se as assinaturas de Ezequiel Gração Roma; e do Testador José Gonçalves Bugalham (que assinou de cruz);”


Assim, amanhã, lá estaremos para recordar o nosso passado, viver o presente, e olhar o futuro...

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Talvez o “saber” não ocupe lugar, e valha a pena aprender...


Como incentivo aos jovens que a partir de hoje se podem inscrever no Ensino Superior, e a todos aqueles que procuram melhorar os seus conhecimentos, e, ainda a respeito de Emprego e Desemprego.

Dos 220 000 portugueses que arranjaram emprego no último ano, todos eles tinham o Ensino Secundário ou um Curso Superior. Em contrapartida, os 140 000 que perderam emprego, a grande maioria tinha habitações escolares inferiores ao Ensino Secundário.

Outro dado a ter em conta, é que apesar de se fazer crer que o Sistema de Ensino em Portugal nos últimos 40 anos tem sido uma maravilha (que agora é que se está a destruir o sistema), apenas 40% dos portugueses com mais de 25 anos têm o Ensino Secundário ou mais; enquanto que na União Europeia essa taxa é de 75%; e até na nossa vizinha Espanha essa Taxa é de 60%

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Umas “estatísticas” de vez em quando, sempre dá para irmos pensando (1)


Desemprego: O cancro social

O “cancro” social do nosso tempo é o Desemprego. Embora também soframos de “diabetes” (o endividamento), e de “hipertensão grave” (os custos com a energia). Para não falarmos de outras maleitas que nos apoquentam, e não nos irão largar, como sarna, nas próximas décadas. Não me irei aqui debruçar profundamente sobre este fenómeno que é o Desemprego, isso é para os especialistas, apenas aqui quero trazer alguns dados e reflexão, para que cada um faça a sua análise.

Contrariamente ao que nos querem fazer querer na comunicação social, através dos «papagaios canhotos», o Desemprego, não é apenas fruto da governação de Passos Coelho ou das consequências da intervenção da “troika”, o Desemprego tem raizes mais profundas, e veio subindo de maneira constante desde 2005. Isto é, desde que José Sócrates e os socialistas entraram no governo. Como se pode ver no Gráfico 1. 


Em 2005, quando Sócrates chegou ao governo, o Desemprego afectava 8% da população em idade activa, cerca de 420 000 mil portugueses. Em 2011 quando Sócrates se demitiu, a percentagem de desempregados era de 12%, isto é, 630 000 portugueses. Quem não se lembra dos célebres cartazes socráticos que em 2005 prometiam 150 000 empregos? Se alguém já se esqueceu, como parece que sim, aqui fica um exemplar na Figura 1. 

 


Apesar de todos os investimentos públicos, provenientes de empréstimos, e, a respectiva propaganda, em 6 anos não só não se criaram mais 150 000, como ainda se perderam mais 210 000 empregos.

Portanto a herança socrática em 2011 foram 630 mil desempregados. E se repararmos bem no Gráfico 1, desde 2008 que a subida foi sempre constante até ao 1º trimestre de 2013, em que a percentagem do desemprego chegou aos cerca de 17%, e atingindo cerca de 900 000 portugueses. Se retirarmos os tais 630 mil de 2011, encontramos um aumento de 270 000 mil portugueses desempregados. Este sim foi o número que se deve ao actual Governo.

Podemos assim concluir, em nome da verdade, que entre 2005 e 2013 o número de desempregados em Portugal aumentou em cerca de 480 mil: 210 mil no Governo de Sócrates e 270 mil no Governo de Passos Coelho.   

No entanto, podemos ainda verificar no Gráfico que a partir do 1º trimestre de 2013 a situação parece ter começado a inverter-se, e em Junho de 2014 o nº de desempregados em Portugal rondava os 788 000, isto é menos 130 000 que em Março de 2013. 

São “ainda” muitos? Claro que sim, mas pela primeira vez em 10 anos a curva baixou. Veremos os próximos meses.

Só que como agravante deste problema, deste total de desempregados, apenas 341 mil (menos de metade), têm subsídio de desemprego. E custam aos contribuintes quase 3 000 milhões de euros.

Claro que não irão faltar aqueles que dizem que o Desemprego desceu porque os portugueses emigraram! Sim é verdade, alguns. Mas de acordo com o INE, do total desses 138 000 que deixaram os Centros de Emprego, apenas 40 mil emigraram; 20 mil morreram ou passaram à reforma; mas perto de 78 mil arranjaram trabalho em Portugal.

Outros dados que convém ter em conta são os “custos” do desemprego, suportados pelos contribuintes, nos últimos 12 anos. Como se pode ver no Gráfico 2, desde 2000 que esses custos não param de crescer, triplicando desde essa data: Cerca de 800 milhões de euros em 2000, passaram para 2. 600 milhões em 2012. E de acordo com alguns dados conhecidos esses valores aumentaram em 2013.



segunda-feira, 14 de julho de 2014

Em "latim" nos entendemos, nem que seja a cantar (4)


"No, no digas que yo me muero, amor, mi vida es sufrimiento, yo te quiero en mi camino, por vos cambiaba mi destino.

Ay, abrazame esta noche, y, aunque no tengas ganas, prefeiero que me mientas, tristes breves nuestras vidas. Acercate a mí, abrazame a ti por Dios, entregate a mis brazos.

Tengo un corazón ganando, yo sé que vos me estas escuchando, con mis lagrimas te quiero: Pasión, sos mi amor sincero..."


sábado, 12 de julho de 2014

In nomine dei?



A que chamam de terra santa!
(Conflito Israel - Palestina) 



sexta-feira, 11 de julho de 2014

Um “Bin Laden” português ???


Eu sempre o considerei um dos maiores responsáveis pela situação financeira a que chegámos, como aqui escrevi em Maio de 2011, o todo-poderoso Victor Constâncio, mas vê-lo dito por um seu “camarada”, e comparado com a figura funesta do “osama”, “arre porra” que é muito forte:

“O responsável número um da nossa desgraça é um banqueiro central - O economista e ex-ministro da Economia de António Guterres, Daniel Bessa, afirmou no Porto que “o responsável número um da nossa desgraça é um banqueiro central, cujo nome, porém, omitiu.

“O engenheiro Sócrates é muito responsabilizado, e não há ninguém que o responsabilize mais do que eu, mas eu vejo-o como aquele egípcio que tomou os comandos do Boeing que se precipitou sobre as Torres Gémeas, continuou Daniel Bessa. (…)

Daniel Bessa disse que já o Boeing ia a caminho das Torres Gémeas e ele (José Sócrates), no cumprimento de um guião qualquer, sentou-se ao comando, acelerou quanto pôde e, connosco lá dentro, enfiou-se contra as Torres Gémeas.

É um destino, não tem nada de mal, cada um cumpre a sua função na vida e portanto ficará para a história por isso. Mas essa não é a responsabilidade maior. A responsabilidade maior é do mentor, não é do executante, e o mentor esteva no Banco de Portugal”, prosseguiu Daniel Bessa, fazendo rir a assistência.

Segundo concluiu o economista, o mentor disse que a partir da entrada no Euro, uma pequena economia aberta e financeiramente integrada, no regime de moeda única, não tem restrições financeiras. Endividar até sempre."

Notas complementares:

- 23 /2/2000: Victor Constâncio na sua tomada de posse como Governador do Banco de Portugal: “Sem moeda própria não voltaremos a ter problemas de balança de pagamentos iguais aos do passado. Não existe um problema monetário macroeconómico e não há que tomar medidas restritivas por causa da balança de pagamentos. Ninguém analisa a dimensão macro da balança externa do Mississipi ou de qualquer outra região de uma grande união monetária.”

- 02/07/2003: “O governador do Banco de Portugal relativizou inclusivamente a importância (…) do endividamento dos agentes económicos e o necessário ajustamento das suas poupanças, do endividamento da banca ao exterior ou das questões estruturais da competitividade.”

- 1/6/2009: Endividamento externo não é prioridade, defende Vítor Constâncio


ADENDA: Os sócraticos desmentem a tese de Daniel Bessa. Garantem que a culpa é mesmo do seu chefe.

Mas ainda falta o outro grande responsável. Não é Sócrates, não é o Coelho, não é o Barroso, não é o Guterres, nem pensar no Santana que nem aqueceu o lugar, o Soares já foi há tanto tempo!


Quem será?

O assunto do momento....


Em poesia, pelo Rui Rocha:

“Ó bes salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te mantermos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas encolheram os pés
Para ficares com o nosso, ó bes!!


... ou em prosa, por Sérgio de Almeida Correia:

“ (...) O BES é o espelho da falência do regime nos moldes em que este tem operado, o resultado da podridão de interesses do bloco central e do consenso a que o Presidente da República apela permanentemente como panaceia universal para os problemas dos portugueses. O consenso trouxe-nos, e ao BES, até aqui, pelo que agora será necessário haver quem corte a direito e malhe no ferro enquanto está quente, antes que o consenso o faça esfriar. Não há quem na actual elite política e económica, sem esquecer os escritórios e as empresas dos mercenários ao serviço do poder, que tudo fazem desde que lhes paguem, não tivesse uma ligação qualquer ao BES, a uma empresa do universo desse grupo ou a um negócio onde aparecesse a sua longa mão.”


Coisas tristes vistas por aí...


A propósito desta notícia:

- Detidos pais de criança britânica de 11 anos que tem 1,50 de altura e pesa 95 quilos.

Maltratar um filho não é apenas dar-lhe umas “orelhadas”, ou decretar-lhe uns castigos psicológicos. Maltratar um filho é, também, encharcá-lo com comida, e dizer-lhe que actividade física é fazer jogos mais activos na “Consola”!

A opinião supra é uma adaptação minha do principio do Dr. Ernesto Roma (“pai” do tratamento da Diabetes em Portugal): “Ser mal educado não é apenas aquele que fala mal ou diz palavrões. Mal educado é, também aquele que come mal, e o GORDO, come certamente mal...”

Acho que em Portugal se deveria começar a fazer a mesma coisa, mas com pelo menos uns mesinhos de detenção...
 

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Contas à moda da esquerda (1)


Não pagar metade da dívida? É fácil: expropriam-se os bancos
Por José Manuel Fernandes


“ (...) Durante muitas décadas os socialistas, de todas as latitudes, acharam que não havia limites para as suas políticas redistributivas enquanto fosse possível cobrar mais e mais impostos. Quando o dinheiro dos outros acabou, passaram a fazer dívida, acreditando no milagre do crescimento futuro. Quando o crescimento não veio e as dívidas se tornaram incomportáveis, passaram a falar em não pagar as dívidas. É nessa fase que estamos. Nunca lhes ocorreu que, pura e simplesmente, era necessário mudar de vida. Qualquer mudança de vida foi sempre apresentada como uma recusa da própria democracia.”

Artigo completo AQUI...

quarta-feira, 9 de julho de 2014

O mundo dos outros...

Por Maria João Marques

“Não há muitos anos todos os jornalistas se persignavam perante qualquer messias socialista. Agora já se faz mais algum escrutínio. Mais ou menos.

Inícios de 2002, numa sala de espera de um consultório ao pé do Marquês de Pombal. Havia uma revista Visão e pus-me a lê-la enquanto esperava pelo (atrasado) médico. Estávamos em campanha eleitoral para as legislativas, depois de Guterres ter fugido do pântano que criou.

Na Visão havia duas reportagens. Uma sobre a campanha de Durão Barroso, com o tom trocista que se esperava (o cherne, recordam-se?). A outra, sobre a campanha de Ferro Rodrigues (alguém tão capaz de criar empatia com o eleitorado como o glaciar médio), tinha um tom diferente. Os cristãos mais conservadores não falam de Nossa Senhora como o jornalista falava de Ferro Rodrigues, ser radioso que ostentava todas as qualidades possíveis num ser humano. Quando fui chamada para a consulta, ia com a certeza que o jornalista (nome conhecido, de resto) tinha acabado de escrever o texto com lágrimas de comoção no canto do olho por ter versado sobre objecto tão sublime e ter participado na nobre missão de o dar a conhecer ao mundo.

Em 2004, o senhor ‘há vida para além do défice’ (também por vezes conhecido como Jorge Sampaio) finalmente escorraçou o usurpador Pedro Santana Lopes da chefia do governo. Tão marcante evento – a dissolução do Parlamento com uma maioria absoluta estável só porque se embirra com o primeiro-ministro e se quer fazer um favor ao partido – em vez de provocar indignação ou, no mínimo, uma prudente reserva, levou a comunicação social a um paroxismo de entusiasmo com o senhor socialista que se seguia (esse mesmo, José Sócrates). Qualquer pessoa com espírito crítico funcional se questionava se havia alguma epidemia do foro neurológico que tivesse atacado a quase totalidade das redacções portuguesas.

Mas 2014 não é 2002, nem 2004. Pelo meio tivemos a boa governação socrática, que terminou com o país a necessitar de um resgate financeiro internacional. E se o PS aparentemente não aprendeu nada com o que presenteou o país (a parte que até aprendeu alguma coisa – a ala de Seguro – andou anos a fingir que não; e não sei bem o que é pior: se a incapacidade de aprendizagem, se a sonsice), muitos jornalistas e comentadores aprenderam.

Donde: agora que temos novo messias socialista (António Costa – persignemo-nos), a comunicação social já não se deixa arrebatar com tanta facilidade. É certo que há quem ainda refira a maravilhosa argúcia política de Costa porque este se distanciou da promessa de uma aliança à esquerda para remendar a sua promessa de aliança à esquerda.

Também não notei nenhum sarcasmo quando informaram que ‘a’ Cultura apoia Costa, a propósito da petição de gente ligada às actividades culturais que apoia Costa e se acha ‘a’ Cultura. (Presunção e água benta, cada qual toma a que quer. Sei lá por que razão, lembrei-me disto). De resto espero que esta moda persista no futuro. Tenho grandes expectativas de um dia também apoiar alguém e intitular-me ‘a economia’ ou ‘a blogosfera’

E, ainda, estranhei a ausência de notícias dando conta que Costa tinha espalhado por toda Lisboa cartazes congratulando Carlos do Carmo, que é por sua vez ‘a’ Cultura que apoia Costa na tal petição. (Já que estamos numa onda de celebrar desmesuradamente um Grammy latino, aproveito para informar que o meu filho mais novo passou para o cinto acima no karaté. Aguardo parabéns de António Costa. E se pudesse substituir um dos vários cartazes da minha rua celebrando o Grammy pela celebração do cinto, o miúdo ia ficar satisfeito.)

Mas como vivemos no pós 2011, há já muito quem note a vacuidade e a banalidade de tudo o que Costa (não) propõe. A ideia de ‘aumentar a riqueza’ para resolver os problemas nacionais foi legitimamente gozada em todas as casas portuguesas que albergam cérebros pensantes. E há a maçada das notícias das confusões nas contas da CML de 2013. Ou Alfredo Barroso fugindo do flip-flop de Costa quanto às alianças à esquerda. Ou a cedência total de Costa (com custo para o contribuinte de mais de 2 milhões de euros) para terminar a greve à recolha do lixo em Lisboa. Ou os boys PS, e familiares de socialistas proeminentes, que Costa albergou na CML. E se vier a liderar o PS, mais virão.

 Em suma: os media vão ganhando juízo e a democracia cresce em altura e sabedoria.”

Mudam-se os tempos, mudam-se as piadas....


Afinal,  foi assim que a Alemanha ganhou a guerra!



terça-feira, 8 de julho de 2014

Nos últimos 40 anos, o Estado, tem tido uma política financeira do tipo “Dona Branca”...


A afirmação deste título, não é de um qualquer radical, pertence ao Professor Daniel Bessa, um moderado, e que passou, meteoricamente, por um dos governos de António Guterres.

O programa da Hiperligação que refiro abaixo, foi certamente um dos melhores que assisti sobre economia e finanças públicas, com uma linguagem simples que merece ser visto e reflectido. Aconselho-o, sobretudo, aos meus amigos socialistas (quer os do PS, quer alguns do PSD que também os há), e porque não, também, aos comunistas (os não sectários), para que qualquer dia não venham dizer que não sabiam, que ninguém avisou, etc.

Vale a pena perder uma hora na vida.

http://www.tvi24.iol.pt/programa/4407/132

Alô, alô Vidiguêra...




O quê, até os camaradas comunistas não respeitam as minorias! Com amigos assim, os ciganos até dispensam os neoliberais laranjas. A estas horas já os “lelos” escreveram nas paredes:

O Presidente da Câmara é "Facista"

E alguém vai ter que escrever por baixo: Não, não, é Comunista!!!

Que pensarão disto os camaradas Jerónimo, Arménio, Nogueira, ou mesmo a Dona Heloísa?  


segunda-feira, 7 de julho de 2014

Noticias da minha terra...

Foi notícia por estes dias a intenção de aquisição pela CM de Marvão do chamado “Bairro da Fronteira do Porto Roque” (Galegos), naquele concelho, faltando neste momento a aprovação do Tribunal de Contas (TC), após a aprovação na Assembleia Municipal.

Este complexo foi construído nos finais dos anos 60 do século passado, é composto para além dos antigos edifícios da Alfandega e da Guarda Fiscal, por um conjunto de Edifícios Habitacionais que serviam como “casas de função” para os funcionários daqueles serviços e que se estende por uma área de perto de 6 hectares. A maioria destas estruturas deixou de funcionar nos anos 90, fruto da integração de Portugal na União Europeia. No entanto, muitas das casas de habitação continuaram ocupadas, umas por famílias de funcionários que ali acabaram por se radicar, outras pelos funcionários que apesar de as abandonarem, nunca as entregaram à entidade que as geria (?).

A aquisição que agora foi feita pela CM de Marvão culmina um processo negocial de mais de uma dúzia de anos, com muitos obstáculos no caminho, mas que parece ter agora terminado, se TC não puser obstáculos, apenas sua primeira etapa. A aquisição deste Complexo, tal como o conhecemos hoje, irá custar aos marvanenses cerca de 1 milhão de euros. Convém ainda clarificar, de grosso modo, que este valor é praticamente apenas a aquisição dos terrenos, já que este espaço não possui, actualmente, estruturas para que seja usado como complexo habitacional desde rede de saneamento básico, rede de abastecimento de água, ou mesmo rede eléctrica, tudo terá que ser construído de novo.

A juntar a tudo isto existe ainda o facto da maioria destas casas se encontrarem ainda ocupadas por famílias que aí se têm mantido, apesar das “funções” que lhes permitia a sua ocupação ter terminado há mais de 10 anos. Pelo que a negociação e resolução desta situação não se advinha fácil.

Por tudo isto, o que parece ser uma boa notícia para Marvão, talvez no futuro, não venha a ser assim tão boa. E se o for, não o será, certamente, para todos os marvanenses. Alguns sairão beneficiados (a julgar pelo que ouvi na Assembleia Municipal, sob o lema "o povo é quem mais ordena"), outros nem por isso. 

No entanto, uma coisa será garantida, é que os custos serão suportados por todos, pelo menos aqueles que pagam impostos. E ou muito me engano, ou 3 milhões de euros não chegarão para a função.

Valerá a pena? Tem a palavra o executivo marvanense.   


Em latim nos atendemos, nem que seja a cantar (3)


O mundo dos outros...

E depois de darmos as mãos até podemos formar uma roda!
por Rui Rocha, in Delito deOpinião

“Os engraçadinhos de turno atiraram-se a Costa por este ter defendido o fim da divisão entre as ilhas e o continente. Ora, sendo este um projecto difícil, não é, convenhamos, impossível de concretizar. Eu próprio vi há um par de dias um mestre do kung fu caminhar 10 metros sobre as águas. Que a distância entre a Ponta de Sagres e a Ilha do Corvo é superior a 10 metros? Muito certo. Mas Costa é socialista. E o mestre do kung fu não. Entendidos? Adiante.

O problema fundamental é que a piadinha fácil sobre este desígnio de Costa afastou as atenções de outro facto muito relevante da mesma intervenção. Costa apresentou a sua primeira medida concreta para regenerar Portugal. A proposta de Costa tem a simplicidade de tudo o que é genial. Não se trata de renegociar a dívida, reestruturar o aparelho de estado ou construir aeroportos. É, afinal de contas, algo muito evidente. Embora nenhum de nós tenha tido a capacidade de perceber, antes de Costa, que tínhamos a solução ao nosso alcance. O que nós temos de fazer, míopes e desatentos compatriotas, continentais ou adjacentes, é darmos as mãos.

Não faltarão, naturalmente, cínicos com vontade de desatar a força com que entrelaçaremos os nossos dedos. Mas, depois de vermos a luz na sua flagrante e singela intensidade, nada já nos poderá deter. Darmos as mãos, claro, é uma proposta ainda relativamente vaga. Mas só por si, marca uma reviravolta política. Passos Coelho queria que emigrássemos. Costa quer-nos aqui, cada um de nós à distância de um braço do português mais próximo. Precisamos, claro, que Costa nos diga mais.

Durante quanto tempo teremos de estar de mãos dadas? Um lustro, uma década, um século? Não cairemos na tentação de iniciar a cadeia no Terreiro do Paço, contribuindo involuntariamente para desertificar o interior, uma vez que não há portugueses que cheguem para darmos as mãos até Torre de Moncorvo? Nesse épico cordão de solidariedade, nessa metáfora palpável da nossa união, poderá o Dr. Ricardo Salgado ocupar uma posição com vista para o Restelo, mas de costas voltadas para o Dr. Ricciardi? Será permitido ao Dr. César das Neves retirar a mão da cadeia periodicamente para ajustar o cilício? Poderá o Prof. Freitas do Amaral mudar regularmente de posição? E o Dr. Rui Tavares ficará à esquerda do elemento mais à direita do PS ou à direita de quem desce? O Dr. Relvas pode estudar enquanto estiver de mãos dadas? Se por azar ou punição divina me calhar ficar ao lado do Sérgio Godinho e este começar a cantar posso trocar com o Dr. Marinho Pinto? Se o Dr. Alfredo Barroso tentar abandonar o cordão em bicos de pés podemos obrigá-lo a ficar? Se a Maria Teixeira Alves ficar no meio de dois homossexuais pode escrever um post? Se estivermos todos de mãos dadas, quem é que “tuíta”?

São dúvidas pertinentes. Angústias que só uma liderança esclarecida será capaz de dissipar. Mas, de momento, fica uma certeza reforçada pela convicção de vinte e cinco, digo, vinte e quatro fundadores do PS: Seguro é um palerma e Costa um líder extraordinário.

Capice?”

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Antes do apito inicial?

Como se pode ler aqui, ainda nem a coisa arrancou e já os “ratos” começam a saltar para fora. Calma don alfredo!

“Alfredo Barroso desiludido com António Costa.

 Fundador do PS e antigo chefe da Casa Civil do Presidente da República nos mandatos de Mário Soares exige que António Costa clarifique se vai coligar com os partidos da esquerda ou da direita.”




Coisas giras lidas por aí...


“ (...) Costumo dizer que se houvesse uma ASAE para a «análise política» dois terços dos palradores seriam multados por "venderem" mercadoria adulterada ao domicílio de cada um de nós.”


Pedro Correia, in Delito de Opinião

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Nestes dias do futebol...


Para reflectir. Não seria possível conciliar? 


O mundo dos outros...

Já se pode dizer bem de Passos Coelho?
Por Maria João Avillez

“Cai mal dizer “bem” de Passos Coelho: os bem pensantes enervam-se e o ar do tempo desaconselha. A má-fé vigente tomará estas minhas pobres palavras como um despropósito que destoa do coro dos dias.

Faz hoje um ano o Governo foi enterrado. Tal como a Torre de Pisa, todos os mundos – o político e os outros – se inclinavam só para um lado: naquele belo dia de verão, o Executivo tinha acabado, a maioria tinha-se desfeito.

Gaspar saíra na véspera, deixando carta e menos de 24 horas depois, Portas, sem aviso prévio e irrevogavelmente, imitou-lhe o gesto. Deixando comunicado.

Havia meses que – relembremo-lo – Gaspar acordara com Passos Coelho o nome da sua sucessora e organizadamente foi isso que ocorreu: o Governo aprovara, o PM propôs o nome de Maria Luís, o Presidente da República aceitou-o, Vítor Gaspar sairá a 1 de Julho, a posse seria a 2.

O Presidente, apanhado no princípio da tarde desse 2 de Julho em cerimónias oficiais que o impediam de atender o telemóvel, voltou nesse dia a ser apanhado – mas pela surpresa. Não gostou, nem esqueceu: os estados de alma de Paulo Portas mergulharam Cavaco Silva num cenário de (quase) irracionalidade política, deixando-o a vogar numa “impossível” situação de incerteza, o que em política é dizer o pior.

Não fora Passos Coelho e teria desabado a tempestade perfeita. Não desabou, apesar da desconfiança e dos presságios, das apostas e dos vaticínios de fim de ciclo. O primeiro-ministro não deixou. Sem perder a cabeça ou a bússola, sem lhe ocorrer aquele tique nosso conhecido do “abalar”, sem cair na aflição ou no desnorte, tomou em mãos a ocorrência e ao fazê-lo impediu – entre outras coisas – um segundo resgate. Com as fatais – inimagináveis? – Consequências que daí adviriam.

Passos mostrou estofo e sentido da política. E sentido de Estado, claro está. Não é qualquer um que, naquele incêndio, domestica os acontecimentos e os “ocupa” politicamente, elegendo um desfecho a seu favor. De caminho – e eis o que também não é de somenos – mostrou quem mandava na coligação e quem era o chefe da maioria. Já fizera o mesmo aquando da 7ª avaliação da troika, mas fizera-o longe de nós, nos bastidores do país. O dia 2 de Julho ditou-lhe o palco e colocou-o sob os holofotes das instituições. Ao final do dia, as oposições à esquerda e os opositores dentro do PSD ainda esperavam em surdina que ele fosse a Belém com uma corda ao pescoço invocar “falta de condições”, mas o primeiro-ministro nunca – que me lembre – se afogou no mar das oposições nem se impressionou por aí além com barões fora de jogo.

Depois, claro, choveram “ah” e “oh” de espanto face ao “patriotismo” de Passos Coelho. Como se ele tivesse nascido para a política nesse 2 de Julho ou a sua liderança na ação e atuação do Governo (pesem embora erros e excessos que tantas vezes critiquei) não relevassem justamente dessa mesma endurance e resiliência.

(Agora, há dias, em tom menor, é certo, também houve umas golfadazinhas de admiração por Pedro Passos Coelho ter vetado a entrega de mais ajudas financeiras ao BES. Voltei a espantar-me: piores cegos são os que nunca querem ver? Mesmo a um palmo de distância?)

Cai mal dizer “bem” de Passos Coelho: os bem pensantes enervam-se e o ar do tempo desaconselha a bondade. A má-fé vigente tomará estas minhas pobres palavras como um despropósito que destoa do coro dos dias e da pretensão intelectual com que o primeiro-ministro é habitualmente radiografado. Paciência. Já se eu gesticulasse a favor de António Costa – pessoa que me é muito simpática, de resto – seria bem-vinda e o mundo seria perfeito.

Mas se há algo que tenha aprendido é que esta coisa dos “dois pesos e duas medidas” é uma regra sem excepção: à esquerda tudo é permitido, desde o ter licença de existir, direito de cidadania, poder de ditar das regras, distribuir voz. A direita tem sempre de (lhe?) pedir licença.

E pensar que já passaram 40 anos disto...”


PS: Sobre o segundo resgate a que aludi acima, ocorreu-me agora de repente relembrar alguns passos de uma saga que nunca existiu mas que durante meses e meses nos foi sempre vendida como uma certeza irrefutável: o “segundo resgate” foi anunciado em todas as televisões sem excepção; previsto por todos os jornais – num deles com data, fonte e primeira página; brandido nas rádios; assustadoramente desejado por jornalistas e comentadores; usado pelas oposições como um trunfo contra o Governo; falado nas elites e nos meios bem informados (?) como um mero fait divers.

Até hoje, não houve segundo resgate (e ao primeiro dispensou-se a última fatia). Mas também não houve mais nada: ninguém se importou com o que disse, avisou, ameaçou, prometeu, garantiu, jurou. Ninguém veio dizer “enganei-me”. Ao menos, “precipitei-me”. Não sei se o ressentimento, a fragmentação, a imbecilidade toldam os espíritos ou induzem a cegueira. Talvez induzam. E, por outro lado, ninguém tirou consequência alguma – consequência política seria talvez pedir muito… – sobre o facto de não ter havido a tão anunciada segunda provação. O que lá vai, lá vai. Gente pouco séria.



sábado, 28 de junho de 2014

Em "latim" nos entendemos, nem que seja a cantar (1)


Depois de 7 anos a privilegiar a música cantada em português, vamos levantar ferro e alargar um pouco o horizonte.

Hoje é apenas a primeira...