Pró ano não falha!!!
segunda-feira, 12 de maio de 2014
quinta-feira, 8 de maio de 2014
terça-feira, 6 de maio de 2014
Coisas muito feias (4)
E agora Presidente?
Tal como aqui expus,
nos três artigos que precederam este com os mesmos títulos - Coisas muito feias, a história do consulado de Vítor Frutuoso na
Câmara Municipal de Marvão, por muito meritória que venha a ser, ficará
sempre manchada por este triste episódio de promiscuidade entre as relações da gestão da
coisa pública e as relações com "agentes" que moem dois carrinhos.
Os novos factos, vindos agora
a público provam, que tudo o que aqui escrevi, era verdadeiro, e se o senhor
Presidente andasse um pouco mais atento, talvez lhe evitasse alguns
contratempos que se advinham.
Em
resumo, para recordar os mais esquecidos ou aqueles que só agora tenham
contacto com o sucedido, o que se passou foi que uma Empresa (Sabores do Norte
Alentejano) da qual era sócio um Vereador (José Manuel Pires) que detinha uma
quota de 25% do seu capital (superior aos 10% permitido por lei para poder candidatar-se a concurso), concorreu a um concurso público da Câmara
Municipal de Marvão (onde nem sequer deveria ter sido aceite a concurso), da
qual era Vereador em Regime de Permanência.
O que se seguiu
é um imbróglio de ignorâncias e incompetências (para não lhe chamar outras
coisas), típico da política à portuguesa.
Um bem público (o Restaurante da
Piscina) propriedade da Câmara Municipal, é cedido em “Contrato de Cessão”, à
Firma do senhor vereador. Por ignorância da lei (?), a Vereação e os Serviços Técnicos
de apoio, acharam que os concursos apenas são regulados pelo Código de Procedimento Administrativo (CPA), e para tal, bastava apenas que o senhor vereador não tomasse
parte na decisão (quando existem até fortes indícios que até isso
aconteceu, recorrendo-se, posteriormente, a emendas e alterações abusivas de
uma tal Acta, que até esteve publicada no site da autarquia, onde se dizia, que a
decisão tinha sido tomada por unanimidade).
Perante denúncia
às autoridades competentes, decorre um processo no Tribunal Judicial de Castelo
de Vide (de que resultou as buscas da Polícia Judiciária), e não apenas no
Tribunal Administrativo de Castelo Branco como o senhor Presidente quer fazer
querer. Sendo que, em causa, não está apenas um mero não cumprimento do CPA,
mas também, e sobretudo, o não cumprimento da Lei das Incompatibilidades dos Eleitos Locais.
Soube-se agora,
através de Documentos levados à última Reunião de Câmara, que mesmo perante
toda esta trapalhada, e quando o bom
senso aconselharia o senhor Vereador e os seus familiares directos a saírem deste
processo o mais rápido possível, que
está a por em causa todos os Membros da Câmara, tiveram ainda a desfaçatez, de virem requerer, a “renovação do dito
contrato para mais 3 anos”, como se pode ver na Figura 1.
Figura 1 - Pedido de renovação do Contrato de Cessão do Bar das Piscinas
Para que tal
sucedesse, alegaram que o Senhor Vereador, já havia passado a sua parte da Quota na Empresa para a sua mãe e seu irmão (??). Como se estes não fossem seus familiares
colaterais em 1º ou 2º Grau, logo, também fora da lei, incorrendo na mesma ilegalidade, e alegando ainda, que
tinham um "parecer jurídico" dizendo que tal era legal (mas que nunca apresentaram, segundo se pode ler na Proposta que o Presidente levou a Reunião de Câmara).
No entanto,
parece que desta vez Vítor Frutuoso acordou, e resolveu pedir um parecer
jurídico a um Jurista! E claro, até
uma criança de colo adivinhava o resultado, e as principais conclusões, desse
parecer, são bem explícitas, como se pode ver na Figura 2:
Figura 2 - Conclusões do parecer jurídico pedido por Vítor Frutuoso
(No final deste Post, para os mais curiosos, publico
na integra o Parecer)
Perante este
parecer arrasador para todo o processo da Câmara Municipal de Marvão, ao Presidente Vítor Frutuoso, não restou outra hipótese que levar à
última Reunião de Câmara uma Proposta para a não renovação do referido
contrato, como se pode ver na Figura 3:
Figura 3 - Proposta do Presidente para não renovação do Contrato com Empresa "Sabores do Norte Alentejano Lda"
Conclui-se assim,
estarmos na presença de mais uma triste história de exercício do Poder Local, e
para que a culpa não morra solteira (como dizia o outro), e para além das
consequências do processo judicial a decorrer (que há-de dar em nada, como
todos os processos idênticos em Portugal), aqui deixo algumas das minhas
reflexões, e alertas, para não pensarem que nos comem por parvos:
1- O Presidente
sempre tentou fazer querer, tanto neste processo como no Depósito de Água, que não sabia que as Empresas eram do
senhor Vereador. Se o Vereador nunca lhe disse, isso é uma quebra de lealdade
do Vereador. E se lhe disse (porque disse, pelo menos através dos documentos
que entregou, e que eram do conhecimento público), é uma incompetência do
Presidente e dos seus assessores!
2 – Se todo o
Processo era tão claro, e não precisava de ser nenhum Jurista a vir fazer um
parecer, eu próprio, já em Fevereiro de 2014, aqui havia escrito a conclusão a que chegou agora esse parecer, por que carga de água andou o
Presidente a inventar desculpas, não investigou imediatamente, não pediu mais cedo o parecer jurídico, e tomou
decisões?
3 – Se o
Presidente sente que foi enganado, num processo que pode levar à perda de
mandato (do vereador ou de toda a vereação), que até já alegou para não renovar o referido contrato que esse processo sofre de “vícios” (quais?), que consequências
institucionais e políticas pensa tirar?
Para mim as
coisas são bem claras, e se isto fosse uma democracia séria e um estado de direito, deveriam acarretar responsabilidades e as respectivas
consequências, que em minha opinião seriam:
- Ou o Vereador
com dignidade e humildade, antes que as coisas se tornem insustentáveis,
deveria pedir a demissão para não arrastar todo o Executivo.
- Ou o
Presidente acha que houve quebra de lealdade institucional, e deveria retirar a
confiança política e respectivo estatuto de Vereador em Permanência a José Manuel Pires. Se o não
fizer, pelo menos não se irá livrar da fama, de ser conivente, com a situação. Sendo ele o primeiro responsável perante a justiça.
- E a Oposição
política ao Executivo? Se se calar, é porque consente...
Segue-se o parecer jurídico, na íntegra, do
Jurista da CIMMA:
domingo, 4 de maio de 2014
Mãe...
A minha mãe é a
mãe mais bonita, desculpem, mas é a maior!
Não admira, foi
por mim escolhida, e o meu gosto, é o melhor. E esta é a canção mais feliz, feliz
eu, que a posso cantar. É o meu maior grito de vida, foi o seu grito, o meu
despertar.
Canção de mãe, é sorrir, canção de berço de embalar, melodia de dormir, mãe ternura a aconchegar. Canção de mãe é sorrir, gosto de ver e ouvir, voz imagem de sonhar. Imagem viva lembrança, que faz de mim a criança, que gosta de recordar...
Canção de mãe, é sorrir, canção de berço de embalar, melodia de dormir, mãe ternura a aconchegar. Canção de mãe é sorrir, gosto de ver e ouvir, voz imagem de sonhar. Imagem viva lembrança, que faz de mim a criança, que gosta de recordar...
A minha mãe é a
mãe mais amiga, certeza, com que eu posso contar. E nem por isso, sou a imagem
que queria, mas sempre me soube aceitar. Razão de mãe é dizer, mãe cuidado a
aconselhar, os cuidados que hei-de ter, as defesas a cuidar.
Saudade mãe é
escrever, carta que eu vou receber, notícia de me alegrar. Cartas visitas
encontros, essa troca que nós somos, este prazer de trocar:
Canção de mãe é
sorrir
Gosto de ver e
ouvir
A ternura de
cantar....terça-feira, 29 de abril de 2014
Profetas do optimismo (1)
- O Projecto de “Marvão
a Património Mundial" entrou agora na fase de velocidade de cruzeiro!!!
(Afirmação do
Presidente Vítor Frutuoso na Assembleia Municipal de 24 de Abril de 2014)
O mundo dos outros...
No rescaldo de
mais uma comemoração do 25 de Abril não posso deixar de aqui partilhar este
texto fabuloso que tirei daqui:
Desfile comemorativo em 25 de Abril de 2014
por Rui Rocha.
"Freitas do
Amaral à direita. Também à frente Mário Soares. Soares a falar sempre de Mário
Soares, ainda que pareça falar de outros. O coiso era meu amigo. O tal um
democrata. Que passou uns dias em minha casa. E por aí adiante. Um pouco atrás
Cavaco, arrastando as botas. Passos Coelho preso ao casaco de Cavaco por uma
guita. Vai pronunciando frases vazias.
Freitas do Amaral ao centro. Passos Coelho dizendo umas coisas sobre a iniciativa privada. Outras em murmúrio sobre o estado social. Um exército de formigas cede logo às primeiras palavras. As formigas retrocedem, desmotivadas. Alegre proclama. Alegre declama. Alegre exclama. Alegre rima: o tiroliro está lá em cima. Jorge Sampaio ouve e toma notas. No próximo discurso dirá o mesmo em mais cinco mil e quatrocentas palavras. O exército de formigas acelera a marcha em sentido contrário. Sócrates tem um cartaz com a fotografia de Sócrates. Pinto Monteiro tem um cartaz com a fotografia de Sócrates.
Freitas do Amaral ao centro. Passos Coelho dizendo umas coisas sobre a iniciativa privada. Outras em murmúrio sobre o estado social. Um exército de formigas cede logo às primeiras palavras. As formigas retrocedem, desmotivadas. Alegre proclama. Alegre declama. Alegre exclama. Alegre rima: o tiroliro está lá em cima. Jorge Sampaio ouve e toma notas. No próximo discurso dirá o mesmo em mais cinco mil e quatrocentas palavras. O exército de formigas acelera a marcha em sentido contrário. Sócrates tem um cartaz com a fotografia de Sócrates. Pinto Monteiro tem um cartaz com a fotografia de Sócrates.
Freitas do
Amaral está agora à esquerda. Já teve um cartaz com a fotografia de Sócrates.
Teixeira dos Santos vai lá mais para trás. Tenta contar os participantes no
desfile. E falha. Eanes foi convidado mas imperativos morais impedem-no de
participar. Relvas está ao telemóvel. Vítor Gaspar ouve Alegre e toma notas.
Há-de dizer dois ou três dos versos de Alegre demorando o mesmo tempo que
levará Jorge Sampaio a ler o seu discurso. Seguro promete que quando chegarem
ao fim da rua farão o percurso inverso. Aliás, indigna-se, deviam ter feito o
desfile numa rua paralela.
Freitas do
Amaral está agora do seu lado direito. Perdão. Acabou de colocar-se do seu lado
esquerdo. O exército de formigas já desapareceu completamente do campo de
visão. Passos Coelho tem uma visão. Comprou-a ontem no quiosque. Comprou também
a Caras e a Guia do Automóvel. Aguiar Branco vai de braço dado com Poiares
Maduro. Otelo cumprimenta a filha de Marcello Caetano com um beijo. Jerónimo de
Sousa distribui doces às criancinhas. Ajuda-se com uma bengala de cego. Nunca
soube, nunca viu. O Bloco de Esquerda optou por participar na modalidade de 400 metros estafetas.
Assim ficam representadas todas as tendências e sensibilidades.
O desfile
começou há exactamente quinze minutos. Relvas fechou três negócios e concluiu
duas licenciaturas nesse período de tempo. Sócrates concluirá mais uma no
próximo Domingo. Marques Mendes prevê chuva. Acerta em cheio.
Freitas do
Amaral abriga-se com o guarda-chuva de Vasco Lourenço que desfila em
representação do Grande Oriente Lusitano. Perdão. Freitas está agora debaixo do
guarda-sol de Eduardo Catroga que desfila em representação de si mesmo. César
das Neves vergasta-se enquanto caminha. Mas mantém o sorriso. Compraz-se na
mortificação do cilício. Isabel Jonet entrega um quilo de arroz carolino a um
professor tornado indigente enquanto diz umas palavras a um repórter. Armando
Vara segue às cavalitas de José Lello. Cavaco fala do mar. Soares fala da
subida dos oceanos. Nomeadamente daqueles que desaguam à porta de sua casa.
Passos Coelho fala de submarinos. Portas de contribuintes, agricultores,
militares e pensionistas. Marcelo Rebelo de Sousa fala. Jorge Sampaio discursa.
Freitas do
Amaral adapta o discurso enquanto inicia um movimento em diagonal. O bispo que
representa a Igreja Católica tem andado sempre atrás dele. Eanes, que por
imperativo moral afinal sempre veio, cala. Guterres dialoga. Durão Barroso
abandona. Santana Lopes fica. Oliveira e Costa aproveita um momento de
distracção do professor indigente e abifa-se com o quilo de arroz carolino que
Jonet lhe tinha dado. Desta vez, Armando Vara foi menos veloz. D. Januário é o
único que desfila armado. Otelo distribui beijinhos. Jerónimo de Sousa leva uma
criancinha às cavalitas. Ricardo Salgado segue com as mãos nos bolsos. A
direita no de Passos Coelho. A esquerda no de Seguro.
O exército de formigas recolheu há muito ao formigueiro."
O exército de formigas recolheu há muito ao formigueiro."
domingo, 27 de abril de 2014
VPV ou VQPRD?
Fez grande
alarido, por estes dias, entre os intelectualoides
da esquerda portuguesa uma entrevista de Vasco Pulido Valente (VPV) ao jornal
i, onde tece algumas considerações, pouco abonatórias, sobre alguns dogmas
absolutos na lusa sociedade, entre outras que: "a estupidez humana é
infinita e a estupidez portuguesa ainda consegue ser maior”,
referindo-se ao facto de ninguém na Europa se responsabilizar pela crise global,
e ao facto de, “a esquerda andar por aí a dizer que há outras maneiras” de a
resolver além do Tratado Orçamental, quando “não há”. E dizer ainda
que “não
devemos nada aos capitães de Abril”, etc., etc.
Da avareza de
VPV já nada me espanta, ao ponto de eu também nunca ter tido qualquer admiração
por ele, tanto da personagem, como da sua escrita, e muito menos das suas
ideias. Como dizia o outro: “tem um
mijar muito longe do meu”! Mas daí, ao que se disse da criatura, e à importância
que se lhe dá, é mesmo de quem, certamente, anda a querer expiar muitos pecados
que não são dele, e, arranjar um “bode respiratório”, como ainda, outro também
dizia.
Então mas foi o VPV que levou a casa a 3 bancarrotas
em 40 anos de vida do país?
E alguém dessa
gente que anda por aí, como cães raivosos, a morder em tudo o que mexe se
deteve a analisar o que dizem, e a coerência do que dizem, personagens com
grandes responsabilidades na situação a que chegámos, tais como: Mário Soares,
Freitas do Amaral, Vítor Constâncio, Jorge Sampaio, Vasco Lourenço, Cavaco
Silva, José Sócrates, Manuela Ferreira Leite, Bagão Felix, Marques Mendes, Otelo,
etc., etc?
De
facto, VPV, é mesmo um “idiota bêbado”! Então mas ele não vê, que a espécie
humana, é o supra sumo da natureza (feitos à imagem de deus nosso senhor)! E a
organização social do povo português e os seus indicadores de vida que
resultam deste regime, são das coisas mais evidentes, e dignas de serem
apontadas como exemplo mundial?
.
E quanto à esquerda, suas raízes e
satélites? Aí é que o homem está completamente "gagá"!
Como se atreve a dizer algo de tão impoluta gente? Das consequências da sua governação? Ou da sua responsabilidade sobre a situação em que se encontra Portugal? Gente essa, cujos líderes, o pantaleão nacional terá que ter, no futuro, o tamanho de metade do país para sepultar tão nobre gente, quando deixarem de nos fazer tão boas e prestimosas acções, da nossa felicidade suprema, bem como o seu contributo para Portugal seja uma espécie de paraíso terrestre?
sexta-feira, 25 de abril de 2014
O mundo dos outros...
Como te invejo meu caro Pedro por este texto, e quanto gostaria de ser eu escrevê-lo, tanto nele me revejo. Por isso não resisti, exactamente neste dia, a reproduzi-lo:
Meu Capitão
por Pedro Correia in Delito de Opinião
Salgueiro Maia fotografado por Eduardo Gageiro (Lisboa, 25 de Abril de 1974)
"Um verdadeiro herói nunca se considera
herói. Cumpre o seu dever não por ser um dever mas por urgente imperativo de
consciência. Dá o nome, a cara, o peito às balas e se for preciso a vida pela
causa que crê ser mais justa entre todas as causas.
Um verdadeiro herói pensa em si próprio só
depois de pensar nos outros. Avança sem temor com a noção exacta de que joga
tudo numa ínfima fracção de tempo -- conforto, carreira, promoções, anonimato.
Ficando a partir daí exposto ao escárnio imbecil de todos os cobardes --
aqueles que nunca dão um passo fora do perímetro de segurança mas quando a
poeira assenta logo surgem muito expeditos a julgar os outros. A julgar aqueles
como tu: os que arriscam, os que experimentam, os que se atrevem a romper as
malhas de um quotidiano medíocre. Os que trocam a palavra eu pela palavra nós.
Os que nunca se conformam.
Um verdadeiro herói é aquele que deixa a sua
impressão digital nas insondáveis rotas do destino humano. Tu ousaste mudar um
país. Não pelo sangue, não pelo ódio, não pela intriga -- mas pelo gesto, pelo
rasgo, pelo exemplo. Sabendo como é ténue a fronteira entre glória e drama
quando alguém irrompe de madrugada pronto a desafiar os guiões da História.
Foste um herói ao comandar a patrulha da
alvorada, Fernando Salgueiro Maia. Voltaste a ser um herói quando decidiste
retirar-te ao pôr-do-sol deixando outros pavonear-se sob o clarão dos
holofotes. Recusaste ficar exposto na vitrina. Recusaste servir de bandeira.
Recusaste ser "vanguarda revolucionária". Recusaste ser antigo
combatente. Recusaste dar pretextos para dividir. Tu que foste um poderoso
traço de união entre os portugueses naquelas horas irrepetíveis em que tudo
podia acontecer.
Saíste do palco: aquela peça já não te dizia
respeito.
- Eternamente graduado no posto de capitão da liberdade."
quinta-feira, 24 de abril de 2014
A minha mensagem para 25 de Abril
Cravo vermelho
ao peito a muitos fica bem, sobretudo faz jeito, a certos filhos da mãe.
Não importa quem
eles eram, não importa quem eles são, nem todo o mal que fizeram! Mas sempre a
bem da Nação.
E chegado o dia
novo, chegada a bendita hora, vestiram uma pele de povo, ficou-lhes o rabo de
fora. E aquele administrador promovido a democrata, sempre exaltou o suor,
arrecadando ele a prata.
Também veio o
fura greves, lacaio dos senhores de então, pois pode bem ser que às vezes se
arranje um novo patrão. E os cultores da sapiência, intelectuais de alto nível,
tranquilizando a consciência, o mais à “esquerda” possível.
Cravo vermelho
ao peito a muitos fica bem, sobretudo faz jeito, a certos filhos da mãe!
Abril também é isto...
Maior vergonha da democracia portuguesa. Se a isto juntarmos os negócios das PPP´s, e as promiscuidades das consultadorias com escritórios de advogados que moem "2 carrinhos", estamos na presença do maior cancro que nos devora.
As perguntas que se fazem são onde andavam, os agora tão activos, Supervisores da democracia:
- Banco de Portugal (Vítor Constâncio)?
- Tribunal de Contas?
- Tribunal Constitucional?
As perguntas que se fazem são onde andavam, os agora tão activos, Supervisores da democracia:
- Banco de Portugal (Vítor Constâncio)?
- Tribunal de Contas?
- Tribunal Constitucional?
Como é que eles hão-de querer ser fiscalizados pela "troica"!!!!
quarta-feira, 23 de abril de 2014
Vamos voltar ao “forrobodó”...
Durante 3 anos
aqueles que nos emprestaram dinheiro e nos safaram de mais uma “banca rota” vão-se finalmente, dizem
alguns, muito optimistas.
Durante estes 3
anos assistimos, a um grunhido constante,
por parte daqueles que foram os grandes responsáveis (por gestão ruinosa e
danosa) de, em Maio de 2011, o
Estado não ter dinheiro para sobreviver mais de 10 dias. Isto é, senão tivesse havido o "empréstimo", não haveria
uma redução de salários e de pensões de 20 ou 30%, como se verificou, mas pura
e simplesmente, ter-se-ia chegado a meados do mês de Junho de 2011, e toda essa
mole de mais de 4 milhões de fregueses que vivem desse Estado, não teriam nada nem ninguém, que lhes pagasses a féria.
Pena foi que tal
não tivesse acontecido (pelo menos temporariamente), para muitos saberem o que
isso é, e identificarem, logo ali, os responsáveis. Bastaria para isso que não
se recorresse ao tal “pato de agressão”
como dizem os comunistas e bloquistas, ou que a tal maldita “troica”, que mesmo
pedindo, nos mandasse às urtigas, e veríamos o que isso era. Que fariam nessa altura as UGT´s, as CGTP`s, os indignados, e outros? Mas, sobretudo, o que seria das crianças senhor, que como dizia o outro, nenhuma culpa têm!
Claro que, e
mais uma vez, como já aconteceu no passado, esse mesmo Estado não se reformou
em nada, recorreu-se a meras medidas de recauchutagem, que todos querem como
temporárias, cortando no mais fácil (agora não para inglês ver, mas para à troica
parecer), e a partir de Maio, Portugal estará liberto, como dizem outros.
É por isso que
oiço com muita apreensão algumas vozes que por aí andam já a lançar foguetes.
Se fosse apenas
por parte da oposição irresponsável socialista, que há muito enveredou por uma
campanha populista vergonhosa, jogando com a pouca memória do povo português,
que apenas querem voltar ao tal “maceirão” do Estado a qualquer preço, para que
os seus boys se saciem da dieta de 4 anos, ainda compreendia.
Agora o presidente
Cavaco, que ontem veio falar “em dividendos orçamentais” (o quê senhor
presidente? E o deficit? E a dívida?), que é tempo de compensar reformados e
funcionários públicos, pelos sacrifícios feitos! E que hoje, até o nosso
primeiro Coelho, veio anunciar que “os próximos 3 anos nada terão a ver com
estes últimos...”!!!
Tudo isto faz-me
lembrar uma pequena história pessoal que vivi há cerca de 20 anos e que resumo
da seguinte maneira:
“Em 1996 fui eleito para presidir à Direcção
de uma pequena Instituição que se vinha individuando progressivamente nos últimos
5 anos da sua vida (média do deficit de cerca de 6% ao ano), atingindo nessa
data um montante que rondava os 20 000 euros (4 000 contos em moeda da época),
e que representavam cerca de 25% das receitas anuais da Instituição.
Nos primeiros 2 anos dessa governação, a
Instituição manteve praticamente todas as actividades (com alguma austeridade, é
verdade) mas pagou completamente toda a dívida. Sem chamar “agiotas” ou “ladrões”
aos credores, antes um tratamento com respeito e muita consideração!!!
Essa gestão manteve-se por mais 2 anos, e no
ano de 2000 quando terminou, ficaram nos cofres um Saldo efectivo de 2 600
euros.
A
governação que nos substituiu, 3 meses depois, andava a pedir empréstimos bancários!!!
Quando voltei à gestão dessa Instituição em 2008
as dívidas já eram novamente de 12 000 euros (tendo a gestão que nos precedeu já
amortizado mais 7 500 euros). Quando saímos em 2010 o Saldo efectivo deixado
era cerca de 10 000 euros.”
Questiono eu:
- Não será
melhor a tal “troica” ficar por cá mais uns 20 anitos, para ver se esta gente põe
juízo na carola? Ou será que temos que mesmo bater na parede para ver que isso aleija
a sério?
terça-feira, 22 de abril de 2014
Hoje sim, amanhã não...
Um dos troca-tintas
“made in expresso” que anda por aí armado em profeta economês, mas cuja coerência
deixa muito a desejar, para além das competências duvidosas! Mas os nossos intelectualoides gostam muito...
Nicolau Santos, Expresso, 16 de Novembro de
2013:
«O anúncio de que a Irlanda vai terminar o
seu processo de ajustamento sem pedir a seguir um programa cautelar é negativo
para Portugal. Percebe-se a estratégia irlandesa. Com taxas de juro da dúvida
pública a dez anos em 3,55% no dia 14, o risco de que o País corre de regressar
aos mercados pelo seu pé é bastante reduzido. Só que assim ficamos sem saber
como será o tal programa cautelar. Ora as autoridades portuguesas têm seguido a
estratégia de Dublin a par e passo, com um desfasamento de seis meses. Foi
assim com a emissão de dívida pública a dez anos, seria agora em relação ao
programa cautelar. As nossas taxas de juro a dez anos, contudo, estão mais de
dois pontos acima do patamar irlandês e não nos permitem um regresso aos
mercados sem o amparo do BCE.»
Nicolau Santos, Expresso, 18 de Abril de
2014:
«O ajustamento está a correr bem. Na
imprensa internacional somos apresentados como um caso de sucesso, que ainda
vai surpreender mais. Os investidores acorrem em força aos leilões de títulos
de dívida pública a República Portuguesa. As taxas de juro caem de forma
sistemática e a dez anos aproximam-se dos 3,5%, patamar no qual a Irlanda optou
pela saída limpa do seu programa de ajustamento. Prevêem-se crescimentos
moderados para os próximos três anos. Os desequilíbrios externos estão domados,
a taxa de desemprego cai e a troika vai deixar o País.»
Estás apresentado...
terça-feira, 8 de abril de 2014
Paixões...
António Lobo
Antunes disse um dia, que a felicidade para ele “... era estar no Estádio da Luz e festejar um golo do Benfica!". Certamente que o mesmo se pode aplicar a simpatizantes de outros clubes. E se tal se verifica
apenas no “festejar”, o que dirão aqueles que, num ou noutro momento, possam ser
os actores da construção, marcação e comemoração do culminar dessa
actividade humana dos nossos dias, que é o futebol.
As imagens que
hoje aqui deixo, para além do espectacular vídeo supra, são as de um grupo de quase uma centena de pessoas que, ligadas
por essa paixão do pontapé na bola, se reuniram em SA das Areias, em 10
Domingos pela manhã, e disputaram com prazer e certamente alguma satisfação, 30
partidas da modalidade de futsal. Convém ainda esclarecer que, por ali não
estiveram imitadores de um qualquer Ricardinho (o melhor jogador português de
todos os tempos), mas apenas e só, um grupo de rapazes e homens não federados na
modalidade, e com uma só finalidade: o
prazer pelo prazer de praticar desporto.
Estão pois de
parabéns todos os participantes, os árbitros e os organizadores deste Torneio, e que esta
iniciativa se repita mais vezes. Esta foi exemplar em todos os aspectos.
Por mim, como
já aqui expliquei anteriormente, foi certamente o último Torneio em que participei com “jogador”. A idade é assim, não perdoa.
E como dizia o outro, há uma idade para
tudo!!!! Tive no entanto a sorte de integrar uma equipa maravilhosa, e que
acabou por ser a vencedora do Torneio, com camaradas que tiveram um comportamento
exemplar, aos quais aqui deixo o meu muito OBRIGADO por terem contribuído,
para mim, por mais este momento da tal FELICIDADE.
Aqui ficam para
memória futura algumas imagens. Atente-se no rosto dos participantes, e vejam lá se o Lobo Antunes não tinha razão!
Equipa F&A Seguros
Equipa da CM de Marvão
Equipa dos "Cenouras"
Equipa da JF de Santa Maria de Marvão
Equipa "Os Latinos"
Equipa "Os duros de domingo"
Os árbitros: Ricardo e Bruno
Os Cronometristas: Daniel Barradas e Carlos Amador
Momentos:
Entrega de Prémios:
Classificação Final
Equipa mais disciplinada: "Os Latinos"
Melhor marcador: Luís Costa (CM de Marvão)
Guarda Redes "menos batido": Rui Canuto (F&A Seguros)
1º Classificado: F&A Seguros
2º Classificado: CM de Marvão
3º Classificado: "Os Cenouras"
4º Classificado: JF de Santa Maria de Marvão
5º Classificado: "Os Latinos"
6º Classificado: "Os duros de domingo"
O convívio final:
quinta-feira, 3 de abril de 2014
Coitado do “dadito”...
Tal como aqui venho
denunciando, mais um “pobrezinho” reformado a quem não se deve cortar Pensão, e a quem o Tó
Zé irá repor quando for 1º! E o “povão” acha bem. Coitadinhos de (certos)
reformados:
Eduardo Catroga, ex-ministro das Finanças, com uma carreira contributiva de apenas 20 anos, e que recebe uma pensão de 9.693,54 euros da Caixa Geral de Aposentações, e, só no
ano passado recebeu mais de 35 mil euros por mês da EDP.
terça-feira, 1 de abril de 2014
segunda-feira, 31 de março de 2014
Campeões! Simplesmente...
Há cerca de 2
meses numa tertúlia futeboleira, falou-se
que iria realizar-se um Torneio de Futsal
(no meu tempo dizia-se futebol de salão), para não federados, em Santo António
das Areias, organizado pela CM de Marvão.
F&A Seguros - Em cima: Nuno Macedo, Paulo David, Rui Canuto, Luís Barreto. Em baixo: Miguelito, João Carlos, Zé Domingos, Artur Costa e João Bugalhão. Faltam na foto Luís Reis e Luís Miguel.
O futebol sempre
foi uma das minhas grandes paixões em todas as suas vertentes, sobretudo a sua
prática. Não me tendo proporcionado a vida, a oportunidade de uma grande
aprendizagem da sua praxis, já que a
minha vida entre os 12 e os 20 anos foi trabalhar 9 horas por dia e estudar
mais 5 horas nocturnas, não me restando assim tempo para a aprendizagem da
modalidade que eu tanto gostava. No entanto, nesse tempo, era tão grande a paixão
pela coisa, que enquanto trabalhava, e para matar o vício, cheguei a idealizar, mentalmente, jogos entre equipas constituídas
por amigos meus, em que eu, durante os 90 minutos era, simultaneamente, treinador,
jogador, e ainda realizava os relatos do jogo. Só quando cheguei aos 20 anos, a
vida me proporcionou o prazer de voltar aos pontapés na bola, mas entretanto, a
pouca habilidade inata tinha desaparecido, ficando apenas a vontade e o gosto,
mas como diz o povo, nunca haveria de ser grande
espingarda na arte.
Depois, durante
25 anos, fui tudo o que se possa ser na prática desta modalidade: jogador (com
pobre carreira), massagista, treinador, psicólogo, educador, empresário, marcador
do campo, roupeiro, motorista, tesoureiro, secretário, presidente de direcção,
presidente de assembleia geral, e tudo o que se possa imaginar dentro de um
clube de pequenas dimensões como era, e é, o Arenense, entrado sempre pela porta pequena. Só não sei se alguma vez
saí pela porta grande, acho que não.
Só sei que para mim foi compensador, uma grande experiência de vida. Oxalá que
o tenha sido, também, para muitos daqueles que viveram comigo esses tempos.
Foi assim que
quando ouvi falar desta iniciativa, e quando a minha idade já não vai para nova,
me disse a mim próprio: - João, aqui
tens a última oportunidade de fazeres umas das coisas que sempre te apaixonou, e
se não for agora, nunca mais o será! E assim foi. Em 5 minutos convidei meia
dúzia de amigos, a que mais tarde se juntaram mais 2 ou três, e aí fomos nós. Só
que, infelizmente, e enquanto “jogador”, rapidamente concluí que a idade não
perdoa, e á segunda tentativa, antes que saísse dali para a faca, o melhor seria sentar o cuzinho no
mocho, que isso de correr atrás do esférico já foi.
Fora este pormenor,
sem qualquer importância, o grupo reunido foi excepcional, se é que este
adjectivo pode qualificar a equipa da F&A
Seguros, que a uma jornada do fim é a vencedora deste Torneio.
Não vou dizer
que o resultado competitivo não é importante, claro que é, pelo menos faz bem
ao ego. Mas o mais importante para
mim, para além da coordenação que fui fazendo do grupo, foi a humildade, a
camaradagem, o saber estar, o respeito que tivemos de todas as equipas e da
organização, e, o chegar ao fim de alguns jogos e recebermos os parabéns da
arbitragem por terminarem sem qualquer falta.
Da minha parte, um obrigado a todos por mais esta
vivência e experiência de vida.
sábado, 29 de março de 2014
Quem serão os vampiros de hoje?
A toda a parte chegam
os vampiros, poisam nos prédios, poisam nas calçadas, trazem no ventre despojos
antigos, mas nada os prende às vidas acabadas. São os mordomos do universo todo,
senhores à força, mandadores sem lei, enchem as tulhas, bebem vinho novo, dançam
a ronda no pinhal do rei!
Eles comem tudo,
Eles comem tudo, Eles comem tudo e não deixam nada...
No chão do medo
tombam os vencidos, ouvem-se os gritos na noite abafada, jazem nos fossos vítimas
dum credo, e não se esgota o sangue da manada. Se alguém se engana com seu ar
sisudo, e lhe franqueia as portas à chegada?
- Eles comem
tudo, Eles comem tudo, Eles comem tudo e não deixam nada...
Figura 1 - Quadro de (des)honra citado por Paulo Morais (mas há muitos mais...)
quinta-feira, 27 de março de 2014
Obrigado Mário Crespo...
Despedida emocionada de Mário Crespo em 26/3/2014 (Jornal das 9 da SIC Notícias)
sexta-feira, 21 de março de 2014
Que deus me valha....
Este simpático septuagenário
chama-se Bagão Félix, é apontado
como uma das celebridades que assinou o tal “manifesto” de reestruturação da dívida pública portuguesa. Ele e
mais outros 73 sabichões da coisa, como: Manuela Ferreira Leite, João Cravinho,
Francisco Louçã, Freitas do Amaral, Carvalho da Silva, e outra “ciganada” que
por aí andam a vender-nos gato por lebre, autênticos cata-ventos senis e papagaios
falantes, agarrados às suas chorudas
reformas, que querem manter privilégios à conta daquilo que chamam “ os direitos
adquiridos”, querendo continuar a chutar para as gerações vindouras (porque não
duvidem, alguém vai ter de pagar, senão forem os pais, serão os filhos e netos).
Se hoje aqui
cito este “velhinho” simpático, é porque nutria por ele alguma admiração
intelectual, pelo seu percurso de vida e de participação na vida pública
portuguesa (sobre a outra “tralha” nem quero ouvir falar), mas com esta mudança de opinião que aqui revela em apenas 6 meses,
está também, e desde já, “desarriscado” das minhas referências. Senão oiçam com atenção e reflictam:
Dizia então o senhor, em Outubro de 2013, sobre a tal “reestruturação da dívida”, se bem ouvi:
"Quando se fala de reestruturação da dívida - entenda-se: não pagar parte da dívida, ou pagar
com mais tempo -, se isso acontecer, o FMI e os outros credores
preferenciais não se sujeitam a este corte a menos que haja acordo. E quem iria
apanhar sobretudo o corte se eventualmente houvesse acordo? Quem pagaria isso
seriam os bancos portugueses. E, apanhando os bancos portugueses um corte
desses, quem apanhava era a própria capacidade de solvabilidade dos bancos e,
por tabela, os depositantes. Por isso falar de reestruturação da dívida fora do
contexto efectivo de quem são os detentores dessa dívida, parece-me
relativamente imprudente."
E o que aconteceria se houvesse um perdão de dívida que
afectasse os bancos portugueses?
"Seria terrível. Suponha que 40 ou 50 por cento da dívida era
perdoada. Os recebimentos nacionais têm 62 mil milhões de euros neste momento.
Significava que 25 mil milhões desapareciam de repente das companhias de
seguros, dos fundos de pensões e sobretudo da banca. Alguns bancos estariam, em
termos de solvabilidade, numa solução bem pior. Depois ter-se-ia que
recapitalizar esses bancos. Em última análise, quem apanha no fim são
aqueles que emprestam dinheiro aos bancos, que são os depositantes, que são os
últimos credores."
Por mim, estou esclarecido.
quinta-feira, 20 de março de 2014
Ninguém as fez, ninguém as fez, mas elas existem!... (1)
"A falácia do aumento da dívida pública
Opinião de Carlos Guimarães Pinto
Uma das 3 pessoas que faz o sacrifício de ouvir o comentário de Sócrates aos Domingos na RTP, tratou de informar as redes sociais que o antigo primeiro-ministro se queixou ontem do aumento da dívida pública nos anos do governo PSD-CDS. Os números, de facto, não enganam, como podem ver no gráfico abaixo:
A
tendência desde o último ano completo de governação Sócrates (2011) é de facto
assustadora: subiu 53 mil milhões de euros, qualquer coisa como 35% do PIB em
apenas 3 anos. Excepcionalmente, Sócrates diz a verdade. Se quisesse levar a
retórica mais longe, até poderia dizer que, se acumulou tanta dívida pública,
desde que ele deixou o governo, como no total dos seus mandatos.
Claro
que é de esperar que a dívida suba enquanto existirem défices públicos.
Comentadores como José Sócrates que defendem metas mais flexíveis para o défice,
dificilmente, se poderão queixar que a dívida pública aumenta. Não podem
defender ao mesmo tempo que haja défices mais altos, e depois, criticar que a
dívida pública resultante desses défices aumente.
A
dívida pública é isso mesmo: o resultado da acumulação de défices. Mas será
mesmo assim? Para analisar a veracidade desta relação económica, podemos observar
abaixo a evolução do défice das contas pública e o crescimento da dívida
pública.
A relação efectivamente
mantém-se. Na maior parte dos anos a dívida pública aumenta no mesmo montante
do défice público, com umas pequenas diferenças, os chamados ajustamentos défice-dívida. Estes
ajustamentos são quase sempre bastante pequenos, mas há uma notável excepção:
os anos imediatamente a seguir à saída de Sócrates!
Nesses anos, a dívida pública
aumentou bastante mais do que o défice das contas pública levaria a pensar. E
porquê?
Isto deveu-se a 3 factores:
1 - O salvamento dos bancos. Algo que qualquer
governo no actual panorama partidário teria feito. A alternativa a esta medida
seria os depositantes de alguns bancos menos sólidos (BCP, BANIF,…) terem
ficado sem parte dos seus depósitos, como em Chipre.
2 - A variação nas reservas de segurança do estado.
Parte da dívida contraída refere-se a um aumento de reservas do Estado, ou seja
dinheiro não alocado a despesa que fica em depósitos garantindo uma almofada
caso falhe crédito. Foi esta a almofada que faltou em Maio de 2011 e que
empurrou Sócrates para o pedido de ajuda antes das eleições, sob o risco de o
país falhar o pagamento de salários e pensões nos meses seguintes.
3 - O pagamento das dívidas a fornecedores.
Como a dívida a fornecedores não entra para os cálculo de dívida pública, uma
forma fácil de um governo esconder a dívida pública é faltando, ou atrasando, o
pagamento aos seus fornecedores. Esta dívida era bastante elevada quando
Sócrates deixou o governo, particularmente
na saúde. O pagamento dessa dívida pelo actual governo também contribuiu
para um aumento da dívida pública.
Ou seja, grande parte da dívida pública foi para salvar
um sistema bancário deixado de rastos pelas políticas económicas, para repor as
reservas de dinheiro que o governo Sócrates depletou até não haver suficiente
para pagar salários e reformas, e para pagar os calotes deixados por esse mesmo
governo, nomeadamente no sector da saúde.
Podemos ainda apontar o facto de
uma parte do défice actual se dever aos pagamentos das PPPs assinadas
por Sócrates, outra forma de disfarçar dívida e défices
passados. Antes das PPPs, um governo que construísse uma auto-estrada teria que
contar com essa despesa no orçamento do ano em que a auto-estrada fosse construída,
aumentando o défice. Utilizando uma PPP, um governo pode construir uma
auto-estrada sem qualquer impacto no défice, empurrando esse custo e respectivos
juros para os governos seguintes.
Sócrates tem razão quando diz que a dívida subiu bastante imediatamente
após a sua saída do governo. Mas não deve esquecer que esta é,
maioritariamente, a sua dívida.
A dívida que Sócrates escondeu
através das PPPs, dos calotes a fornecedores, do esvaziamento das reservas de
segurança do estado que quase deixou o país sem capacidade de pagar salários e
pensões, e do caos em que as políticas do seu governo deixaram o sistema
bancário."
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