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quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Versões

Ouçam:

O vento mudou e ela não voltou, as aves partiram, as folhas caíram. Ela quis viver e o mundo correr, prometeu voltar se o vento mudar. E o vento mudou e ela não voltou. Sei que ela mentiu para sempre fugiu, vento por favor traz-me o seu amor. Vê que eu vou morrer sem não mais a ter.

Nuvens tenham dó que eu estou tão só. Batam-lhe à janela, chorem sobre ela. E as nuvens choraram, e quando voltaram, soube que mentira para sempre fugira. Nuvens por favor cubram minha dor. Já que eu vou morrer, sem não mais a ter...












sábado, 21 de dezembro de 2013

Versões (2)


"Eu que me comovo por tudo e por nada, deixei-te parada, na berma da estrada. Usei o teu corpo paguei o teu preço, esqueci o teu nome limpei-me com o lenço. Olhei-te a cintura de pé no alcatrão, levantei-te as saias deitei-te no banco, num bosque de faias de mala na mão. Nem sequer falaste, nem sequer beijaste! Nem sequer gemeste, mordeste, abraçaste: - Quinhentos escudos, foi o que disseste! Tinhas quinze anos, dezasseis, dezassete, cheiravas a mato, à sopa dos pobres, a infância sem quarto, a suor, a chiclete. Saíste do carro alisando a blusa, espiei da janela rosto de aguarela, coxa em semifusa. Soltei o travão!

Voltei para casa de chaves na mão, sobrancelha em asa, disse: - "fiz serão" ao filho e à mulher, repeti a fruta, acabei a ceia, larguei o talher. Estendi-me na cama de ouvido à escuta e perna cruzada. Que de olhos em chama, só tinha na ideia, teu corpo parado na berma da estrada, e eu que me comovo, por tudo e por nada..."

(António Lobo Antunes)


Versão 1



Versão 2


sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Versões (1)


Esta versão:



De mãos nos bolsos e de olhar distante, jeito de marinheiro ou de soldado, era um rapaz de camisola verde, negra madeixa ao vento, boina maruja ao lado. Perguntei-lhe quem era e ele me disse: “Sou do monte, Senhor, e um seu criado”. Pobre rapaz de camisola verde, negra madeixa ao vento, boina maruja ao lado.

Porque me assaltam turvos pensamentos? Na minha frente estava um condenado! Vai-te, rapaz da camisola verde, negra madeixa ao vento, boina maruja ao lado. Ouvindo-me, quedou-se o altivo moço, indiferente à raiva do meu brado, e ali ficou de camisola verde, negra madeixa ao vento, boina maruja ao lado.

Soube depois ali que se perdera, esse que só eu pudera ter salvado! Ai do rapaz da camisola verde, negra madeixa ao vento, boina maruja ao lado.

Ai do rapaz da camisola verde...



Quem não gostar? Tem esta:





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