terça-feira, 18 de março de 2014

Em dia de fatiota nova...


Mais um testemunho para futuro que deixo aqui, em mais uma participação da equipa de Velhas Guardas do Arenense, num dia de estreia de equipamento novo, por sinal, bem catita, e oferecido pela Companhia de Seguros Zurich, através de Artur Costa (pena que não pudesse estar presente).


De pé da esquerda para a direita: João Bugalhão, Rui Delgado, Pedro Vaz, Luís Barradas, Paulo David, Márcio Fernandes, Nuno Costa, José Domingos Felizardo, Miguel Sobreiro, Rui Canuto e Fernando Bonito. Em baixo: Miguelito, João Anselmo, Ginja Dias, Simão Branco, Luís Reis, Mário Cardoso, Henrique Martins e José Vaz.



Cultivar a amizade: Paulo David e Luís Barradas

Foi mais um jogo convívio com os nossos congéneres do Ecléctico de Ponte Sôr, que recebemos pela primeira vez, e cujo resultado desportivo foi um empate de 2 – 2. No final um belo repasto servido no Restaurante JJ Videira, com a presença de 35 amigos.




A boa disposição e o humor de Luís Barradas

sábado, 15 de março de 2014

Canções da minha vida (12)


Tu estás livre, e eu, estou livre, e há uma noite para passar, porque não vamos unidos, porque não vamos ficar na aventura dos sentidos. Tu estás só, e eu, mais só estou. Tu que tens o meu olhar, tens a minha mão aberta à espera de se fechar, nessa tua mão deserta...

Vem que amor não é o tempo, nem é o tempo que o faz, vem que amor é o momento em que eu me dou e em que te dás.

Tu que buscas companhia, e eu, que busco quem quiser, ser o fim desta energia, ser um corpo de prazer, ser o fim de mais um dia. Tu continuas, à espera, do melhor que já não vem, e a esperança foi encontrada, antes de ti, por alguém, e, eu sou melhor que nada...


Agora a escolha é sua:





sexta-feira, 14 de março de 2014

O que muda nas pensões em 2014

Nos próximos dias iremos assistir ao choradinho dos “reformados desgraçadinhos” que o malandro do Coelho, com a aplicação da Contribuição Especial de Solidariedade (CES) os deixará na miséria. Vale a pena recordar, que muitos destes queixinhas (a CES só abrange os Reformados com mais de 1 000 euros/mês, e o “ordenado médio em Portugal é de 950 euros), ficaram a ganhar mais quando se reformaram, do que ganhavam quando trabalhavam, através da aplicação de uma fórmula de cálculo aberrante.

Como se pode ler aqui, “... o corte da CES é progressivo e começa em 3,5%. A lei garante no entanto que, da aplicação da CES, não pode resultar uma pensão inferior a 1.000 euros. O corte de 3,5% (que começará em 1.000 euros e não em 1.350) mantém-se inalterado até 1.800 euros. Entre este valor e 3.750 euros, a taxa vai subindo até atingir 10%,o que significa que também não há mudanças face ao regime em vigor. O Orçamento Rectificativo só prevê cortes diferentes dos actuais no caso de pensões superiores a 4.611,4 euros. É que, além do corte de 10%, continuam previstas outras duas taxas que passam agora a abranger pensões mais baixas. A taxa de 15% (que acumula com o corte de 10%) passa a incidir sobre o valor da pensão entre 4.611,4 e 7.126,7 euros (contra os actuais 5.030,6 e 7.546 euros, respectivamente.) Já a parte da pensão que ultrapassa 7.126,7 euros é sujeita a uma taxa de 40% (que até aqui só abrangia valores acima de 7.546 euros).”

Isto quer dizer que, um reformado que ganhe 1 000 euros receberá menos 35 euros por mês, e esta taxa manter-se-á como no ano passado até aos 1 800. Eu que ganho 1 500 receberei menos 52 euros, exactamente o mesmo que no ano passado, sem qualquer acréscimo. A partir dos “pobrezinhos” que ganham mais de 4 600 euros, as coisas piam mais fino, mas francamente não tenho muita pena deles, como certamente aqueles que ganham menos de 1 000 euros (e são aproximadamente 80% dos nossos reformados), não terão nenhuma pena de mim, e até invejariam descontar como eu.

Iremos por isso assistir, nos próximos dias, a um linguajar que meterá, entre outros termos, “o roubo”. A liderar estas contestações estarão Manuela Ferreira Leite, Bagão Felix, Maria do Rosário Gama, Casimiro Meneses, António Capucho, todo o Partido Comunista e Bloco (os tais do “manifesto dos 70”), e o aparelho do PS a esfregar as mãos. A nova “brigada do reumático” do costume!

Em minha opinião, o que essa gente toda deveria estar a protestar e defender, eram aqueles que não têm cortes (80% dos Reformados), e todos aqueles, que trabalhando, ganham menos de 1 000 euros por mês, bem como alguns desempregados, esses sim merecem protestar e ser defendidos. Mas não, a nova “brigada do reumático” prefere defender os que têm cortes.

Porque será?


quinta-feira, 13 de março de 2014

O mundo dos outros...


Para ler, reflectir e discutir. Tal como o Manifesto dos 70. 


Carta a uma Geração Errada

Caros João Cravinho, Manuela Ferreira Leite, Bagão Félix, Ferro Rodrigues, Sevinate Pinto, Vítor Martins e demais subscritores do manifesto pela reestruturação da divida publica: Que tal deixarem para a geração seguinte a tarefa de resolver os problemas gravíssimos que vocês lhes deixaram? É que as vossas propostas já não resolvem, só agravam os problemas. Que tal darem lugar aos mais novos?
 
Vi, ouvi, li, e não queria acreditar. 70 das mais importantes personalidades do país, parte substancial da nossa elite, veio propor que se diga aos credores internacionais o seguinte:

– Desculpem lá qualquer coisinha mas nós não conseguimos pagar tudo o que vos devemos, não conseguimos sequer cumprir as condições que nós próprios assinámos, tanto em juros como em prazos de amortizações!

Permitam-me uma pergunta simples e directa: Vocês pensaram bem no momento e nas consequências da vossa proposta, feita a menos de dois meses do anúncio do modo de saída do programa de assistência internacional?

Imaginaram que, se os investidores internacionais levarem mesmo a sério a vossa proposta, poderão começar a duvidar da capacidade e da vontade de Portugal em honrar os seus compromissos e poderão voltar a exigir já nos próximos dias um prémio de risco muito mais elevado pela compra de nova dívida e pela posse das obrigações que já detêm?

Conseguem perceber que, na hipótese absurda de o Governo pedir agora uma reestruturação da nossa dívida, os juros no mercado secundário iriam aumentar imediatamente e deitar a perder mais de três anos de austeridade necessária e incontornável para recuperar a confiança dos investidores, obrigando, isso sim, a um novo programa de resgate e ainda a mais austeridade, precisamente aquilo que vocês dizem querer evitar?

Conseguem perceber que, mesmo na hipótese absurda de os credores oficiais internacionais FMI, BCE e Comissão Europeia aceitarem a proposta, só o fariam contra a aceitação de uma ainda mais dura condicionalidade, ainda mais austeridade?

Conseguem perceber que os credores externos, nomeadamente os alemães, iriam imediatamente responder – Porque é que não começam por vocês próprios?

Os vossos bancos não têm mais de 25 por cento da vossa dívida pública nos seus balanços, mais de 40 mil milhões de euros, e o vosso Fundo de Capitalização da Segurança Social não tem mais de 8 mil milhões de euros de obrigações do Tesouro? Peçam-lhes um perdão parcial de capital e de juros.

Conseguem perceber que, neste caso, os bancos portugueses ficariam à beira da falência e a Segurança Social ficaria descapitalizada?

Nenhum de vós, subscritores do manifesto pela reestruturação da dívida pública, faria tal proposta se fosse Ministro das Finanças. E sobretudo não a faria neste delicadíssimo momento da vida financeira do país. Mesmo sendo uma proposta feita por cidadãos livres e independentes, pela sua projecção social poderá ter impacto externo e levar a uma degradação da percepção dos investidores, pela qual vos devemos responsabilizar desde já. Se isso acontecer, digo-vos que como cidadão contribuinte vou exigir publicamente que reparem o dano causado ao Estado.

Conseguem perceber porque é que o partido que pode ser Governo em breve, liderado por António José Seguro, reagiu dizendo apenas que se deve garantir uma gestão responsável da dívida pública e nunca falando de reestruturação?

Pergunto-vos também se não sabem que uma reestruturação de dívida pública não se pede, nunca se anuncia publicamente. Se é preciso fazer-se, faz-se. Discretamente, nos sóbrios gabinetes da alta finança internacional.

Aliás, vocês não sabem que Portugal já fez e continua a fazer uma reestruturação discreta da nossa dívida pública? Vítor Gaspar como ministro das Finanças e Maria Luís Albuquerque como Secretária de Estado do Tesouro negociaram com o BCE e a Comissão Europeia uma baixa das taxas de juro do dinheiro da assistência, de cerca de 5 por cento para 3,5 por cento. Negociaram a redistribuição das maturidades de 52 mil milhões de euros dos respectivos créditos para o período entre 2022 e 2035, quando os pagamentos estavam previstos para os anos entre 2015 e 2022, esse sim um calendário que era insustentável.

Ao mesmo tempo, juntamente com o IGCP dirigido por João Moreira Rato, negociaram com os credores privados Ofertas Públicas de Troca que consistem basicamente em convencê-los a receber o dinheiro mais tarde.

A isto chama-se um “light restructuring”, uma reestruturação suave e discreta da nossa dívida, que continua a ser feita mas nunca pode ser anunciada ao mundo como uma declaração de incapacidade de pagarmos as nossas responsabilidades.

Sabem que em consequência destas iniciativas, e sobretudo da correcção dos défices do Estado, dos cortes de despesa pública, da correcção das contas externas do país que já vai em quase 3 por cento do PIB, quase cinco mil milhões de euros de saldo positivo, os credores internacionais voltaram a acreditar em nós. De tal forma que os juros das obrigações do Tesouro a 10 anos no mercado secundário já estão abaixo dos 4,5 por cento.

Para os mais distraídos, este é o valor médio dos juros a pagar pela República desde que aderimos ao Euro em 1999. O valor factual já está abaixo. Basta consultar a série longa das Estatísticas do Banco de Portugal.

E sim, Eng. João Cravinho, é bom lembrar-lhe que a 1 de Janeiro de 1999, a taxa das obrigações a 10 anos estava nos 3,9 por cento mas quando o seu Governo saiu, em Outubro desse ano, já estava nos 5,5 por cento, bem acima do valor actual.

É bom lembra-lhe que fazia parte de um Governo que decidiu a candidatura ao Euro 2004 com 10 estádios novos, quando a UEFA exigia só seis. E que decidiu lançar os ruinosos projectos de SCUT, sem custos para o utilizador, afinal tão caros para os contribuintes. O resultado aí está, a pesar na nossa dívida pública.

É bom lembrar aos subscritores do manifesto pela reestruturação da dívida pública que muitos de vós participaram nos Conselhos de Ministros que aumentaram objectivamente a dívida pública directa e indirecta.

Foram co-responsáveis pela passagem dos cheques da nossa desgraça actual. Negócios de Estado ruinosos, negócios com privados que afinal eram da responsabilidade do contribuinte. O resultado aí está, a pesar directa e indirectamente nos nossos bolsos.

Sim, todos sabemos que quem pôs o acelerador da dívida pública no máximo foi José Sócrates, Teixeira dos Santos, Costa Pina, Mário Lino, Paulo Campos, Maria de Lurdes Rodrigues com as suas escolas de luxo que foram uma festa para a arquitectura e agora queimam as nossas finanças.

Mas em geral, todos foram responsáveis pela maneira errada de fazer política, de fazer negócios sem mercado, de misturar política com negócios, de garantir rendas para alguns em prejuízo de todos.

Sabem perfeitamente que em todas as crises de finanças públicas a única saída foi o Estado parar de fazer nova dívida e começar a pagar a que tinha sido acumulada. A única saída foi a austeridade.

Com o vosso manifesto, o que pretendem? Voltar a fazer negócios de Estado como até aqui? Voltar a um modelo de gastos públicos ruinosos com o dinheiro dos outros?

Porque é que em vez de dizerem que a dívida é impagável, agravando ainda mais a vida financeira das gerações seguintes, não ajudam a resolver os gravíssimos problemas que a economia e o Estado enfrentam e que o Governo não tem coragem nem vontade de resolver ao contrário do que diz aos portugueses?

Porque é que não contribuem para que se faça uma reforma profunda do Estado, no qual se continuam a gastar recursos que não temos para produzir bens e serviços inúteis, ou para muitos departamentos públicos não produzirem nada e ainda por cima impedirem os empresários de investir com burocracias economicamente criminosas?

Porque não canalizam as vossas energias para ajudar a uma mudança profunda de uma economia que protege sectores inteiros da verdadeira concorrência prejudicando as famílias, as PME, as empresas exportadoras e todos os que querem produzir para substituir importações em condições de igualdade com outros empresários europeus?

Porque não combatem as práticas de uma banca que cobra os spreads e as comissões mais caros da Europa?

Um sector eléctrico que recebe demais para não produzir electricidade na produção clássica e para produzir em regime especial altamente subsidiado à custa de todos nós?

Um sector das telecomunicações que, apesar de parcialmente concorrencial, ainda cobra 20, 30 e até 40 por cento acima da média europeia em certos pacotes de serviços?

Porque não ajudam a cortar a sério nas rendas das PPP e da Energia? Nos autênticos passadouros de dinheiros públicos que são as listas de subvenções do Estado e de isenções fiscais a tudo o que é Fundações e Associações, algumas bem duvidosas?

Acham que tudo está bem nestes sectores? Ou será que alguns de vós beneficiam directa ou indirectamente com a velha maneira de fazer negócios em Portugal e não querem mudar de atitude?

Estará a vossa iniciativa relacionada com alguns cortes nas vossas generosas pensões?

Pois no meu caso eu já estou a pagar IRS a 45 por cento, mais uma sobretaxa de 3,5 por cento, mais 11 por cento de Segurança Social, o que eleva o meu contributo para 59,5 por cento nominais e não me estou a queixar.

Sabem, a minha reforma já foi mais cortada que a vossa. Quando comecei a trabalhar, tinha uma expectativa de receber a primeira pensão no valor de mais de 90 por cento do último salário. Agora tenho uma certeza: a minha primeira pensão vai ser de 55 por cento do último salário.

E não me estou a queixar, todos temos de contribuir.

Caros subscritores do Manifesto para a reestruturação da dívida pública, desculpem a franqueza: a vossa geração está errada. Não agravem ainda mais os problemas que deixaram para a geração seguinte. Façam um favor ao país – não criem mais problemas.

Deixem os mais novos trabalhar.


segunda-feira, 10 de março de 2014

Serão apenas números? Ou anda por aí muita gente a reclamar de barriga cheia?


Nota prévia: Também posso falar dos políticos, dos capitalistas, dos banqueiros, dos juízes, dos americanos, dos ucranianos, do futebol. Mas hoje não me apetece!

Neste domingo durante o almoço, ao contrário do que é habitual, pois quase sempre existe unanimidade e consenso nas nossas conversas, gerou-se uma pequena discussão contraditória, quando minha irmã me referiu, que eu estou sempre contra os professores, e agora também os polícias! E eu defendi que não estou contra os professores nem os polícias, o que eu digo é que estes profissionais, quando comparados com outras carreiras de serviço público (sem falar do sector privado, que aí a diferença é abismal e escandalosa), andam a protestar de “barriga cheia”.



Claro que podemos sempre partir do princípio de que todos os assalariados em Portugal estão mal pagos (espero que com esta crónica não ser comparado com as opiniões do belmiro!). Se for para discutir “sonhos, ou imaginários”, eu assino por baixo, e garanto que nem sou dos piores. Se for para falar de realidades, porque as coisas são o que são, então vamos a isso. Também não vale a pena entrar na discussão esteril de quem, de todos os servidores públicos, serão os de maior importância no seu papel social, porque também aqui, e se existem, é porque talvez todos sejam importantes.

Nem de propósito, hoje o Jornal Público (espero que não a mandado do belmiro), apresenta um estudo com o título, “Onde trabalhavam os 563,5 mil funcionários públicos em 2013”. Esse estudo não se resume a informar onde trabalham, vai mais longe e diz-nos: quantos são por carreira, e os seus vencimentos médios mensais.


Figura 1 - Trabalhadores por Carreira na Administração Pública

 Fonte: Jornal Público (Clicar sobre a imagem para ver melhor)


Assim como se pode ver aqui, no final de 2013 eram 563 500 o total de Funcionários Públicos em Portugal, menos cerca de 50 000 do que eram no final de 2011 (aproximadamente - 9%); 56% são mulheres e 44% são homens; 74% trabalham na Administração Central, 20% na Administração Local, e 6% na Administração Regional.

Na figura 1, podemos verificar que a Carreira com mais pessoas é a dos Docentes e Educadores de Infância (129 312) representam 23% de todos os Funcionários Públicos. Já as pessoas ligadas ao sector da Segurança: Militares, Polícias e GNR, o seu total são 75 492 pessoas, que representam 13%. O que quer dizer que, só estas Carreiras representam 36% dos Funcionários Públicos. Atenção que não estou a dizer se são muitos, ou se são poucos, a realidade mostra-nos que são mais de 200 000 mil. A restante análise deixo para quem a queira fazer.

Figura 2 - "Ganho Médio" por Carreira, em euros na Administração Pública

Fonte: Jornal Público


Por fim vamos à Figura 2, onde parece que me posso fundamentar para o que comecei por dizer no princípio deste artigo: existem possivelmente Carreiras, que quando comparando com outras, alguém anda a protestar de “barriga cheia” fazendo constar que são uns desgraçadinhos que nem ganham para a farda, que têm muitas dívidas, cantam o hino, apelam às armas, e, invade-se a Assembleia onde é suposto estarem aqueles que são eleitos e representantes do povo.

 Assim, este estudo diz-nos que, o “ordenado médio” na Polícia de Segurança Pública é de   1 770 euros, mais 150 euros do que por exemplo o de um Enfermeiro, e mais 300 euros do que um Técnico de Diagnóstico e Terapêutica (todos Técnicos Superiores); na GNR, o dito é (idêntico ao de um Técnico Superior ou de um Enfermeiro) 1 627 euros. Nas Forças Armadas o “ordenado médio” é de apenas 1 473 euros. Pergunto, à maioria dos portugueses:

- Estarão os nossos Polícias e GNR, assim tão mal pagos, comparando com os restantes portugueses, cujo salário médio não vai além dos 950 euros?

Em relação aos Docentes do Ensino Básico e Educadores de Infância, diz-nos este estudo que o seu “vencimento médio” é de 2 053 euros, em média mais 400 euros que os outros Técnicos Superiores da Administração Pública que não vão além dos 1 631 euros. Os nossos Professores ganham mais do dobro do “ordenado médio” de cada português que trabalha por conta de outrem. E se tivermos ainda em conta, que esta a Carreira é que mais Funcionários tem em Portugal, isto representa para o país um total de 3,5 mil milhões de euros/ano. Pergunta-se aos portugueses:

- Comparando com os restantes portugueses, e com os restantes Técnicos Superiores da Administração Pública, paga Portugal mal aos seus educadores?

Claro que poderemos sempre argumentar que sim. Todos os portugueses deveriam ganhar mais, que todos estamos mal pagos, que nos outros países, em média, ganham o dobro, que cada um tem que puxar para si, etc., etc. Mas mais uma vez a realidade é o que é, e não aquilo que cada um de nós sonhava que fosse.

Em Portugal cada um de nós, ou cada grupo profissional, ou cada corporação, acha-se sempre melhor que a outra. A nossa pouca humildade, nunca nos leva a questionarmo-nos quanto valemos de facto, ou qual o valor da nossa produção. Isto é um problema que nos acompanha desde o início da nacionalidade.

Por isso nada melhor que terminar, com um texto do Padre António Vieira, in 'Sermões', que já no século XVII, escrevia isto:

"UM DIA A GANÂNCIA EVAPORA.SE"

Em Portugal cada um Quer Tudo E quando os homens são de tal condição, que cada um quer tudo para si, com aquilo com que se pudera contentar a quatro, é força que fiquem descontentes três. O mesmo nos sucede. Nunca tantas mercês se fizeram em Portugal, como neste tempo; e são mais os queixosos, que os contentes. Porquê? Porque cada um quer tudo. Nos outros reinos com uma mercê ganha-se um homem; em Portugal com uma mercê, perdem-se muitos.

Se Cleofas fora português, mais se havia de ofender da a metade do pão que Cristo deu ao companheiro, do que se havia de obrigar da outra metade, que lhe deu a ele. Porque como cada um presume que se lhe deve tudo, qualquer cousa que se dá aos outros, cuida que se lhe rouba. Verdadeiramente, que não há mais dificultosa coroa que a dos reis de Portugal: por isto mais, do que por nenhum outro empenho.

(...) Em nenhuns reis do mundo se vê isto mais claramente que nos de Portugal. Conquistar a terra das três partes do mundo a nações estranhas, foi empresa que os reis de Portugal conseguiram muito fácil e muito felizmente; mas repartir três palmos de terra em Portugal aos vassalos com satisfação deles, foi impossível, que nenhum rei pôde acomodar, nem com facilidade, nem com felicidade jamais. Mais fácil era antigamente conquistar dez reinos na Índia, que repartir duas comendas em Portugal. Isto foi, e isto há-de ser sempre: e esta, na minha opinião, é a maior dificuldade que tem o governo do nosso reino.”

Em 400 anos nada mudou! Continua actual....

sexta-feira, 7 de março de 2014

Para o Luís no dia 7 de Março...


Tanto quanto me lembro, o dia 7 Março de 1965 amanheceu chuvoso, com uma daquelas chuvas miudinhas de molha parvos. Seriam por volta das 6 horas da manhã, e José Costa, depois de percorrer cerca de duas léguas entre o Pego Ferreiro e o Seiçal, na aba da serra de Marvão, batia à porta de Manuel Bugalhão. O motivo era relevante, já que desde o serão passado, a sua filha Maria, andava às voltas pela casa dizendo que estava com as “dores”. Às pancadas na porta de madeira, respondeu Manuel com um “qui é lá”, ou coisa que se pareça, ao que recebeu como resposta: é o compadre Zéi.

Não fez o Bugalhão qualquer movimento ou intento de sair da sua cama, pois tal, só estava previsto para uma hora mais tarde, quando tivesse que se levantar, beber o seu copo de café preto e a habitual fatia de pão com a tora de toucinho frito, e ir direito a casa do João Dias, para um dos últimos dias da “fega” de azeitona desse ano. A tarefa de abrir a porta, como de costume, estava reservada para a sua mulher Luísa, que para alguma coisa hão-de servir as mulheres, para além de nos parirem, e já agora outra série de coisas que não vêm agora ao caso.

Na minha cama de criança, no quarto ao lado, ouvi perfeitamente o recado de José Costa, que foi rápido, preciso e conciso: - Ó comadre, vinha buscá-la porque a Maria começou com “as dores”, e caso lhe desse jeito, vinha comigo, sempre pode ser preciso, porque não sabemos quanto tempo a coisa vai demorar. Tapei imediatamente a cabeça, para que a minha mãe pensasse que eu dormia, não fosse ela fazer-me levantar, logo de madrugada, para que a acompanhasse. Mas não, a função que a esperava para aquele dia não metia homens, quanto mais gaiatos, e o que a ouvi dizer para meu pai foi: - Tenho que ir com o compadre, a Maria está por horas. Quando te levantares, come, e dá o café ao gaiato, que eu não sei a que horas volto. E lá saiu apressada com o seu compadre, com uns farrapitos debaixo do braço, talvez um cueiro para a criança, que esperava que nascesse rija e valente, e que tudo corresse como deus havia programado.

Maria Joaquina, assim se chamava a filha de José Costa, embora este a tratasse sempre e só por Maria, havia-se ajuntado com o meu irmão Chico no Inverno de 1963, após este ter regressado de Angola onde andou dois anos na guerra. Foi num dia de “matança anual” do porco, com a família toda de volta do alguidar dos chouriços, que ele resolveu trazê-la do Pego Ferreiro para o Seiçal. Quando chegou a casa por volta das 10 horas da noite, disse para a minha mãe: - Ó mãe dá licenças que entrem dois? Ao que minha mãe respondeu, que se deixasse de brincadeiras, e se arrumasse a ajudar a encher os chouriços, que mais duas mãos não eram demais e ele tinha jeito para tudo. Mas eis que, surpreendentemente, a Maria, irrompeu pela casa, dizendo que quer a quisessem receber ou não, ela já ali estava, e seria ela mesma a ajudar na tarefa. E assim o disse, assim o fez, sentando-se junto das outras mulheres, mostrando ali os seus dotes de rapariga trabalhadora. O único reparo que recebeu foi da tia Júlia, que a repreendeu imediatamente: - Anda magana, vai ao menos lavar as mãos, que sabemos lá o que andaste para aí a fazer!

O fruto e consequências da alusão da tia Júlia não terão sido dessa noite, mas a coisa também não se fez esperar muito, já que, pouco mais de seis messes após a cena de encher os chouriços, Maria, haveria ela própria, de ficar cheia. E é por isso que, nessa madrugada de 7 de Março, um homem chamado José Costa, e uma mulher chamada Luísa Serra, caminharam na direcção do sítio chamado Pego Ferreiro, onde pelas 20 horas dessa noite, mais coisa menos coisa, o Luís, havia de ver pela primeira vez a luz da lua, quando sua avó materna Jacinta o levou à janela e o benzeu contra as bruxas e o quebranto...            

quinta-feira, 6 de março de 2014

Uma boa notícia para Marvão


De acordo com dados agora revelados pela Direcção Geral das Autarquias Locais (DGAL), no final de 2012, Marvão estava no lote das Câmaras Municipais do distrito de Portalegre com um endividamento líquido per capita a terceiros, considerado NULO. Isto é, não deve nada, com excepção dos empréstimos bancários.


Na Tabela 1, podemos verificar, que sem dívidas se encontram, para além de Marvão, mais 5 municípios: Elvas, Gavião, Arronches, P. de Sôr, C. Vide. Os 3 municípios em pior situação são Monforte (1.192 €/habitante), Portalegre (1.025€/habitante), e Crato (1.025 €/habitante).

Em valores totais o município de  Portalegre tinha dívidas de 27,4 milhões de euros; Nisa 5,5 milhões, e Monforte, Avis e Sousel de 4 milhões de euros cada. Estes valores são praticamente, e de grosso modo, os orçamentos anuais destes municípios. O que quer dizer, a exemplo do país, que estes municípios têm dividas que rondam os 100% das suas receitas anuais. Uma barbaridade, que não irá ser paga por esses munícipes, mas por todos nós. Quem são os responsáveis?

Ainda em relação a Marvão, convém ter em conta que, a situação poderia ser bem diferente caso Vítor Frutuoso (e o seu espírito santo de orelha) em 2011, tivessem levado pela frente o Projecto de construção de 37 Habitações Sociais, que representariam actualmente uma dívida do município que rondaria os 3 milhões de euros (se cada habitação ficasse por 75 mil euros (15 mil contos). Isto é, o Município de Marvão estava numa situação de endividamento como os outros. Felizmente que o Tribunal de Contas às vezes está atento.   

Os “ultra boys da arrifana”...

Felizmente que os meus antepassdos “serranos” saíram de Arrifana por volta do século XVII, senão os “ultra boys da arrifana” ainda se arriscavam a ter 2 membros!!!!

terça-feira, 4 de março de 2014

O Poder do cacete/O Poder do dedo...

Contava-me o meu pai na sua simplicidade de homem do povo, possivelmente por alguém a ele lhe ter contado, que no final do século XIX durante o período da monarquia constitucional, quando da disputa de eleições, cada cacique fazia-se acompanhar por um caceteiro que se colocava à saída das assembleias eleitorais. Como os boletins de voto eram facilmente inidentificáveis, quando o eleitor votava nos “regeneradores”, logo o caceteiro “progressista” entrava em acção, e logo que o eleitor saía à porta tinha que com ele ajustar contas; se pelo contrário, de um eleitor “progressista” se tratasse, era o caceteiro “regenerador” a fazer cumprir a função do seu cacete. E assim se praticava o poder democrático de então, com os desditosos eleitores a decidirem o sentido do seu voto à entrada das assembleias, em função da avaliação do poder físico de cada caceteiro bem como o tamanho da respectiva moca, para pouparem o corpinho à saída.

Passados cerca de 120 anos, as coisas não são muito diferentes em muitas situações da nossa indigente democracia. Só que agora, em vez do caceteiro e da moca, basta o “poder do dedo”: levantar ou não levantar!

Vem esta conversa toda, para retratar o comportamento dos Membros da Assembleia Municipal de Marvão do PSD. Durante os 10 anos em que fiz parte desse Órgão, sempre o PSD, através dos seus Membros, participou activamente nas Assembleias, defendendo ou criticando com propostas, consoante se estivesse no poder ou na oposição. Lembro aqui, os nomes de Carlos Sequeira, Fernando Bonito, Mena Antunes, Soares da Costa, Joaquim Ramilo, Mário Patrício, José Jorge Ribeiro, Isabel Silva, Joaquim Delgado, eu próprio, entre outros menos interventivos.

Desde que de lá saí em 2011, e estive presente praticamente em todas as Assembleias, em 3 anos (apesar de alguns membros terem mudado nas últimas eleições), que não se lhes ouviu uma palavra, uma qualquer proposta, uma participação nos debates, uma qualquer emissão de moção ou declaração de confiança, um ou outro pedido de esclarecimento, um pobre requerimento, uma qualquer resposta às críticas da oposição, uma defesa do executivo, etc. NADA, apenas e só:

- Levantam o Dedo, ou não levantam o Dedo!

Com este comportamento primitivo (tipo caceteiro do século XIX), ganham todas as votações. Mas o exercício democrático é paupérrimo. Alguém um dia formulou que “da discussão nasce a luz...”, mas para aqueles lados está tudo iluminado!

Convém no entanto dizer, que durante este período, realizaram-se 15 Assembleias Municipais, os Membros do PSD são uma média 12, em cada Sessão recebem cerca de 50 euros cada um. O que dá, ao longo destes 3 anos, um total de aproximadamente 10 000 euros. Na última Assembleia Municipal, os Membros do Partido Socialista, apresentaram uma proposta para que os Membros desta Assembleia prescindissem deste “prémios” de presença, e no futuro estas verbas fossem entregues às Associações de Solidariedade Social do concelho de Marvão.

Posta à votação a proposta, os Membros do PSD não levantaram o Dedo! Mas também não apresentaram qualquer justificação. Não precisam, o “poder do dedo” é invencível...
   

segunda-feira, 3 de março de 2014

Musicas da minha vida (11)


Santa apolónia arrotava magotes de gente do seu pobre ventre inchado, sujo e decadente, quando Amélia desceu da carruagem dura e pegajosa, com o coração danificado e a cabeça em polvorosa. Na mala o frasco de ´bien-etre´ mal vedado e, o caderno dos desabafos, todo ensopado. Amélia apresentava todos os sintomas de quem se dirige ao lado errado da noite...

Para trás ficaram uma mãe chorosa e um pai embriagado, o pequeno poço dos desejos todo envenenado, a nódoa do bagaço naquela farda republicana, que a queria levar para cama todos os fins-de-semana, e, o distinto patrão, daquela maldita fundição, a quem era muito mais difícil dizer, não! Amélia transportava todas as visões de quem se dirige ao lado errado da noite...

Amélia encontrou Toni numa velha leitaria, entre as “bolas de berlim” com creme e, o sol que arrefecia. Ele falou-lhe de um presente bom e de um futuro emocionante, e, escondeu-lhe tudo o que pudesse parecer decepcionante. Mais tarde, no quarto de pensão, chamou-lhe sua mulher, seria ele a orientar o negócio de aluguer. Toni tinha todas as qualidades, para ser um rei, no lado errado da noite...

Jonas está agarrado ao seu saxofone, a namorada deu-lhe com os pés pelo telefone, e ele encontrou inspiração numa notícia de jornal acerca de uma mulher que foi levada a tribunal por ter assassinado uma criança recém-nascida, e, o juiz, era um homem, que prezava muito a vida. E a pena foi agravada por tudo se ter passado no lado errado da noite...




sábado, 1 de março de 2014

Mais um perigoso liberal...



Octávio Teixeira: 

“Ou se desvaloriza a moeda ou se desvalorizam salários. Não há milagres!” (ler aqui)

Ai Octávio, Octávio, "tás" com uns patins não tarda....

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Coisas muito feias (3)


Nota prévia: Todos os documentos aqui referidos são públicos e qualquer pessoa os pode consultar.

Acabo de ler na Acta da última Reunião de Câmara Municipal de Marvão, realizada a 17 de Fevereiro de 2014, que o senhor Presidente da Câmara, quando questionado pelo senhor Vereador Carlos Castelinho sobre as noticias vinculadas na comunicação social sobre as buscas da Polícia Judiciária à CM de Marvão, prestou o seguinte esclarecimento:

“O Sr. Presidente prestou os devidos esclarecimentos, referindo que a intervenção se prendeu com a rectificação de uma ata que foi realizada de modo incorrecto pelo que levantou a suspeita de falsificação de documentos. O assunto em causa prendia-se com um contrato de concessão, durante o anterior mandato, para o Centro de Lazer da Portagem que acabou por ser adjudicado ao Sr. Hélder Pires, irmão do Sr. Vereador José Manuel Pires. O ato foi realizado de boa-fé e já tinham sido prestados esclarecimentos ao tribunal e as dúvidas do tribunal eram do conhecimento da Câmara vigente. Nesta intervenção da PJ alguns funcionários da câmara municipal foram ouvidos, alguns documentos recolhidos e computadores averiguados.”

Perante mais este “esclarecimento”, questiono-me, sobre qual a razão para que o senhor Presidente continue a não dizer a verdade aos marvanenses, nem aos seus Órgãos próprios, como é o caso da Câmara Municipal. Senão vejamos alguns factos:

1 – O senhor Presidente sabe perfeitamente que o Contrato de Concessão não foi adjudicado ao Sr. Hélder Pires, mas sim à Empresa Sabores do Norte Alentejano – Empreendimentos Turísticos, Ld.ª, como se pode ver neste estrato da Acta 9/2012, de Reunião de Câmara de 17/5/2012:

“CESSÃO DE EXPLORAÇÃO DO RESTAURANTE DO CENTRO DE LAZER DA PORTAGEM ----------------------------------------------------------------------------------------
Sobre este assunto foi presente a seguinte informação do Chefe de Divisão Administrativa: --------------------------------------------------------------------------------------
“Conforme despacho de V. Ex.ª datado 19 março do corrente ano, a D.ª Maria Marcelina Maroco Machado, foi notificada no mesmo dia para informar se estava interessada em assumir a cessão de exploração acima referida, tendo informado por correio eletrónico datado de 26, que não estava interessada. ------------------------
Dado que em 4.º lugar e ultimo se encontrava classificada a empresa Sabores do Norte Alentejano – Empreendimentos Turísticos, Ld.ª, com sede na Portagem, foi a mesma notificada através do oficio n.º 645 datado de 26 de março, para informar a Câmara Municipal, se estava interessada em assumir a referida cessão de exploração tendo a mesma informado que sim, caso o contrato tivesse a validade de dois anos, com pelo menos mais um de opção. --------------------------------------------------------------
Em face do exposto venho propor a V.Ex.ª que o assunto seja submetido a deliberação da Câmara Municipal.
Á consideração de V. Ex.ª.” -----------------------------------------------------------------------
Despacho do Sr. Presidente: “Visto. Concordo. À Câmara Municipal.” ------------------
A Câmara Municipal deliberou por maioria proceder à adjudicação da cessão de exploração à empresa Sabores do Norte Alentejano – Empreendimentos Turísticos, Ld.ª, com sede na Portagem, e solicitar-lhe os documentos para a celebração do respetivo contrato. ----------------------------------------------------------------------------------
Não participou na votação o Sr. Vereador, Dr. José Manuel Ramilo Pires, por fazer parte da empresa e estar impedido de acordo com o estabelecido na alínea a) do nº 1 do artigo 44º do CPA, tendo-se ausentado da sala eram 12h. Regressou à reunião eram 12h15m.”

2 – O senhor Presidente sabe (ou deveria saber) que esta Empresa não é do Sr. Hélder Pires, mas sim de uma sociedade em que o senhor Vereador José Manuel Pires é Gerente (por isso ele não pode participar ou votar (?) a decisão na Reunião de Câmara), em conjunto com o seu irmão e mãe. Esta situação é, e sempre foi, do conhecimento de todos os Órgãos Autárquicos, pois o senhor Vereador sempre informou, como se pode ver nos 2 Documentos que em baixo publico (Figura 1), um de 2009 e outro de 2013, onde se refere perfeitamente esta situação.

Figura 1 - Informação do Vereador sobre as Empresas de que era gerente em 2009 e 2013



3 – É de facto muito estranho que o senhor Presidente continue a afirmar que a Concessão foi feita a Hélder Pires, e também que o senhor Vereador José Manuel Pires não assuma que ele era Gerente dessa mesma Empresa com uma Quota de 25% (e pelos vistos não informou o seu Presidente). E quando tal se verifica, estas Empresas ficam impedidas de concorrer a Concursos dessa Instituição (quanto mais ganhá-los), de acordo com o Estatuto dos Eleitos Locais e pela Lei do Regime Jurídico de Incompatibilidades e Impedimentos dos Titulares de Cargos Políticos que estipula: 

"(...)as empresas cujo capital seja detido numa percentagem superior a 10%, por um titular de órgão de soberania ou titular de cargo político, ou por alto cargo público, estão impedidas de participar em concursos de fornecimento de bens ou serviços, no exercício de actividade de comércio ou indústria, em contratos com o Estado e demais pessoas colectivas públicas, conforme o estipulado no Regime Jurídico de Incompatibilidades e Impedimentos dos Titulares de Cargos Políticos e Altos Cargos Públicos, no nº 1 do artigo 8º." 

4 – O senhor presidente continua empenhado em fazer crer, que o que está em causa, são pequenas ”incorrecções” de uma Acta! Possivelmente, o problema é mesmo a ACTA, mas o seu conteúdo, não a sua redacção. Senhor Presidente há mais Leis para além do Código de Procedimento Administrativo!

5 – Entretanto, e como é público (todos os Órgãos Autárquicos ficaram a saber na última Assembleia Municipal), em 2013 o Executivo Camarário liderado por Vítor Frutuoso, voltou a cometer uma ilicitude idêntica, ao adjudicar por “administração directa” (por despacho da responsabilidade de poderes do Presidente), a Obra de Construção do Depósito de Abastecimento de Água do Vale de Ródão a outra Empresa do Vereador José Manuel Pires: A Buscanível Lda., como se pode ver na Figura 2. Será que aqui também foi uma “incorrecção de acta”? Ou um caso idêntico à de Concessão do Restaurante do Centro de Lazer, por desconhecimento completo da lei? E/ou falta de lealdade entre os membros do Executivo? 

 Figura 2- Relatório das Obras em Curso em Novembro de 2013

6 – Nisto tudo, e talvez a situação mais grave, é estar a tentar-se responsabilizar os Funcionários da Câmara Municipal de Marvão por esta situação, desviando a água do capote, e não se assumindo as responsabilidades próprias do Executivo que tomou as decisões. Se responsabilidades há dos Funcionários, elas são decorrentes da irresponsabilidade do Executivo por não providenciar uma assessoria jurídica adequada, e por não ter um Técnico dessa área. Sendo, certamente, a única Autarquia do país que não tem um Jurista (quem faz os pareceres jurídicos, é um mero “curioso administrativo” avençado).Em contrapartida prefere ter um Assessor para andar a fazer de "manageiro", a distribuir simpatia para angariação de votos.

7 – Quanto à Oposição política, o senhor Vereador Carlos Castelinho deveria ter-se informado e documentado mais a fundo sobre a situação, e deveria ter confrontado o Executivo com dados concretos, mas parece que o não fez. Se o fizesse, certamente, teria obtido outro esclarecimento, e a verdade estaria mais próxima. Esperemos que amanhã a Assembleia Municipal o faça.

Até lá resta-nos esperar pelo Processo da Justiça. Mas com o seu funcionamento, poderemos esperar sentados, ou talvez não....

A ver vamos. Como diz o cego!

Perguntas que incomodam...


Se o Estado Central reduz e retira do interior do país serviços de saúde, tribunais, finanças, etc., por que carga de água é que os habitantes destas zonas não hão-de poder ser atendidos nos hospitais de Santa Maria ou São João, num qualquer tribunal de Sintra ou Vila Nova de Gaia, ou num serviço de finanças de Setúbal ou Espinho? 

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Concordâncias? E porque não, às vezes...


Eu sou um pronome, um pronome pessoal, sou a primeira pessoa do sujeito singular. Ele é um pronome, igualmente pessoal, e quer que eu me junte a ele numa relação plural.

Mas onde está o meu substantivo? E que verbos posso ambicionar? Chamem-me nomes, maus adjectivos, se é para pior, eu não vou mudar.

Mas eu não sou artigo indefinido, nem um colectivo, nem um numeral! Eu tenho nome, e para mim exijo mais concordância gramatical.

Sou um sujeito, procuro um verbo, e, um bom complemento directo! Quero frases afirmativas e não viver em voz passiva.

Somos sujeitos, queremos verbos, bons complementos directos! Queremos frases afirmativas, e, emoções superlativas...


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Alguma verdade sobre aposentações

De acordo com esta notícia 80% dos aposentados/reformados em Portugal têm uma reforma média de cerca de 360 euros/mês. Ainda de acordo com outros dados divulgados, apenas 13% desses mesmos aposentados auferem valores superiores a 1 300 euros.

Com todos os cortes que por aí se fala, eu que estou dentro dos 13%, com uma aposentação um pouco superior aos tais 1 300 euros /mês, recebi em 2013, em valor líquido anual, de mais 500 euros do que havia recebido em 2012. O que quer dizer que, para os outros 87% de aposentados, certamente, a recuperação percentual ainda foi superior à minha.

Não percebo assim, quem é que os partidos de esquerda e as organizações “para-sindicais” de reformados andam a defender. Os mais desfavorecidos não devem ser!

No extremo oposto, cerca de 5% dos aposentados portugueses estão as chamadas “reformas douradas” (superiores a 3 000/mês), e essas estão de facto a sofrer cortes brutais, às vezes superiores a 50% do seu valor. Mas será isto injusto? Serão estas as pessoas que se andam por aí a manifestar, defendidas pelos tais partidos do estado social com dinheiro emprestado?

Já agora, e segundo a mesma notícia, 56 destes aposentados, têm reformas superiores a 17 000 euros. Num país como este é uma barbaridade.

Que pensarão disto o ps, pcp e bloquistas, e as tais associações para-sindicais?

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

"Valsa dos Detectives"...


Tem medo do escuro, tal criança, sem futuro. É falso, velhaco, cobarde armado em duro. Vai pelo mundo guiado pela mão, até depois de morto dá uma volta no caixão. Treme e vacila nem na cama está seguro, teme que alguém o chame, geme, sofre de medo puro. 

Evita o olhar, dos mortais, que o rodeiam, esconde-se em mentiras que mesquinhas serpenteia. Vai pelo mundo guiado pela mão, até depois de morto dá uma volta no caixão. É só, paranóia, mania da perseguição, desconfia de todos resulta da sua traição, e, vai pelo mundo guiado pela mão, até depois de morto dá uma volta no caixão....


terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Coisas muito feias (2)

Como se pode ver aqui em extracto de declarações de Vítor Frutuoso à Rádio Portalegre (17/2/2014), sobre buscas da PJ na CM de Marvão:

“O autarca explicou que na base desta investigação está “um lapso” do responsável pelos serviços administrativos do município que corrigiu “indevidamente” uma ata da reunião camarária.”

Ai estas questões de carácter dos líderes que nos governam! As responsabilidades nunca se delegam, assumem-se. Sobretudo nos momentos difíceis.

E o essencial do que está em causa mantém-se, e o sr. presidente não responde mais uma vez:

 - Porque é que o sr. vereador não podia votar o assunto da decisão tomada?

- A decisão tomada estava de acordo com as Leis vigentes?

- Porque é que 2 anos depois volta a repetir-se uma situação idêntica (que não é uma questão de Acta)?

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Ah e tal, sai um "prato" de promiscuidades...


Este país é mesmo um país que apenas dá importância a “processos”!

Então quando existe um “furto”, não existe sempre um gatuno e alguém que é a vítima! O que se deveria averiguar (discutir ou avaliar) nestes casos, não deveria ser o “objecto” de roubo, em vez de se estar preocupado se a coisa ocorreu de noite ou de dia? Ou se o queixoso fez bem ou mal a queixa?

Então, num acto concursal público em 2012, “alguém” pratica algo à margem da lei (de acordo com a Lei das Incompatibilidades) isto é, um bem que era público passou para a esfera da administração privada, em que um sujeito, simultaneamente, é dirigente na instituição pública (vereador) e gestor dessa coisa privada, e o que está em causa é uma mera formalidade de escrituração (acta)?

Lembremos ainda que os factos agora em causa, segundo o Jornal Público, sucederam no ano de 2012! Mas no final de 2013, os mesmos intervenientes, repetiram a mesma, e provável irregularidade, como se pode ver aqui. Apenas mudou o ramo: da restauração, passou-se para a construção civil.

O Presidente diz que não sabia que as Empresas eram do Vereador (porque terá então o vereador saído da Reunião de Câmara e não votado a decisão?). E o Vereador esqueceu-se que as Empresas eram dele, embora tenha entregue uma Declaração sobre tal nos órgãos próprios. E os Assessores? Esses andavam distraídos em campanha...

Siga a cegarrega que é a dança cá da terra / só não dança quem não quer / é encher a saca, chupar na teta da vaca / enquanto houver!



quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

"Temos o direito de ser humilhados"

O que é que se podia esperar disto? Passaram 2 anos e...

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Esta é muita forte! Mas merece ser replicada...


Retirada daqui:

Uma descrição apressada das praxes por que passei
por António Manuel Venda

“Dei agora conta de que devo ser a única pessoa em Portugal que não escreveu sobre as praxes. Andei no ISCTE. Também apanhei com os filhos da puta logo à porta, no primeiro dia (eu ia do Algarve, de Monchique, acho que só conhecia vagamente a palavra praxe). Estavam dois tipos com uma rapariga que tinha pasta de dentes e creme de barbear. Achei estranho mas avancei para eles. Os dois tipos agarraram-me logo e a rapariga preparou-se para me encher o rosto e o cabelo com a pasta e o creme.

Concentrei-me apenas num dos que me agarravam e atirei-o ao chão, e nessa altura senti que tinha sido apanhado na cara nem sei já se pela pasta se pelo creme. Quando ia para dar um pontapé no focinho do filho da puta que estava no chão, o outro puxou-me para trás e ele entretanto levantou-se. Vi as coisas mal paradas para o meu lado, porque eram dois, havia a rapariga com as bisnagas e estava um terceiro a aproximar-se. Consegui libertar-me do que me agarrava e procurei na relva da entrada do ISCTE um pau, algum ramo de árvore, qualquer coisa que me ajudasse a equilibrar aquilo. Mas nada. Percebi então que o terceiro vinha tentar desapartar, embora pertencesse ao grupo dos filhos da puta. Lá disse umas coisas aos outros e entraram no edifício. Eu segui-os e procurei uma casa de banho. Estava envergonhadíssimo com aquelas merdas na cara, mas a certa altura vi alguns tipos cabisbaixos a caminharem pelos corredores com bigodes colgate e volumosas cabeleiras brancas.

Acabei por lavar a cara e quando saí nem passaram cinco minutos que não aparecesse mais um grupo de filhos da puta. Só tipos, desta vez e um com ar esquisito carregava as bisnagas. Mal os vi dirigirem-se a mim, apanhei um caixote do lixo e disse-lhes que ia haver ali merda. Não houve. Os filhos da puta passaram por mim sem fazerem um gesto ameaçador que fosse, mas um disse-me que eu ficava marcado. Pousei o caixote do lixo no chão, a conter-me para não lhe dar com ele nos cornos. Era o que me apetecia fazer. Partir os cornos do filho da puta que tinha dito que eu ficava marcado. Mas contive-me. E o dia passou, acho que só com uma aula e ainda por cima falsa, onde um palhaço qualquer a fazer de professor se fartou de recomendar bibliografia esquisita. Eu ainda cheguei a comprar um dos livros, antes de descobrir que a aula tinha sido falsa, para nos fazer de parvos. Não sei se mais alguém comprou.

Depois veio a parte pior, uma aula no auditório maior, teórica. Mas não era a aula. Era as praxes. Creio que foi um ou dois dias depois. Não tenho bem a certeza. Os alunos encheram o auditório. Acho que muitos sabiam que era para as praxes, mas eu, lá das serras do Algarve, pensei que era uma aula mesmo. Só percebi quando ao procurar um lugar numa das filas do meio me apareceu pela frente a tal rapariga da pasta de dentes e do creme de barbear e, sem que eu tivesse tempo de reagir, sacou um marcador verde do soutien (se é que usava e não o segurava entre as mamas) e fez-me um risco na cara. Apeteceu-me chamar-lhe cabra, mas não consegui porque nessa altura tinha a mente ocupada com a surpresa de estar na porcaria nas praxes e não numa aula teórica. O que poderia fazer? Era isso que eu pensava.

Fui-me sentar num lugar vago na fila em frente, e pelo caminho reparei, que a cabra já riscava outro rapaz depois de sacar o marcador, que escondeu logo a seguir. Pensei que deveria chegar a casa com as mamas todas verdes, porque parecia nem ter tampa no marcador. A cabra das mamas verdes. Podia haver quem gostasse. Pensei em Monchique, a minha terra. O Karaté das Estevas, se a encontrasse assim, de certeza que lhe chamava um figo. E o Renhaufe a mesma coisa. Já o Zé das Cabras talvez ficasse impressionado e fugisse dela. Não sei. Devo ter pensado em mais coisas.

Estava a escrever notas como estas num pequeno bloco, para tentar passar despercebido, mas de repente aquela merda começou. Entraram lá os que mandavam naquilo, inclusive os dois filhos da puta que me tinham recebido à porta no primeiro dia. Claro que fui um dos escolhidos pata ir fazer figura de parvo. Chamaram-me logo mais um grupo de cinco ou seis. Pensei que era por ter a marca na cara e que devia ter tentado tirá-la com cuspo. Mas não. Eles reconheciam-me mesmo sem a marca. Havia uns do grupo que não estavam marcados. Por isso lá fui. Ia decidido a não armar problemas no meio daquela assistência toda, onde percebi que estavam alguns professores, pela idade que aparentavam.

Aquilo era completamente estúpido e nalguns casos, para mim, humilhante. Mas calhou-me uma coisa fácil: ir para cima de uma cadeira, descalço (convém não ir para aquela merda com buracos nas meias), em frente a outro desgraçado nas mesmas condições e imitar um galo (fingir bater as asas com os braços e gritar có có ró có có). Fizemos os dois uma figura triste durante trinta segundos, mas não dava para desatar ali à porrada no meio do que parecia ser uma festa académica que até metia professores. Puta que os pariu também!

Regressei ao meu lugar, descalço, e só aí é que calcei as meias e as botas. Ainda havia quem se risse de mim. Decidi ignorar. Achei que já não me iam chatear mais. E a verdade é que não me chatearam. Mas os outros do grupo tiveram provas mesmo piores, pelo menos seriam piores para mim (por exemplo, ficar em cuecas, vestir uma saia transparente e dançar, o mais próximo que conseguissem do ballet. Parvoíces e mais parvoíces, com um auditório cheio a rir, inclusive os caloiros que não tinham sido escolhidos, a maioria, aliás.

Depois houve a eleição da miss caloira e nos dois primeiros lugares ficaram duas raparigas que depois descobri que calharam na minha turma. Essa parte não foi muito puxada para elas, não precisaram de se despir, mas para as avaliações tiveram de se pôr um bocado a jeito dos filhos da puta que iam conduzindo a festa. E foi assim, uma coisa soft, sem mortos nem feridos, mas eu não gostei.

E ainda me lembro dos filhos da puta da organização. Puta que os pariu! Devem gerir empresas por aí. O curso era de gestão. Ou estão desempregados. Ou emigraram. Ou algum já morreu. Eu sei lá..., Nunca gostei de merdas daquelas. Mas depois, com o passar dos anos, comecei a ver merdas piores, bem piores. E a saber de mortes. Tenho de reconhecer que aquilo da pasta de dentes e do creme de barbear se calhar nem merecia que se atirasse com um tipo ao chão. Mas se o tempo voltasse para trás eu agora ia esforçar-me mais para acertar mesmo com um pontapé no focinho do filho da puta que atirei ao chão. Foi uma semana daquela merda.

Mais tarde colegas meus, de Lisboa, disseram-me que já sabiam daquilo e que por isso não tinham aparecido nas aulas na primeira semana. Eu sabia lá... Eu tinha chegado de Monchique. Sabia tanto de praxes como o Karaté das Estevas, o tal que não haveria de deitar fora uma a cabra das mamas verdes. Por isso lá andei a semana inteira, a defender-me quando achava que era demais (bigodes de pasta de dentes, f***-se, nem que fosse preciso haver porrada...). Outras coisas deixei.

Outra cabra pintou-me a cara com giz. Andava sempre de giz na mão e acho que não usava soutien (pelo menos não tinha mamas). Era tão feia, tão feia mas mesmo tão feia que eu fiquei feito parvo a olhar para ela a tentar perceber se usava uma máscara ou se era mesmo assim. E entretanto ela pintou-me a cara de branco. Como tinha pintado tantos por ali, nem me preocupei em ir logo lavar a cara. Fui daí a bocado, antes de regressar a casa. A cabra feia parecia impressionar os caloiros. Deixavam-se pintar, de olhos fixados nela, incrédulos com o que viam. Cheguei a pensar que era uma bruxa, mas depois acabei por vê-la andar por lá com o saco dos livros e dos cadernos.

As raparigas das praxes eram quase todas feias, mas aquela distinguia-se. Já os tipos, o que os distinguia, era a tendência para a ordinarice e para manifestarem uma certa superioridade, e também o facto de andarem em grupo, não se desse o caso de terem de levar nos cornos. Terminou tudo ao fim de uma semana. Com mais uma aula teórica inventada no auditório maior. Aos poucos os caloiros tinham perdido o medo daquilo e já estavam por tudo.

O auditório encheu outra vez. E os mesmos tipos das praxes lá apareceram a conduzir a festa. A cabra das mamas verdes, dessa vez, nem a vi. A bruxa do giz branco a mesma coisa. Eu tinha-as posto as duas a caminho de Monchique numa das minhas histórias, a das mamas verdes para ser apanhada pelo Karaté das Estevas, a sem mamas para ficar a cargo do Renhaufe, ou talvez do Jacaréu, ou na volta para fazer o jeito ao Sapo dos Montes Claros. Se calhar foi por isso que não as vi, ou que não reparei nelas. Estavam na história e estavam muito bem. E a julgar pelo que eu sabia do Karaté das Estevas, do Renhaufe, do Jacaréu e do Sapo dos Montes Claros estavam bem fo*****. Aquelas duas cabras...

Fui-me sentar numa das últimas filas do auditório. Pensei que estaria mais a salvo do que pudesse acontecer. Mas a festa, afinal, era diferente. Os tipos queriam dar-nos uma espécie de lição de participação cívica, umas tretas, política, sei lá o que mais. Já se entrava na fase da seriedade. Já devíamos estar integrados na cultura académica. Pelo menos foi o que pensei que os filhos da puta pensavam. Senti-me tranquilo. Larguei o bloco onde escrevia e tomei atenção. O que seria que tinham preparado?

Muitos como eu fariam esta pergunta. Que teve respostas nem cinco minutos depois. Um dos filhos da puta, que usava um bigodinho parvo à Hitler só que castanho mais baixo e mais largo (enfim, com tantas diferenças nem seria um bigode à Hitler, mas também não era nenhum bigode à Clark Gable...), esse tipo apresentou um orador. Era um colega nosso, que estava lá matriculado havia já algum tempo mas que ao que percebi ainda se mantinha no primeiro ano. Foi a única vez que o vi lá.

Apresentou-o como um promissor líder político. Isto vai para trinta anos. Era de uma juventude de um partido, a socialista. Nada retive do que nos disse durante já não sei quanto tempo. Foi apresentado como António José Seguro. Para mim foi como se tivessem dito que era o Manuel Francisco da Silva. Ou o Karaté dos Montes Claros. Ou o Jacaréu Renhaufe das Estevas. Não o conhecia de lado nenhum. Nem fiquei a conhecer. Mais tarde é que ouvi falar dele, cada vez mais!”

Ah ganda Tonho, quem escreve assim não é gago. Eu, no seu lugar, faria o mesmo.