quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Marvão em números: A Saga do Poder de Compra e Desenvolvimento Económico...


Quando há cerca de 3 semanas aqui publiquei alguns dados sobre Indicadores Económicos no concelho de Marvão, alvitrando que este concelho é dos mais pobres do distrito de Portalegre, e um dos mais pobres de todo o país, logo se levantaram vozes, as do costume, questionando esses números, sem que no entanto, alguém apresentasse dados que contrariassem aquilo que escrevi.

Tenho para mim que muitas destas vozes, pertencentes e oriundas, na maioria das vezes, a quem ocupa o poder em Marvão (formal e informal), se devem à sua própria ignorância, característica de quem vive isolado “atrás das serras”, com pouco contacto com o exterior, cuidando, em alguns casos, que são os melhores do mundo, por tão pouco serem contestados. Esta tese confirma-se, como apresentei noutro Post, devido a algum deficit de conhecimentos, e aos baixos níveis de literacia do concelho (só 18% da população tem o Ensino Secundário ou mais), também dos mais baixos do distrito e do país.

Esta situação é tanto mais grave, quando não é reconhecida pelos líderes e responsáveis concelhios, para que, a partir daí, possam implementar políticas e estratégias com vista a alterar esta conjuntura. Por outro lado, a própria oposição política do concelho, parece não estar preocupada com esta situação, o que os torna tão responsáveis quanto o poder e, simultaneamente, cúmplices.

Nem a propósito, fui hoje alertado pelo Fernando Bonito, para um artigo no Jornal de Negócios, que podem consultar aqui, que coloca Marvão no lugar 245º, no universo dos 308 concelhos do país no que toca ao Indicador “Poder de Compra”, com um valor “per capita” de 61.23 da média nacional que é 100. Este dado confirma, tal como eu já tinha afirmado aqui, que é o mais baixo de todo o distrito de Portalegre, e só meia dúzia de concelhos abaixo do Tejo apresentam valores mais baixos.

Em Portugal só 63 concelhos têm pior “Poder de Compra” que Marvão (sendo que 10 são nas ilhas). Nos concelhos limítrofes de Castelo de Vide e Portalegre, esse Indicador é, respectivamente, de 76,08 e 102,01, valores nitidamente superiores, portanto não pode ser só uma questão da interioridade.

Isto na prática quer dizer que, enquanto em Castelo de Vide se têm 76 euros para gastar, ou em Portalegre 102 euros, Marvão apenas tem 61 euros; e, se compararmos com Lisboa, enquanto Marvão tem 100 euros para gastar (comprar), Lisboa tem 350 euros. Significativo, não? 

Aqui fica, mais uma vez, o diagnóstico de uma situação que deveria estar na ordem do dia, para governantes e governados, esperando eu, que se dignem a tê-la em conta.

A bem de Marvão.  

O mundo dos outros...

Ainda sobre a “jogatana” de ontem, 3 pontos de vista:

“O "génio" nada é sem muito esforço!
Por Pedro Correia, (aqui)

Muito à portuguesa, fala-se quase sempre do "génio" de Cristiano Ronaldo. Mas quase nunca se fala da sua exemplar entrega ao treino. E no entanto essa é a principal razão do seu sucesso. Porque podemos detectar vestígios de "génio" num Ricardo Quaresma, por exemplo. Mas sem muito treino diário, sem muito esforço, sem dedicação total a um objectivo, nenhum "génio" chega longe. Nem o melhor do mundo, como Cristiano Ronaldo é.


Portugal no caminho da glória.
Por Luís Menezes Leitão (aqui)

Vencemos. Somos os maiores. Apesar dos golpes baixos dos suecos, que nem sequer hesitaram em recorrer à magia negra, sob o alto patrocínio da água da mesma cor vendida pela Pepsi, Cristiano Ronaldo demonstrou que é um super-herói. Graças a ele Portugal redescobriu o caminho para as terras de Vera Cruz, imitando o feito de Cabral há mais de quinhentos anos. Perante a gloriosa exibição de ontem, não há dúvidas que no Mundial arrasaremos todos os nossos opositores.

Quanto à crise financeira, podemos estar seguros que, com as nossas brilhantes capacidades futebolísticas, irá seguramente ser ultrapassada. Quem é que depois da exibição de ontem pode duvidar que Portugal irá ter um sucesso glorioso no regresso aos mercados? Nunca jamais em tempo algum seremos sujeitos a um programa cautelar, quanto mais a um segundo resgate. Ooops!


Rui Santos, sempre ele!
Por Pedro Correia (aqui)

Dois dias após o Portugal - Suécia, a 15 Novembro:
«Eu julgo que Portugal provavelmente não está preparado para fazer um jogo de melhor qualidade relativamente àquele que fez.»
«Sete jogadores portugueses excederam as expectativas. O meu receio é se eles terão capacidade de responder [na Suécia].»
«Este resultado [1-0] é reversível.»
«O cenário do prolongamento, do ponto de vista físico, pode ser complicado para nós.»

Duas horas após o Suécia - Portugal, a 19 Novembro:
«O facto de termos ganho não quer dizer que estejamos perante uma grande selecção e um grande futebol.»
«Esta equipa sem o Cristiano Ronaldo provavelmente hoje não teria conseguido o apuramento.»
«Houve ali uma fase em que Portugal esteve à beira do colapso.»
«Na verdade trememos, na verdade trememos.»
«Paulo Bento esteve à beira de um benticídio.»”


O meu comentário, sobretudo, para esta última, esse tal de Rui Santos, apetece-me também aquela resposta clássica: Oh rui santos vai pró c******, desampara a loja...

terça-feira, 19 de novembro de 2013

O mundo dos outros...

As notícias de capa dos jornais, no dia seguinte, no caso de Portugal não se apurar, por Rui Rocha, in  “Delito de Opinião”.

Jornal de Notícias: Caxinas preparam homenagem a Hélder Postiga.

Público: Saiba como as políticas da igualdade de género aplicadas na Suécia contribuíram decisivamente para resultado de ontem.

Correio da Manhã: A noite louca de Ronaldo depois da derrota em Estocolmo.

Diário de Notícias: Soares acusa governo de massacrar o meio-campo da selecção.

Jornal I: Conheça a história do carteiro de Helsingborg que pedala seis horas por dia, treina duas vezes por semana e derrotou Portugal com um pontapé de bicicleta.

O Jogo: Pinto da Costa completamente recuperado.

SOL: Durão Barroso na calha para ocupar cargo de seleccionador.

O Expresso (edição do próximo Sábado): Selecção nacional apura-se para o mundial do Brasil - ver desenvolvimento na última página e análise de Nicolau Santos no caderno de economia."

Acrescento eu:

A Bola: Após o "apuramento" da Suécia, Zlatan Ibrahimović no Benfica por troca, a custo zero, com Carlos Martins. Jesus não concorda e agride violentamente LFV: (7 polícias internados após a peleja com o treinador encarnado).


Imagens de uma viagem “futeboleira”...


No passado sábado, 16 de Novembro as Velhas Guardas do Grupo Desportivo Arenense, na sua 6ª época de existência, fizeram a sua segunda jornada fora do distrito de Portalegre, até terras saloias de Trajouce, freguesia de São Domingos de Rana, concelho de Cascais, para jogarmos com os nossos congéneres de Manique de Baixo, freguesia de Alcabideche, do mesmo concelho de Cascais. A nossa primeira saída tinha sido à freguesia de Pousos, concelho de Leiria, na época 2009/2010.

Foi um dia (e noite) muito agradável, em que tudo correu bem, desde a viagem ao almoço, do jogo ao jantar convívio com que os amigos de “Manique de Baixo” nos presentearam. Até o resultado do jogo, possivelmente o menos importante, nos sorriu, e, a nossa equipa ganhou por 2-1, com golos de José Domingos e Luís Miguel.

Um agradecimento especial aos amigos de Manique, aos motoristas Manuel Filipe e Joaquim Sabino, à Câmara Municipal de Marvão, à Direcção do GDA, e a todos os arenenses que participaram nesta expedição.

Para a posteridade aqui ficam algumas imagens:   

Alentejanos em Oeiras: Empinados: Rui Canuto, Domigos Sanches, Joaquim Sabino, Filipe Guedelha, Ginja, Pedro Vaz, Zé Vaz, Luís Miguel, Luís Barradas, Rui Delgado e Manuel Filipe. Agachados: António Bonacho, João Bugalhão e Mário Cardoso.

1 - A táctica


2 - O jogo


A equipa: De pé: João Bugalhão, Domingos, Zé Vaz, Ginja, Barradas, L. Miguel, Rui Canuto e Mário Bugalhão. Em baixo: Bonacho, Mário Dias, Cadoso, João Carlos, Zé Domingos, Filipe e Pedro Vaz.







3 - O convívio



quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Músicas da minha vida (7)

(Foi a velha Chica, mas podia ter sido a minha mãe...)

"Antigamente a velha Chica vendia cola e gengibre, e, lá pela tarde ela lavava a roupa do patrão importante; e nós os miúdos lá da escola perguntávamos à vóvó Chica qual era a razão daquela pobreza, daquele nosso sofrimento.

Xé menino, não fala política, não fala política, não fala política...

Mas a velha Chica embrulhada nos pensamentos, ela sabia, mas não dizia a razão daquele sofrimento.

Xé menino, não fala política, não fala política, não fala política...

E o tempo passou e a velha Chica, só mais velha ficou. Ela somente fez uma kubata com tecto de zinco, com tecto de zinco.

Xé menino, não fala política, não fala política...

Mas quem vê agora o rosto daquela senhora, daquela senhora, só vê as rugas do sofrimento, do sofrimento, do sofrimento!

Xé menino, não fala política, não fala política, não fala política...

E ela agora só diz: Xé menino, quando eu morrer, quero ver Angola viver em paz! Xé menino, quando morrer, quero ver Angola e o Mundo em paz!”


quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Marvão em Números: Os custos do Poder Local (1)


Podemos dizer de grosso modo, e para melhor me fazer compreender, que as Despesas Totais da Administração Pública portuguesa rondaram nos últimos 5 anos (2008 – 2012), uma média de 82,5 mil milhões de euros/ano (a média de Receitas Totais é de apenas 70,8 mil milhões de euros/ano, e com as receitas extraordinárias. Só por aqui se pode ver o descalabro financeiro do país). Em 2012 essas Despesas foram ainda de 78,2 mil milhões de euros; mas o seu máximo foi atingido em 2010 (com a maluquice Sócrates/Teixeira dos Santos), com um recorde de 89,0 mil milhões de euros; quando em 2009 já tinha sido de 83,9 mil milhões de euros.

O povo português, muito pouco dado a contas (a matemática é complicada), não percebe patavina do que se passa e por isso pouco controla, e até já dizem que querem os "socialistas" de volta, pensam que os recursos são infinitos, que o dinheiro ainda é feito no Banco de Portugal. Tudo isto porque os diversos políticos, durante as campanhas eleitorais aldrabam como feirantes da banha da cobra, prometem o que não há, e, andam há muitos anos a comer-nos as “papas na cabeça”. É óbvio que um país, uma autarquia, uma família, ou um simples cidadão, que tenha receitas de 70 e gaste 82, a coisa não pode durar muito tempo, e, irá dar para o torto, mais dia, menos dia. Qualquer dona de casa sabe isso, até um puto da 4ª classe das antigas veria que isto não poderia dar certo.     

No que ao poder local diz respeito, cada vez que ouvimos falar um autarca, sobretudo se de presidente de câmara se tratar, continuamente ouvimos um rol de lamentações, queixando-se de que o Poder Central, através do Orçamento Geral do Estado (OGE), não lhes transfere verbas que lhes permitam levar a cabo as suas atribuições. Em contrapartida, o Poder Central, pela voz dos seus ministros, diz que cada vez tem menos dinheiro para distribuir, e por isso, o poder autárquico, tem que também apertar o cinto. E se não se tomarem medidas rapidamente, a coisa irá também dar para o torto.

O que hoje aqui quero dar conhecimento, de forma muito simples, é quais são afinal os custos do Poder Local em Portugal, independentemente, de julgamentos sobre se é muito, ou é pouco, e, ainda de onde vem esse dinheiro. Estes números, se bem analisados, serão possivelmente a razão por que não se faz regionalização em Portugal, porque não se procedeu à reforma da Administração Local de junção/associação de municípios; sobretudo, porque estas verbas mexem com muitos interesses (quem diz interesses, diz dinheiro), “muitas capelinhas”, muitos barões, etc., etc. Mas um dia a barraca vai abaixo, como não se preveniu, irá ter que se remediar, e aí os custos vão ser bem piores, e, como de costume pagos pelos mesmos. Eu pela minha parte de cidadão tento estar informado, e aqui partilho convosco alguma dessa informação.

Afinal quais são os custos efectivos de cada português no Poder Local? Que fatia dos tais 82,5 mil milhões vai para as autarquias? E no Alto Alentejo recebe-se e gasta-se mais, ou menos, que os outros portugueses? E em Marvão como serão esses valores comparados com os concelhos mais próximos? E será que nos tempos que correm se poderá continuar a gastar o mesmo, ou teremos que arrepiar caminho? E se de repente o Poder Central cortar 30 ou 40% das transferências para as Autarquias?

Após algumas pesquisas, sobretudo na plataforma de dados PORDATA, aqui ficam os números agrupados, para aqueles que não queiram, ou não possam, ter tempo para os procurar.

Em números redondos as Despesas das Autarquias em Portugal em 2012 foram aproximadamente de 7,0 mil milhões de euros, 9% das Despesas Totais do país, o que quer dizer cerca de 637 euros/cada português. Em 2011 essas despesas rondaram os 7,1 mil milhões de euros, 8,4% das Despesas Totais do país, e cada português custou, nesse ano, cerca de 670 euros. Comparando os 2 anos, verificou-se que cada português em 2012 custou menos 33 euros em relação ao ano anterior.

No Alto Alentejo em 2012, as Despesas das Autarquias foram aproximadamente de 136 milhões de euros, cerca de 2% das Despesas totais do poder autárquico em Portugal; no entanto, como somos poucos (116 mil almas), cada alentejano do alto, custou ao poder autárquico 1 167 euros. Em 2011 essas despesas tinham sido 135,5 milhões de euros, exactamente os mesmos 2% das Despesas totais dos custos autárquico em Portugal (mas éramos mais 1 619 almas), e cada habitante do Alto Alentejo, custou cerca de 1 149 euros. Comparando os 2 anos em análise, verifica-se que houve um aumento de custos em 2012, de 18 euros para cada habitante. Quando a nível nacional, de 2011 para 2012, existiu uma redução de 33 euros/português; no Alto Alentejo existiu um aumento de custos de 18 euro para cada altoalentejano.

E em Marvão?

Em Marvão em 2012 as Despesas totais da Autarquia foram cerca de 4,7 milhões de euros (4.673.051 euros), e representaram 3,5% dos custos das autarquias no Alto Alentejo; cada marvanense custou ao poder autárquico 1 320 euros. No ano anterior de 2011, as Despesas totais tinham sido de 6,9 milhões de euros, e representaram 5,1% dos custos das autarquias no Alto Alentejo; Em 2011 cada marvanense custou ao Poder Local cerca de 1 967 euros. Comparando estes dois anos verifica-se que, enquanto no Alto Alentejo existiu um aumento de custos “per capita” de 18 euros, em Marvão, existiu uma diminuição de 647 euros por cada marvanense, uma diminuição a rondar os 40% de um ano para outro: Difícil de perceber? Certamente em 2013, ano de eleições, fazer-se-ão os acertos, digo eu!

Na figura em baixo podemos observar em gráfico as Despesas/Habitante das Câmaras Municipais do distrito de Portalegre. Pelo facto de existirem dados muito diferentes nos anos de 2011 e 2012, resolvi associar os 2 anos, e assim procurar anular estas desigualdades. A análise de 2 anos estará mais próxima da realidade para se fazer comparações. Para se obter uma média anual bastará dividir os valores por 2, e tem-se a ideia de custos em cada ano.


(Clicar sobre a imagem para ver melhor)



Fazendo uma breve análise do Gráfico, a primeira a coisa a ter em conta, é que apesar de aqui apresentar os 15 concelhos, os custos nas cidades (Portalegre, Elvas, e Ponte de Sôr) não devem ser comparados com os restantes concelhos com menos de 10 000 habitantes, ou mesmo menos de 5 000, que são a maioria. Quanto mais a concentração de habitantes, menores os custos. Mesmo Campo Maior, parece ser um concelho a merecer uma análise diferente no panorama distrital, já que ostenta uma série de características que o torna mais próximo das cidades do que dos outros concelhos tipicamente rurais.

Os restantes 11 concelhos têm características muito idênticas, pelo que se torna difícil de perceber algumas diferenças significativas encontradas, e para as quais, certamente, existirão explicações, mas que eu desconheço. Podemos assim verificar, o exemplo de Crato e Sousel (concelhos idênticos na minha opinião), mas que têm custos completamente diferentes: enquanto o Crato tem custos de 4 060 euros/cratense; Sousel não vai além de 2 800/souselense. O que é que justificará estas diferenças de cerca de 1 200 euros/habitante? E qual a razão de Crato e Alter terem perfis de custos completamente diferentes dos restantes concelhos? Poderíamos supor tratar-se de “receita próprias” e assim poderem gastar mais que os outros, mas não, como demonstrarei no próximo Post, quando olharmos para as Receitas. Entretanto se alguém souber as razões de tais disparidades, tem este espaço ao dispor.

Quanto a Marvão, enquadra-se no grupo de concelhos que têm despesas, nos 2 anos em análise, entre os 3 300 e os 2 800 euros por habitante, e são eles: Avis, Castelo de Vide, Marvão, Fronteira, Gavião, Arronches, Monforte, Nisa e Sousel.   

 Conclusões:

Por me parecer que existem algumas diferenças significativas anuais, quando se analisa individualmente os anos em análise, faço aqui o somatório das despesas de 2011 e 2012, e farei seguidamente a média de custos para cada ano. Quem não gostar tem os valores absolutos nos dados que apresentei em cima. Assim, nos últimos 2 anos:

- As Despesas com o Poder Autárquico em Portugal rondam, em média, os 7 050 milhões de euros/ano; ou seja, aproximadamente, 654/cada português. Estas Despesas representam cerca de 8,7% das despesas totais do país.

- No Distrito de Portalegre, a média desses 2 anos, foram de 135,8 milhões de euros/ano; aproximadamente, 1 158 euros/por habitante do Alto Alentejo (mais 500 euros que a média nacional). O distrito de Portalegre tem o maior rácio de Portugal continental, em custos por habitante no Poder Local.

- Em Marvão a média desses 2 anos, foram de 5,8 milhões de euros/ano; aproximadamente, 1 644 euros/marvanense (este valor é cerca de 500 euros superior à média do distrito de Portalegre, e cerca de 1 000 euros superior a média nacional).

Nota: No próximo Post tratarei de analisar a rubrica das Receitas.
    

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Marvão em números – Cuidados de Saúde


“A pobreza cria doença, e a doença cria pobreza!”

Este princípio, conhecido na economia da saúde como o “círculo vicioso de Horowitz”, é a mesma coisa que dizer: Quanto mais pobres mais doentes, e quanto mais doentes, mais pobres.

Procurando integrar este princípio, num conceito mais positivo, posso inferir que, quanto menos doenças e doentes uma comunidade tiver, isto é, quanto mais saudável for, tanto mais essa comunidade será produtiva, e menos recursos terão que gastar em tratamentos e recuperações dos seus membros. Parecendo um princípio lógico, ele está longe de ser aceite pela generalidade dos gestores e trabalhadores da saúde (mais parecendo gestores da doença), sobretudo, devido aos grandes interesses económicos que dominam esta área, e que ganham a vida à custa da desgraça (doença) alheia.

Há mais de 35 anos (Conferência de Alma-Ata, 1978) que se proclama que os sistemas de saúde, e especialmente os serviços nacionais de saúde, deveriam assentar a sua acção nos cuidados primários de saúde e, prioritariamente, na vigilância, promoção da saúde e prevenção de doenças evitáveis, e assim contribuírem para o bem-estar individual e colectivo e, consequentemente, para a Qualidade de Vida dos povos.

Portugal foi um dos primeiros países a assinar e aceitar esses princípios, numa época em que o Serviço Nacional de Saúde (SNS), dava os primeiros passos. Mas o que aconteceu a seguir, na prática, foi exactamente o contrário: uma ênfase e investimento continuado nos cuidados curativos e de tratamentos, com altos custos em recursos tecnológicos, consumos disparatados de medicamentos (veja-se o caso abusivo e sem controlo dos antibióticos, antidepressivos e afins), e um quase abandono dos cuidados preventivos, sem que se observe ganhos em saúde correspondentes, e que leva a que haja cada vez mais doentes e em idades mais precoces, e, previsivelmente, um aumento incomportável dos custos com o SNS que temos que suportar, ou pedir emprestado.

Fazer avaliação objectiva do estado de saúde de uma população é algo que não é nada fácil, e em Portugal, essa avaliação é praticamente inexistente. Os diversos Indicadores do SNS português deixam muito a desejar, já que na sua maioria são Indicadores de “Processos” e, mais uma vez, não de “Resultados”, veja-se o exemplo muito valorizados de “consultas médicas/habitante”, como se isso fosse sinónimo de bons cuidados de saúde, quando todos sabemos que o não é. O que deveria ser avaliado era que “ganhos em saúde” (resultados) se consegue em cada consulta. Não é pelo simples facto de qualquer freguês ver muitas vezes um médico, que vai melhorar o seu estado de saúde, por muito que este princípio custe aos senhores doutores médicos. O que deveria ser avaliado era o que é que cada um destes “contactos” contribui com “indicadores positivos de bem-estar” de uma pessoa ou de uma comunidade, isto é, “a felicidade” e a Qualidade de Vida.

No caso particular de Marvão, pela experiência e conhecimento que tenho dessa área, não sei, nem ninguém sabe, se o estado de saúde dos marvanenses é pior ou melhor, que o dos habitantes de um outro concelho do distrito. Mas o que posso afirmar com segurança, é que será aquele (em todo o distrito de Portalegre), onde os cuidados de saúde têm pior acesso, e mais caros ficam aos habitantes de um concelho, como atestam os Indicadores que mais à frente apresentarei.

Os 3 Indicadores sobre Saúde de que aqui me socorro poderão não ser os melhores, de acordo com o que tenho vindo a defender (resultados), pois não passam dos tais “indicadores de processo”, mas são os que existem, e são usados mesmo a nível internacional. O que conviria conhecer eram Indicadores sobre o impacto que estes “indicadores de processos” têm sobre o estado de saúde das comunidades, mas esses, terão ainda de ser publicados, por agora limitemo-nos aos que existem.

1 – Profissionais de cuidados de saúde primários por habitantes no distrito de Portalegre

Apresento aqui dois Quadros sobre este Indicador. O 1º diz respeito ao nº de habitantes por médico de família nos centros de saúde do distrito; e o segundo ao nº de habitantes pelo total de profissionais, desses mesmos centros de saúde. 


(Clicar sobre as imagens para ver melhor)

No Quadro 7 podemos verificar que Marvão é o que apresenta maior quantidade de habitantes/médico no conjunto dos concelhos do distrito: 1 728 habitantes/médico, já que existem apenas 2 Médicos (mais um bocadinho de outro), para a prestação de cuidados de saúde aos cerca de 3 500 habitantes do concelho. Este número é mesmo superior ao rácio que se verifica nas 3 cidades do distrito (Portalegre, Elvas e Ponte de Sôr), onde as populações desfrutam de serviços de urgência 24 horas/dia. O concelho rural que mais se aproxima de Marvão é Arronches, onde os médicos têm, em média, menos 200 habitantes. Comparando com os nossos vizinhos de Castelo de Vide, podemos verificar, que cada médico que aí trabalha tem menos 600 habitantes do que os de Marvão.

Ainda no que toca a recursos humanos, podemos verificar no Quadro 7/A, que este deficit não diz respeito apenas ao pessoal médico, também no que toca ao rácio de habitantes pelo total do pessoal que trabalha nos centros de saúde, Marvão, ocupa o penúltimo lugar no conjunto dos concelhos com menos de 10 000 habitantes do distrito de Portalegre. A separação de Quadros com os municípios maiores deve ser feita, porque nas cidades as populações são mais concentradas e logo precisam menos funcionários por habitante. 



Marvão tem assim um rácio de 269 habitantes/trabalhador no centro de saúde, uma média de mais 100 habitantes/trabalhador quando comparamos com concelhos os idênticos. O que quer dizer que, em nome da tal igualdade (170 habitantes/trabalhador), o centro de saúde Marvão deveria ser reforçado com mais 6 a 8 funcionários.

Tendo o concelho de Marvão uma das populações mais dispersas em todo o distrito, esta situação deveria ser corrigida com urgência, em nome da tão propalada igualdade de direitos. Fazer omeletas, tendo ovos, já não é para todos! Sem ovos é muito difícil, ou mesmo impossível.

2 – Consultas médicas por habitante no distrito de Portalegre

Também neste indicador faço a separação entre os concelhos com menos de 10 000 habitantes e as cidades, já que estas têm e usam outros recursos como são exemplo os serviços de urgência, isto é, jogam noutro campeonato.



Como podemos verificar no Quadro 8, também aqui Marvão ocupa o último lugar da tabela, com uma média de apenas 4,5 consultas/habitante/ano. São em média menos 2 consultas por ano que um avisense, um campomaiorense, ou mesmo um arronchense. Quando comparado com os nossos vizinhos de Castelo de Vide, os habitantes de Marvão têm menos cerca de 3 500 consultas médicas em cada ano. A média de consultas médicas no distrito, quando integradas as 3 cidades, é de praticamente 5 consultas/habitante.

3 – Cobertura vacinal no distrito de Portalegre

Este Indicador é um pouco diferente dos outros, já que os resultados do Plano Nacional de Vacinação PNV) estão mais que demonstrados, nos seus quase 50 anos de existência (desde 1965), sendo considerado o «mais importante programa de saúde», e aquele que mais impacto tem na saúde dos portugueses, e por isso aqui o trago ao conhecimento público. Para enquadrar o acabo de dizer, deixo aqui esta pequena citação da Direcção-Geral da Saúde em 2005, quando da comemoração dos 40 anos do PNV:

“O impacto da vacinação na saúde das populações é inestimável. Com excepção da disponibilidade de água potável, nenhuma outra intervenção, nem mesmo a utilização de antibióticos, teve um efeito tão importante na redução da mortalidade e na morbilidade populacional em todo o mundo. O PNV permitiu nos últimos 40 anos, eliminar ou controlar dez doenças infecciosas graves, tornando-se o mais importante programa de saúde pública do país, pelo que é considerado um dos programas prioritários do Plano Nacional de Saúde. “


Durante cerca de 5 anos (2004/2009) tive oportunidade de ter responsabilidades na gestão deste Programa no distrito de Portalegre, enquanto Responsável da Vacinação distrital da Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano. Durante esse período foi-me possível, em conjunto com os centros de saúde de todo distrito, proceder a uma programação de actividades, que tinham como objectivo alcançar taxas de vacinação de excelência, com a finalidade de melhorar os níveis de saúde da população do distrito, através dos benefícios da vacinação.

Durante esse período de 5 anos, houve concelhos onde foi possível aumentar as taxas de cobertura vacinal para o dobro da que existia (na população total e não apenas na infância ou juventude), casos concretos do Crato, Fronteira ou Avis (Arronches e Ponte de Sôr já estavam mais adiantados mas aumentarem também significativamente), com valores acima dos 70% da população. Infelizmente em Marvão, a minha terra, apesar de todos os meus incentivos aos seus profissionais, essa taxa, pouco foi além dos 50%, como se pode verificar no Quadro 9, ocupando apenas o 10º lugar no universo dos 15 concelhos.

Na consulta dos dados, há que ter em conta que estes são de 2009, mas penso que desde aí, e pelas notícias que me chegam, a situação não se deve ter alterado muito, não sei mesmo se não se degradou. Se assim foi é pena, porque os resultados do impacto da vacinação na Qualidade de Vida e bem-estar das populações é inquestionável, digo eu.

Conclusão:

Constata-se assim que Marvão é o concelho com menos médicos por habitante; é o concelho em que o Centro de Saúde menos horas está aberto ao público; é o único concelho que não tem serviços de saúde abertos ao fim-de-semana e/ou feriados; é o concelho de piores acessos geográficos devido a ser o mais disperso do distrito, etc., etc. Tudo isto, daria revolta em qualquer concelho deste país, e teria os seus autarcas à frente das populações para reclamar igualdade de tratamento em relação aos outros concelhos do distrito.

Mas não, os marvanenses comem e calam. E os seus dirigentes, assobiam para o lado. Ao longo dos anos não têm conseguido exigir aos dirigentes da saúde distritais a repor esta injustiça. Em minha opinião, isto acontece, porque são uns ignorantes no que toca ao funcionamento de serviços de saúde (saúde não é coisa de engenheiros!), e qual o seu papel enquanto representantes de uma população, e consequentemente, representam mal aqueles que os elegem. E bem podem papaguear, como o fazem continuamente, que os Cuidados de Saúde não são da sua responsabilidade;

- Mas a representação dos marvanenses é-o, assim como criar condições e exigir igualdade de tratamento para aqueles que os elegem, e lutar com todas as armas legais ao seu dispor.

Assim sendo, e de acordo com o círculo vicioso de Horowitz, sendo o concelho de Marvão um dos que apresenta maiores índices de pobreza do distrito (menor poder de compra, mais baixo salário médio, e uma baixa taxa de emprego), que tem estes Indicadores de Cuidados de Saúde; não me admiraria que para além dos mais pobres, os marvanenses, não sejam aqueles que apresentem menores índices de saúde, quer individual quer colectiva e, consequentemente, de bem-estar. Mas quem sabe se aqui existirá mais um princípio: “Doentes, mas com Qualidade...”       

Musicas da minha vida (6)


"Não é fácil o amor! Melhor seria arrancar um braço: Fazê-lo voar…

Dar a volta ao mundo, abraçar todo o mundo, fazer da alegria o pão nosso de cada dia, não copiar os males do amor, matar a melancolia que há no amor, querer a vontade fria!

Ser cego, surdo, mudo, não sujeitar o amor ao destino de cada um, não ter destino nenhum, ser a própria imagem do amor...

Pode o coração ao largo não sofrer os males do amor, não vacilar, ter a coragem de enfrentar a razão de ser, da própria dor, porque o amor é triste!



Não é fácil o amor…"





sábado, 9 de novembro de 2013

É triste não saber ler...


Grande Banda, disto já não há, acabou-se...

"É triste não saber ler, é triste não saber falar, não ver maneira de ser, nem ver jeitos de acabar. É triste um homem viver, sem ter cama que fazer.

É triste ser-se tão triste, tão sem ninguém a quem amar, e nem ter asas para voar!

É triste o entardecer, como é triste a madrugar. É triste um homem morrer, sem ter chegado a nascer... " 



quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Marvão em números: O Analfabetismo contribui para Qualidade de Vida?


Na sequência do primeiro Post com este título, e tal como havia prometido, venho hoje divulgar mais alguns dados que deveriam ser tidos em conta por todos os que nos representam, ou aspiram a representar. Bem sei que há aqueles que não gostam da linguagem numérica, acham que isso de frequências, médias, modas e medianas, são coisas daqueles que não têm mais que fazer, que o que interessa é “o que vem a mim”, “o cada um tem”, ou o “quer lá saber do vizinho”! Mas as próprias estatísticas explicam isso com aquela máxima: “Cada um de nós é único, mas também faz parte das estatísticas!

Em contrapartida, eu acho que, por sermos um povo que não liga a “números” é que chegámos onde chegámos, sem que a maioria de nós se tenha questionado ou apercebido, e, sem que até hoje tenha uma explicação para o sucedido. Devido a esta alergia aos números, quando se faz uma análise psico-sociológica aos países, há até quem considere Portugal um país de características femininas (com todo o respeito pelas características femininas), sempre muito mais preocupado com analisar “processos”, do que com avaliar os “resultados” obtidos, e depois é o que se vê.

Um país a viver há 40 anos de empréstimos e de dádivas, com um “défice médio" de cerca de 3%/ano ao longo desse período; uma dívida externa de mais de 200 000 milhões de euros; e um burgesso, que levou o país à bancarrota, e que anda por aí armado em herói (devia pelo menos estar atrás de umas grades), que em 6 anos aumentou essa dívida de 60% para cerca de 120% do PIB, a uma média de mais de 10% ao ano (sem contar com as receitas extraordinárias de delapidação do património nacional)!

E o povo? Esse anda por aí em queixumes, ou aos gritos e berros, a reclamar que foi roubado, e a tentar por trancas nas portas, quando a casa (o país), há 40 anos que anda a ser saqueado por uns bem-falantes “processistas”, sem que ninguém lhes peça contas. Quem sabe se a “revolução democrática” não deveria processar-se dentro de cada português! Procurarmos informação, análise e conhecimento, verdadeiros cidadãos; munirmo-nos das “armas” necessárias, sermos verdadeiros controladores destes vendedores da “banha-da-cobra”, e quando nos aparecessem pela porta, a pedir um “votinho” pela alminha dos que já partiram deste mundo, terem como nossa resposta, um belo par de nalgadas, que é o que se deve fazer aos pequenotes que fazem traquinices! Mas para isso precisamos de instrução, formação e educação, que é disso que hoje vos venho apresentar.

Estas propagandas também existem em Marvão, como é o caso da tal publicidade de sermos o 6º concelho, a nível nacional, em Qualidade de Vida. Só que os diversos Indicadores que encontro, e que aqui darei conhecimento, deixam muito a desejar, até no contexto norte alentejano, e, quantos mais encontro, mais dúvidas tenho sobre esse Estudo. Isto deveria merecer alguma análise pelos nossos autarcas, e por todos os que temos essa possibilidade.

Também, haverá aqueles que acham que eu ando aqui a “inventar” números, que acham que sonho durante a noite, para vir para aqui contar umas “bazófias ou falácias” (como diz o outro), mas as Fontes aqui ficam (PORDATA e “Um país como nós”), e quem tiver dúvidas é só procurar, e depois contestar, mas com dados objectivos. Também outros hão-de achar que estes não serão os melhores Indicadores, mas são os que existem, são públicos, ao alcance de todos. Dá algum trabalho, os dados estão lá mas é preciso consultá-los, agrupá-los, analisá-los, e depois apresentá-los, é fácil. Se alguém tiver outros? Chegue-se à frente, e, vamos discuti-los.

Nos primeiros 3 Indicadores, que aqui publiquei, o panorama não era nada animador:

- Marvão tem uma Taxa de Emprego baixíssima, apenas 38% dos marvanenses em idade activa (15-64 anos) têm trabalho ou estão empregados, são apenas 1 200 pessoas; quando essa Taxa a nível distrital é de 41%, e a nível nacional é de 48%.  

- O Salário Médio destas 1 200 pessoas é de 680 euros/mês, quando a nível nacional é de 958 euros/mês. É o mais baixo de todos os concelhos a sul do Tejo, e um dos mais baixos a nível de todo o país.

- Marvão tem ainda o mais baixo Poder de Compra de todo o distrito, abaixo dos 60% da média nacional.

Hoje apresento mais 3 Indicadores, agora de cariz Social e na área da Educação. Os dados são referentes ao ano de 2011 (último ano com resultados publicados). Nenhum deles abona algo de muito favorável para concelho de Marvão, quando comparados com os restantes concelhos do distrito, ou do país.

Indicadores na área da Educação

1 - Taxas de Analfabetismo, ou de população sem escolaridade

(Para ver melhor clicar sobre o Quadro)

Como se pode verificar no Quadro 4, Marvão possui uma taxa de população “sem escolaridade” de 21%, a 4ª mais elevada do distrito de Portalegre. Está 4 pontos percentuais mais elevada que na média distrital, e é o dobro da que se verifica em Portugal. Em cada 5 marvanenses, 1 não sabe ler nem escrever. E quando comparado com os nossos vizinhos de Castelo de Vide, que têm população idêntica, Marvão tem mais cerca de 100 analfabetos.

2 – Taxa de população residente com Ensino Secundário  



No Quadro 5, podemos verificar que apenas 10,6% da população residente em Marvão, com idade superior a 15 anos, tem como habilitações literárias o “Ensino Secundário”, é uma das mais baixas em todo o distrito de Portalegre, apenas superado pelo Crato e pelo Gavião. Quando comparados com os nossos vizinhos de Castelo Vide, Marvão fica 2 pontos percentuais abaixo, o que quer dizer em números absolutos que Marvão tem menos 60 pessoas com esse grau de ensino que os seus vizinhos castelovidenses.


3 – Taxa de população residente com Ensino Superior


Por último, podemos verificar no Quadro 6, que 7,2% da população com mais de 15 anos residente em Marvão possui um Curso Superior (229 pessoas). Apesar de baixo, quando comparado com os restantes concelhos do distrito, digamos até, que é o menos mau, já que ocupamos o 8º lugar (a meio da tabela). No entanto, e mais uma vez, quando comparamos com o concelho vizinho de Castelo de Vide (287 pessoas com formação superior), existem menos cerca de 60 pessoas com curso superior em Marvão.

Conclusão:

Passados 40 anos de regime democrático, com tantos dinheiros gastos em formação, financiados pela Europa, é quase crime ter em cada 5 marvanenses, com mais de 15 anos, 1 que não sabe ler nem escrever. Como foi possível aos diversos mandatos autárquicos manter esta condição. Haverá pelo menos consciência desta situação? E que projectos existirão para minimizar, não para remediar o passado mas para contribuir que no futuro este ambiente melhore?

Alguém ouviu falar deste assunto nas últimas eleições? Naturalmente, não é importante!

Comparando ainda com o mundo que nos rodeia, a tal sociedade global. Por exemplo na nossa vizinha Espanha 54% da sua população tem Ensino Secundário ou mais; na mal-amada Alemanha, essa Taxa é de 84%, e no conjunto dos 27 países da União Europeia a Taxa é de 74%. Em Marvão, apenas 18% dos marvanenses têm o Ensino Secundário ou mais.

E não nos esqueçamos que estamos no século XXI. Hoje em dia, analfabeto não é o que não saiba ler ou escrever, analfabeto é todo aquele que não saiba ler, escrever e interpretar; não tenha uma carta de condução para se mobilizar com facilidade; e não domine as técnicas mínimas de informática.

TA: O próximo "Marvão em Números" será sobre Cuidados de Saúde

Coisas giras vistas por aí (10)


terça-feira, 5 de novembro de 2013

Coisas giras vistas por aí (9)




(Ver ecrã inteiro)

Estes socialistas não param de me surpreender!


1 - Maduro decreta que o Natal na Venezuela é em Novembro.

(.... e naturalmente a feira da castanha em Dezembro!)



2 - "Não sei porque as pessoas se irritam comigo".

(... nem eu josezito! Mas as pessoas são "muito más", acredita!)

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

As músicas da minha vida (5)


O amigo Nuno Mota veio lembrar-me este tema do Rui Veloso. Tão real para mim, com 14 anos, nos meus tempos de oficina, do carregar ao lombo e do malhar no ferro, das soldaduras, das montagens. Já foi há tanto tempo...

Sexta-Feira? Sexta-feira nem que chova!

“São oito menos cinco, já piquei o cartão, para começar o dia. Entro na oficina, são oito menos cinco, de mais uma bela matina. Ao toque da sirene ponho as mãos no aço, saltam as limalhas ficam no cachaço. Ao toque da sirene, marco o meu compasso. A manhã vai lenta do meio-dia nem sinais, tenho a boca amarga com o sabor dos metais. A manhã vai lenta e as horas duram mais. 

Vou fumar um cigarro até ao “w c”, sabe-me pela vida e sempre dá alento. Vou fumar um cigarro, aproveito e queimo o tempo. O que vale é sexta-feira, depois é dia de alcova, cuidado com a soneira, cuidado com o “escova”. O que vale é sexta-feira, sexta-feira nem que chova!

Vou indo devagar não ligo a louvores, não me vou esfolar, também não sou um sorna, mas para a obra acabar? Há tempo até à reforma...”



quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Marvão em números – Pobres, mas com qualidade!!!


Recentemente foi divulgado um Estudo intitulado “Os Municípios e a Qualidade de Vida” – Tese de Mestrado apresentada na UBI da autoria de Fátima Gonçalves. Nesse trabalho dava-se conta que, Marvão ocuparia o 6º lugar do ranking entre os 308 concelhos do país, no que toca a qualidade de vida.

Nas eleições que se realizaram ultimamente, esse Estudo, foi utilizado diversas vezes pela candidatura de Vítor Frutuoso, com a intenção de convencer os marvanenses, que Marvão, seria um dos concelhos com melhor Qualidade de Vida e um dos que mais terá progredido a nível nacional, e, uma das zonas onde melhor se vive neste Portugal de pobres. Fez-se, inclusivamente, seu uso, através de um testemunho do Professor Universitário Paulo Jorge Nunes e que reproduzo de seguida: 


(Clicar sobre a imagem para ler melhor)


Não tenho a mínima intenção de por em dúvida tal Estudo, não o conheço profundamente, nem sei a totalidade das variáveis aí utilizadas, que levaram a tal conclusão. Nem tal, para mim, está em discussão. O que hoje venho divulgar são alguns dados (alguns com a mesma origem do citado Estudo), que me parecem pertinentes para se viver, ou pelo menos para se sobreviver em Marvão, ou em qualquer outro lugar do mundo, e, que no mínimo devem ser do conhecimento público, para não nos andarem a vender gato por lebre.

Eu sei como se vive em Marvão (ali nasci, ali trabalhei, ali vivi durante muitos anos), e também conheço outras realidades; por isso acho, no mínimo estranho, esta classificação da qualidade de vida! Conheço as dificuldades de quem lá vive, e a sua forma peculiar de lhes fazer face. Um concelho que tem, a nível do distrito de Portalegre o pior poder de compra, o mais baixo salário médio, ocupa o 4º lugar na taxa de analfabetismo, e o 11º lugar na taxa de empregabilidade, não poderá, na minha modesta opinião, ser apontado como um grande exemplo em Qualidade de Vida!

O que também me custa aceitar e perceber, é as alternativas eleitorais que se apresentaram a Vítor Frutuoso, não terem contraposto e confrontado com dados como estes, e, a sua evolução nos 8 anos do seu consulado. Tal como não questionaram as razões para os gastos de 500 000 euros do erário público efectuados no mês anterior às eleições. Quem quiser estar na vida pública tem de a conhecer nas suas múltiplas variáveis, e não a conhecendo, deveriam estudar e informar-se.

Para comprovar o que acabo de afirmar, apresento hoje 3 indicadores de cariz económico: - Salário Médio, Poder de Compra e Taxa de Emprego; e no próximo Post apresentarei outros de cariz social, que me parecem de alguma importância para avaliar a qualidade de vida de uma comunidade. Os dados foram colhidos aqui, e alguns têm a mesma fonte de origem do estudo supracitado (a Universidade da Beira Interior), outros na Pordata. Os quadros são de minha autoria. 

Marvão em números:

(A maioria dos dados são de 2011 (últimos disponíveis), mas a realidade não se deve ter alterado muito)


1 – Salário Médio (ilíquido) 



Como se pode ver no Quadro 1, no que toca ao Salário Médio no distrito de Portalegre, Marvão ocupa o último lugar, com apenas cerca de 680 euros/mês. Este valor é apenas 60% do que se ganha em Campo Maior, e não chega a 90% do que se ganha em Castelo de Vide que é o concelho mais próximo. Comparando com o salário médio nacional que é de 958 euros, podemos dizer que em Marvão se ganha, em média, cerca de 300 euros a menos do que no país.

Para a tristeza ser maior, Marvão é o concelho abaixo do Tejo com o valor mais baixo de "Salário Médio". E a nível nacional, só encontrei pouco mais de uma dezena de concelhos com valores inferiores.

2 – Poder de Compra 



Também neste indicador, o concelho de Marvão é o que tem pior Poder de Compra no distrito de Portalegre, como se pode ver no Quadro 2. Tendo em conta o valor 100 de referência para nível nacional, podemos verificar que no concelho de Marvão, o Poder de Compra é apenas de 60% do nível nacional; é inferior a 13% do que em Castelo de Vide; e menos 48% do que no concelho de Portalegre.

Nos concelhos abaixo do Tejo, só 6 apresentam um "Poder de Compra" inferior a Marvão, e são: Mourão, Alandroal, Portel, Mértola, Monchique e Alcoutim

3 – Taxa de Emprego 

Em Portugal, estima-se, que a Taxa de Emprego seja de 48% para os portugueses com mais de 15 anos. No distrito de Portalegre essa taxa é de 41,2%.

Em Marvão, da população com mais de 15 anos, apenas 38,3% das pessoas têm emprego, isto é cerca de 1200 marvanenses. Destes: 8% (96) trabalham no sector primário; 19 % (228) no sector secundário; e 73% (876) no sector terciário. 




Constatamos assim, como se pode ver no Quadro 3, que Marvão ocupa também no que toca à empregabilidade, um dos últimos lugares no distrito onde é 11º, entre 15 concelhos. Esta Taxa é 10% inferior á Taxa nacional, e cerca de 3% inferior à Taxa distrital.

 Conclusão:

Se nestes Indicadores somos os últimos no distrito de Portalegre, como poderemos ser o 6º concelho, ao nível nacional, em Qualidade de Vida? Que me desculpem os estudiosos, mas qualidade de vida, nestas condições, só se for pelo ar puro e as excelentes vistas das muralhas.

Nota: No próximo Post darei a conhecer outros Indicadores de nível social. 

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Valha-nos o humor....


A propósito de canitos...




Ó blatter vai pró c******! E leva o platini....

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Coisas giras vistas por aí (8)


Há dias fui surpreendido pelo amigo Clarimundo Lança (a quem estou agradecido), quando este resolveu enviar-me uma fotografia, que se não era eu, parecia o “diabo por mim”. Confesso que, no princípio não percebi, e fiquei até um pouco atrapalhado. Pois a fotografia parecia exibir a minha imagem (há uns anos atrás), acompanhada de uma jovem que eu não reconhecia, e com o título: “Não vos mataram semearam-vos”, e que, quem quiser, pode verificar aqui.

Cheguei depois à conclusão, que afinal, não era eu que estava ali acompanhado da dita beldade, mas sim o desventurado Padre Max, assassinado em 1976, num atentado que até hoje está por desvendar.

Para comprovar as semelhanças aqui apresento os dois retratos: o de Maximino Barbosa de Sousa (conhecido por Padre Max), e um meu tirado por volta de 1973, com 16 anos de idade. Ele há coisas!


Já agora, o que nos une em parecenças físicas, divide-nos em percursos de vida. Aqui fica, para que não haja confusões, um breve resumo:

Maximino Barbosa de Sousa:

- O Padre Max era professor do liceu, no distrito de Vila Real, e uma figura muito popular na região norte. Max era um Padre militante de extrema esquerda (UDP).

- Morreu quando tinha 33 anos num atentado, na companhia da sua aluna Maria de Lurdes, quando se deslocavam de carro entre a Cumieira e Vila Real, a bomba explodiu, accionada por controlo remoto e os dois morreram.

- Alegou-se na altura que o atentado terá sido perpetrado pelo então Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP). O MDLP era um movimento de extrema-direita que se dedicava a perseguir e atacar pessoas de esquerda, sobretudo no Norte do país.

- O primeiro processo sobre o crime foi arquivado em 1977, por falta de provas. Em 1989, o processo foi reaberto pelo Tribunal da Relação do Porto. Foram indicados sete responsáveis pelo atentado: O cónego Melo, o empresário Rui Castro Lopo, e o ex-membro do Conselho da Revolução Canto e Castro, como autores morais; Carlos Paixão, Alfredo Vitorino, Valter dos Santos e Alcides Pereira, como autores materiais. Mas, o processo foi novamente arquivado, por falta de provas.

- Até hoje foram reabertos vários processos, mas nunca ninguém foi condenado.

João Bugalhão:

- Nasceu em 1957, no concelho de Marvão, no seio de família pobre e humilde mas com uma tradição de vivência no concelho com mais de 300 anos.

- Aos 14 anos emigrou para a zona de Lisboa para trabalhar, fazer e completar os seus estudos secundários (ensino nocturno). Foi serralheiro civil e orçamentista. Sempre se interessou pela política, organizou e participou numa Greve antes de 25 de Abril de 1974; e após essa data militou em partidos de esquerda, que abandonou em 1975, por estes não representarem os seus ideais.

- Em 1978 ingressou no Exército e esteve durante 4 anos, onde chegou ao posto de Alferes Miliciano na arma de Cavalaria.

- A partir de 1982 iniciou a sua formação na área da saúde, tendo-se Licenciado em Enfermagem, mais tarde na Especialidade de Enfermagem de Saúde Pública, e completou duas Pós-Graduações em Gestão de Unidades de Saúde. Exerceu a sua profissão no concelho de Marvão (20 anos) e no concelho de Arronches (5 anos). Aposentou-se (ou jubilou-se) em 2009.

- Foi Membro da Assembleia Municipal de Marvão, eleito nas listas do PSD entre 2001-2011, tendo-se demitido em desacordo com o rumo político seguido pelo Executivo Camarário do mesmo partido. Foi ainda Membro da Assembleia Distrital de Portalegre entre 2009-2011.

- Hoje, com 56 anos de idade, define-se como se diz na primeira página deste Blog: Homem livre, descendente de moleiros, heterossexual, apaixonado, Ibérico, observador do mundo, anti-maiorias, exilado, não-alinhado, e semi-analfabeto. 

... e escritor de blogues para espantar a solidão e outras moléstias!

sábado, 26 de outubro de 2013

Porque hoje é sábado...


Um pouco de mundanismo (só de vez em quando) não faz mal nenhum, e não nos vincula ao voyeurismo vip ou ao “big brother” do mediatismo da treta. Mas procurando acrescentar alguma coisa de sério, se é que o assunto o merece.

Dedicado a todas as Bárbaras e Maneis, Carlos e Dianas desta sociedade hipócrita dos casais. Mas com todo o respeito pelos rebentos Dinis e Carlota, e tantos outros nessas condições, que não têm culpa nenhuma, nem escolheram os pais!

La dolce vita

Hum...! Sábado à noite, e com ele a febre das emoções: é o balancé do disco! O automóvel do papá (e os piões), é o olhar comilão, com o gin tónico pela frente, aquela pose ao balcão, a controlar, o ambiente. A gravata, que incomoda (mas é moda), as patilhas aparadas, o fato branco, a rigor, as biqueiras azeitadas, e, o andar “à matador”, “à matador”...

La dolce vita”, que grande fita....
  
É o perfume feito suor, o convite para uma cola refrescante, quando ela sai da pista com o fogo no semblante. É o “batom” de framboesa (a condizer com o verniz), um ar de imitação barato dos manequins de Paris! A pastilha elástica com o sabor a mentol, é o “conto do bandido” para morder o anzol:

- Foram feitos um para o outro, "um par de deus" fascinante: - O DESTINO OS JUNTOU. Para os separar mais adiante!

La dolce vita”, que grande fita....




O circo (do “amor”) ....

Vamos ao circo (do amor). Meninos e meninas, moços ricos, moças finas, aí vem (aí vem). Aí vem o circo: - O Carlos e a Diana no satélite, e, na cama. Ele aí vem!

Vamos, vamos ao circo (do amor), toda a gente vai, vamos! Vamos ao circo. Vamos, vamos ao circo!

Vamos ao circo (do amor), fotografias e aparato, a galinha e o pato, aí vem! Aí vem o circo: - O Carlos e a Diana no satélite, e, na cama! Ele aí vem!