sábado, 19 de outubro de 2013

As músicas da minha vida (4)

Versão 1

Mandei-lhe uma carta em papel perfumado, e com letra bonita dizia que ela tinha um sorriso luminoso, tão triste e gaiato, como o sol de Novembro, brincando de artista nas acácias floridas, e na fímbria do mar.

Sua pele macia era sumaúma, sua pele macia cheirando a rosas, e seus seios laranja, laranja do Loge! Eu mandei-lhe essa carta, e ela disse que não!

Mandei-lhe um cartão, que o amigo maninho tipografou: por ti sofre o meu coração! Num canto 'sim', noutro canto 'não'. E ela, o canto do 'não': dobrou.

Mandei-lhe um recado, pela Zefa do sete, pedindo e rogando de joelhos no chão, pela senhora do Cabo, pela santa Efigénia, me desse a ventura do seu namoro. E ela disse que não!

Mandei à vó Xica quimbanda de fama, à areia da marca que o seu pé deixou, para que fizesse um feitiço bem forte e seguro, e dele nascesse um amor como o meu. E o feitiço falhou!

Andei barbado, sujo e descalço (como um monangamba) procuraram por mim: - não viu... (ai não viu não?), não viu Benjamim. E perdido me deram no morro da Samba.

Para me distrair levaram-me ao baile do Sr. Januário, mas ela lá estava num canto a rir, e contando o meu caso às moças mais lindas do bairro operário...

Tocaram a rumba e dancei com ela, e, num passo maluco voámos na sala. Qual uma estrela riscando o céu! E a malta gritou: - Aí Benjamim!

Olhei-a nos olhos, sorriu para mim. Pedi-lhe um beijo! Lá lá lá lá lá lá lá lá lá lá: - E ela disse que sim...



Versão 2

Mandei-lhe uma carta, em papel perfumado, e com letra bonita, dizia que ela tinha, um sorriso luminoso tão triste e gaiato, como o sol de Novembro, brincando de artista, nas acácias floridas, espalhando diamantes, na fímbria do mar, e, dando calor ao sumo das mangas.

Sua pele macia era sumaúma, sua pele macia da cor do jambo, cheirando a rosas, sua pele macia, guardava as doçuras do seu corpo rijo. Tão rijo e tão doce como o maboque; seus seios laranja, laranja do Loge; seus dentes marfim. Mandei-lhe essa carta, e ela disse que não!

Mandei-lhe um cartão, que o amigo maninho tipografou: “ por ti sofre o meu coração”, num canto 'sim', noutro canto 'não'. E ela, o canto do 'não':dobrou!

Mandei-lhe um recado pela Zefa do sete, pedindo e rogando de joelhos no chão, pela senhora do Cabo, pela santa Efigénia, me desse a ventura do seu namoro. E ela disse que não!

Levei à vó Xica quimbanda de fama, à areia da marca que o seu pé deixou, para que fizesse um feitiço bem forte e seguro, e nela nascesse um amor como o meu. E o feitiço falhou!

Esperei-a de tarde à porta da fábrica, ofertei-lhe um colar, um anel e um broche, e, paguei-lhe doces na calçada da Missão, ficámos num banco do largo da Estátua, afaguei-lhe as mãos, falei-lhe de amor! E ela disse que não!  

Andei barbudo, sujo e descalço, e como um monangamba procuraram por mim: - não viu... (ai não viu?), não viu Benjamim. E perdido me deram no morro da Samba.

Para me distrair, levaram-me ao baile do sô Januário, mas ela lá estava num canto a rir, contando o meu caso às moças mais lindas do bairro operário. Tocaram a rumba e dancei com ela, e, num passo maluco voámos na sala. Qual uma estrela riscando o céu! E, a malta gritou: - Aí Benjamim!

Olhei-a nos olhos, sorriu para mim. Pedi-lhe um beijo! Lá lá lá lá lá lá lá lá lá lá: - E ela disse que sim...

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

No rescaldo das eleições autárquicas 2013 (3)

Concelho de Marvão (1) - Um "poucochinho" de humor!


(Qualquer comparação com a realidade, é mera coincidência...)




(Clicar sobre a imagem para observar)

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Constitucionalidades...





Vítor Constâncio, apesar de ganhar 26 724 euros por mês, o viúvo, tem automaticamente direito a uma pensão de sobrevivência no valor de 2400 euros/mês, o equivalente a 60% da pensão da falecida esposa...

Comentários para quê ?!?!?

No rescaldo das eleições autárquicas 2013 (2)


No distrito de Portalegre

A nível do distrito de Portalegre, os resultados autárquicos de 2013 nos 15 concelhos, pautaram-se, na maioria, pela continuidade, com 4 excepções: Crato, Monforte, Nisa e Portalegre.

Assim: Elvas, P. Sôr, Campo Maior e Gavião, tinham executivos liderados pelo Partido Socialista e assim continuaram; Alter, Arronches, C. Vide, Fronteira, Marvão e Sousel, eram laranjas, e laranja continuam; Avis era liderado pela CDU e assim continuou. Nos pequenos concelhos tal situação não me admira, conhecendo eu, como conheço, as dinâmicas sociais aí existentes, onde os executivos têm um controlo quase absoluto (e nalguns casos absolutista) sobre as populações, e, onde uma grande parte das famílias dependem das autarquias para sobreviverem. Esse reconhecimento, faz-se por vezes através do voto.

As que mudaram de cor, cada uma tem, para mim, leitura diferente. Nisa estava no fim de um ciclo, a presidente não se podia recandidatar (devido á lei de limitação de mandatos), e a CDU com o aparecimento de uma candidatura independente, na mesma área, acabou por perder um concelho que governava há mais de um quarto de século, venceu agora o PS. Monforte e Crato, continuam no ping-pong CDU/PS: ora agora ganhas tu, ora agora ganho eu...; os eleitores destes 2 concelhos ou andam a ser enganados por todos, ou não sabem o que querem.

Quanto a Portalegre? Aqui as coisas piaram mais fino. PSD e PS tiveram uma derrota que não deveriam esquecer tão cedo. O maior derrotado, na minha opinião, foi o PSD, ao não eleger qualquer vereador, ou presidente de Junta em todo o concelho; mas o PS não ficou muito melhor, ao não conseguir vencer duas candidaturas divididas na área do PSD. A candidatura "independente" de Adelaide Teixeira foi a grande vencedora com maioria absoluta (4 vereadores em 7 possíveis), e 5 Freguesias em 7 possíveis (2 foram para o PS).

O que se passou no concelho de Portalegre, deveria ser uma lição para toda a “partidocracia” portuguesa, pela forma errada, como se faz política em Portugal, e, do caciquismo reinante na escolha de candidatos. Os interesses pessoais, ou de famílias, não podem ser postos à frente da realidade e das preferências dos munícipes, e esta forma de escolher candidatos tem de acabar. As oligarquias de meia dúzia de iluminados, que se juntam nas concelhias partidárias, com base em interesses pouco claros, e que decidem com base na voz dos “donos”, estão esgotados. Neste caso foi tamanho o erro, que deveriam ter consequências drásticas, e os responsáveis locais concelhios (tanto do PSD como do PS), deveriam ter apresentado, imediatamente, as suas demissões, e, posto os lugares à disposição dos militantes; mas não, lá continuam, para continuarem a emporcalhar esta pobre democracia.

No caso do PSD, as coisas ainda são mais graves, por estarem "apadrinhadas" pelo Secretário-geral nacional como candidato à Assembleia Municipal, ele próprio derrotado copiosamente. Pelo menos a confiança dos portalegrenses ele não tem. Se juntarmos a esta derrota local, algumas das responsabilidades nacionais, não se percebe como é que pode continuar como estratega da política do partido do governo!

Onde chegou o pouco tino dos partidos em Portugal, que já nem com os erros de palmatória aprendem.

O que se questiona ainda, é porque é que esta gente continua agarrada ao poder? E qual a noção que têm de democracia, que já nem com as derrotas eleitorais largam o poder. Até onde nos conduzirá esta política e estes políticos. Veja-se, por exemplo, a cegueira do nada dizer nem nada acrescentar, do comunicado que pariu a Comissão Política de Secção de Portalegre do PSD (que em baixo reproduzo), sobre os resultados eleitorais ocorridos em Outubro de 2013, e que acabo de relatar:

 
 
"PSD Portalegre
(Portalegre, 7 de Outubro de 2013)

A Comissão Política de Secção (CPS) de Portalegre do PPD/PSD, após reunião para análise dos resultados eleitorais das Eleições Autárquicas, vem expressar o seguinte: 

■ A CPS assume a total responsabilidade dos resultados eleitorais de dia 29 de Setembro; 

■ O PSD demonstra plena solidariedade com o Dr. Jaime Azedo, bem como com todos os restantes candidatos, agradecendo-lhes toda a disponibilidade, todo o envolvimento, mas principalmente toda a postura ética em prol da candidatura “Portalegre Com Orgulho”; 

■ A CPS agradece a todos os Portalegrenses que votaram na candidatura “Portalegre Com Orgulho”, depositando confiança em cada um dos eleitos; 

■ Apesar dos resultados, a CPS entende que foi desenvolvido um trabalho baseado na ética, nos valores democráticos e, consequentemente, no respeito pelos adversários, apresentando aos eleitores uma proposta de desenvolvimento que colocava em primeiro lugar o Concelho; 

■ O PSD Portalegre felicita os vencedores e deseja a todos os eleitos um bom trabalho, sempre em prol dos Portalegrenses.

\\ A Comissão Política de Secção de Portalegre do PPD/PSD"
 
 
Responsabilidade? Solidariedade? Agradecimentos? Trabalho? (Ah, deixem-me rir...). E autocrítica, e os erros, e as consequências?

Mais valiam estarem calados...

Nota: O próximo capítulo será dedicado ao concelho de Marvão

domingo, 13 de outubro de 2013

As músicas da minha vida (3)


Ai, ai senhor das furnas que escuro vai dentro de nós, rezar o terço ao fim da tarde só para espantar a solidão, e rogar a deus que nos guarde, confiar-lhe o destino na mão. Que adianta saber as marés, os frutos e as sementeiras, tratar por tu os ofícios, entender o suão e os animais, falar o dialecto da terra, e conhecer-lhe o corpo pelos sinais? E do resto entender mal, soletrar, assinar em cruz, e, não ver os vultos furtivos que nos tramam por trás da luz.

Ai, ai senhor das furnas que escuro vai dentro de nós, a gente morre logo ao nascer com olhos rasos de lezíria, de boca em boca passar o saber com os provérbios que ficam na gíria. De que nos vale esta pureza, sem ler fica-se pederneira, agita-se a solidão cá no fundo, fica-se sentado à soleira a ouvir os ruídos do mundo, e a entendê-los à nossa maneira.

Carregar a superstição, de ser pequeno, ser ninguém! E não quebrar a tradição que dos nossos avós já vem...






sábado, 12 de outubro de 2013

O mundo dos outros...


Pedro Correia, ironizando os comentadores desportivos, e muitos treinadores da praça, escreveu esta crónica aqui, antes do jogo de futebol Portugal - Israel, eu reproduzo-a aqui, após o dito jogo.


É um quatro-dois-três-um mas muitas vezes é mais um quatro-cinco-um de uma equipa que não se desorganiza nem se desposiciona muito e que sai bem na transição sobretudo nas bolas a passar em momentos de definição dessa transição ofensiva com alguma criatividade e alguma atenção à bola parada e ao jogo aéreo muito forte com os laterais a centrar nessa circunstância pois quando pressionada em bloco meio alto a equipa vai jogar tendencialmente em bloco baixo sobretudo quando os alas não são jogadores de largura e têm dificuldade nas acções de construção e a contratransição é vital porque quando se perde a bola em zona ofensiva se o pressing foi imediato pode ser recuperada instantaneamente e a contratransição numa equipa que a faça bem e que tenha qualidade de finalização muitas vezes é fatal e este é um jogo em que interessa revelar capacidade de pressionar alto e de recuperar alto e de meter grandes intensidades sobretudo na primeira parte sem deixar o adversário trocar a bola naqueles dois metros de construção da zona defensiva nem jogar no risco pois quando se recupera mais atrás eles encontram-se lá todos.

Fui suficientemente claro ou preferem que faça um desenho?"

Conclusão: Seja isto lá o que for, o jogo, foi uma vergonha! Ou uma m***a, dito em liguagem popular (pqpt).

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

O futebol na sua essência


Amanhã, dia 12 de Outubro, a equipa de Velhas Guardas do Grupo Desportivo inicia mais uma época. Este grupo de convívio “futeboleiro” iniciou estas actividades em Abril de 2009, vão agora para a sua 6ª época, e disputaram até agora 36 jogos, sem mudança de Direcção ou treinador.

Para esta época estão previstos 10 jogos, sendo amanhã o primeiro em Portalegre, às 17 horas, com o Grupo de Amigos do Café Castro. O restante Calendário é o seguinte:

- 26/10/2013 - GDA - Alpalhão
- 23/11/2013 – GDA - Desportivo     
- 14/12/3013 - GDA - Sousel
- 11/1/2014 – GDA - Castro
- 1/2/2014 – S. Mamede - GDA        
- 22/2/2014 - Desportivo - GDA
- 15/3/2014- GDA – P. Sôr   
- 29/3/2014 - P. Sôr - GDA
- 31/5/2014 – GDA - S. Mamede



quinta-feira, 10 de outubro de 2013

No rescaldo das eleições autárquicas 2013 (1)


(Há coisas que se devem deixar resfriar um pouco)

Os portugueses têm por tradição histórica não perder muito tempo com o passado, independentemente, de este ter sido um sucesso ou um desastre. Dizem, como divisa, que o que é preciso é olhar e andar para a frente, e, que o passado pouco interessa. Quando a coisa correu bem é o siga a marinha, que somos um país de marinheiros, é o para a frente é que é lesboa, e, para trás “mija a burra”! Quando corre mal é o destino, vamos lá esquecer, enterrar, que isto não há mal que sempre dure e, como diz o outro: - O Benfica há-de um dia ser campeão.

Em minha opinião, quer uma coisa, quer a outra, nada de mais errado. Se tal ainda se possa aceitar, quando correu bem, já é inaceitável quando a coisa dá para o torto. E neste último acto eleitoral, muita coisa correu mal para alguns (muitos), e, objectivamente, não vi até agora análises sérias aos erros, justificações, e/ou consequência para os responsáveis, que os deve haver. E assim, se passa à frente, na próxima faremos igual e os erros serão, quase de certeza, repetidos, e quem vier a trás que feche a porta...

Esta minha análise aborda três vertentes: a nível nacional, regional (o distrito de Portalegre), e local (o meu concelho de Marvão).

A nível nacional:    

O Partido Socialista (PS) ganhou inequivocamente estas eleições: teve o maior número de presidências de Câmara, e teve a maioria de votos dos portugueses. A CDU registou também um aumento de presidências de Câmara (paradoxalmente, à custa de derrotas do PS). O CDS nem sim nem não, antes pelo contrário: passou de uma para cinco presidências de Câmara, mas perdeu muitas em coligação com o PSD e, entre o deve e o haver, não sei o saldo.

Grandes vencedores foram ainda algumas candidaturas independentes, tendo a sua expressão máxima com Rui Moreira no Porto (um feito dificilmente igualado, e uma lição política para os decisores partidários, que mostraram aqui, que de política local percebem mesmo muito pouco); mas também Portalegre (que analisarei no próximo capítulo), que tem sido pouco referida a nível nacional devido à sua pequenez, mas que em minha opinião, está ao nível, ou mesmo superior ao que aconteceu no Porto.

Ainda como grande vencedor, não posso deixar de realçar a vitória de Bernardino Soares em Loures. O até agora líder parlamentar do PCP (não fosse um admirador confesso do regime norte-coreano, e seria um dos meus heróis da noite de 29 de Setembro). Isto sim é de coragem. Ter um lugarzinho sossegado na AR como deputado, à sombra da foice e do martelo, e lançar-se numa aventura de sujeição ao voto popular, e vencer. Parabéns Bernardão!


Mas a minha especial atenção, vai para os grandes derrotados: o PSD e alguns dos seus dirigentes (embora pelas mesmas razões, também os haja no PS). Apesar de haver razões sobejamente conhecidas e debatidas para alguns maus resultados já esperados (devido à conjuntura nacional e governativa); existiram, no entanto, resultados intoleráveis que se ficaram a dever a opções manhosas, que deveriam responsabilizar os próprios, mas também quem os escolheu ou aceitou. Bem como terem as consequências previstas em democracia para quem falha por conta própria, ou não tem a confiança dos eleitores: A DEMISSÃO.

Em primeiro lugar do Coordenador Autárquico partidário, Jorge Moreira da Silva e do Secretário-geral Matos Rosa (apesar de nosso conterrâneo). Podem ser muito bons em alguma coisa, mas como estrategas políticos são uma nulidade, e disso estão fartos de dar provas. E quais as consequências? Um promovido a ministro (à portuguesa); o outro por lá continua à sombra das laranjeiras. Haja decência.

Em segundo lugar alguns dos que andam a ser eleitos à sombra do Partido (PSD), em listas colectivas para deputados, mas quando dão a cara, ou corpo ao voto, o povo diz que neles não confia, e infringe-lhes derrotas que os deviam envergonhar. Estão neste caso, pelo menos, os deputados: Carlos Abreu Amorim (em Vila Nova de Gaia), Pedro Pinto (em Sintra); e mais uma vez, Matos Rosa (Portalegre), que apesar de ser candidato à Assembleia Municipal, os resultados foram ultrajantes. Quando existiam outras alternativas credíveis de pessoas sempre ligadas ao PSD, e que alguns acabaram vencedores em listas independentes. Vencer no Porto (se apoiassem Rui Moreira), Vila Nova de Gaia (se apoiassem José Guilherme Aguiar), Sintra (se apoiassem Marco Almeida), Portalegre (se apoiassem Adelaide Teixeira); a derrota teria sido muito amenizada, e penso que até poderiam cantar vitória. 

Em terceiro lugar, a grande derrota dos “salta-pocinhas” ou “os cucos”: Luís Filipe Menezes (Porto); Moita Flores (Oeiras); e Fernando Mota (Loures). Então os senhores que podiam sair pela porta grande (nem todos, alguns a dívida que deixaram...) vão-se armar em heróis? Que grande lição da débil democracia portuguesa! Vão para casa cuidar dos netos, ou das jovens esposas aqueles que as têm, ou escrever umas novelas nem que seja para a TVi.

Todos os envolvidos nestas três situações prestaram um mau serviço à democracia, e sobretudo ao PSD, e, disso deverão tirar as respectivas consequências).

(Para não maçar mais, no próximo capítulo farei a análise regional)          

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

As músicas da minha vida (2)


Numa época em que tanto se fala de heranças e sacrifícios de gerações: - Ai coitadinhos têm que emigrar, ai que desgraça de país, ai que temos que pagar privilégios de gerações anteriores...; convém lembrar que hoje, enquanto cidadãos europeus, Londres, Paris ou Berlim ficam à distância de 2 horas.

Nas décadas de 60 e 70, “a cidade”, a capital, ficava para a maioria dos portugueses a 9 e 12 horas de distância. As visitas à família faziam-se uma a duas vezes por ano. Eu ainda apanhei esse tempo. De Lisboa a Marvão eram 8 ou 9 horas de viagem. Quando em Agosto de 1971, com 14 anos de idade tive que rumar à vida (para bulir, não para ir para qualquer “facoldade” manhosa), à grande urbe, só voltei pelo Natal, e depois em Agosto do ano seguinte.  

A todos aqueles que nas décadas de 60 e 70 do século passado (os nascidos nas décadas de 40 e 50), dedico esta música da minha vida:


“Fiz-me à cidade, toda aldeia estava em minha busca, procurando os sítios onde eu era o «rei», perto das silvas, junto à ribeira. Vêm as velhas a quem eu fazia os seus recados, e vêm os homens que nascem nas fábricas, e oiço dizer: - Não tenhas medo! Não tenhas medo.

E olho para trás e vejo estes dias tristes. Recordo Teresa e o primeiro beijo, perto das silvas junto à ribeira.

Aqui neste comboio, fujo da tristeza, fujo da miséria, já nada me impede, corro contra o vento, corro atrás do tempo, não pode haver pior, não quero mendigar: - Vou para a cidade, vou para cidade...

E adormeço, sonho com a cidade, a capital! Vejo uma mosca atrapalhada, e oiço dizer:

- Não tenhas medo! Não tenhas medo...”


terça-feira, 8 de outubro de 2013

Lembrar Saramago 15 anos depois...


Faz hoje precisamente 15 anos (1998), que foi atribuído o Prémio Nobel a José Saramago, único até hoje a um escritor de língua portuguesa. Lembrar Saramago e a sua obra, para quem a conhece, é um privilégio. E nada melhor que relembrar o seu discurso em Estocolmo por essa altura.

Esta primeira parte, que aqui publico, é um hino à humildade, mas também à sabedoria do homem evocado, seu avô. Simultaneamente, deveria ser lido pelos profetas da desgraça que campeiam por aí, quando declaram, nunca em Portugal se ter vivido tão mal como nos tempos actuais: simples ignorantes...       

“O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever. Às quatro da madrugada, quando a promessa de um novo dia ainda vinha em terras de França, levantava-se da enxerga e saía para o campo, levando ao pasto a meia dúzia de porcas de cuja fertilidade se alimentavam ele e a mulher. Viviam desta escassez os meus avós maternos, da pequena criação de porcos que, depois do desmame, eram vendidos aos vizinhos da aldeia. Azinhaga de seu nome, na província do Ribatejo.

Chamavam-se Jerónimo Melrinho e Josefa Caixinha esses avós, e eram analfabetos um e outro. No Inverno, quando o frio da noite apertava ao ponto de a água dos cântaros gelar dentro da casa, iam buscar às pocilgas os bácoros mais débeis e levavam-nos para a sua cama. Debaixo das mantas grosseiras, o calor dos humanos livrava os animaizinhos do enregelamento e salvava-os de uma morte certa. Ainda que fossem gente de bom carácter, não era por primores de alma compassiva que os dois velhos assim procediam: o que os preocupava, sem sentimentalismos nem retóricas, era proteger o seu ganha-pão, com a naturalidade de quem, para manter a vida, não aprendeu a pensar mais do que o indispensável.

Ajudei muitas vezes este meu avô Jerónimo nas suas andanças de pastor, cavei muitas vezes a terra do quintal anexo à casa e cortei lenha para o lume, muitas vezes, dando voltas e voltas à grande roda de ferro que accionava a bomba, fiz subir a água do poço comunitário e a transportei ao ombro, muitas vezes, às escondidas dos guardas das searas, fui com a minha avó, também pela madrugada, munidos de ancinho, panal e corda, a recolher nos restolhos a palha solta que depois haveria de servir para a cama do gado.

E algumas vezes, em noites quentes de Verão, depois da ceia, meu avô me disse: "José, hoje vamos dormir os dois debaixo da figueira". Havia outras duas figueiras, mas aquela, certamente por ser a maior, por ser a mais antiga, por ser a de sempre, era, para toda as pessoas da casa, a figueira. Mais ou menos por antonomásia, palavra erudita que só muitos anos depois viria a conhecer e a saber o que significava... No meio da paz nocturna, entre os ramos altos da árvore, uma estrela aparecia-me, e depois, lentamente, escondia-se por trás de uma folha, e, olhando eu noutra direcção, tal como um rio correndo em silêncio pelo céu côncavo, surgia a claridade opalescente da Via Láctea, o Caminho de Santiago, como ainda lhe chamávamos na aldeia.

Enquanto o sono não chegava, a noite povoava-se com as histórias e os casos que o meu avô ia contando: lendas, aparições, assombros, episódios singulares, mortes antigas, zaragatas de pau e pedra, palavras de antepassados, um incansável rumor de memórias que me mantinha desperto, ao mesmo tempo que suavemente me acalentava. Nunca pude saber se ele se calava quando se apercebia de que eu tinha adormecido, ou se continuava a falar para não deixar em meio a resposta à pergunta que invariavelmente lhe fazia nas pausas mais demoradas que ele calculadamente metia no relato: "E depois?". Talvez repetisse as histórias para si próprio, quer fosse para não as esquecer, quer fosse para as enriquecer com peripécias novas. Naquela idade minha e naquele tempo de nós todos, nem será preciso dizer que eu imaginava que o meu avô Jerónimo era senhor de toda a ciência do mundo.

Quando, à primeira luz da manhã, o canto dos pássaros me despertava, ele já não estava ali, tinha saído para o campo com os seus animais, deixando-me a dormir. Então levantava-me, dobrava a manta e, descalço (na aldeia andei sempre descalço até aos 14 anos), ainda com palhas agarradas ao cabelo, passava da parte cultivada do quintal para a outra onde se encontravam as pocilgas, ao lado da casa. Minha avó, já a pé antes do meu avô, punha-me na frente uma grande tigela de café com pedaços de pão e perguntava-me se tinha dormido bem. Se eu lhe contava algum mau sonho nascido das histórias do avô, ela sempre me tranquilizava: "Não faças caso, em sonhos não há firmeza". Pensava então que a minha avó, embora fosse também uma mulher muito sábia, não alcançava as alturas do meu avô, esse que, deitado debaixo da figueira, tendo ao lado o neto José, era capaz de pôr o universo em movimento apenas com duas palavras. Foi só muitos anos depois, quando o meu avô já se tinha ido deste mundo e eu era um homem feito, que vim a compreender que a avó, afinal, também acreditava em sonhos.

Outra coisa não poderia significar que, estando ela sentada, uma noite, à porta da sua pobre casa, onde então vivia sozinha, a olhar as estrelas maiores e menores por cima da sua cabeça, tivesse dito estas palavras: "O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer". Não disse medo de morrer, disse pena de morrer, como se a vida de pesado e contínuo trabalho que tinha sido a sua estivesse, naquele momento quase final, a receber a graça de uma suprema e derradeira despedida, a consolação da beleza revelada.

Estava sentada à porta de uma casa como não creio que tenha havido alguma outra no mundo porque nela viveu gente capaz de dormir com porcos como se fossem os seus próprias filhos, gente que tinha pena de ir-se da vida só porque o mundo era bonito, gente, e este foi o meu avô Jerónimo, pastor e contador de histórias, que, ao pressentir que a morte o vinha buscar, foi despedir-se das árvores do seu quintal, uma por uma, abraçando-se a elas e chorando porque sabia que não as tornaria a ver.

Muitos anos depois, escrevendo pela primeira vez sobre este meu avô Jerónimo e esta minha avó Josefa (faltou-me dizer que ela tinha sido, não dizer de quantos a conheceram quando rapariga, de uma formosura invulgar), tive consciência de que estava a transformar as pessoas comuns que eles haviam sido em personagens literárias e que essa era, provavelmente, a maneira de não os esquecer, desenhando e tornando a desenhar os seus rostos com o lápis sempre cambiante da recordação, colorindo e iluminando a monotonia de um quotidiano baço e sem horizontes, como quem vai recriando, por cima do instável mapa da memória, a irrealidade sobrenatural do país em que decidiu passar a viver...”

Quem quiser ler o resto pode fazê-lo aqui. 

Sandra Paz será a nova Presidente da Junta de Santa Maria de Marvão


Questão de eleição resolvida em Marvão:

De acordo com informações recentes, o Tribunal Constitucional, depois de analisar o recurso interposto pelo PS, sobre a decisão da Assembleia de Apuramento Geral (que contrariou a decisão da Assembleia de Apuramento Local – Mesa de Voto) de considerar “nulo” um voto que parecia inequivocamente ser para o PS; acabou por aceitar o recurso, e considerar o “Voto” válido.

Logo, quem ganhou as eleições para a Assembleia de Freguesia de Santa Maria, foi o Partido Socialista com 135 votos, contra 134 do PSD, tendo sido eleita para presidente Sandra Paz.

O voto da polémica:
  


Aqui reproduzo também, para memória futura e para casos idênticos, uma cópia do recurso do PS para o Tribunal Constitucional: 

 
“Excelentíssimo Senhor Presidente do Tribunal Constitucional

Partido Socialista, Partido Político, por intermédio do seu Mandatário para as eleições dos titulares dos órgãos das autarquias locais de 29 de Setembro de 2013 no Concelho de Marvão, Fernando José Machado Gomes, estando em tempo e por ter legitimidade, vem interpor recurso contencioso para o Tribunal Constitucional, ao abrigo do disposto no artigo 156° da Lei que regula a eleição dos titulares dos órgãos das autarquias locais, por não se conformar com a deliberação tomada pela Assembleia de Apuramento Geral do concelho de Marvão, o que faz nos termos e fundamentos seguintes:

QUESTÃO PRÉVIA
De acordo com o resultado aritmético obtido a partir da Assembleia de Apuramento Local de Santa Maria de Marvão (adiante designada por AALocal), o apuramento da votação para a Assembleia de Freguesia de Santa Maria de Marvão indicia que a lista candidata da CDU — Coligação Democrática Unitária obteve uma votação de 7 votos, que a lista candidata do PS — Partido Socialista obteve uma votação de 135 votos e que a lista candidata do PSD — Partido Social Democrata obteve uma votação de 134 votos.

Significa isto, pois, que a AALocal considerou que a votação expressa era a determinada pelos resultados supra, ainda que, sobre um voto, incidisse reclamação. De tal reclamação veio a Assembleia de Apuramento Geral (adiante designada por AAGeral) determinar da nulidade do voto sobre o qual a Reclamação incidia, o que implica um empate entre as listas candidatas do PS e do PSD.
Sob o ponto de vista do aqui Recorrente e muito respeitosamente, a deliberação da AAGeral carece de fundamento, o que, melhor, a seguir se evidenciará.

Assim,
OS FACTOS:

1° O Voto em causa (que se anexa) foi considerado válido pela AALocal, tendo os elementos da mesa votado 4 contra 1. Assim a lista do PS à Assembleia de Freguesia de Santa Maria de Marvão teve 135 votos e a do PSD 134;

2° A acta de apuramento local (que se anexa) determina a vitória do PS à Assembleia de Freguesia;

3° Na AAGeral, o Juiz que presidiu à sessão abriu os envelopes em causa e fez passar o voto, sobre o qual incidia a reclamação por todos os presentes, pedindo para que cada um se pronunciasse sobre a validade do mesmo;

4º Dos presidentes das mesas, presentes na AAGeral, só um considerou o voto nulo, todos os demais consideraram o voto válido;

5° Dos restantes cidadãos presentes na AAGeral, o jurista designado pelo presidente da AAGeral e o Professor designado pelo Agrupamento de Escolas de Marvão, José Grácio, pronunciaram-se pela nulidade do voto, enquanto a Professora designada pelo Agrupamento de Escolas de Marvão, Carla Cordeiro, defende a validade do voto;

6° Perante um cenário em que quatro membros da AAGeral votam pela validade do voto, enquanto três votam pela sua nulidade, o presidente da AAGeral vota pela nulidade do voto, o que constituiu o empate, expresso na acta;

7° Contudo, é o próprio presidente que considera que “existe uma declaração que assinala inequivocamente a vontade do eleitor em votar no Partido Socialista”;

8° Porém, é também o presidente que diz que “existe um traço” no Boletim de voto que pode “suscitar dúvidas”;

9° Desta forma considerou o voto nulo e determinou a respectiva marcação de eleições;

10° Ora vejamos, para um voto ser considerado nulo, o mesmo deverá apresentar CORTE - acto ou efeito de cortar -, DESENHO - reprodução (de objectos) por meio de linhas e sombras -, RASURA - Supressão de letras, de palavras ou de texto por meio de risco ou de raspagem -, o que manifestamente não acontece, seja qual for a análise que se possa fazer do voto em questão;

11º No momento da votação o eleitor jamais quis invalidar o boletim de voto e só com uma interpretação em sentido demasiadamente amplo ou lato, se poderia afirmar que aquele risco/traço que se encontra no boletim, se trata de um símbolo ou sinal intencional;

12° Para mais, se se observar que a cruz feita, indicativa da clara intenção de voto, pode ver-se que está um pouco tremida, facto que leva a crer que poderá ser uma pessoa idosa ou doente que terá dificuldades no manuseamento da esferográfica e que a mesma pode, após a cruz feita, ter resvalado;

DO DIREITO:
Conjugando a análise ao boletim de voto em concreto com a letra e espírito da Lei não parece existir qualquer duvida que o eleitor de forma inequívoca expressou a sua vontade em votar no Partido Socialista, sendo que o risco/traço é apenas um acto involuntário, que agora está a ganhar uma vida sem uma base de argumentação muito lógica e fora do sentido da própria Lei, já que nos termo do n.°2 do art. 133.° da LEOAL, se diz que “Não é considerado voto nulo o do boletim de voto no qual a cruz, embora não sendo perfeitamente desenhada ou excedendo os limites do quadrado, assinale inequivocamente a vontade do eleitor. FACTO QUE SE OBSERVA.

E ainda que, na alínea d) n.°1 do mesmo artigo, apenas se refere que “corte, desenho ou rasura” constituem facto passível de anulação do voto, o que MANIFESTAMENTE NÃO SE OBSERVA.

É, também, com a própria declaração constante da acta, proferida pelo Juiz de Direito que presidiu à AAGeral, onde é dito que “existe uma declaração que assinala inequivocamente a vontade do eleitor em votar no Partido Socialista” e apenas se lhe opondo um “suscitar dúvidas” dado que “existe um traço”, que o ora recorrente vê a sua posição sustentada, por a uma “inequivocamente a vontade”, apenas se lhe opor um “suscitar dúvidas”.

Nestes termos e nos melhores do direito, que V. Ex.as doutamente suprirão, deve ser dado provimento ao presente recurso declarando a validade do voto expresso.

Assim se fará a devida e costumada JUSTIÇA!

Junta: 5 documentos, duplicados legais. O Mandatário: Fernando Gomes (Assinatura)”


Também para memória futura, aqui fica um Excerto final do Acórdão nº 642/2013 do Tribunal Constitucional, sobre o recurso supra:

 "Não se afigura que o boletim de voto ora em apreciação padeça, em razão do traço/risco nele aposto, de vício que, nos termos da lei, possa objectivamente comprometer os valores cuja tutela se pretendeu garantir com o regime legal vigente, em matéria de manifestação do voto e sua validade.

Com efeito, parece claro que o traço/risco constante do boletim de voto invalidado pela assembleia de apuramento geral, como aliás reconhecido pelo seu presidente, não é de molde a lançar qualquer dúvida sobre a opção de voto evidenciada pela nítida e incontroversa aposição de uma cruz no quadrado correspondente ao Partido Socialista. Além de que tudo indicia que aposição do traço/risco resultou de um gesto involuntário, o certo é que, quer pela sua localização (exterior a qualquer dos restantes quadrados, ainda que no final da linha correspondente ao PSD e próxima do respetivo quadrado), quer pelas suas características manifestamente inexpressivas, não só não compromete objetivamente a interpretação da vontade eleitoral do votante — que, no descrito contexto, se revela unívoca — como se mostra incapaz de identificar, seja sob que perspetiva for, a identidade do eleitor votante (cf., apreciando caso substancialmente idêntico, Acórdão a° 530/09).

O risco/traço constante do boletim de voto ora em apreciação não configura, pois, pelas descritas razões — que, no essencial, assentam numa ideia de adequação e proporcionalidade a que o regime em causa, ainda que de legalidade estrita, não pode ser alheio — corte, desenho ou rasura determinante da anulação do voto nele contido, pelo que se impõe a procedência do recurso, com a consequente revogação da deliberação recorrida, sendo certo que também não constitui causa invalidante do voto, como é evidente, a circunstância de terem sido posteriormente apostas na frente do respetivo boletim, e não no verso, as rubricas a que alude o disposto no n.° 1 do artigo 137.° da LEOAI, como decorre dos autos.

Pelo exposto, o Tribunal Constitucional decide julgar procedente o recurso, revogando, em consequência, a deliberação recorrida."

domingo, 6 de outubro de 2013

As músicas da minha vida (1)

Dou hoje início a esta nova rubrica: - As músicas da minha vida. No fundo, foi sempre o que eu tentei transmitir em: do baú, épicos da música portuguesa, ou novidades da música portuguesa. Na essência, o que eu queria dar a conhecer era os meus gostos musicais, por isso, parece-me este título mais apropriado e mais abrangente.

Até agora tenho praticamente privilegiado a música portuguesa, por ser esta a nossa língua e ser aqui que eu nasci, tal irá continuar, maioritariamente. No entanto, uma vez por outra, este título permitir-me-á uma outra incursão em músicas de outros países, e cantadas noutra línguas.

Questionam-me alguns porque escrevo em prosa, aquilo que é poesia? A principal resposta é porque me parece, ser através da prosa, que melhor podemos apreciar o sentido das palavras; e depois, nos tempos que correm, a poesia não faz muito sentido. Em minha opinião, claro.

Para início escolhi uma das canções dos Delfins, e uma das que acho que mais condiz com a minha personalidade: - A marcha dos desalinhados. Apresentando, simultaneamente, a versão soberba dos Resistência ao vivo.           

“Eu não quero estar parado, fico velho. Vou marchar até ao fim, isolado. Nesta marcha solitária dou o corpo ao avançar, neste campo aberto ao céu.

Ninguém sabe para onde eu vou, ninguém manda em quem eu sou! Sem cor, nem deus, nem fado: eu estou desalinhado.

Por tudo o que eu lutei, ser sincero? Por tanto que arrisquei, ainda espero! Esta marcha imaginária, quantas baixas vai deixar, neste sonho desperto...”








sexta-feira, 4 de outubro de 2013

A jesus (o do benfica): senhor tou farto, senhor tou farto...

 ... e do vieira? Meu deus, Fartíssimo!



Repetir, até que nos oiça....



E já agora, como homenagem ao grande Solnado, aqui fica rábula completa. Saudades de programas com este Zip, Zip



Novidades da música portuguesa (2)


(Texto de Valter Hugo mãe, pontuação minha)

“.... o bandido solitário tem no crime o coração, trás do roubo o seu salário, paga caro a paixão. o bandido solitário tem uma bala no canhão, vai mete-la no diabo, já deitado no caixão.

o bandido solitário tem a fúria de um cão, e anda às voltas pelas ruas, com a alma pela mão. o bandido solitário só faz falta para f****, escolhe sempre as mais feias, gosta de beijar sem ver.

a mulher que o quiser tem que ouvir esta canção. e a mulher que o quiser: farto peito grande língua anos de bailado e, natação...

foi um dia apanhado a roubar uma espanhola, ficou todo admirado, e tiraram-lhe a pistola. e a pistola era tola, só servia para espirrar, carregando numa mola, não servia para matar!

a mulher que o quiser tem de ir para a prisão, e a mulher que o quiser: farto peito grande língua anos de bailado e, natação...”


quinta-feira, 3 de outubro de 2013

E se empatassem outra vez....


São as lógicas baratas dos empates, dos empatas.... (diz o Paião)

A zero, a zero, a zero, vai o jogo começar, já se sente o desespero, precisamos de empatar! Azeda, azeda, azeda, a derrota é de amargar. “Zero a zero” é labareda, não perdemos sem ganhar!

 A zero a zero, grão a grão, de nada em nada, vais erguendo a barricada que há um zero a defender: E são ferrolhos, tira-olhos, tira-teimas, correrias, saltos queimas, quem mas dera perceber. Há zero ao meio, zero ao lado, acima abaixo, jogo branco o berbicacho, zig-zag e volta atrás. Há um vazio revirando, regelando, passa tempo, jogo brando, vezes zero, tanto faz.

Há zero a zero, há cem a cem, com zero a zero, vai tudo bem!

Depois, depois, depois, vai dar muito que falar, nulidades ou heróis, todos têm que zelar. A Zero, a zero, a zero, há-de o jogo terminar, p´ra dizer sem exagero: - Foi a zero, não há azar!

 A zero a zero vou partindo, do ponto zero, já não espero e acelero, quem se queda também cai. A zero à hora vou de roda e, recupero, quero dar a volta ao zero, para ver aonde vai. Com dois acordes faço a zero apologias, muitos zeros é mania, zero a zero é pequenez. Duas batatas são as lógicas baratas dos empates, dos empatas. Empatamos outra vez (tinha piada)!




O mundo dos outros...


Com as minhas desculpas ao Hermínio Felizardo, tenho que partilhar este seu "cartoon", que também pode ser visto aqui. Muito bom!

Obrigado Hermínio, por me fazeres sorrir...



(Clicar em cima da imagem para ver melhor)

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

O “Voto da Polémica” na freguesia de Santa Maria de Marvão


Breve explicação do sucedido:

Nesta freguesia, após apuramento pela Mesa Eleitoral, verificou-se existir um empate (134 votos) entre o PS e o PSD. Após recontagem, um dos votos considerado "nulo", foi aceite como válido pela Mesa, e contabilizado para o PS, o que lhe daria a vitória. O PSD apresentou protesto, considerando que o “voto era nulo”.


Ao vir aqui postar este tema: - “O voto da polémica”, faço-o apenas em nome da informação a todos aqueles que visitam este espaço. Não emitirei qualquer opinião, por agora. Mas tenho opinião. Se o não faço, é por respeito a todos os envolvidos. Aliás em 2001, também eu me vi envolvido numa polémica parecida em Santo António das Areias, ao protestar um voto que eu considerava “nulo” (pois tinha duas cruzes em partidos diferentes), mas que a Mesa Eleitoral, nessa altura, queria contabilizar para uma das forças concorrentes.

Nessa situação, a Assembleia de Apuramento Geral deu-me razão por unanimidade, tal era a evidência do meu protesto. A Assembleia (e o Juiz da altura) considerou não haver qualquer dúvida que a caneta que tinha feito uma “cruz”, tinha feito a outra (a tinta parecia ser a mesma e a qualidade do traço era idêntica). Na altura não tive a defesa de ninguém, nem daqueles que representava, nem a pedi. Perante acusações bacocas, dos do costume, a minha inocência, consciência, honestidade, e postura, pensei serem suficientes. E foram.
Não sei é se os acusadores terão ficado tão bem assim com a sua consciência!

Mas a consequência, na repetição eleitoral que se veio a realizar, foi esmagadora para a força política, que já se sabia então,ter ganho a Câmara Municipal. É assim, o povo, gosta que as suas freguesias joguem no clube da Câmara! Isto pode voltar a suceder, mas politicamente, ai, ai! E quem aceita uma vitória numa situação destas, deve ter muita vontade de poder.

Por agora, e para vossa informação, aqui fica uma cópia do Voto da Polémica (que é público), e a versão do Director de Campanha  do PS à Rádio Portalegre, sobre o sucedido. Cada um que julgue por si. 

A lei é a lei. E a ética? Isso é outra coisa...


(O dito cujo. O objecto do protesto é apenas o traço à direita do quadrado do PSD, as assinaturas no canto superior direito são posteriores e pertencentes aos escrutinadores)



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(Para ouvir carregar na seta)


Épicos da música portuguesa (14)


Se deixaste de ser minha, minha dor, não deixei de ser quem era, e tudo é novo, por morrer uma andorinha, sem amor, não acaba a primavera, diz o povo. Como vês não estou mudado, felizmente, e nem sequer descontente, ou derrotado, conservo o mesmo presente, do passado, e guardo o mesmo passado, bem presente.

Eu já estava habituado, a este fado, e a que não fosses sincera, em teu amor, por isso eu não fico à espera, dos amores, de uma ilusão que eu não tinha, e nem renovo, se deixaste de ser minha, minha dor, não deixei de ser quem era, e tudo é novo.

Vivo a vida como dantes, (por aí...) a cantar, não tenho menos nem mais do que já tinha, e os dias passam iguais, para não voltar, aos dias que vão distantes, de seres minha.

Horas, minutos, instantes, desta vida, seguem a ordem austera, com rigor, ninguém se agarre à quimera, sem valor, do que o destino encaminha, e não é novo, pois por morrer uma andorinha, sem amor, não acaba a primavera, diz o povo....




terça-feira, 1 de outubro de 2013

Isto anda a ter muita “audiência”....



A Retórica atingiu ontem o recorde de visualizações diárias: 220 visitantes num só dia!

E isto é 220 visitantes diferentes, pois o “contador da porta” está programado para registar só uma vez por dia cada visitante. Mesmo que o “mirone” lá vá 50 vezes/dia, só é registado uma vez. Acho que isto é demasiado para o que eu estou preparado, e põe-me responsabilidades acrescidas.

Isto demonstra ainda, que apesar de toda a desmotivação que por aí se fala e que se diz existir, as pessoas continuam curiosas e ávidas de alguma informação e opinião, e neste caso, sobretudo, quando os temas dizem respeito à sua terra, a minha terra: Marvão.

Sempre que abordo temas sobre Marvão, a campainha não pára de tocar. Ontem por exemplo, os mais procurados foram os temas sobre política local, assim divididos:

- 30 % dos visitantes  entraram para ler “Os cometas”
- 25% para lerem “Em Marvão mandam os que lá estão”
- 5% deram-se ao trabalho de ir ler o Post de Outubro de 2012 “Procura-se”   

E porque é que isto acontece? Porque no concelho de Marvão, a informação e o debate continuam ausentes: Jornal local não existe. Os sítios informáticos do município são uma vergonha, ou não funcionam ou estão desactualizados. Bibliotecas e salas de leitura nem vê-las. Debates? Ai retro Satanás. A Assembleia Municipal parece um funeral (desde eu de lá saí há 2 anos, os membros do partido maioritário ninguém abriu a boca para uma intervenção ou debate sobre qualquer tema, nem para se defenderem). As reuniões de Câmara são verdadeiras homilias do Presidente.

Restam os 15 dias das campanhas eleitorais, em que se desunham a dizer mal uns dos outros, sem apresentação de alternativas credíveis, como foi o caso da que agora terminou. Por isso os resultados são o que são.

Claro que a obscuridade e a ignorância interessam sempre a alguma gente. Falar claro, frontal e promover o debate de ideias e alternativas, tem preço. É melhor não falar, ou falar em surdina e pelas costas, ou debaixo de anonimato. Isto é típico de regimes totalitários e de cobardes.

Em democracia: - o poder do povo, não se pode, nem deve, esconder a informação. Esta é a base para o conhecimento, para o debate e escolha de alternativas. Ninguém pode decidir com base na ignorância, no que não conhece, e, devemos ter em conta a máxima “de que nem tudo o que parece é...”.

Por agora, deixo uma mensagem de agradecimento a toda esta gente que me visita neste meu cantinho. Por aqui irei continuar (enquanto não me cortarem o pio). A política faz-se todos os dias (não apenas quando cheira a cargos e a tachos), e não me coibirei de dar a minha opinião sobre o que se passa à minha volta, e sobretudo, sobre uma das minhas grandes paixões: - Marvão e os marvanenses.

Mas a política não me cega (também tenho outra paixões), antes pelo contrário, às vezes abre os olhinhos à gente, como diz o outro. Por isso aqui irei a postar tudo o que olho e vejo e, por vezes, tenho que reparar, que a vida é curta, e eu, já não vou para novo!

Entretanto, obrigado pela vossa visita.  

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Em Marvão? Mandam os que lá estão (e estavam...)


Estes são os resultados das eleições autárquicas de Marvão. O povo disse: Está dito...



(Clicar sobre a imagem para ver melhor)


Autarcas Eleitos:

- Câmara: 4 PSD + 1 PS

- Ass. Municipal: 10 PSD + 5 PS

- Freg. Beirã: 4 PSD + 3 PS

- Freg. SA das Areias: 5 PS + 4 PSD

- Freg. St.ª Maria: 4 PS + 3 PSD

- Freg. S. Salvador: 7 PSD + 2 PS

Os cometas....


“Cometa, é um corpo menor do sistema solar que quando se aproxima do Sol passa a exibir uma atmosfera difusa, denominada coma, e em alguns casos apresenta também uma cauda, ambas causadas pelos efeitos da radiação solar e dos ventos solares sobre o núcleo. Os núcleos dos cometas são compostos de gelo, poeira e pequenos fragmentos rochosos, variando em tamanho de algumas centenas de metros até dezenas de quilómetros.”

Na política também existem alguns destes “corpos menores”, andam por aí eclipsados durante 4 anos, às vezes toda uma vida. A maioria das vezes pescados fora da terra, sem que se lhes conheça qualquer actividade social (boa ou má), meninos bem comportados, e apresentados como "sem defeitos" (mas também sem qualquer qualidade conhecida para a vida pública), bons “chefes” da família tradicional; que de 4 em 4 anos são lançados pelos caciques locais, como meninos de coro, para convenceram a populaça de que serão seus dignos representantes, e tudo farão em seu prol (quando todos sabemos que o que eles querem é resolver as suas vidinhas e de seus amigalhaços).

Existe ainda outra coisa pouco bonita neste mundo da “astronomia política”. São aqueles “corpos” que umas vezes aparecem à direita, outras vezes à esquerda, outras ainda nos céus de ninguém, é assim como lhes dá jeito. Mas também aqui os resultados não são os melhores, e povo não aprecia.

Em Marvão, tem sido quase sempre assim. Os resultados têm sido quase sempre desastrosos, e mais uma vez não fugiram à regra.

Fazer POLÍTICA, não pode ser uma coisa ocasional, de meia dúzia de messes (ou menos) antes de eleições. O povo já não vai nessas lérias. Fazer POLÍTICA, tem que ser constante, conhecer o terreno que se pisa (contexto), apresentar alternativas (ser só boa pessoa e simpático não chega). E depois tem que se apresentar algumas credencias (currículo social), se possível com algumas provas dadas no passado e resultados obtidos.

Se alguma coisa as eleições de ontem mostrou, é que os Partidos políticos têm que reflectir muito bem sobre a sua prática de fazer política e de seleccionar candidatos. Escolher candidatos para administrar a vida pública, não é a mesma coisa que escolher uma “miss de beleza”, ou um concorrente de “big brother” da televisão chunga. Se não perceberem isto, e mudarem, será o povo a mudar-vos.

Ainda sobre Marvão, o que eu gostaria de ver a alguns desses “cometas”, era agora que as eleições para cargos em que se ganha dinheirinho acabaram, se apresentassem nas Associações do Concelho ou em causas públicas, que são muitas e precisam do vosso trabalho, mostrassem do que são capazes, e, que estão preocupados com a coisa pública. Parece que a próxima a precisar de gestores associativos é o Lar de São Salvador da Aramenha. Apareçam por lá e mostrem do que são capazes!

Mas olhem que aí o colaboração é gratuita, isto é, à borla....  

Leitura complementar: Ver o que escrevi aqui em Outubro de 2012, sobre escolhas manhosas

domingo, 29 de setembro de 2013

Épicos da música portuguesa (13)


Vou viver, até quando, eu, não sei. Que me importa o que serei, quero é viver!

Amanhã, espero sempre um amanhã, e acredito que será, mais um prazer!

E a vida é sempre uma curiosidade, que me desperta com a idade, interessa-me o que está para vir.

A vida em mim é sempre uma certeza, que nasce da minha riqueza, do meu prazer em:
- Descobrir, encontrar, renovar, vou fugir, ou repetir... 


domingo, 22 de setembro de 2013

O mundo dos outros....


Nem mais meu caro Rui Rocha, hoje no Delito de Opinião, eu assino por baixo. Leitura complementar aqui

“Só se perdiam as que caíssem no chão

Não quero parecer a Manuela Ferreira Leite, e nisso sinto-me acompanhado, pelo menos, por vários milhões de portuguesas, mas tenho para mim que a proposta de suspender a democracia pode, afinal de contas, vir a ter algum aproveitamento.

Não digo que se fizesse de forma abrangente que disso a Comissão Nacional de Eleições mais tarde ou mais cedo acabará por encarregar-se. O que tenho em mente é, sobretudo, a possibilidade de retomar práticas ancestrais, hoje proibidas por lei, bárbaras por certo, mas que trariam, devidamente aproveitadas e actualizadas, bem razoável proveito.

Veja-se o caso do duelo entretanto caído em desuso e erradicado das nossas práticas por determinação legal. Note-se que não pretendo aqui defender a solução pelas armas de questões correntes entre cidadãos comuns. Se o Lopes da Confeitaria vendeu sete bolos estragados ao Joca do stand de automóveis, eles que se lixem: discutem o tema durante sete anos em tribunal e logo se vê.

É essa a essência da democracia, do primado da lei, da proibição da justiça pelas próprias mãos e nisso não se deve mexer. Agora, se Rui Machete diz que cometeu uma mera imprecisão factual e Seguro afirma que ele mentiu, as coisas não podem ficar assim. Trata-se de assuntos de honra. De honra de políticos. De honra daqueles de entre nós que mais se distinguem. Dos que foram, serão ou querem ser eleitos e sim, é verdade que este último critério exclui o Fernando Seara de tudo quanto se dirá a seguir.

Ora, estando em causa a honra de tais filhos da nação, o esclarecimento integral de tão fundamentais questões não pode ficar dependente da agenda superlotada dos senhores magistrados ou da espinhosa distinção entre mentir, faltar à verdade e cometer uma incorrecção factual. É pois para os políticos e só para eles que proponho que se retome a utilização do duelo como forma expedita e eficaz de lhes lavar a honra. Machete e Seguro divergem sobre a qualificação adequada ao comportamento do primeiro? Pois marque-se uma hora, escolham-se padrinhos e resolva-se a questão.

Todavia, não se pense que se faz aqui a apologia da barbárie. Nada disso. Não está em causa a utilização de sabres ou pistolas. Se alguns defendem a interpretação da lei constitucional de acordo com as circunstâncias não serei eu a propor práticas desajustadas dos nossos tempos. 

Creio, na verdade, que se evitará qualquer excesso sanguinário se, em lugar de armas, for distribuído um gato morto a cada um dos participantes, estabelecendo-se que a vitória será obtida por aquele que, dando com o felino nas trombas do adversário, conseguir fazer o dito cujo gato miar.”

sábado, 21 de setembro de 2013

Novidades na música portuguesa (1)


Maryjoana (As 3 marias)

Maryjoana, na sua marquise, arrancava o pêlo e fazia a mise. Maryjoana, lá das fontainhas, era esteticista, pelinho não tinha. Namorava o toino, seu primo achegado, mas seu grande amor: era o nando do fado!

 Maryjoana, na sua marquise, arrancava o pêlo e fazia a mise... (bis).

E um dia qualquer, mágico destino, a mary passou, e o nando olhou. E com os olhos de ver, falou com o “bino”, e os apresentou: a mãe e o fino!

Oh Maryjoana, oh Maryjoana, onde te pus o dedo nunca te vi um pêlo! E desde que me assentei na tua marquesa, foram-se as dúvidas: ficou a certeza!

Maryjoana, na sua marquise, arrancava o pêlo e fazia a mise... (muitos bis, até fartar)


sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Rapidinhas mas boas (2)

No princípio desta semana, quando assistia ao desfilar de mais um “rosário de lamentações”, em que se transformaram os Telejornais televisivos, sobre o início do ano escolar, deparei-me com o seguinte “tesourinho” em directo, de uma senhora professora no dia de apresentação aos seus alunos, escrito no Quadro modernaço:

“ Eu sou (fulana de tal), a vossa professora de português. Ok...”

E eu, que não percebo um boi de línguas bárbaras, a pensar: I am João, your English teacher! Sim...”

Estas o Mário Nogueira não comenta, nem o Tó Zé....

Épicos da música portuguesa (12)


A noite passada acordei com o teu beijo, descias o Douro e eu fui esperar-te ao Tejo. Vinhas numa barca que não vi passar, corri pela margem até à beira do mar, até que te vi num castelo de areia, cantavas:
- Sou gaivota e fui sereia.
Ri-me de ti: 
- Então porque não voas? 
E então tu olhaste, depois sorriste, abriste a janela e voaste!

A noite passada fui passear no mar, a viola irmã cuidou de me arrastar. Chegado ao mar alto abriu-se em dois o mundo, olhei para baixo, ias lá no fundo, faltou-me o pé, senti que me afundava. Por entre as algas teu cabelo bailava, a lua cheia escureceu nas águas e, então falámos, e, então dissemos:
- Aqui vivemos muitos anos.

A noite passada o paredão ruiu, pela fresta aberta o meu peito fugiu. Estava do outro lado a tricotar janelas, vias-me em segredo ao debruçar-te nelas. Cheguei-me a ti, disse baixinho:
- Olá. Toquei-te no ombro e a marca ficou lá. O sol inteiro caiu entre os montes e então tu olhaste, depois sorriste, disseste: 
- Ainda bem que voltaste...