segunda-feira, 14 de julho de 2014

Em "latim" nos entendemos, nem que seja a cantar (4)


"No, no digas que yo me muero, amor, mi vida es sufrimiento, yo te quiero en mi camino, por vos cambiaba mi destino.

Ay, abrazame esta noche, y, aunque no tengas ganas, prefeiero que me mientas, tristes breves nuestras vidas. Acercate a mí, abrazame a ti por Dios, entregate a mis brazos.

Tengo un corazón ganando, yo sé que vos me estas escuchando, con mis lagrimas te quiero: Pasión, sos mi amor sincero..."


sábado, 12 de julho de 2014

In nomine dei?



A que chamam de terra santa!
(Conflito Israel - Palestina) 



sexta-feira, 11 de julho de 2014

Um “Bin Laden” português ???


Eu sempre o considerei um dos maiores responsáveis pela situação financeira a que chegámos, como aqui escrevi em Maio de 2011, o todo-poderoso Victor Constâncio, mas vê-lo dito por um seu “camarada”, e comparado com a figura funesta do “osama”, “arre porra” que é muito forte:

“O responsável número um da nossa desgraça é um banqueiro central - O economista e ex-ministro da Economia de António Guterres, Daniel Bessa, afirmou no Porto que “o responsável número um da nossa desgraça é um banqueiro central, cujo nome, porém, omitiu.

“O engenheiro Sócrates é muito responsabilizado, e não há ninguém que o responsabilize mais do que eu, mas eu vejo-o como aquele egípcio que tomou os comandos do Boeing que se precipitou sobre as Torres Gémeas, continuou Daniel Bessa. (…)

Daniel Bessa disse que já o Boeing ia a caminho das Torres Gémeas e ele (José Sócrates), no cumprimento de um guião qualquer, sentou-se ao comando, acelerou quanto pôde e, connosco lá dentro, enfiou-se contra as Torres Gémeas.

É um destino, não tem nada de mal, cada um cumpre a sua função na vida e portanto ficará para a história por isso. Mas essa não é a responsabilidade maior. A responsabilidade maior é do mentor, não é do executante, e o mentor esteva no Banco de Portugal”, prosseguiu Daniel Bessa, fazendo rir a assistência.

Segundo concluiu o economista, o mentor disse que a partir da entrada no Euro, uma pequena economia aberta e financeiramente integrada, no regime de moeda única, não tem restrições financeiras. Endividar até sempre."

Notas complementares:

- 23 /2/2000: Victor Constâncio na sua tomada de posse como Governador do Banco de Portugal: “Sem moeda própria não voltaremos a ter problemas de balança de pagamentos iguais aos do passado. Não existe um problema monetário macroeconómico e não há que tomar medidas restritivas por causa da balança de pagamentos. Ninguém analisa a dimensão macro da balança externa do Mississipi ou de qualquer outra região de uma grande união monetária.”

- 02/07/2003: “O governador do Banco de Portugal relativizou inclusivamente a importância (…) do endividamento dos agentes económicos e o necessário ajustamento das suas poupanças, do endividamento da banca ao exterior ou das questões estruturais da competitividade.”

- 1/6/2009: Endividamento externo não é prioridade, defende Vítor Constâncio


ADENDA: Os sócraticos desmentem a tese de Daniel Bessa. Garantem que a culpa é mesmo do seu chefe.

Mas ainda falta o outro grande responsável. Não é Sócrates, não é o Coelho, não é o Barroso, não é o Guterres, nem pensar no Santana que nem aqueceu o lugar, o Soares já foi há tanto tempo!


Quem será?

O assunto do momento....


Em poesia, pelo Rui Rocha:

“Ó bes salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te mantermos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas encolheram os pés
Para ficares com o nosso, ó bes!!


... ou em prosa, por Sérgio de Almeida Correia:

“ (...) O BES é o espelho da falência do regime nos moldes em que este tem operado, o resultado da podridão de interesses do bloco central e do consenso a que o Presidente da República apela permanentemente como panaceia universal para os problemas dos portugueses. O consenso trouxe-nos, e ao BES, até aqui, pelo que agora será necessário haver quem corte a direito e malhe no ferro enquanto está quente, antes que o consenso o faça esfriar. Não há quem na actual elite política e económica, sem esquecer os escritórios e as empresas dos mercenários ao serviço do poder, que tudo fazem desde que lhes paguem, não tivesse uma ligação qualquer ao BES, a uma empresa do universo desse grupo ou a um negócio onde aparecesse a sua longa mão.”


Coisas tristes vistas por aí...


A propósito desta notícia:

- Detidos pais de criança britânica de 11 anos que tem 1,50 de altura e pesa 95 quilos.

Maltratar um filho não é apenas dar-lhe umas “orelhadas”, ou decretar-lhe uns castigos psicológicos. Maltratar um filho é, também, encharcá-lo com comida, e dizer-lhe que actividade física é fazer jogos mais activos na “Consola”!

A opinião supra é uma adaptação minha do principio do Dr. Ernesto Roma (“pai” do tratamento da Diabetes em Portugal): “Ser mal educado não é apenas aquele que fala mal ou diz palavrões. Mal educado é, também aquele que come mal, e o GORDO, come certamente mal...”

Acho que em Portugal se deveria começar a fazer a mesma coisa, mas com pelo menos uns mesinhos de detenção...
 

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Contas à moda da esquerda (1)


Não pagar metade da dívida? É fácil: expropriam-se os bancos
Por José Manuel Fernandes


“ (...) Durante muitas décadas os socialistas, de todas as latitudes, acharam que não havia limites para as suas políticas redistributivas enquanto fosse possível cobrar mais e mais impostos. Quando o dinheiro dos outros acabou, passaram a fazer dívida, acreditando no milagre do crescimento futuro. Quando o crescimento não veio e as dívidas se tornaram incomportáveis, passaram a falar em não pagar as dívidas. É nessa fase que estamos. Nunca lhes ocorreu que, pura e simplesmente, era necessário mudar de vida. Qualquer mudança de vida foi sempre apresentada como uma recusa da própria democracia.”

Artigo completo AQUI...

quarta-feira, 9 de julho de 2014

O mundo dos outros...

Por Maria João Marques

“Não há muitos anos todos os jornalistas se persignavam perante qualquer messias socialista. Agora já se faz mais algum escrutínio. Mais ou menos.

Inícios de 2002, numa sala de espera de um consultório ao pé do Marquês de Pombal. Havia uma revista Visão e pus-me a lê-la enquanto esperava pelo (atrasado) médico. Estávamos em campanha eleitoral para as legislativas, depois de Guterres ter fugido do pântano que criou.

Na Visão havia duas reportagens. Uma sobre a campanha de Durão Barroso, com o tom trocista que se esperava (o cherne, recordam-se?). A outra, sobre a campanha de Ferro Rodrigues (alguém tão capaz de criar empatia com o eleitorado como o glaciar médio), tinha um tom diferente. Os cristãos mais conservadores não falam de Nossa Senhora como o jornalista falava de Ferro Rodrigues, ser radioso que ostentava todas as qualidades possíveis num ser humano. Quando fui chamada para a consulta, ia com a certeza que o jornalista (nome conhecido, de resto) tinha acabado de escrever o texto com lágrimas de comoção no canto do olho por ter versado sobre objecto tão sublime e ter participado na nobre missão de o dar a conhecer ao mundo.

Em 2004, o senhor ‘há vida para além do défice’ (também por vezes conhecido como Jorge Sampaio) finalmente escorraçou o usurpador Pedro Santana Lopes da chefia do governo. Tão marcante evento – a dissolução do Parlamento com uma maioria absoluta estável só porque se embirra com o primeiro-ministro e se quer fazer um favor ao partido – em vez de provocar indignação ou, no mínimo, uma prudente reserva, levou a comunicação social a um paroxismo de entusiasmo com o senhor socialista que se seguia (esse mesmo, José Sócrates). Qualquer pessoa com espírito crítico funcional se questionava se havia alguma epidemia do foro neurológico que tivesse atacado a quase totalidade das redacções portuguesas.

Mas 2014 não é 2002, nem 2004. Pelo meio tivemos a boa governação socrática, que terminou com o país a necessitar de um resgate financeiro internacional. E se o PS aparentemente não aprendeu nada com o que presenteou o país (a parte que até aprendeu alguma coisa – a ala de Seguro – andou anos a fingir que não; e não sei bem o que é pior: se a incapacidade de aprendizagem, se a sonsice), muitos jornalistas e comentadores aprenderam.

Donde: agora que temos novo messias socialista (António Costa – persignemo-nos), a comunicação social já não se deixa arrebatar com tanta facilidade. É certo que há quem ainda refira a maravilhosa argúcia política de Costa porque este se distanciou da promessa de uma aliança à esquerda para remendar a sua promessa de aliança à esquerda.

Também não notei nenhum sarcasmo quando informaram que ‘a’ Cultura apoia Costa, a propósito da petição de gente ligada às actividades culturais que apoia Costa e se acha ‘a’ Cultura. (Presunção e água benta, cada qual toma a que quer. Sei lá por que razão, lembrei-me disto). De resto espero que esta moda persista no futuro. Tenho grandes expectativas de um dia também apoiar alguém e intitular-me ‘a economia’ ou ‘a blogosfera’

E, ainda, estranhei a ausência de notícias dando conta que Costa tinha espalhado por toda Lisboa cartazes congratulando Carlos do Carmo, que é por sua vez ‘a’ Cultura que apoia Costa na tal petição. (Já que estamos numa onda de celebrar desmesuradamente um Grammy latino, aproveito para informar que o meu filho mais novo passou para o cinto acima no karaté. Aguardo parabéns de António Costa. E se pudesse substituir um dos vários cartazes da minha rua celebrando o Grammy pela celebração do cinto, o miúdo ia ficar satisfeito.)

Mas como vivemos no pós 2011, há já muito quem note a vacuidade e a banalidade de tudo o que Costa (não) propõe. A ideia de ‘aumentar a riqueza’ para resolver os problemas nacionais foi legitimamente gozada em todas as casas portuguesas que albergam cérebros pensantes. E há a maçada das notícias das confusões nas contas da CML de 2013. Ou Alfredo Barroso fugindo do flip-flop de Costa quanto às alianças à esquerda. Ou a cedência total de Costa (com custo para o contribuinte de mais de 2 milhões de euros) para terminar a greve à recolha do lixo em Lisboa. Ou os boys PS, e familiares de socialistas proeminentes, que Costa albergou na CML. E se vier a liderar o PS, mais virão.

 Em suma: os media vão ganhando juízo e a democracia cresce em altura e sabedoria.”

Mudam-se os tempos, mudam-se as piadas....


Afinal,  foi assim que a Alemanha ganhou a guerra!



terça-feira, 8 de julho de 2014

Nos últimos 40 anos, o Estado, tem tido uma política financeira do tipo “Dona Branca”...


A afirmação deste título, não é de um qualquer radical, pertence ao Professor Daniel Bessa, um moderado, e que passou, meteoricamente, por um dos governos de António Guterres.

O programa da Hiperligação que refiro abaixo, foi certamente um dos melhores que assisti sobre economia e finanças públicas, com uma linguagem simples que merece ser visto e reflectido. Aconselho-o, sobretudo, aos meus amigos socialistas (quer os do PS, quer alguns do PSD que também os há), e porque não, também, aos comunistas (os não sectários), para que qualquer dia não venham dizer que não sabiam, que ninguém avisou, etc.

Vale a pena perder uma hora na vida.

http://www.tvi24.iol.pt/programa/4407/132

Alô, alô Vidiguêra...




O quê, até os camaradas comunistas não respeitam as minorias! Com amigos assim, os ciganos até dispensam os neoliberais laranjas. A estas horas já os “lelos” escreveram nas paredes:

O Presidente da Câmara é "Facista"

E alguém vai ter que escrever por baixo: Não, não, é Comunista!!!

Que pensarão disto os camaradas Jerónimo, Arménio, Nogueira, ou mesmo a Dona Heloísa?  


segunda-feira, 7 de julho de 2014

Noticias da minha terra...

Foi notícia por estes dias a intenção de aquisição pela CM de Marvão do chamado “Bairro da Fronteira do Porto Roque” (Galegos), naquele concelho, faltando neste momento a aprovação do Tribunal de Contas (TC), após a aprovação na Assembleia Municipal.

Este complexo foi construído nos finais dos anos 60 do século passado, é composto para além dos antigos edifícios da Alfandega e da Guarda Fiscal, por um conjunto de Edifícios Habitacionais que serviam como “casas de função” para os funcionários daqueles serviços e que se estende por uma área de perto de 6 hectares. A maioria destas estruturas deixou de funcionar nos anos 90, fruto da integração de Portugal na União Europeia. No entanto, muitas das casas de habitação continuaram ocupadas, umas por famílias de funcionários que ali acabaram por se radicar, outras pelos funcionários que apesar de as abandonarem, nunca as entregaram à entidade que as geria (?).

A aquisição que agora foi feita pela CM de Marvão culmina um processo negocial de mais de uma dúzia de anos, com muitos obstáculos no caminho, mas que parece ter agora terminado, se TC não puser obstáculos, apenas sua primeira etapa. A aquisição deste Complexo, tal como o conhecemos hoje, irá custar aos marvanenses cerca de 1 milhão de euros. Convém ainda clarificar, de grosso modo, que este valor é praticamente apenas a aquisição dos terrenos, já que este espaço não possui, actualmente, estruturas para que seja usado como complexo habitacional desde rede de saneamento básico, rede de abastecimento de água, ou mesmo rede eléctrica, tudo terá que ser construído de novo.

A juntar a tudo isto existe ainda o facto da maioria destas casas se encontrarem ainda ocupadas por famílias que aí se têm mantido, apesar das “funções” que lhes permitia a sua ocupação ter terminado há mais de 10 anos. Pelo que a negociação e resolução desta situação não se advinha fácil.

Por tudo isto, o que parece ser uma boa notícia para Marvão, talvez no futuro, não venha a ser assim tão boa. E se o for, não o será, certamente, para todos os marvanenses. Alguns sairão beneficiados (a julgar pelo que ouvi na Assembleia Municipal, sob o lema "o povo é quem mais ordena"), outros nem por isso. 

No entanto, uma coisa será garantida, é que os custos serão suportados por todos, pelo menos aqueles que pagam impostos. E ou muito me engano, ou 3 milhões de euros não chegarão para a função.

Valerá a pena? Tem a palavra o executivo marvanense.   


Em latim nos atendemos, nem que seja a cantar (3)


O mundo dos outros...

E depois de darmos as mãos até podemos formar uma roda!
por Rui Rocha, in Delito deOpinião

“Os engraçadinhos de turno atiraram-se a Costa por este ter defendido o fim da divisão entre as ilhas e o continente. Ora, sendo este um projecto difícil, não é, convenhamos, impossível de concretizar. Eu próprio vi há um par de dias um mestre do kung fu caminhar 10 metros sobre as águas. Que a distância entre a Ponta de Sagres e a Ilha do Corvo é superior a 10 metros? Muito certo. Mas Costa é socialista. E o mestre do kung fu não. Entendidos? Adiante.

O problema fundamental é que a piadinha fácil sobre este desígnio de Costa afastou as atenções de outro facto muito relevante da mesma intervenção. Costa apresentou a sua primeira medida concreta para regenerar Portugal. A proposta de Costa tem a simplicidade de tudo o que é genial. Não se trata de renegociar a dívida, reestruturar o aparelho de estado ou construir aeroportos. É, afinal de contas, algo muito evidente. Embora nenhum de nós tenha tido a capacidade de perceber, antes de Costa, que tínhamos a solução ao nosso alcance. O que nós temos de fazer, míopes e desatentos compatriotas, continentais ou adjacentes, é darmos as mãos.

Não faltarão, naturalmente, cínicos com vontade de desatar a força com que entrelaçaremos os nossos dedos. Mas, depois de vermos a luz na sua flagrante e singela intensidade, nada já nos poderá deter. Darmos as mãos, claro, é uma proposta ainda relativamente vaga. Mas só por si, marca uma reviravolta política. Passos Coelho queria que emigrássemos. Costa quer-nos aqui, cada um de nós à distância de um braço do português mais próximo. Precisamos, claro, que Costa nos diga mais.

Durante quanto tempo teremos de estar de mãos dadas? Um lustro, uma década, um século? Não cairemos na tentação de iniciar a cadeia no Terreiro do Paço, contribuindo involuntariamente para desertificar o interior, uma vez que não há portugueses que cheguem para darmos as mãos até Torre de Moncorvo? Nesse épico cordão de solidariedade, nessa metáfora palpável da nossa união, poderá o Dr. Ricardo Salgado ocupar uma posição com vista para o Restelo, mas de costas voltadas para o Dr. Ricciardi? Será permitido ao Dr. César das Neves retirar a mão da cadeia periodicamente para ajustar o cilício? Poderá o Prof. Freitas do Amaral mudar regularmente de posição? E o Dr. Rui Tavares ficará à esquerda do elemento mais à direita do PS ou à direita de quem desce? O Dr. Relvas pode estudar enquanto estiver de mãos dadas? Se por azar ou punição divina me calhar ficar ao lado do Sérgio Godinho e este começar a cantar posso trocar com o Dr. Marinho Pinto? Se o Dr. Alfredo Barroso tentar abandonar o cordão em bicos de pés podemos obrigá-lo a ficar? Se a Maria Teixeira Alves ficar no meio de dois homossexuais pode escrever um post? Se estivermos todos de mãos dadas, quem é que “tuíta”?

São dúvidas pertinentes. Angústias que só uma liderança esclarecida será capaz de dissipar. Mas, de momento, fica uma certeza reforçada pela convicção de vinte e cinco, digo, vinte e quatro fundadores do PS: Seguro é um palerma e Costa um líder extraordinário.

Capice?”

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Antes do apito inicial?

Como se pode ler aqui, ainda nem a coisa arrancou e já os “ratos” começam a saltar para fora. Calma don alfredo!

“Alfredo Barroso desiludido com António Costa.

 Fundador do PS e antigo chefe da Casa Civil do Presidente da República nos mandatos de Mário Soares exige que António Costa clarifique se vai coligar com os partidos da esquerda ou da direita.”




Coisas giras lidas por aí...


“ (...) Costumo dizer que se houvesse uma ASAE para a «análise política» dois terços dos palradores seriam multados por "venderem" mercadoria adulterada ao domicílio de cada um de nós.”


Pedro Correia, in Delito de Opinião

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Nestes dias do futebol...


Para reflectir. Não seria possível conciliar? 


O mundo dos outros...

Já se pode dizer bem de Passos Coelho?
Por Maria João Avillez

“Cai mal dizer “bem” de Passos Coelho: os bem pensantes enervam-se e o ar do tempo desaconselha. A má-fé vigente tomará estas minhas pobres palavras como um despropósito que destoa do coro dos dias.

Faz hoje um ano o Governo foi enterrado. Tal como a Torre de Pisa, todos os mundos – o político e os outros – se inclinavam só para um lado: naquele belo dia de verão, o Executivo tinha acabado, a maioria tinha-se desfeito.

Gaspar saíra na véspera, deixando carta e menos de 24 horas depois, Portas, sem aviso prévio e irrevogavelmente, imitou-lhe o gesto. Deixando comunicado.

Havia meses que – relembremo-lo – Gaspar acordara com Passos Coelho o nome da sua sucessora e organizadamente foi isso que ocorreu: o Governo aprovara, o PM propôs o nome de Maria Luís, o Presidente da República aceitou-o, Vítor Gaspar sairá a 1 de Julho, a posse seria a 2.

O Presidente, apanhado no princípio da tarde desse 2 de Julho em cerimónias oficiais que o impediam de atender o telemóvel, voltou nesse dia a ser apanhado – mas pela surpresa. Não gostou, nem esqueceu: os estados de alma de Paulo Portas mergulharam Cavaco Silva num cenário de (quase) irracionalidade política, deixando-o a vogar numa “impossível” situação de incerteza, o que em política é dizer o pior.

Não fora Passos Coelho e teria desabado a tempestade perfeita. Não desabou, apesar da desconfiança e dos presságios, das apostas e dos vaticínios de fim de ciclo. O primeiro-ministro não deixou. Sem perder a cabeça ou a bússola, sem lhe ocorrer aquele tique nosso conhecido do “abalar”, sem cair na aflição ou no desnorte, tomou em mãos a ocorrência e ao fazê-lo impediu – entre outras coisas – um segundo resgate. Com as fatais – inimagináveis? – Consequências que daí adviriam.

Passos mostrou estofo e sentido da política. E sentido de Estado, claro está. Não é qualquer um que, naquele incêndio, domestica os acontecimentos e os “ocupa” politicamente, elegendo um desfecho a seu favor. De caminho – e eis o que também não é de somenos – mostrou quem mandava na coligação e quem era o chefe da maioria. Já fizera o mesmo aquando da 7ª avaliação da troika, mas fizera-o longe de nós, nos bastidores do país. O dia 2 de Julho ditou-lhe o palco e colocou-o sob os holofotes das instituições. Ao final do dia, as oposições à esquerda e os opositores dentro do PSD ainda esperavam em surdina que ele fosse a Belém com uma corda ao pescoço invocar “falta de condições”, mas o primeiro-ministro nunca – que me lembre – se afogou no mar das oposições nem se impressionou por aí além com barões fora de jogo.

Depois, claro, choveram “ah” e “oh” de espanto face ao “patriotismo” de Passos Coelho. Como se ele tivesse nascido para a política nesse 2 de Julho ou a sua liderança na ação e atuação do Governo (pesem embora erros e excessos que tantas vezes critiquei) não relevassem justamente dessa mesma endurance e resiliência.

(Agora, há dias, em tom menor, é certo, também houve umas golfadazinhas de admiração por Pedro Passos Coelho ter vetado a entrega de mais ajudas financeiras ao BES. Voltei a espantar-me: piores cegos são os que nunca querem ver? Mesmo a um palmo de distância?)

Cai mal dizer “bem” de Passos Coelho: os bem pensantes enervam-se e o ar do tempo desaconselha a bondade. A má-fé vigente tomará estas minhas pobres palavras como um despropósito que destoa do coro dos dias e da pretensão intelectual com que o primeiro-ministro é habitualmente radiografado. Paciência. Já se eu gesticulasse a favor de António Costa – pessoa que me é muito simpática, de resto – seria bem-vinda e o mundo seria perfeito.

Mas se há algo que tenha aprendido é que esta coisa dos “dois pesos e duas medidas” é uma regra sem excepção: à esquerda tudo é permitido, desde o ter licença de existir, direito de cidadania, poder de ditar das regras, distribuir voz. A direita tem sempre de (lhe?) pedir licença.

E pensar que já passaram 40 anos disto...”


PS: Sobre o segundo resgate a que aludi acima, ocorreu-me agora de repente relembrar alguns passos de uma saga que nunca existiu mas que durante meses e meses nos foi sempre vendida como uma certeza irrefutável: o “segundo resgate” foi anunciado em todas as televisões sem excepção; previsto por todos os jornais – num deles com data, fonte e primeira página; brandido nas rádios; assustadoramente desejado por jornalistas e comentadores; usado pelas oposições como um trunfo contra o Governo; falado nas elites e nos meios bem informados (?) como um mero fait divers.

Até hoje, não houve segundo resgate (e ao primeiro dispensou-se a última fatia). Mas também não houve mais nada: ninguém se importou com o que disse, avisou, ameaçou, prometeu, garantiu, jurou. Ninguém veio dizer “enganei-me”. Ao menos, “precipitei-me”. Não sei se o ressentimento, a fragmentação, a imbecilidade toldam os espíritos ou induzem a cegueira. Talvez induzam. E, por outro lado, ninguém tirou consequência alguma – consequência política seria talvez pedir muito… – sobre o facto de não ter havido a tão anunciada segunda provação. O que lá vai, lá vai. Gente pouco séria.



sábado, 28 de junho de 2014

Em "latim" nos entendemos, nem que seja a cantar (1)


Depois de 7 anos a privilegiar a música cantada em português, vamos levantar ferro e alargar um pouco o horizonte.

Hoje é apenas a primeira...

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Crónica de uma morte (eliminação) anunciada...


Em vez de se proceder a uma avaliação rigorosa sobre os factores que correram menos bem, e alguns que correram bem, não. Mais uma vez voltamos, a este fado português do "SE".


Siga a “balhação”, e em Setembro há mais. Ai se o SE jogasse, o jogador que ele seria...





Deixo mais uma vez os brilhantes resultados do Mundial 2014. A avaliação não é só a do jogo com a Alemanha (perfeitamente normal perder-se), a avaliação tem que ser feita dos 15 jogos disputados, apenas 9 Vitórias, com Luxemburgos, Irlandas, Azarbeijões, Ganas, etc. E essa, meu caro seleccionador, é muito pobre, e, a precisar de mudança.

 Luxemburgo – Portugal, 1-2

Portugal - Azerbaijão, 3-0

Rússia – Portugal, 1-0

Portugal - Irlanda do Norte, 1-1

Israel Portugal, 3-3

Azerbaijão – Portugal, 0-2

Portugal – Rússia, 1-0

Irlanda do Norte – Portugal, 2-4

Portugal – Israel, 1-1

Portugal – Luxemburgo, 3-0

Portugal – Suécia, 1-0

Suécia – Portugal, 2-3

Alemanha – Portugal, 4-0

Portugal – Estados Unidos. 2-2

Portugal – Gana, 2-1

Naturalmente, não somos assim tão bons como dizemos que somos, sobretudo antes de iniciarmos os jogos e as competições. Talvez um pouco mais de realismo, que conduziria a uma mudança de estratégia, e os resultados talvez fossem bem melhores, e, não houvessem tantos "ses" .  


terça-feira, 24 de junho de 2014

Ainda a respeito de milagres (ou da falta deles)...


Do melhor que li sobre esta treta que é a selecção portuguesa de futebol. Rui Rocha, com o brilhantismo do costume, resume, num episódio, as peripécias dos “benedictus” por terras de vera cruz.


“Naquele tempo, vendo-se em grandes dúvidas e apertos, Bento de Oviedo deitou cinquenta penas de sete galos negros do alto de um barranco e logo se fez um remoinho que as levou em direcção a uma nuvem que, se estava antes, ninguém a vira.

E a nuvem, fazendo-se boca e rosto humano, logo ali sentenciou com graves palavras: levarás o André Almeida porque é ele o eleito e está bem que seja assim porque é essa a minha vontade. E foram todos, André Almeida e os outros, até aos confins das terras conhecidas. Sendo que estes ficam exactamente em Manaus, ali onde começa a floresta mais impenetrável para os homens, mas muito aquém do alcance da mão de Mendes.

E estando, de todos os que foram, apenas onze em campo, ali André Almeida ficou coxo de pai e mãe. Vendo o sofrimento do eleito, Bento de Oviedo ergueu as mãos e disse estas e não quaisquer outras palavras, porque era essa a vontade de Mendes: levanta-te e anda. E o eleito andou.

Sempre a passo, ainda mais de meia-parte, sempre coxeando. E quando finalmente Veloso o substituiu, tendo duas pernas, dois pés e um par de chuteiras, correu ainda menos do que o eleito, muito apesar de não estar coxo nem andar coxeando."

Já que é dia do São João...


Foi no ano passado na noite de São João, andava o baile animado e eu todo engatatão! Fui parar aos braços dela no meio da confusão, fitei-a lá bem nos olhos, não mais a larguei da mão. Dançamos num rodopio, bebemos vinho e cerveja, acordámos manhã alta nas traseiras duma igreja.

Ela disse: - Estou quilhada o meu pai vai-me matar! E eu disse: - Está descansada, que eu vou lá para o enfrentar.

"Tenho pena, mas sou um teso, nada tenho para te dar, a não ser um lume aceso para te abrasar..."

Falei-lhe de homem para homem, quais as minhas intenções: - Eu trabalho e sou honesto, mas sem grandes ambições.

Ai, eu cá para a minha filha quero alguém que tenha peso, não gastei tanto a criá-la para a vir casar com um teso. Ela é boa na costura, e, sabe cozinha francesa, toda ela é finura bom trato e delicadeza! Já ganhou um concurso do vestido de chita, queria você um "Sem Curso", levar coisa tão bonita?

Disseste que eu era demais, quase me chamas-te artista nas carícias dos portais, mas era tudo fogo-de-vista. Hoje talvez nada te falte, “o teu homem é Doutor”, mas o teu olhar perdeu, daquela noite, o fulgor!


segunda-feira, 23 de junho de 2014

Ai estes yankees...



         Figura 1 - Estatísticas da Blogguer


Há muito que ando desconfiado que estes americanos me andam a marcar em cima. Atenção que eu não sou o Ronaldo, o Postiga, nem o Raul Meireles, eles sim uns “desequilibradores natos” (embora não pareçam)!

Eu não, deixem-me em paz.

Qualquer coisa que eu escreva aqui no meu “cantinho” hei-los logo atentos, e a bisbilhotar tudo o que escrevo. Ainda hoje, só porque pensam que eu vá dizer mal da selecção deles, invadem-me aqui o “quiosque” e só hoje (ainda a procissão vai no adro), e já aqui estiveram 30 artistas da terra do “tio sam”, sendo o país que mais me visitou hoje. E se tivermos em conta desde 2007, quando abri a loja, já por aqui passaram 6 143 “américas”.

Só gostava de saber se são índios ou cow-boys?

TA: Se forem portugas que por aí ganham as sopas, e querem apenas saber notícias aqui do burgo, façam favor de dizer. Escuso de pensar que é a tal NSA que tudo vigia.

Chegou a hora das carpideiras...


Elas vão estar em qualquer televisão, rádio ou jornal perto de si. Depois, missa do 7º dia e tudo se esquece. À portuguesa!

Antes Velho do Restelo...

Leituras interessantes: Aqui,  ou aqui, mas sobretudo AQUI.




Faltam duas porque se "lesionaram"..., na língua (eram carpideiras do Mendes)!

sábado, 21 de junho de 2014

O mundo dos outros


António Costa, o do PS, visto por António Costa, jornalista de Diário Económico.


A terceira via de António Costa
por António Costa

"O putativo novo líder do PS, pelo menos de acordo com a opinião publicada, vai ter de fazer muito mais do que afirmar a paixão pelo crescimento económico e garantir que essa é a terceira via, que o Governo não quer seguir, para resolver os problemas do país.

A alternativa (?) de António Costa ao corte de despesa e ao aumento de impostos não é rica, nem gera riqueza, é pobre e, sem mais, só servirá para criar uma ilusão, a que nos trouxe até aqui.

António Costa ainda não disse verdadeiramente ao que vem, e a participação semanal na Quadratura do Círculo, as críticas a Pedro Passos Coelho pelo que faz e a António José Seguro pelo que não faz, não chegam para construir uma alternativa. Nem ao actual líder do PS, menos ainda ao primeiro-ministro.

Será, talvez, importante, recordar a António Costa o que escreveu o Banco de Portugal ainda esta semana: ""O reconhecimento por parte dos agentes políticos e sociais da restrição [financeira intertemporal com que o sector público se defronta] é fundamental para que o debate sobre opções de política se situe no terreno do realizável e seja, por isso, um debate consequente". E qual é o ponto de partida? 

De um défice estrutural de 2,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014, e com base num conjunto, conservador, de variáveis, é preciso chegar em 2019 a um défice estrutural de 0,5%, o limite do Tratado Orçamental, qual seria, afinal, o nosso esforço orçamental: de acordo com as contas do Banco de Portugal, será preciso juntar medidas no valor de 6,7 mil milhões de euros (4% do PIB) para o país chegar a 2019 com 0,5% de défice estrutural. Dito de outra forma, corresponde a metade do enorme esforço aplicado nos últimos três anos.

Depois desta leitura rápida - António Costa pode ter acesso ao link directamente no site do Banco de Portugal - a ideia de que poderemos resolver os nossos problemas com crescimento económico, qual varinha mágica que tínhamos à mão mas não utilizamos, é no mínimo pueril. Ou, pior. Quererá dizer que António Costa vai rasgar o Tratado Orçamental, aliar-se à CDU e BE e pedir a saída do euro? Não creio.

Sobra uma terceira via, António Costa quer ganhar o PS sem dizer nada. E isso, provavelmente, chegará, mas não chega para ganhar o país, porque todos querem crescimento económico, António José Seguro e Pedro Passos Coelho incluídos. A equação é difícil, mas uma coisa é certa, com este nível de impostos, não será possível ter mais poupança e, logo, mais investimento. Mas, com este nível de despesa, não será possível baixar os impostos, nem em ano eleitoral, porque os investidores e a ‘troika' cá estarão para nos lembrarem da nossa restrição financeira activa.

Não bastará ter boa imprensa, como tem o presidente da câmara de Lisboa, para ultrapassar esta restrição. Como é que se saí disto, António Costa?"

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Episódios deste mundo louco...


O governo do país não sabe como há-de lidar com o orçamento público. As despesas superam há muitos anos as receitas, só no ano de 2010, em pleno reinado socialista/ socrático (que agora parece estar de volta, e com força), esse défice foi de 17 mil milhões de euros (recorde nunca visto). O actual governo chegado ao poder em 2011 (obrigado pelos credores externos que nos vinham emprestando o que faltava, e cuja dívida já totalizava 154 mil milhões de euros), tomou algumas medidas, sobretudo pelo lado das receitas (brutal aumento de impostos), e algumas pelo lado das despesas, sobretudo nos salários da administração pública (AP) e pensionistas (onde era mais fácil); mesmo assim o tal défice em 2013 ainda foi de 8 mil milhões da tal moeda. Nos poderosos pouco, ou nada, tocou (PPP´s, Bancos, Empresas de monopólio, grandes fortunas, todas as corporações do regime, etc.); nem irão tocar, nem este, nem outro governo qualquer. Porquê? Exactamente porque são poderosos, e são eles próprios que controlam o governo e os governantes. E como todos sabemos ainda está para nascer o sistema que não se privilegie a si próprio.

O desnorte é tão grande, que nos últimos dias assistimos a coisas aberrantes: O Tribunal Constitucional (TC) manda parar cortes nos salários da AP a partir de 30 de Maio. Isto é, até essa data foram constitucionais os cortes, a partir daí são inconstitucionais! O governo faz uma pergunta estúpida: se seria a partir de Junho ou de 31 de Maio? O TC diz que o dia a seguir a 30/5 é o dia 31/5, logo, não percebe a dúvida. O governo diz, pela boca do ministro Maduro (ou será verde?), que então quem já recebeu subsídios de férias com cortes, antes dessa data (mas como é que é possível receber subsídios de ferias em JANEIRO? Pergunto eu que sou parvo), não os irá repor. O TC diz que não ensina o governo, a governar (pois certamente eles também não sabem, digo eu!). por fim, o governo acha que o ministro, meteu as mãos pelo pés, e agora já diz, que paga a toda a gente!

Entretanto...

No Partido Socialista (PS), o Partido das golpadas (não esquecer em 2004 o “golpe de estado” do Sampaio, para além das várias golpadas do Soares ao longo destes 40 anos, umas vencedoras, outras nem por isso, mas ele volta sempre), prepara agora mais uma. E esta será com estrondo, já que é na sua própria casa. Há cerca de um ano em 2013, o Tó Zé, após ter ganho eleições internas em 2011 a Francisco Assis, foi a votos e, não se apresentou ninguém a concorrer com ele. O Costa não tinha dado à costa (perdeu por falta de comparência, ou seria cobardia?), a coisa estava ainda muito preta. Nesse mesmo ano de 2013, em plena crise governamental, o Tó Zé participou, juntamente com “irrevogável” Paulo Portas e mediada por Balsemão, numa reunião da trupe Clube de Bilderberg. Objectivo? Correr com o Coelho e formar um governo Seguro/Portas, mas a coisa não se confirmou (acho que o Tó Zé não agradou ao conclave). Desde aí o PS com o Tó Zé ganhou duas eleições: autárquicas e europeias. Vitórias fraquinhas, mas vitórias. Quando tudo parecia estar na paz dos anjos no Partido das Golpadas, e o Tó Zé se preparava para que o “fruto” lhe caísse nas mãos de maduro, eis que o “espírito santo” (há que apelide de “raposa velha”), sopra ao ouvido do Costa: é agora António, o Tó não tem perfil! Para Costa e seus rapazes (os golpadas), não há obstáculos. Temos secretário-geral? Ele que se afaste. Ele não se afasta? Nós afastá-lo-emos. Como? Com eleições. São anti-estatutárias? Mudam-se os Estatutos. Quem vota a favor? Soares, Ferro, Alegre, Almeida Santos, Lacão, Galamba (o João), Sampaio, Sócrates (por intermédio do boquinhas), Vítor Ramalho, Carlos César, Vieira da Silva, Pedro Marques, Ana Catarina Mendes, a irreverente Isabel Moreira, e restantes golpistas, numa lista que nunca mais terá fim. E quando ganharem o campeonato socialista, imediatamente, assinarão o armistício com os “seguritas”; e vão-se à “liga dos campeões” que, ao socialismo, ninguém há-de parar! A felicidade existe, e com Costa, ela será nossa, e o sonho nunca morre!

Coitados de nós os portugueses...


quarta-feira, 18 de junho de 2014

Quatro anos depois...


Saramago faz-nos tanta falta...




O mundo dos outros...


Embora não me reveja inteiramente em muitas das opiniões aqui postadas, concordo na generalidade com a  grande maioria, por isso, e para reflexão de todos nós aqui deixo este texto.

Ti MARIA: "A CRIMINOSA"
por Umberto Pacheco




"A Ti Maria (Maria Isabel) tem 83 anos e é uma criminosa. O local do crime é o fogão, e assim foi durante muitos anos: vende bolo de laranja no café da zona. Sem recibo. E ainda consegue ir mais longe: usa os ovos das suas próprias galinhas. Juntamente com a filha, formam uma organização criminal.

Eusébia, com 58 anos, produz uma pequena quantidade de queijo de cabra na sua própria cozinha que vende aos vizinhos a 1 euro a unidade. Um dos vizinhos, José Manuel, utiliza o antigo forno de barro que tem no quintal para cozer pão, faz uma quantidade a mais do que a que ele e a sua mulher necessitam para vender aos amigos, tentando assim complementar a pensão da reforma que recebe.

Alguns dos habitantes mais idosos da aldeia apanham cogumelos e vendem-nos ao comprador intermediário. Novamente, sem passar recibo. Por sua vez, este intermediário distribui-os em restaurantes, passa recibo mas fá-lo pelo dobro do preço que pagou por eles. Marta, proprietária do café da zona, encomendou alface ao fornecedor mas acrescentou umas ervas e folhas de alface do seu próprio quintal. E se pedíssemos uma aguardente de medronho, típica da zona, quando a garrafa oficial, selada com o imposto fiscal, estiver vazia, o seu marido iria calmamente até à garagem e voltava a encher a garrafa com o medronho caseiro do velho Tomás.

Podemos chamar a isto tradição, qualidade de vida ou colorido local – o certo é que em tempos de crise, a auto-suficiência entre vizinhos, simplesmente ajuda a sobreviver.

O Alentejo é das regiões mais afectadas pela crise que de qualquer forma afectou todo o país. A agricultura tradicional está em baixo, a indústria é quase inexistente e os turistas raramente se deixam levar pela espectacular paisagem costeira da província. Os montes alentejanos perdem-se em ruínas. Quem pode vai embora, ficando apenas a população idosa a viver nas aldeias, e para a maior parte, o baixo valor que recebem de reforma é gasto em medicamentos, logo na primeira semana do mês.

Inicialmente, as pessoas fazem o que sempre fizeram para tentar sobreviver de algum modo. Vendem, a pessoas que conhecem, o que eles próprios conseguem produzir. Não conseguem suportar os custos de recibos ou facturas. Para conseguir iniciar um negócio com licença, teriam de cumprir os requisitos e fazer grandes investimentos que só compensariam num negócio de maior produção.

Ao contrário de Espanha, Portugal não negociou acordos especiais para quem tem pequenos negócios. As consequências: toda a produção em pequena escala - cafés, restaurantes, lojas e padarias que tornam este país atractivo - é de facto ilegal. Só lhes restam duas hipóteses:
- Ou legalizam o seu comércio tornando-se grandes produtores
- Ou continuam como fugitivos ao fisco.

Até agora e de certa forma, isto era aceitável em Portugal mas neste momento, parece que o governo descobriu os verdadeiros culpados da crise: o homem modesto e a mulher modesta como pecadores em matéria de impostos. Como resultado, as autoridades fecharam uma série de casas comerciais e mercados onde dantes eram escoadas os excedentes das parcas produções dos pequenos produtores e transformadores, que ganhavam algum dinheiro com isso, equilibrando a economia local.

Há uns meses atrás, a administração fiscal decidiu finalmente fazer algo em relação ao nível de desemprego: empregou 1.000 novos fiscais.

Como um duro golpe para a fraude fiscal organizada, a autoridade autuou recentemente uma prática comum na pequena Aldeia das Amoreiras: alguns homens tinham - como o fizeram durante décadas - produzido e vendido carvão. Os criminosos têm em média 70 anos, e os modestos rendimentos do carvão mal lhes permitia ir mais do que poucas vezes beber um medronho ou pedir uma bica. Não é benéfico acabar com os produtos locais e substituí-los por produtos industriais.

Não para o Estado que, com uma população empobrecida, não tem capacidade para pagar impostos. E não é para a saúde: não são os produtos caseiros que levam a escândalos alimentares nestes últimos anos, mas a contaminação química e microbiana da produção industrial. Apenas grandes indústrias beneficiam desta política, uma política que chega mesmo a apoiar a crise.

Sendo este um país que se submete cada vez mais a depender de importações, um dia não terá como se aguentar economicamente. É a realidade, até parece que a globalização venceu: os terrenos abandonados do Alentejo foram maioritariamente arrendados a indústrias agrícolas internacionais, que usam estes terrenos para o cultivo de olival intensivo, para a produção de hortícolas em estufas e também de OGM’s (Organismos Geneticamente Modificados – Transgénicos produzidos pela multinacional americana ‘MONSANTO’ que foi autorizada pelo governo português a cultivar esses produtos internacionalmente proibidos).

Após alguns anos, os solos ficam demasiado contaminados. Em geral, os novos trabalhadores rurais temporários vêm da Tailândia, Bulgária ou Ucrânia, trabalham por pouco tempo e voltam para as suas casas antes das doenças se tornarem visíveis.

Com a pressão da Troika, o governo está a actuar contra os interesses do próprio povo. Apenas há umas semanas atrás, o Município de Lisboa mandou destruir mais uma horta comunitária num bairro carismático da cidade, a "Horta do Monte" no Bairro da Graça, onde residentes produziam legumes com sucesso, contando com a ajuda da vizinhança. 

Enquanto os moradores do bairro protestavam, funcionários municipais arrancaram árvores pela raiz e canteiros de flores, simplesmente para que os terrenos possam ser alugados em vez de cedidos. Mais uma vez, uma parte da auto-organização foi destruída pela crise. A maioria dos portugueses não aceita isto. No último ano e por várias vezes, cerca de 1 milhão de pessoas - o equivalente a 10% da população - protestou contra a Troika. Muitos demonstram a sua criatividade e determinação durante a desobediência civil: quando saiu a lei que os clientes eram obrigados a solicitar factura nos restaurantes e cafés, em vez de darem o seu número de contribuinte, 10 mil pessoas deram o número do Primeiro-ministro. Rapidamente isto deixou de ser obrigatório.

Também há alguns presidentes de freguesias que não aceitam o que foi feito aos seus mercados. E assim os pequenos mercados locais de aldeia continuam mas com um nome diferente “Mostra de produtos locais”, “Mercado de Trocas”. Se alguém quer dar alguma coisa e de seguida alguém põe dinheiro na caixa dos donativos, bem... Quem irá impedi-lo?!

Existe um ditado fascinante: “quando a lei é injusta, a resistência é um dever”. É este o caso. Não são os pequenos produtores que estão errados mas sim as autoridades e quem toma as decisões - tanto moral como estrategicamente, porque:
- É moralmente injustificável negar a sobrevivência diária dos idosos nas aldeias.
- É estrategicamente estúpido…porque leva ao extermínio destes velhos, de forma encapotada.
Um tesouro raro está a ser destruído: uma região que ainda tem conhecimentos e métodos tradicionais, e comunidades com coesão social suficiente para partilhar e para se ajudarem entre si, estão a ser destruídas. Uma economia difundida globalmente e à prova da crise é o que aqui acaba por ser criminalizado, ou seja, a subsistência rural e regional, o poder de auto-organização de pessoas que se ajudam mutuamente, que tentam sustentar-se com o que cresce à sua volta.

Ao enfrentar a crise, não existem razões para não avançarmos juntos e nos reunirmos novamente. Existem sim, todos os motivos para nos ajudarmos mutuamente, para escolhermos a auto-suficiência e o espírito comunitário rural. Podemos ajudar a suavizar a crise, pelo menos por agora – se não, no mínimo oferecemos um elemento chave para a resolver.
Quanto mais incertos são os sistemas de abastecimento da economia global, mais necessária é a subsistência regional.

Assim sendo, pedimos a todos os viajantes e conhecedores: peçam pratos caseiros e regionais nos restaurantes. Deixem que as omeletas sejam feitas por ovos que não foram carimbados nem selados. Peçam saladas das suas hortas. Mesmo em festas ou cerimónias, escolham os produtos de fabrico próprio, caseiros. Ao entrar numa loja ou café, anunciem de imediato que não vão pedir recibos ou facturas.

Talvez em breve, os proprietários dos restaurantes se juntem a uma mudança local. Talvez em breve, um funcionário de uma loja será o primeiro a aperceber-se que a caixa de donativos na entrada traz mais lucro do que o registo obrigatório das vendas recentemente imposto. Talvez em breve, apareçam as primeiras moedas regionais como um método de contornar as leis fiscais".

terça-feira, 17 de junho de 2014

Veja as diferenças...


Isto são os fazedores de opinião em Portugal. É assim no futebol, e é assim em tudo. Só pensam em vender, nem que tenha que ser a mãe ou pai. Portugal precisa de se libertar desta gente, se algo é precisa mudar em Portugal é esta forma de ser e de estar. 
Por aqui passa a tal âncora que em vez de nos libertar, nos prende ao fundo mar!