quinta-feira, 22 de maio de 2014
Profetas da desgraça ou, desgraça de profetas...
Confesso que há
muito que me andava a apetecer fazer uma coisa destas. Quem me conhece sabe,
que sou um amante da coerência e um inimigo feroz dos cata-ventos. Daqueles que falam ou comentam para agradar a quem os ouve, independentemente de mentirem ou dizerem o que pensam, que hoje opinam uma coisa, amanhã, o seu contrário.
Por isso,
enquanto seguidor do Blog Delito de Opinião, e do
Pedro Correia, fui reunindo algumas das suas postagens, na sua rubrica “Profetas da nossa terra”, sobre algumas
declarações efectuadas por esses arlequins
da vida pública portuguesa e famosos fazedores de opinião.
Partilho agora convosco algumas dessas afirmações, acompanhadas do respectivo Link (basta clicar no título a vermelho), onde poderão comprovar a veracidade da coisa. Há
para todos os gostos e de todas as cores, elejam as melhores. Mas riam, ou pelo
menos sorriam, faz bem à saúde.
Então vejam lá as
sabedorias destes políticos e comentadores de pacotilha:
(Manuel Pinho, Ministro da Economia de Sócrates, 13 de Outubro de 2006)
(Mário Lino, ministro de Sócrates, 21 de Julho de 2005)
(José Sócrates, 27 de Janeiro de 2007)
(António Mendonça, ministro de Sócrates, 14 de Janeiro de 2010)
(Dias Loureiro, 1 de Julho de 2008)
(José Sócrates, 11 de Janeiro de 2011)
(Freitas do Amaral, 12 de Novembro de 2010)
(Mário Soares, 5 de Maio de 2014)
(Pires de Lima, ministro de P. Coelho, 28 de Novembro de 2013)
(António Capucho, ex militante do PSD, 20 de Maio de 2014 no tempo de antena do PS)
(Paulo Portas, vice - 1º ministro, 2 de Julho de 2013)
(Catarina Martins, líder do Bloco de Esquerda, 21 de Abril de 2013)
(João Cravinho, ex - ministro de Sócrates, 16 de Novembro de 2013)
(António José Seguro, Secretário Geral do PS, 8 de Julho de 2013)
(João Ferreira do Amaral, economista, 26 de Novembro de 2012)
(João César das Neves, economista, 28 de Setembro de 2013)
(Miguel Frasquilho, deputado do PSD e economista, 28 de Dezembro de 2013)
(Filipe La Féria, 29 de Dezembro de 2013)
(Jorge Jesus, 31 de Janeiro de 2012)
(Joaquim Rita, comentador, 17 de Agosto de 2013)
(Rui Santos, comentador, 29 de Outubro de 2013)
(Fernando Guerra, comentador, 12 de Novembro de 2013)
Um dia destes há mais...
quarta-feira, 21 de maio de 2014
Em quem votar no próximo domingo?
Numa Campanha
Eleitoral que discute tudo, menos o essencial e o que está em causa, talvez
encontre aqui um bom auxiliar para, no próximo domingo, decidir o seu voto.
O Instituto
Universitário Europeu juntou uma equipa de mais de 120 investigadores e
desenvolveu uma aplicação que ajuda os eleitores a perceber quais os partidos
com que mais se identificam: O Euandi.
A premissa é
simples: o utilizador dá a sua opinião sobre 30 afirmações e a aplicação
identifica, quais os partidos, cujas respostas estão mais próximas das do
utilizador. O tempo de utilização médio é de 7 minutos, tornando este exercício
extremamente rápido e eficaz.
Eu tive uma
pequena surpresa! Mas que só mostra o quanto determinadas ideologias nos têm
feito a cabeça, mesmo àqueles que se tentam libertar da "bebedeira". Depois há que ter em
conta, na minha opinião, variáveis difíceis de controlar, tais como “a teoria” (ideologia) e a “prática” dos partidos em Portugal. Mas
garanto que é um bom exercício, sobretudo no final, quando comparar as suas
respostas com as opiniões dos partidos sobre os vários temas propostos.
É só carregar no Link abaixo:
Não há “tachos para todos”...
Ora aqui está a resposta ao ti aníbal,
que não se cansa de apelar ao CONSENSO. Aqui está a verdade nua, e, crua.
E
depois???
terça-feira, 20 de maio de 2014
Novos Rumos, contos velhos...
Em plena
campanha para as eleições europeias, que têm como objectivo principal a eleição
de Deputados que representarão Portugal no Parlamento Europeu, veio o Partido
Socialista (PS), que acusa o Governo de ser “eleitoralista”, na Convenção: - Um novo Rumo para Portugal, e pela
voz de Tó Zé Seguro, apresentar 15, das 80 medidas para o seu Programa de Governo.
Não tenhamos a mínima
dúvida que esta é a altura ideal para apresentar um Programa de Governo, e que isto é tudo menos eleitoralismo! Lol, como dizem os putos.
Como escrevi no
Post anterior, nas contas do Estado português em 2013, depois de todos os
cortes, ainda registou um défice de cerca 8,2 mil milhões de euros; em 2014, se
se cumprir o Orçamento, o que duvido (basta o Tribunal Constitucional chumbar
algumas medidas, como parece que vai fazer), está previsto ainda rondar os 6
mil milhões de euros; e em 2015, segundo o Tratado Orçamental a que o próprio PS
está comprometido, esse défice (2,5% do PIB), terá que rondar, mais coisa menos
coisa, entre os 3 e os 4 mil milhões de euros.
Nas primeiras 15 medidas, as 6 de cariz económico-financeiro, propostas pelo PS para quando for Governo, nesse Novo Rumo, são
as seguintes:
- Acabar com a TSU dos pensionistas (Medida
1)
(Diminuir
Receita e Aumenta Despesa)
- Revogar os cortes no Complemento
Solidário de Idosos (Medida2)
(Aumenta
Despesa)
- Não despedir na função pública
(Medida 3)
(Aumenta ou
mantém Despesa)
- Acabar com a sobretaxa de IRS (Medida
4)
(Diminui
Receita)
- Não aumentar a carga fiscal (Medida
9)
(Mantém Receita)
- Procurar que, no quadro do Tratado
Orçamental, o país chegue a um saldo estrutural de 0,5% do PIB (Medida 13)
(Isto é, ter um superávite nas contas do Estado, de
cerca de 1 000 milhões de euros)
Pergunto eu parvamente:
- Então como é
que é possível, com medidas que parecem não aumentar as Receitas (antes parecem
diminuí-la); e com várias medidas que irão aumentar a Despesa. Como é que se
passa de um Défice de 8,2 mil milhões, para um “superavite” de 1 000 milhões de euros?
Ou eu não sei nada de contas, ou o Tó Zé
tem uma máquina de fazer euros, ou quer fazer de nós, não parvos, mas muito
parvos!
segunda-feira, 19 de maio de 2014
Os números (quase) nunca enganam....
Dizem alguns que
no próximo domingo será a primeira avaliação à governação de Passos Coelho. Eu não concordo. Para a avaliação
efectiva, ainda falta cerca de um ano e meio, agora são eleições para o Parlamento Europeu. No entanto, perante tanta
intoxicação informativa e contra informativa, aqui deixo alguns dados, que pela
sua simplicidade, são de fácil análise e penso que deixam poucas dúvidas sobre
a administração da coisa pública, isto é das contas do Estado.
Dirão alguns: o que
interessam os números? Eu não como números!
Pois será, mas é com eles que nos governamos, digo eu, vocês pensem o que quiserem. Eu estou a fazer a minha parte, e deixo aqui para reflexão, em números reais, que isso de percentagens às vezes são manhosas.
Pois será, mas é com eles que nos governamos, digo eu, vocês pensem o que quiserem. Eu estou a fazer a minha parte, e deixo aqui para reflexão, em números reais, que isso de percentagens às vezes são manhosas.
Ter em conta que
em 2005 o Partido Socialista e José Sócrates chegavam ao governo, saíram a meio
de 2011, e a partir dessa data a governação foi da responsabilidade de Passos Coelho e do
PSD/CDS.
Os dados do
Quadro 1 deixam poucas dúvidas sobre a administração socialista (2005-2010) da
coisa pública: foi aumentar as despesas anuais em 20 mil milhões, enquanto as
receitas não passaram de um acréscimo de 10 mil milhões de euros. Como? Pedindo dinheiro
emprestado, pelo qual pagamos hoje o dobro dos juros do que pagávamos em 2005.
Quanto a análise
entre 2011 e 2013, penso que as dúvidas também são poucas. Em 2013 a Despesa Pública diminuiu
cerca de 9 mil milhões em relação a 2010; e a Receita aumentou perto de 1 000
milhões de euros. E o Défice Público foi, em 2013, menos de metade do que em 2010 (8,2
mil milhões, enquanto em 2010 foi de 17 mil milhões). Ter em conta que, já em 2009 o Défice Público também tinha sido
de 17 mil milhões.
Não faltarão, no entanto, ainda aqueles que dirão, que esta diminuição das Despesas do Estado se fez à
custa de uma diminuição das despesas de investimento, mas no Quadro 2 podemos
verificar que tal não é totalmente verdade. Em 2013 as Despesas Correntes também diminuíram
cerca de 2,5 mil milhões de euros em relação a 2010 (a que se deve adicionar mais
3 mil milhões de euros de juros, das dívidas “socretinas”); e em 2012
a diminuição foi bem maior, cerca de 6 mil milhões.
Em contrapartida,
essas mesmas Despesas Correntes entre 2005 e 2010 com a governação socialista,
aumentaram quase 15 mil milhões de euros!
Quadro 2 - Algumas Despesas da Administração Pública em milhões de euros
Perguntarão
ainda alguns:
- Então sendo assim essa governação tão
brilhante, como pode a dívida aumentar em 52 mil milhões de euros nos três últimos
anos?
A minha opinião é a seguinte. Primeiro essa
governação foi boa mas não foi brilhante. Muitas das Despesas diminuíram à custa de
cortes em despesas com pessoal (Funcionários e Pensionistas), e isso fez muitas
“feridas”. Depois, mesmo com estas contas mais equilibradas, as contas do
Estado continuam a ter défice, e nestes 3 anos, totalizou mais de 26 mil milhões:
2011: 7,4 mil milhões; 2012: 10,7 mil milhões e 2013: 8,2 mil milhões; que
logicamente, se repercute na Dívida.
Parece é que alguns dos nossos políticos ainda não perceberam que enquanto houver défice nas contas do Estado, a dívida terá que continuar a aumentar.
Parece é que alguns dos nossos políticos ainda não perceberam que enquanto houver défice nas contas do Estado, a dívida terá que continuar a aumentar.
Mas mesmo assim,
faltam 26 mil milhões, onde estão?
A resposta parece ser muito simples:
- Cerca
de 16 mil milhões estão em saldo de tesouraria do Estado, que dá para Portugal
sobreviver pelo menos 1 ano (como todos reconhecem e alguns até criticam), em Maio de 2011 quando pedimos ajuda externa, os cofres do
Estado tinham apenas dinheiro para duas semanas;
- Os outros 10 mil milhões, como
toda a gente sabe, e por exigência da “troika”, foram emprestados aos Bancos. Esperemos que eles paguem com juros...
Agora, e daqui a
um ano e meio, as escolhas eleitorais são simples:
- Ou voltamos à governação
socialista;
- Ou acreditamos que vale a pena continuar com estes!
Ainda existem os outros,
mas desses, penso que nem vale a pena falar.
sábado, 17 de maio de 2014
terça-feira, 13 de maio de 2014
Memórias....
Para meu primo António, com quem partilhei
boa parte da minha infância, e que me fez chegar esta “relíquia” perdida no
tempo.
Em cima e ao
fundo, a bancada superior apresenta um efeito de estar apinhada de adeptos
fanáticos. O vento sopra de suão nas quinze bandeiras implantadas na pala, fazendo-as
esvoaçar no sentido da esquerda para a direita. Embora só oito apareçam visíveis,
as restantes também lá estavam. Sumiram-se. Quem sabe se devido à erosão do cenário
por andar de feira em feira, se ao envelhecimento de meio século do retrato que
agora contemplamos. Não faltarão aqueles que, ao observarem a imagem, porão em
dúvida esta peremptória afirmação sobre o sentido do vento, já que, para os
figurantes da imagem, sucede exactamente o contrário. É um pouco como no exame
daquele estudante de anatomia, que quando questionado sobre de que lado, nos
humanos, ficaria o fígado, este, sem que tivesse a mínima ideia, mas sabendo
que tinha cinquenta por cento de hipóteses de acertar, resolveu arriscar que, o
dito, ficava à esquerda! Mas perante a cara de contrariado do examinador, e
vendo que, certamente, teria errado, se apressou a corrigir: bem, meu caro
senhor, fica à esquerda de quem sai, mas, desde que o mundo é mundo, sempre
esteve à direita de quem entra.
Com esta retórica, podemos quiçá, concluir talvez, que na vida, tudo tenha o seu quê de relatividade, e, na maioria das situações relatadas à distância, muitas das descrições, dependem sempre mais do narrador, do que da verdade dos factos ocorridos. Não nos faltam disso exemplos na história dos homens. No entanto, para que não restem dúvidas, pelo menos neste caso, encontrando-se o cenário usado encostado à parede lateral virada a nascente, da igreja de Santo António das Areias, por altura da feira anual de São Marcos em 1970, e que a sul se pode observar o imponente castelo de Marvão, sendo o vento, suão, não sendo crível que o retratista do “olha o passarinho”, se tenha posto no telhado da dita igreja, fácil será concluir, que o vento só poderia soprar no sentido Marvão – Areias, e dali ir assobiando, como tantas vezes faz, até aos confins dos montes hermínios maiores.
Com esta retórica, podemos quiçá, concluir talvez, que na vida, tudo tenha o seu quê de relatividade, e, na maioria das situações relatadas à distância, muitas das descrições, dependem sempre mais do narrador, do que da verdade dos factos ocorridos. Não nos faltam disso exemplos na história dos homens. No entanto, para que não restem dúvidas, pelo menos neste caso, encontrando-se o cenário usado encostado à parede lateral virada a nascente, da igreja de Santo António das Areias, por altura da feira anual de São Marcos em 1970, e que a sul se pode observar o imponente castelo de Marvão, sendo o vento, suão, não sendo crível que o retratista do “olha o passarinho”, se tenha posto no telhado da dita igreja, fácil será concluir, que o vento só poderia soprar no sentido Marvão – Areias, e dali ir assobiando, como tantas vezes faz, até aos confins dos montes hermínios maiores.
Na parte
inferior, a imagem de uma bola, que está ao centro e parece desfrutar do prazer
de repousar sobre um tapete de cor escura, possivelmente verde se o retrato
fosse colorido. Tem aspecto de ser de boa qualidade, talvez de cautchu, o melhor que se dizia existir
naqueles tempos, mas que a rapaziada da minha idade, apelidava de “cabo de chumbo”.
Nada tinha a ver com as de trapo, borracha, ou de plástico, que eram as únicas
a que tinham-mos acesso. Essas tais do cautchu
só as víamos nas fotos dos jornais, ou no cartaz das rifas de cromos da bola do
ti Zé Boto. Nunca percebi porque lhe chamávamos, “cabo de chumbo”? Se era um
portuguesismo do cautchu, tal como
hoje se usam inglesismos a torto e a direito; se era devido ao facto, dos
fundos que amealhávamos, para tentar arrematar a totalidade das rifas finais, onde
saía a tal bola de “cabo de chumbo”, ser proveniente das vendas ao ferro-velho de restos de tubos de chumbo
usados nas canalizações da época. Mas infelizmente, nunca a verba nos chegou
para tal, e assim, a dita, nunca passou de uma ilusão.
Mas o que
sobressaia, verdadeiramente, no cartaz desse cenário na barraca dos feirantes
das festas do São Marcos, era a imagem de duas criaturas humanas, que tinham no
lugar da cabeça dois buracos. Parecia que interpretavam um qualquer bailado
clássico, tal a harmonia que parecia existir em seus gestos. Não havia dúvidas
que se tratavam de figuras masculinas. Não apenas por os membros inferiores
serem muito musculados, ou porque no decote exagerado das camisolas se divisasse
qualquer relevo identificativo de género feminino, mas sobretudo porque,
naquela época, o futebol não era coisa para mulheres.
Seguindo a
teoria em cima enunciada, isto é, o olhar na óptica do observador, a imagem da
criatura da direita enverga uns calções brancos e uma camisola de cor escura,
enquanto a da esquerda parece envergar uns calções pretos e uma camisola com
barras horizontais cinzentas tendo ao peito a insígnia, sem dúvida de um leão.
Na da direita é impossível decifrar o símbolo. No entanto, estas cores não
passam de pura ilusão, com excepção dos brancos e dos pretos. Na realidade, aquilo
que aqui apelidamos de cor escura era de um vermelho berrante como diz a
canção, e, as barras cinzentas da outra eram, para continuar no mundo vegetal,
de um verde alface vivo. Consequências de uma época, como apelidavam alguns, de
um tempo cinzento, ou ainda, mais concretamente, por a arte ainda viver na era
da tecnologia das sombras, e essas, como sabemos, sempre foram a pretas e
brancas e cinzentas.
Mas deixemo-nos
desde hábito tão português de nos fixarmos no supérfluo, e vamos ao essencial,
que já vai longa a história, e, talvez a coisa não valha tanto. O que
representava esse cartaz era um cenário imaginário de um jogo de pontapé na
bola, e que fruto de mais um inglesismo, passou a ser denominado por estas
paragens, de fut-e-bol. Os
protagonistas são duas figuras que representam os dois grandes clubes rivais de
Portugal por essa época: o da esquerda o Sporting e o da direita o Benfica.
Tinham estas figuras no lugar do crânio, como já dissemos atrás, um buraco de
formato oval, onde a rapaziada, envaidecida, enfiava a fronha, e assim podiam
gabar-se aos incautos amigos: “olhe aqui eu quando jogava no Benfica, diziam os
lampiões; ou no Sporting, reclamavam os do lado dos lagartos”.
Neste caso, os
donos desses crânios eram dois rapazinhos: o João e o António, primos entre si,
já que o pai de um e a mãe de outro tinham nascido irmãos na década de vinte do
século passado, ali para os lados Pego Ferreiro, no seio de uma família de
moleiros. Tinham nessa altura treze anos de idade. António fê-los nesse mesmo
dia, João já levava 22 dias de avanço. Já ambos trabalhavam por conta de
outrem: João na arte de fazer sapatos, António na arte de fazer pão, e foi com
os proveitos que daí lhes advinham, que puderam pagar, cada um, os cinco mil
reis que lhes custou o efígie que agora contemplamos.
A sua história
comum havia começado por alturas do estio de 1956, quando Luísa, futura mãe de
João, sentindo falta das regras já há
mais de quinze dias, demandou a casa de sua cunhada Emília, futura mãe de
António, perguntando-lhe se esta não conheceria qualquer coisa que repusesse as
coisas no sítio, mas Emília, tão
embaraçada quanto Luísa, responder-lhe-ia apoquentada: ai mana, eu acho que
estou na mesma! E sendo tais aqueles tempos, que foi assim que as duas, nove
meses depois, e com um intervalo de três semanas, viriam a dar à luz os dois
cromos que aqui contemplamos.
Viveram os dois
primos uma infância comum até aos cinco anos de idade, como se de irmãos gémeos
se tratassem, já que suas casas na Ribeira da Ponte Velha, distanciavam poucas
centenas de metros: a de João no moinho do Balcão, a de António, um pouco mais
a sul, no sítio da Carapeta. O seu percurso de vida, durante este período, foi
idêntico ao de tantas outras crianças daquele tempo que cresciam em liberdade
pelos campos, carecendo e reclamando de seus progenitores, pouco mais que o satisfazer das necessidades de alimentação, e de alguma escassa higiene já que o rio estava
mesmo ali à mão. Nem faltou a estes dois, por volta dos quatro anos de idade, o
seu episódio bíblico de irmãos desavindos, que segundo a mãe de João, só não
teve o mesmo desenlace, porque ela terá chegado a tempo de o evitar, quando um
certo dia António, sempre mais matulão e pujante, tendo já seu primo João
pequenino sob seu corpo, se preparava de calhau empunhado, para, possivelmente,
lhe dar o destino que Caim terá dado a Abel. Sempre algumas mães chegam na
altura certa. Ao contrário daquela mãe da bíblia, que parece, quando chegou, já
os correligionários de seu filho lhe haviam dado a morte. Coisas do mundo.
Felizmente que
não foi o caso deste nosso João, que aqui vemos, por altura da feira do São
Marcos, retratado com corpo emprestado de um «Peres ou um Lourenço», equipando “à
Sporting”, que nesse ano haveria de ser campeão nacional. Certamente por isso,
nem se importou de ceder a imagem representativa do seu clube do coração, “o
glorioso”, a seu primo António, que aqui aparece numa pose de fazer inveja a «Humberto
ou Toni», os craques benfiquistas da época, mas que nesse ano, quem sabe se devido a este "reforço", tiveram que se
contentar com o segundo lugar do campeonato.
segunda-feira, 12 de maio de 2014
quinta-feira, 8 de maio de 2014
terça-feira, 6 de maio de 2014
Coisas muito feias (4)
E agora Presidente?
Tal como aqui expus,
nos três artigos que precederam este com os mesmos títulos - Coisas muito feias, a história do consulado de Vítor Frutuoso na
Câmara Municipal de Marvão, por muito meritória que venha a ser, ficará
sempre manchada por este triste episódio de promiscuidade entre as relações da gestão da
coisa pública e as relações com "agentes" que moem dois carrinhos.
Os novos factos, vindos agora
a público provam, que tudo o que aqui escrevi, era verdadeiro, e se o senhor
Presidente andasse um pouco mais atento, talvez lhe evitasse alguns
contratempos que se advinham.
Em
resumo, para recordar os mais esquecidos ou aqueles que só agora tenham
contacto com o sucedido, o que se passou foi que uma Empresa (Sabores do Norte
Alentejano) da qual era sócio um Vereador (José Manuel Pires) que detinha uma
quota de 25% do seu capital (superior aos 10% permitido por lei para poder candidatar-se a concurso), concorreu a um concurso público da Câmara
Municipal de Marvão (onde nem sequer deveria ter sido aceite a concurso), da
qual era Vereador em Regime de Permanência.
O que se seguiu
é um imbróglio de ignorâncias e incompetências (para não lhe chamar outras
coisas), típico da política à portuguesa.
Um bem público (o Restaurante da
Piscina) propriedade da Câmara Municipal, é cedido em “Contrato de Cessão”, à
Firma do senhor vereador. Por ignorância da lei (?), a Vereação e os Serviços Técnicos
de apoio, acharam que os concursos apenas são regulados pelo Código de Procedimento Administrativo (CPA), e para tal, bastava apenas que o senhor vereador não tomasse
parte na decisão (quando existem até fortes indícios que até isso
aconteceu, recorrendo-se, posteriormente, a emendas e alterações abusivas de
uma tal Acta, que até esteve publicada no site da autarquia, onde se dizia, que a
decisão tinha sido tomada por unanimidade).
Perante denúncia
às autoridades competentes, decorre um processo no Tribunal Judicial de Castelo
de Vide (de que resultou as buscas da Polícia Judiciária), e não apenas no
Tribunal Administrativo de Castelo Branco como o senhor Presidente quer fazer
querer. Sendo que, em causa, não está apenas um mero não cumprimento do CPA,
mas também, e sobretudo, o não cumprimento da Lei das Incompatibilidades dos Eleitos Locais.
Soube-se agora,
através de Documentos levados à última Reunião de Câmara, que mesmo perante
toda esta trapalhada, e quando o bom
senso aconselharia o senhor Vereador e os seus familiares directos a saírem deste
processo o mais rápido possível, que
está a por em causa todos os Membros da Câmara, tiveram ainda a desfaçatez, de virem requerer, a “renovação do dito
contrato para mais 3 anos”, como se pode ver na Figura 1.
Figura 1 - Pedido de renovação do Contrato de Cessão do Bar das Piscinas
Para que tal
sucedesse, alegaram que o Senhor Vereador, já havia passado a sua parte da Quota na Empresa para a sua mãe e seu irmão (??). Como se estes não fossem seus familiares
colaterais em 1º ou 2º Grau, logo, também fora da lei, incorrendo na mesma ilegalidade, e alegando ainda, que
tinham um "parecer jurídico" dizendo que tal era legal (mas que nunca apresentaram, segundo se pode ler na Proposta que o Presidente levou a Reunião de Câmara).
No entanto,
parece que desta vez Vítor Frutuoso acordou, e resolveu pedir um parecer
jurídico a um Jurista! E claro, até
uma criança de colo adivinhava o resultado, e as principais conclusões, desse
parecer, são bem explícitas, como se pode ver na Figura 2:
Figura 2 - Conclusões do parecer jurídico pedido por Vítor Frutuoso
(No final deste Post, para os mais curiosos, publico
na integra o Parecer)
Perante este
parecer arrasador para todo o processo da Câmara Municipal de Marvão, ao Presidente Vítor Frutuoso, não restou outra hipótese que levar à
última Reunião de Câmara uma Proposta para a não renovação do referido
contrato, como se pode ver na Figura 3:
Figura 3 - Proposta do Presidente para não renovação do Contrato com Empresa "Sabores do Norte Alentejano Lda"
Conclui-se assim,
estarmos na presença de mais uma triste história de exercício do Poder Local, e
para que a culpa não morra solteira (como dizia o outro), e para além das
consequências do processo judicial a decorrer (que há-de dar em nada, como
todos os processos idênticos em Portugal), aqui deixo algumas das minhas
reflexões, e alertas, para não pensarem que nos comem por parvos:
1- O Presidente
sempre tentou fazer querer, tanto neste processo como no Depósito de Água, que não sabia que as Empresas eram do
senhor Vereador. Se o Vereador nunca lhe disse, isso é uma quebra de lealdade
do Vereador. E se lhe disse (porque disse, pelo menos através dos documentos
que entregou, e que eram do conhecimento público), é uma incompetência do
Presidente e dos seus assessores!
2 – Se todo o
Processo era tão claro, e não precisava de ser nenhum Jurista a vir fazer um
parecer, eu próprio, já em Fevereiro de 2014, aqui havia escrito a conclusão a que chegou agora esse parecer, por que carga de água andou o
Presidente a inventar desculpas, não investigou imediatamente, não pediu mais cedo o parecer jurídico, e tomou
decisões?
3 – Se o
Presidente sente que foi enganado, num processo que pode levar à perda de
mandato (do vereador ou de toda a vereação), que até já alegou para não renovar o referido contrato que esse processo sofre de “vícios” (quais?), que consequências
institucionais e políticas pensa tirar?
Para mim as
coisas são bem claras, e se isto fosse uma democracia séria e um estado de direito, deveriam acarretar responsabilidades e as respectivas
consequências, que em minha opinião seriam:
- Ou o Vereador
com dignidade e humildade, antes que as coisas se tornem insustentáveis,
deveria pedir a demissão para não arrastar todo o Executivo.
- Ou o
Presidente acha que houve quebra de lealdade institucional, e deveria retirar a
confiança política e respectivo estatuto de Vereador em Permanência a José Manuel Pires. Se o não
fizer, pelo menos não se irá livrar da fama, de ser conivente, com a situação. Sendo ele o primeiro responsável perante a justiça.
- E a Oposição
política ao Executivo? Se se calar, é porque consente...
Segue-se o parecer jurídico, na íntegra, do
Jurista da CIMMA:
domingo, 4 de maio de 2014
Mãe...
A minha mãe é a
mãe mais bonita, desculpem, mas é a maior!
Não admira, foi
por mim escolhida, e o meu gosto, é o melhor. E esta é a canção mais feliz, feliz
eu, que a posso cantar. É o meu maior grito de vida, foi o seu grito, o meu
despertar.
Canção de mãe, é sorrir, canção de berço de embalar, melodia de dormir, mãe ternura a aconchegar. Canção de mãe é sorrir, gosto de ver e ouvir, voz imagem de sonhar. Imagem viva lembrança, que faz de mim a criança, que gosta de recordar...
Canção de mãe, é sorrir, canção de berço de embalar, melodia de dormir, mãe ternura a aconchegar. Canção de mãe é sorrir, gosto de ver e ouvir, voz imagem de sonhar. Imagem viva lembrança, que faz de mim a criança, que gosta de recordar...
A minha mãe é a
mãe mais amiga, certeza, com que eu posso contar. E nem por isso, sou a imagem
que queria, mas sempre me soube aceitar. Razão de mãe é dizer, mãe cuidado a
aconselhar, os cuidados que hei-de ter, as defesas a cuidar.
Saudade mãe é
escrever, carta que eu vou receber, notícia de me alegrar. Cartas visitas
encontros, essa troca que nós somos, este prazer de trocar:
Canção de mãe é
sorrir
Gosto de ver e
ouvir
A ternura de
cantar....terça-feira, 29 de abril de 2014
Profetas do optimismo (1)
- O Projecto de “Marvão
a Património Mundial" entrou agora na fase de velocidade de cruzeiro!!!
(Afirmação do
Presidente Vítor Frutuoso na Assembleia Municipal de 24 de Abril de 2014)
O mundo dos outros...
No rescaldo de
mais uma comemoração do 25 de Abril não posso deixar de aqui partilhar este
texto fabuloso que tirei daqui:
Desfile comemorativo em 25 de Abril de 2014
por Rui Rocha.
"Freitas do
Amaral à direita. Também à frente Mário Soares. Soares a falar sempre de Mário
Soares, ainda que pareça falar de outros. O coiso era meu amigo. O tal um
democrata. Que passou uns dias em minha casa. E por aí adiante. Um pouco atrás
Cavaco, arrastando as botas. Passos Coelho preso ao casaco de Cavaco por uma
guita. Vai pronunciando frases vazias.
Freitas do Amaral ao centro. Passos Coelho dizendo umas coisas sobre a iniciativa privada. Outras em murmúrio sobre o estado social. Um exército de formigas cede logo às primeiras palavras. As formigas retrocedem, desmotivadas. Alegre proclama. Alegre declama. Alegre exclama. Alegre rima: o tiroliro está lá em cima. Jorge Sampaio ouve e toma notas. No próximo discurso dirá o mesmo em mais cinco mil e quatrocentas palavras. O exército de formigas acelera a marcha em sentido contrário. Sócrates tem um cartaz com a fotografia de Sócrates. Pinto Monteiro tem um cartaz com a fotografia de Sócrates.
Freitas do Amaral ao centro. Passos Coelho dizendo umas coisas sobre a iniciativa privada. Outras em murmúrio sobre o estado social. Um exército de formigas cede logo às primeiras palavras. As formigas retrocedem, desmotivadas. Alegre proclama. Alegre declama. Alegre exclama. Alegre rima: o tiroliro está lá em cima. Jorge Sampaio ouve e toma notas. No próximo discurso dirá o mesmo em mais cinco mil e quatrocentas palavras. O exército de formigas acelera a marcha em sentido contrário. Sócrates tem um cartaz com a fotografia de Sócrates. Pinto Monteiro tem um cartaz com a fotografia de Sócrates.
Freitas do
Amaral está agora à esquerda. Já teve um cartaz com a fotografia de Sócrates.
Teixeira dos Santos vai lá mais para trás. Tenta contar os participantes no
desfile. E falha. Eanes foi convidado mas imperativos morais impedem-no de
participar. Relvas está ao telemóvel. Vítor Gaspar ouve Alegre e toma notas.
Há-de dizer dois ou três dos versos de Alegre demorando o mesmo tempo que
levará Jorge Sampaio a ler o seu discurso. Seguro promete que quando chegarem
ao fim da rua farão o percurso inverso. Aliás, indigna-se, deviam ter feito o
desfile numa rua paralela.
Freitas do
Amaral está agora do seu lado direito. Perdão. Acabou de colocar-se do seu lado
esquerdo. O exército de formigas já desapareceu completamente do campo de
visão. Passos Coelho tem uma visão. Comprou-a ontem no quiosque. Comprou também
a Caras e a Guia do Automóvel. Aguiar Branco vai de braço dado com Poiares
Maduro. Otelo cumprimenta a filha de Marcello Caetano com um beijo. Jerónimo de
Sousa distribui doces às criancinhas. Ajuda-se com uma bengala de cego. Nunca
soube, nunca viu. O Bloco de Esquerda optou por participar na modalidade de 400 metros estafetas.
Assim ficam representadas todas as tendências e sensibilidades.
O desfile
começou há exactamente quinze minutos. Relvas fechou três negócios e concluiu
duas licenciaturas nesse período de tempo. Sócrates concluirá mais uma no
próximo Domingo. Marques Mendes prevê chuva. Acerta em cheio.
Freitas do
Amaral abriga-se com o guarda-chuva de Vasco Lourenço que desfila em
representação do Grande Oriente Lusitano. Perdão. Freitas está agora debaixo do
guarda-sol de Eduardo Catroga que desfila em representação de si mesmo. César
das Neves vergasta-se enquanto caminha. Mas mantém o sorriso. Compraz-se na
mortificação do cilício. Isabel Jonet entrega um quilo de arroz carolino a um
professor tornado indigente enquanto diz umas palavras a um repórter. Armando
Vara segue às cavalitas de José Lello. Cavaco fala do mar. Soares fala da
subida dos oceanos. Nomeadamente daqueles que desaguam à porta de sua casa.
Passos Coelho fala de submarinos. Portas de contribuintes, agricultores,
militares e pensionistas. Marcelo Rebelo de Sousa fala. Jorge Sampaio discursa.
Freitas do
Amaral adapta o discurso enquanto inicia um movimento em diagonal. O bispo que
representa a Igreja Católica tem andado sempre atrás dele. Eanes, que por
imperativo moral afinal sempre veio, cala. Guterres dialoga. Durão Barroso
abandona. Santana Lopes fica. Oliveira e Costa aproveita um momento de
distracção do professor indigente e abifa-se com o quilo de arroz carolino que
Jonet lhe tinha dado. Desta vez, Armando Vara foi menos veloz. D. Januário é o
único que desfila armado. Otelo distribui beijinhos. Jerónimo de Sousa leva uma
criancinha às cavalitas. Ricardo Salgado segue com as mãos nos bolsos. A
direita no de Passos Coelho. A esquerda no de Seguro.
O exército de formigas recolheu há muito ao formigueiro."
O exército de formigas recolheu há muito ao formigueiro."
domingo, 27 de abril de 2014
VPV ou VQPRD?
Fez grande
alarido, por estes dias, entre os intelectualoides
da esquerda portuguesa uma entrevista de Vasco Pulido Valente (VPV) ao jornal
i, onde tece algumas considerações, pouco abonatórias, sobre alguns dogmas
absolutos na lusa sociedade, entre outras que: "a estupidez humana é
infinita e a estupidez portuguesa ainda consegue ser maior”,
referindo-se ao facto de ninguém na Europa se responsabilizar pela crise global,
e ao facto de, “a esquerda andar por aí a dizer que há outras maneiras” de a
resolver além do Tratado Orçamental, quando “não há”. E dizer ainda
que “não
devemos nada aos capitães de Abril”, etc., etc.
Da avareza de
VPV já nada me espanta, ao ponto de eu também nunca ter tido qualquer admiração
por ele, tanto da personagem, como da sua escrita, e muito menos das suas
ideias. Como dizia o outro: “tem um
mijar muito longe do meu”! Mas daí, ao que se disse da criatura, e à importância
que se lhe dá, é mesmo de quem, certamente, anda a querer expiar muitos pecados
que não são dele, e, arranjar um “bode respiratório”, como ainda, outro também
dizia.
Então mas foi o VPV que levou a casa a 3 bancarrotas
em 40 anos de vida do país?
E alguém dessa
gente que anda por aí, como cães raivosos, a morder em tudo o que mexe se
deteve a analisar o que dizem, e a coerência do que dizem, personagens com
grandes responsabilidades na situação a que chegámos, tais como: Mário Soares,
Freitas do Amaral, Vítor Constâncio, Jorge Sampaio, Vasco Lourenço, Cavaco
Silva, José Sócrates, Manuela Ferreira Leite, Bagão Felix, Marques Mendes, Otelo,
etc., etc?
De
facto, VPV, é mesmo um “idiota bêbado”! Então mas ele não vê, que a espécie
humana, é o supra sumo da natureza (feitos à imagem de deus nosso senhor)! E a
organização social do povo português e os seus indicadores de vida que
resultam deste regime, são das coisas mais evidentes, e dignas de serem
apontadas como exemplo mundial?
.
E quanto à esquerda, suas raízes e
satélites? Aí é que o homem está completamente "gagá"!
Como se atreve a dizer algo de tão impoluta gente? Das consequências da sua governação? Ou da sua responsabilidade sobre a situação em que se encontra Portugal? Gente essa, cujos líderes, o pantaleão nacional terá que ter, no futuro, o tamanho de metade do país para sepultar tão nobre gente, quando deixarem de nos fazer tão boas e prestimosas acções, da nossa felicidade suprema, bem como o seu contributo para Portugal seja uma espécie de paraíso terrestre?
sexta-feira, 25 de abril de 2014
O mundo dos outros...
Como te invejo meu caro Pedro por este texto, e quanto gostaria de ser eu escrevê-lo, tanto nele me revejo. Por isso não resisti, exactamente neste dia, a reproduzi-lo:
Meu Capitão
por Pedro Correia in Delito de Opinião
Salgueiro Maia fotografado por Eduardo Gageiro (Lisboa, 25 de Abril de 1974)
"Um verdadeiro herói nunca se considera
herói. Cumpre o seu dever não por ser um dever mas por urgente imperativo de
consciência. Dá o nome, a cara, o peito às balas e se for preciso a vida pela
causa que crê ser mais justa entre todas as causas.
Um verdadeiro herói pensa em si próprio só
depois de pensar nos outros. Avança sem temor com a noção exacta de que joga
tudo numa ínfima fracção de tempo -- conforto, carreira, promoções, anonimato.
Ficando a partir daí exposto ao escárnio imbecil de todos os cobardes --
aqueles que nunca dão um passo fora do perímetro de segurança mas quando a
poeira assenta logo surgem muito expeditos a julgar os outros. A julgar aqueles
como tu: os que arriscam, os que experimentam, os que se atrevem a romper as
malhas de um quotidiano medíocre. Os que trocam a palavra eu pela palavra nós.
Os que nunca se conformam.
Um verdadeiro herói é aquele que deixa a sua
impressão digital nas insondáveis rotas do destino humano. Tu ousaste mudar um
país. Não pelo sangue, não pelo ódio, não pela intriga -- mas pelo gesto, pelo
rasgo, pelo exemplo. Sabendo como é ténue a fronteira entre glória e drama
quando alguém irrompe de madrugada pronto a desafiar os guiões da História.
Foste um herói ao comandar a patrulha da
alvorada, Fernando Salgueiro Maia. Voltaste a ser um herói quando decidiste
retirar-te ao pôr-do-sol deixando outros pavonear-se sob o clarão dos
holofotes. Recusaste ficar exposto na vitrina. Recusaste servir de bandeira.
Recusaste ser "vanguarda revolucionária". Recusaste ser antigo
combatente. Recusaste dar pretextos para dividir. Tu que foste um poderoso
traço de união entre os portugueses naquelas horas irrepetíveis em que tudo
podia acontecer.
Saíste do palco: aquela peça já não te dizia
respeito.
- Eternamente graduado no posto de capitão da liberdade."
quinta-feira, 24 de abril de 2014
A minha mensagem para 25 de Abril
Cravo vermelho
ao peito a muitos fica bem, sobretudo faz jeito, a certos filhos da mãe.
Não importa quem
eles eram, não importa quem eles são, nem todo o mal que fizeram! Mas sempre a
bem da Nação.
E chegado o dia
novo, chegada a bendita hora, vestiram uma pele de povo, ficou-lhes o rabo de
fora. E aquele administrador promovido a democrata, sempre exaltou o suor,
arrecadando ele a prata.
Também veio o
fura greves, lacaio dos senhores de então, pois pode bem ser que às vezes se
arranje um novo patrão. E os cultores da sapiência, intelectuais de alto nível,
tranquilizando a consciência, o mais à “esquerda” possível.
Cravo vermelho
ao peito a muitos fica bem, sobretudo faz jeito, a certos filhos da mãe!
Abril também é isto...
Maior vergonha da democracia portuguesa. Se a isto juntarmos os negócios das PPP´s, e as promiscuidades das consultadorias com escritórios de advogados que moem "2 carrinhos", estamos na presença do maior cancro que nos devora.
As perguntas que se fazem são onde andavam, os agora tão activos, Supervisores da democracia:
- Banco de Portugal (Vítor Constâncio)?
- Tribunal de Contas?
- Tribunal Constitucional?
As perguntas que se fazem são onde andavam, os agora tão activos, Supervisores da democracia:
- Banco de Portugal (Vítor Constâncio)?
- Tribunal de Contas?
- Tribunal Constitucional?
Como é que eles hão-de querer ser fiscalizados pela "troica"!!!!
quarta-feira, 23 de abril de 2014
Vamos voltar ao “forrobodó”...
Durante 3 anos
aqueles que nos emprestaram dinheiro e nos safaram de mais uma “banca rota” vão-se finalmente, dizem
alguns, muito optimistas.
Durante estes 3
anos assistimos, a um grunhido constante,
por parte daqueles que foram os grandes responsáveis (por gestão ruinosa e
danosa) de, em Maio de 2011, o
Estado não ter dinheiro para sobreviver mais de 10 dias. Isto é, senão tivesse havido o "empréstimo", não haveria
uma redução de salários e de pensões de 20 ou 30%, como se verificou, mas pura
e simplesmente, ter-se-ia chegado a meados do mês de Junho de 2011, e toda essa
mole de mais de 4 milhões de fregueses que vivem desse Estado, não teriam nada nem ninguém, que lhes pagasses a féria.
Pena foi que tal
não tivesse acontecido (pelo menos temporariamente), para muitos saberem o que
isso é, e identificarem, logo ali, os responsáveis. Bastaria para isso que não
se recorresse ao tal “pato de agressão”
como dizem os comunistas e bloquistas, ou que a tal maldita “troica”, que mesmo
pedindo, nos mandasse às urtigas, e veríamos o que isso era. Que fariam nessa altura as UGT´s, as CGTP`s, os indignados, e outros? Mas, sobretudo, o que seria das crianças senhor, que como dizia o outro, nenhuma culpa têm!
Claro que, e
mais uma vez, como já aconteceu no passado, esse mesmo Estado não se reformou
em nada, recorreu-se a meras medidas de recauchutagem, que todos querem como
temporárias, cortando no mais fácil (agora não para inglês ver, mas para à troica
parecer), e a partir de Maio, Portugal estará liberto, como dizem outros.
É por isso que
oiço com muita apreensão algumas vozes que por aí andam já a lançar foguetes.
Se fosse apenas
por parte da oposição irresponsável socialista, que há muito enveredou por uma
campanha populista vergonhosa, jogando com a pouca memória do povo português,
que apenas querem voltar ao tal “maceirão” do Estado a qualquer preço, para que
os seus boys se saciem da dieta de 4 anos, ainda compreendia.
Agora o presidente
Cavaco, que ontem veio falar “em dividendos orçamentais” (o quê senhor
presidente? E o deficit? E a dívida?), que é tempo de compensar reformados e
funcionários públicos, pelos sacrifícios feitos! E que hoje, até o nosso
primeiro Coelho, veio anunciar que “os próximos 3 anos nada terão a ver com
estes últimos...”!!!
Tudo isto faz-me
lembrar uma pequena história pessoal que vivi há cerca de 20 anos e que resumo
da seguinte maneira:
“Em 1996 fui eleito para presidir à Direcção
de uma pequena Instituição que se vinha individuando progressivamente nos últimos
5 anos da sua vida (média do deficit de cerca de 6% ao ano), atingindo nessa
data um montante que rondava os 20 000 euros (4 000 contos em moeda da época),
e que representavam cerca de 25% das receitas anuais da Instituição.
Nos primeiros 2 anos dessa governação, a
Instituição manteve praticamente todas as actividades (com alguma austeridade, é
verdade) mas pagou completamente toda a dívida. Sem chamar “agiotas” ou “ladrões”
aos credores, antes um tratamento com respeito e muita consideração!!!
Essa gestão manteve-se por mais 2 anos, e no
ano de 2000 quando terminou, ficaram nos cofres um Saldo efectivo de 2 600
euros.
A
governação que nos substituiu, 3 meses depois, andava a pedir empréstimos bancários!!!
Quando voltei à gestão dessa Instituição em 2008
as dívidas já eram novamente de 12 000 euros (tendo a gestão que nos precedeu já
amortizado mais 7 500 euros). Quando saímos em 2010 o Saldo efectivo deixado
era cerca de 10 000 euros.”
Questiono eu:
- Não será
melhor a tal “troica” ficar por cá mais uns 20 anitos, para ver se esta gente põe
juízo na carola? Ou será que temos que mesmo bater na parede para ver que isso aleija
a sério?
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