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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Como os socialistas injectam dinheiro na economia...


- Pedem emprestado e não cobram as dívidas de impostos e prestações sociais.

Já é do conhecimento geral que os socialistas falam (e gostam) muito de “investimentos”, de crescimento há custa do consumo interno (há custa de bens importados) e de muito dinheiro na economia. Só entre 2005 e 2011, no consulado de José Sócrates, o Estado (sobretudo à custa de endividamento), injectou na economia cerca de 57 000 milhões de euros em investimentos (média de 8 000 milhões/ano); a consequência foi a bancarrota em 2011. Nos últimos 3 anos (2012 – 2014), no consulado de Passos Coelho, esse investimento não ultrapassou uma média de 4 000 milhões/ano (total de 12 000 milhões), praticamente metade da prática socialista.

O Estado injectar dinheiro na economia não é obrigatoriamente mau, se o tiver e for para obras que valham a pena, mas já é bastante questionável se tiver que recorrer a dinheiro emprestado (que terá de ser pago mais tarde, e com juros que esses investimentos não geram), ou com o recurso ao aumento de impostos, que recaem sempre sobre os mesmos: a classe média. Geralmente nessa altura, quando toca ao aumento de impostos ou ao pagamento de juros, os amigos socialistas, já se têm posto ao fresco, vêm fazer flores para a oposição e exigir o contrário do que fizeram no governo. Quem vier que feche a porta e que pague a conta; geralmente são sempre os mesmos: os portugueses da classe média. É só consultar a história, e ter um bocadinho de memória: 1977; 1983; 2011; três bancarrotas socialistas.

Mas os seus “investimentos” e a sua injecção de dinheiro na economia não se ficam por aqui, a sua sapiência vai muito mais além, e é bem mais sofisticada. Que eles não andam cá só para verem passar os comboios ou os aviões, eles querem novos aeroportos e, se é para ver comboios que seja o TGV!

Acresce ainda, se pegarmos nesta notícia de hoje, verificamos que só em 2014, a Segurança Social conseguiu recuperar cerca de 5 000 milhões de euros de dívidas das empresas e dos cidadãos que se esqueceram de pagar as contribuições; e em 2013, essa verba já tinha sido 4 600 milhões de euros. Não sei é se, a maioria destes devedores, se esqueceram de passar férias nas Caraíbas ou na Austrália, ou de terem na sua frota um bom jipe e um ou outro Ferrari ou BMW, ou um monte alentejano, ou um filho no ensino privado! 

Ora a maioria destes “esquecimentos” dizem respeito a anos anteriores a 2011, exactamente os tempos da governação socialista.

Por estas e por outras, não custa concluir que, com verbas destas a circularem por aí, não faltou (nem faltaria) dinheiro na economia. Se somarmos só estas duas parcelas (dinheiro do Estado + Dívidas à Segurança Social), são cerca de 13 000 mil milhões/ano! É muito dinheiro. Poder-se-ia reduzir o desemprego a “zero”: dava cerca de 20 000 euros a cada desempregado/ano. 

Mas mesmo assim, a consequência, foi uma bancarrota. No Estado, porque a maioria dos dirigentes destas políticas estão bem "abobradinhos". Pena que, como diz o António Barreto, não estejam a fazer companhia ao Pinto de Sousa e ao Vara...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Aquilo que os socialistas não querem ver...


Há dias que esperava a divulgação pública dos primeiros resultados sobre a execução orçamental do ano de 2014. Eles aí estão. E a partir de agora, sempre que se fale em avaliação governamental, sobretudo no que diz respeito às finanças públicas, porque são essas que os governos podem controlar directamente, estes 2 Gráficos, não podem deixar de ser considerados.

O actual governo com coisas bem-feitas, mas também com outras a terem de ser analisadas com sentido crítico e emendadas, iniciou as suas funções em meados de 2011, substituindo o de José Sócrates que se demitiu. O país estava com as finanças públicas em bancarrota, o défice público tinha sido em 2010 de 20 100 milhões de euros (11,2% do PIB), e já em 2009 tinha sido de 17 204 milhões de euros (9,8% do PIB); isto é, só nesses dois últimos anos de governação socialista, o défice público, totalizou 37 304 milhões de euros. E a dívida pública, em números por baixo, rondava os 170 mil milhões de euros (105% do PIB).



Dizem agora aqueles que querem voltar à governação, que são os mesmos, há excepção do querido líder que por agora continua arrecadado em Évora, que o país está pior, e que com a sua anterior política (PEC´s) teria sido melhor. Nos gráficos que se apresentam, pelo menos no que diz respeito às contas públicas, só não vê quem não quer, qual o papel de desempenho do actual governo. Em 2014 o défice será de cerca de 7 000 milhões de euros (3,8% do PIB quando se apurarem as contas finais), menos 10 000 milhões do que em 2010 (praticamente 1/3 do registado nesse ano).



Nos 4 anos de governação de Passos Coelho (2011 – 2014) o deficit acumulado foi de 37 556 milhões de euros, praticamente o mesmo que o governo socialista acumulou só nos últimos 2 anos da sua governação (2009 e 2010). Claro que estes dados terão impacto na vida de todos os portugueses, e já estão a ter, por isso a berraria que por aí vai para tentarem esconder o óbvio. Esperemos pela evolução da dívida pública...  

Nota: Mais dados sobre a execução orçamental aqui.


É giro ainda ver o que diziam, no início do ano de 2014, alguns paladinos da nossa política. Aqui fica a opinião dos grandes profetas:

João Galamba, por exemplo, tinha dificuldade em compreender “em que medida este orçamento contribui para a consolidação das finanças públicas”, o que vai em linha com a sua incompreensão generalizada de tantos outros assuntos.

- Nicolau Santos, o jornalista keynesiano especializado em laços papillon e em assuntos económicos, afirma mesmo tratar-se de uma “ficção”. E diz mais, “É uma ficção porque assenta num quadro macroeconómico irrealista e porque contempla um objectivo irrealizável”. A precisão das palavras de Nicolau é similar à sua exactidão na escolha de bonitas gravatas.
- Pedro Adão e Silva, entre comentários de futebol, de surf e de música, encontrou tempo para comentar um outro assunto no qual também é especialista. “O Governo prepara-se para fazer a mesma coisa em 2014 mas espera obter resultados diferentes. Partindo de um défice de 5,8%, o Governo estima reduzir o desequilíbrio orçamental em 2 pontos percentuais, para 4%, com 4 mil milhões de austeridade. Como e porquê? Ninguém sabe. A loucura prossegue, enquanto assistimos ao espantoso exercício que é queimar dinheiro na praça pública para satisfazer os desejos sadomasoquistas dos credores.“. O nosso especialista em coisas afirma, de Marcuse ao peito e prancha de surf debaixo do braço, que a “A meta do défice será superior ao acordado (4%)”. Assim tipo 4.5%, Pedro? “acima da que o próprio Governo quis que fosse a meta revista (4,5%)”.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

A vez aos Avençados...


Esta parece ser a nova fórmula – Contrato de Avença ou tarefa, encontrada pelo poder local para ultrapassarem a limitação de contratação de pessoal, e continuarem a ter lugar para alguns dos seus “boys” e amigos na esfera da administração pública.

Aqui é esta notícia sobre Lisboa. Mas em Marvão, já existem cerca de 10 avençados (10% do pessoal), e só durante 2015 já se fizeram cerca de meia dúzia de novos contratos deste tipo, que abrangem diversas áreas, tais como: nadadores salvadores, assessoria e comunicação, arquitectos, engenheiros, informáticos, design gráfico, etc. Para além da panóplia de contratos de prestação de serviços com empresas, por administração directa. E não se irá ficar por aqui.

No caso das Avenças com Técnicos, será que não seria possível que as Câmaras, através da CIMAA, fizessem acordos inter-municipais entre elas, já que muitas delas têm nos seus quadros de pessoal técnicos que outras necessitam e que estão subaproveitados, em vez de andarem a desbaratar recursos? 

Perguntar não deveria ofender...
  

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Carta para o pai natal...


 Meu caro pai natal, apesar dos meus 57 anos de idade, é a primeira que a ti me dirijo, pois nos meus tempos de menino, tu, ainda não eras tão popular por estas paragens, e depois de adulto nunca engracei muito contigo, mas como não sei a quem me dirigir, olha, aqui vai:

Numa época em que toda a gente te pede coisas, eu não quero nada de substancial, diga-se até que, estou aqui mais a interceder para dar, do que para pedir. Tenho assim, um pedido muito simples para ti. Gostava de deixar de ser accionista das empresas de transportes aqui no burgo, nomeadamente, TAP, METRO´s, CP e afins, etc.

Desconheço o porquê de me terem feito accionista de tais empresas. Devem ter-se aproveitado aí por volta de 1975 da minha ingenuidade de rapaz, a partir daí nunca mais me largaram. Mas agora já passou muito tempo e nunca me deram, ou usufruí, de qualquer dividendo. Dizem-me ainda que é por serem de superior interesse nacional, mas eu duvido, não possuo qualquer conhecimento do ramo, e não quero ser responsável por coisas destas,  ou destas,  e muito menos de  estas

Contribuir para a saúde, segurança, defesa, educação, segurança social, ainda vá que não vá, agora para transportes? Que façam como eu e outros, aqui no interior, paguem quando precisarem de se transportar. Senão andem a pé que faz bem à saúde e desenvolve a industria portuguesa do calçado. 

Agora é de vez, não quero mais. Cedo gratuitamente e, a título definitivo, as minhas acções ao pcp, ou à cgtp (que as leiloem na festa do avante), ou ao costa. Mete-lhas no sapatinho na próxima noite de natal, ou em outro sítio qualquer, é-me indiferente! Não as quero, e "prontes".

Nem que tenha de roubar o burro do presépio ao menino jesus para me transportar. Comprar-lhe-ei todo feno para a sua alimentação, uma albarda nova, e um par de ferraduras de 6 em 6 messes. Por isso, quem quiser andar de cu tremido nessas "empresas estratégicas", que pague os custos. Eu prefiro andar de burro...

Espero, pai natal, no futuro passar a ser mais um que acredita em ti! Obrigado.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Desafios: Apenas uma opinião...


Não são nada fáceis estas coisas da economia, sobretudo quando somos bombardeados continuamente com números e mais números. A maioria das vezes sem qualquer análise, fundamentação, ou explicação. Creio mesmo que, o objectivo é, baralhar o povinho.

O que hoje aqui apresento é arrojado, fruto de uma mera análise minha à evolução de alguns indicadores económicos, à sua influência na economia real, e na vida de todos nós. Uma hipótese por mim aventada, enquanto cidadão, de como se poderia, estrategicamente, contribuir para a saída desta crise que nos envolve.

1 – A Balança Comercial e o milagre das Exportações

Como já escrevi aqui, e se pode ver no Gráfico 1, o aumento das Exportações tem permitido a Portugal, nos últimos 3 anos, equilibrar a sua balança comercial com o exterior, e assim amenizar um pouco a crise. Pela primeira vez em 40 anos (em 2013) Portugal teve um saldo positivo com o exterior que se visse, no valor de 3,7 mil milhões de euros, isto é, entre o que importámos e o que exportámos, Portugal ficou a ganhar quase 4 mil milhões de euros, num só ano. Vários analistas dizem que isto foi uma oportunidade que a crise proporcionou. No entanto, não faltam também aqueles que dizem que estaremos a atingir o máximo das capacidades exportadoras, e que a partir daqui a ideia deve ser, pelo menos, tentar manter.


No entanto, apesar deste aumento significativo das exportações, que passaram de 47,6 mil milhões de euros em 2009, para 68,6 mil milhões em 2013 (um aumento de 21 mil milhões de euros), o seu impacto no PIB, apesar de existir, parece ser pouco significativo, como se pode ver no Gráfico 2, certamente devido o seu baixo valor em relação ao PIB total. Em 2013, apesar deste extraordinário aumento, as exportações representaram apenas 40% do PIB, mas em 2009 representavam apenas 30%. 


Este valor redondo dos 30% de impacto das exportações no PIB, parece ter sido a norma que acompanhou toda a primeira década deste século (2000 – 2010). Tal não admira, foi o tempo das grandes entradas de “dinheiro fresco” em Portugal, quer através de Fundos Comunitários, quer através do recurso a empréstimos. Só o Estado, nesses 10 anos, pediu emprestado cerca de 100 mil milhões de euros, e os privados ninguém sabe!

2 – O modelo do Consumo Interno como motor da Economia  

Foi uma década em que o foco estratégico foi posto no “consumir”, tal como na altura dos descobrimentos, ou do ouro do Brasil. Não admira assim que, o “consumo interno”, acompanhasse (e se confundisse), praticamente, com o crescimento do PIB, como se pode ver no Gráfico 3. O consumo sobe o PIB sobe, o consumo desce o PIB desce. Ora como o que interessava era “o crescimento” do PIB, consuma-se então, foi a palavra de ordem. O resultado está aí: Banca Rota.

Gráfico 3 - Evolução do PIB e do Consumo Interno 2000 - 2012


    Fonte: Banco de Portugal


Mas será o consumo interno, em Portugal, um mal em si mesmo? Claro que não, e se sustentável será, sem ser o motor principal, ser pelo menos, o motor auxiliar do desenvolvimento económico saudável. Assim como uma espécie de motor eléctrico dos automóveis híbridos.

Em Portugal, devido às suas dificuldades de produção dos produtos que alimentam o consumo, a solução, tem sido o recurso às Importações, e isso, é que na minha opinião tem contribuído para a nossa desgraça, e motivo pelo qual os outros países, se fazem passar por nossos amigos, indo ao ponto de nos emprestarem dinheiro para estimular esse consumo! Como habitualmente, não temos material para a troca, o resultado, é o desequilíbrio da balança de transacções, e o recurso ao endividamento.

3 – O desafio: Produzir (investir) nos Produtos que nos faltam para alimentar o consumo interno

Se analisarmos bem o Gráfico 3, podemos verificar que a diminuição do consumo interno, parece arrastar o decréscimo do PIB. Entre 2010 e 2012 o consumo interno caiu cerca de 8 pontos percentuais, e PIB caiu 5. Se tivermos em conta, que parte deste consumo interno é alimentado por importações, verifica-se no Gráfico 1, e como é lógico, que as ditas também caíram entre 2010 e 2012 num valor absoluto de aproximadamente 3 mil milhões de euros; e essa diferença ainda é maior se, tivermos como referência o ano de 2008, a diferença para 2012 é de cerca 9 mil milhões de euros! Uma brutalidade, como diz o outro.

Ora em minha opinião, a saída para esta situação, seria Portugal inventariar quais produtos que levaram a esta queda “brutal”, averiguar aqueles que são indispensáveis, e os que podemos produzir em Portugal, e partir para o tal investimento. Os Fundos Comunitários 2014 – 2020 teriam aqui uma boa aplicação.

Com um aumento no consumo interno na ordem dos 4 pontos percentuais (4 a 5 mil milhões de euros/ano), e a manutenção das Exportações, o PIB poderia crescer acima dos 2% ao ano, a nossa balança comercial continuaria estável, o emprego aumentaria, o país ficaria menos dependente do estrangeiro, se conseguíssemos manter o nível das nossas exportações nos 70 mil milhões (foram 68 em 2013), poderíamos continuar a importar no valor dos 65 mil milhões (64,9 em 2013), e poderíamos começar a pensar em pagar alguma da nossa dívida ao exterior.

Para tal, talvez não fosse mal pensado, que cada português aderisse a esta campanha na hora de comprar, seja o que for, e preferir o "Produzido em Portugal". Mesmo que um pouco mais caro, todos nós estaríamos a contribuir para o tal crescimento económico de que tantos falam. E isto seria como o dar sangue: custa muito pouco a cada um mas o país agradeceria. E depois pedir sempre a tal FacturaQuem sabe não esteja aqui a solução. 

Aqui fica o meu contributo de cidadão português:

    

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Duas faces da mesma divida...

Mais uns números para tentar perceber onde estamos, e como aqui chegámos.

Existe aquele velho ditado que nos diz: “tortura os números que eles te dirão o que queres”. Lamentavelmente assim é. E eu que sou um apaixonado dos ditos acho que eles são tão bons, que se prestam a quase tudo. O que hoje aqui posto para análise, são duas perspectivas de analisar os valores da Dívida Pública, e, são a prova do que acabo afirmar.

Habitualmente a Dívida Pública é-nos apresentada em % do PIB. Ora como todos sabemos, para além da variável PIB ser bastante complexa e subjectiva, ao apresentar a Dívida em percentagem do dito, isso é fruto do quociente entre o valor absoluto do que se pediu emprestado e o valor desse mesmo PIB:

- % da Divida face ao PIB = Valor em Dívida/Valor do PIB anual x 100

Logo, pode muito bem acontecer que, apesar de a dívida poder ter aumentado (numerador), em percentagem parece que diminui, bastando para tal, que o tal de PIB (denominador) aumente também em valor superior. É por isso que me parece que anda a vender-se por aí muito gato por lebre. Como se fosse quase lei, parece que, desde que o PIB aumente, podemos contrair mais dívida, que o resultado não se altera!

Apesar de este princípio ter sido a divisa dos últimos 40 anos, devido à filosofia “esquerdoide” dominante, em minha opinião, tal não deveria ter acontecido, e dever-se-ia, isso sim, em anos de PIB a crescer, ter-se aproveitado para reduzir a tal famigerada “dívida” que agora nos está a fazer a vida negra. Talvez tivéssemos evitado ter chegado onde chegámos e, agora andarmos a pagar, da pouca riqueza que produzimos (o tal PIB), cerca de 8 mil milhões de euros de juros/ano (5% da riqueza produzida num ano), que é um valor superior ao que se gasta com o Serviço Nacional de Saúde durante um ano.

1 - Evolução da Dívida Pública em % do PIB entre 1991 – 2013

Apesar do valor absoluto da Dívida Pública ter sempre aumentado em valores absolutos desde 1991, quando se observa o Gráfico 1, ficamos com a sensação que, anos houve, em que a Dívida Pública baixou ou, pelo menos, esteve contida. Ora tal só se verifica porque, tal com expliquei em cima, o valor do PIB nesses anos aumentou em valor absoluto superior ao que se pediu emprestado. Esta situação verificou-se, por exemplo, em 1992 durante o período Cavaquista, e no período entre 1995 e 2000 nos primeiros 5 anos de governo de António Guterres, e, que é apresentada, ainda hoje, como uma grande bandeira da governação socialista. 



Será no entanto, isso, completamente verdade?

Se eu vos disser que nesses 5 anos da governação de Guterres (1995 – 2000), o valor absoluto da Dívida Pública aumentou cerca de 10 mil milhões de euros, a uma média de 2 mil milhões/ano, passando de 52 mil milhões em 1995, para 62 mil milhões de euros em 2000, parece que custa a acreditar quando se olha apenas para o “boneco” que apresento em cima.

Vejamos então o que de facto se passou quando, em vez de analisarmos em percentagem, olharmos para os valores absolutos do endividamento.

2 - Evolução da Dívida Pública em milhões de euros entre 1991 – 2013

Quando falamos de valores reais, isto é, euros, que é aquilo com que se compram os melões (e tudo resto, como dizia o outro), como podemos ver no Gráfico 2, desde 1991 (e mesmo desde 1974), o valor da Dívida Pública, nunca teve um ano sequer, em que não tenha aumentado. Passando de uns “míseros” 35,5 mil milhões de euros em 1991, para uma verba brutal de 223 mil milhões de euros em 2014 (6 vezes mais). Isto é, em 25 anos, Portugal pediu mais 188 mil milhões de euros do que aquilo que conseguiu abater, numa média de endividamento de 8 mil milhões de euros/ano

Para aqueles que não percebem, ou não querem perceber, como é que havia dinheiro nos últimos anos, e agora não há, têm aqui uma explicação simples. Isto é, andávamos a viver todos, mas mesmo todos (uns mais que que outros, claro), de dinheiro emprestado, e, isso não podia perpetuar-se eternamente. Agora, para além de não nos emprestarem mais, ou nós ou os nossos filhos e netos, teremos de pagar o pato. O resto é retórica...   


Se quisermos olhar mais atentamente para alguns devaneios de certos governos, podemos verificar que só entre 2008 e 2014 a Dívida aumentou cerca de 100 mil milhões euros! Para aqueles que andam a querer propor uma Medalha "Condecorativa" a Sócrates pelos bons serviços prestados aos pobres, têm aqui um bom argumento: Entre 2009 e 2010, a criatura, aumentou a dívida em 32 mil milhões (4 vezes a média dos últimos 25 anos), e de 2010 para 2011 foram 23 mil milhões de euros (3 vezes a média dos últimos 25 anos)! Alguém duvida que o rapaz merece (a medalha!)?


Mas dizem por aí os papagaios, que entre 2011 e 2014 a Dívida continuou a aumentar! Verdade. Uma hemorragia de 40 anos não se estanca repentinamente, e até é bom que não se faça "o sistema" pode não aguentar. Mas quanto aumentou, e como está aumentar?


Em 2011 a Divida eram 196 mil milhões, e estima-se que no final de 2014 seja de 223 mil milhões de euros. Logo o aumento será de 27 mil milhões em 3 anos, inferior ao que a tal criatura, candidata a Medalha, vinha fazendo em cada ano. E segundo consta, existe uma almofada de cerca de 20 mil milhões de euros nos cofres do Estado, que dá para Portugal sobreviver, pelo menos, um ano. E, talvez seja bom relembrar que a dita "criatura socretina e sus muchachos" deixaram nos cofres do Estado cerca de 300 milhões de euros, que dali a 15 dias, quando se fosse pagar salários e pensões não haveria fundos! Que fariam então esses portugueses?

Se tal tivesse acontecido não andaríamos agora preocupados com a colocação de professores, com o colapso do sistema informático da justiça, com as diabruras do Machete, o Coelho não seria suspeito de fuga ao fisco, o Cavaco seria poupado aos "xeliques" em público, o TC não teria tanto trabalho, o BES teria sobrevivido, a PT já teria sido nacionalizada, a Troika nunca teria cá posto os pés, o Portas já seria vice do Seguro, o Louçã já seria secretário-geral do PCP, a Dívida já teria sido perdoada, o Marques Mendes já seria presidente do Benfica, o Sporting nunca teria perdido na Alemanha, o Pinto da Costa já só falaria castelhano e já teria engravidado a Fernanda, etc. Isto é, Portugal seria um paraíso. E quem sabe, até, uma próspera Republica Socialista!  

Claro que têm sempre hipótese de não acreditar em nada disto. São números! E nós somos pessoas. Só que as pessoas têm necessidades, e muitas vezes só podem ser compensadas com números, bago, para comprar os melões! E tudo resto.

Mas há quem tenha outra opinião. Como por exemplo, que toda esta situação se deveu e deve à “conjuntura externa”, e que Portugal foi apenas uma vítima. Isto diz a tal criatura. Sócrates. E agora os seus seguidores e discípulos Costa, Ferro, Vieira, Galamba & companhia. Então como explicam o Gráfico em baixo (e em percentagem, é melhor nem olhar para os valores absolutos)? Será que os países referidos são fantasmas? Ou são mesmo países do nosso mundo, e por acaso, até nossos vizinhos e parceiros na Europa?




Não venham com tretas que faltam aqui alguns países, sobretudo do sul da Europa, porque: a Espanha a Dívida é de 93% do PIB; a França 92%; o Reino Unido 91%. Resta a Grécia para nos confortar com os seus 175%. Mais uns aninhos de governação socialista e veremos se não chegamos lá! Avante Costa...


Malditos números... 

terça-feira, 21 de outubro de 2014

O Porquinho comilão e Vaca escanzelada – A saga continua...


Orçamento Geral do Estado 2015

Esta gente da comunicação social baralha-nos com tantos números, que acho que nem eles próprios percebem. Fazem desta coisa do Orçamento do Estado (OGE) como se fosse algo, que para perceber o essencial fosse necessário, pelo menos, um “doutoramento em economês” nos states.

A exemplo do que fiz há 2 anos com a rábula do - Porco comilão e da vaca que está a secar, venho mais uma vez, de uma forma que me parece simples e objectiva, tentar decifrar para aqueles que se interessam por estas coisas dos números (que somos nós, quer se goste ou não), a proposta do OGE para 2015.

Assim, como se pode ver na Figura 1, as Despesas previstas no OGE (a porca laranja) totalizam cerca de 85 630 milhões de euros, um acréscimo de cerca de 860 milhões face ao Orçamento de 2014.


Figura 1 – Despesas do Estado – “Os porquinhos comilões” 




Nota explicativa da Figura 1:


- No “porquinho das Prestações Sociais”, estão as seguintes despesas: Pensões da Segurança Social; Pensões da Caixa Geral de Aposentações; Subsídios de Desemprego e Apoios Sociais; e Formação Profissional.

- O “porquinho Despesas com Pessoal”, contém o total das despesas previstas com todo o pessoal da Administração Pública: Administração Central, Autarquias, e Administrações Regionais.


- NO "porquinho de Consumos Intermédios", estão todos os consumos de materiais tais como medicamentos, equipamentos, electricidade, água, papeis, etc. 

Os “leitões” mais comilões (os mais gordinhos) são os das Prestações Sociais (34 709 milhões), e as Despesas com Pessoal (19 681 milhões); só os 2 juntos comem 64% da ração total. Se lhe juntarmos o “comilão” dos Juros da Dívida Pública (8 886 milhões), a coisa dispara para perto dos 75% do total de despesas previstas. Deixando apenas o restante 1/4 para todas as outras despesas do Estado. Isto é, Prestações Sociais, Pessoal e Juros abrasam 63 276 milhões.

A restante “vara” de leitões tem que se governar apenas com 22 354 milhões de euros, e mesmo assim, dizem os entendidos, que é aqui que estão as tais “gorduras suínas” que deviam ser cortadas, já que as Prestações Sociais e o Pessoal são sacrossantas para a “esquerda” e o seu guardião TC.

E os Juros? Bem, esses, os “vizinhos” dizem que têm que ser pagos. Como diz o Gabriel "o pensador": Ajoelhou? Vai tê que resá (r).


A segunda figura da rábula (que devia ser a primeira, já que deveriam ser sempre as receitas a condicionar as despesas e não contrário) é “Vaca Escanzelada” - A Receita do Estado (o Bordalo chamou-lhe Zé Povinho), que de tanto ser chupada só tem já “pele e osso”, mas lá se tem vindo a aguentar, embora, com frequência, precise de reforço de “ração” dos vizinhos (os empréstimos).

Como se pode ver na Figura 2, para o ano de 2015 o Estado prevê arrecadar de Receitas cerca de 80,6 mil Milhões de euros. Mais 2,2 mil milhões do que o previsto para 2014.



Figura 2 – As Receitas do Estado – “A Vaca escanzelada”



A maioria das Receitas, cerca de 62 mil milhões de euros (77% do total), vêm da cobrança de Impostos (IVA, IRS, IRC, IMI, ISP, Tabaco), e das contribuições para a Segurança Social. Os restantes 19% vêm de Receitas Diversas: Taxas, Fundos Comunitários, Juros de Capital, e Vendas de Bens e Serviços.

Mas para cobrir as Despesas previstas ainda faltam cerca de 5 mil Milhões (o tal deficit). Teremos assim, que recorrer aos “vizinhos” para nos emprestarem alguma da “ração”, que a “vara” de leitões tem que ser alimentada.

Perceberam bem? Com todo o aumento de impostos e cortes diversos que têm vindo a ser feitos, Portugal, (se tudo correr como o previsto), ainda vai ter Despesas superiores às Receitas de 5 mil Milhões de euros!

No entanto se olharmos para a Figura 3, é bem evidente a evolução da diminuição do deficit, ou seja a “ração” que pedimos emprestada. Enquanto em 20115 espera-se que esse deficit seja de 5 mil Milhões; em 2010 o “balde” da era Sócrates valia 20 mil Milhões de euros.




Só um cego não vê. Ou existem aqueles que não querem ver!


segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Umas “estatísticas” de vez em quando, sempre dá para irmos pensando (4)


Uma dos temas que seria importante andarmos a debater sobre o Ensino em Portugal - Ensino Profissional/Ensino Unificado e Massificado. Infelizmente andamos a discutir concursos e colocação de professores. O Gráfico que hoje apresento é tão evidente que tem pouca discussão.

Espero que os jovens e os seus paizinhos olhem para estes dados. 




E nos Estados Unidos, 50% dos jovens que complementam o Ensino Secundário saem com formação para começarem a trabalhar.

No entanto, em vez de se planear o que é que Portugal precisa para se criar riqueza e tornar este país funcional, continuamos obstinados em formar dotôres, gastando rios de dinheiro (o que temos e o que não temos), para depois emigrarem, e fornecermos a outros de mão beijada. Entretanto vamos ter que ir buscar fora uma série de profissionais onde somos deficitários e, claro, voltar a abrasar dinheiro.

No Ensino em Portugal se o mercado do trabalho precisar de engenheiros, formamos professores; se precisarmos de enfermeiros ou cuidadores de velhos, formamos educadores de infância; se precisarmos de técnicos informáticos, formamos gestores; se precisarmos de electricistas, formamos mecânicos; etc. 

Depois admiram-mo-nos muito que seja grande o desemprego jovem! Siga a cegarrega...

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Rescaldo das "primárias" no PS (2)



Agora um pouco mais a sério. Na sequência do que já havia afirmado aqui, deixo este artigo onde me revejo, e para não estar a repetir o que outros já escreveram.


Sócrates 2.0?
Por Diogo Agostinho

“O país falou. Bem, uma parte do país. E foi expressiva a vitória. Depois de 4 meses, sim foram 4 penosos meses, de uma campanha recheada de ataques pessoais, calúnias e episódios rocambolescos, que culminaram naquilo que já todos sabíamos. A questão de fundo, nestas primárias socialistas, era de forma. O conteúdo esteve manifestamente ausente. António José Seguro, o defensor do interior, vindo de fora dos círculos elitistas de Lisboa, não era um fiel escudeiro da herança socratista. E assim, entre outros erros e falhas, começou a sua queda e o seu desgaste.

Depois de 7 anos, do Governo de José Sócrates, em que António Costa foi uma peça fundamental, titular da pasta da Administração Interna, número dois no Governo e no Partido, era óbvio que os dias estavam contados para o homem de Penamacor.

As primárias foram uma brisa de ar fresco no bafio do Bloco Central ao abrir a simpatizantes uma decisão que é normalmente feita em sacos de votos, dentro dos Partidos. Foi a única grande vantagem deste processo, liderado pelo todo-poderoso Jorge Coelho.

Ao longo deste tempo, pelas bandas do Rato ninguém deu pela saída da Troika (quer dizer, formalmente), pela falência do maior banco privado português, pelo sumiço do DDT, pelo experimentalismo do Banco de Portugal, pelo Verão sem calor nem sol, pelo puxão de orelhas do Tribunal Constitucional ao Governo, pelo apagão do CITIUS, que os Ministros de Portas vão fazendo o seu caminho e também não repararam que o Primeiro-Ministro andou ocupado com a exclusividade.

Enquanto os Antónios se digladiavam, tudo o que aconteceu no país ficou em espera.

Não sei se o que resta desta contenda será suficiente para unir um Partido em cacos, mas a sabedoria popular ensina-nos que o cheiro a poder é sempre afrodisíaco. E se é.

Numa campanha de forma e de estilos vimos um Seguro agressivo, sobretudo quando o tema era António Costa e vimos um Costa igual a si próprio, contundente, nos dois últimos debates, mas sem uma linha, uma ideia, sem um plano de fundo, para mostrar e mobilizar o país.

Depois de três anos de travessia do deserto, em que Seguro teve de apoiar os memorandos negociados por outros, Costa, no alto da janela do município sempre de olho no Rato, em São Bento ou Belém, conforme o resultado dos cálculos políticos, foi minando e contando com a ajuda preciosa vinda de Paris, sempre disponível para acabar com quem não dignificava, isto é, defendia o legado do último Governo PS.

O problema começa agora. O D. Sebastião, Costa, o Desejado, como se percebeu pela campanha, e se vê todos os dias desde há mais de 7 anos na cidade de Lisboa, nada tem a dizer ou a fazer de fundamentalmente novo.

Tem a aura, o contexto familiar e o trajecto dos ungidos. Mas e substância? O que pensa o novo candidato do PS a Primeiro-ministro da divida pública do País? O que pensa o ainda Presidente de Câmara de Lisboa da reforma do Estado? E da conjugação dos impostos com o défice das contas públicas? E o que defende para fomentar o salvífico "crescimento"? E o que pensa da Europa e a da integração europeia? E o que pensa da nossa Constituição?

Falou-nos de uma agenda para a década. É bonito e soa bem. Mas e que mais? E como? Através do investimento público? Outra vez as grandes obras públicas? Mas onde é que já vimos isto? Pois. Também me lembro bem do senhor que estava ontem bem sorridente a comentar na RTP. Ele e todos os seus animados apoiantes no Fórum Lisboa. A tralha socrática correu com quem lhes fez frente no Partido e estava sedenta de vingança e ansiosa por regressar ao poder. E aí está. Com fulgor e entusiasmo. Pronta para "mobilizar Portugal".

O problema, espero, é que agora, finalmente, já não podem existir estados de graça a um homem que lidera Lisboa há sete anos e que nada de novo tem para nos mostrar, a não ser uma gestão cinzenta, esburacada, de trânsito difícil, excepto o fluvial, e que cumprindo a sua palavra, deverá suspender o mandato pois, segundo o candidato socialista a Primeiro-Ministro, liderar uma cidade como Lisboa exige total exclusividade, curioso como esta expressão entrou em voga.

Será que tivemos mais dois vencedores na noite de ontem? Não terá sido apenas Costa a celebrar. José Sócrates, que regressou do exílio, e Fernando Medina, o futuro Presidente da Câmara de Lisboa têm razões para festejar.

Cá estaremos para ver e perceber que contributos teremos do novo Candidato a Primeiro-Ministro. Que Costa tem aura isso é inegável. Mas não chega. É preciso falar. E explicar muito bem, concretizando. Estou certo de que pode ter a tentação de seguir os exemplos de todos os Primeiros-Ministros eleitos, repito, eleitos, desde Guterres e que mentiram ou omitiram para lá chegar, mas penso que cheques em branco, com coisas ocas como Agendas para a década não chegam para enganar ninguém. Esperemos que encontre a sua agenda e, de caminho, algumas ideias dignas de serem apresentadas. 

Sócrates 2.0? Não obrigado. Já sabemos que a criatura é sempre pior que o criador..”.



sábado, 13 de setembro de 2014

Doutores, doutores, onde é que eles estão?


Numa altura em que tanto se discute as Ciências, a Investigação e o Desenvolvimento (até temos um Comissário europeu desta área), quase sempre o que chega ao público, sobretudo quando o “pilim” começa a escassear, é a tal estéril discussão dos financiamentos, não se discutindo a fundo a problemática e a política de uma área que é fundamental para a aquisição e criação de conhecimento e, consequentemente, tratar do essencial que o país necessita (não apenas da aquisição de “canudos”), e que será, sem qualquer dúvida, um investimento reprodutivo, e criador de riqueza para o país e/ou para o mundo.

Num país de “dotôres e engenhêros”, como se diz por aí, o que aqui se aborda não são os “doutores” das Licenciaturas ou Mestrados, o que aqui se trata são os “Doutoramentos” a sério, os produtores de novos conhecimentos. Daqueles que podem usar o título de Doutor, ou melhor, de Professor – Doutor.

Trago aqui este tema, depois de ter assistido na última segunda-feira ao Programa “olhos nos olhos” do Professor Medina Carreira, que teve como convidado o Investigador Professor António Coutinho, dos quais utilizo alguns dados aí apresentados, a que juntei mais alguns da minha pesquisa.

Nos últimos 15 anos, sobretudo na última década, e porque havia dinheiro a rodos (emprestado), privilegiou-se a quantidade e a massificação de doutorados, com cada um a escolher, a seu belo prazer, sem orientação, e sem se ter em conta as necessidades do país, tal como se fez em outras áreas de formação.

Tudo se pode investigar, parece ter sido a divisa. A maioria das vezes apenas para se ostentar o “canudo” como um troféu de caça. O país gastou muito dinheiro próprio nessas formações, e como o “bago" andava fácil, até os financiamentos dos Fundos Europeus para a área, foram negligenciados. Terá sido até, uma das poucas rubricas do Orçamento Europeu em que Portugal contribuiu mais do que beneficiou.

Se de facto formou bem e nas áreas que precisava? Duvido. Alguém que avalie os resultados. Mas vamos a alguns dados que aqui deixo para conhecimento e reflexão de cada um, e que, quando se fale de Ciência e Investigação, alguns de nós já possam ter uma opinião mais fundamentada. Replico assim, algum do conhecimento aí apresentado sobre: quem são, quantos são, e o que fazem os Doutores em Portugal, e, quanto custa o fruto de algum do seu trabalho.

Para aqueles que não se quiserem dar ao trabalho de ler todo o Post, aqui fica um breve Resumo.

- Em 2012, Portugal (na Europa a 23), é um dos países com menos doutorados por 1 000 pessoas em idade activa: 3,9 em 2009; 5 em 2012;

- Actualmente há cerca de 26 000 doutorados em Portugal. Destes, 16 100 (67%) doutoraram-se depois do ano 2000, uma média de 1 240 Doutores/ano. Só em 2012 doutoraram-se mais de 2 200 doutorandos.

- As áreas com mais doutorados são as Ciências Sociais e Humanidades. As Engenharias, as Tecnologias, e as Ciências da Vida e da  Saúde não vão além dos 32% do total de doutorados.

- Dos doutorados em Portugal, apenas 3% trabalham nas Empresas. A grande maioria dos doutorados em Portugal trabalha na área da Educação (80%).

- Portugal tem um dos mais baixos custos com Investigação. Entre 2007 e 2012 esse valor oscilou sempre entre 1,5% e 2% do PIB. Em 2012 foi de 1,5% a que corresponderam aproximadamente 2 476 milhões de euros. Só a Espanha e a Itália gastam tão pouco como nós na Investigação.

- Estes custos têm sido repartidos pelo Sector Público e pelo Sector Privado. Em 2012 o Sector Público contribuiu aproximadamente com 1 400 milhões (57%) de euros, e o Sector Privado com 1 076 milhões de euros (43%).

De acordo com alguns dados que recolhi, em 1999 Portugal tinha 8 700 pessoas Doutoradas. Mas em 2012 esse número já era de cerca 26 000. Em apenas uma década, o número de Doutorados triplicou. Digamos, de grosso modo, que foi muito o conhecimento adquirido. Possivelmente, como começámos tarde em relação a outros países, vamos a isto que é sempre a aviar! E, fomos, certamente, o país da Europa que mais Doutores formou em tão pouco tempo, digo eu.

No entanto, mesmo depois desta “fornada”, quando comparado com os outros países da Europa, como se pode ver no Gráfico 1, Portugal ocupava ainda em 2009 um dos últimos lugares, com apenas 3,9 Doutorados por 1 000 pessoas activas. Mas no final de 2012, esse indicador, já era de cerca de 5 Doutorados por cada 1 000 pessoas em idade de trabalho, o que nos fará subir 3 ou 4 lugares no ranking.

       Gráfico 1 – Doutorados por 1 000 activos 



No Gráfico 2 podemos verificar que, dos tais 26 000 Doutorados que existem actualmente, só entre 2000 e 2012 Portugal formou cerca de 16 100 novos Doutores, numa média de 1 240 novos produtores de novos conhecimentos, em cada ano que passou. Poderíamos até pensar que a coisa até nem foi nada mau, se por acaso tivesse existido planeamento, e uma política de formar o que o país necessitava para o seu desenvolvimento. 

Mas o que podemos ver ainda nesse Gráfico é que as áreas mais privilegiadas foram para as áreas Sociais e de Humanidades com 37% (Ciências da Educação, Sociologias, Psicologias, Economia, Comunicação, e afins); estas áreas foram o dobro dos Doutoramentos em Engenharias e Tecnologias (que foram de apenas 20%), e o triplo dos Doutoramentos em Ciências da Vida e da Saúde, que se diz serem as de maior futuro e necessidade (apenas 12% dos Doutoramentos).  


     Gráfico 2 – Doutoramentos Realizados e Áreas de Formação entre 2000 – 2012



Com a opção de formação por estas áreas, não será de estranhar onde iremos encontrar a trabalhar a grande maioria dos nossos detentores e replicadores de conhecimentos. Não será certamente em Empresas!

Não se julgue que estou a defender que a maioria devesse lá estar. Mas o que é discutível é de serem apenas uns escassos 3% dos Doutorados em Portugal a trabalhar em Empresas, isto é, cerca de 800 dos tais 26 000. É pouco, muito pouco, quando sabemos que são as Empresas as grandes produtoras de riqueza e, certamente, aquelas onde os novos conhecimentos são essenciais. Aliás, isso é visível quando comparamos com o que acontece noutros países com os doutorados nas Empresas:

- Espanha: 17%
- Bélgica: 32%
- Dinamarca: 36%
- Até a Hungria: 8%
E já nem quero falar da Suíça!

Assim sendo, onde trabalham afinal os doutorados em Portugal? 

No Estado, claro: Ou no Ensino ou Laboratórios Públicos. 

Repartidos assim: 80% no Ensino e Educação e 7% em Laboratórios Públicos. E ainda dizem que somos um país neo liberal!
  

  Gráfico 3 – Emprego dos Doutorados em Portugal e outros países, por sector de actividade.



Não sendo os únicos, a função principal dos nossos doutorados é produzir conhecimento, isto é a sua participação na Investigação e no Desenvolvimento (I&D), convirá assim ter uma ideia de quanto é que o país despende nestas actividades, e sobretudo, comparar com os outros países. E também quem é que paga as facturas, e, em que percentagem: Estado e Privados.

De acordo com alguns cálculos que fiz, Portugal terá gasto em 2012 cerca de 1,5% do PIB em actividades Investigação, a que corresponde uma verba aproximada de 2 476 milhões de euros, ou seja perto de 24 cêntimos por português.

Como se pode ver no Quadro 1, quando comparado com outros países, em custos “per capita”, Portugal aproxima-se bastante da Espanha e da Itália. Mas nestas coisas da Investigação está a “anos-luz” de países como a Alemanha e a Dinamarca (96 cêntimos e 1, 32 euros/habitante, respectivamente); e mesmo a França, não vamos além de 1/3 do que é gasto por cada francês para actividades de Investigação e Desenvolvimento. 




Por fim será importante saber quem financia estas actividades de I&D. Assim no Gráfico 4, podemos verificar que em relação à contribuição dos dinheiros públicos, neste conjunto de países, Portugal, percentualmente, ocupa desde 2008 o 1º lugar. Fazendo as contas por alto em valores absolutos, em 2007 o valor foi de 1 277 milhões de euros; em 2009 foi de 1 677 milhões; e em 2012 foi de 1 400 milhões de euros. Como se pode ver as diferenças não são assim tão grandes, como se anda por aí a fazer crer. 

  Gráfico 4 – Impacto das despesas com I&D nas despesas públicas de alguns países 2007 – 2012. 



Quanto às contribuições do Sector Privado, no Gráfico 5 podemos observar o contrário do anterior (lógico num país neo liberal!). Portugal, a par da Espanha e da Itália, são aqueles onde o sector privado menos contribui para a I&D, não passando em 2012, além dos O,7% dos respectivos PIB´s, praticamente metade da média da União europeia a 27 países que é de 1,42% dos respectivos PIB´s.

Em Portugal esse valor tem sido praticamente constante nos últimos 6 anos: 1 000 milhões de euros em 2007; 1 350 milhões em 2009; e 1 076 milhões de euros em 2012.

Comparando com as verbas do Sector Público, e tendo em conta que nas Empresas apenas trabalham 3 % dos doutorados, teremos de concluir que ou estes gastam muito, a Investigação anda a ser feita por outros, ou o Sector Privado anda a financiar os investigadores públicos!


    Gráfico 5 – Evolução das Despesas em I&D do Sector Privado em diversos países, 2007 - 2012 



Seria bom que alguém se dedicasse a Investigar e avaliar do impacto e os resultados desta política.