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domingo, 3 de janeiro de 2016

Para memória futura do apelido Bugalhão...

                                                                        

Origens da família Toureiro, da Ribeira de Marvão 
Um contributo do meu amigo Fernando Mota
Não há dúvidas que a família «Toureiro» que vamos encontrar na Ribeira do Sever, em Marvão, no início do século XVIII é originária de Alpalhão.
Poderemos conjecturar bastante sobre a origem do apelido, mas basta ler o mais antigo livro de registo de baptismos da vila de Alpalhão para percebermos que, as alcunhas, eram uma das principais formas de distinguir famílias e indivíduos com apelido comum e, no caso em concreto, as famílias «Dias». 
O mais antigo «Toureiro» registado nos Arquivos Distritais viveu em Alpalhão entre cerca de 1560 a 1620 e chamava-se António Dias Toureiro e estava casado com Margarida Fernandes (nascida por volta de 1560 e falecida a 14 de Setembro de 1624 (63.tif, Óbitos, Alpalhão). O apelido Toureiro de António Dias seria, com certeza, uma alcunha já que no mesmo período em que ele viveu, existiam outros cinco homens com o nome «António Dias», em que, a distingui-los nos assentos temos apenas as suas alcunhas, que além do nosso «Toureiro» eram: Preto, Delicado, Manço, Carpinteiro e Forcado. Este último apelido, tal como «Toureiro» remete para o mundo da tauromaquia e, tal como o apelido «Bugalhão», lembra a ousadia, coragem e valentia. A tradição da lide de touros é ancestral e estava particularmente em voga no final do século XVI.
No Portugal do século XVI, onde a maioria dos seus habitantes tinham apenas um nome próprio e apelido, o uso de alcunhas e a sua assimilação, eram muitos comuns e são a origem de muitos dos apelidos portugueses de hoje.
Como vimos, a partir de certa altura a alcunha torna-se apelido, e os «Toureiro» de Alpalhão terão tido várias ocupações, muitas delas estariam relacionadas com as mais comuns na zona como a agricultura, pastorícia e criação de gado (daqui também poderia vir a alcunha). Contudo, apesar da alcunha deste António Dias ser «Toureiro» essa poderia não ser a sua profissão. Muitos dos habitantes de Alpalhão, trabalhavam já sazonalmente em Castelo de Vide nos seus moinhos e, será a profissão de moleiro, que os seus descendentes irão desempenhar no século XVIII na Ribeira de Marvão.
Mas, infelizmente é raro encontrar a referência à profissão nos registos de baptismo, casamento ou óbito. Contudo, um dos «Toureiro» de Alpalhão (sobrinho de António Dias Toureiro) no assento de óbito, o pároco da vila deixou registada a sua ocupação: era “soldado de cavalo” e foi morto pelos castelhanos em 28 de Janeiro de 1666 (30.tif, Óbitos, Alpalhão) quando tentava regressar à vila. A sua morte ocorreu no final da «Guerra da Restauração» num período em que as tropas portuguesas tinham em seu poder Valência de Alcântara, mas em que as escaramuças e incursões rápidas dos dois exércitos eram muito comuns.
É preciso lembrar o papel de Alpalhão como uma das principais Vilas fortificadas do Alto Alentejo, junto da fronteira espanhola e o seu papel nas rotas comerciais do interior português, como encruzilhada de estradas que ligavam Castelo de Vide, Portalegre, Crato, Alter e, as localidades a norte do Tejo pelas “Portas do Rodão”.

Alpalhão e o seu castelo no século XV segundo o livro das Fortalezas de Duarte de Armas (1509)
As razões da partida de Alpalhão de elementos da família «Toureiro» poderiam ser muitas, mas tendo em conta a conjuntura política e militar de Portugal no início de setecentos podemos alvitrar o seguinte:
- A vila de Alpalhão em 1704 - num período em que ainda não se verificou a imigração dos «Toureiro» - é invadida e tomada pelo exército franco-espanhol, no contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714). Em Maio de 1704 a vila foi ocupada por tropas franco-espanholas sob o comando de James Fitz-James, 1.º duque de Berwick, quando se dirigiam de Castelo Branco para Portalegre. Na ocasião as defesas da vila e do seu antigo castelo foram arrasados. Segundo os registos de óbito de Alpalhão há combates e morte de soldados até pelo menos 1709[1]
Provavelmente o antepassado comum aos nossos «Toureiro» - Manuel Dias Toureiro (avô de José António Toureiro) – foi morto durante esses violentos ataques a Alpalhão (morre sem testamento, a 7 de Janeiro de 1707).
- A extensa família do patriarca Manuel Dias Toureiro (10 filhos) tem de encontrar formas de sobreviver quando em 1707, a sua mulher, Maria das Candeias, fica viúva. Contudo, os filhos não abandonam a mãe. A saída da família «Toureiro» de Alpalhão dá-se apenas depois da morte de Maria das Candeias em 1717.
- O concelho de Marvão, em especial, as zonas de S. Salvador da Aramenha e Escusa têm nesse período um grande crescimento económico, graças às caleiras na Escusa e à exploração de gado. Esse desenvolvimento não passou despercebido às Ordens militares e religiosas da época, de facto, o Priorado do Crato (que tinha uma influência relevante na zona de Alpalhão), constrói no Sever, um dos maiores moinhos que chegaram aos nossos dias, colocando na fachada as armas da Ordem.
As certezas da vinda da família Toureiro para o concelho de Marvão, e em concreto para a Ribeira do Sever, podem ser comprovadas num individuo improvável, já que este, não tem apelido «Toureiro», apesar de ser filho de um: tratou-se de Pedro Caldeira (filho de Manuel Dias Toureiro e Maria das Candeias (111.tif, Baptismos, S. Salvador da Aramenha - 1730) casado com Catarina Martins (a mãe era de Alpalhão: Ana Dias Candeias e o pai de Marvão: Manuel Lopes Reis [2]«o velho»).
Qual seria a ocupação de Pedro Caldeira na freguesia de S. Salvador da Aramenha? Num registo de baptismo de um dos seus filhos datado de 17 de Novembro de 1725 o casal vivia no «moinho das Águas Paradas» (32.tif, Baptismos S. Salvador da Aramenha). O morador deste deste moinho de água, situado perto das ruínas romanas de Ammaia, apresenta-nos já aquela que será a ocupação dos «Toureiro» na Ribeira, e mais tarde, dos «Bugalhão»: Moleiros.
O Casal Pedro Caldeira e Catarina Martins foi dos primeiros casais oriundos de Alpalhão a instalar-se na Ribeira [3]. A 22 de Março de 1723 este casal é padrinho de baptismo de outros recém-chegados de Alpalhão: José (António Toureiro), filho de António Dias Toureiro e Maria Inchada, descritos pelo pároco no registo de baptismo como «naturais da vila de Alpalhão, mas ora moradores nesta freguesia na Ribeira» (86.tif, Beatismos S. Salvador da Aramenha). Esta criança foi o primeiro filho do casal António Dias Toureiro e Maria Inchada nascido na paróquia de S. Salvador da Aramenha. O casal já tinha tido outros três filhos, nascidos em Alpalhão: Maria (n.1.1.1715, 15.tif, Baptismos, Alpalhão); Ana (n.5.1.1719,92.tif, Baptismos, Alpalhão); e Vitoriano (n.23.2.1721, 133.tif, Baptismos, Alpalhão).
 A 2 de Março de 1726 Pedro Caldeira e Catarina Martins voltaram a ser padrinhos de baptismo do sobrinho «António», filho do irmão de Pedro. O sucesso da partida de Pedro Caldeira, não passa despercebido em Alpalhão. Mais elementos da sua família estão nessa altura a chegar à Ribeira, como a sua irmã Maria Rovisca (n.15.12.1698, Baptismos, Alpalhão) que casa já em S. Salvador da Aramenha com Manuel Tavares a 13 de Janeiro de 1726, que é também referida pelo pároco como «hora moradora na Ribeira».
A provável data da chegada de elementos da família «Toureiro» à Ribeira seria – cerca de 1715/17- é-nos fornecido no registo de casamento de João Dias Toureiro, filho de Manuel Dias Toureiro e irmão de Pedro Caldeira e Maria Rovisca, datado de 7 de Outubro de 1731, onde o padre João Rodrigues Ramilo, afirma ser João natural de Alpalhão (de facto, assim era, onde nasceu a 24 de Janeiro de 1709) mas «morador nesta freguesia [S. Salvador da Aramenha] desde tenra idade» (85.tif, casamentos, S. Salvador da Aramenha). Foram testemunhas deste casamento Manuel Lopes Reis (pai de Catarina Martins, a mulher de Pedro Caldeira) e António Dias Toureiro, tio de João.
Aspecto importante a registar neste registo de casamento é o facto de ambas as testemunhas terem assinado, o que era raro.
Na Ribeira, viviam no início do século XVIII (em especial depois de 1720), pelo menos, mais 4 famílias que tinham viajado de Alpalhão, o que releva uma concentração de pessoas num local onde já estão familiares ou conhecidos, como o casal João Gonçalves Calado e Maria Delicada; casal Timóteo Lopes e Isabel Mendes, etc.
Curiosamente encontram-se nesta paróquia outros personagens que mais tarde cruzaram os caminhos com a família «Toureiro»: em concreto quando a 10 de Agosto de 1690 (11.tif, Baptismos, S. Salvador da Aramenha) nascia «Lourenço» filho de Domingos Fernandes (ainda sem a alcunha de «Serrano») e Maria Gonçalves, que mais tarde voltaremos a encontrar com na família Serrano e a cruzar-se com a família «Toureiro», de onde "nascerá" o apelido «Bugalhão». O curioso e relevante é a referência do pároco: a viverem na Ribeira e decerto terá sido no moinho Olival, onde depois viverá um dos seus filhos. Este casal continuou a ter filhos registados nesta paróquia até, pelo menos, a 14 de Março de 1726 (Baptismos, S. Salvador da Aramenha), quando nascia também nesta freguesia Catarina (mais tarde Catarina Gonçalves Serrana, casada com Agostinho Fernandes), residindo o casal na altura em Porto da Espada.
Podemos assim considerar que, a primeira metade do século XVIII na Ribeira é um período de grande crescimento populacional, fruto de uma imigração oriunda de concelhos limítrofes, que durante um período de relativa paz com Espanha, desenvolvem ao longo do rio Sever entre os Olhos de Água e a Ponte Velha, vários novos moinhos, não esquecendo o igual desenvolvimento da Escusa com a exploração das caleiras.
Este crescimento é caracterizado e influenciado, no entanto, pelas consequências das frequentes incursões castelhanas, como é exemplo a referência no casamento de Belchior Fernandes Rosa e Ana Gonçalves de 11 de Novembro de 1726 ao facto de viverem na Ribeira, no «moinho queimado»[4]De certa forma temos de seguir os moinhos da Ribeira do Sever para percebermos as relações familiares entre os indivíduos que fazem parte desta família.

As ligações familiares entre moleiros, e o papel que as viúvas desempenharam, voltam a verificar-se em 1733 (23.tif, Baptismos, S. Salvador) quando Catarina Martins (agora viúva de Pedro Caldeira) volta a casar com Manuel Gonçalves Nogueira, residindo o casal no «moinho das águas paradas». Para esta propriedade estar nas mãos da viúva diz-nos que a propriedade seria do seu pai Manuel Lopes Reis, que foi padrinho de muitos habitantes da Ribeira nesse período.
Situação semelhante ocorreu com a morte de João Dias Toureiro em 1745, com a viúva Joana Carrilho a accionar os mecanismos legais de partilha, e a casar novamente com Manuel Antunes (também moleiro do Sever). É preciso não esquecer que Joana Carrilho tinha 6 filhos menores a seu cargo e quando faleceu, a 3 de janeiro de 1759 na freguesia de S. Tiago, Marvão (apesar de no registo reconhecer que é de S. Salvador da Aramenha) deixou como testamenteiro o seu filho mais velho João Dias Toureiro, que estava casado com Maria Pinheira: todos moleiros.
Tal se verificou novamente quando, Antónia Serrana, viúva de José António Toureiro (pais do 1º Bugalhão), volta a casar com António Rodrigues Pantaleão, que em 1760 vivia com o pai no «moinho da Amoreira» em S. Salvador e era proprietário em 1775 do «moinho das Águas Partidas», viúvo da irmã Antónia Maria e parente dos Carrilho que viviam nos moinhos da Ponte Velha e Balcão.
Também em 1752 segundo os Inventários Obrigatórios existentes no Arquivo Distrital de Portalegre, verificamos que Maria Vaz (avó de José Bugalhão), viúva que ficou de António Gonçalves Serrano, moleiro, foi inventariante (ou seja, novamente accionou os mecanismos legais para dividir os bens do falecido marido)[5]. Ainda não tivemos acesso a esse documento, mas dado o local onde foi lavrado - «moinho da Malpica» - e que o neto de Maria Vaz viveu neste moinho, podemos depreender que ficou em partilhas com este moinho. Não é assim desprovido de sentido o pedido que José Gonçalves Bugalhão fez na hora de escrever o seu testamento em mandar rezar algumas missas pela avó[6], foi graças a ela que sendo filho único de um casamento que durou pouco tempo, teve educação e sobreviveu, além de que, ainda herdou bens.
 As ligações entre moleiros verificam-se também através na sua presença como padrinhos em casamentos ou baptismos de outros moleiros. São muitos os exemplos dessa situação, mas deixamos aqui alguns exemplos directamente relacionados com a linha paterna directa de José Bugalhão: a 18 de Abril de 1751, o casal José António Toureiro e Maria Antónia Serrana foram padrinhos, do «José» filho de João da Costa e Maria Antunes (esta família tinha moleiros na Ribeira no ramo paterno com Manuel Costa e a já aqui referida Maria Pinheira e no ramo materno, originário da localidade dos padrinhos - Alpalhão).
A família «Toureiro» cresce em número ao longo do século XVIII. Mas, por vezes, os registos paroquiais não são tão infalíveis como poderíamos pensar. Entre 1730 e 1734, João Dias Toureiro casado com Joana Carrilha, é referido algumas vezes sem o apelido «Toureiro» (53.tif, Baptismos, S. Salvador) e noutras com (58.tif, Baptismos, S. Salvador). Pior é quando se trocam nomes, por exemplo duas vezes «Isabel», em vez de «Joana Carrilha» (171.tif e 294.tif, Baptismos, S. Salvador) ou Maria das Candeias, em vez de Maria Rovisca.
No casamento de José António Toureiro com Antónia Maria Serrana (pais de José Bugalhão), realizado a 29 de Maio de 1748, o pai do noivo é referido apenas como António Dias, sem o «Toureiro» (37. Tif, Casamentos, Santo António das Areias). Depois praticamente que desaparece a sua referência durante 3 anos, até que o seu nome, desta vez completo - José António Toureiro – surja de novo: será como padrinho de batismo de José, um dos filhos dos também moleiros e residentes na Ribeira e originários de Alpalhão, o casal João da Costa e Maria Antunes (26. Tif, Batismos, Santo António das Areias).
Não foi possível encontrar o registo de óbito de José António Toureiro. Sabemos que casou com Antónia Maria Serrana em 1748; que em 1754 nasce o seu primeiro e único filho[7]; mas em 1762 Antónia Serrana tinha casado de novo com António Pantaleão. Contudo, pode haver uma explicação para o sucedido: a «Guerra Fantástica». Durante esse período Portugal está em guerra com Espanha que invade o território de fronteira e cerca Marvão. Sabemos isso porque a fortaleza fica cheia de residentes de Galegos, Areias e S. Salvador. Infelizmente essa sobrepopulação e o cerco fizeram as suas vitimas, já que foram muitas as dezenas de crianças que morrem em poucos dias. É precisamente através do registo de óbito de Maria Pinheira, mulher do João Dias Toureiro (primo de José António Toureiro) que morre na freguesia de S. Tiago em Marvão no dia 20 de Novembro de 1762 (410.tif, óbitos, S. Tiago) que sabemos que «os quais eram da freguesia de S. Salvador da Aramenha, e por causa da guerra moravam nesta freguesia». O facto de não conseguirmos encontrar o óbito de José António Toureiro pode estar relacionado com o ter sido feito prisioneiro dos espanhóis e por terras de Espanha ter morrido. São conhecidas as queixas dos moradores da Raia ao Rei, quanto ao grande número de homens que eram feitos prisioneiros e levados para Espanha.
Mas, porquê terá mais tarde o apelido «Toureiro» sido substituído pelo apelido «Serrano»? 
Aqui é novamente a família da mulher que tem mais peso, provavelmente por terem chegado antes a estas paragens e terem maior poder económico. Já o amigo João Bugalhão tinha suposto, com provável razão, que o filho do casal José António Toureiro e Antónia Maria Serrana deve ter sido educado pela avó (razão pela qual no seu testamento ainda lhe manda rezar missas) e daí poder ser tratado como o João “da Serrana”. Mas, poderá haver ainda razões mais fortes e essas têm a ver com a transmissão de bens e da propriedade, em particular moinhos de água. Pela morte do marido de Maria Vaz (António Gonçalves Serrano em 2 de janeiro de 1752 [8]) o registo da sua morte faz curiosamente referência a um testamento que o defunto fez, em que deixa a sua «terça» parte à mulher, e por sua vez, na morte desta, aos seus filhos. 
Como já vimos em casos anteriores, as famílias de moleiros protegiam a sua propriedade, e muitas vezes, esta ficava do lado feminino. Consultando os Inventários Obrigatórios existentes no Arquivo Distrital de Portalegre em 1752 verificamos, como já dissemos, que Maria Vaz, viúva de António Gonçalves Serrano, moleiro, foi inventariante[9]. Foi esta atitude que permitiu ao primeiro «Bugalhão» continuar a residir na Ribeira, a ter uma família e a deixar-nos o actuais descendentes.



[1] Muitos dos soldados e sargentos mortos são referidos como pertencendo à Companhia do capitão Bento Felix da Veiga e do Terço Vermelho de Chaves.

[2] Apesar de Manuel Lopes ser referido como natural de Marvão, na Ribeira da Ponte Velha a família Lopes no mesmo período (1720-1730) é originária de Malpica, Castelo Branco. Terá sido ele o dono ou construtor do moinho da Malpica?

[3] Analisando o registo de baptismos da freguesia de S. Salvador a partir de 1690 até 1713 não há nenhuma referência nos progenitores ou nos padrinhos a uma origem de Alpalhão, apesar de serem referidas muitas outras. Podemos assim afirmar, com alguma certeza que, este casal foi dos primeiros habitantes na Ribeira com origens em Alpalhão.

[4]
 Muito interessante em relação aos moleiros, são as relações familiares entre indivíduos com o mesmo ofício. Ora casando entre si, ora sendo padrinhos em testemunhas ou padrinhos de baptismo. Tal aconteceu obviamente com este casal quando em 19 de Dezembro de 1743, o casal João Dias Toureiro e Joana Carrilha foram padrinhos do seu filho «Francisco» (280.tif, Baptismos, S. Salvador da Aramenha).

[5] Código de referência: PT/ADPTG/JUD/TCCVD/082/0005

[6] Testamento de 2 de Abril de 1810.

[7] Foram feitas pesquisas nos baptismos em Alpalhão, S. Salvador, Areias, S. Tiago e Santa Maria e nada se encontrou.

[8] (29. Tif, Óbitos, Santo António das Areias).

[9] Código de referência: PT/ADPTG/JUD/TCCVD/082/0005


terça-feira, 21 de julho de 2015

...e vão 5! (continuação)


- Resumo de futura história de uma família com 4 séculos



- A poesia na sua simplicidade 



- Continuação da poesia na sua simplicidade, mas atenção ao "espontâneo" por volta do minuto 3: "o mache do mê avô nã (o) gostava de lavrar/o mê avô também nã (o)..."




- Será que um dia vai mesmo acontecer


segunda-feira, 20 de julho de 2015

...e vão 5!


Como tinha anunciado, aconteceu no último sábado, mais um Encontro da família Bugalhão. Mais uma vez nas margens do rio Sever por ali se ajuntaram cerca de 60 familiares, uns pela genética e outros pela afinidade.

Para além do bom repasto servido no Restaurante Sever, foram umas boas horas de convívio entre familiares oriundos das diversas partes deste Portugal onde se encontram radicados, em que alguns, apenas se vêem por estas ocasiões.  

O último ano foi trágico para esta família, já que alguns e assim, sem que se previsse, nos deixaram fisicamente. Mas estiveram presentes, porque deles não nos esquecemos.

A organização esteve impecável, parabéns à Jacinta Bugalhão. A iniciativa das poesias superou as expectativas e deixou, certamente, água na boca para próximos encontros. Assim como a promessa de editar futuramente a História da Família. No próximo ano lá estaremos, tem a organização o Fred. (Frederico Luz).   

(Galeria de fotos "roubadas" por aí)



































terça-feira, 14 de julho de 2015

V Encontro da Família Bugalhão: 18/7/2015


Aí está mais um encontro da família Bugalhão, será já no próximo sábado dia 18/7. Será o 5º, uma actividade ininterrupta que iniciámos em 2011. Será mais uma vez no Restaurante o Sever, na Portagem.

Bugalhão, este apelido estranho mas único, que aparece pela primeira vez em registos no final do século XVII, ostentado por uma família de moleiros estabelecida ao longo do Rio Sever no concelho de Marvão, mas que se perde nos séculos anteriores e que resulta da junção de 2 apelidos: Toureiro e Serrano. O primeiro oriundo da vila de Alpalhão, que terá chegado ao concelho de Marvão ainda no início do século XVIII; e os Serranos oriundos da zona da Serra da Estrela (concelho da Guarda) chegados a estas paragens, talvez em finais do século XVI princípios do século XVII. A sua origem continua um mistério!

Mas no próximo sábado o que queremos é conviver entre familiares espalhados por todo o país, e celebrar as 4 ou 5 gerações presentes. Mas também relembrar aqueles que, de forma física definitiva, nos vão deixando a cada ano que passa.

Por isso, enquanto a vida nos deixar, lá estaremos...



domingo, 8 de fevereiro de 2015

A lei da vida...

Desta vez foi a raiz mais funda. O clã Bugalhão perdeu mais uma raiz, foi Francisco Gonçalves Bugalhão, nascido em 1919. Era até ontem o patriarca da família. Agora resta a sua memória. E enquanto esta perdurar, Francisco, e o seu sorriso e simpatia, continuarão vivos.

A nós, pernadas dessa árvore com mais de 300 anos, resta-nos continuar, e tentarmos ser dignos daqueles que nos precederem no relógio do tempo.



Um grande abraço onde quer que se encontre Francisco...  
  

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Morre muita gente na minha terra...


Morre muita gente na minha terra. Nasce pouca gente na minha terra e, muitos, para sobreviverem têm que sair de lá. Por isso perdemos mais de metade da população em pouco mais de 40 anos. No meu concelho de Marvão éramos cerca de 8 000 residentes em 1971. Nos dias de hoje, serão pouco mais de 3 000 almas vivas, as que aí residem.

Morre muita gente na minha terra. E continuarão a morrer nos próximos anos, já que 35% dessas 3 000 almas vivas (1 000 pessoas), têm mais de 65 anos. E como ninguém é eterno, nos próximos 15 anos, a maioria destes mais aqueles que a dita não vai poupando, o concelho de Marvão ficará com pouco mais de 2 000 habitantes.

Morre muita gente na minha terra, e não há volta a dar. Não há estratégias que invertam esta situação, por mais que, determinados papagaios da política quer locais quer nacionais, enunciem mudanças e promessas vãs, mas sem qualquer fundamento. Esta é uma realidade com que teremos de viver e que, em minha opinião, só através de uma qualquer catástrofe será invertida, seja ela natural (terramoto ou inundações no litoral), seja ela social (guerra ou fome, que obrigue as pessoas a refugiarem-se no interior do país).

Morre muita gente na minha terra. E nem sempre são só os velhos a quem não é conhecido outro destino. Só nos primeiros 10 dias deste ano, que eu saiba, a dita, se encarregou de levar 4 almas de meia-idade (menos de 60 anos). 3 deles eram meus amigos e mais novos do que eu: O João José (meu primo); o Luís Mourato (meu vizinho e amigo que conheci nos anos oitenta); e, agora o Mário, meu amigo de infância e criação, por causa de quem levei os primeiros tabefes de meu pai, por com ele me entreter em brincadeiras de gaiatos quando ia buscar o tabaquito para o “velho Buga” à loja de sua mãe que conhecíamos na Abegoa como a “ti Piedade”.

Morre muita gente na minha terra. E muitos marvanenses têm por hábito irem aos funerais dos que partem. Serão nobres a maioria das razões e sentimentos porque muitos o fazem, sem discussão. Mas nos últimos anos, instituiu-se algo que me parece aberrante, descabido, e mesmo cínico: a excursão folclórica dos políticos aos funerais na hora do enterro. Sem discrição, com comportamentos automatizados, a federem a falsidade, baseados naquilo que é denominada “ estratégia do beijinho”! 

Usando e abusando, sem escrúpulos, a fragilidade com que se encontram as famílias do ente que partiu, a verterem lágrimas de crocodilo à vista de todos, e, que todos comentam. Num destes dias, um amigo meu, confidenciava-me “Desta vez, um dos ditos, apareceu em grande estilo, na sua melhor forma, dando beijinhos a todos os que mexiam. Beijinhos não, porque ele não beija. Ele mete apenas a fuça a jeito, e são as pessoas que o beijam a ele.”

Num meio rural, com cada vez menos gente, em que tudo se repara e compara, até a presença destas personagens nestes locais e nestas situações, faz a diferença: “... ah, até o senhor presidente, da câmara ou da junta, estavam ”, ou “vejam lá, que nem o senhor «presidente» apareceu. Só nos vêm quando precisam dos nossos votos...”, etc. E eles sabem disto, não admira por isso que estejam sempre lá. E por outro lado, estas cerimónias, são por estes tempos também as mais frequentadas. 

Então para quê perder tempo com campanhas eleitorais a fazer política, a ouvir queixas, a descentralizar assembleias, a discutir as melhores estratégias para o bem comum, dar a conhecer os resultados da administração da coisa pública, que deviam ser as suas principais preocupações? Vamos aos funerais, está lá toda gente, parece mal estarmos a falar de política, distribuímos beijinhos às senhoras, apertos de mão (bem apertados) aos cavalheiros, e votem em nós que somos uns gajos porreiros!

Já “vivi”, em tempos, estratégias políticas com esta gente, sei o que pensavam e o diziam dos seus antecessores: “... o A só fazia campanha nos funerais; o B só vai às missas e às procissões”. E agora, qual é a diferença? Até têm uma “escala” para comparecerem, e não lhes falhar ninguém (sei do que falo). Ao menos que sejam genuínos e discretos. Cumpram as vossas funções para com os vivos e deixem os mortos em paz. Ajudem as pessoas em vida, ou na doença, e honrem-nos com a missão para que foram eleitos.   

Vai continuar a morrer gente na minha terra. Eu não gosto que os funerais sirvam para campanha dos políticos, por isso escrevi este artigo. E quando chegar a minha vez, não quero “politiquices”. Citem Mário de Sá Carneiro, e contribuem para o meu desejo em vida:

“Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro...”

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Sobre o novo visual: Um mergulho no tempo e na história...


José Saramago disse um dia que “...sem memória não existimos”, e Fernando Pessoa já tinha afirmado antes que “...a memória é a consciência inserida no tempo”. Para quem se interessa pelo passado, como forma de perceber o presente, mergulhar no tempo e revolver arquivos é uma tarefa fabulosa para a imaginação, mesmo que de uma simples história familiar se trate. Sem nos darmos conta, estamos a encarnar os nossos antepassados, e quando passamos pelos locais em que estes viveram, quase somos tentados a ver o mundo actual com os olhos de há 200 ou 300 anos atrás. Ao mergulhar nestas pesquisas, às tantas, eu já não era o João Bugalhão nascido em 1957, mas cheguei a sentir-me aquele outro João Bugalhão nascido em 1783 moleiro no Moinho da Malpiqua da Ribeira da Ponte Velha, casado primeiro com Joana da Conceição, depois, por morte desta, com Cândida Rosa, e pai de 12 (doze) filhos.

                                                     João Bugalhão in “Bugalhão um nome estranho”


A partir de hoje, e com este novo visual que apresento no cabeçalho deste meu escape que é a “Retórica bugalhónica”, passo a assumir e carregar nos ombros os 4 séculos de história de uma família tradicional de moleiros das margens do Rio Sever, no concelho de Marvão, numa história que investiguei.

O apelido Bugalhão terá sido usado pela primeira vez, por um sujeito de nome José, nascido em 1754 já no concelho de Marvão, que para além deste apelido, também ostentava outros dois: Toureiro, que era o apelido de seu pai e de seu avô (oriundo da vila de Alpalhão; e Gonçalves Serrano, de seu avô materno António, moleiro, e também já nascido no concelho de Marvão no final do século XVII, mas descendente de uma família oriunda da freguesia da Arrifana, concelho da Guarda (certamente essa a origem do apelido – Serra da Estrela: serrano.

A razão por que terá José passado a ostentar este apelido enigmático de Bugalhão, continua um mistério! O facto é que é, no mínimo estranho, tanto que é único em Portugal. O que significa que todos aqueles que têm este apelido são seus descendentes. 

Quem sabe, possa através deste espaço, encontrar alguém que me ajude a desvendar este mistério...


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

A vez ao “santo” Santos....

Gosto de Fernando Santos, mas não acredito em milagres. Foi um dos meus “mestres” na arte de tentar ser treinador de futebol distrital, tendo por isso, na perspectiva de melhorar e actualizar os meus conhecimentos, e não tendo muitas possibilidades de me deslocar aos grandes centros, acompanhado, “in vivo”, quase na íntegra, os Estágios que realizou com o Estrela da Amadora em Castelo de Vide.

Não me parecendo, na altura, a “fina flor” da arte, sobretudo no que tocava às metodologias do treino - Parecia ser um modelo mais à antiga, quase tipo “escola militar”. O que mais detenho dessa observação era o seu pragmatismo de simplicidade de métodos, e o seu cunho “disciplinador” de homem de barba rija, e que não brincava em serviço.

Relembro um episódio com o então rebelde guarda-redes Paulo Santos (o tal que na Escócia, num jogo da selecção de “sub 17 ou 19, numa final de campeonato da Europa, despiu os calções e mostrou o cu aos escoceses que o apupavam), e que viria a brilhar mais tarde, sobretudo no Braga. Quando da sua apresentação num desses estágios no Estrela da Amadora, vindo dispensado do Benfica, e possivelmente contrariado, chegou com mania de vedeta e engraçadinho. Iniciado o treino técnico-táctico (como agora se diz), na altura treino de conjunto, logo que lhe passaram a primeira bola, imediatamente o dito, a pontapeou para a estrada nacional, o que levou Fernando Santos a corrigi-lo, dizendo: - Paulo não quero isso, quero a bola a sair a jogar cá de trás. Mas o Paulo assobiou para o lado. Pouco depois passaram-lhe outra bola e, o Paulo, dessa vez fez diferente, mas utilizando a mesma técnica espetou com ela no cemitério que ficava no lado oposto à estrada. Essa atitude fez o bom do Santos (Fernando) ficar possesso como um “diabo”, e dirigindo-se ao seu homónimo Paulo, pegou-o pelo sítio onde se usam os colarinhos, dizendo-lhe: - Amigo, aqui, fazes o que eu digo, e se voltas a fazer outra dessas, levas 2 murros nos c*****, e vais recambiado para onde vieste. Foi assim, mais ou menos, eu estava a 50 metros! Foi a partir daí que, o Paulo, se tornou um razoável ou mesmo bom guarda-redes em Portugal, e, admitindo até que nunca tenha chegado a “santo”, espero que pelo menos, tenha passado a ser um homenzinho e deixar-se de andar a mostrar o cu. É que às vezes...

Depois Fernando Santos seguiu a sua carreira. Sporting, Benfica, Porto e Grécia. Em minha opinião, os resultados obtidos, nem sequer foram muito famosos. Campeão duas vezes no Porto? Mas isso até eu, que não passei de um mero admirador do Fernando! Ah, na Grécia levou a selecção aos oitavos de final do mundial? Sim, mas ainda há 10 anos, um qualquer alemão os tinha levado a campeões da Europa. E por azar com uma vitória sobre Portugal.

Agora Fernando Santos chega como um mago a Seleccionar Nacional. Total unanimidade dos analistas e comentadores da praça, nem uma voz discordante, uma crítica (até o Manuel José e o Rui Santos concordam). Pudera, ainda não disputou nenhum jogo! Ou também conhecerão o episódio com o guarda-redes mostra cus?

É que o homem pode ser “Santo ou Santos” de nome, mas duvido que faça milagres! A mim estas unanimidades antes das provas, dos jogos, ou dos campeonatos, fazem-me comichão. E agora, os cus a domesticar são, pelo menos, mais "sensíveis" e "poderosos": Ronaldo, Nani, Dani, Quaresma, R. Carvalho, Pepe, Moutinho; Jorge Mendes...

Esperem a próxima bola, que é como quem diz o próximo jogo...

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Estes são os descendentes de José Gonçalves Bugalhão (1754 - 1810)

Algumas imagens (Fotos da autoria de Fernanda Bugalhão e Tó Zé Bugalhão)