segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
Ó Crato, assim não chegamos a alter (do chão)...
Consta, como se
pode ler aqui, que a reunião (a reboque) que o ministro teve com as “poderosas”
associações de estudantes do ensino superior, acabou com este “em cima da mesa, de boxers e coberto de
farinha”; e com os ditos estudantes associativos a entoar os cânticos do
costume: «E se o Craaaaaato quer ser cá
da malta, tem que beber este copo até ao fim, até ao fim...».
Certamente, e
devido a tão forte “argumentação” apresentada e discutida, o ministro, no final
apenas invocou “o direito dos alunos a resistirem às praxes”.
Sim, sim, sr. ministro, não duvide que esse é o
caminho, espere sentado...
Entretanto deixo
aqui 2 exemplos de hipóteses que talvez resolvessem a coisa de vez. Mas isto
sou eu a pensar:
Hipótese A:
Em 1727, D. João
V determinou que face a abusos idênticos "todo
e qualquer estudante que por obra ou palavra ofender a outro com o pretexto de
novato, ainda que seja levemente, lhe sejam riscados os cursos". Sigam
o exemplo do Magnânimo e decretem desde já medida semelhante. Vão ver como
estes abusos acabam num instante
Hipótese Alternativa:
Cortem-se os
subsídios às associações académicas das universidades que permitam as praxes. A
ver se não assumiam logo responsabilidades, em vez de dizerem que não têm nada
a ver com as comissões de praxes.
Nota: Já agora, alguém me explica com é
possível o “dux” de Coimbra, José Luís Jesus, ter 24 matrículas na universidade? Numa universidade pública a gastar impostos dos contribuintes? Que ensino é este?...
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Se..., se..., se....
Se Sebastião cá voltasse, se a moleza se cansasse, se o Eusébio ainda jogasse, ai que fintas que ele faria um dia...
Se o imposto não subisse, se o emprego não fugisse, se o
presidente sorrisse, outro galo cantaria um dia:
E se cá nevasse? Fazia-se cá ski...
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
Talvez o mais alto cargo de um marvanense!
Como se pode ler
aqui, Vítor Caldeira, acaba, recentemente, de ser reeleito
para um 3º mandato de Presidente do Tribunal de Contas Europeu, sendo a
primeira vez que alguém é eleito para 3 mandatos nesta Instituição.
Vítor Caldeira, pelo seu percurso de
vida e profissional, deverá ser digno da admiração de todos os marvanenses. Não
é todos os dias que Marvão vê um dos seus “filhos” em tão alto cargo na Europa
e no mundo. Eu por mim não esqueço, e quer neste espaço, quer no Fórum Marvão, é
a terceira ou quarta vez que o lembro.
Acho que já era
tempo da Autarquia de Marvão homenagear Vítor
Caldeira. Aqui fica o desafio para que num dos próximos “dias do concelho”
seja feita essa elementar justiça.
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
O mundo dos outros....
Um dos mais
belos textos que li ultimamente, e por isso não posso deixar de o partilhar com
os meus amigos, em particular, aqueles que agora têm filhos pequenos. Deveria
servir para todos reflectirmos. Primeiro individualmente, e depois em grupo.
"Um dia isto tinha que acontecer, por Mia
Couto
Um dia isto
tinha que acontecer. Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus
meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e
escondendo-lhes as agruras da vida. Está à rasca a geração dos filhos que nunca
foram ensinados a lidar com frustrações. A ironia de tudo isto é que os jovens
que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo. Nunca
nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua
adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes
tem sido exigido nos últimos anos.
Deslumbradas com
a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes
(actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que
foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o
melhor. Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram
nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração
mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida
desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de
condução e 1.º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso
para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego
saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa
e roupa lavada.
Durante anos,
acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia
chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios
e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o
trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase)
todos felizes.
Depois, veio a
crise, o aumento do custo de vida, o desemprego..., A vaquinha emagreceu,
feneceu, secou. Foi então que os pais ficaram à rasca. Os pais à rasca não vão
a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de
música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado. Os
pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar
restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente
que se preza é no restaurante e vedada a pais. São pais que contam os cêntimos
para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos
seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda
larga a alta velocidade, nem dos quaisquer coisa phones ou pads, sempre de
última geração.
São estes pais
mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não".
É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles
não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm
necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são
muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!
A sociedade
colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas. Eis
agora uma geração de pais impotentes e frustrados. Eis agora uma geração jovem
altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que
estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração
que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que
são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa
capacidade operacional.
Eis uma geração
que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum.
Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere. Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere. Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração
que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que
agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e
sem maneiras. Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco
não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável. Eis uma geração consumista,
insaciável e completamente desorientada. Eis uma geração preparadinha para ser
arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar
demagogicamente sobre o desespero alheio.
Há talento e
cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta
geração? Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos! Os
jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato
colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que
se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).
Chego a ter a
impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao
tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os
que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja! que chatice! são
betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e
Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados
e a subir na vida. E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à
entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados
lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no
que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!
Novos e velhos,
todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens. Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles. Haverá mais triste prova do nosso falhanço?
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens. Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles. Haverá mais triste prova do nosso falhanço?
(Mia Couto)"
domingo, 26 de janeiro de 2014
Aos duxs e afins deste país...
Depois do último
Post que aqui publiquei, onde nunca me referi, particularmente, a uns tais “de
duxs”, mas antes, procurei criticar, no geral, as praxes absurdas que hoje vejo
por aí, os riscos que a todos níveis comportam: físicos, mas sobretudo psicológicos...;
alguns amigos, e alguns artigos que li, imediatamente, acharam que eu estava a
incriminar um tal de “dux joão miguel”, e que me estaria a precipitar: que eu não
entendia nada do fenómeno, que lá e tal coitado do moço, que é muito bom rapaz,
que até ele podia ter morrido, sofredor ele que também é uma vítima, que eram
todos maiores, e, logo responsáveis, etc., etc., o trivial em Portugal:
desculpar os réus e culpabilizar as vítimas.
Hoje resolvi de
facto dirigir-me a esse tal “de dux joão miguel” (e outros energúmenos que andam por aí a formatar mentes) não através dos valores e
princípios de uma sociedade de direito e de bom senso dos seus 900 anos de
idade, mas através, ao que parece, da filosofia e doutrina que suportam esse
tipo de rituais pré-históricos. É com base nesses princípios, que te
questiono a ti “dux joão miguel” (e todos os outros “duxs” de meia tigela que
andam por aí), que depois do que aconteceu, (parece que hoje já não existem dúvidas
que se tratava de um episódio de praxe) que podes ter jeito para tudo “ dux joão
miguel”, mas para DUX, tu jamais te julgues isso, senão vejamos:
- Que raio de “dux”
és tu, que sais com o teu grupo para uma missão, morrem todos, e tu salvas a
pele?
- Que raio de “dux”
és tu, que após o que se passou te encerras em casa, como rato num buraco, e
dizes que estás traumatizado com a cena, isso é de um “Dux”?
- Que raio de “dux”
és tu, que nem ao menos és capaz de já ter enfrentado os familiares das pessoas que
lideravas, e explicar-lhes o que se passou?
- Que raio de “dux”
és tu que vens agora dizer que só falas no lugar e nas instâncias certas! Então
tu achas que os familiares das pessoas que lideravas não deveriam ser as
primeiras a informar? Quais são os teus valores “dux joão miguel”?
Poder-te-ia
fazer mais mil perguntas “dux joão miguel”, bem como a todos os outros “duxezinhos”
que andam e vão continuar por aí a fazer as suas graçolas (porque têm público
e a coisa vende-se, tal como os Romanos vendiam o Circo, ou a Inquisição as
fogueiras) mas penso não valer a pena. Contrariamente ao que dizem alguns
amigos meus, esta boa sociedade portuguesa judaico-cristã já te absolveu e desculpabilizou, como desculpabilizou
a Inquisição, a Pide, e outras que tais: tu afinal, não passas de uma vítima.
Mas para mim, podes
até ter jeito para tudo (olha, por exemplo, um lugar de assessor num qualquer
gabinete ministerial a ganhar 4 000 euros/mês, não eras o primeiro, a lusófona e
a católica estão fartas de meter lá “especialistas” da tua idade, e das sociedades secretas em que navegas) mas DUX? Bem
isso, digo-te mais uma vez, tu nunca serás. Só por nomeação, ou por chegares a
velho.
Haja juízo...
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
O mundo dos outros...
Não sei se o
texto que aqui reproduzo se aplica ao caso, ou seja a morte de 6 jovens na
flor da idade, ainda nos faltam alguns dados. Mas o que sei, é que tenho
observado coisas idênticas, inclusivamente, na minha cidade. Revolta-me e
enoja-me o que vejo nas praxes de hoje, e sempre que passo por aqueles idiotas
(os organizadores), só a muito custo me reprimo, e não lhes dou um grande
pontapé no cu, que é o que eles merecem. Mas acho que da próxima vez não hesitarei.
Não são apenas
os idiotas organizadores os responsáveis pelas vergonhas que se vêem todos os
princípios de ano em todas as escolas. Co-responsáveis são, também, os
Conselhos Directivos, Gestão das Escolas e as Autoridades deste país, que permitem estas autênticas
cretinices.
Fui militar, Oficial de Cavalaria, fui praxado no Curso, mas sempre com respeito pela integridade física e psicológica, sem as palermices que vejo por aí. Nenhum "dux" ali se atreveria a perder ou ultrajar um camarada. Quantos jovens
terão ainda que ser sacrificados para acabarem com esta merda? Atenção, moro em Portalegre, e da próxima vez que vos veja por aí, não me vou calar. Vão
praxar a puta que vos pariu...
“Carta aberta a um Dux”
“Dux:
Ando aqui com esta merda entalada há já
algum tempo. A ouvir as diferentes versões, a pensar nas dúvidas e a pôr-me no
lugar das pessoas. Tento pôr-me no lugar dos pais dos teus colegas que
morreram. Mas não quero. É um lugar que não quero nem imaginar. É um lugar que
imagino ser escuro e vazio. Um vazio que nunca mais será preenchido. Nunca
mais, Dux. Sabes o que é isso? Sabes o que é "nunca mais"?
A história que te recusas a contar cheira
cada vez mais a merda, Dux. Primeiro não falavas porque estavas traumatizado e
em choque por perderes os teus colegas. Até acreditei que estivesses. Agora
parece que tens amnésia selectiva. É uma amnésia conveniente, Dux.
Curiosamente, uma amnésia rara resultante de uma lesão cerebral de uma zona específica
do cérebro. Sabias Dux? Se calhar não sabias. Resulta normalmente de um
traumatismo crânio-encefálico. Portanto Dux, deves ter levado uma granda mocada
na cabeça. Ou então andas a ver se isto passa. Mas isto não é uma simples dor
de cabeça, Dux. Isto não vai lá com o tempo nem com uma aspirina. Já passou
mais de 1 mês. Continuas calado. Mas os pais dos teus colegas têm todo o tempo
do mundo para saber a verdade, Dux. E vão esperar e lutar e espremer e gritar
até saberem. Porque tu não tens filhos, Dux. Não sabes do que um pai ou uma mãe
é capaz de fazer por um filho. Até onde são capazes de ir. Até quando são
capazes de esperar.
Vocês, Dux... Vocês e os vossos ridículos
pactos de silêncio. Vocês e as vossas praxes da treta. Vocês e a mania que são
uns mauzões. Que preparam as pessoas para a vida e para a realidade à base da
humilhação, da violência e da tirania. Vou te ensinar uma coisa, Dux. Que se
calhar já vai tarde. Mas o que prepara as pessoas para a vida é o amor, a
fraternidade, a solidariedade e o civismo. O respeito. A dignidade humana e a
auto-estima. Isso é que prepara as pessoas para a vida, Dux. Não é a
destruí-las, Dux. É ao contrário. É a reforçá-las.
Transtorna-me saber que 6 colegas teus
morreram, Dux. Também te deve transtornar a ti. Acredito. Mas devias ter
pensado nisso antes. Tu que és o manda-chuva, e eles também, que possivelmente
se deixaram ir na conversa. Tinham idade para saber mais. Meco à noite, no
inverno, na maior ondulação dos últimos anos, com alerta vermelho para a costa
portuguesa? Achavam mesmo que era sítio para se brincar às praxes, Dux? Ou para
preparar as pessoas para a vida? Vocês são navy seals, Dux? Estavam a
preparar-se para alguma missão na Síria? Enfim. Agora sê homenzinho, Dux. E
fala. Vá. És tão dux para umas coisas e agora encolhes-te como um rato. Sabes o
que significa dux, Dux? Significa líder em latim. Foste um líder, Dux, foste?
Líderes não humilham colegas. Líderes não "empurram" colegas para a
morte. Líderes lideram por exemplo. Dão o peito e a cara pelos colegas. Isso é
um líder, Dux.
Não sei o que isto vai dar, Dux. Não sei até
que ponto vai a tua responsabilidade nesta história toda. Mas a forma como a
justiça actua neste país pequenino não faz vislumbrar grande justiça. És capaz
de te safar de qualquer responsabilidade, qualquer que ela seja. Espero
enganar-me. Vamos ver. O que eu sei é que os pais que perderam os filhos
precisam de saber o que aconteceu. Precisam mesmo, Dux. É um direito que eles
têm. É uma vontade que eles precisam. Negá-los disso, para mim já é um crime,
Dux. Um crime contra a humanidade. Uma violação dos direitos humanos
fundamentais. Só por isso Dux, já devias ser responsabilizado. É tortura, Dux.
E a tortura é crime.
Sabes, quero-me lembrar de ti para o resto
da vida, Dux. Sabes porquê? Porque não quero que o meu filho cresça e se torne
num dux. Quero que ele seja o oposto de ti. Quero que ele seja um líder e não
um dux. Consegues pereceber o que digo, Dux? Quero que ele respeite todos e
todas. Que ele lidere por exemplo. Que ele não humilhe ninguém. Que seja
responsável. Que se chegue à frente sempre que tenha que assumir
responsabilidades. Que seja corajoso e não um rato nem um cobardezinho. Que
seja prudente e inteligente. E quero-me lembrar também dos teus colegas que morreram.
Porque não quero que o meu filho se deixe "mandar" e humilhar por
duxezinhos como tu.
Não quero que ele se acobarde nem se encolha
perante nenhum duxezinho. Quero que ele saiba dizer "não" quando
"não" é a resposta certa. Quando "não" pode salvar a sua
dignidade, o seu orgulho ou até a sua vida. Quero que ele saiba dizer
"basta" de cabeça erguida e peito cheio perante um duxezinho, um
patrãozinho, um governozinho ou qualquer tirano mandão e inseguro que lhe
apareça à frente. É isso que eu quero, Dux. Quem o vai preparar para a vida sou
eu e a mãe dele, Dux. Não é nenhum dux nem nehuma comissão de praxes. Sabes
porquê, Dux? Porque eu não quero um dia estar à espera de respostas de um
cobarde com amnésia selectiva. Não quero nunca sentir o vazio dos pais dos teus
colegas. Porque quero abraçar o meu filho todos os dias da minha vida até eu
morrer, Dux. Percebeste?
Até
EU morrer. EU, Dux. Não ele...”
Conversas e conversadores que me irritam (2)
Eu espero que o
Senhor Deputado tenha questionado esses mesmos médicos, sobre os desperdícios
de custos com a “hipermedicação” aos utentes nesse mesmo SNS (para além do
excesso de Exames Complementares de Diagnóstico), e da responsabilidade desses
mesmos profissionais, e que rodam, segundo todos os estudos, valores superiores
a 35%.
Se o Senhor
Deputado souber qual é o total de custos com Medicamentos em Portugal (basta
perguntar ao camarada Eugénio Rosa), eu posso saber, fazendo uma simples regra
de “3 simples”, quanto se pouparia
com uma medicação assertiva...
Garanto-lhe, senhor deputado, que se isso
fosse feito, os nossos doentes até podiam usar fraldas de cetim!
TA: Esqueci-me que o informador do
senhor deputado deve ter sido um médico do Partido Comunista, e esses? Bem,
esses são diferentes! Eu é que não os conheço, nem me parece que alguém tenha
estudado a coisa.
Conversas e conversadores que me irritam (1)
Com políticas
que os do costume apelidavam de erráticas e suicidas, a gestão da coisa Pública em
Portugal começa a ter alguns sinais positivos: Despesa pública a diminuir, manutenção de receitas, divida pública a
aumentar menos, défice público face ao PIB a abrandar, bom desempenho da
balança de transacções correntes (importações vs exportações), etc.; ténues
é certo, e impulsionados pela conjuntura externa, mas mais dia, menos dia, a
economia portuguesa começará a dar alguns sinais positivos, e com impacto na
vida das pessoas.
Mesmo assim, andam
por aí alguns analistas da treta e comentadores de meia-tigela (muitos até de
barriga cheia, e que só enterraram o país quando tinham responsabilidades de governação), a questionar os governantes que isso não se nota na vida dos
portugueses!
Apesar de termos um governo, que sem que eu saiba porquê, insiste
em comunicar mal e a más horas, a esses perguntadores, uma só resposta devia
ser dada:
- Se vocês não notam nada, ponham-se no
lugar das mais de 20 000 pessoas que em 2013 têm trabalho e salários (apesar de
muitos precários), quando comparando com 2012, e perguntem-lhes qual a
diferença?
Nota: Segundo o INE em 2013 perderam-se
100 000 postos de trabalho, mas foram criados 120 000 novos.
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
Memórias do dia 22 de Janeiro de 1974: 40 anos depois...
Dedico este Post ao meu sobrinho Luís
Bugalhão. Para memória futura:
CAPÍTULO I – Escrito em Janeiro de 2010
Recorde-me hoje,
com algum detalhe, e passados 36 anos, do dia 22 de Janeiro de 1974. Portugal,
nesse período, era governado pelo Estado Novo, que se caracterizava por ser um
regime autoritário, conservador, nacionalista, corporativista, de inspiração
fascista, anti-parlamentarista, anti-comunista, e colonialista. O regime tinha
a sua própria estrutura de Estado, e um aparelho repressivo (PIDE, colónias
penais para presos políticos, etc.), característico dos chamados Estados
policiais, apoiando-se na censura, nas organizações
paramilitares: Legião Portuguesa, e as suas organizações juvenis (Mocidade
Portuguesa), no culto do "Chefe" autoritário. Encontrava-se ainda
envolvido numa Guerra Colonial desde 1961, contra os Movimentos de Libertação das
Colónias Africanas, para onde enviava, a combater, os seus jovens na flor da idade
(com 20 anos), para matarem, e muitos aí morrerem.
A nível laboral,
o país era dominado pelas Corporações, que tinham o seu próprio Ministério no
Governo. As relações entre os trabalhadores e patrões eram, basicamente,
reguladas pelo poder patronal, com uma fraca contratação colectiva.O
movimento sindical era dominado por essas mesmas Corporações, que aí se faziam
representar por trabalhadores por si indicados, existindo, no entanto, por essa
data, algumas excepções em sindicatos onde os trabalhadores conseguiam
colocar os seus representantes, como era o caso dos Metalúrgicos. A palavra
“GREVE” era vocábulo proibido, e amargava na boca daqueles que a pronunciavam, pois a promessa de passarem 6 meses de “férias” em Caxias, no Aljube, ou
em Peniche, era quase garantida.
O desemprego não
existia desde meados dos anos sessenta. Estávamos em plena “era dourada”, da
revolução industrial portuguesa. Novos e velhos (que nessa época eram poucos),
homens e mulheres, todos os dias arranjavam trabalho, e/ou mudavam de patrão,
perante aquele que lhe oferecesse melhores condições e melhor recompensa. No entanto, a
partir de 1972, e após a primeira “crise do petróleo”, que as dificuldades
começaram a aumentar, e, no início do ano de 1974, só com um poder
reivindicativo forte, ou com um “patrão bom”, se conseguia que o patronato lá
fosse abrindo os cordões à bolsa, com um pequeno aumento salarial,
para fazer face ao aumento do custo de vida e inflação.
Por essa altura,
eu era um moço de 16 anos, isto é, um adolescente, como hoje são designados os
jovens dessa idade, mas já carregava comigo 5 anos de trabalho como assalariado.
Primeiro, entre 1969 e 1971 na empresa Celtex em Santo António das
Areias; e a partir de Julho de 1971, como Aprendiz de Serralheiro
Civil numa empresa de metalomecânica no concelho de Sintra (para onde tinha
“emigrado” para poder estudar), de seu nome: Cacém Industrial Metalúrgico.
Era usual, nessa
empresa, que em todos os anos em Maio, o patrão Neves procedesse a alguns
aumentos de ordenados, consoante o nosso comportamento individual ao longo do
ano. No meu caso, foi assim que, em 1972 passei de 30 para 35 escudos diários (6
dias por semana, num total de 48 horas semanais), e no ano seguinte, tinha progredido para uma quantia de 43 escudos por jornada diária de 8 horas.
Mas o ano de
1973 já não havia sido fácil para a economia portuguesa. A inflação tinha disparado como
há muito não acontecia, e começou a sussurrar-se, em pequenos grupos, que o
melhor seria que o patrão Neves fizesse a tradicional actualização salarial logo do mês de Janeiro, para ver se a malta conseguia aguentar-se, e usufruir
da possibilidade de ter mais “algum”, daquele com que se compravam e compram os
“melões” bem como outros bens essenciais, e que por essa altura eram pouco mais
que o pão, o leite e o vinho.
Só que,
contactado o “sr. engenheiro”, pelos operários mais velhos da casa (quais
delegados sindicais ou comissões de trabalhadores, que ainda estavam para
nascer), este mandou dizer, e nada bem disposto com a ideia: “que nem pensar, nem em Janeiro, e o
mais que provável, era que nem em Maio, porque a vida estava difícil para todos
e, os patrões, também não andavam propriamente a nadar em dinheiro”.
Este recado de
negação absoluta, diga-se desde já, não caiu nada bem no peito daqueles cerca
de duzentos homens e rapazes, oxidados por fora e por dentro, à reivindicação,
que, na nossa perspectiva, nos parecia mais que justa, e, sem se saber muito
bem como, a palavra interditada GREVE,
começou a circular de boca em boca.
Não sei ainda,
até aos dias de hoje, a génese de tal devaneio de andar-se a pedir aumentos e a importunar os tão "bons" dos patrões. Havia quem dissesse, mais
tarde, que a iniciativa havia surgido do nada, e como tantas vezes acontece: um
homem lembrar-se no seu âmago, de uma sensação de injustiça, de uma paixão de
causas, de um sentimento reprimido e, zás, vamos a isto que se faz tarde. Mas,
sempre houve aqueles que, afiançavam, que por detrás de tal génese estavam as
tais “lebres”, que nos fala o Saramago, em Levantado do Chão.
O facto é que,
pelas 10 horas, do dia 22 de Janeiro, e quatro meses antes do futuro Dia da
Liberdade, e, da GREVE se tornar uma coisa banal e de arremesso político
partidário, os cerca de 200 proletários
da CIM, fizeram ali naqueles pavilhões de trabalho e suor, um silêncio sepulcral
naquele arraial de “malhar ferro”, e, mandaram dizer ao patrão Neves, que a partir daquela hora, estavam em greve, até
que ele decidisse proceder à justa actualização salarial.
Eu era um deles e, claro, também aderi…
Capítulo II – Escrito em Janeiro de 2011
Parece que foi
ontem, e já passou um ano desde que aqui vos contei a primeira parte, desta
minha aventura de 22 de Janeiro de 1974. É assim o tempo, esse maganão que
nunca pára, avançando sempre, sem contemplações, indiferente ao bom ou mau
(tempo) de acordo com a perspectiva de cada um.
Quando penso
nesta questão do “tempo”, ou como ele passa apressadamente, vem-me sempre à memória
aquela alusão de Saramago, sobre a sua avó materna, de nome Josefa Caixinha,
feita no discurso de recepção do Prémio Nobel da Literatura, quando este
recordava estas suas palavras:
“… o mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer". Não disse medo de morrer, disse pena de morrer, como se a vida de pesado e contínuo trabalho que tinha sido a sua estivesse, naquele momento quase final, a receber a graça de uma suprema e derradeira despedida, a consolação da beleza revelada...”
Mas vamos em frente (no tempo), que o que aqui quero partilhar convosco, não é propriamente literatura, e muito menos poesia, mas antes um acontecimento único e que me marcou para a vida. Para uma actualização integral, se já caiu no vosso esquecimento, recomendo que recueis há um ano atrás e, carregando ali, na “caixinha” (que não é a avó do José) do lado direito, no ano de 2010, mês Janeiro, do Blogue Retórica bugalhónica, lá hão-de encontrar um artigo, com o mesmo título do de agora, para poderem fazer o enquadramento da história.
A Greve, naquele
tempo, era para a maioria de nós, uma coisa assim como o longínquo ano 2000,
que as profecias anunciavam ser, o ano do fim do mundo, algo que se ouvia
murmurar, mas que, certamente, não existiria. Estar, num impulso, metido no seu
seio, ficava-se assim como uma criança que vai ao “comboio fantasma” pela primeira vez, mesmo que acompanhada pelos
pais.
Se eu sabia, por nessa altura, que era proibido fazer greve? Claro que sabia. Se sabia que existia a
policia política PIDE, que tudo controlava? Claro que sim. Se sabia que todos
os dias iam parar a Caxias, Aljube ou Peniche, pessoas por apenas contestarem a
ordem vigente? Sem dúvida. Se sabia que as pessoas que aí eram aprisionadas,
eram vilmente torturadas, às vezes até à morte? Claro que não podia ignorar:
via, ouvia e lia. No entanto, para mim, jovem aventureiro de 16 anos, entrei
nessa “estação fantasma”, sem medir prós ou contras, apenas movido por aquilo
que me parecia ser o mais elementar sentido de justiça: lutar pela melhoria de condições de vida. Isso bastava-me, depois
logo se veria.
Durante as
primeiras duas horas, isto é, até ao meio-dia desse dia 22 de Janeiro, hora em que íamos
almoçar, nada sucedeu. Apenas algumas conversas fúteis sobre a vida, e que no meu
caso específico, certamente, seria alguma combinação com o camarada do lado,
sobre a hora e o local do bailarico do próximo fim-de-semana. Ou, lembro-me lá,
uma qualquer discussão “futeboleira” sobre rivalidades de benfiquismo/sportinguismo, já que os tripeiros naquelas paragens, para além de raros,
naquela tempo ainda não contavam para o campeonato.
Após almoço
ligeiro, transportado em “lancheira”, comido ao ar livre, sentado numa qualquer
pedra mais saliente, ingerido directamente da dupla marmita de alumínio,
habitada num compartimento pela sopa de legumes, e no outro, por alguns restos
de guisado da noite anterior acompanhado de pequenas sopas de carcaça, lá regressámos ao silêncio cavernoso do posto de trabalho, que mais
acertado seria, chamar-se naquele dia: posto de greve. Passava pouco das 14
horas, quando à entrada do pavilhão principal da oficina, surgiu,
repentinamente, o patrão Neves da Silva, na sua figura altiva, agasalhado com o
seu impecável sobretudo preto, acompanhado do “encarregado-geral”, e do chamado “guarda-livros”.
Visto de
longe, a cerca de cinquenta metros em linha recta, via-o movimentar-se
bruscamente dirigindo-se, individualmente, a cada um dos meus camaradas
operários metalúrgicos, que ocupavam o seu local de greve. Dirigia-lhes algumas
palavras, em voz bastante alta e alterada, mas que, pela distância a que
estavam de mim, me era impossível enxergar. Após o breve monólogo que travava com cada um,
e como formigas num carreiro, os contactados grevistas, sem excepção, lá se iam dirigindo
para a porta da rua.
Quando chegou a
minha vez, senti-me como que a enfrentar um pelotão de fuzilamento, embora a dúvida do
conteúdo do monólogo com a entidade patronal, já se haver esfumado, pois já
ouvira bem claro, o que se passara com aqueles que mais próximos estavam de
mim. E assim, foi sem qualquer surpresa, que ouvi da boca do senhor Engenheiro
Neves, a pergunta que repetia pela quinquagésima vez:
- O “senhor” quer ou não trabalhar?
“Ainda passou
pela cabeça argumentar que Sim, que queria! Que gostava muito daquele trabalho, e
precisava dele como do pão para a boca! Mas, que o senhor
engenheiro fosse criterioso, pois bem sabia, que o custo da vida estava pelas
horas da morte, que as rendas de casa tinha aumentado, até a electricidade em casa já
andava a ser substituída por velas; o comboio, já custava seis escudos do Cacém
para Lisboa, e até pela “bica” já custava vinte e cinco tostões; ir ao cinema? Só
no “piolho” aqui da terra! Saiba, o senhor engenheiro, que a malta mata-se aqui a trabalhar, a
dar o litro dez horas por dia; eu, uma criança como pode ver e que ainda devia estar na escola, pela manhã até já cuspo
ferrugem deste maldito óxido de ferro e, à noite, só oiço “grilos” a cantar nas orelhas;
os maganos daqueles sarracenos não param de aumentar o preço do petróleo, e como o senhor sabe, quando aumenta o crude, aumenta tudo! O patrão bem sabe,
que fomos nós, com o nosso trabalho, que fizemos esta média empresa, e não se esqueça
que, ainda há três anos, funcionava num “vão de escada”. E já agora, senhor
engenheiro, o que era isso para si de, apenas mais dez escudos por dia a cada
um de nós? Etc., etc.….”
Mas não. Baixei
a cabeça, por ser a primeira vez que estava tão de perto com tamanha eminência,
não prenunciei uma só palavra, e lá segui no formigueiro, para a porta de
saída. Evitando assim, ao Sr. Neves da Silva, a palavra por si mais repetida
naquele dia: RUA!
Capítulo III – Escrito em Janeiro de 2012
Como já havíamos
revelado no Capítulo anterior, esta «média empresa CIM», não passava há três
anos atrás, de uma pequena oficina familiar de vão de escada, com meia dúzia de
operários que, praticamente, executavam apenas obra miúda, tal como: portas, portões e janelas em ferro, para protecção das propriedades privadas das redondezas.
Havia sido concebida e criada “a meias” entre dois sócios, em que um, à boa maneira portuguesa, se havia desenvencilhado do segundo, assim que
a coisa começou a prosperar e dar rendimentos.
As instalações
de produção eram constituídas por dois grandes pavilhões contíguos que, embora
iguais no seu formato parecendo irmãos, poder-se-ia antes dizer, que um havia
parido o outro, sendo assim um o principal e o outro o secundário. Ali eram
construídas toda a gama de maquinaria para a Construção Civil desde gruas a betoneiras,
até silos e cofragens. Ali trabalhavam mais de duzentos operários entre
traçadores, cortadores, torneiros, maçariqueiros, ferramenteiros, desempenadores,
serralheiros civis e mecânicos, soldadores, serventes para toda a obra, montadores,
electricistas, fresadores, aprendizes, praticantes de tudo e de nada,
controladores de produção e qualidade, chefes de secção e gerais, etc., etc.
Digamos que, de grosso modo, ferro era connosco.
Apesar desta vocação
institucional pelo metal, ainda me lembro como se fosse hoje do episódio de
praxe do “martelo de desempenar borracha”, a que fui submetido, quando
estava no segundo dia de tirocínio da arte do malhar ferro, e ter chegado à
minha beira, um daqueles já experimentados “mestres ratinhos” e ter-me
ordenado: «- Ò chaval, vai além à
Ferramentaria, levantar um martelo de desempenar borracha! E vai num pé e vem
no outro, senão tens que experimentar a densidade da verga de aço nessas
nalgas, que a tenho aqui guardada para os molengões alentejanos...».
Tendo eu, nessa altura, apenas
catorze anitos, pensava já não ser dos mais tolos, e um “martelo de desempenar borracha”, não lembrava ao diabo! Mas, quem
se atrevia a desobedecer nessa época a um “mestre”? E foi assim, com ar
desconfiado mas sem pestanejar, que lá fui em demanda da peculiar ferramenta
de endireitar a borracha. Claro que, ao meu pedido envergonhado, o ferramenteiro, me cravou
um volumoso “embrulho” com mais de
vinte quilos, que lá tinha sempre pronto a entregar aos incultos e novatos na
arte de malhar o ferro.
Sobre a data
desta pequena praxe, já haviam passado mais de dois anos, quando ocorreram os
acontecimentos desse dia 22 de Janeiro de 1974. A cena que relatámos
anteriormente de conflito entre o representante do capital e o jovem proletário
de 16 anos que eu era, repetiu-se nessa manhã, cerca de duas centenas de
vezes. Tantas quanto o número de operários que ali trabalhavam, e que, naquele
dia, por questões de reivindicativa justiça salarial, resolveram não o fazer.
Sendo o pavilhão
secundário como que filho do principal, ali labutavam os proletários admitidos
mais recentemente, os mais novos, quer na empresa quer em idade; ficando o
pavilhão principal para aqueles trabalhadores mais antigos na casa, alguns
deles oriundos da oficina mãe do vão de escada, e que mantinham ainda com o
patronato uma espécie de relação de amizade pelo caminho que haviam percorrido
em comum, quando ainda uns não eram mandantes e, os outros ainda não eram
mandados. Esta premissa viria a influenciar, acentuadamente, todo o desenrolar
dos acontecimentos daquele dia.
Não admira pois
que no pavilhão secundário, o primeiro a ser inquirido pela eminência patronal,
sobre se queriam ou não trabalhar, a negação de iniciar labuta pelos abordados, tenha tido uma adesão praticamente total; já no denominado pavilhão principal,
sem que no secundário se percebesse porquê e, perante a pergunta do
engenhocas, a resposta mais frequente foi, em vez do esperado não, ter-se
começado a ouvir, com alguma frequência e intensidade, as rebarbadoras a chiar
e os martelos a castigar o ferroso metal.
Estava assim encetado o princípio estratégico de dividir para reinar, e a partir dali, as “formigas” que haviam abandonado a caverna, teriam de lutar por si. Embora, se viessem a sair vitoriosas, os provimentos seriam para todo o formigueiro. O costume!
Estava assim encetado o princípio estratégico de dividir para reinar, e a partir dali, as “formigas” que haviam abandonado a caverna, teriam de lutar por si. Embora, se viessem a sair vitoriosas, os provimentos seriam para todo o formigueiro. O costume!
Foi assim que,
enquanto metade daqueles que haviam iniciado a peleja já ajustavam moldes nas
chapas, faziam deslizar com maestria o punção ou escopro batidos pelo martelo,
riscavam com o traçador de ponta de diamante, serravam bocados de ferro, com as
guilhotinas, cortavam as chapas com violência, assentavam esqueletos de
longarinas e pivôs nos gabaritos, soldavam a eléctrodo incandescente tirantes e
degraus, ensaiavam lanças e contra-lanças, faziam rolar as calandras e tornos
mecânicos, apertavam grampos, moldavam curvas nas bigornas, desempenavam
cantoneiras, empilhavam vigas, faziam expirar os foles das forjas, acendiam
maçaricos de oxigénio e gás metano, faziam furos de berbequim, rebarbavam
chanfres para soldaduras, acertavam esquadrias, faziam deslizar pontes
rolantes, ou experimentavam croquis...
Nós, aqueles que tinham recebido e acatado a ordem de expulsão senhorial, deparámo-nos, subitamente, num grupo com cerca de uma apenas uma centena de embotados à porta de entrada do pavilhão secundário, esperando o regresso do soberano engenheiro, dispostos a tudo, para tentarmos em grupo, aquilo que não havíamos logrado individualmente.
Nós, aqueles que tinham recebido e acatado a ordem de expulsão senhorial, deparámo-nos, subitamente, num grupo com cerca de uma apenas uma centena de embotados à porta de entrada do pavilhão secundário, esperando o regresso do soberano engenheiro, dispostos a tudo, para tentarmos em grupo, aquilo que não havíamos logrado individualmente.
Neves da Silva,
não se fez esperar muito. Mesmo que nos quisesse fugir, aquela que era a porta
de entrada, também era a única porta de saída e, janelas se existiam, ficavam
demasiado altas para serem escaladas por sua excelência. Mostrando alguma
coragem, aproximou-se do hostil grupo de 100 enferrujados que, rapidamente, o
rodearam, e uma conversação estranhamente pacífica e respeitosa iniciou-se:
Nós: alegando da necessidade do aumento salarial para fazer face ao aumento do
custo de vida; ele: contra-argumentando tal impossibilidade, com a finalidade
de manter a empresa viável. O trivial nestas coisas.
De considerando
em considerando, de fundamento em fundamento, num diálogo de negociação de
surdos, e sem que qualquer das partes mostrasse vontade de ceder, passadas que
foram duas horas a malhar ferro de língua,
a entidade patronal lá anuiu a que os enferrujados poderiam voltar no próximo
dia aos seus postos de trabalho, se assim o quisessem, pois ele acedia a anular
a ordem de despedimento. Quanto à reivindicação de aumento salarial? Essa, nem
em Maio como vinha sendo tradição, quanto mais em Janeiro. Sentença de patrão!
Não proliferava
por essa época a comunicação social marialva e de papagaios de hoje, senão não
faltariam comentários e declarações obstinadas, sobretudos para as televisões,
de cada uma das partes a clamar por vitória, argumentado os representantes de
uns:
“... que tinha este processo de luta
reivindicativa sido um êxito, pois havia-se conseguido uma adesão em números da
paralisação de cem por cento por parte dos trabalhadores, que apesar de metade
deles terem chegado a ser despedidos, o patronato teve que ceder e proceder à
sua reintegração imediata, isto para além de ter sido um acto heróico,
possivelmente até histórico, isto de fazer uma greve num regime totalitário que
a proibia e, logo, o governo, como sempre ao lado do capital, também havia
saído derrotado e, quem sabe, até ferido de morte”;
E pela outra
parte, não deixaria de aparecer o Sr. Engenheiro acompanhado, certamente, por
três ou quatro capangas de gabardina cinzenta, que aliás o acompanharam sempre
durante a sua deambulação pelos pavilhões fabris, defendendo que:
“...mais uma vez a inegável responsabilidade
desta administração, apoiada sempre por suas excelências as autoridades
corporativas em representação do patriótico governo da nação, haviam levado a
bom porto, e debelado mais uma pequena rebelião, em que, não mais de meia dúzia
de trabalhadores metalúrgicos, certamente mal aconselhados, ou mesmo
manipulados por forças ocultas, quiçá estrangeiras, contrárias aos reais
interesses da nação portuguesa, e adversas à pacífica convivência existente entre
patrões e seus empregados tão imbuídos no desenvolvimento do país no difícil
momento que atravessamos face à difícil conjuntura externa, etc., etc.,
etc....”
Em conclusão: “lançados os foguetes, feitas as festas,
alguém terá sempre de apanhar as canas”; ou ainda, mais apropriado para
este caso, “depois de levantada a mesa,
sempre alguém fica com as barbas untadas”. E foi o que veio acontecer.
Apesar de no dia
seguinte todos termos voltado ao trabalho, uns mais envergonhados, outros
menos, não podíamos ignorar que em termos de resultados, exceptuando a perda da
produção de um dia de malhar no ferro por parte do patronato, os grandes
perdedores do feito épico, haviam sido como de costume, os trabalhadores, que
não viram concretizadas nenhuma das suas reivindicações, salvo o facto de,
metade deles gozar o privilégio de terem passado três quartéis do vigésimo
segundo dia do mês de Janeiro, do ano da revolução dos cravos de verga direita,
que é o mesmo que dizer sem vergar a mola.
Nos quinze dias
subsequentes nada aconteceu, e tudo parecia navegar num mar de rosas entre
aquelas oito paredes. No entanto, as consequências tardias desta aventura não
se fizeram esperar, já que, rapidamente, se concluiu que as tais figuras
funestas de gabardina bege ou cinzenta, não tinham andado por ali apenas para
se inteirarem do estado da arte de malhar no ferro, ou a medir os decibéis
dessa acção que tanto agrediam as expostas membranas timpânicas! Assim, e quase
todas as manhãs seguintes, e, sucessivamente, lá dávamos pela falta de mais um
dos nossos! E, de sussurro em sussurro, lá se passava a notícia: “ a pide foi buscá-lo a casa esta noite e
levaram-no para Caxias! Parece que pertencia ao partido dos comunistas e que
esteve na génese da paralisação do outro dia. ”
Assim, em cada
noite que chegava, eu, esperava a minha vez. Apesar de não ter qualquer ligação
a esse tal partido, ou qualquer
outro, bem sabia que, apesar da minha tenra idade, tinha sido um dos mais
activos argumentistas na revolta dos enferrujados.
Ditosamente, a
madrugada de 25 de Abril ocorreu, e, sem que eu soubesse porquê, a minha vez de
passar umas “férias” na casa junto praia
do cagalhão nunca chegou!
Por tudo isto, o dia 22 de Janeiro ficou
gravado na minha memória.
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
O mundo dos outros.....
(... e eu apensar que este melro foi nosso
governante, e que esteve a um passo de ser presidente desta republica dos papagaios,
ora avaliem a sapiência e os dotes preditivos desta ave agoirenta)
As profecias
falhadas do professor Zandinga do Amaral
por Pedro Correia,
tirado daqui)
“Lembrei-me hoje bem cedo, enquanto caía o
granizo: fez agora um ano, na noite de 15 de Janeiro de 2013, surgia em nossas
casas, por cortesia da TVI, um senhor de cabelos brancos e olhos muito abertos,
assustado e assustando com palavras que soavam a dobre de finados.
Em entrevista conduzida por Judite Sousa, o professor Freitas do Amaral trocou por largos minutos a gravitas de catedrático pelo alvoroço do decifrador de conjunturas astrais, profetizando épicas pragas bíblicas sobre os frágeis ombros dos portugueses.
Em entrevista conduzida por Judite Sousa, o professor Freitas do Amaral trocou por largos minutos a gravitas de catedrático pelo alvoroço do decifrador de conjunturas astrais, profetizando épicas pragas bíblicas sobre os frágeis ombros dos portugueses.
Disse nada menos que isto:
«[Em
2013 haverá] um agravamento muito grande da espiral recessiva.»
«O
ano de 2013 só terá comparação, em dificuldades e perigo, com o de 1975.»
«A
crise do sistema político português pode pôr o poder na rua.»
«Entre
Abril e Junho/Julho, com a recessão a piorar, surgirá um tal sentimento de
indignação que força o sistema político a reagir.»
«A
hipótese mais provável é que o Presidente da República dissolva o parlamento.»
«É
inevitável que haja eleições entre Abril e Setembro.»
«O PS
tem grandes hipóteses de sair vencedor dessas eleições.»
Crédulo que sempre sou perante a doutrina
dos eminentes vultos nacionais, anotei meticulosamente numa sebenta o que o
ilustre professor entendeu proferir nessa noite memorável, bebendo-lhe a
sapiência. E à sebenta fui regressando, 2013 adiante, para aferir o grau de
acutilância de quanto fora dito em tom tão grave perante uma Judite
provavelmente tão perplexa como eu.
Fui aguardando a queda do poder na rua, a
dissolução antecipada da legislatura face à força indómita da luta popular, as
eleições antecipadas e a emergência de António José Seguro como novo condutor e
pacificador da nação. Fui aguardando o "agravamento muito grande da
espiral recessiva" e recordando aquele remoto ano de 1975, em que Portugal
esteve mais de uma vez a milímetros da guerra civil, com as armas empunhadas e
os dedos prontos a premir gatilhos.
E eis que chega Agosto: em vez da anunciada
campanha eleitoral para as legislativas antecipadas, surge nas manchetes a
inesperadíssima notícia de que Portugal saía da recessão, após dez meses
consecutivos de declínio económico. Volvidos mais uns meses, continuava o poder
sem cair na rua, contrariando o vaticínio do douto entrevistado da TVI. Em
compensação, caíam os juros da dívida, o Estado garantia antecipadamente o
financiamento para 2014 e até as famigeradas agências de notação davam sinais
de encolher as garras.
A "espiral recessiva" eclipsou-se
do discurso político e, pasme-se, até o défice das contas públicas promete
situar-se abaixo dos 5% - aquém da meta fixada por essas aves agoirentas a que
se convencionou chamar tróica. Mesmo sem dissolução do parlamento, legislativas
antecipadas e triunfo esmagador de Seguro nas urnas.
Quando o ano chegou ao fim, senti-me
aliviado: afinal o mais parecido que tivemos em 2013 com a tomada do palácio do
czar em Petrogrado foi a ruidosa confraternização entre polícias no alto das
escadarias de São Bento - algo que nem o falecido Zandinga, com os seus dons
divinatórios quase infalíveis, seria capaz de antecipar.
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
Foi há tanto tempo....
Há dez mil anos
atrás...
A areia da praia já cá estava, mas o instinto foi fatal, dei contigo no metro, estação marquês de pombal. Entre aquele mar de gente que fluía, cabisbaixo, tu imóvel, uma rocha, com o mar a passar por baixo
A areia da praia já cá estava, mas o instinto foi fatal, dei contigo no metro, estação marquês de pombal. Entre aquele mar de gente que fluía, cabisbaixo, tu imóvel, uma rocha, com o mar a passar por baixo
Cara a cara,
frente a frente, a imagem começa a girar, os teus olhos de repente parecem da
cor do mar. Da cor do mar quando a tarde cai, da cor do mar quando a noite vem,
daquela cor que só o mar tem. O mar, e tu também!
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
Atenção a esta miúda....
Sobretudo esta nova "casa da mariquinhas" (2º tema), quase parece mais um palácio...
Mostra lá como é Gisela:
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
Mentiroso desde pequenino (que "ganda" aldrabão)...
Depois do pacóvio,
a pensar que é culto, Mário S, só outro grande ícone da política portuguesa
poderia fazer melhor. Senão vejamos:
No comentário
semanal de que foi protagonista, na segunda-feira à noite na RTP, José Sócrates
foi convidado a descrever a memória mais marcante sobre Eusébio da Silva
Ferreira, convite a que acedeu prontamente. José Sócrates escolheu o célebre Portugal – Coreia do Norte (5-3) como o
momento mais fascinante que Eusébio lhe proporcionou. Isto porque, e segundo disse, a caminho da
escola na sua Covilhã, e já com três golos de vantagem para os coreanos, foi
ouvindo os gritos dos populares que, via rádio, iam dando conta dos
espectaculares golos que o Pantera Negra debitava na baliza dos outros. E foram
quatro. Portugal havia mesmo de recuperar a desvantagem, naquela que é uma das
páginas mais brilhantes da história da Selecção Nacional. Tudo muito bonito!
Acontece que
este glorioso episódio, no saudoso Mundial de Inglaterra, decorreu a 23 de
Julho de 1966, às 15 horas, e num sábado à tarde. E quando o Eusébio desatou a “amandá-las” lá para dentro, já seriam
quase 4 da tarde. O que quer dizer que para além de nunca ter havido aulas aos
sábados de tarde, e por ser finais de Julho até, certamente, já estaria de férias
escolares.
Está, portanto,
descoberta a maior vocação do Eng. Sócrates: Frequentar escolas ao fim-de-semana, e quando
os outros estão de férias. Ele que, muitos anos depois, terminou a sua
licenciatura num domingo vulgar. Talvez pela força do hábito...
Isto levanta
ainda outra questão, e que aqui venho questionando: o Jornalismo e Jornalistas que temos, e, que são verdadeiros cúmplices
destes “bonecos animados”. O trabalho dos jornalistas, sobretudo
estes da RTP que são pagos por nós com os nossos impostos, que deveria ser o de
verificarem a veracidade dos factos. Não é necessário acusá-los de mentirosos,
mas pelo menos confrontá-lo com as inverdades. E isto tanto serve para os
feitos de Eusébio, como para os factos políticos, económicos, ou para a estatística.
Não basta apenas “sorrisos babosos e piscares de olhos cúmplices”. Assim como
aos políticos, não deveriam bastar apenas palavras bonitas e movimentos
corporais ensaiados. Porque eles cultos e actores, até podem ser, mas são
muito mentirosos!
A tal diferença entre a teoria e a prática...
Como se pode ver
aqui, a CGTP começa também estar infiltrada por perigosos “neo-liberais” obcecados pelo lucro selvagem!!!
Cinco funcionários da União de Sindicatos
de Braga ainda não receberam o salário do mês de Dezembro e o subsídio de
Natal. “Há alguns meses que os salários
têm sido pagos atrasados e agora estamos mesmo sem receber”, disse ao JN um
dos trabalhadores. Os alegados problemas financeiros levaram já a que, pelo
menos um administrativo tenha recebido uma carta de despedimento evocando a
extinção do posto de trabalho.
Se dúvidas
houver, e quem viveu os anos de 1974 e 1975 poucas têm, aconselha-se a estarem
atentos à vida das pessoas normais (com excepção da classe dirigente) ao que se
passa em países como Cuba, Coreia do Norte, mesmo a Venezuela, ou antigos países
socialistas.
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
Em que mundo vivemos nós...
Eusébio, por fim, descansa em Paz. A comunicação social ainda nos servirá mais umas doses
excessivas, mas depois, e como tudo na vida, o tempo, se encarregará de por as
coisas no lugar.
Escrevo este
Post, não para alimentar esses excessos, mas para fazer alguma análise e reflexão,
da muita imundice de imagens e verbalizações que andam por aí, e de onde não deveriam vir. Ao ler o Post do
meu amigo Pedro Sobreiro no seu “vendo omundo de binóculos...” (apesar de eu próprio ter dedicado, talvez pela
primeira vez, 3 Post a um tema), não posso deixar de concordar com ele: que “é demais”! 48 horas, na maioria
das vezes em simultâneo em 7 ou canais de televisão, é excessivo e abusivo, mesmo que esteja
em causa o desaparecimento de uma figura como o EUSÉBIO, e, não agoura nada de
bom . Querem fazer de nós loucos, e/ou mais que isso, parvos. E alguém tem que
ter mão nisto...
Não posso, no
entanto, deixar de referir nesta reflexão, duas aberrações que constatei em toda esta loucura, e 2 factos que me enojaram:
- Primeiro as
declarações de Mário Soares sobre
Eusébio. Considerado o pai da nossa democracia, ou do regime, e que já aqui publiquei. Creio ser evidente o tipo de personalidade desta triste figura, e que tipo de regime ele poderia parir;
- Em segundo, e
depois de todos podermos constatar, em directo, o que esse senhor disse, vir o jornal
do regime “O Expresso”, tentar
deitar, como de costume, areia para os olhos e ouvidos daqueles que consideram “com
pouca cultura”, e enviesar, com títulos e notícias como esta: “Óbito/Eusébio: Mário Soares
recorda "um grande futebolista" e "um homem bom".
Creio estar tudo
dito sobre estas duas “instituições” da «demo
cracia» portuguesa. Aliás, se dúvidas houvesse sobre a ligação entre ambos,
elas aqui ficam bem expressas. Talvez um dia, que o tempo, também vos ponha no
lugar.
Mais um simples
goooooo.....lo de EUSÉBIO!
TA: Já agora marocas sabes qual
definição geral do termo “cultura”?
Talvez te faça bem leres a comunicação de José Saramago na Academia Nobel.
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
Que grande fp (democrata) este soares...
O mais interessante das declarações espontâneas de Mário Soares sobre Eusébio, a propósito da sua morte, é a revelação de uma coisa que há muito eu sei, mas que todos parecem ignorar: a esquerda também pode ser preconceituosa e soberba. A esquerda tem uma Maria Antonieta, mas ninguém parece reparar.
Mário Soares começa por dizer de Eusébio, "que era um homem agradável com pouca cultura, mas evidentemente que não se estava à espera que ele fosse um pensador, o que se queria é que ele fosse um grande futebolista e ele foi". Depois de alguns elogios à sua modéstia e simplicidade, como compete a este tipo de pensamento, Mário Soares lembra que lhe falava quando se encontravam: "Fui algumas vezes almoçar naqueles restaurantes onde ele comia" [reparem bem na terminologia usada].
Depois acaba a dizer uma coisa pouco conveniente (isto é da idade): "Não sabia nada que ele estava doente, sabia que bebia muito whisky, todos os dias, de manhã à tarde, mas julguei que isso não lhe fizesse assim mal".
Traduzindo, para Mário Soares, Eusébio era um bruto ignorante que sabia jogar bem à bola. Era um simples e modesto como compete aos inferiores de classe, e até comia (não almoçava, nem jantava, dadas as maneiras típicas daquela classe) nuns lugares onde ele Mário Soares almoçava e jantava. Agora não passava de um bêbado. E Mário Soares achava que gente daquela estirpe tinha um resistência fisica de um toiro e como tal, whisky de manhã à noite todos os dias não haveria de lhe fazer assim mal.
Tenho ainda a destacar a ausência da reprodução destas declarações nas televisões, e nos sites. Fosse alguém de direita a proferir estas declarações e incendiavam-se a internet e os media, com imagens e comentários de indignação. Todos, de Isabel Jonet a Fernando Ulrich, foram corridos ao estigma Maria Antonieta, mas Mário Soares está imune.
Viva a democracia, onde cada um pode dizer o que quer porque é livre (ou libertino). Mas há uns que são mais livres que outros!"
domingo, 5 de janeiro de 2014
Goooooooooooo.............lo, de EUSÉBIO.
“Para aqueles que, por obras valorosas, se
vão da lei da morte libertando....”
A quem como eu,
que aprendeu a gostar de futebol ao som da palavra “GOLO” associada ao nome EUSÉBIO,
quero relembrar aqui estas duas palavras, para homenagear para sempre o seu nome.
"Havia nele a máxima tensão
Como um clássico ordenava a própria força
Sabia a contenção e era explosão
Não era só instinto era ciência
Magia e teoria já só prática
Havia nele a arte e a inteligência
Do puro e sua matemática
Buscava o golo mais que golo – só palavra
Abstracção ponto no espaço teorema
Despido do supérfluo rematava
E então não era golo – era poema."
(Manuel Alegre)
Subscrever:
Mensagens (Atom)
.jpg)



.jpg)



