Algumas imagens (Fotos da autoria de Fernanda Bugalhão e Tó Zé Bugalhão)
segunda-feira, 21 de julho de 2014
domingo, 20 de julho de 2014
sexta-feira, 18 de julho de 2014
IV Encontro da Família Bugalhão (19/7/2014)
“Quem não tiver história e tradições perde a sua identidade e, consequentemente, o seu espírito crítico e a sua auto-confiança ficarão diminuídos.”
Amanhã dia 19 irá
ter lugar o IV Encontro da Família Bugalhão, onde se irão juntar perto de uma
centena de membros do clã. As raízes deste apelido têm origem no concelho de
Marvão, e estendem-se no tempo por mais de 4 séculos.
Aqui fica o resumo da Árvore de Costados de 8 gerações da família. Mas já existem pelo menos mais 3 gerações, muitos dos quais se irão juntar amanhã.
De acordo com as
minhas pesquisas, o 1º individuo a usar este apelido nasceu em 1754 (Reinava em
Portugal D. João V), e foi baptizado com o nome de José, era filho de José António Toureiro (família oriunda de Alpalhão)
e de Antónia Maria Serrana (família com origens no concelho da Guarda,
freguesia de Arrifana). Durante os seus 57 anos de vida (faleceu em 1810), e
como era habitual naqueles tempos, era conhecido por 3 nomes: José Gonçalves
Serrano, José António Toureiro e José Gonçalves Bugalhão. Casou 2 vezes,
primeiro com Catarina Maria (de quem teve pelo menos 6 filhos), e depois com
Maria do Carmo (não tiveram filhos). Era Moleiro na aldeia da Ribeira da Ponte
Velha, e já era descendente de família de Moleiros, como Moleiros continuaram a
ser os seus descendentes até finais do século passado. Pertenceu à Irmandade
dos Franciscanos. Apenas o seu filho João, nascido em 1783, deixou descendência
(12 filhos).
O seu Testamento,
lavrado 4 dias antes da sua morte, encontrei-o no Arquivo Distrital de Portalegre, e
“reza” assim:
“Testamento
de José Gonçalves Bugalham, moleiro morador na Ribeira deste termo.
Aprovado
em 2 de Abril de 1810, conduzido e lavrado na forma do estilo.
Faleceu
em 6 de Abril de 1810.”
J.M.J
2-4-1810
Em nome de Deus, Ámen. Este he o meu testamento
que eu José Gonçalves Bugalham, viúvo que fiquei de Maria do Carmo, morador no
moinho da Fonte Santa, faço para bem da minha alma e discargo de minha
consciência.
Primeiramente encomendo minha alma a Deus,
Nosso Senhor que a Criou e Remiu com o seu precioso sangue na árvore da Santa
Cruz lhe peço me tome contas com misericórdia quando a minha alma se apresentar
no Tribunal Divino e der contas de meus pecados, e o mesmo peço à Virgem Maria,
minha mãe e senhora que interceda por mim a seu Bendito filho como peço ao Anjo
da minha guarda e a todos os Santos e Santas da corte do Céu que roguem ao
mesmo Senhor por mim.
Determino que sendo Deus servido e me leve
da vida presente para eterna meu corpo seja envolto em um hábito de esmola de
dois mil réis do Nosso Padre Sam Francisco e sepultado na minha freguesia, e me
acompanharão de huma das casas da Vila até à sepultura sete Padres Clérigos e
me dirá cada um uma missa de corpo presente, de esmola de cento e oitenta réis
e me cantarão hum Ofício ofertado no dia do meu falecimento, aliás no primeiro
desimpedido, e me acompanharão todas as Confrarias da Cruz pela esmola do
costume santo, excepto daquelas de que sou Irmão. Item quero que se aplique
pela minha Alma, um trintário de Missas e três trintários por meus encargos
tendo-os aliás pela minha alma. Item quero que se apliquem por Alma de minha
primeira mulher duas missas. Item quero que se apliquem por Alma de meu Pai
duas missas e por Alma de minha Mãe outras duas e por Alma da minha Avó Maria
Vaz duas Missas. Item quero que se apliquem aos Santos e Santas da minha
devoção a cada um sua Missa, a saber: ao Anjo da minha guarda, outra à Senhora
da Estrela, outra à Senhora da Guia, outra à Senhora da boa morte, outra pelas
Almas do purgatório, outra a Sam Miguel, outra a Sam Pedro.
Item deixo o Curral da parte além da Ribeira, que comprei a Isabel da Silva de Moura ao meu filho Carlos. Item deixo o remanescente da minha terça a todos os meus filhos e filhas aos quais instituo por meus universais herdeiros.
Item: quero que José Fernandes Moleiro siga
o meu testamento e lhe deixo pelo seu trabalho dois mil e quatrocentos réis e
lhe peço faça pela minha Alma o que eu faria pela sua.
Declaro que meu genro Manuel Lopes está pago
da legítima que pertenceu a sua mulher Teodora por morte da minha mulher.
Declaro que dei conta da legítima que
pertenceu a minha filha Jacinta por morte da minha mulher doze mil réis o mais
se lhe está devendo.
Declaro que me deve meu filho João dezoito
mil réis que por ele tinha pago e lhe tinha emprestado e de um porco que lhe
vendi.
E por esta forma dou este testamento por
findo e acabado e quero que se cumpra como nele se contém por ser esta a minha
última vontade a qual pedi ma fizesse Ezequiel Gração Roma de Marvão por eu não
saber escrever o que eu fiz como pessoa particular e com ele assinei.
Moinho da Fonte Santa. 2 de Abril de 1810.
Seguem-se as assinaturas de Ezequiel Gração
Roma; e do Testador José Gonçalves Bugalham (que assinou de cruz);”
Assim, amanhã, lá estaremos para recordar o nosso passado, viver o presente, e olhar o futuro...
quinta-feira, 17 de julho de 2014
Talvez o “saber” não ocupe lugar, e valha a pena aprender...
Como incentivo aos
jovens que a partir de hoje se podem inscrever no Ensino Superior, e a todos
aqueles que procuram melhorar os seus conhecimentos, e, ainda a respeito de
Emprego e Desemprego.
Dos 220 000 portugueses
que arranjaram emprego no último ano, todos eles tinham o Ensino Secundário ou
um Curso Superior. Em contrapartida, os 140 000 que perderam emprego, a grande
maioria tinha habitações escolares inferiores ao Ensino Secundário.
Outro dado a ter
em conta, é que apesar de se fazer crer que o Sistema de Ensino em Portugal nos
últimos 40 anos tem sido uma maravilha (que agora é que se está a destruir o
sistema), apenas 40% dos portugueses com mais de 25 anos têm o Ensino Secundário
ou mais; enquanto que na União Europeia essa taxa é de 75%; e até na nossa
vizinha Espanha essa Taxa é de 60%
quarta-feira, 16 de julho de 2014
Umas “estatísticas” de vez em quando, sempre dá para irmos pensando (1)
Desemprego: O cancro social
O “cancro”
social do nosso tempo é o Desemprego. Embora também soframos de “diabetes” (o endividamento),
e de “hipertensão grave” (os custos com a energia). Para não falarmos de outras
maleitas que nos apoquentam, e não nos irão largar, como sarna, nas próximas décadas.
Não me irei aqui debruçar profundamente sobre este fenómeno que é o Desemprego,
isso é para os especialistas, apenas aqui quero trazer alguns dados e reflexão,
para que cada um faça a sua análise.
Contrariamente
ao que nos querem fazer querer na comunicação social, através dos «papagaios canhotos»,
o Desemprego, não é apenas fruto da governação de Passos Coelho ou das consequências
da intervenção da “troika”, o Desemprego tem raizes mais profundas, e veio
subindo de maneira constante desde 2005. Isto é, desde que José Sócrates e os
socialistas entraram no governo. Como se pode ver no Gráfico 1.
Em 2005, quando
Sócrates chegou ao governo, o Desemprego afectava 8% da população em idade activa, cerca de 420 000 mil portugueses. Em 2011 quando Sócrates se demitiu,
a percentagem de desempregados era de 12%, isto é, 630 000 portugueses. Quem não
se lembra dos célebres cartazes socráticos que em 2005 prometiam 150 000
empregos? Se alguém já se esqueceu, como parece que sim, aqui fica um exemplar
na Figura 1.
Apesar de todos os investimentos públicos, provenientes de empréstimos, e, a respectiva propaganda, em 6 anos não só não se criaram mais 150 000, como ainda se perderam mais 210 000 empregos.
Portanto a herança socrática em 2011 foram 630 mil desempregados. E se repararmos bem no Gráfico 1, desde 2008 que a subida foi sempre constante até ao 1º trimestre de 2013, em que a percentagem do desemprego chegou aos cerca de 17%, e atingindo cerca de 900 000 portugueses. Se retirarmos os tais 630 mil de 2011, encontramos um aumento de 270 000 mil portugueses desempregados. Este sim foi o número que se deve ao actual Governo.
Portanto a herança socrática em 2011 foram 630 mil desempregados. E se repararmos bem no Gráfico 1, desde 2008 que a subida foi sempre constante até ao 1º trimestre de 2013, em que a percentagem do desemprego chegou aos cerca de 17%, e atingindo cerca de 900 000 portugueses. Se retirarmos os tais 630 mil de 2011, encontramos um aumento de 270 000 mil portugueses desempregados. Este sim foi o número que se deve ao actual Governo.
Podemos assim
concluir, em nome da verdade, que entre 2005 e 2013 o número de desempregados
em Portugal aumentou em cerca de 480 mil: 210
mil no Governo de Sócrates e 270 mil no Governo de Passos Coelho.
No entanto, podemos
ainda verificar no Gráfico que a partir do 1º trimestre de 2013 a situação parece ter
começado a inverter-se, e em Junho de 2014 o nº de desempregados em Portugal
rondava os 788 000, isto é menos 130 000 que em Março de 2013.
São “ainda” muitos? Claro que sim, mas pela primeira vez em 10 anos a curva baixou. Veremos os próximos meses.
Só que como agravante deste problema, deste total de desempregados, apenas 341 mil (menos de metade), têm subsídio de desemprego. E custam aos contribuintes quase 3 000 milhões de euros.
São “ainda” muitos? Claro que sim, mas pela primeira vez em 10 anos a curva baixou. Veremos os próximos meses.
Só que como agravante deste problema, deste total de desempregados, apenas 341 mil (menos de metade), têm subsídio de desemprego. E custam aos contribuintes quase 3 000 milhões de euros.
Claro que não irão
faltar aqueles que dizem que o Desemprego desceu porque os portugueses
emigraram! Sim é verdade, alguns. Mas de acordo com o INE, do total desses 138
000 que deixaram os Centros de Emprego, apenas 40 mil emigraram; 20 mil
morreram ou passaram à reforma; mas
perto de 78 mil arranjaram trabalho em Portugal.
Outros dados que
convém ter em conta são os “custos” do desemprego, suportados pelos
contribuintes, nos últimos 12 anos. Como se pode
ver no Gráfico 2, desde 2000 que esses custos não param de crescer, triplicando
desde essa data: Cerca de 800 milhões de euros em 2000, passaram para 2. 600 milhões
em 2012. E de acordo com alguns dados conhecidos esses valores aumentaram em
2013.
segunda-feira, 14 de julho de 2014
Em "latim" nos entendemos, nem que seja a cantar (4)
"No, no digas que
yo me muero, amor, mi vida es sufrimiento, yo te quiero en mi camino, por vos
cambiaba mi destino.
Ay, abrazame
esta noche, y, aunque no tengas ganas, prefeiero que me mientas, tristes breves
nuestras vidas. Acercate a mí, abrazame a ti por Dios, entregate a mis brazos.
Tengo un corazón
ganando, yo sé que vos me estas escuchando, con mis lagrimas te quiero: Pasión, sos mi amor sincero..."
sábado, 12 de julho de 2014
sexta-feira, 11 de julho de 2014
Um “Bin Laden” português ???
Eu sempre o considerei um dos maiores
responsáveis pela situação financeira a que chegámos, como aqui escrevi em Maio
de 2011, o todo-poderoso Victor Constâncio, mas vê-lo dito por um seu “camarada”,
e comparado com a figura funesta do “osama”, “arre porra” que é muito forte:
“O responsável número um da nossa desgraça é um banqueiro central - O
economista e ex-ministro da Economia de António Guterres, Daniel Bessa, afirmou
no Porto que “o responsável número um da nossa desgraça é um banqueiro central,
cujo nome, porém, omitiu.
“O
engenheiro Sócrates é muito responsabilizado, e não há ninguém que o
responsabilize mais do que eu, mas eu vejo-o como aquele egípcio que tomou os
comandos do Boeing que se precipitou sobre as Torres Gémeas, continuou Daniel Bessa.
(…)
Daniel
Bessa disse que já o Boeing ia a caminho das Torres Gémeas e ele (José
Sócrates), no cumprimento de um guião qualquer, sentou-se ao comando, acelerou
quanto pôde e, connosco lá dentro, enfiou-se contra as Torres Gémeas.
É
um destino, não tem nada de mal, cada um cumpre a sua função na vida e portanto
ficará para a história por isso. Mas essa não é a responsabilidade maior. A
responsabilidade maior é do mentor, não é do executante, e o mentor esteva no
Banco de Portugal”, prosseguiu Daniel Bessa, fazendo rir a assistência.
Segundo
concluiu o economista, o mentor disse que a partir da entrada no Euro, uma
pequena economia aberta e financeiramente integrada, no regime de moeda única,
não tem restrições financeiras. Endividar até sempre."
Notas
complementares:
-
23 /2/2000: Victor Constâncio na sua tomada de
posse como Governador do Banco de Portugal: “Sem
moeda própria não voltaremos a ter problemas de balança de pagamentos iguais
aos do passado. Não existe um problema monetário macroeconómico e não há que
tomar medidas restritivas por causa da balança de pagamentos. Ninguém analisa a
dimensão macro da balança externa do Mississipi ou de qualquer outra região de
uma grande união monetária.”
- 02/07/2003: “O
governador do Banco de Portugal relativizou inclusivamente a importância (…) do
endividamento dos agentes económicos e o necessário ajustamento das suas
poupanças, do endividamento da banca ao exterior ou das questões estruturais da
competitividade.”
- 1/6/2009: Endividamento externo não é prioridade, defende Vítor Constâncio
- 1/6/2009: Endividamento externo não é prioridade, defende Vítor Constâncio
ADENDA: Os sócraticos desmentem a tese de Daniel
Bessa. Garantem que a culpa é mesmo do seu chefe.
Mas ainda falta o outro grande responsável.
Não é Sócrates, não é o Coelho, não é o Barroso, não é o Guterres, nem pensar
no Santana que nem aqueceu o lugar, o Soares já foi há tanto tempo!
Quem será?
O assunto do momento....
Em poesia, pelo
Rui Rocha:
“Ó bes salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te mantermos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas encolheram os pés
Para ficares com o nosso, ó bes!!
... ou em prosa,
por Sérgio de Almeida Correia:
“ (...) O BES é o espelho da falência do
regime nos moldes em que este tem operado, o resultado da podridão de interesses
do bloco central e do consenso a que o Presidente da República apela
permanentemente como panaceia universal para os problemas dos portugueses. O
consenso trouxe-nos, e ao BES, até aqui, pelo que agora será necessário haver
quem corte a direito e malhe no ferro enquanto está quente, antes que o
consenso o faça esfriar. Não há quem na actual elite política e económica, sem
esquecer os escritórios e as empresas dos mercenários ao serviço do poder, que
tudo fazem desde que lhes paguem, não tivesse uma ligação qualquer ao BES, a
uma empresa do universo desse grupo ou a um negócio onde aparecesse a sua longa
mão.”
Coisas tristes vistas por aí...
A propósito
desta notícia:
- Detidos pais de criança britânica de 11
anos que tem 1,50 de altura e pesa 95 quilos.
Maltratar um filho
não é apenas dar-lhe umas “orelhadas”, ou decretar-lhe uns castigos
psicológicos. Maltratar um filho é, também, encharcá-lo com comida, e dizer-lhe
que actividade física é fazer jogos mais activos na “Consola”!
A opinião supra é uma adaptação minha
do principio do Dr. Ernesto Roma (“pai” do tratamento da Diabetes em Portugal): “Ser
mal educado não é apenas aquele que fala mal ou diz palavrões. Mal educado é,
também aquele que come mal, e o GORDO, come certamente mal...”
Acho que em Portugal
se deveria começar a fazer a mesma coisa, mas com pelo menos uns mesinhos de
detenção...
quinta-feira, 10 de julho de 2014
Contas à moda da esquerda (1)
Não pagar metade da dívida? É fácil:
expropriam-se os bancos
Por José Manuel
Fernandes
“ (...) Durante muitas décadas os
socialistas, de todas as latitudes, acharam que não havia limites para as suas políticas
redistributivas enquanto fosse possível cobrar mais e mais impostos. Quando o
dinheiro dos outros acabou, passaram a fazer dívida, acreditando no milagre do
crescimento futuro. Quando o crescimento não veio e as dívidas se tornaram
incomportáveis, passaram a falar em não pagar as dívidas. É nessa fase que
estamos. Nunca lhes ocorreu que, pura e simplesmente, era necessário mudar de
vida. Qualquer mudança de vida foi sempre apresentada como uma recusa da
própria democracia.”
Artigo completo AQUI...
quarta-feira, 9 de julho de 2014
O mundo dos outros...
Por Maria João
Marques
“Não há muitos anos todos os jornalistas se
persignavam perante qualquer messias socialista. Agora já se faz mais algum
escrutínio. Mais ou menos.
Inícios de 2002,
numa sala de espera de um consultório ao pé do Marquês de Pombal. Havia uma
revista Visão e pus-me a lê-la enquanto esperava pelo (atrasado) médico.
Estávamos em campanha eleitoral para as legislativas, depois de Guterres ter
fugido do pântano que criou.
Na Visão havia
duas reportagens. Uma sobre a campanha de Durão Barroso, com o tom trocista que
se esperava (o cherne, recordam-se?). A outra, sobre a campanha de Ferro
Rodrigues (alguém tão capaz de criar empatia com o eleitorado como o glaciar
médio), tinha um tom diferente. Os cristãos mais conservadores não falam de
Nossa Senhora como o jornalista falava de Ferro Rodrigues, ser radioso que
ostentava todas as qualidades possíveis num ser humano. Quando fui chamada para
a consulta, ia com a certeza que o jornalista (nome conhecido, de resto) tinha
acabado de escrever o texto com lágrimas de comoção no canto do olho por ter
versado sobre objecto tão sublime e ter participado na nobre missão de o dar a
conhecer ao mundo.
Em 2004, o
senhor ‘há vida para além do défice’ (também por vezes conhecido como Jorge
Sampaio) finalmente escorraçou o usurpador Pedro Santana Lopes da chefia do
governo. Tão marcante evento – a dissolução do Parlamento com uma maioria
absoluta estável só porque se embirra com o primeiro-ministro e se quer fazer
um favor ao partido – em vez de provocar indignação ou, no mínimo, uma prudente
reserva, levou a comunicação social a um paroxismo de entusiasmo com o senhor
socialista que se seguia (esse mesmo, José Sócrates). Qualquer pessoa com
espírito crítico funcional se questionava se havia alguma epidemia do foro
neurológico que tivesse atacado a quase totalidade das redacções portuguesas.
Mas 2014 não é
2002, nem 2004. Pelo meio tivemos a boa governação socrática, que terminou com
o país a necessitar de um resgate financeiro internacional. E se o PS
aparentemente não aprendeu nada com o que presenteou o país (a parte que até
aprendeu alguma coisa – a ala de Seguro – andou anos a fingir que não; e não
sei bem o que é pior: se a incapacidade de aprendizagem, se a sonsice), muitos
jornalistas e comentadores aprenderam.
Donde: agora que
temos novo messias socialista (António Costa – persignemo-nos), a comunicação
social já não se deixa arrebatar com tanta facilidade. É certo que há quem
ainda refira a maravilhosa argúcia política de Costa porque este se distanciou
da promessa de uma aliança à esquerda para remendar a sua promessa de aliança à
esquerda.
Também não notei
nenhum sarcasmo quando informaram que ‘a’ Cultura apoia Costa, a propósito da
petição de gente ligada às actividades culturais que apoia Costa e se acha ‘a’
Cultura. (Presunção e água benta, cada qual toma a que quer. Sei lá por que
razão, lembrei-me disto). De resto espero que esta moda persista no futuro.
Tenho grandes expectativas de um dia também apoiar alguém e intitular-me ‘a
economia’ ou ‘a blogosfera’
E, ainda,
estranhei a ausência de notícias dando conta que Costa tinha espalhado por toda
Lisboa cartazes congratulando Carlos do Carmo, que é por sua vez ‘a’ Cultura
que apoia Costa na tal petição. (Já que estamos numa onda de celebrar
desmesuradamente um Grammy latino, aproveito para informar que o meu filho mais
novo passou para o cinto acima no karaté. Aguardo parabéns de António Costa. E
se pudesse substituir um dos vários cartazes da minha rua celebrando o Grammy
pela celebração do cinto, o miúdo ia ficar satisfeito.)
Mas como vivemos
no pós 2011, há já muito quem note a vacuidade e a banalidade de tudo o que
Costa (não) propõe. A ideia de ‘aumentar a riqueza’ para resolver os problemas nacionais foi legitimamente gozada em todas as casas portuguesas que albergam cérebros pensantes. E há a maçada das notícias das confusões nas contas da CML de 2013. Ou Alfredo Barroso fugindo do flip-flop de Costa quanto às alianças à esquerda. Ou a cedência total de Costa (com custo para o contribuinte de mais de 2 milhões de euros) para terminar a greve à recolha do lixo em Lisboa. Ou os boys PS, e familiares de socialistas proeminentes, que Costa albergou na CML. E se vier a liderar o PS, mais virão.
Em suma: os media vão ganhando juízo e
a democracia cresce em altura e sabedoria.”
terça-feira, 8 de julho de 2014
Nos últimos 40 anos, o Estado, tem tido uma política financeira do tipo “Dona Branca”...
A afirmação
deste título, não é de um qualquer radical, pertence ao Professor Daniel Bessa,
um moderado, e que passou, meteoricamente, por um dos governos de António
Guterres.
O programa da Hiperligação
que refiro abaixo, foi certamente um dos melhores que assisti sobre economia e
finanças públicas, com uma linguagem simples que merece ser visto e reflectido.
Aconselho-o, sobretudo, aos meus amigos socialistas (quer os do PS, quer alguns
do PSD que também os há), e porque não, também, aos comunistas (os não sectários), para que qualquer dia não venham dizer que não sabiam, que ninguém avisou, etc.
Vale a pena
perder uma hora na vida.
http://www.tvi24.iol.pt/programa/4407/132
Alô, alô Vidiguêra...
O quê, até os camaradas
comunistas não respeitam as minorias! Com amigos assim, os ciganos até dispensam
os neoliberais laranjas. A estas horas já os “lelos” escreveram nas paredes:
O Presidente da Câmara
é "Facista"
E alguém vai ter que escrever por baixo: Não, não, é Comunista!!!
E alguém vai ter que escrever por baixo: Não, não, é Comunista!!!
Que pensarão
disto os camaradas Jerónimo, Arménio, Nogueira, ou mesmo a Dona Heloísa?
segunda-feira, 7 de julho de 2014
Noticias da minha terra...
Foi notícia por
estes dias a intenção de aquisição pela CM de Marvão do chamado “Bairro da
Fronteira do Porto Roque” (Galegos), naquele concelho, faltando neste momento a
aprovação do Tribunal de Contas (TC), após a aprovação na Assembleia Municipal.
Este complexo
foi construído nos finais dos anos 60 do século passado, é composto para além
dos antigos edifícios da Alfandega e da Guarda Fiscal, por um conjunto de Edifícios
Habitacionais que serviam como “casas de função” para os funcionários daqueles
serviços e que se estende por uma área de perto de 6 hectares . A maioria
destas estruturas deixou de funcionar nos anos 90, fruto da integração de
Portugal na União Europeia. No entanto, muitas das casas de habitação
continuaram ocupadas, umas por famílias de funcionários que ali acabaram por se
radicar, outras pelos funcionários que apesar de as abandonarem, nunca as
entregaram à entidade que as geria (?).
A aquisição que
agora foi feita pela CM de Marvão culmina um processo negocial de mais de uma dúzia
de anos, com muitos obstáculos no caminho, mas que parece ter agora terminado,
se TC não puser obstáculos, apenas sua primeira etapa. A aquisição deste
Complexo, tal como o conhecemos hoje, irá custar aos marvanenses cerca de 1
milhão de euros. Convém ainda clarificar, de grosso modo, que este valor é
praticamente apenas a aquisição dos terrenos, já que este espaço não possui,
actualmente, estruturas para que seja usado como complexo habitacional desde
rede de saneamento básico, rede de abastecimento de água, ou mesmo rede eléctrica,
tudo terá que ser construído de novo.
A juntar a tudo
isto existe ainda o facto da maioria destas casas se encontrarem ainda ocupadas
por famílias que aí se têm mantido, apesar das “funções” que lhes permitia a
sua ocupação ter terminado há mais de 10 anos. Pelo que a negociação e resolução
desta situação não se advinha fácil.
Por tudo isto, o que parece ser uma boa notícia para Marvão, talvez no futuro, não venha
a ser assim tão boa. E se o for, não o será, certamente, para todos os
marvanenses. Alguns sairão beneficiados (a julgar pelo que ouvi na Assembleia Municipal, sob o lema "o povo é quem mais ordena"), outros nem por isso.
No entanto, uma coisa será garantida, é que os custos serão suportados por todos, pelo menos aqueles que pagam impostos. E ou muito me engano, ou 3 milhões de euros não chegarão para a função.
No entanto, uma coisa será garantida, é que os custos serão suportados por todos, pelo menos aqueles que pagam impostos. E ou muito me engano, ou 3 milhões de euros não chegarão para a função.
Valerá a pena? Tem
a palavra o executivo marvanense.
O mundo dos outros...
E depois de darmos as mãos até podemos
formar uma roda!
por Rui Rocha,
in Delito deOpinião
“Os engraçadinhos de turno atiraram-se a
Costa por este ter defendido o fim da divisão entre as ilhas e o continente.
Ora, sendo este um projecto difícil, não é, convenhamos, impossível de
concretizar. Eu próprio vi há um par de dias um mestre do kung fu caminhar 10 metros sobre as águas.
Que a distância entre a Ponta de Sagres e a Ilha do Corvo é superior a 10 metros ? Muito certo.
Mas Costa é socialista. E o mestre do kung fu não. Entendidos? Adiante.
O problema fundamental é que a piadinha
fácil sobre este desígnio de Costa afastou as atenções de outro facto muito
relevante da mesma intervenção. Costa apresentou a sua primeira medida concreta
para regenerar Portugal. A proposta de Costa tem a simplicidade de tudo o que é
genial. Não se trata de renegociar a dívida, reestruturar o aparelho de estado
ou construir aeroportos. É, afinal de contas, algo muito evidente. Embora
nenhum de nós tenha tido a capacidade de perceber, antes de Costa, que tínhamos
a solução ao nosso alcance. O que nós temos de fazer, míopes e desatentos
compatriotas, continentais ou adjacentes, é darmos as mãos.
Não faltarão, naturalmente, cínicos com
vontade de desatar a força com que entrelaçaremos os nossos dedos. Mas, depois
de vermos a luz na sua flagrante e singela intensidade, nada já nos poderá
deter. Darmos as mãos, claro, é uma proposta ainda relativamente vaga. Mas só
por si, marca uma reviravolta política. Passos Coelho queria que emigrássemos.
Costa quer-nos aqui, cada um de nós à distância de um braço do português mais
próximo. Precisamos, claro, que Costa nos diga mais.
Durante quanto tempo teremos de estar de
mãos dadas? Um lustro, uma década, um século? Não cairemos na tentação de
iniciar a cadeia no Terreiro do Paço, contribuindo involuntariamente para
desertificar o interior, uma vez que não há portugueses que cheguem para darmos
as mãos até Torre de Moncorvo? Nesse épico cordão de solidariedade, nessa
metáfora palpável da nossa união, poderá o Dr. Ricardo Salgado ocupar uma
posição com vista para o Restelo, mas de costas voltadas para o Dr. Ricciardi?
Será permitido ao Dr. César das Neves retirar a mão da cadeia periodicamente
para ajustar o cilício? Poderá o Prof. Freitas do Amaral mudar regularmente de
posição? E o Dr. Rui Tavares ficará à esquerda do elemento mais à direita do PS
ou à direita de quem desce? O Dr. Relvas pode estudar enquanto estiver de mãos
dadas? Se por azar ou punição divina me calhar ficar ao lado do Sérgio Godinho
e este começar a cantar posso trocar com o Dr. Marinho Pinto? Se o Dr. Alfredo
Barroso tentar abandonar o cordão em bicos de pés podemos obrigá-lo a ficar? Se
a Maria Teixeira Alves ficar no meio de dois homossexuais pode escrever um
post? Se estivermos todos de mãos dadas, quem é que “tuíta”?
São dúvidas pertinentes. Angústias que só
uma liderança esclarecida será capaz de dissipar. Mas, de momento, fica uma
certeza reforçada pela convicção de vinte e cinco, digo, vinte e quatro
fundadores do PS: Seguro é um palerma e Costa um líder extraordinário.
Capice?”
domingo, 6 de julho de 2014
sexta-feira, 4 de julho de 2014
Antes do apito inicial?
Como se pode ler aqui, ainda nem a coisa arrancou e já os “ratos” começam a saltar para fora. Calma don alfredo!
“Alfredo
Barroso desiludido com António Costa.
Fundador do PS e antigo chefe da Casa Civil do Presidente
da República nos mandatos de Mário Soares exige que António Costa clarifique se
vai coligar com os partidos da esquerda ou da direita.”
Coisas giras lidas por aí...
“ (...) Costumo dizer que se houvesse uma
ASAE para a «análise política» dois terços dos palradores seriam multados por
"venderem" mercadoria adulterada ao domicílio de cada um de nós.”
Pedro Correia, in
Delito de Opinião
quinta-feira, 3 de julho de 2014
O mundo dos outros...
Já se pode dizer bem de Passos Coelho?
Por Maria João Avillez
“Cai
mal dizer “bem” de Passos Coelho: os bem pensantes enervam-se e o ar do tempo
desaconselha. A má-fé vigente tomará estas minhas pobres palavras como um
despropósito que destoa do coro dos dias.
Faz hoje um ano o Governo foi enterrado. Tal
como a Torre de Pisa, todos os mundos – o político e os outros – se inclinavam
só para um lado: naquele belo dia de verão, o Executivo tinha acabado, a maioria
tinha-se desfeito.
Gaspar saíra na véspera, deixando carta e
menos de 24 horas depois, Portas, sem aviso prévio e irrevogavelmente,
imitou-lhe o gesto. Deixando comunicado.
Havia meses que – relembremo-lo – Gaspar
acordara com Passos Coelho o nome da sua sucessora e organizadamente foi isso
que ocorreu: o Governo aprovara, o PM propôs o nome de Maria Luís, o Presidente
da República aceitou-o, Vítor Gaspar sairá a 1 de Julho, a posse seria a 2.
O Presidente, apanhado no princípio da tarde
desse 2 de Julho em cerimónias oficiais que o impediam de atender o telemóvel,
voltou nesse dia a ser apanhado – mas pela surpresa. Não gostou, nem esqueceu:
os estados de alma de Paulo Portas mergulharam Cavaco Silva num cenário de
(quase) irracionalidade política, deixando-o a vogar numa “impossível” situação
de incerteza, o que em política é dizer o pior.
Não fora Passos Coelho e teria desabado a
tempestade perfeita. Não desabou, apesar da desconfiança e dos presságios, das
apostas e dos vaticínios de fim de ciclo. O primeiro-ministro não deixou. Sem
perder a cabeça ou a bússola, sem lhe ocorrer aquele tique nosso conhecido do
“abalar”, sem cair na aflição ou no desnorte, tomou em mãos a ocorrência e ao
fazê-lo impediu – entre outras coisas – um segundo resgate. Com as fatais –
inimagináveis? – Consequências que daí adviriam.
Passos mostrou estofo e sentido da política.
E sentido de Estado, claro está. Não é qualquer um que, naquele incêndio,
domestica os acontecimentos e os “ocupa” politicamente, elegendo um desfecho a
seu favor. De caminho – e eis o que também não é de somenos – mostrou quem
mandava na coligação e quem era o chefe da maioria. Já fizera o mesmo aquando
da 7ª avaliação da troika, mas fizera-o longe de nós, nos bastidores do país. O
dia 2 de Julho ditou-lhe o palco e colocou-o sob os holofotes das instituições.
Ao final do dia, as oposições à esquerda e os opositores dentro do PSD ainda
esperavam em surdina que ele fosse a Belém com uma corda ao pescoço invocar
“falta de condições”, mas o primeiro-ministro nunca – que me lembre – se afogou
no mar das oposições nem se impressionou por aí além com barões fora de jogo.
Depois, claro, choveram “ah” e “oh” de
espanto face ao “patriotismo” de Passos Coelho. Como se ele tivesse nascido
para a política nesse 2 de Julho ou a sua liderança na ação e atuação do
Governo (pesem embora erros e excessos que tantas vezes critiquei) não
relevassem justamente dessa mesma endurance e resiliência.
(Agora, há dias, em tom menor, é certo,
também houve umas golfadazinhas de admiração por Pedro Passos Coelho ter vetado
a entrega de mais ajudas financeiras ao BES. Voltei a espantar-me: piores cegos
são os que nunca querem ver? Mesmo a um palmo de distância?)
Cai mal dizer “bem” de Passos Coelho: os bem
pensantes enervam-se e o ar do tempo desaconselha a bondade. A má-fé vigente
tomará estas minhas pobres palavras como um despropósito que destoa do coro dos
dias e da pretensão intelectual com que o primeiro-ministro é habitualmente
radiografado. Paciência. Já se eu gesticulasse a favor de António Costa –
pessoa que me é muito simpática, de resto – seria bem-vinda e o mundo seria
perfeito.
Mas se há algo que tenha aprendido é que
esta coisa dos “dois pesos e duas medidas” é uma regra sem excepção: à esquerda
tudo é permitido, desde o ter licença de existir, direito de cidadania, poder
de ditar das regras, distribuir voz. A direita tem sempre de (lhe?) pedir
licença.
E pensar que já passaram 40 anos disto...”
PS: Sobre o
segundo resgate a que aludi acima, ocorreu-me agora de repente relembrar alguns
passos de uma saga que nunca existiu mas que durante meses e meses nos foi
sempre vendida como uma certeza irrefutável: o “segundo resgate” foi anunciado
em todas as televisões sem excepção; previsto por todos os jornais – num deles
com data, fonte e primeira página; brandido nas rádios; assustadoramente
desejado por jornalistas e comentadores; usado pelas oposições como um trunfo
contra o Governo; falado nas elites e nos meios bem informados (?) como um mero
fait divers.
Até hoje, não
houve segundo resgate (e ao primeiro dispensou-se a última fatia). Mas também
não houve mais nada: ninguém se importou com o que disse, avisou, ameaçou,
prometeu, garantiu, jurou. Ninguém veio dizer “enganei-me”. Ao menos,
“precipitei-me”. Não sei se o ressentimento, a fragmentação, a imbecilidade
toldam os espíritos ou induzem a cegueira. Talvez induzam. E, por outro lado,
ninguém tirou consequência alguma – consequência política seria talvez pedir
muito… – sobre o facto de não ter havido a tão anunciada segunda provação. O
que lá vai, lá vai. Gente pouco séria.
sábado, 28 de junho de 2014
Em "latim" nos entendemos, nem que seja a cantar (1)
Depois de 7 anos
a privilegiar a música cantada em português, vamos levantar ferro e alargar um
pouco o horizonte.
Hoje é apenas a
primeira...
sexta-feira, 27 de junho de 2014
Crónica de uma morte (eliminação) anunciada...
Em vez de se
proceder a uma avaliação rigorosa sobre os factores que correram menos bem, e
alguns que correram bem, não. Mais uma vez voltamos, a este fado português do "SE".
Deixo mais uma vez os brilhantes resultados do Mundial
Luxemburgo – Portugal, 1-2
Portugal -
Azerbaijão, 3-0
Rússia –
Portugal, 1-0
Portugal -
Irlanda do Norte, 1-1
Israel Portugal,
3-3
Azerbaijão –
Portugal, 0-2
Portugal –
Rússia, 1-0
Irlanda do Norte
– Portugal, 2-4
Portugal –
Israel, 1-1
Portugal –
Luxemburgo, 3-0
Portugal –
Suécia, 1-0
Suécia –
Portugal, 2-3
Alemanha –
Portugal, 4-0
Portugal –
Estados Unidos. 2-2
Portugal – Gana,
2-1
Naturalmente,
não somos assim tão bons como dizemos que somos, sobretudo antes de iniciarmos
os jogos e as competições. Talvez um pouco mais de realismo, que conduziria a
uma mudança de estratégia, e os resultados talvez fossem bem melhores, e, não houvessem tantos "ses" .
terça-feira, 24 de junho de 2014
Ainda a respeito de milagres (ou da falta deles)...
Do melhor que li
sobre esta treta que é a selecção portuguesa de futebol. Rui Rocha, com o
brilhantismo do costume, resume, num episódio, as peripécias dos “benedictus” por
terras de vera cruz.
“Naquele tempo, vendo-se em grandes dúvidas
e apertos, Bento de Oviedo deitou cinquenta penas de sete galos negros do alto
de um barranco e logo se fez um remoinho que as levou em direcção a uma nuvem
que, se estava antes, ninguém a vira.
E a nuvem, fazendo-se boca e rosto humano,
logo ali sentenciou com graves palavras: levarás o André Almeida porque é ele o
eleito e está bem que seja assim porque é essa a minha vontade. E foram todos,
André Almeida e os outros, até aos confins das terras conhecidas. Sendo que
estes ficam exactamente em Manaus, ali onde começa a floresta mais impenetrável
para os homens, mas muito aquém do alcance da mão de Mendes.
E estando, de todos os que foram, apenas
onze em campo, ali André Almeida ficou coxo de pai e mãe. Vendo o sofrimento do
eleito, Bento de Oviedo ergueu as mãos e disse estas e não quaisquer outras
palavras, porque era essa a vontade de Mendes: levanta-te e anda. E o eleito
andou.
Sempre a passo, ainda mais de meia-parte,
sempre coxeando. E quando finalmente Veloso o substituiu, tendo duas pernas,
dois pés e um par de chuteiras, correu ainda menos do que o eleito, muito
apesar de não estar coxo nem andar coxeando."
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