segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Recordar Carlos Paião...


25 anos depois: Quando se tem valor nunca se morre...




Eles são duas crianças a viver esperanças, a saber sorrir, ela tem cabelos louros, ele tem tesouros para repartir, numa outra brincadeira passam mesmo à beira, sempre sem falar, uns olhares envergonhados e são namorados sem ninguém pensar.

Foram juntos outro dia, como por magia, no autocarro, em pé, ele lá lhe disse, a medo: "O meu nome é Pedro e o teu qual é?" Ela corou um pouquinho e respondeu baixinho: "Sou a Cinderela".
Quando a noite o envolveu ele adormeceu e sonhou com ela...

Então, bate, bate coração, louco, louco de ilusão, a idade assim não tem valor.
Crescer, vai dar tempo p'ra aprender, vai dar jeito p'ra viver: O teu primeiro amor.

Cinderela das histórias, a avivar memórias, a deixar mistério, já o fez andar na lua, no meio da rua e a chover a sério, ela, quando lá o viu, encharcado e frio, quase o abraçou, com a cara assim molhada, ninguém deu por nada, ele até chorou...


E agora, nos recreios, dão os seus passeios, fazem muitos planos, e dividem a merenda, tal como uma prenda que se dá nos anos e, num desses bons momentos, houve sentimentos a falar por si, ele pegou na mão dela:
"Sabes Cinderela, eu gosto de ti..."



sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Coisas giras vistas por aí (6)

Hoje deu-me para aqui...



(Ver ecrã inteiro)

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

“Madrugada Suja”...

Não lia um livro numa semana desde os meus 20 anos, quando por essa época, há luz de um candeeiro a petróleo, e após um acidente de motorizada que me partiu um pé, devorei o Mandingo de Kyle Onstott. O Mandingo era uma história passada nos States, tratava da escravatura dos pretos nessas paragens, numa plantação do Alabama, onde o “avantajado” escravo Ganimedes acaba cozido e assado (qual joão ratão) num panelão, após ter ele mesmo “comido” a filha branca do patrão. Um argumento perfeito para apaixonar um jovem, então de esquerda, e o acicatar na sua raiva aos americanos imperialistas.

Pois por estes dias, bati esse recorde, ao ler a “Madrugada Suja” de Miguel Sousa Tavares (MST): apenas 4 dias.

Quando me emprestou o livro, logo o amigo Fernando Bonito me avisou, que se tratava de um argumento que, quando o iniciasse, não conseguiria mais parar! Duvidei, sobretudo, devido a uma preguiça crónica que me vem acompanhando ultimamente.

Já havia lido do MST o livro, possivelmente, mais lido em Portugal nos últimos anos - O Equador, que apesar de ser uma intriga bem montada, com um enquadramento histórico que me aliciou, e de ter ficado uns tempos a remoer as traições aí relatadas, só me voltei a lembrar dele quando a TVI apresentou a série correspondente, mas aí, muito mais focado na belíssima banda sonora de Rodrigo Leão, e nas belas fotografias exibidas: quer as paisagísticas, quer as humanas!

Para um leitor apaixonado por Saramago, Lobo Antunes, ou José Cardoso Pires, ler Miguel Sousa Tavares, em termos literários é assim como quem passa da música clássica ou do “jaaz”, para a chamada música pimba, ou um confronto Camilo/Eça do século XIX. No entanto, cuidado, isso apenas no que toca a uma análise literária. Porque no resto, em termos de criatividade, de enredo, de intriga real, de traições, e de actualidade, o Miguel é um “mestre”.

Neste livro ele pega na vida de várias personagens (possivelmente reais) que atravessaram o século XX até aos nossos dias, as suas vivências e visões diferentes do tempo e do espaço onde vivem (o campo e a cidade, o urbano e o rústico, o interior e o litoral), a simplicidade com que as descreve (sobretudo as femininas, sem ser ter medo de ser acusado de machista, pois não parece sê-lo), a forma sucinta, clara e global como descreve os acontecimentos sociais e políticos de quase um século; e como tudo isto conflui para um problema que ele quer denunciar, com grande actualidade nos nossos dias: as chantagens do poder,  a corrupção, e a política num regime que se diz democrático.

Miguel Sousa Tavares é daquelas personalidades que, ou se gosta ou se odeia (como eu me revejo nele). Quem ouve os seus comentários nos meios de comunicação, parece arrogante, vaidoso,  distante, e agressivo; mas no fundo eu acho que ele é um homem simples e sensível, mas com uma opinião própria e independente. Não é habitualmente um troca-tintas, como a maioria dos seus congéneres comentadores televisivos, que estão ali apenas para dizerem o que os espectadores querem que se diga: num dia são brancos no dia seguinte são pretos; mas o que eles são, efectivamente, é cinzentos, ou pior, "cinzentões"; verdadeiros cata-ventos para agradarem aos seus mandantes e ganharem a vida à custa da ingenuidade alheia. MST não, o que é branco é branco, se for preto não trata por “negro”.

Claro que há quem não goste: é muito agressivo! Ai credo, satanás. Mas quem quiser conhecer MST, ou terá de ser pessoalmente, ou nos seus livros onde ele se mostra. E em “Madrugada Suja”, MST dá forma aos seus heróis: os humildes e os corajosos, e descreve de uma forma simples mas real, muito do que arruinou Portugal nos últimos 40 anos.

Para quem como eu, teve oportunidade de viver alguns acontecimentos idênticos aos do livro: mentiras, traições, chantagens, sacanices, vitórias dos poderes ocultos sobre a razão, não pude deixar de apreciar esta obra. Quase sempre emocionado e com lágrimas nos olhos, que frequentemente, me fizeram interromper a leitura (a coisa às vezes é dura, mas muito real) senão, o recorde de tempo da leitura ainda seria maior.

Como eu gostava de ter sido Tomás da Burra: o homem íntegro que nunca saiu de Medronhais, o homem que nunca viu o mar, que criava, falava e amava as suas plantas e os seus animais apenas para se servir deles, quando deles precisasse, que criou o seu neto como de filho se tratasse, mesmo que o não fosse; como eu admirei a coragem da avó Filomena: mulher sem saber ler ou escrever, mas uma verdadeira sábia no que toca às relações humanas e a arte de saber calar, uma mulher coragem; como eu gostava de ser o Filipe: o Arquitecto criado no campo, que não cedeu a chantagens e teve a coragem de enfrentar o “poder” e a corrupção (nem que os chantagistas fossem os poderosos, e um dos corruptos fosse o seu próprio pai biológico); como eu apreciei Eva (ou a Procuradora Maria Rodrigues): que poderia ter perdido tudo numa noite de simples bebedeira de adolescente, mas que lutou durante 5 anos agarrada a numa cadeira de rodas e, quando podia ter cedido à facilidade de se vingar de um dos seus possíveis “violadores”, aceitou os seus instintos de “mulher”, e chegou à verdade.

Mas, o que eu gostava Miguel: era de escrever como tu, mesmo que literatura não fosse! Escrever a “minha” história, e denunciar publicamente a patranha que também um dia me armaram, e que até hoje carrego como algo mal resolvido. Pelo menos nomes das personagens já não me faltam: o Zé Morcego, a Genoveva (a bruxa gorda), a Dona Maria Quixote (a bruxa má), o dr. Camponês, a São Imaculada, o Manuel dos Canchos, O Zé Almirante de Meia-Nau, as Irmãs Tramelita e Catatua, o Chico Regedor, o Frei Macacos, o Maioral das Cortiças, etc., etc. Quem sabe, talvez um dia....

Vou agora reler com mais calma. Talvez para apreciar melhor a escrita e alguns pormenores, que volto a referir, sem ser uma grande obra literária (na minha modesta opinião), quem gostar de ler, não perca: “Madrugada Suja”.

Obrigado ao Miguel....       

Coisas giras vistas por aí (5)

Preparem-mo-nos Benfiquistas: esta será a imagem de marca 2013/2014.



Foto de Luísa Bugalhão

terça-feira, 20 de agosto de 2013

"Quando o burro cai é que se lhe deve dar as pancadas..."

Ter razão antes do tempo, às vezes é uma chatice! Um Poder que não aproveita essas pessoas é parvoíce...

"Livre não sou, que nem a própria vida mo consente. Mas a minha aguerrida teimosia é quebrar dia a dia um grilhão da corrente.

Livre não sou, mas quero a liberdade!. Trago-a dentro de mim como um destino. E vão lá desdizer o sonho do menino que se afogou, e flutua entre nenúfares de serenidade, depois de ter a lua!"


(Miguel Torga)



Nota explicativa: Espero, com este artigo, não estar a participar ou influenciar as actuais eleições autárquicas em Marvão. Não quero participar, não me revejo em qualquer das candidaturas, estou fora, e fora quero continuar. Se escrevo este artigo agora, não fui eu que escolhi o tempo, a escolha foi do actual executivo ao enviar-me uma – Nota de Impressa sobre a decisão da venda de Lotes em SA das Areias, 8 dias antes do próximo acto eleitoral de 29 de Setembro! Por isso, é agora o tempo. 

Há cerca de 15 anos atrás embarquei (ou abracei) num Projecto político local no meu concelho. Fi-lo por paixão e convencido, que através da minha participação, poderia contribuir para a melhoria das condições de vida no meu concelho, comunidade em que me encontrava integrado.

Durante mais de 10 anos em que estive envolvido nesse Projecto, procurei dar o melhor de mim mesmo, quer dentro da estrutura partidária em que me encontrava (o PSD), quer nos cargos para que fui eleito, influenciando com os meus conhecimentos e experiências de vida, aquilo que me parecia ser o melhor para Marvão. Nunca ambicionei, nem exigi, e muito menos me pus a jeito, para tirar daí qualquer dividendo pessoal, familiar ou outro, e como mostra a história, isso aconteceu: tal como entrei assim saí, ou seja pelo meu pé e de mãos vazias.

Deixei todos os cargos há cerca de 2 anos, em rotura de base com algumas das decisões políticas de então, dos órgãos executivos desse Projecto: Concelhia de Marvão do PSD; e executivo da Câmara Municipal liderada por Vítor Frutuoso. As razões podem ser relembradas aqui. Mas, resumidamente, foram as seguintes:

1 - Desacordo com o endividamento da CM de Marvão: Tinha-se herdado em 2005 uma dívida de 650 mil euros, eu próprio já tinha votado aumentos até 1,8 milhões; e naquela altura o executivo queria pedir mais cerca de 800 mil euros, que totalizaria cerca de 2,5 milhões. Votei contra, tendo sido o único na bancada do PSD.        

2 – Desacordo total com a política de habitação do executivo, e o projecto de construção de 70 fogos para Habitação Social, que honoraria, com custos insuportáveis, o município nos próximos 70 anos, através de um Projecto tipo “parceria público privado”, cujo único objectivo era satisfazer clientelas e “caça ao voto”; já que todos os dados demonstravam que a habitação não era um problema no concelho (existem 2 apartamentos por família segundo os censos 2011), e esse tipo de projectos já se advinham que seriam a ruína do país, e no caso concreto para o concelho de Marvão. Propus na altura, que se vendessem os Lotes à iniciativa privada, a custos controlados e com regras para se combater a especulação que existia em Marvão, e que esses Lotes servissem o objectivo da sua aquisição. Fui derrotado.

3 – Discordava da venda de Património, nomeadamente da Propriedade da Coutada (terrenos subjacentes à vila de Marvão), cujas verbas daí resultantes em nada resolveriam os problemas financeiros de Marvão, e estava-se a hipotecar Património para fins pouco claros. O que fariam os compradores com esses terrenos? Até hoje não há respostas.

4 – Estava contra a manutenção de um Presidente da Assembleia Municipal (autoridade máxima de representação dos marvanenses), mas que estava sempre ausente, inclusive na presidência das ditas, onde apenas tinha estado presente em metade (6/12) situação nunca vista em Marvão. E ele próprio se tinha manifestado como um obstáculo à construção de uma infra-estrutura essencial ao bem-estar e saúde pública dos marvanenses (alegando danos pessoais): a célebre ETAR da Beirã, prometida por todos os executivos há mais de 30 anos, prometida pelo actual executivo desde 2005, e nunca construída. Marvão, com amigos como este, nem precisa de inimigos.       

Existiram ainda outras razões, mas só estas, já me parecem suficientes e elucidativas, para as seguintes conclusões ao fim de dois anos, a saber:

1 – Desde essa data o executivo não contraiu mais nenhum empréstimo. Em Dezembro de 2012 a sua dívida aos bancos era apenas de 1,4 milhões de euros; e tem actualmente em Caixa quase 3 milhões de euros (e já tinha na altura mais de 1,5 milhões). Alguém me explica os pedidos de Empréstimos em Junho de 2011?

2 - O Projecto de construção dos 70 Fogos para Habitação Social (um dos grandes projectos ancora para desenvolvimento do concelho de Marvão, na voz de Vítor Frutuoso) revelou-se um verdadeiro fiasco. Quando chegou ao Tribunal de Contas (e tal como eu havia alvitrado e previsto) mandou-os bugiar, foi por água abaixo. Hoje, ou seja no próximo dia 18 de Setembro, Vítor Frutuoso e a sua fabulosa equipa, preparam-se para vender, em Hasta Pública, a privados, 9 Lotes em SA das Areias, tal como eu já lhe tinha sugerido há mais de 3 anos! Espero que faça o mesmo na Beirã e em SS da Aramenha. Espero ainda, que os prejuízos (diferença entre custos e receitas) para o município e para os contribuintes não sejam grandes, e que alguém desafie o executivo a apresentar essas contas, e a reflectir futuramente em negócios idênticos!

3 – A venda urgente da propriedade da Coutada, até hoje, não se efectuou, e bem. E espero que assim continue. As verbas da sua alienação não aquecem nem arrefecem a vida do município, e a sua manutenção, é algo que orgulhará os vindouros, e quem sabe um dia seja precisa.

4 – Quanto ao máximo representante dos Marvanenses, o Presidente da AM? É caso para dizer: tudo como dantes. O respeito que tem pelas pessoas que o elegeram é Zero, continua a faltar, ou usa de hipocrisia como foi o caso da sua intervenção pública em 25 de Abril de 2013. Data tal, que afirmou em plena Assembleia, nunca festejar, por se considerar, mais uma vez, prejudicado pessoalmente pelo regime implantado aí. Só que continua a presidir a um dos Órgãos nascidos com essa mesma data.

Entretanto, e segundo notícias que me chegaram, esse senhor, e mais uma vez, nem na Apresentação da actual Candidatura às próximas eleições, de que é “cabeça de lista”, esteve presente! Coerências de gente séria!
   
Precisava deste desabafo....

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

O Descalabro das Contas Públicas (2)

Não estou a desculpar o presente, estou a analisar o passado. Quando chegar a vez destes, fá-lo-ei com os mesmos olhos, se a tanto me ajudar o engenho e a pouca arte...

Tal como prometi, venho hoje publicar mais um Post sobre o título a que denominei “Descalabro das Contas Públicas”. Esse descalabro vem acontecendo desde o início do actual regime que se iniciou em 1974, mas teve o seu auge nos últimos 20 anos. De grosso modo, durante esse período, as Despesa Públicas Correntes quase triplicaram; enquanto as respectivas Receitas que as suportaram, pouco mais que duplicaram. Devemos ter em conta que estamos a usar como unidade de medida os “milhares de milhões de euros”.

Como foi possível então, o País, suportar essa situação?

Estou farto de aqui dizer que foi com recurso ao pedido de empréstimos. A Dívida Pública, só entre 2005-2011 (consulado Sócrates) aumentou de 60 para 120% do PIB. Isto é, um aumento para o dobro. Em valor absoluto, a dívida aumentou cerca 100 000 milhões de euros em apenas 7 anos. Foi essa a política financeira dos governos socialistas socráticos: pedir emprestado, que alguém há-de pagar, ou ainda, quem vier atrás que feche a porta!

No Gráfico 1 podemos verificar que, as Despesas Correntes do Estado vieram sempre a subir desde 1995 até ao ano de 2010. Durante esse período, não se verificaram quaisquer diferenças significativas, apesar de 4 Primeiros-ministros diferentes (Guterres, Barroso, Santana e Sócrates); Podemos dizer, que esse aumento foi constante (em valores absolutos, mais de 3 mil milhões de euros todos os anos). Em 2010 estas Despesas eram “2 vezes meia” superiores ao que eram em 1995.

 Gráfico 1 – Evolução das Despesas Públicas Correntes entre 1995 - 2012
 (Clicar sobre a imagem para ver melhor)


Podemos ainda verificar no Gráfico 1, que a partir de 2011, e pela 1ª vez na história da Democracia portuguesa, as Despesas Correntes do Estado diminuíram. Em 2011 baixaram cerca de mil milhões de euros em relação a 2010; e em 2012, apesar de toda a propaganda que as despesas não param de subir, a Despesa desceu em relação a 2010 cerca de 4,3 mil milhões de euros.   

Em contrapartida as Receitas Fiscais do Estado (Impostos e Segurança Social) caíram drasticamente nos últimos dois anos. Mesmo antes, nunca deram para cobrir as Despesas, nem pouco mais ou menos. De acordo com as minhas contas, o deficit acumulado entre 1995 – 2012 totalizou cerca de 172,2 mil milhões de euros. Tal como já tinha afirmado no Post anterior, o “deficit médio anual” foi cerca de 10 mil milhões de euros.

Como se pode verificar no Gráfico 2, as coisas até não andaram muito desequilibradas até ao ano 2000, com deficits entre os 3 e os 5 mil milhões de euros, que poderiam ser compensados com alguma venda de Património (receitas extraordinárias); mas a partir daí, com a entrada no “Euro”, os nossos governantes entraram na “loucura total”, com deficits que chegaram aos cerca de 20 mil milhões de euros (2009 e 2010). Só o consulado socrático, em 6 anos (2005-2010), foi responsável por 80 mil milhões de euros (50% do deficit acumulado em 18 anos); e comparando com o seu camarada Guterres, este não chegou aos 40 mil milhões nos 8 anos do seu consulado (1995 – 2002).

Ah ganda socas, com mais umas fatiotas azules e umas gravatitas vermelhas ainda te veremos na presidência da república, porque o país estar-te-á grato eternamente por tão ganda obra!!!!    


Gráfico 2 – 20 anos de Deficits nas Contas Correntes em Portugal
(Clicar sobre a imagem para ver melhor)

Há quem diga que este foi o preço para comprarem os nossos votos (2009); mas as PPP´s, swaps, os juros, BPN, BPP, Banif, e coisas que tais, também terão levado a sua parte.

E que me desculpem todos os “papagaios do regime”, mas isto não foi culpa de conjuntura externa, isto é incompetência, ou algo mais! Claro que, “com dinheiro alheio é fácil fazer flores”, sobretudo, se não existir intenção de o pagar. Toda esta gente responsável por este descalabro, deveria sentar o “cu” no banco dos réus de um tribunal sério. Mas sobre isto, o Tribunal Constitucional disse até hoje “nestun”; se é que eles, não deveriam também passar de julgadores a julgados. E os portugueses deveriam olhar para isto, analisar, e assumir a co-responsabilidade política, por terem dado o voto a esta gente.

No fundo, os grandes responsáveis somos todos nós, porque não passamos de democratas da treta, só sabemos dar uns berros em manifestações, e no fundo o nosso exercício de controlo democrático é ZERO. E assim, qualquer burro com olhos, desde que diga que é “doctor ou engenhêro”, nos come as papas na cabeça.    

Afinal os “swaps” nunca existiram....


«Teixeira dos Santos disse não aos "swap" depois de parecer do IGCP».

De acordo com esta notícia, e depois de uma informação destas, feita em Agosto de 2005, pelo então presidente do IGCP (Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública), Franquelim Alves:

“a contratação destas operações violaria os princípios de gestão de dívida pública estabelecidos.” Acrescentando ainda que “os ganhos de curto prazo (incertos) significariam onerar anos futuros com custos acrescidos e riscos de dimensão desconhecida, violando o princípio do equilíbrio intemporal das responsabilidades financeiras do Estado”;

Temos de concluir que: ou os “swaps” nunca existiram, ou, todos aqueles que estavam hierarquicamente acima de Franquelim Alves, e em seguida autorizaram o seu negócio, terão de ser responsabilizados, e devia ser, criminalmente.

Os possíveis responsáveis máximos só podem ser os seguintes:

A - Bagão Félix/Santana e Barroso (se foram adquiridos antes de 2005);
B - Teixeira dos Santos/Sócrates (se a aquisição se fez entre 2005 – 2011)
C - Vítor Gaspar/Coelho (se aquisição se fez depois de 2011

E a resposta correcta é?...


Isto até parece uma brincadeira de putos com menos de 8 anos...

terça-feira, 6 de agosto de 2013

O descalabro das Contas Públicas (1)

(Procedi a alguma correcção de dados, mas o fundamental pouco se altera) 

Não é apenas mais um texto! É a realidade...

Discute-se por estes dias com grande intensidade, alguma paixão, mas pouca informação séria e credível, o corte dos célebres 4,7 mil milhões de euros, nas Despesas Públicas Correntes. Mas será que chega? Portugal tem que programar as suas Despesas Correntes, tendo em conta as suas Receitas Fiscais, e estas nunca ultrapassaram os 60 mil milhões de euros/ano; logo, andar a gastar cerca de 80 mil milhões, não me parece lá muito possível. Para mim as coisas são bem claras, mas o Tó Zé Seguro e a sua corte, acham que não.

O meu objectivo ao abordar este tema, é dar a conhecer aos meus amigos, de uma forma simplificada, a minha versão sobre a situação, com base em dados credíveis colhidos na plataforma “Pordata” e no INE. A análise e leitura dos ditos será de cada um dos meus leitores. Aceito a discussão, aceito outros pontos de vista, mas não aceito desviar-mo-nos desta realidade, perdidos em discussões estéreis sobre os quês e os porquês, sobre quem serão os mais responsáveis, sobre se a culpa é de A ou é de B. A realidade é esta. Aqui chegámos. E agora teremos que ter uma solução, e, não vale a pena andarmos a por o “cuzinho” de fora, porque isto vai custar a todos, ou, a quase todos.

Hoje não há dúvidas, que Portugal (não disse os portugueses) nos últimos 40 anos andou a viver acima do que produziu. E nos últimos 20 anos foi um verdadeiro descalabro. Os governos (ou desgovernos), durante esse período foram, 16 anos da responsabilidade do PS (80% do tempo), e 4 anos do PSD/PP (20% do tempo). Mas fomos nós que votámos neles, e mesmo aqueles que não votam são corresponsáveis por esta situação. 

Todos os anos foram desequilibrados entre as Receitas e Despesas, numa média deficitária anual a rondar os 10 mil milhões de euros/ano. Mas os governos "socialistas" de Sócrates foram verdadeiras catástrofes. Em tempos de “vacas gordas”, chegaram a atingir deficits nas Contas Correntes a rondar os 20 mil milhões de euros (2009 e 2010).

As razões porque o fizeram são várias, e de acordo com a perspectiva de cada um. Mas não há dúvidas que o país tem vivido com aquilo que não tem, há custa de empréstimos constantes e cada vez maiores. A dívida pública (a de todos nós enquanto portugueses), passou de cerca de 90 mil milhões de euros em 2005, para cerca de 200 milhões na actualidade, e só os juros atingirão este ano perto dos 7,5 mil milhões de euros (Uma taxa a rondar os 4%), quando ainda em 2000 eram apenas de 3,8 mil milhões.

Como podemos verificar no Quadro 1, os piques da loucura ocorreram entre 2005 e 2010, com os valores do deficit das Correntes a atingirem os tais 20 mil milhões de euros ao ano. Em 2012, apesar de toda a propaganda encomendada, as Despesas caíram aproximadamente 6 mil milhões de euros, em ralação a 2010.  Quanto aos dados de 2013, há que ter em conta que são estimativas orçamentais, e meta de se alcançarem Receitas Ficais de 70 mil milhões de euros, só cabiam na cabeça do "gaspar", já seria muito bom se chegassem ao 60 mil milhões.

Os valores do conjunto desta Receitas Correntes (as contas são minhas), são somatório dos diversos Impostos e as receitas da Segurança Social; as Despesas, são o somatório das Despesas com Pessoal, Prestações Sociais, Juros e Outras Despesas.


(Clicar em cima da imagem para ver melhor. Não aumenta o deficit)

Concluindo, mesmo com um corte de 4,7 mil milhões, as Contas Correntes da República Portuguesa, ainda terão um deficit a rondar os 10 mil milhões de euros, o que diga-se é muito dinheiro, e o país não poderá viver assim, digo eu. Volto a referir que isto são Contas Correntes.

Amanhã prometo analisar onde “cortar”, já que mais Impostos não parece que possa ser!

Mas isto é eu a pensar, que não sou nem “economês”! Mas como já dizia o Aleixo: Eu não tenho vistas largas/ Nem grande sabedoria/ Mas dão-me as horas amargas/Lições de economia (perdão, filosofia)....

sábado, 3 de agosto de 2013

Épicos da música portuguesa (10)


Que negra sina ver-me assim, que sorte e vil degradante, ai que saudades eu sinto em mim, do meu viver de estudante. Nesse fugaz tempo de amor, que de um rapaz, é o melhor. Era um audaz conquistador das raparigas. De capa ao ar, cabeça ao léu, só para amar vivia eu. Sem me ralar, a vadiar, e tudo mais eram cantigas! Nenhuma delas me prendeu. Deixá-las? Eu era canja! Até ao dia que apareceu, essa traidora de franja.

Sempre a tinir, sem um tostão, batina a abrir por um rasgão, botas a rir, um bengalão, e ar descarado. A vadiar com outros mais, e a dançar para os arraiais, para namorar, beber, folgar, cantar o fado...

Recordo agora com saudade os calhamaços que eu lia. Os professores da faculdade, e, a mesa da anatomia! Invoco em mim recordações, que não têm fim, dessas lições, frente ao jardim do velho campo de Santana. Aulas que eu dava, se eu estudasse! Onde ainda estava nessa classe, a que eu faltava sete dias por semana!

Mas o Fado é toda a minha fé: embala, encanta, e inebria, pois chega a ser bonito até na “rádio telefonia”; quando é tocado com calor, bem atirado, e a rigor. É belo o Fado. Ninguém há que lhe resista! É a canção mais popular, tem emoção, e faz-nos vibrar! Eis a razão de eu ser Doutor e ser Fadista...


sexta-feira, 26 de julho de 2013

Bye, bye, Pedro! Não sei se gostei de te conhecer....


No passado, não nutri muita simpatia por ti, sobretudo, por causa das tuas diabruras na jota. Depois, quando reapareceste, e perante o deserto que era a concorrência, cheguei a acreditar que talvez fosses diferente: jovem, sério, sem tiques, com alguma clareza no discurso, e sobretudo por te opores à podridão socretina; até fui teu mandatário partidário para o meu concelho (por sugestão do amigo Pedro Sobreiro), quando ainda não representavas o poder, centralizado por essa altura na tia manuela, depois mais tarde, quando já cheiravas a esse tal poder, rapidamente fui preterido, e os gurus/caciques, rapidamente te começaram a beijar o cu. Diga-se, que até já me tinha acontecido o mesmo anos antes, com um tal de nome Vítor Frutuoso (a minha falta de habilidade para lidar com com o poder deve ser inata).

Durante estes 4 anos, com a minha pouca influência, aqui te tenho defendido, bem como a algumas das tuas políticas, quase sempre pela coragem que demonstraste até há uns dias atrás. Mas agora não posso mais com as tuas cedências, ao preferires o caminho das máfias que minam o caminho em Portugal há 40 anos, se é que tu não és já um deles.

Primeiro foi o Secretário da Energia Henrique Gomes, apenas porque afrontou os monopólios da dita, e consequentemente, os seus financiadores da banca; depois foi o Relvas, cujo problema não foi o da sua Licenciatura (a maioria dos licenciados em Portugal tiveram questões processuais como as dele, é só investigar um pouquinho), mas sim por se ter metido com o império “embalsamado”, diga-se abertamente grupo balsemão; a seguir veio o Gaspar, a sua seriedade, poder, e a ligação ao exterior, diga-se credores que nos emprestam o “guito”, era um obstáculo aos poderes obscuros instituídos, e enquanto o não cercaram e mandaram às urtigas não descansaram; depois foi aquela jogada suja do Portas, que parecendo perdedor, foi na realidade o grande vencedor, enquanto representante máximo da obscuridade do poder internacional e nacional mafioso; daí à substituição do Álvaro (talvez outro dos honestos, e quem sabe mesmo independente (!)), pelo seu amigo (dele Portas) competentíssimo Lima, sem que isso cause qualquer admiração à comunicação social dominada pelos “embalsamados”, tralha socrática e afins, foi um ver se te avias....

Para a cereja no topo do monte de m***a, só falta a Maria Luís (coitada, até a comem viva), último reduto do assalto ao poder (CDS + PS), que é como quem diz a dupla Portas Seguro. Mas isso não irá demorar muito. E assim até o Tó Zé, o Marocas, o Alegre, o Mexia e restante corja vão ficar mais sossegados, o bebé há-de chegar, e maduro para não dar muito trabalho a criar...


Por tudo isto, meu caro Pedro, me despeço. Se queres a minha opinião, segue o conselho do teu pai: livra-te disto! Olha que os "velhos" têm muitas vezes razão...     

quinta-feira, 25 de julho de 2013

A coerência dos “papagaios”....


Este queria ter sido “candidato” a Presidente da Assembleia da República, como foi preterido por um tal médico da AMI, veja-se a sua coerência, e já agora a credibilidade, daqueles que têm acesso diário aos meios de comunicação social....  

“A demissão de Paulo Portas vem acabar de uma vez por todas com a possibilidade de este Governo prosseguir. Pedro Passos Coelho deve demitir-se de presidente do PSD pois não tem condições de liderar o partido nas próximas legislativas (...), que devem ser marcadas para o dia das autárquicas.”
António Capucho, TVI 24, 2 de Julho

“O Governo já estava moribundo. A demissão de Paulo Portas é a estocada final. O Presidente da República deve convocar eleições para a mesma data das autárquicas.”
António Capucho, SIC Notícias, 2 de Julho

“O Governo já estava moribundo. Agora está ferido de morte, com a estocada final. Ou o primeiro-ministro é completamente irresponsável ou não percebe, de facto, que não tem condições para governar. Passos Coelho não pode permanecer na liderança do PSD: deve demitir-se e convocar um congresso eleitoral.”
António Capucho, RTP i, 2 de Julho

“O Governo está neste momento muito coeso e unido, e a respirar fundo com esta nova dinâmica, porque o PSD tem no Parlamento um conjunto de deputados escolhidos a dedo por Passos Coelho e que se comportam muito bem e disciplinadamente.”
António Capucho, SIC Notícias, 24 de Julho

Sem comentários.....

quarta-feira, 24 de julho de 2013

E, de repente em Marvão....


Música é o que está a dar!

As novidades:


- Sol de Marvão




- Vozes da Aldeia (Escusa)




Os já consagrados:

- Cantareias



- Rancho Folclórico de Santo António das Areias



- E o Projecto a Grupa, deixado a meio, mas que um dia, quem sabe, possa ressuscitar!



... aguarda-se, mais lá para Setembro, os "solos" de Carlos Castelinho e Vítor Frutuoso. E já agora, que tenham em conta um pouco desta lufada cultural!

terça-feira, 23 de julho de 2013

João no mundo dos imbecis (1)


Os papagaios da comunicação social e os corporativistas do regime, andam por aí a apregoar que depois de tantos cortes e tanta austeridade, a dívida pública portuguesa (a de todos nós), não pára de crescer, e atingirá por estes dias cerca de 127% de um tal PIB (Produto Interno Bruto).

Ora, na minha ignorância e vistas curtas, suponho que sempre que tentemos saber se algo cresceu ou diminuiu, teremos que usar um sistema de medida. Assim, para sabermos se uma criança cresceu, de um momento para outro, usamos os centímetros; e para sabermos se aumentou de peso, usamos as gramas e seus múltiplos; e assim para outras avaliações.

Acontece, que estas medidas padrão, se mantêm mais ou menos inalteráveis ao longo dos tempos. E assim, há mais de 100 anos que 1 quilo continua a ser 1 quilo, e 1 metro continua a ser 1 metro. E tanto faz estarmos na Europa, como na África com na Ásia. Logo quando fazemos avaliações, usando estas medidas, podemos dizer com alguma segurança, que nos últimos 100 anos, se registaram aumentos percentuais quer na estatura, quer em peso nas crianças do século XXI, quando comparamos com as do início do século XX.

Mas o PIB, será ele uma medida inalterável? Ou aumenta e diminui de acordo com o desenvolvimento e desempenho de um país? E quando este cai (como parece ser o caso dos últimos anos, e parece não ser pouco); e se a divida se mantém, que acontece à relação entre ambos?

Tomemos como exemplo uma família que em 2011 tinha 2 dos seus membros empregados, cujos rendimentos anuais eram de 30 000 euros, e herdaram uma dívida, nesse mesmo ano, de seus progenitores de 40 000 euros. Ao fazerem as contas, essa família constatou que tinha uma dívida, face ao seu rendimento anual de então, de cerca de 133%.

Veio o ano de 2012, e sendo um dos membros desta família funcionário da Administração Pública, viu os rendimentos do seu desempenho amputados de 2 000 euros (não recebimento de subsídio de férias e natal), que quer dizer que o rendimento anual dessa família foi apenas de 28 000 euros. Apesar dessa diminuição de rendimentos, ainda conseguiu amortizar 1 000 euros à divida herdada, que se situa agora em 39 000 euros.

No entanto, apesar de esta família ter feito um esforço de ajustamento de viver em 2012 apenas com 27 000 (recebeu menos 2 000 e amortizou 1 000 à dívida), andam agora os familiares (alguns responsáveis pela feitura dessa dívida), a dizer que esta aumentou para cerca de 140%, quando, no ano anterior, era apenas de 133%!!!

Será justo? Ou vamos lá ter um mínimo de seriedade....      

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Para o “tango”, dois bastam...


Aquilo que Cavaco devia saber, com a idade que tem, para dançar o “tango” 2 é mais que suficiente. Possivelmente, nunca viu o Perfume de mulher!

Isto vem ao encontro do “meu” conceito de grupo: 1 é pouco, e 3 são demais... 





Ver ecrã inteiro. Lindo! Repetir....


Leitura complementar:

“Quando a noite cai, e estes dois se encontram, se o tempo não urge e a noite é longa, o mais natural é que a mulher prefira que as coisas comecem com uma conversinha leve, tão distante, quanto possível, do objectivo; ao contrário do homem, em que esse objectivo rola na sua mente, constantemente, como um pião zumbidor.

Como um cântaro profundo que lentamente se enche, a mulher vai-se aproximando do homem aos poucos e poucos, ou, talvez com mais rigorosa profundidade, fazendo-o aproximar-se dela, até que a urgência de um e a ansiedade do outro, já declaradas, já coincidentes, já inadiáveis, façam subir cantando a água unânime.”


(Adaptado de a Caverna de José Saramago)

sábado, 20 de julho de 2013

O “pombo” voltou a fazer porcaria....

A piada pode até parecer azeiteira, mas em minha opinião, merece uma análise profunda e, séria...


                                    Sim, eu sei que é uma Cagarra, mas o pombo está lá!


E agora Aníbal....


Leitura complementar:

As idades do homem e os animais:
 MACACO - Dos 10 aos 15 vive descascando banana;
GIRAFA - Dos 16 aos 20 anda sempre de cabeça no ar mas só come folhas verdes;
URUBU - Dos 21 aos 30 come tudo o que aparece;
ÁGUIA - Dos 31 aos 40 escolhe o que vai comer;
PAPAGAIO - Dos 41 aos 50 fala mais do que come;
LOBO - Dos 51 aos 60 persegue o capuchinho, mas só come a avozinha;
CIGARRA - Dos 61 aos 70 canta, canta, mas não come nada;
CONDOR - Dos 71 aos 80 está sempre com dor aqui, com dor alí...
POMBO - Dos 80 para frente...; só faz sujeira.

Nota: Ter em conta que há sujeitos precoces

sexta-feira, 19 de julho de 2013

A minha geração...

A minha geração acreditou em promessas, engrossou a procissão e foi indo na conversa;

Aceitou o futuro, como se fosse presente, a cenoura e o burro qual dos dois vai à frente;

A minha geração, deu tudo por uma casa, mistério e padrão de uma vida hipotecada;

Encheu-se de rotinas, começou pelo casamento, uma vida preenchida sem nada por dentro;

A minha geração...

A minha geração, ainda fuma uns charros, essa espécie de refrão que acende o passado;

Transferiu para os filhos, os sonhos adiados (e as dívidas!), chamou-lhe destino nos versos de um fado;

A minha geração, trocou a felicidade, por bens de consumo, mas jura e acontece que quer ir mudar o mundo!

Jogou à cabra cega, deixou-se apanhar, a vida é uma arena onde nos querem lixar!

A minha geração...



quinta-feira, 18 de julho de 2013

Perguntas simples que incomodam...

Nos últimos dias muito se tem falado de síndromes alérgicos, provocados pelas águas dos mares em praias da costa portuguesa, nomeadamente, na linha de Cascais e da Costa da Caparica. Os Órgãos de informação não se têm cansado de falar nisso, e nas Praias suspeitas as autoridades têm içado as bandeiras “amarelas e vermelhas” a desaconselhar os banhistas a utilizarem as respectivas águas.

No entanto, ao que parece, mais de 5 centenas de desrespeitadores já tiveram que recorrer aos serviços de saúde com as consequências!

- Fará sentido, nestas situações e noutras semelhantes, que o Serviço Nacional de Saúde e os contribuintes paguem as despesas desta gente, ou estes deveriam pagar a totalidade das despesas?

- Onde anda o PCP, o Bloco, alguns socialistas, juntamente com as corporações sindicais, e os seus órgão de comunicação (enquanto seus braços armados), para virem berrar e protestar contra estes consumos desnecessários e injustificados?   


segunda-feira, 15 de julho de 2013

Bugalhão - Nome estranho...

Resumo da Investigação sobre a Árvore de Costados da Família Bugalhão

“Quem não tiver história e tradições perde a sua identidade e, consequentemente, o seu espírito crítico e a sua auto-confiança ficarão diminuídos.”

No passado sábado dia 13 de Julho, durante o III Encontro da Família Bugalhão, tive oportunidade de apresentar um resumo, sobre o estudo que efectuei, a que chamei “Bugalhão – nome estranho”.

Este Ensaio culminou uma investigação documental acerca das origens e transmissão do apelido Bugalhão ao longo de 300 anos, resultou num trabalho escrito com cerca de 100 páginas, onde relato todos os passos investigatórios e algum enquadramento histórico sobre a vida desta família tricentenária. Este trabalho escrito, poderá vir a ser editado no futuro, se existirem interessados no seu conhecimento.

Durante 6 meses mergulhei nesta aventura bugalhónica, cheguei a trabalhar mais de 10 horas por dia em consultas documentais e escritas, e posso garantir-vos que a paixão foi tão grande, que às vezes eu já não era o João Bugalhão nascido em 1957, mas cheguei a sentir-me aquele meu homónimo antepassado nascido em 1787, moleiro, morador no Moinho da Malpiqua, na Ribeira da Ponte Velha, casado primeiro com Joana da Conceição e depois com Cândida Rosa, e pai de 12 filhos!

Para realização e chegada a bom porto deste Ensaio, não posso deixar aqui de agradecer a colaboração de Fernando Mota, sem a qual, jamais este trabalho teria sequer começado. Fernando Mota, formado em História, funcionário da Biblioteca Municipal do Barreiro, a quem conheci por mero acaso através deste Blog, e na sequência da publicação da reportagem do II Encontro da Família Bugalhão; também ele com origens em Marvão, e com alguns dos seus familiares a cruzarem-se com Bugalhões, despertou em mim o bichinho desta investigação, orientou e acompanhou todo o processo. Aqui deixo publicamente um agradecimento Bugalhónico.

Passo a apresentar de seguida algumas das Conclusões deste Ensaio, que ficaram por apresentar no passado sábado, devido à extensão do resumo do trabalho.

A primeira referência que encontrei, nos documentos consultados, do apelido Bugalhão é de 1794, aquando da cerimónia de Crisma de um sujeito de nome Carlos, com 4 anos de idade, quando se diz ser este filho de José Bugalhão da Ponte Velha. Registo que aqui reproduzo:

Figura 1 - 1º Registo encontrado do apelido Bugalhão (Crisma de Carlos, filho de José Bugalhão da Ponte Velha, em 1794)

Fonte: Registos Paroquiais de SA das Areias/Marvão

Este José Bugalhão terá nascido em 1754 (existido algumas dúvidas com 1751), a sua ascendência paterna tem origem numa família de apelido “Toureiro”, oriundos de Alpalhão; e a sua ascendência materna tem origens numa família de apelido “Serrano”, oriundos da zona da Serra da Estrela, concelho da Guarda, freguesia de Arrifana, lugar de João Bargal de Cima ou São Bargal de Cima; o seu avô materno António Gonçalves Serrano, por volta de 1700, já era Moleiro no Moinho da Malpiqua na ribeira da Ponte Velha, do concelho de Marvão. É de realçar ainda, que nos finais do século XVII e todo o século XVIII o apelido “Serrano” é um dos mais frequentes em todo o concelho de Marvão; também o apelido “Toureiro” já existia em Alpalhão no início do século XVI (desde que há registos paroquiais).

Figura 2 - Assento de Baptismo de José Gonçalves Bugalhão, em 1754 (?) 

Fonte: Registos Paroquiais de SA das Areias/Marvão

Devido a estas ascendências familiares José Bugalhão, ao longo da sua vida, é também referenciado como José António (sua mãe era Antónia), José António Toureiro (seu pai tinha o mesmo nome e seu avô paterno era António Dias Toureiro), José Gonçalves Serrano (apelidos de seu avô materno); e José Gonçalves Bugalhão (Bugalhão, porquê? Algo para o qual não tenho resposta).

José Gonçalves Bugalhão/José Gonçalves Serrano, morre a 6 de Abril de 1810, de um Catarral, deixa 5 filhos vivos, em que um deles, João Gonçalves Bugalhão/João Gonçalves Serrano dará continuidade à casta. 

 Figura 3 - Registo Paroquial de Óbito de José Gonçalves Serrano em 6/4/1810 

Fonte: Registos Paroquiais de São Tiago/Marvão

Figura 4 - Folha de Rosto do Testamento de José Gonçalves Bugalhão falecido em 6/4/1810

Fonte: Arquivo Distrital de Portalegre

Poderão alguns questionar ainda, se estes diferentes nomes para um indivíduo, corresponderão à mesma pessoa? A minha resposta é que sim, já que todos eles dizem respeito a um sujeito que morou no mesmo local (primeiro no Moinho da Malpiqua e mais tarde no do Fraguil, onde morre); os nomes das esposas conferem (a primeira Catarina Maria e a segunda, por morte da primeira, Maria do Carmo); a sua avó materna, como refere seu testamento tem o mesmo nome (Maria Vaz); os nomes dos 5 filhos condizem (Teodora, Jacinta, Isabel, João e Carlos); e a data de óbito é a mesma (José Gonçalves Serrano e José Gonçalves Bugalhão, morrem no dia 6 de Abril de 1810). Só por milagre de todos os santos e santas de que José era devoto, poderiam permitir tal coincidência! 

Figura 5 - Árvore dos Costados da Família Bugalhão entre 1700 e primeira metade do século XVIII

Autor: João Bugalhão

Figura 6 - Árvore dos Costados da Família Bugalhão a partir da segunda metade do século XIX

Autor: João Bugalhão


Principais Conclusões deste Ensaio:

- O apelido Bugalhão é possivelmente oriundo do concelho de Marvão e da freguesia de Santo António das Areias, e exclusivo de uma só família, já que todos os sujeitos encontrados, aí parecem ter as suas origens e raízes, e facilmente se verifica serem familiares.

- Este apelido existe pelo menos desde o século XVIII. Nos registos consultados a sua primeira referência aparece em 1794 nos Registos Paroquiais de Santo António das Areias, aquando de uma cerimónia de Crisma, realizada na vila de Marvão, onde se refere ter sido crismado um sujeito de nome Carlos, filho de José Bugalhão, da Ponte Velha.

- José Gonçalves Bugalhão aparece em diversos registos, também tratado como José Gonçalves Serrano, e José António Toureiro ou apenas José António. Teve dois casamentos: primeiro com Catarina Maria, de quem teve 5 filhos: Teodora, Jacinta, Isabel, João e Carlos; e um segundo casamento com Maria do Carmo (que deve ter durado muito pouco tempo).

- Destes 5 filhos apenas João foi o responsável pela passagem do apelido Bugalhão, já que as filhas nunca o ostentaram (por serem mulheres), e Carlos faleceu com 20 anos (10 dias depois de seu pai), e sem deixar descendência.

- Durante a sua vida João é referido, tal como o pai, por mais que um nome: João Gonçalves Bugalhão e João Gonçalves Serrano. Teve também 2 casamentos: primeiro com Joana da Conceição, de quem teve 3 filhos: Jacinta, José e Genoveva; e um segundo com Cândida Rosa, de quem tem mais nove filhos: Francisco, Manuel, Raimundo, Maria, João, Joaquim, Bento, António e Joaquim.

- Destes 12 filhos o único de quem é conhecido deixar descendência, bem como passar o apelido Bugalhão, foi Francisco nascido em 1821, que em todos os documentos consultados é sempre denominado como Francisco Gonçalves Bugalhão; e que passa, a partir daí, o apelido a todos os seus filhos varões, e que deixaram descendência: Manuel (nascido em1845, que teve 12 filhos); João (nascido em 1847, que teve 2 filhos); José (nascido em 1852, que teve 6 filhos); e Custódio (nascido em 1863, que teve 2 filho).

- De 3 destes 4 sujeitos, chegaram até aos dias de hoje descendentes (não foi possível apurar descendentes de Custódio). Todos os Bugalhões que tiverem curiosidade de saber a sua ascendência, bastar-lhe-á uma pequena investigação e encontrarão em suas origens um destes três antepassados: Manuel, João, ou José.     

- Praticamente todos estes sujeitos de apelido Bugalhão, referidos até aqui, tiveram uma característica em comum: o terem sido Moleiros, nos diversos Moinhos na Ribeira de Marvão (Rio Sever), na freguesia de Santo António das Areias.

- O patriarca do clã, José Gonçalves Bugalhão, nasceu no Moinho referido como da “Malpique ou Malpiqua”, aí nasceram os seus 5 filhos (mas já sua mãe, e seu avô materno António Gonçalves Serrano aí residia nos finais do século XVII); acabou por falecer no Moinho da Fonte Santa, no sítio do Fraguil (na margem direita do Rio Sever, antiga freguesia de São Tiago), em 1810. No entanto, o seu filho João (nasceu e morreu), residiu sempre no Moinho da Malpiqua, na Ribeira da Ponte Velha, freguesia de Santo António das Areias

- A partir da segunda metade do século XIX, este Moinho da Malpiqua, deixa de ser referido nos registos (terá sido demolido ou mudou de nome), mas a sua localização terá sido entre a ponte da Ponte Velha e o pontão do Fraguil. Não me foi possível apurar até ao momento a sua localização exacta. José Gonçalves Bugalhão é sempre referenciado como Moleiro, bem como os seus ascendentes: pai, e avô materno; Moleiros são também seu filho João, seu neto Francisco, seus bisnetos Manuel, João e José; e pelo menos seu trineto Francisco nascido em 1877. Em finais do século XX, ainda a sua tetraneta Luísa, era Moleira num dos moinhos da Ponte Velha, mas possivelmente a última.

- Actualmente existirão cerca de uma centena de sujeitos que têm o apelido Bugalhão no seu nome. Mas de acordo com o que pude apurar, existirão apenas dois varões na família que, no futuro, poderão dar continuidade ao apelido. Pelo que aqui deixo o alerta do apelido poder estar em perigo de extinção.

- Quanto à antroponímia do apelido Bugalhão, não pude chegar a qualquer conclusão, e a sua origem irá permanecer como mistério. O mais provável terá sido através de uma qualquer alcunha (não nos esqueçamos que Bugalhão para o dicionário de língua portuguesa, significa Valentão, e os Bugalhões do passado parecem ter sido homens bastante corpulentos), já que os pais do primeiro sujeito referido como Bugalhão tinham de apelido Toureiro e Serrana, pai e mãe respectivamente. Não será de descartar também um possível rebaptismo para alguém que aderiu a uma irmandade religiosa, pois José Bugalhão terá pertencido à Irmandade dos Franciscanos, sedeada no Convento de Nossa Senhora da Estrela (como se pode constatar no seu Testamento). O apelido Toureiro também parece não ser um acaso, pois existiam no concelho de Marvão, no início do século XVIII, muitos sujeitos com esse apelido, referenciados como oriundos de Alpalhão e de Castelo de Vide (judeus?), onde de facto o apelido existia já no século XVI, altura de que há registos escritos, mas que também aí parece ter desaparecido. Já o apelido Serrano, parece ter sido dado aos sujeitos oriundos da zona da Serra da Estrela e que demandaram estas paragens, sendo um dos apelidos mais frequentes no século XVIII em todo o concelho de Marvão, fruto, certamente, de algum fenómeno migratório de povoamento.

Este é o meu contributo para a identidade da minha família. 

João Bugalhão

III Encontro da Família Bugalhão

Pelo terceiro ano consecutivo, realizou-se no passado sábado dia 13 de Julho, mais um Encontro da Família Bugalhão. Este ano em Castelo de Vide no Restaurante do Hotel “Sol e Serra”.

Estiveram presentes cerca de 70 membros da família (uma pequena redução em relação aos 2 anos anteriores, em que o número rondou os 90 participantes), mas com algumas primeiras presenças, e claro, certamente, com outras ausências. As datas nem sempre calham de feição a todos, outros que pelo avançar da idade lhes começa a ser difícil a sua deslocação, e também a crise que nos vai afectando a todos e não ajuda à renovação. No entanto, juntar 7 dezenas de membros de uma família é um êxito, e não haverá muitas iniciativas deste género por estas bandas.    

Após a chegada entre as 12 e as 13 horas, e os cumprimentos de quem não se vê, por vezes, há muitos anos, foi-nos servido o repasto com muita qualidade, por toda a equipa do Hotel, aos quais, em meu nome pessoal, mas penso que em nome de toda a família, endereçamos as nossas felicitações e o nosso obrigado pela colaboração dispensada. O Encontro teve depois, e pela primeira vez, uma parte cultural em que foram apresentados dois temas: Memórias Fotográficas da Família pela Ana Rita, tendo eu apresentado um Resumo Histórico sobre a Árvore de Costados da Família Bugalhão ao longo de 300 anos.

Quem está de parabéns também, são as Organizadoras deste ano do evento a Antónia Bugalhão e a sua filha Ana Rita: 5 *****, e a trabalheira que estas coisas dão: OBRIGADO. Para o ano a tarefa foi incumbida ao António José Bugalhão e sua esposa Fernanda, aos quais desejamos, pelo menos, que as coisas corram tão bem como nestes 3 Encontros.

Num próximo post irei aqui publicar as Conclusões do Ensaio sobre a investigação da nossa história familiar, e que não foi possível apresentar no sábado, para que todos possam cimentar algumas das ideias que expus, e sobre as quais possam ter ficado algumas dúvidas.

Por agora deixo algumas imagens sobre mais um encontro bugalhónico:     



















sábado, 6 de julho de 2013

III Encontro da Família Bugalhão

Durante o III Encontro da família Bugalhão que irá decorrer no próximo dia 13 de Julho em Castelo de Vide, irei apresentar um pequeno estudo sobre a história da Família Bugalhão desde o Século XVII até ao Século XXI, a que dei o nome de “Bugalhão – nome estranho”. 

- Quem somos?
- De onde viemos?
- Qual a nossa identidade?
- Apelido recente, ou antigo?
- Qual terá sido a origem do apelido? Derivado? Toponímico? Características pessoal?  Conversão? Alcunha?....

Sabendo a história talvez nos ajude a compreender o presente. 


Seria com todo o prazer que gostaria de dar conhecimento deste Ensaio à maioria dos membros da família. A todos os que puderem estar presentes, será um privilégio para mim.