terça-feira, 1 de abril de 2014
segunda-feira, 31 de março de 2014
Campeões! Simplesmente...
Há cerca de 2
meses numa tertúlia futeboleira, falou-se
que iria realizar-se um Torneio de Futsal
(no meu tempo dizia-se futebol de salão), para não federados, em Santo António
das Areias, organizado pela CM de Marvão.
F&A Seguros - Em cima: Nuno Macedo, Paulo David, Rui Canuto, Luís Barreto. Em baixo: Miguelito, João Carlos, Zé Domingos, Artur Costa e João Bugalhão. Faltam na foto Luís Reis e Luís Miguel.
O futebol sempre
foi uma das minhas grandes paixões em todas as suas vertentes, sobretudo a sua
prática. Não me tendo proporcionado a vida, a oportunidade de uma grande
aprendizagem da sua praxis, já que a
minha vida entre os 12 e os 20 anos foi trabalhar 9 horas por dia e estudar
mais 5 horas nocturnas, não me restando assim tempo para a aprendizagem da
modalidade que eu tanto gostava. No entanto, nesse tempo, era tão grande a paixão
pela coisa, que enquanto trabalhava, e para matar o vício, cheguei a idealizar, mentalmente, jogos entre equipas constituídas
por amigos meus, em que eu, durante os 90 minutos era, simultaneamente, treinador,
jogador, e ainda realizava os relatos do jogo. Só quando cheguei aos 20 anos, a
vida me proporcionou o prazer de voltar aos pontapés na bola, mas entretanto, a
pouca habilidade inata tinha desaparecido, ficando apenas a vontade e o gosto,
mas como diz o povo, nunca haveria de ser grande
espingarda na arte.
Depois, durante
25 anos, fui tudo o que se possa ser na prática desta modalidade: jogador (com
pobre carreira), massagista, treinador, psicólogo, educador, empresário, marcador
do campo, roupeiro, motorista, tesoureiro, secretário, presidente de direcção,
presidente de assembleia geral, e tudo o que se possa imaginar dentro de um
clube de pequenas dimensões como era, e é, o Arenense, entrado sempre pela porta pequena. Só não sei se alguma vez
saí pela porta grande, acho que não.
Só sei que para mim foi compensador, uma grande experiência de vida. Oxalá que
o tenha sido, também, para muitos daqueles que viveram comigo esses tempos.
Foi assim que
quando ouvi falar desta iniciativa, e quando a minha idade já não vai para nova,
me disse a mim próprio: - João, aqui
tens a última oportunidade de fazeres umas das coisas que sempre te apaixonou, e
se não for agora, nunca mais o será! E assim foi. Em 5 minutos convidei meia
dúzia de amigos, a que mais tarde se juntaram mais 2 ou três, e aí fomos nós. Só
que, infelizmente, e enquanto “jogador”, rapidamente concluí que a idade não
perdoa, e á segunda tentativa, antes que saísse dali para a faca, o melhor seria sentar o cuzinho no
mocho, que isso de correr atrás do esférico já foi.
Fora este pormenor,
sem qualquer importância, o grupo reunido foi excepcional, se é que este
adjectivo pode qualificar a equipa da F&A
Seguros, que a uma jornada do fim é a vencedora deste Torneio.
Não vou dizer
que o resultado competitivo não é importante, claro que é, pelo menos faz bem
ao ego. Mas o mais importante para
mim, para além da coordenação que fui fazendo do grupo, foi a humildade, a
camaradagem, o saber estar, o respeito que tivemos de todas as equipas e da
organização, e, o chegar ao fim de alguns jogos e recebermos os parabéns da
arbitragem por terminarem sem qualquer falta.
Da minha parte, um obrigado a todos por mais esta
vivência e experiência de vida.
sábado, 29 de março de 2014
Quem serão os vampiros de hoje?
A toda a parte chegam
os vampiros, poisam nos prédios, poisam nas calçadas, trazem no ventre despojos
antigos, mas nada os prende às vidas acabadas. São os mordomos do universo todo,
senhores à força, mandadores sem lei, enchem as tulhas, bebem vinho novo, dançam
a ronda no pinhal do rei!
Eles comem tudo,
Eles comem tudo, Eles comem tudo e não deixam nada...
No chão do medo
tombam os vencidos, ouvem-se os gritos na noite abafada, jazem nos fossos vítimas
dum credo, e não se esgota o sangue da manada. Se alguém se engana com seu ar
sisudo, e lhe franqueia as portas à chegada?
- Eles comem
tudo, Eles comem tudo, Eles comem tudo e não deixam nada...
Figura 1 - Quadro de (des)honra citado por Paulo Morais (mas há muitos mais...)
quinta-feira, 27 de março de 2014
Obrigado Mário Crespo...
Despedida emocionada de Mário Crespo em 26/3/2014 (Jornal das 9 da SIC Notícias)
sexta-feira, 21 de março de 2014
Que deus me valha....
Este simpático septuagenário
chama-se Bagão Félix, é apontado
como uma das celebridades que assinou o tal “manifesto” de reestruturação da dívida pública portuguesa. Ele e
mais outros 73 sabichões da coisa, como: Manuela Ferreira Leite, João Cravinho,
Francisco Louçã, Freitas do Amaral, Carvalho da Silva, e outra “ciganada” que
por aí andam a vender-nos gato por lebre, autênticos cata-ventos senis e papagaios
falantes, agarrados às suas chorudas
reformas, que querem manter privilégios à conta daquilo que chamam “ os direitos
adquiridos”, querendo continuar a chutar para as gerações vindouras (porque não
duvidem, alguém vai ter de pagar, senão forem os pais, serão os filhos e netos).
Se hoje aqui
cito este “velhinho” simpático, é porque nutria por ele alguma admiração
intelectual, pelo seu percurso de vida e de participação na vida pública
portuguesa (sobre a outra “tralha” nem quero ouvir falar), mas com esta mudança de opinião que aqui revela em apenas 6 meses,
está também, e desde já, “desarriscado” das minhas referências. Senão oiçam com atenção e reflictam:
Dizia então o senhor, em Outubro de 2013, sobre a tal “reestruturação da dívida”, se bem ouvi:
"Quando se fala de reestruturação da dívida - entenda-se: não pagar parte da dívida, ou pagar
com mais tempo -, se isso acontecer, o FMI e os outros credores
preferenciais não se sujeitam a este corte a menos que haja acordo. E quem iria
apanhar sobretudo o corte se eventualmente houvesse acordo? Quem pagaria isso
seriam os bancos portugueses. E, apanhando os bancos portugueses um corte
desses, quem apanhava era a própria capacidade de solvabilidade dos bancos e,
por tabela, os depositantes. Por isso falar de reestruturação da dívida fora do
contexto efectivo de quem são os detentores dessa dívida, parece-me
relativamente imprudente."
E o que aconteceria se houvesse um perdão de dívida que
afectasse os bancos portugueses?
"Seria terrível. Suponha que 40 ou 50 por cento da dívida era
perdoada. Os recebimentos nacionais têm 62 mil milhões de euros neste momento.
Significava que 25 mil milhões desapareciam de repente das companhias de
seguros, dos fundos de pensões e sobretudo da banca. Alguns bancos estariam, em
termos de solvabilidade, numa solução bem pior. Depois ter-se-ia que
recapitalizar esses bancos. Em última análise, quem apanha no fim são
aqueles que emprestam dinheiro aos bancos, que são os depositantes, que são os
últimos credores."
Por mim, estou esclarecido.
quinta-feira, 20 de março de 2014
Ninguém as fez, ninguém as fez, mas elas existem!... (1)
"A falácia do aumento da dívida pública
Opinião de Carlos Guimarães Pinto
Uma das 3 pessoas que faz o sacrifício de ouvir o comentário de Sócrates aos Domingos na RTP, tratou de informar as redes sociais que o antigo primeiro-ministro se queixou ontem do aumento da dívida pública nos anos do governo PSD-CDS. Os números, de facto, não enganam, como podem ver no gráfico abaixo:
A
tendência desde o último ano completo de governação Sócrates (2011) é de facto
assustadora: subiu 53 mil milhões de euros, qualquer coisa como 35% do PIB em
apenas 3 anos. Excepcionalmente, Sócrates diz a verdade. Se quisesse levar a
retórica mais longe, até poderia dizer que, se acumulou tanta dívida pública,
desde que ele deixou o governo, como no total dos seus mandatos.
Claro
que é de esperar que a dívida suba enquanto existirem défices públicos.
Comentadores como José Sócrates que defendem metas mais flexíveis para o défice,
dificilmente, se poderão queixar que a dívida pública aumenta. Não podem
defender ao mesmo tempo que haja défices mais altos, e depois, criticar que a
dívida pública resultante desses défices aumente.
A
dívida pública é isso mesmo: o resultado da acumulação de défices. Mas será
mesmo assim? Para analisar a veracidade desta relação económica, podemos observar
abaixo a evolução do défice das contas pública e o crescimento da dívida
pública.
A relação efectivamente
mantém-se. Na maior parte dos anos a dívida pública aumenta no mesmo montante
do défice público, com umas pequenas diferenças, os chamados ajustamentos défice-dívida. Estes
ajustamentos são quase sempre bastante pequenos, mas há uma notável excepção:
os anos imediatamente a seguir à saída de Sócrates!
Nesses anos, a dívida pública
aumentou bastante mais do que o défice das contas pública levaria a pensar. E
porquê?
Isto deveu-se a 3 factores:
1 - O salvamento dos bancos. Algo que qualquer
governo no actual panorama partidário teria feito. A alternativa a esta medida
seria os depositantes de alguns bancos menos sólidos (BCP, BANIF,…) terem
ficado sem parte dos seus depósitos, como em Chipre.
2 - A variação nas reservas de segurança do estado.
Parte da dívida contraída refere-se a um aumento de reservas do Estado, ou seja
dinheiro não alocado a despesa que fica em depósitos garantindo uma almofada
caso falhe crédito. Foi esta a almofada que faltou em Maio de 2011 e que
empurrou Sócrates para o pedido de ajuda antes das eleições, sob o risco de o
país falhar o pagamento de salários e pensões nos meses seguintes.
3 - O pagamento das dívidas a fornecedores.
Como a dívida a fornecedores não entra para os cálculo de dívida pública, uma
forma fácil de um governo esconder a dívida pública é faltando, ou atrasando, o
pagamento aos seus fornecedores. Esta dívida era bastante elevada quando
Sócrates deixou o governo, particularmente
na saúde. O pagamento dessa dívida pelo actual governo também contribuiu
para um aumento da dívida pública.
Ou seja, grande parte da dívida pública foi para salvar
um sistema bancário deixado de rastos pelas políticas económicas, para repor as
reservas de dinheiro que o governo Sócrates depletou até não haver suficiente
para pagar salários e reformas, e para pagar os calotes deixados por esse mesmo
governo, nomeadamente no sector da saúde.
Podemos ainda apontar o facto de
uma parte do défice actual se dever aos pagamentos das PPPs assinadas
por Sócrates, outra forma de disfarçar dívida e défices
passados. Antes das PPPs, um governo que construísse uma auto-estrada teria que
contar com essa despesa no orçamento do ano em que a auto-estrada fosse construída,
aumentando o défice. Utilizando uma PPP, um governo pode construir uma
auto-estrada sem qualquer impacto no défice, empurrando esse custo e respectivos
juros para os governos seguintes.
Sócrates tem razão quando diz que a dívida subiu bastante imediatamente
após a sua saída do governo. Mas não deve esquecer que esta é,
maioritariamente, a sua dívida.
A dívida que Sócrates escondeu
através das PPPs, dos calotes a fornecedores, do esvaziamento das reservas de
segurança do estado que quase deixou o país sem capacidade de pagar salários e
pensões, e do caos em que as políticas do seu governo deixaram o sistema
bancário."
quarta-feira, 19 de março de 2014
A tanga dos lamechas...
Há 40 ou 50 anos Bragança, Marvão ou Alcoutim eram bem mais longe de Lisboa, do que hoje Berlim, Paris ou Amesterdão, e não tínhamos propriamente 30 anos de idade!
Às tantas, também foste Tiago...
Valha-nos estes...
De Bragança a Lisboa são 9 Horas de distância,
queria ter um avião para lá ir mais amiúde. Dei cabo da tolerância, rebentei
com três radares, só para te ter mais perto, só para tu te dares.
Saio agora! E vou correndo! E vou-me embora! E vou
correndo! Já não demora! E vou correndo para ti...Maria!!
Outra vez vim de Lisboa num comboio azarado, nem máquina
tinha ainda e, já estava atrasado. Dei comigo agarrado ao ponteiro mais pequeno
e, tu de certeza à espera, rebolando-te no feno!
Seja de noite, ou de dia, trago sempre na lembrança, a cor
da tua alegria e o cheiro da tua trança. De Bragança a Lisboa são 9 Horas de distância, queria ter um avião para lá ir mais amiúde...
Saio agora! E vou correndo! E vou-me embora! E vou
correndo! Já não demora! E vou correndo para ti...Maria!!
terça-feira, 18 de março de 2014
Em dia de fatiota nova...
Mais um testemunho
para futuro que deixo aqui, em mais uma participação da equipa de Velhas
Guardas do Arenense, num dia de estreia de equipamento novo, por sinal, bem
catita, e oferecido pela Companhia de Seguros Zurich, através de Artur Costa (pena
que não pudesse estar presente).
De pé da esquerda para a direita: João Bugalhão, Rui Delgado, Pedro Vaz, Luís Barradas, Paulo David, Márcio Fernandes, Nuno Costa, José Domingos Felizardo, Miguel Sobreiro, Rui Canuto e Fernando Bonito. Em baixo: Miguelito, João Anselmo, Ginja Dias, Simão Branco, Luís Reis, Mário Cardoso, Henrique Martins e José Vaz.
Cultivar a amizade: Paulo David e Luís Barradas
Foi mais um jogo
convívio com os nossos congéneres do Ecléctico de Ponte Sôr, que recebemos pela
primeira vez, e cujo resultado desportivo foi um empate de 2 – 2. No final um belo repasto servido no Restaurante JJ Videira,
com a presença de 35 amigos.
A boa disposição e o humor de Luís Barradas
sábado, 15 de março de 2014
Canções da minha vida (12)
Tu estás livre, e
eu, estou livre, e há uma noite para passar, porque não vamos unidos, porque não
vamos ficar na aventura dos sentidos. Tu estás só, e eu, mais só estou. Tu que
tens o meu olhar, tens a minha mão aberta à espera de se fechar, nessa tua mão
deserta...
Vem que amor não é o tempo, nem é o tempo que
o faz, vem que amor é o momento em que eu me dou e em que te dás.
Tu que buscas
companhia, e eu, que busco quem quiser, ser o fim desta energia, ser um corpo de
prazer, ser o fim de mais um dia. Tu continuas, à espera, do melhor que já não
vem, e a esperança foi encontrada, antes de ti, por alguém, e, eu sou melhor que
nada...
sexta-feira, 14 de março de 2014
O que muda nas pensões em 2014
Nos próximos
dias iremos assistir ao choradinho dos “reformados desgraçadinhos” que o
malandro do Coelho, com a aplicação da Contribuição Especial de Solidariedade
(CES) os deixará na miséria. Vale a pena recordar, que muitos destes queixinhas
(a CES só abrange os Reformados com mais
de 1 000 euros/mês, e o “ordenado médio em Portugal é de 950 euros), ficaram
a ganhar mais quando se reformaram, do que ganhavam quando trabalhavam, através
da aplicação de uma fórmula de cálculo aberrante.
Como se pode ler
aqui, “... o corte da CES é progressivo e começa em 3,5%. A lei garante no
entanto que, da aplicação da CES, não pode resultar uma pensão inferior a 1.000
euros. O corte de 3,5% (que começará em 1.000 euros e não em 1.350) mantém-se
inalterado até 1.800 euros. Entre este valor e 3.750 euros, a taxa vai subindo
até atingir 10%,o que significa que também não há mudanças face ao regime em
vigor. O Orçamento Rectificativo só prevê cortes diferentes dos actuais no caso
de pensões superiores a 4.611,4 euros. É que, além do corte de 10%, continuam
previstas outras duas taxas que passam agora a abranger pensões mais baixas. A
taxa de 15% (que acumula com o corte de 10%) passa a incidir sobre o valor da
pensão entre 4.611,4 e 7.126,7 euros (contra os actuais 5.030,6 e 7.546 euros,
respectivamente.) Já a parte da pensão que ultrapassa 7.126,7 euros é sujeita a
uma taxa de 40% (que até aqui só abrangia valores acima de 7.546 euros).”
Isto quer dizer
que, um reformado que ganhe 1 000 euros receberá menos 35 euros por mês, e esta
taxa manter-se-á como no ano passado até aos 1 800. Eu que ganho 1 500
receberei menos 52 euros, exactamente o mesmo que no ano passado, sem qualquer
acréscimo. A partir dos “pobrezinhos” que ganham mais de 4 600 euros, as coisas
piam mais fino, mas francamente não tenho muita pena deles, como certamente
aqueles que ganham menos de 1 000 euros (e são aproximadamente 80% dos nossos
reformados), não terão nenhuma pena de mim, e até invejariam descontar como eu.
Iremos por isso
assistir, nos próximos dias, a um linguajar que meterá, entre outros termos, “o roubo”. A liderar estas contestações
estarão Manuela Ferreira Leite, Bagão Felix, Maria do Rosário Gama, Casimiro
Meneses, António Capucho, todo o Partido Comunista e Bloco (os tais do “manifesto
dos 70” ),
e o aparelho do PS a esfregar as mãos. A nova “brigada do reumático” do costume!
Em minha opinião,
o que essa gente toda deveria estar a protestar e defender, eram aqueles que não
têm cortes (80% dos Reformados), e todos aqueles, que trabalhando, ganham menos
de 1 000 euros por mês, bem como alguns desempregados, esses sim merecem
protestar e ser defendidos. Mas não, a nova “brigada do reumático” prefere
defender os que têm cortes.
Porque será?
quinta-feira, 13 de março de 2014
O mundo dos outros...
Para ler,
reflectir e discutir. Tal como o Manifesto dos 70.
Carta a uma Geração Errada
Caros João Cravinho, Manuela Ferreira Leite, Bagão Félix, Ferro Rodrigues, Sevinate Pinto, Vítor Martins e demais subscritores do manifesto pela reestruturação da divida publica: Que tal deixarem para a geração seguinte a tarefa de resolver os problemas gravíssimos que vocês lhes deixaram? É que as vossas propostas já não resolvem, só agravam os problemas. Que tal darem lugar aos mais novos?
Caros João Cravinho, Manuela Ferreira Leite, Bagão Félix, Ferro Rodrigues, Sevinate Pinto, Vítor Martins e demais subscritores do manifesto pela reestruturação da divida publica: Que tal deixarem para a geração seguinte a tarefa de resolver os problemas gravíssimos que vocês lhes deixaram? É que as vossas propostas já não resolvem, só agravam os problemas. Que tal darem lugar aos mais novos?
Vi, ouvi, li, e não queria acreditar. 70 das
mais importantes personalidades do país, parte substancial da nossa elite, veio
propor que se diga aos credores internacionais o seguinte:
–
Desculpem lá qualquer coisinha mas nós não conseguimos pagar tudo o que vos
devemos, não conseguimos sequer cumprir as condições que nós próprios
assinámos, tanto em juros como em prazos de amortizações!
Permitam-me uma pergunta simples e directa:
Vocês pensaram bem no momento e nas consequências da vossa proposta, feita a
menos de dois meses do anúncio do modo de saída do programa de assistência
internacional?
Imaginaram que, se os investidores
internacionais levarem mesmo a sério a vossa proposta, poderão começar a
duvidar da capacidade e da vontade de Portugal em honrar os seus compromissos e
poderão voltar a exigir já nos próximos dias um prémio de risco muito mais
elevado pela compra de nova dívida e pela posse das obrigações que já detêm?
Conseguem perceber que, na hipótese absurda
de o Governo pedir agora uma reestruturação da nossa dívida, os juros no
mercado secundário iriam aumentar imediatamente e deitar a perder mais de três
anos de austeridade necessária e incontornável para recuperar a confiança dos
investidores, obrigando, isso sim, a um novo programa de resgate e ainda a mais
austeridade, precisamente aquilo que vocês dizem querer evitar?
Conseguem perceber que, mesmo na hipótese
absurda de os credores oficiais internacionais FMI, BCE e Comissão Europeia
aceitarem a proposta, só o fariam contra a aceitação de uma ainda mais dura
condicionalidade, ainda mais austeridade?
Conseguem perceber que os credores externos,
nomeadamente os alemães, iriam imediatamente responder – Porque é que não
começam por vocês próprios?
Os vossos bancos não têm mais de 25 por
cento da vossa dívida pública nos seus balanços, mais de 40 mil milhões de
euros, e o vosso Fundo de Capitalização da Segurança Social não tem mais de 8
mil milhões de euros de obrigações do Tesouro? Peçam-lhes um perdão parcial de
capital e de juros.
Conseguem perceber que, neste caso, os
bancos portugueses ficariam à beira da falência e a Segurança Social ficaria
descapitalizada?
Nenhum de vós, subscritores do manifesto
pela reestruturação da dívida pública, faria tal proposta se fosse Ministro das
Finanças. E sobretudo não a faria neste delicadíssimo momento da vida
financeira do país. Mesmo sendo uma proposta feita por cidadãos livres e
independentes, pela sua projecção social poderá ter impacto externo e levar a
uma degradação da percepção dos investidores, pela qual vos devemos
responsabilizar desde já. Se isso acontecer, digo-vos que como cidadão
contribuinte vou exigir publicamente que reparem o dano causado ao Estado.
Conseguem perceber porque é que o partido
que pode ser Governo em breve, liderado por António José Seguro, reagiu dizendo
apenas que se deve garantir uma gestão responsável da dívida pública e nunca
falando de reestruturação?
Pergunto-vos também se não sabem que uma
reestruturação de dívida pública não se pede, nunca se anuncia publicamente. Se
é preciso fazer-se, faz-se. Discretamente, nos sóbrios gabinetes da alta
finança internacional.
Aliás, vocês não sabem que Portugal já fez e
continua a fazer uma reestruturação discreta da nossa dívida pública? Vítor
Gaspar como ministro das Finanças e Maria Luís Albuquerque como Secretária de
Estado do Tesouro negociaram com o BCE e a Comissão Europeia uma baixa das
taxas de juro do dinheiro da assistência, de cerca de 5 por cento para 3,5 por
cento. Negociaram a redistribuição das maturidades de 52 mil milhões de euros
dos respectivos créditos para o período entre 2022 e 2035, quando os pagamentos
estavam previstos para os anos entre 2015 e 2022, esse sim um calendário que
era insustentável.
Ao mesmo tempo, juntamente com o IGCP
dirigido por João Moreira Rato, negociaram com os credores privados Ofertas
Públicas de Troca que consistem basicamente em convencê-los a receber o
dinheiro mais tarde.
A isto chama-se um “light restructuring”,
uma reestruturação suave e discreta da nossa dívida, que continua a ser feita
mas nunca pode ser anunciada ao mundo como uma declaração de incapacidade de
pagarmos as nossas responsabilidades.
Sabem que em consequência destas
iniciativas, e sobretudo da correcção dos défices do Estado, dos cortes de
despesa pública, da correcção das contas externas do país que já vai em quase 3
por cento do PIB, quase cinco mil milhões de euros de saldo positivo, os
credores internacionais voltaram a acreditar em nós. De tal forma que os juros
das obrigações do Tesouro a 10 anos no mercado secundário já estão abaixo dos
4,5 por cento.
Para os mais distraídos, este é o valor
médio dos juros a pagar pela República desde que aderimos ao Euro em 1999. O
valor factual já está abaixo. Basta consultar a série longa das Estatísticas do
Banco de Portugal.
E sim, Eng. João Cravinho, é bom lembrar-lhe
que a 1 de Janeiro de 1999,
a taxa das obrigações a 10 anos estava nos 3,9 por cento
mas quando o seu Governo saiu, em Outubro desse ano, já estava nos 5,5 por
cento, bem acima do valor actual.
É bom lembra-lhe que fazia parte de um
Governo que decidiu a candidatura ao Euro 2004 com 10 estádios novos, quando a
UEFA exigia só seis. E que decidiu lançar os ruinosos projectos de SCUT, sem
custos para o utilizador, afinal tão caros para os contribuintes. O resultado
aí está, a pesar na nossa dívida pública.
É bom lembrar aos subscritores do manifesto
pela reestruturação da dívida pública que muitos de vós participaram nos
Conselhos de Ministros que aumentaram objectivamente a dívida pública directa e
indirecta.
Foram co-responsáveis pela passagem dos
cheques da nossa desgraça actual. Negócios de Estado ruinosos, negócios com
privados que afinal eram da responsabilidade do contribuinte. O resultado aí
está, a pesar directa e indirectamente nos nossos bolsos.
Sim, todos sabemos que quem pôs o acelerador
da dívida pública no máximo foi José Sócrates, Teixeira dos Santos, Costa Pina,
Mário Lino, Paulo Campos, Maria de Lurdes Rodrigues com as suas escolas de luxo
que foram uma festa para a arquitectura e agora queimam as nossas finanças.
Mas em geral, todos foram responsáveis pela
maneira errada de fazer política, de fazer negócios sem mercado, de misturar
política com negócios, de garantir rendas para alguns em prejuízo de todos.
Sabem perfeitamente que em todas as crises
de finanças públicas a única saída foi o Estado parar de fazer nova dívida e
começar a pagar a que tinha sido acumulada. A única saída foi a austeridade.
Com o vosso manifesto, o que pretendem?
Voltar a fazer negócios de Estado como até aqui? Voltar a um modelo de gastos
públicos ruinosos com o dinheiro dos outros?
Porque é que em vez de dizerem que a dívida
é impagável, agravando ainda mais a vida financeira das gerações seguintes, não
ajudam a resolver os gravíssimos problemas que a economia e o Estado enfrentam
e que o Governo não tem coragem nem vontade de resolver ao contrário do que diz
aos portugueses?
Porque é que não contribuem para que se faça
uma reforma profunda do Estado, no qual se continuam a gastar recursos que não
temos para produzir bens e serviços inúteis, ou para muitos departamentos
públicos não produzirem nada e ainda por cima impedirem os empresários de
investir com burocracias economicamente criminosas?
Porque não canalizam as vossas energias para
ajudar a uma mudança profunda de uma economia que protege sectores inteiros da
verdadeira concorrência prejudicando as famílias, as PME, as empresas
exportadoras e todos os que querem produzir para substituir importações em
condições de igualdade com outros empresários europeus?
Porque não combatem as práticas de uma banca
que cobra os spreads e as comissões mais caros da Europa?
Um sector eléctrico que recebe demais para
não produzir electricidade na produção clássica e para produzir em regime
especial altamente subsidiado à custa de todos nós?
Um sector das telecomunicações que, apesar
de parcialmente concorrencial, ainda cobra 20, 30 e até 40 por cento acima da
média europeia em certos pacotes de serviços?
Porque não ajudam a cortar a sério nas
rendas das PPP e da Energia? Nos autênticos passadouros de dinheiros públicos
que são as listas de subvenções do Estado e de isenções fiscais a tudo o que é
Fundações e Associações, algumas bem duvidosas?
Acham que tudo está bem nestes sectores? Ou
será que alguns de vós beneficiam directa ou indirectamente com a velha maneira
de fazer negócios em Portugal e não querem mudar de atitude?
Estará a vossa iniciativa relacionada com
alguns cortes nas vossas generosas pensões?
Pois no meu caso eu já estou a pagar IRS a
45 por cento, mais uma sobretaxa de 3,5 por cento, mais 11 por cento de
Segurança Social, o que eleva o meu contributo para 59,5 por cento nominais e
não me estou a queixar.
Sabem, a minha reforma já foi mais cortada
que a vossa. Quando comecei a trabalhar, tinha uma expectativa de receber a
primeira pensão no valor de mais de 90 por cento do último salário. Agora tenho
uma certeza: a minha primeira pensão vai ser de 55 por cento do último salário.
E não me estou a queixar, todos temos de
contribuir.
Caros subscritores do Manifesto para a
reestruturação da dívida pública, desculpem a franqueza: a vossa geração está
errada. Não agravem ainda mais os problemas que deixaram para a geração
seguinte. Façam um favor ao país – não criem mais problemas.
Deixem os mais novos trabalhar.
segunda-feira, 10 de março de 2014
Serão apenas números? Ou anda por aí muita gente a reclamar de barriga cheia?
Nota prévia: Também posso falar dos políticos,
dos capitalistas, dos banqueiros, dos juízes, dos americanos, dos ucranianos,
do futebol. Mas hoje não me apetece!
Neste domingo
durante o almoço, ao contrário do que é habitual, pois quase sempre existe
unanimidade e consenso nas nossas conversas, gerou-se uma pequena discussão
contraditória, quando minha irmã me referiu, que eu estou sempre contra os
professores, e agora também os polícias! E eu defendi que não estou contra os
professores nem os polícias, o que eu digo é que estes profissionais, quando
comparados com outras carreiras de serviço público (sem falar do sector
privado, que aí a diferença é abismal e escandalosa), andam a protestar de
“barriga cheia”.
Claro que
podemos sempre partir do princípio de que todos os assalariados em Portugal estão
mal pagos (espero que com esta crónica não ser comparado com as opiniões do
belmiro!). Se for para discutir “sonhos, ou imaginários”, eu assino por baixo,
e garanto que nem sou dos piores. Se for para falar de realidades, porque as
coisas são o que são, então vamos a isso. Também não vale a pena entrar na
discussão esteril de quem, de todos os servidores públicos, serão os de maior
importância no seu papel social, porque também aqui, e se existem, é porque
talvez todos sejam importantes.
Nem de propósito,
hoje o Jornal Público (espero que não a mandado do belmiro), apresenta um
estudo com o título, “Onde trabalhavam
os 563,5 mil funcionários públicos em 2013” . Esse estudo não se resume a informar
onde trabalham, vai mais longe e diz-nos: quantos
são por carreira, e os seus vencimentos médios mensais.
Figura 1 - Trabalhadores por Carreira na Administração Pública
Fonte: Jornal Público (Clicar sobre a imagem para ver melhor)
Assim como se
pode ver aqui, no final de 2013 eram 563 500 o total de Funcionários Públicos
em Portugal, menos cerca de 50 000 do que eram no final de 2011 (aproximadamente
- 9%); 56% são mulheres e 44% são homens; 74% trabalham na Administração
Central, 20% na Administração Local, e 6% na Administração Regional.
Na figura 1,
podemos verificar que a Carreira com mais pessoas é a dos Docentes e Educadores de Infância (129 312) representam 23% de
todos os Funcionários Públicos. Já as pessoas ligadas ao sector da Segurança: Militares, Polícias e GNR, o seu total
são 75 492 pessoas, que representam 13%. O que quer dizer que, só estas
Carreiras representam 36% dos Funcionários Públicos. Atenção que não estou a
dizer se são muitos, ou se são poucos, a
realidade mostra-nos que são mais de 200 000 mil. A restante análise deixo
para quem a queira fazer.
Figura 2 - "Ganho Médio" por Carreira, em euros na Administração Pública
Fonte: Jornal Público
Por fim vamos à
Figura 2, onde parece que me posso fundamentar para o que comecei por dizer no
princípio deste artigo: existem possivelmente Carreiras, que quando comparando
com outras, alguém anda a protestar de “barriga
cheia” fazendo constar que são uns desgraçadinhos que nem ganham para a
farda, que têm muitas dívidas, cantam o hino, apelam às armas, e, invade-se a
Assembleia onde é suposto estarem aqueles que são eleitos e representantes do
povo.
Assim, este
estudo diz-nos que, o “ordenado médio” na Polícia
de Segurança Pública é de 1 770
euros, mais 150 euros do que por exemplo o de um Enfermeiro, e mais 300
euros do que um Técnico de Diagnóstico e Terapêutica (todos Técnicos Superiores); na GNR, o dito é (idêntico ao de um Técnico Superior ou de um Enfermeiro) 1 627 euros. Nas Forças Armadas o “ordenado médio” é de apenas 1 473 euros. Pergunto, à maioria dos portugueses:
- Estarão os nossos Polícias e GNR, assim tão
mal pagos, comparando com os restantes portugueses, cujo salário médio não vai
além dos 950 euros?
Em relação aos Docentes do Ensino Básico e Educadores de
Infância, diz-nos este estudo que o seu “vencimento médio” é de 2 053 euros, em média mais 400 euros que
os outros Técnicos Superiores da Administração Pública que não vão além dos 1 631 euros. Os nossos Professores ganham
mais do dobro do “ordenado médio” de cada português que trabalha por conta de outrem.
E se tivermos ainda em conta, que esta a Carreira é que mais Funcionários tem
em Portugal, isto representa para o país um total de 3,5 mil milhões de
euros/ano. Pergunta-se aos portugueses:
- Comparando com os restantes portugueses,
e com os restantes Técnicos Superiores da Administração Pública, paga Portugal
mal aos seus educadores?
Claro que poderemos
sempre argumentar que sim. Todos os portugueses deveriam ganhar mais, que todos
estamos mal pagos, que nos outros países, em média, ganham o dobro, que cada um
tem que puxar para si, etc., etc. Mas mais uma vez a realidade é o que é, e não
aquilo que cada um de nós sonhava que fosse.
Em Portugal cada
um de nós, ou cada grupo profissional, ou cada corporação, acha-se sempre
melhor que a outra. A nossa pouca humildade, nunca nos leva a questionarmo-nos
quanto valemos de facto, ou qual o valor da nossa produção. Isto é um problema
que nos acompanha desde o início da nacionalidade.
Por isso nada
melhor que terminar, com um texto do Padre António Vieira, in 'Sermões', que já
no século XVII, escrevia isto:
"UM
DIA A GANÂNCIA EVAPORA.SE"
Em Portugal cada um Quer Tudo E quando os
homens são de tal condição, que cada um quer tudo para si, com aquilo com que
se pudera contentar a quatro, é força que fiquem descontentes três. O mesmo nos
sucede. Nunca tantas mercês se fizeram em Portugal, como neste tempo; e são
mais os queixosos, que os contentes. Porquê? Porque cada um quer tudo. Nos
outros reinos com uma mercê ganha-se um homem; em Portugal com uma mercê,
perdem-se muitos.
Se Cleofas fora português, mais se havia de
ofender da a metade do pão que Cristo deu ao companheiro, do que se havia de
obrigar da outra metade, que lhe deu a ele. Porque como cada um presume que se
lhe deve tudo, qualquer cousa que se dá aos outros, cuida que se lhe rouba.
Verdadeiramente, que não há mais dificultosa coroa que a dos reis de Portugal:
por isto mais, do que por nenhum outro empenho.
(...) Em nenhuns reis do mundo se vê isto
mais claramente que nos de Portugal. Conquistar a terra das três partes do
mundo a nações estranhas, foi empresa que os reis de Portugal conseguiram muito
fácil e muito felizmente; mas repartir três palmos de terra em Portugal aos
vassalos com satisfação deles, foi impossível, que nenhum rei pôde acomodar,
nem com facilidade, nem com felicidade jamais. Mais fácil era antigamente
conquistar dez reinos na Índia, que repartir duas comendas em Portugal. Isto
foi, e isto há-de ser sempre: e esta, na minha opinião, é a maior dificuldade
que tem o governo do nosso reino.”
Em 400 anos nada
mudou! Continua actual....
sexta-feira, 7 de março de 2014
Para o Luís no dia 7 de Março...
Tanto quanto me lembro, o dia 7 Março de 1965 amanheceu chuvoso, com uma daquelas chuvas miudinhas de molha parvos. Seriam por volta das 6 horas da manhã, e José Costa, depois de percorrer cerca de duas léguas entre o Pego Ferreiro e o Seiçal, na aba da serra de Marvão, batia à porta de Manuel Bugalhão. O motivo era relevante, já que desde o serão passado, a sua filha Maria, andava às voltas pela casa dizendo que estava com as “dores”. Às pancadas na porta de madeira, respondeu Manuel com um “qui é lá”, ou coisa que se pareça, ao que recebeu como resposta: é o compadre Zéi.
Não fez o Bugalhão qualquer movimento ou intento de sair da sua cama, pois tal, só estava previsto para uma hora mais tarde, quando tivesse que se levantar, beber o seu copo de café preto e a habitual fatia de pão com a tora de toucinho frito, e ir direito a casa do João Dias, para um dos últimos dias da “fega” de azeitona desse ano. A tarefa de abrir a porta, como de costume, estava reservada para a sua mulher Luísa, que para alguma coisa hão-de servir as mulheres, para além de nos parirem, e já agora outra série de coisas que não vêm agora ao caso.
Na minha cama de criança, no quarto ao lado, ouvi perfeitamente o recado de José Costa, que foi rápido, preciso e conciso: - Ó comadre, vinha buscá-la porque a Maria começou com “as dores”, e caso lhe desse jeito, vinha comigo, sempre pode ser preciso, porque não sabemos quanto tempo a coisa vai demorar. Tapei imediatamente a cabeça, para que a minha mãe pensasse que eu dormia, não fosse ela fazer-me levantar, logo de madrugada, para que a acompanhasse. Mas não, a função que a esperava para aquele dia não metia homens, quanto mais gaiatos, e o que a ouvi dizer para meu pai foi: - Tenho que ir com o compadre, a Maria está por horas. Quando te levantares, come, e dá o café ao gaiato, que eu não sei a que horas volto. E lá saiu apressada com o seu compadre, com uns farrapitos debaixo do braço, talvez um cueiro para a criança, que esperava que nascesse rija e valente, e que tudo corresse como deus havia programado.
Maria Joaquina, assim se chamava a filha de José Costa, embora este a tratasse sempre e só por Maria, havia-se ajuntado com o meu irmão Chico no Inverno de 1963, após este ter regressado de Angola onde andou dois anos na guerra. Foi num dia de “matança anual” do porco, com a família toda de volta do alguidar dos chouriços, que ele resolveu trazê-la do Pego Ferreiro para o Seiçal. Quando chegou a casa por volta das 10 horas da noite, disse para a minha mãe: - Ó mãe dá licenças que entrem dois? Ao que minha mãe respondeu, que se deixasse de brincadeiras, e se arrumasse a ajudar a encher os chouriços, que mais duas mãos não eram demais e ele tinha jeito para tudo. Mas eis que, surpreendentemente, a Maria, irrompeu pela casa, dizendo que quer a quisessem receber ou não, ela já ali estava, e seria ela mesma a ajudar na tarefa. E assim o disse, assim o fez, sentando-se junto das outras mulheres, mostrando ali os seus dotes de rapariga trabalhadora. O único reparo que recebeu foi da tia Júlia, que a repreendeu imediatamente: - Anda magana, vai ao menos lavar as mãos, que sabemos lá o que andaste para aí a fazer!
O fruto e consequências da alusão da tia Júlia não terão sido dessa noite, mas a coisa também não se fez esperar muito, já que, pouco mais de seis messes após a cena de encher os chouriços, Maria, haveria ela própria, de ficar cheia. E é por isso que, nessa madrugada de 7 de Março, um homem chamado José Costa, e uma mulher chamada Luísa Serra, caminharam na direcção do sítio chamado Pego Ferreiro, onde pelas 20 horas dessa noite, mais coisa menos coisa, o Luís, havia de ver pela primeira vez a luz da lua, quando sua avó materna Jacinta o levou à janela e o benzeu contra as bruxas e o quebranto...
quinta-feira, 6 de março de 2014
Uma boa notícia para Marvão
De acordo com
dados agora revelados pela Direcção Geral das Autarquias Locais (DGAL), no
final de 2012, Marvão estava no lote das Câmaras Municipais do distrito de
Portalegre com um endividamento líquido per
capita a terceiros, considerado NULO.
Isto é, não deve nada, com excepção dos empréstimos bancários.
Na Tabela 1,
podemos verificar, que sem dívidas se encontram, para além de Marvão, mais 5
municípios: Elvas, Gavião, Arronches, P. de Sôr, C. Vide. Os 3 municípios em
pior situação são Monforte (1.192 €/habitante), Portalegre (1.025€/habitante),
e Crato (1.025 €/habitante).
Em valores
totais o município de Portalegre tinha
dívidas de 27,4 milhões de euros; Nisa 5,5 milhões, e Monforte, Avis e Sousel
de 4 milhões de euros cada. Estes valores são praticamente, e de grosso modo,
os orçamentos anuais destes municípios. O que quer dizer, a exemplo do país,
que estes municípios têm dividas que rondam os 100% das suas receitas anuais. Uma
barbaridade, que não irá ser paga por esses munícipes, mas por todos nós. Quem
são os responsáveis?
A nível nacional, segundo o “Jorna i”, existem 30 municípios em risco
de colapso total; e seis, pelo menos, em falência técnica: Portimão, Fornos de
Algodres, Aveiro, Nazaré, Loures e VN de Gaia. E isto apesar de nos últimos
anos o Governo ter injectado no Poder Local mais de 1.000 Milhões de euros. Um
poço sem fundo. Segundo o mesmo Jornal:
«Algumas câmaras municipais têm dívidas superiores a 100 milhões de euros, casos de Loures ou Portimão, e não geram receita para fazer face à despesa corrente. (...) A câmara da Nazaré, que tem cerca de 320 trabalhadores, está a reequacionar a sua estrutura e cortou, ainda no ano passado, 200 mil euros por ano. Mesmo assim, só entre Fevereiro e Abril o défice mensal é de 330 mil euros. (...) [Ali] uma pessoa vinha à câmara uma vez por ano e cobrava 2500 euros por mês. Por sinal era funcionário de outra autarquia. (...) Loures tem um problema semelhante ao da Nazaré, mas maior: uma dívida de 100 milhões de euros e perto de 4 mil trabalhadores, cerca de 50% de pessoas a mais.»
«Algumas câmaras municipais têm dívidas superiores a 100 milhões de euros, casos de Loures ou Portimão, e não geram receita para fazer face à despesa corrente. (...) A câmara da Nazaré, que tem cerca de 320 trabalhadores, está a reequacionar a sua estrutura e cortou, ainda no ano passado, 200 mil euros por ano. Mesmo assim, só entre Fevereiro e Abril o défice mensal é de 330 mil euros. (...) [Ali] uma pessoa vinha à câmara uma vez por ano e cobrava 2500 euros por mês. Por sinal era funcionário de outra autarquia. (...) Loures tem um problema semelhante ao da Nazaré, mas maior: uma dívida de 100 milhões de euros e perto de 4 mil trabalhadores, cerca de 50% de pessoas a mais.»
Ainda em relação
a Marvão, convém ter em conta que, a situação poderia ser bem diferente caso Vítor
Frutuoso (e o seu espírito santo de orelha) em 2011, tivessem levado pela
frente o Projecto de construção de 37 Habitações Sociais, que representariam
actualmente uma dívida do município que rondaria os 3 milhões de euros (se cada
habitação ficasse por 75 mil euros (15 mil contos). Isto é, o Município de Marvão
estava numa situação de endividamento como os outros. Felizmente que o Tribunal
de Contas às vezes está atento.
Os “ultra boys da arrifana”...
Felizmente que
os meus antepassdos “serranos” saíram de Arrifana por volta do século XVII, senão
os “ultra boys da arrifana” ainda se arriscavam a ter 2 membros!!!!
terça-feira, 4 de março de 2014
O Poder do cacete/O Poder do dedo...
Contava-me o meu
pai na sua simplicidade de homem do povo, possivelmente por alguém a ele lhe
ter contado, que no final do século XIX durante o período da monarquia constitucional,
quando da disputa de eleições, cada cacique fazia-se acompanhar por um caceteiro que se colocava à saída das
assembleias eleitorais. Como os boletins de voto eram facilmente inidentificáveis,
quando o eleitor votava nos “regeneradores”, logo o caceteiro “progressista” entrava em acção, e logo que o eleitor saía
à porta tinha que com ele ajustar contas; se pelo contrário, de um eleitor “progressista”
se tratasse, era o caceteiro “regenerador” a fazer cumprir a função do seu cacete. E assim se praticava o poder
democrático de então, com os desditosos eleitores a decidirem o sentido do seu
voto à entrada das assembleias, em função da avaliação do poder físico de cada
caceteiro bem como o tamanho da respectiva moca, para pouparem o corpinho à saída.
Passados cerca
de 120 anos, as coisas não são muito diferentes em muitas situações da nossa indigente
democracia. Só que agora, em vez do caceteiro
e da moca, basta o “poder do dedo”:
levantar ou não levantar!
Vem esta
conversa toda, para retratar o comportamento dos Membros da Assembleia
Municipal de Marvão do PSD. Durante os 10 anos em que fiz parte desse Órgão,
sempre o PSD, através dos seus Membros, participou activamente nas Assembleias,
defendendo ou criticando com propostas, consoante se estivesse no poder ou na
oposição. Lembro aqui, os nomes de Carlos Sequeira, Fernando Bonito, Mena
Antunes, Soares da Costa, Joaquim Ramilo, Mário Patrício, José Jorge Ribeiro,
Isabel Silva, Joaquim Delgado, eu próprio, entre outros menos
interventivos.
Desde que de lá
saí em 2011, e estive presente praticamente em todas as Assembleias, em 3 anos
(apesar de alguns membros terem mudado nas últimas eleições), que não se lhes
ouviu uma palavra, uma qualquer proposta, uma participação nos debates, uma
qualquer emissão de moção ou declaração de confiança, um ou outro pedido de esclarecimento,
um pobre requerimento, uma qualquer resposta às críticas da oposição, uma defesa
do executivo, etc. NADA, apenas e só:
- Levantam o Dedo, ou não levantam o Dedo!
Com este
comportamento primitivo (tipo caceteiro do século XIX), ganham todas as votações.
Mas o exercício democrático é paupérrimo. Alguém um dia formulou que “da discussão nasce a luz...”, mas para
aqueles lados está tudo iluminado!
Convém no
entanto dizer, que durante este período, realizaram-se 15 Assembleias
Municipais, os Membros do PSD são uma média 12, em cada Sessão recebem cerca de
50 euros cada um. O que dá, ao longo destes 3 anos, um total de aproximadamente
10 000 euros. Na última Assembleia Municipal, os Membros do Partido Socialista,
apresentaram uma proposta para que os Membros desta Assembleia prescindissem
deste “prémios” de presença, e no futuro estas verbas fossem entregues às
Associações de Solidariedade Social do concelho de Marvão.
Posta à votação a proposta, os Membros do
PSD não levantaram o Dedo! Mas também não apresentaram qualquer justificação.
Não precisam, o “poder do dedo” é invencível...
segunda-feira, 3 de março de 2014
Musicas da minha vida (11)
Santa apolónia
arrotava magotes de gente do seu pobre ventre inchado, sujo e decadente, quando
Amélia desceu da carruagem dura e pegajosa, com o coração danificado e a cabeça
em polvorosa. Na mala o frasco de ´bien-etre´
mal vedado e, o caderno dos desabafos, todo ensopado. Amélia apresentava todos
os sintomas de quem se dirige ao lado errado da noite...
Para trás
ficaram uma mãe chorosa e um pai embriagado, o pequeno poço dos desejos todo
envenenado, a nódoa do bagaço naquela farda republicana, que a queria levar para
cama todos os fins-de-semana, e, o distinto patrão, daquela maldita fundição, a
quem era muito mais difícil dizer, não! Amélia transportava todas as visões de
quem se dirige ao lado errado da noite...
Amélia encontrou
Toni numa velha leitaria, entre as “bolas
de berlim” com creme e, o sol que arrefecia. Ele falou-lhe de um presente
bom e de um futuro emocionante, e, escondeu-lhe tudo o que pudesse parecer
decepcionante. Mais tarde, no quarto de pensão, chamou-lhe sua mulher, seria
ele a orientar o negócio de aluguer. Toni tinha todas as qualidades, para ser
um rei, no lado errado da noite...
Jonas está
agarrado ao seu saxofone, a namorada deu-lhe com os pés pelo telefone, e ele
encontrou inspiração numa notícia de jornal acerca de uma mulher que foi levada
a tribunal por ter assassinado uma criança recém-nascida, e, o juiz, era um
homem, que prezava muito a vida. E a pena foi agravada por tudo se ter passado
no lado errado da noite...
sábado, 1 de março de 2014
Mais um perigoso liberal...
Octávio Teixeira:
“Ou se desvaloriza a moeda ou se desvalorizam salários. Não há milagres!” (ler aqui)
Ai Octávio, Octávio, "tás" com uns patins não tarda....
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
Coisas muito feias (3)
Nota prévia: Todos os documentos aqui
referidos são públicos e qualquer pessoa os pode consultar.
Acabo de ler na
Acta da última Reunião de Câmara Municipal de Marvão, realizada a 17 de
Fevereiro de 2014, que o senhor Presidente da Câmara, quando questionado pelo
senhor Vereador Carlos Castelinho sobre as noticias vinculadas na comunicação
social sobre as buscas da Polícia Judiciária à CM de Marvão, prestou o seguinte
esclarecimento:
“O
Sr. Presidente prestou os devidos esclarecimentos, referindo que a intervenção
se prendeu com a rectificação de uma ata que foi realizada de modo incorrecto
pelo que levantou a suspeita de falsificação de documentos. O assunto em causa
prendia-se com um contrato de concessão, durante o anterior mandato, para o
Centro de Lazer da Portagem que acabou por ser adjudicado ao Sr. Hélder Pires,
irmão do Sr. Vereador José Manuel Pires. O ato foi realizado de boa-fé e já
tinham sido prestados esclarecimentos ao tribunal e as dúvidas do tribunal eram
do conhecimento da Câmara vigente. Nesta intervenção da PJ alguns funcionários
da câmara municipal foram ouvidos, alguns documentos recolhidos e computadores
averiguados.”
Perante mais
este “esclarecimento”, questiono-me, sobre qual a razão para que o senhor
Presidente continue a não dizer a verdade aos marvanenses, nem aos seus Órgãos
próprios, como é o caso da Câmara Municipal. Senão vejamos alguns factos:
1 – O senhor
Presidente sabe perfeitamente que o Contrato de Concessão não foi adjudicado ao
Sr. Hélder Pires, mas sim à Empresa
Sabores do Norte Alentejano – Empreendimentos Turísticos, Ld.ª, como se
pode ver neste estrato da Acta 9/2012, de Reunião de Câmara de 17/5/2012:
“CESSÃO
DE EXPLORAÇÃO DO RESTAURANTE DO CENTRO DE LAZER DA PORTAGEM
----------------------------------------------------------------------------------------
Sobre
este assunto foi presente a seguinte informação do Chefe de Divisão
Administrativa:
--------------------------------------------------------------------------------------
“Conforme
despacho de V. Ex.ª datado 19 março do corrente ano, a D.ª Maria Marcelina
Maroco Machado, foi notificada no mesmo dia para informar se estava interessada
em assumir a cessão de exploração acima referida, tendo informado por correio
eletrónico datado de 26, que não estava interessada. ------------------------
Dado
que em 4.º lugar e ultimo se encontrava classificada a empresa Sabores do Norte
Alentejano – Empreendimentos Turísticos, Ld.ª, com sede na Portagem, foi a
mesma notificada através do oficio n.º 645 datado de 26 de março, para informar
a Câmara Municipal, se estava interessada em assumir a referida cessão de
exploração tendo a mesma informado que sim, caso o contrato tivesse a validade
de dois anos, com pelo menos mais um de opção.
--------------------------------------------------------------
Em
face do exposto venho propor a V.Ex.ª que o assunto seja submetido a
deliberação da Câmara Municipal.
Á
consideração de V. Ex.ª.”
-----------------------------------------------------------------------
Despacho
do Sr. Presidente: “Visto. Concordo. À Câmara Municipal.” ------------------
A
Câmara Municipal deliberou por maioria proceder à adjudicação da cessão de
exploração à empresa Sabores do Norte Alentejano – Empreendimentos Turísticos,
Ld.ª, com sede na Portagem, e solicitar-lhe os documentos para a celebração do
respetivo contrato. ----------------------------------------------------------------------------------
Não
participou na votação o Sr. Vereador, Dr. José Manuel Ramilo Pires, por fazer
parte da empresa e estar impedido de acordo com o estabelecido na alínea a) do
nº 1 do artigo 44º do CPA, tendo-se ausentado da sala eram 12h. Regressou à
reunião eram 12h15m.”
2 – O senhor
Presidente sabe (ou deveria saber) que esta Empresa não é do Sr. Hélder Pires,
mas sim de uma sociedade em que o senhor Vereador José Manuel Pires é Gerente (por isso ele não pode participar ou votar (?) a decisão na Reunião de Câmara),
em conjunto com o seu irmão e mãe. Esta situação é, e sempre foi, do
conhecimento de todos os Órgãos Autárquicos, pois o senhor Vereador sempre informou,
como se pode ver nos 2 Documentos que em baixo publico (Figura 1), um de 2009 e
outro de 2013, onde se refere perfeitamente esta situação.
Figura 1 - Informação do Vereador sobre as Empresas de que era gerente em 2009 e 2013
3 – É de facto
muito estranho que o senhor Presidente continue a afirmar que a Concessão foi feita a Hélder Pires, e
também que o senhor Vereador José Manuel Pires não assuma que ele era Gerente
dessa mesma Empresa com uma Quota de 25% (e pelos vistos não informou o seu Presidente). E quando tal se verifica, estas Empresas ficam impedidas de concorrer a Concursos dessa Instituição (quanto mais ganhá-los), de acordo com
o Estatuto dos Eleitos Locais e pela Lei
do Regime Jurídico de Incompatibilidades e Impedimentos dos Titulares de Cargos
Políticos que estipula:
"(...)as empresas cujo capital seja detido numa percentagem superior a 10%, por um titular de órgão de soberania ou titular de cargo político, ou por alto cargo público, estão impedidas de participar em concursos de fornecimento de bens ou serviços, no exercício de actividade de comércio ou indústria, em contratos com o Estado e demais pessoas colectivas públicas, conforme o estipulado no Regime Jurídico de Incompatibilidades e Impedimentos dos Titulares de Cargos Políticos e Altos Cargos Públicos, no nº 1 do artigo 8º."
"(...)as empresas cujo capital seja detido numa percentagem superior a 10%, por um titular de órgão de soberania ou titular de cargo político, ou por alto cargo público, estão impedidas de participar em concursos de fornecimento de bens ou serviços, no exercício de actividade de comércio ou indústria, em contratos com o Estado e demais pessoas colectivas públicas, conforme o estipulado no Regime Jurídico de Incompatibilidades e Impedimentos dos Titulares de Cargos Políticos e Altos Cargos Públicos, no nº 1 do artigo 8º."
4 – O senhor
presidente continua empenhado em fazer crer, que o que está em causa, são
pequenas ”incorrecções” de uma Acta! Possivelmente, o problema é mesmo a ACTA, mas o seu conteúdo, não a sua
redacção. Senhor Presidente há mais Leis para além do Código de Procedimento Administrativo!
5 – Entretanto,
e como é público (todos os Órgãos Autárquicos ficaram a saber na última Assembleia Municipal), em 2013 o Executivo Camarário liderado por Vítor Frutuoso,
voltou a cometer uma ilicitude idêntica, ao adjudicar por “administração directa”
(por despacho da responsabilidade de poderes do Presidente), a Obra de Construção
do Depósito de Abastecimento de Água do Vale de Ródão a outra Empresa do Vereador
José Manuel Pires: A Buscanível Lda.,
como se pode ver na Figura 2. Será que aqui também foi uma “incorrecção de acta”?
Ou um caso idêntico à de Concessão do Restaurante do Centro de Lazer, por desconhecimento
completo da lei? E/ou falta de lealdade entre os membros do Executivo?
Figura 2- Relatório das Obras em Curso em Novembro de 2013
6 – Nisto tudo,
e talvez a situação mais grave, é estar a tentar-se responsabilizar os Funcionários
da Câmara Municipal de Marvão por esta situação, desviando a água do capote, e não se
assumindo as responsabilidades próprias do Executivo que tomou as decisões. Se responsabilidades há
dos Funcionários, elas são decorrentes da irresponsabilidade do Executivo por
não providenciar uma assessoria jurídica adequada, e por não ter um Técnico dessa área. Sendo, certamente, a única Autarquia do país que não tem um Jurista (quem
faz os pareceres jurídicos, é um mero “curioso administrativo” avençado).Em contrapartida prefere ter um Assessor para andar a fazer de "manageiro", a distribuir simpatia para angariação de votos.
7 – Quanto à
Oposição política, o senhor Vereador Carlos Castelinho deveria ter-se informado
e documentado mais a fundo sobre a situação, e deveria ter confrontado o
Executivo com dados concretos, mas parece que o não fez. Se o fizesse, certamente, teria obtido outro esclarecimento, e a verdade estaria mais próxima.
Esperemos que amanhã a Assembleia Municipal o faça.
Até lá resta-nos
esperar pelo Processo da Justiça. Mas com o seu funcionamento, poderemos esperar
sentados, ou talvez não....
A ver vamos. Como diz o cego!
A ver vamos. Como diz o cego!
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