sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

O mundo dos outros.....


(... e eu apensar que este melro foi nosso governante, e que esteve a um passo de ser presidente desta republica dos papagaios, ora avaliem a sapiência e os dotes preditivos desta ave agoirenta)

As profecias falhadas do professor Zandinga do Amaral
por Pedro Correia, tirado daqui)

“Lembrei-me hoje bem cedo, enquanto caía o granizo: fez agora um ano, na noite de 15 de Janeiro de 2013, surgia em nossas casas, por cortesia da TVI, um senhor de cabelos brancos e olhos muito abertos, assustado e assustando com palavras que soavam a dobre de finados. 

Em entrevista conduzida por Judite Sousa, o professor Freitas do Amaral trocou por largos minutos a gravitas de catedrático pelo alvoroço do decifrador de conjunturas astrais, profetizando épicas pragas bíblicas sobre os frágeis ombros dos portugueses.

Disse nada menos que isto:

«[Em 2013 haverá] um agravamento muito grande da espiral recessiva.»

«O ano de 2013 só terá comparação, em dificuldades e perigo, com o de 1975.»

«A crise do sistema político português pode pôr o poder na rua.»

«Entre Abril e Junho/Julho, com a recessão a piorar, surgirá um tal sentimento de indignação que força o sistema político a reagir.»

«A hipótese mais provável é que o Presidente da República dissolva o parlamento.»

«É inevitável que haja eleições entre Abril e Setembro.»

«O PS tem grandes hipóteses de sair vencedor dessas eleições.»

Crédulo que sempre sou perante a doutrina dos eminentes vultos nacionais, anotei meticulosamente numa sebenta o que o ilustre professor entendeu proferir nessa noite memorável, bebendo-lhe a sapiência. E à sebenta fui regressando, 2013 adiante, para aferir o grau de acutilância de quanto fora dito em tom tão grave perante uma Judite provavelmente tão perplexa como eu.

Fui aguardando a queda do poder na rua, a dissolução antecipada da legislatura face à força indómita da luta popular, as eleições antecipadas e a emergência de António José Seguro como novo condutor e pacificador da nação. Fui aguardando o "agravamento muito grande da espiral recessiva" e recordando aquele remoto ano de 1975, em que Portugal esteve mais de uma vez a milímetros da guerra civil, com as armas empunhadas e os dedos prontos a premir gatilhos.

E eis que chega Agosto: em vez da anunciada campanha eleitoral para as legislativas antecipadas, surge nas manchetes a inesperadíssima notícia de que Portugal saía da recessão, após dez meses consecutivos de declínio económico. Volvidos mais uns meses, continuava o poder sem cair na rua, contrariando o vaticínio do douto entrevistado da TVI. Em compensação, caíam os juros da dívida, o Estado garantia antecipadamente o financiamento para 2014 e até as famigeradas agências de notação davam sinais de encolher as garras.

A "espiral recessiva" eclipsou-se do discurso político e, pasme-se, até o défice das contas públicas promete situar-se abaixo dos 5% - aquém da meta fixada por essas aves agoirentas a que se convencionou chamar tróica. Mesmo sem dissolução do parlamento, legislativas antecipadas e triunfo esmagador de Seguro nas urnas.

Quando o ano chegou ao fim, senti-me aliviado: afinal o mais parecido que tivemos em 2013 com a tomada do palácio do czar em Petrogrado foi a ruidosa confraternização entre polícias no alto das escadarias de São Bento - algo que nem o falecido Zandinga, com os seus dons divinatórios quase infalíveis, seria capaz de antecipar.

Guardei a sabenta no fundo de uma gaveta. Mas, pelo sim pelo não, já comprei um exemplar do Borda d'Água: homem prevenido vale por dois. E assim consegui escapar incólume à queda do granizo esta manhã.”

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Foi há tanto tempo....


Há dez mil anos atrás... 

A areia da praia já cá estava, mas o instinto foi fatal, dei contigo no metro, estação marquês de pombal. Entre aquele mar de gente que fluía, cabisbaixo, tu imóvel, uma rocha, com o mar a passar por baixo

Cara a cara, frente a frente, a imagem começa a girar, os teus olhos de repente parecem da cor do mar. Da cor do mar quando a tarde cai, da cor do mar quando a noite vem, daquela cor que só o mar tem. O mar, e tu também!

Eu para li atrapalhado a lutar contra a corrente, lá consegui ficar parado a sorrir com todos os dentes. Há quanto tempo não te via, ao tempo que te deixei para trás, tu sorriste e respondeste: há dez mil anos atrás!


sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Atenção a esta miúda....


Sobretudo esta nova "casa da mariquinhas" (2º tema), quase parece mais um palácio...

Mostra lá como é Gisela:


quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Mentiroso desde pequenino (que "ganda" aldrabão)...



Depois do pacóvio, a pensar que é culto, Mário S, só outro grande ícone da política portuguesa poderia fazer melhor. Senão vejamos:

No comentário semanal de que foi protagonista, na segunda-feira à noite na RTP, José Sócrates foi convidado a descrever a memória mais marcante sobre Eusébio da Silva Ferreira, convite a que acedeu prontamente. José Sócrates escolheu o célebre Portugal – Coreia do Norte (5-3) como o momento mais fascinante que Eusébio lhe proporcionou. Isto porque, e segundo disse, a caminho da escola na sua Covilhã, e já com três golos de vantagem para os coreanos, foi ouvindo os gritos dos populares que, via rádio, iam dando conta dos espectaculares golos que o Pantera Negra debitava na baliza dos outros. E foram quatro. Portugal havia mesmo de recuperar a desvantagem, naquela que é uma das páginas mais brilhantes da história da Selecção Nacional. Tudo muito bonito!

Acontece que este glorioso episódio, no saudoso Mundial de Inglaterra, decorreu a 23 de Julho de 1966, às 15 horas, e num sábado à tarde. E quando o Eusébio desatou a “amandá-las” lá para dentro, já seriam quase 4 da tarde. O que quer dizer que para além de nunca ter havido aulas aos sábados de tarde, e por ser finais de Julho até, certamente, já estaria de férias escolares.

Está, portanto, descoberta a maior vocação do Eng. Sócrates: Frequentar escolas ao fim-de-semana, e quando os outros estão de férias. Ele que, muitos anos depois, terminou a sua licenciatura num domingo vulgar. Talvez pela força do hábito...

Isto levanta ainda outra questão, e que aqui venho questionando: o Jornalismo e Jornalistas que temos, e, que são verdadeiros cúmplices destes “bonecos animados”. O trabalho dos jornalistas, sobretudo estes da RTP que são pagos por nós com os nossos impostos, que deveria ser o de verificarem a veracidade dos factos. Não é necessário acusá-los de mentirosos, mas pelo menos confrontá-lo com as inverdades. E isto tanto serve para os feitos de Eusébio, como para os factos políticos, económicos, ou para a estatística. Não basta apenas “sorrisos babosos e piscares de olhos cúmplices”. Assim como aos políticos, não deveriam bastar apenas palavras bonitas e movimentos corporais ensaiados. Porque eles cultos e actores, até podem ser, mas são muito mentirosos!

E já agora, diga-se em abono da verdade, muito incompetentes: - Entre os 2 (Soares e Sócrates) conduziram Portugal a 3 das 4 “Bancas Rotas” que Portugal teve na sua história: 1977, 1983 e 2011.

A tal diferença entre a teoria e a prática...

Como se pode ver aqui, a CGTP começa também estar infiltrada por perigosos “neo-liberais” obcecados pelo lucro selvagem!!!

Cinco funcionários da União de Sindicatos de Braga ainda não receberam o salário do mês de Dezembro e o subsídio de Natal. “Há alguns meses que os salários têm sido pagos atrasados e agora estamos mesmo sem receber”, disse ao JN um dos trabalhadores. Os alegados problemas financeiros levaram já a que, pelo menos um administrativo tenha recebido uma carta de despedimento evocando a extinção do posto de trabalho.

Se dúvidas houver, e quem viveu os anos de 1974 e 1975 poucas têm, aconselha-se a estarem atentos à vida das pessoas normais (com excepção da classe dirigente) ao que se passa em países como Cuba, Coreia do Norte, mesmo a Venezuela, ou antigos países socialistas.

Garanto-vos que tinha uma certa curiosidade de ver o Portugal governado por esta gente! Mas comigo, pelo menos, ali do outro lado da fronteira, no reino dos borbóns!

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Em que mundo vivemos nós...


Eusébio, por fim, descansa em Paz. A comunicação social ainda nos servirá mais umas doses excessivas, mas depois, e como tudo na vida, o tempo, se encarregará de por as coisas no lugar.

Escrevo este Post, não para alimentar esses excessos, mas para fazer alguma análise e reflexão, da muita imundice de imagens e verbalizações que andam por aí, e de onde não deveriam vir. Ao ler o Post do meu amigo Pedro Sobreiro no seu “vendo omundo de binóculos...” (apesar de eu próprio ter dedicado, talvez pela primeira vez, 3 Post a um tema), não posso deixar de concordar com ele: que “é demais”! 48 horas, na maioria das vezes em simultâneo em 7 ou canais de televisão, é excessivo e abusivo, mesmo que esteja em causa o desaparecimento de uma figura como o EUSÉBIO, e, não agoura nada de bom . Querem fazer de nós loucos, e/ou mais que isso, parvos. E alguém tem que ter mão nisto...

Não posso, no entanto, deixar de referir nesta reflexão, duas aberrações que constatei em toda esta loucura, e 2 factos que me enojaram: 

- Primeiro as declarações de Mário Soares sobre Eusébio. Considerado o pai da nossa democracia, ou do regime, e que já aqui publiquei. Creio ser evidente o tipo de personalidade desta triste figura, e que tipo de regime ele poderia parir;

- Em segundo, e depois de todos podermos constatar, em directo, o que esse senhor disse, vir o jornal do regime “O Expresso”, tentar deitar, como de costume, areia para os olhos e ouvidos daqueles que consideram “com pouca cultura”, e enviesar, com títulos e notícias como esta: Óbito/Eusébio: Mário Soares recorda "um grande futebolista" e "um homem bom".

Creio estar tudo dito sobre estas duas “instituições” da «demo cracia» portuguesa. Aliás, se dúvidas houvesse sobre a ligação entre ambos, elas aqui ficam bem expressas. Talvez um dia, que o tempo, também vos ponha no lugar.

Mais um simples goooooo.....lo de EUSÉBIO!


TA: Já agora marocas sabes qual definição geral do termo “cultura”? Talvez te faça bem leres a comunicação de José Saramago na Academia Nobel.  

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Um entre milhares....


Homenagem do Grupo Desportivo Arenense ao "REI"...

(Obrigado Nuno Pires)



Que grande fp (democrata) este soares...

Retirado daqui


"Afinal a esquerda é preconceituosa e altiva

por Maria Teixeira Alves
O mais interessante das declarações espontâneas de Mário Soares sobre Eusébio, a propósito da sua morte, é a revelação de uma coisa que há muito eu sei, mas que todos parecem ignorar: a esquerda também pode ser preconceituosa e soberba. A esquerda tem uma Maria Antonieta, mas ninguém parece reparar. 

Mário Soares começa por dizer de Eusébio, "que era um homem agradável com pouca cultura, mas evidentemente que não se estava à espera que ele fosse um pensador, o que se queria é que ele fosse um grande futebolista e ele foi". Depois de alguns elogios à sua modéstia e simplicidade, como compete a este tipo de pensamento, Mário Soares lembra que lhe falava quando se encontravam: "Fui algumas vezes almoçar naqueles restaurantes onde ele comia" [reparem bem na terminologia usada].
Depois acaba a dizer uma coisa pouco conveniente (isto é da idade): "Não sabia nada que ele estava doente, sabia que bebia muito whisky, todos os dias, de manhã à tarde, mas julguei que isso não lhe fizesse assim mal". 

Traduzindo, para Mário Soares, Eusébio era um bruto ignorante que sabia jogar bem à bola. Era um simples e modesto como compete aos inferiores de classe, e até comia (não almoçava, nem jantava, dadas as maneiras típicas daquela classe) nuns lugares onde ele Mário Soares almoçava e jantava. Agora não passava de um bêbado. E Mário Soares achava que gente daquela estirpe tinha um resistência fisica de um toiro e como tal, whisky de manhã à noite todos os dias não haveria de lhe fazer assim mal. 

Tenho ainda a destacar a ausência da reprodução destas declarações nas televisões, e nos sites. Fosse alguém de direita a proferir estas declarações e incendiavam-se a internet e os media, com imagens e comentários de indignação. Todos, de Isabel Jonet a Fernando Ulrich, foram corridos ao estigma Maria Antonieta, mas Mário Soares está imune. 

Viva a democracia, onde cada um pode dizer o que quer porque é livre (ou libertino). Mas há uns que são mais livres que outros!"


domingo, 5 de janeiro de 2014

Goooooooooooo.............lo, de EUSÉBIO.


“Para aqueles que, por obras valorosas, se vão da lei da morte libertando....”



A quem como eu, que aprendeu a gostar de futebol ao som da palavra “GOLO” associada ao nome EUSÉBIO, quero relembrar aqui estas duas palavras, para homenagear para sempre o seu nome.

Obrigado PANTERA.... 


"Havia nele a máxima tensão
Como um clássico ordenava a própria força
Sabia a contenção e era explosão
Não era só instinto era ciência
Magia e teoria já só prática
Havia nele a arte e a inteligência
Do puro e sua matemática
Buscava o golo mais que golo – só palavra
Abstracção ponto no espaço teorema
Despido do supérfluo rematava
E então não era golo – era poema."

(Manuel Alegre)


sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Contributos para sair da crise! (3)


Um dos grandes objectivos dos portugueses para o novo ano (senão o mais referido) é perderem peso!!

De acordo com dados divulgados hoje, devido à crise, os portugueses estão a consumir menos carne de vaca, e aumentou o consumo das carnes brancas (frango e peru), e de porco, que são mais baratas.

Então mas não é isso que recomendam os dietistas e os promotores de saúde? Vistas bem as coisas, e na volta, a crise ainda contribui para a se alcançar o objectivo da perda de peso. E já agora, digo eu, comecem a comer sopa, que essa também faz bem saúde. Poupem os “rinses” e o fígado, e ajuda a trabalhar a tripa!

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Contributos para sair da crise! (2)


A missão das escolas não deveria ser sobretudo “o ensinar”, em vez de insistirem no eduquês?

Retirado daqui, transcrevo de Valter Hugo Mãe o testemunho insuspeito que cita:

“Chocou-me ouvir Alice Vieira dizer que os bestsellers dos anos 80 que a levavam às escolas para falar com miúdos do 6.º ano, agora são os mesmos que a levam para falar com miúdos do 12.º ano. Diz ela que, hoje, os livros que concebeu para miúdos de 13 anos, estão a ser lidos e trabalhados por miúdos de 17, no âmbito das escolas. 'O que vou fazer? Pelo menos que os apanhemos aos 17, se não estes livros para 13 anos vão ser mais tarde ou mais cedo trabalhados na universidade ou em doutoramentos e eu vou ser chamada para falar com adultos marmanjões que deviam ter entendido isto aos 13 anos'.”

A observação de Alice Vieira demonstra que temos estado, desde há muito, a recuar, que os nossos jovens aprendem cada vez mais tarde o que deviam aprender muito mais cedo.”

Será que isto preocupa Mário Nogueira, Nuno Crato, ou alguns professores?


Contributos para sair da crise! (1)


Foi você que pediu consenso?

Decorreram em 25 de Dezembro e a 1 de Janeiro as festividades de Natal e Ano Novo.

Até ao momento, não são conhecidas quaisquer contestações por parte do PS, PCP ou Bloco de Esquerda!  

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

O mundo dos outros...


Para abrir as hostilidades do ano novo. Muito bom. Se ele (o pedrito) se lembra de taxar a criatividade e o humor não há dívida que resista a este portuguesismo!!!!!  


"Remorsos de um encenador de teatro
por FILIPE LA FÉRIA, 29 Dezembro 2013 (tirado daqui).

Muita gente me acusa de ser o culpado do estado de desgraça do nosso país por ter reprovado Pedro Passos Coelho numa audição em que eu procurava um cantor para fazer parte do elenco de My Fair Lady. Até o espertíssimo gato fedorento Ricardo Araújo Pereira já afirmou que eu devia ser chicoteado em público todos os dias até Passos Coelho desistir de ser primeiro-ministro, como insistentemente o aconselha o Dr. Soares.

Na verdade, confesso que em 2002, quando preparava os ensaios para levar à cena My Fair Lady fiz uma série de audições a cantores para procurar o intérprete do galã apaixonado por Elisa Doolittle, a pobre vendedora de flores do Covent Garden, personagem saída da cabeça brincalhona e maniqueísta de Bernard Shaw, genial dramaturgo que no seu tempo se fartou de gozar com políticos. Entre muitos concorrentes à audição, apareceu Pedro Passos Coelho de jeans, voz colocada, educadíssimo e bem-falante. Era aluno de Cristina de Castro, uma excelente cantora dos tempos de glória do São Carlos que tinha sido escolhida por Maria Callas para contracenar com a diva na Traviata quando da sua passagem histórica por Lisboa. As recomendações portanto não podiam ser melhores e a prova foi convincente.

Porém, Passos Coelho era barítono ( um registo vocal masculino que se encontra entre o baixo e o tenor. É uma das vozes mais comuns em cantores) e a partitura exigia um tenor. Foi por essa pequena idiossincrasia vocal que Passos Coelho não foi aceite, o que veio a ditar o futuro do jovem aspirante a cantor que, em breve, ascenderia a actor protagonista do perverso musical da política. Se não fosse a sua tessitura de voz de barítono, hoje estaria no palco do Politeama na Grande Revista à Portuguesa a dar à perna com o João Baião, a Marina Mota, a Maria Vieira, e talvez fosse muitíssimo mais feliz.

Diria mal da forma como o Estado trata a cultura em Portugal, revoltar-se-ia com os impostos que o teatro é obrigado a pagar, saberia que um bilhete, que é vendido ao público a dez euros, sete vão para o Estado, teria um ataque de nervos contra os lobbies da Secretaria de Estado da Cultura (há quarenta anos sempre os mesmos...), não saberia sequer o nome do obscuro e discretíssimo secretário da Cultura oficial, não perceberia porque em Portugal não há uma Lei do Mecenato que permita aos produtores de espectáculos cativar os mecenas (tal é a volúpia cega dos impostos), saberia que cada vez mais há artistas no desemprego em condições miserabilistas e degradantes, que fazer teatro, cinema ou arte em Portugal se tornou um acto de loucura e de militância esquizofrénica.

Mas a cantar no palco do Politeama estaria bem longe da “bomba-relógio” do Dr. Paulo Portas, cada vez mais fulgurante como pop-star, da troika, agora terrível e pós-seguramente medonha; das reuniões de quinta-feira com o Senhor Professor; do Gaspar que se pisgou para o Banco de Portugal; dos enredos do partido, bem mais enfadonhas do que as animadas tricas dos bastidores do teatro; das reuniões intermináveis com os alucinados ministros; das manifestações dos professores, dos polícias, dos funcionários públicos, dos pescadores, dos estivadores, dos reformados, dos trabalhadores de tudo o que mexe e não mexe em cima deste desgraçado país; ah, e das sentenças do Palácio Ratton que agora são chamadas para tudo, só para tramarem a cabeça intervencionada do pobre Pedrinho. Não bastava já as constantes birrinhas do Tó Zé Seguro, as conversas da tanga do Dr. Durão Barroso, o charme cínico e discreto de Madame Christine Lagarde, as leoninas exigências da mandona da Europa para Bruxelas assinar a porcaria do cheque.

Valha-lhe o Papa Francisco que tudo isto é de mais para um barítono!

Assumo o meu mais profundo remorso. Devia ter proporcionado ao rapaz um futuro mais insignificante, mas mais feliz. Mas, tal como Elisa Doolittle, que depois de ser uma grande dama prefere voltar a vender flores no mercado de Covent Garden, talvez o nosso herói renegue todas as vaidades e vicissitudes da política e suba ao palco do Politeama para interpretar a versão pobrezinha mas bem portuguesa de Os Miseráveis!


PS: O artigo foi escrito em português antigo. No Teatro Politeama nem as bailarinas russas aderiram ao Acordo Ortográfico."

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Balanços 2013: As minhas preferências



No ano de 2013 publiquei por aqui 215 Mensagens (Posts). Como já disse anteriormente, este ano fica marcado para a Retórica, por ser o ano da sua afirmação, como uma média de 60 visitas diárias, e no último trimestre essa mesma média rondou as 90 visitas diárias. Para quem quiser reler e relembrar, algo do que aqui fui registando ao longo deste último ano, deixo aqui os 7 Posts da minha preferência de 2013: 


1 - Os cometas (30/9/2013)

“Cometa, é um corpo menor do sistema solar que quando se aproxima do Sol passa a exibir uma atmosfera difusa, denominada coma, e em alguns casos apresenta também uma cauda, ambas causadas pelos efeitos da radiação solar e dos ventos solares sobre o núcleo. Os núcleos dos cometas são compostos de gelo, poeira e pequenos fragmentos rochosos, variando em tamanho de algumas centenas de metros até dezenas de quilómetros.”

Na política também existem alguns destes “corpos menores”, andam por aí eclipsados durante 4 anos, às vezes toda uma vida. A maioria das vezes pescados fora da terra, sem que se lhes conheça qualquer actividade social (boa ou má), meninos bem comportados, e apresentados como "sem defeitos" (mas também sem qualquer qualidade conhecida para a vida pública), bons “chefes” da família tradicional; que de 4 em 4 anos são lançados pelos caciques locais, como meninos de coro, para convenceram a populaça de que serão seus dignos representantes, e tudo farão em seu prol (quando todos sabemos que o que eles querem é resolver as suas vidinhas e de seus amigalhaços).

Existe ainda outra coisa pouco bonita neste mundo da “astronomia política”. São aqueles “corpos” que umas vezes aparecem à direita, outras vezes à esquerda, outras ainda nos céus de ninguém, é assim como lhes dá jeito. Mas também aqui os resultados não são os melhores, e povo não aprecia.

Em Marvão, tem sido quase sempre assim. Os resultados têm sido quase sempre desastrosos, e mais uma vez não fugiram à regra.

Fazer POLÍTICA, não pode ser uma coisa ocasional, de meia dúzia de messes (ou menos) antes de eleições. O povo já não vai nessas lérias. Fazer POLÍTICA, tem que ser constante, conhecer o terreno que se pisa (contexto), apresentar alternativas (ser só boa pessoa e simpático não chega). E depois tem que se apresentar algumas credencias (currículo social), se possível com algumas provas dadas no passado e resultados obtidos.

Se alguma coisa as eleições de ontem mostraram, foi que os Partidos políticos têm que reflectir muito bem sobre a sua prática de fazer política e de seleccionar candidatos. Escolher candidatos para administrar a vida pública, não é a mesma coisa que escolher uma “miss de beleza”, ou um concorrente de “big brother” da televisão chunga. Se não perceberem isto, e mudarem, será o povo a mudar-vos.

Ainda sobre Marvão, o que eu gostaria de ver a alguns desses “cometas”, era agora que as eleições para cargos em que se ganha dinheirinho acabaram, se apresentassem nas Associações do Concelho ou em causas públicas, que são muitas e precisam do vosso trabalho, mostrassem do que são capazes, e, que estão preocupados com a coisa pública. Parece que a próxima a precisar de gestores associativos é o Lar de São Salvador da Aramenha. Apareçam por lá e mostrem do que são capazes!

Mas olhem que aí o colaboração é gratuita, isto é, à borla.... 


2 - Rapidinhas mas boas (20/9/2013)

No princípio desta semana, quando assistia ao desfilar de mais um “rosário de lamentações”, em que se transformaram os Telejornais televisivos, sobre o início do ano escolar, deparei-me com o seguinte “tesourinho” em directo, de uma senhora professora no dia de apresentação aos seus alunos, escrito no Quadro modernaço:

“ Eu sou (fulana de tal), a vossa professora de português. Ok...”

E eu, que não percebo um boi de línguas bárbaras, a pensar: I am João, your English teacher! Sim...”

Estas o Mário Nogueira não comenta, nem o Tó Zé....


3 - “Madrugada Suja” (22/8/2013)

Não lia um livro numa semana desde os meus 20 anos, quando por essa época, há luz de um candeeiro a petróleo, e após um acidente de motorizada que me partiu um pé, devorei o Mandingo de Kyle Onstott. O Mandingo era uma história passada nos States, tratava da escravatura dos pretos nessas paragens, numa plantação do Alabama, onde o “avantajado” escravo Ganimedes acaba cozido e assado (qual joão ratão) num panelão, após ter ele mesmo “comido” a filha branca do patrão. Um argumento perfeito para apaixonar um jovem, então de esquerda, e o acicatar na sua raiva aos americanos imperialistas.

Pois por estes dias, bati esse recorde, ao ler a “Madrugada Suja” de Miguel Sousa Tavares (MST): apenas 4 dias.

Quando me emprestou o livro, logo o amigo Fernando Bonito me avisou, que se tratava de um argumento que, quando o iniciasse, não conseguiria mais parar! Duvidei, sobretudo, devido a uma preguiça crónica que me vem acompanhando ultimamente.

Já havia lido do MST o livro, possivelmente, mais lido em Portugal nos últimos anos - O Equador, que apesar de ser uma intriga bem montada, com um enquadramento histórico que me aliciou, e de ter ficado uns tempos a remoer as traições aí relatadas, só me voltei a lembrar dele quando a TVI apresentou a série correspondente, mas aí, muito mais focado na belíssima banda sonora de Rodrigo Leão, e nas belas fotografias exibidas: quer as paisagísticas, quer as humanas!

Para um leitor apaixonado por Saramago, Lobo Antunes, ou José Cardoso Pires, ler Miguel Sousa Tavares, em termos literários é assim como quem passa da música clássica ou do “jaaz”, para a chamada música pimba, ou um confronto Camilo/Eça do século XIX. No entanto, cuidado, isso apenas no que toca a uma análise literária. Porque no resto, em termos de criatividade, de enredo, de intriga real, de traições, e de actualidade, o Miguel é um “mestre”.

Neste livro ele pega na vida de várias personagens (possivelmente reais) que atravessaram o século XX até aos nossos dias, as suas vivências e visões diferentes do tempo e do espaço onde vivem (o campo e a cidade, o urbano e o rústico, o interior e o litoral), a simplicidade com que as descreve (sobretudo as femininas, sem ser ter medo de ser acusado de machista, pois não parece sê-lo), a forma sucinta, clara e global como descreve os acontecimentos sociais e políticos de quase um século; e como tudo isto conflui para um problema que ele quer denunciar, com grande actualidade nos nossos dias: as chantagens do poder,  a corrupção, e a política num regime que se diz democrático.

Miguel Sousa Tavares é daquelas personalidades que, ou se gosta ou se odeia (como eu me revejo nele). Quem ouve os seus comentários nos meios de comunicação, parece arrogante, vaidoso,  distante, e agressivo; mas no fundo eu acho que ele é um homem simples e sensível, mas com uma opinião própria e independente. Não é habitualmente um troca-tintas, como a maioria dos seus congéneres comentadores televisivos, que estão ali apenas para dizerem o que os espectadores querem que se diga: num dia são brancos no dia seguinte são pretos; mas o que eles são, efectivamente, é cinzentos, ou pior, "cinzentões"; verdadeiros cata-ventos para agradarem aos seus mandantes e ganharem a vida à custa da ingenuidade alheia. MST não, o que é branco é branco, se for preto não trata por “negro”.

Claro que há quem não goste: é muito agressivo! Ai credo, satanás. Mas quem quiser conhecer MST, ou terá de ser pessoalmente, ou nos seus livros onde ele se mostra. E em “Madrugada Suja”, MST dá forma aos seus heróis: os humildes e os corajosos, e descreve de uma forma simples mas real, muito do que arruinou Portugal nos últimos 40 anos.

Para quem como eu, teve oportunidade de viver alguns acontecimentos idênticos aos do livro: mentiras, traições, chantagens, sacanices, vitórias dos poderes ocultos sobre a razão, não pude deixar de apreciar esta obra. Quase sempre emocionado e com lágrimas nos olhos, que frequentemente, me fizeram interromper a leitura (a coisa às vezes é dura, mas muito real) senão, o recorde de tempo da leitura ainda seria maior.

Como eu gostava de ter sido Tomás da Burra: o homem íntegro que nunca saiu de Medronhais, o homem que nunca viu o mar, que criava, falava e amava as suas plantas e os seus animais apenas para se servir deles, quando deles precisasse, que criou o seu neto como de filho se tratasse, mesmo que o não fosse; como eu admirei a coragem da avó Filomena: mulher sem saber ler ou escrever, mas uma verdadeira sábia no que toca às relações humanas e a arte de saber calar, uma mulher coragem; como eu gostava de ser o Filipe: o Arquitecto criado no campo, que não cedeu a chantagens e teve a coragem de enfrentar o “poder” e a corrupção (nem que os chantagistas fossem os poderosos, e um dos corruptos fosse o seu próprio pai biológico); como eu apreciei Eva (ou a Procuradora Maria Rodrigues): que poderia ter perdido tudo numa noite de simples bebedeira de adolescente, mas que lutou durante 5 anos agarrada a numa cadeira de rodas e, quando podia ter cedido à facilidade de se vingar de um dos seus possíveis “violadores”, aceitou os seus instintos de “mulher”, e chegou à verdade.

Mas, o que eu gostava Miguel: era de escrever como tu, mesmo que literatura não fosse! Escrever a “minha” história, e denunciar publicamente a patranha que também um dia me armaram, e que até hoje carrego como algo mal resolvido. Pelo menos nomes das personagens já não me faltam: o Zé Morcego, a Genoveva (a bruxa gorda), a Dona Maria Quixote (a bruxa má), o dr. Camponês, a São Imaculada, o Manuel dos Canchos, O Zé Almirante de Meia-Nau, as Irmãs Tramelita e Catatua, o Chico Regedor, o Frei Macacos, o Maioral das Cortiças, etc., etc. Quem sabe, talvez um dia....

Vou agora reler com mais calma. Talvez para apreciar melhor a escrita e alguns pormenores, que volto a referir, sem ser uma grande obra literária (na minha modesta opinião), quem gostar de ler, não perca: “Madrugada Suja”.

Obrigado ao Miguel...

4 - João no mundo dos imbecis (23/7/2013)

Os papagaios da comunicação social e os corporativistas do regime, andam por aí a apregoar que depois de tantos cortes e tanta austeridade, a dívida pública portuguesa (a de todos nós), não pára de crescer, e atingirá por estes dias cerca de 127% de um tal PIB (Produto Interno Bruto).

Ora, na minha ignorância e vistas curtas, suponho que sempre que tentemos saber se algo cresceu ou diminuiu, teremos que usar um sistema de medida. Assim, para sabermos se uma criança cresceu, de um momento para outro, usamos os centímetros; e para sabermos se aumentou de peso, usamos as gramas e seus múltiplos; e assim para outras avaliações.

Acontece, que estas medidas padrão, se mantêm mais ou menos inalteráveis ao longo dos tempos. E assim, há mais de 100 anos que 1 quilo continua a ser 1 quilo, e 1 metro continua a ser 1 metro. E tanto faz estarmos na Europa, como na África com na Ásia. Logo quando fazemos avaliações, usando estas medidas, podemos dizer com alguma segurança, que nos últimos 100 anos, se registaram aumentos percentuais quer na estatura, quer em peso nas crianças do século XXI, quando comparamos com as do início do século XX.

Mas o PIB, será ele uma medida inalterável? Ou aumenta e diminui de acordo com o desenvolvimento e desempenho de um país? E quando este cai (como parece ser o caso dos últimos anos, e parece não ser pouco); e se a divida se mantém, que acontece à relação entre ambos?

Tomemos como exemplo uma família que em 2011 tinha 2 dos seus membros empregados, cujos rendimentos anuais eram de 30 000 euros, e herdaram uma dívida, nesse mesmo ano, de seus progenitores de 40 000 euros. Ao fazerem as contas, essa família constatou que tinha uma dívida, face ao seu rendimento anual de então, de cerca de 133%.

Veio o ano de 2012, e sendo um dos membros desta família funcionário da Administração Pública, viu os rendimentos do seu desempenho amputados de 2 000 euros (não recebimento de subsídio de férias e natal), que quer dizer que o rendimento anual dessa família foi apenas de 28 000 euros. Apesar dessa diminuição de rendimentos, ainda conseguiu amortizar 1 000 euros à divida herdada, que se situa agora em 39 000 euros.

No entanto, apesar de esta família ter feito um esforço de ajustamento de viver em 2012 apenas com 27 000 (recebeu menos 2 000 e amortizou 1 000 à dívida), andam agora os familiares (alguns responsáveis pela feitura dessa dívida), a dizer que esta aumentou para cerca de 140%, quando, no ano anterior, era apenas de 133%!!!

Será justo? Ou vamos lá ter um mínimo de seriedade....


5 - Reflexões em “dia do pai” (19/3/2013)

Era uma vez um pai que gostava muito dos seus filhos. Era mesmo aquilo a que podemos chamar um, “amor de pai”, e tinha como divisa “aos filhos é que nada pode faltar”...

Este pai herdou de seu progenitor austero um legado pobre, sem grandes patrimónios, uma pequena escolaridade de 4 anos, um deficit em algumas necessidades primárias como a saúde ou a liberdade; mas tinha uma família de cara lavada, honesta, com uma cultura de, viver com o que se produz, e claro, nada de dívidas.

Este, amoroso pai, quando assumiu a responsabilidade de o ser, na roda da vida, desprezou a cultura e os princípios herdados, e em vez de corrigir deficiências, adoptou uma filosofia completamente oposta ao do seu progenitor, por achar que tudo nele estava errado.

Durante mais de 30 anos, proporcionou a seus filhos uma serie de regalias e direitos, diga-se até que alguns dispensáveis, tais como: avultadas mesadas para todos, que lhes proporcionavam só trabalhar já bem entrados na idade adulta, e, depois de “meia-vida” de ócio e borgas; a alguns, mais de 20 anos nas escolas sem grandes resultados; seguros de saúde dos mais caros, para que pudessem socorrer as maleitas devido a estilos de vida manhosos; oferta precoce de um automóvel sempre que um descendente atingia os 18 anos; alimentação em restaurantes pelo menos 7 dias por semana; cada vez que um dos seus rebentos pensava arranjar uma nova família, logo, esta bondosa criatura os brindava com a oferta de uma casita tipo “vivenda” ou, pelo menos, um “apartement t3”; e direito anual a muitas férias, se possível fora do país. E ainda, para fazer ver ao seu progenitor, decidiu presenteá-lo, bem como a sua mãe, com pensões de reforma insustentáveis no tempo, pelo menos para quem soubesse fazer simples contas de multiplicar e dividir.

Foi assim que, durante 3 décadas, para fazer face às despesas para suportar essa filosofia de vida, em vez de produzir e trabalhar, este pai amoroso, se endividou até ao tutano, sustentando que seus filhos mereciam tudo, e, que aos filhos nada pode faltar.

Cada ano que passava, por cada 16 mil euros que ganhava, tinha que pedir, ao vizinho rico, 800 euros para sustentar os seus princípios e valores.

Hoje tem uma dívida superior a 24 mil euros, só de juros paga ao vizinho rico 1 200 euros por ano, ao que junta mais os tais 800 que tem que continuar a pedir, que perfazem um total de 2 000 euros a mais do que aquilo que produz em cada ano (que agora já não chega aos tais 16 mil). Este estilo de vida chegou a um ponto, que já ninguém lhe quer emprestar um tusto que seja, e, dizem que este, extremoso pai, está F***** (falido).

Claro que, perante esta situação, o vizinho penhorou a casa e os automóveis dos meninos do papá, pois já viram que este, bom pai, jamais conseguirá pagar a dívida em que se meteu. O dito, bom pai, entretanto já se pôs ao fresco, emigrou, e deixou, a esposa/mãe e os rebentos, encalacrados.

A mamã um pouco mais realista, já começou a cortar mesadas a torto e a direito; as pensões dos sogros já foram reduzidas para metade, a escola e a saúde têm que começar a ser a pagas; e claro, a filharada e os velhos andam descontentes, e passam o tempo a protestar e aos berros.

Mas o vizinho quer o “carcanhol” em dívida, e, ou a mãe ou os filhos, vão ter que pagar a dívida e os juros. 

TA: Claro que os meninos gostam muito do, bom pai, e, têm dele muitas saudades....

6 - Perguntas que incomodam (22/2/2013)


Se os Bancos portugueses pagam juros de depósitos a menos de 2%, como é possível que não emprestem dinheiro às empresas a menos de 5%, e a particulares a menos de 6%?
Será que guardar dinheiro dá assim tantas despesas?


7 - Para meu irmão (12/2/2013)

 Espero que não te importes que te esteja a tratar por tu, pois não foi assim que os nossos pais me ensinaram, nem tão pouco foi assim que te tratei ao longo dos trinta anos que convivemos, sempre te tratei por “mano” ou mais simplesmente, pelo despropositado “oiça lá, ou veja lá...”; mas hoje é dia de entrudo, e coincide com o dia doze de fevereiro. Não posso afirmar, que tal coincidência, não tenha já sucedido no quarto de século, que se seguiu ao fatídico ano de 1991, mas hoje, vá lá gente saber porquê, veio-me à memória.

Ao longo destes vinte e dois anos, desde que partiste, nunca me lembro de escrever sobre ti, a não ser um pobre poema feito pouco tempo depois, a que dei o nome de “poema para uma quarta-feira de cinzas...”, mas que ficou perdido por aí, nas diversas andanças a que tenho estado sujeito, e, que hoje não descubro, mas prometo-te que logo que o encontrar to enviarei.

A notícia chegou-me através de uma amiga, pois por essa época o telefone ainda não existia em minha casa. Seriam perto das duas horas da madrugada de 13 de fevereiro, quando a campainha da porta tocou. Eu que havia acabado de adormecer tive imediatamente a percepção do sucedido. Fiquei ali deitado, imóvel, aguardando que minha mulher abrisse a porta, e quando a mensageira entrou no quarto, não foram precisas palavras, os olhares disseram tudo: o xico serra, estava, mas tinha deixado de estar.

Não me lembro de ter chorado, mas, possivelmente, algumas lágrimas hão-de ter inundado os meus olhos. O sofrimento em que agonizavas era, certamente, mais atroz. Apenas me lembro que foi para mim muito diferente do dia da notícia que tivera dois anos antes, chegada pela voz desesperada da tua filha ao telefone da casa do povo, e que me martelou o tímpano sem aviso prévio, após lhe comunicarem que - seu pai tem um cancro, nada se pode fazer, abri e fechei, e não terá mais de um mês de vida!

Nesse dia sim, o desespero e raiva tomaram conta de mim, corri para casa, deitei-me sobre a cama, sovando-a até me apetecer, embora sabendo que ela não teria qualquer culpa, chorei até esgotar as lágrimas, e só me lembro de pensar “o meu irmão vai morrer em breve...”, e balbuciar: porquê, porquê, porquê...?

Amanhã farão 22 anos, mano, e eu tenho saudades tuas. As lágrimas voltam, a pergunta continua, e eu acho que não tenho o direito de maçar aqueles que me lêem, mas tu mereces que eu te lembre. Sem ti eu não seria eu, seria, certamente, alguém muito diferente!

Hoje quero dizer-te, e penso que nunca to verbalizei, tu foste para mim como um segundo pai, e eu gostava muito de ti...

   

domingo, 29 de dezembro de 2013

Antes que se faça tarde!

Vamos lá, então, por fim a 2013. E, silêncio, porque se vai cantar o Fado:

"O fado tem não sei quê, que prende a alma da gente, um nada, que se não vê, um tudo, que a gente sente. Eu dei a vida a valer, nada mais podia dar, agora, para viver, vivo sim, mas a cantar.

Se a tristeza ao fado assiste, e o fado assim, extasia, prefiro ser sempre triste, para não morrer de alegria. Tinha o destino marcado, pois logo, de pequenino, fiz do destino dum fado, o fado, do meu destino!

A minha vida renasce, neste meu canto magoado, cada um é para o que nasce, e, eu nasci para o fado..."






"Nem um poema, nem um verso, nem um canto, tudo raso de ausência, tudo liso de espanto. Amiga, noiva, mãe, irmã, amante, meu amigo está longe, e, a distância é tão grande...

Nem um som, nem um grito, nem um ai, tudo calado, todos sem mãe nem pai. Amiga noiva mãe irmã amante, meu amigo esta longe, e, a tristeza é tão grande...

Ai esta mágoa, ai este pranto, ai esta dor, dor do amor sozinho, o amor maior. Amiga noiva mãe irmã amante, meu amigo esta longe, e, a saudade é tão grande..."





sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Balanços 2013: Geral


"....porque, se fosse ao contrário, se calhar não escrevia, não é? A gente escreve para gostarem de nós. Quando o Mozart, aos 5 anos, tocou para a corte francesa, ele foi a correr sentar-se ao colo da Maria Antonieta e pediu-lhe "aimez moi!". 

(António Lobo Antunes)

Mais um ano que está a chegar ao fim. 2013 foi o ano de afirmação da minha Retórica Bugalhónica, depois da reforma, possivelmente definitiva, do projecto colectivo em que participei, que foi o Fórum Marvão. Isto dos blogues, é um bocado como os projectos musicais, em que se junta um grupo de músicos e formam um “conjunto”, mas pouco a pouco, cada elemento vai tomando o seu rumo e fazendo o seu percurso a solo.

Na escrita, e mais uma vez como na música, por mais que alguns queiram fazer crer, que compõem ou escrevem para si próprios, creio que, no fundo, todos gostamos de ser lidos ou ouvidos, e, neste desiderato a Retórica, atingiu este ano, valores muito acima do que vinha sendo hábito e que eu próprio estimava. Isso deixa-me satisfeito, e é um incentivo para continuar, independentemente, se agrado ou se enfado, nisso é que, garanto, me é completamente indiferente. O que me interessa é, sobretudo, agitar consciências, e contribuir para a reflexão e a análise do que me rodeia.

Nem sempre serei o dono da razão (nem ninguém o será jamais) mas certamente, tal, algumas vezes me assistirá. Mesmo quando denuncio e/ou acuso, procuro fazê-lo sempre fundamentando. Não tenho nunca em vista o ataque pessoal, mas sim os comportamentos ou actos daqueles que estão na administração da coisa pública, que foram os escolhidos, e que têm a obrigação de serem exemplares.

Assim, dos cerca de 34 000 visitantes que tem a Retórica nos seus 6 anos de existência, 21 500 (63%) fizeram-no durante o ano de 2013, o que demonstra, elucidativamente, a sua evolução, como se pode ver, em baixo, no Gráfico 1. Isto representa uma média de 1 800 visitantes/mês, e cerca de 60 visitantes por dia. O recorde de visitas foi atingido em Outubro de 2013 com um total de 3 620 visitantes.  


Gráfico 1 - Visitantes da Retórica Bugalhónica 


Fonte: Blogger


Desde 2007 aqui editei 350 Posts, que mereceram 265 comentários por parte dos visitantes. Os 5 Posts mais visitados de sempre, para quem quiser revisitar, foram os seguintes:

1º - Coisas muito feias (02/12/2013)
2º - Coisas giras vistas por aí (28/11/2013)
4º - O mundo dos outros (20/11/2013)

Algo que não posso deixar de referir também, que muito me honrou, foi o ter este pequeno Blogue pessoal, editado nos confins do mundo, sido aconselhado por um dos seus congéneres de referência a nível nacional, o Delito de Opinião, em 27/11/2013. Por tal, aqui agradeço publicamente ao Pedro Correia.  

O 2014 está já aí. Este é o meu espaço de ligação ao mundo, e a minha forma de exercer alguma cidadania. A todos que por aqui passam o meu muito obrigado, a porta está sempre aberta para todos....

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Porque é Natal....


O autor desta humilde Retórica deseja a todos os visitantes boas festas, e um Natal de acordo com a vontade e possibilidade de cada um.




(Adaptação minha de um poema de David Mourão Ferreira)

Entremos, apressados, friorentos, numa gruta, no bojo de um navio, num presépio, num prédio, num presídio, no prédio que amanhã for demolido... Entremos, inseguros, mas entremos. Entremos, e depressa, em qualquer sítio, porque esta noite chama-se Dezembro, porque sofremos, porque temos frio.

Entremos, dois a dois: somos duzentos, duzentos mil, doze milhões de nada. Procuremos o rastro de uma casa, a casa, a gruta, o sulco de uma nave... Entremos, despojados, mas entremos. De mãos dadas, talvez o fogo nasça, talvez seja Natal e não Dezembro, talvez universal a consoada.

Vai nascer esta noite, à meia-noite em ponto, num sótão, num porão, numa cave inundada. Vai nascer esta noite, à meia-noite em ponto, dentro de um foguetão reduzido a sucata. Vai nascer esta noite, à meia-noite em ponto, numa casa na “Síria ou no Egipto”, ontem bombardeada.

Vai nascer esta noite, à meia-noite em ponto, num presépio de lama, de sangue e de cisco. Vai nascer esta noite, à meia-noite em ponto, para ter amanhã a suspeita que existe. Vai nascer esta noite, à meia-noite em ponto, tem no ano dois mil a idade de Cristo.

Vai nascer esta noite, à meia-noite em ponto, vê-lo-emos depois de chicote no templo. Vai nascer esta noite, à meia-noite em ponto, e anda já um terror no látego do vento. Vai nascer esta noite, à meia-noite em ponto: para nos pedir contas do nosso tempo.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Balanços 2013: Músicas...


Numa época de aculturação musical do estilo “cu pra baixo, cu pra cima”, ou do “do abana as mamas, abre as nalgas, e anda cá que eu não te aleijo”; em que a choldra dos 3 canais generalistas da televisão ao fim-de-semana nos bombardeiam, em doses iguais, apenas com este “estilo da treta”, em pacotes da mais pura estupidez; ou noutra dimensão o género “pum, pum, pum, chi pum”; como se andassem a domesticar macaquinhos amestrados, e, como se mais nada existisse no panorama musical português. Deixo a lista dos 60 temas que aqui publiquei ao longo de 2013. Sobretudo para homenagear a música portuguesa.

- Bolero do Coronel sensível que ... (Naifa e Vitorino)
- Rapaz da Camisola verde (Sergio Godinho e Frei Hermano da Câmara)
- Ai se a Luzia... (Banda do Casaco)
- A chata (Ultraleve)
- Pior que perder (Adriana)
- Em Marcha (Luis Caracol)
- Coisas pequenas (Madredeus)
- Como quem não quer a coisa (Trovante)
- A velha Xica (Dulce Pontes e W. Bastos)
– Não é fácil o amor (Janita e Lena de Água)
 - É triste não saber ler (Banda do Casaco)
 – Que seja agora (Deolinda)
 – Ainda bem (Marisa Monte)
 – Sexta-feira (Rui Veloso)
 – La dolce Vita (Jáfumega)
 – Vamos ao Circo (Sitiados)
 – Capitão Romance (Ornatos Violeta)
 – Estupidez (Xutos e Pontapés)
 – Namoro (Sérgio Godinho)
 – A gente não lê (Rui Veloso)
 – Fiz-me à Cidade (Trovante)
 – Desalinhados (Delfins)
 – Anos de bailado e natação (Mundo cão)
 – Zero-a-zero (Carlos Paião)
 – Se deixas-te de ser minha (Carlos do Carmo)
- Quero é viver (Humanos)
- Maryjoana (As 3 Marias)
- A noite Passada (Sergio Godinho)
- Nossa senhora da Estrela (Semeador)
- Saiu para a rua (Rui Veloso)
- Vernáculo (UHF)
- Cinderela (Rui Veloso e Carlos Paião)
- Fado do estudante (Vasco Santana)
- A minha geração (UHF)
- Ai Silvina, ai Silvininha (Camané)
- Circo de Feras (Xutos e Pontapés)
- Adeus tristeza (Fernando Tordo)
- Amanhã (Duo ouro negro)
- O charlatão (Sérgio Godinho)
- O menino (Adriano, Quinta do Bill e Amália)
- Menina dos olhos de água (Pedro Barroso)
- O comboio descendente (José Afonso)
- A noite passada (Sérgio Godinho)
- Cavalo à solta (Fernando Tordo e Viviane)
- No sé nada (Rodrigo Leão)
- Canção de madrugar (Hugo Maia Loureiro, Sérgio Borges e Susana Félix)
- Cara de Anjo mau (Jorge Palma)
- O primeiro Dia (Sérgio Godinho)
- Quando a noite já ia serena (Sebastião Antunes e Tito Paris)
- Mulheres (Martinho da Vila)
- Todo o tempo do mundo (Rui Veloso)
- Os vampiros (José Afonso)
- Pura inocência (Pólo Norte)
- O homem do leme (Tim)
- O Fio da navalha (Táxi)
- Salvé maravilha (Banda do Casaco)
- Mudam-se os tempos (José Mário Branco)
- Não tenho mais razões para me queixar (Deolinda)
- Canção de Lisboa (Jorge Palma e JP Pais)
- Desespero (Jorge Fernando)

 Destas realço duas, que aqui repito, como prova de que é possível fazer música com humor e com bom gosto: “As 3 Marias” e “Mundo Cão”. Alguém as ouviu por aí?




sábado, 21 de dezembro de 2013

Versões (2)


"Eu que me comovo por tudo e por nada, deixei-te parada, na berma da estrada. Usei o teu corpo paguei o teu preço, esqueci o teu nome limpei-me com o lenço. Olhei-te a cintura de pé no alcatrão, levantei-te as saias deitei-te no banco, num bosque de faias de mala na mão. Nem sequer falaste, nem sequer beijaste! Nem sequer gemeste, mordeste, abraçaste: - Quinhentos escudos, foi o que disseste! Tinhas quinze anos, dezasseis, dezassete, cheiravas a mato, à sopa dos pobres, a infância sem quarto, a suor, a chiclete. Saíste do carro alisando a blusa, espiei da janela rosto de aguarela, coxa em semifusa. Soltei o travão!

Voltei para casa de chaves na mão, sobrancelha em asa, disse: - "fiz serão" ao filho e à mulher, repeti a fruta, acabei a ceia, larguei o talher. Estendi-me na cama de ouvido à escuta e perna cruzada. Que de olhos em chama, só tinha na ideia, teu corpo parado na berma da estrada, e eu que me comovo, por tudo e por nada..."

(António Lobo Antunes)


Versão 1



Versão 2